segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O sábio ditado chinês...

 
 
 
NÃO IMPORTA O TAMANHO DA MONTANHA,
 
ELA NÃO PODE TAPAR O SOL...
 
 
 
(Encaminhado por Nair Lúcia de Britto)

Estatuto de Poeta de Silas Correa Leite




ESTATUTO DE POETA

Primeiro Rascunho Para um Esboço de Projeto Amplo, Total e Irrestrito
Silas Corrêa Leite
Artigo Um

Todo Poeta tem direito de ser feliz para sempre, mesmo até muito além do para sempre, ou quando eventualmente o “para sempre” tenha algum fim.
Artigo Dois
Todo Poeta poderá dividir sua loucura, paixão e sensibilidade com mil amores, pois a todos realmente amará com o mesmo prelúdio nos olhos, algumas asas nas algibeiras e muitas cítaras encantadas na alma, ainda assim, sem lenço e sem documento.
Parágrafo Único
Nenhum Poeta poderá ser traído, a não ser para que a pobre ex-Musa seja infeliz para todo o resto dos dias que lhe caibam na tábua de carne desse Planeta Água.
Artigo Três
Nenhum Poeta padecerá de fome, de tristeza ou de solidão, até porque a tristeza é a identidade do Poeta, a solidão a sua Pátria, sendo que, a fome pode muito bem ser substituída num abismo terminal por rifle ou cianureto. E depois, um poeta não precisa de solidão para ser sozinho. É sozinho de si mesmo, pela própria natureza, com seus encantários, santerias, ninhais, mundo-sombra e baladas de incêndio.
Artigo Quatro
A Mãe do Poeta será o magno santuário terreal de seus dias de lutas e sonhos contra moinhos e erranças de gracezas e iluminuras.
Filho de Poeta será como caule ao vento, cálice de liturgia, enchente em rio: deverá adaptar-se ao Pai chamado de louco por falta de lucidez de comuns mortais ou velado elogio em tácita inveja espúria.
Artigo Quinto
Nenhum Poeta será maior que seu país, nenhuma fronteira ou divisa haverá para o Poeta, pois sua bandeira de luz-cor será a justiça social, pão, vinho, maná, leite e mel, além de pétalas e salmos aos que passaram em brancas nuvens pela vida. E depois, uns são, uns não, uns vão, uns hão, uns grão, uns drão – e ainda existem outros.
Artigo Sexto
A todo Poeta será dado pão, cerveja, amante e paixão impossível, o que naturalmente o sustentará mental e fisiológicamente em tempos tenebrosos ou de vacas magras, de muito ouro e pouco pão.
Artigo Sétimo
Nenhum Poeta será preso, pois sempre existirá, se defenderá e escreverá em legítima defesa da honra da Legião Estrangeira do Abandono, à qual se sabe pertencer, com seu butim de acontecências, ou seu não-lugar de, criando, Ser, estar, permanecer, continuar, feito uma letargia, um onirismo, uma catarse, ou um surto psicótico que os anjos chamam alumbramento terçã.
Artigo Oitavo
A infinital solidão do espaço sempre atrairá os Poetas.

Artigo Nono

Caso o Poeta “viaje fora do combinado”, tome licor de ausência ou vá morar no sol, nunca será pranteado o suficiente, nem lhe colocarão tulipas de néon, dálias aurorais, estrelícias de leite ou dente-de-leão sob o corpo que combateu o bom combate. Será servido às carpideiras, amigos, parentes, anjonautas e guardiões, vinho de boa safra por atacado, cerveja preta mais bolinhos de arroz, pão de minuto e cuque de fubá salgado.


Artigo Décimo

Poeta não precisará mais do que o radar de seus olhos, as suas mãos de artesão sensorial no traquejo do cinzel interior, criativo, mais sua aura abençoada e seu halo com tintas de luz timbral para despojar polimentos íntimos em verso e prosa, como pertencimentos-quireras, questionários e renúncias.

Artigo Décimo-Primeiro

Poeta poderá andar vestido como quiser, lutar contra as misérias e mentiras do cotidiano (riquezas impunes, lucros injustos, propriedades roubos), sempre buscando pela paz social, ou ainda mamando na utopia de uma justiça ético-plural-comunitária. Quem gosta de revolução de boteco é janota boçal metido a erudição alcoólica e pseudo-intelectual seboso e burguês. Poeta gosta mesmo de humanismo de resultados. De pegar no breu. A luta continua! Saravá, Brecht!


Artigo Décimo-Segundo

Poeta pode ser Professor, Torneiro-Mecânico, Operário, Ourives, Jardineiro, Fabricante de Bonecas, Vigia-Noturno, Engolidor de Fogo, Entregador de Raposas, Dono de Bar ou Encantador de Freiras Indecisas. Poeta só não poderá ser passional, insensível, frio ou interesseiro. Ao poeta cabe apenas o favo de Criar. O poeta escreve torto por linhas tortas (um gauche), poesilhas (poesia rueira e descalça) e ficção-angústia. Escreve (despoja-se) para não ficar louco...para livrar do que sente. O Poeta, afinal, é um “Sentidor” com sua angústia-vívere

Artigo Décimo-Terceiro

Se algum Poeta for acusado levianamente de alguma eventual infração ou crime, a dúvida o livrará de ser apenado. E se o Poeta dizer-se inocente isso superará palavras acima de todos e sua fala será sentença e lei sagracial. A ótica do Poeta está acima de qualquer suspeita, e ele sempre é de per-si mesmo o local do crime da viagem de existir. Mas pode colaborar com as autoridades, cometendo um crime perfeito. Afinal, só os imbecis são felizes.



Parágrafo Único

Poeta não erra. Refaz percursos. Poeta não mente. Inventa o inexistente, traduz o impossível, delata o devir. Poeta não morre. Estréia no céu. Poeta padece fibra por fibra no ser-se de si mesmo
Artigo Décimo-Quarto

Aos Poetas serão abertas todas as portas, até as invisíveis aos olhos vesgos e comuns dos mortais anônimos, serão abertos todos os olhos, todas as almas, todos os caminhos, todas as chamas, todos os cântaros de lágrimas e desejos, todos os segredos dessa dimensão ou fora dela, num desespelho de matizes, feito insofrência do desmundo.


Artigo Décimo-Quinto

A primeira flor da primeira aurora de cada dia novo, será declarada de propriedade do Poeta da rua, do bairro, do país ou de qualquer próximo Poeta a confeitar como louco, como ermitão ou pioneiro, de vanguarda. Em caso de naufrágio ou incêndio, poetas e grávidas primeiro

Artigo Décimo-Sexto
Não existe Poeta moderno, clássico, quadrado, matemático como pelotão de isolamento, ou só aleijado por dentro, pois as flores e os rios não nascem nunca iguais aos outros, sósias, nem os poemas são tijolos formais de reboques arcaicos. Nenhum Poeta poderá produzir só por estética, rima ou lucro fóssil. Poesia não é para ser vendida, mas para ser dada de graça. Um troco, um soneto, uma gorjeta, um haikai, um fiado pago, uns versos brancos, um salário do pecado, um mantra-banzo-blues-lundu. E todo alumbramento é uma meia viagem pra Pasárgada.

Poeta é tudo a mesma coisa, com maior ou menor grau de sofrimento e lições de sabedoria dessas sofrências, portanto, com carga maior ou menor de visão, lucidez, sensoriedade canalizada entre o emocional e o racional, de acordo com a sua bagagem, seu vivenciar, seu prisma existencialista de bon vivant por atacado. Poeta há entre os que pensam e os que pensam que pensam. Entre os que são e os que pensam que são, pois se parecem. A todos é dado a estrada de tijolos amarelos para a empreita de uma caminhada que o madurará paulatinamente. Ou não. Todo poeta é aprendiz de si mesmo, em busca de uma pegada íntima, e escreve para oxigenar a alma. Afinal, são todos sementes, e sabem que precisam ser flores e frutos, para recriarem, para sempre, a eterna primavera cósmica.

Todo aquele que se disser Poeta, assim o será, ou assim haverá de ser

Parágrafo Um

O verdadeiro Poeta não acredita em Arte que não seja Libertação. Saravá, Manuel Bandeira!

Parágrafo Dois

Poeta bebe porque é líquido. Se fosse sólido comia.

Parágrafo Três

Poeta é como a cana. Mesmo cortado, ralado, amassado, ao ser posto na moenda dos dias, ainda assim tem que dar açúcar-poesia
Inciso Um

Poeta também bebe para tornar as pessoas mais interessantes.

Parágrafo quatro

Poeta não viaja. Poeta bebe. E todo Poeta sabe que o fígado faz mal à bebida.




Artigo Décimo-Sétimo

Poeta terá que ser rueiro como pétala de cristal sacro, frequentador de barzinhos como anjo notívago, freguês de saunas mistas como recolhedor de essências, plantador de trigais amarelos como iluminador de cenários, cevador de canteiros entre casebres de bosquíanos, entre o arado e a estrela, um arauto pós-moderno como declamador de salmos contemporâneos entre extraterrestres.

Parágrafo Único


Poeta rico deverá ainda mais amar o próximo como se a si mesmo, ajudando os fracos e oprimidos, os Sem Terra, Sem Teto, Sem Amor, para então se restar bem-aventurado e poder escrever cânticos sobre a condição humana no livro da vida. Poeta é antena da época. E o neoholocausto do liberalismo globalizador é o câncer que ergue e destrói coisas belas.

Artigo Décimo-Oitavo

A todo Poeta andarilho e peregrino como Cristo, São Francisco ou Gandhi, será dado seu quinhão de afeto, sua porção de Lar, seu travesseiro de pétalas de luz. Quem negar candeia, azeite e abrigo ao Poeta, nunca terá paz por séculos de gerações seguintes abandonadas entre o abismo e a ponte para a Terra do Nunca. Quem abrigar um Poeta, ganhará mais um anjo-da-guarda no coração do clã que então será abençoado até os fins dos tempos.

Parágrafo único
O sábio discute sabedoria com um outro sábio. Com um humilde o sábio aprende.

Artigo Décimo-Nono

Poeta poderá andar vestido como quiser, com chapéus de nuvens, pés de estrelas binárias ou mantras de ninhos de borboletas. Nenhum Poeta será criticado por fazer-se de louco pois os loucos herdarão a terra e são enviados dos deuses. “Deus deve amar os loucos/Criou-os tão poucos...” - Um Poeta poderá também andar nu, pois assim viemos e assim nos moldamos ao barro-olaria de nosso eio-Éden chamado Planeta Água. E a estética para o poeta não significa muito, somente o conteúdo é essência infinital.

Artigo Vigésimo

Poeta gosta de luxo também, mas deve lutar por uma paz social, sabendo a real grandeza bela de ser simples como vôo de pássaro, simples como pouso em hangar fantástico, simples como beira de rio ou vão de cerca de tabuínha verde. Só há pureza no simples.

Artigo Vigésimo-Primeiro

Nenhum Poeta, em tempo algum, por qualquer motivo deverá ser convocado para qualquer batalha, luta ou guerra. Mas poderá fazer revoluções sem violência. Poderá também ser solicitado para ser arauto da paz, enfermeiro de varizes da alma ou envernizador de cicatrizes no coração, oferecendo, confidente e solidário, um ombro amigo, um abraço de ternura, um adeus escondido feito recolhedor de aprendizados ou visitador de bençãos, ou até ser circunstancialmente um rascunhador clandestino de alguma ridícula carta de suicida por paixão impossível.


Artigo Vigésimo-Segundo

Mentira para o Poeta significa cruz certa. Aliás, poeta na verdade nunca mente, só inventa verdades tecnicamente inteiras e filosoficamente sistêmicas...

Artigo Vigésimo-Terceiro

Musa-Vítima do Poeta será enfermeira, psicóloga, amante, mulher-bandeira, berço esplêndido, Santa. Terá que ser acima de todas as convenções formais, pau para toda obra. No amor e na dor, na alegria e na tristeza, até num possível pacto de morte.

Artigo Vigésimo-Quarto

Poeta não paga pensão alimentícia. Ou se está com ele ou contra ele. Filhotes sobrevivente de uma relação qualquer, ficarão sob sua guarda direta e imediata. Ex-Mulheres serão para sempre águas passadas que não movem moinhos, como velas ao vento de uma Nau Catarineta qualquer, como exercícios de abstrações entre cismas, ou como aprendizados de dezelos íntimos de quem procura calma para se coçar.


Artigo Vigésimo-Quinto

Revogam-se todas as disposições em contrário

CUMPRA-SE - DIVULGUE-SE
Itararé, São Paulo, Brasil, Cinzas, 1998, Lua Cheia – Do jazz nasce a luz!

Poeta Silas Corrêa Leite, Educador e Jornalista – Membro da UBE-União Brasileira de Escritores - www.itarare.com.br/silas.htm

(Texto traduzido para o espanhol pela Poeta Dr. Antonio Everardo Glez, de Durango, México) - Breve tradução para o inglês, francês e italiano.


E-mail: poesilas@terra.com.br
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Comentários Sobre o Estatuto de Poeta


Por Mestra Dra. Alice Tomé*


Viver em Arte poética é entrar na dimensão do infinito sem procurar razões, e, como tudo tem um princípio e um começo a ideia deste prefácio para o Estatuto de Poeta nasceu das inter-relações via Internet do grupo «Cá Estamos Nós» criado por Carlos Leite Ribeiro, jornalista, poeta e ensaísta português.

Se toda a canção é um poema, - para quem nasceu quase a cantar, dizem – é uma honra muito grande esta solicitação de prefaciar a obra – Estatuto de Poeta - de Silas Corrêa Leite, poeta e professor, que como todos os Estatutos são o caminho que se deve seguir para atingir os fins; e, como ele próprio escreve «Ser poeta é minha maneira/De chorar escondido/Nessa existência estrangeira/Que me tenho havido».

Uma maior honra ainda porque não trilhando directamente os caminhos científicos de Artes e Letras mas, sim, de Ciências Sociais e Humanas, e mais precisamente da Sociologia da Educação, a questão poética é algo que brota naturalmente em mim, como o riacho que nasce na montanha e vai escalando os espaços até se tornar uma força corrente e se juntar a outras correntes que lhe dão ainda mais força, e onde tantas vidas vão beber, alimentar, refrescar, repousar, sonhar, criar (…), e, em terras de Beirãs, do rio Côa os antigos contavam: «Quantos moços…Quantas moças?/Lenços brancos aí lançaram?/A corrente os arrastou/E sua benção partilharam…(Alice Tomé, Café Literário3, Editores Associados & Blow-Up Comunicação, São Paulo, Brasil, 2002)»

O Poeta e Educador Silas Corrêa Leite já tem um longo caminho poético percorrido, feito de experiências vividas, aprendidas, interiorizadas e como ele diz: «Não somos brancos, vermelhos, pretos, ou amarelos/Somos a Raça Humana…». E, para melhorar esse caminho «humano» nasce o Estatuto de Poeta que, por certo, logo no artigo 1º não deixa dúvida da sua grandeza e ambição na procura da Felicidade: «Todo o Poeta tem direito de ser feliz para sempre,…». Essa procura da Felicidade – essência da pessoa – que cada Ser vive e procura à sua maneira, que se mostra e esconde e não tem retorno; ou se vive ou não existe, algo sem definição, como a própria poesia, existe, sem mais, e, diria Manuel Bandeira «O verdadeiro poeta não acredita em Arte que não seja Libertação».

Bebe-se a água cristalina da fonte, bebe-se o vinho de pura casta que sacralizado se transforma em vida…,e, pensa-se poesia no silêncio ou na celeuma, porque poeta está para além do tempo e da razão, «…Poeta bebe…(artº. Quarto)».

Todos os Artistas transgridem as normas sociais, todos saltaram barreiras, todos, no sentido da normalidade, fizeram loucuras porque a deificação da Arte e Poesia é cósmica, é mística, é dogmática, e, o seu criador é uma mistura/mélange disso tudo, onde a Estética criadora existe na «Sonsologia do Ser, do já vivido ou do já sentido, (Mario Perniola)», e, nesse cruzamento de Olhares, visões e sensações nasce a obra, criação sua, fruto seu e sempre único, mesmo que em algo se assemelhe à Escola de uma vida feita de «Retalhos e Colagens» que os Autores (re)criam dando-lhe outra dimensão, outra existência, outra roupagem, à maneira de Miguel D’Hera ou de Eduardo Barrox e tantos outros…O artigo décimo, deste Estatuto de Poeta, transporta-nos até essa dimensão natural : «Poeta poderá andar vestido como quiser…».

A poesia vive-se, dá-se, partilha-se entre amigos, e, nesse acto de solidão, de sensualidade, de saudade, de comunhão que nos transportam os versos de autores, pertencentes ao passado e ao presente, grandes vultos poéticos que marcaram a nossa identidade Luso-Afro-Brasileira, como: Luís de Camões, Gil Vicente, Almeida Garrett, Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, António Nobre, Florbela Espanca, Miguel Torga, António Gedeão, Vergílio Ferreira, Amália Rodrigues, Jorge Amado…, e, dando continuidade a essa veia poética estão Autores actuais: Flávio Alberoni, Ana Paula Bastos, Ângelo Rodrigues, Alice Tomé, Eduardo Barrox, João Sevivas, Manuel Alegre, Américo Rodrigues, Silas Corrêa Leite, Von Trina, José Ronaldo Corrêa, Valmir Flor da Silva…,e, tantos, tantos outros, são os testemunho universal e eternizante do poeticamente existindo e vivendo a dimensão Humana sempre aprendendo e criando.

«Sinto que algo se separa neste instante./É uma parte que se vai/ e já me deixa saudades…(Alberoni, Café Literário1, Editores Associados & Blow-Up Comunicação, SP, Brasil, 2002)»

Poeta luta pela paz mesmo no meio do “caos”, é irrequieto, irreverente, porque igual a si próprio na procura incessante do “Ser ou não Ser”, do “Estar ou não Estar”, “do Viver ou não Viver”, porque poeticamente sonhando e criando essa outra existência telúrica onde a Musa - da Arte poética – queima convenções formais e se torna «Pau para toda a obra…(artº vigésimo segundo)», e, aos que a saudade Lusa herdaram, ou a vivem, seja onde for, saia a POESIA do anonimato, divulgue-se este Estatuto de Poeta, viva-se em poesia e abra-se a porta do infinito…assim o esperamos.

*Mestra Doutora Alice Tomé – Portugal - Texto inédito criado para Estatuto de Poeta, de Silas Corrêa Leite de Itararé-SP/Brasil», aos 10 de Maio de 2002, Lisboa, Portugal.
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*Alice Tomé é Professora Universitária, Socióloga e Educóloga, Poeta, Ensaísta, e Doutora em Ciências da Educação, Directora da Revista ANAIS UNIVERSITÁRIOS – Ciências Sociais e Humanas, Editora da Universidade da Beira Interior (UBI), Covilhã, Portugal, e Responsável das Relações Internacionais Sócrates/Erasmus do Departamento de Sociologia da UBI; <"http://atome.no.sapo.pt/index.htm>; . A autora, além das publicações poéticas nas Antologias: POIESIS IV, (2000), e, POIESIS VI, (2001), da Editorial Minerva, Lisboa, colabora, em várias «Revistas Electrónicas», (sites na WEB): «Andarilhos das Letras», «Café Literário» - São Paulo, SP; «A Arte da Palavra»; «Grupo Palavreiros»; «3D gate»; «Rio Total»; «Jornal de Poesia»; Brasil; e, em Portugal, nos sites «Cá Estamos Nós» - Marinha Grande; «terranatal» - O Portal de Portugal; e, «URBI ET ORBI» - jornal on-line da UBI, da Covilhã, da Região e do resto.
Tem vários livros publicados, sendo também Autora – Coordenadora da obras: «Éducation au Portugal et en France. Situations et Perspectives, Editions de L’Harmattan, Paris, 1998; «Terra Vida Alma. Valongo do Côa», Editorial Minerva, Lisboa, 2000. Recentemente publicou: «Sociologia da Educação. Escola et Mores», Editorial Minerva, Lisboa, 2001.
Alice Tomé é Beirã de gema, Portuguesa de «jus sanguinis», amante da vida...de Lisboa e Paris (e Covilhã onde trabalha).
Nasceu em Valongo do Côa, Sabugal, Guarda, Portugal.

domingo, 28 de novembro de 2010

Evento em São Carlos aborda as recentes políticas na Educação Básica



O "3º Seminário sobre Financiamento da Educação Básica" acontece no dia 2 de dezembro, na UFSCar, e será aberto a todos os interessados

No dia 2 de dezembro acontece na UFSCar o 3º Seminário sobre Financiamento da Educação Básica "Balanço de Financiamento da Educação Básica no governo Lula: avanços e retrocessos", organizado pelos professores Flávio Caetano, do Departamento de Educação da UFSCar, e José Marcelino de Rezende Pinto, do Departamento de Psicologia e Educação da USP-Ribeirão Preto. O evento é aberto a todos os interessados e as inscrições podem ser feitas até o dia 29 de novembro.
Durante o Seminário serão analisadas as políticas de financiamento da Educação Básica, em especial as políticas públicas adotadas nos últimos quatro anos. O evento tem inicio às 9 horas e será aberto com a palestra "As políticas de indução e a nova lógica gerencialista do financiamento da Educação Básica no Brasil", apresentada pelo professor Flávio Caetano. A partir das 14 horas, o professor José Marcelino ministra a palestra "Qualidade e Financiamento na Educação Básica em tempos atuais". Após as apresentações será aberto um espaço para debates e perguntas para os palestrantes. A entrega dos certificados de participação será feita ao final do Seminário.
O evento será realizado no Anfiteatro Bento Prado Júnior, na área Norte do campus São Carlos da UFSCar. Mais informações e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail 3seminario.financiamento@gmail.com.

São Carlos sedia na próxima semana Colóquio de Estudos Africanos


Evento será realizado na UFSCar e conta com a presença de pesquisadores que desenvolvem estudos em torno de textos literários de autores africanos e portugueses

A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) sedia a segunda edição do "Colóquio de Estudos Africanos" nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro. O objetivo do evento é promover o contato entre os pesquisadores e alunos, a fim de estabelecer os primeiros caminhos de pesquisa na área dos estudos africanos e literários. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas até o início do evento.
A primeira edição do Colóquio contou com a presença de escritores africanos e, neste ano, o evento terá a presença de pesquisadores da área que desenvolvem estudos em torno de textos literários de autores africanos e portugueses, que refletem as relações entre Portugal e África. O Colóquio terá a participação da professora Laura Cavalcante Padilha, da Universidade Federal Fluminense, que tem experiência em Literaturas Africanas de Língua Portuguesa e é uma das principais formadoras dos pesquisadores e professores da área; e da professora Luci Ruas Pereira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que atua na área de literatura portuguesa, sobretudo no contexto da ficção contemporânea.
Os interessados podem se inscrever antecipadamente na secretaria do Departamento de Letras (DL) da UFSCar ou na secretaria da coordenação do curso de Letras, ambas localizadas na área Sul do campus São Carlos. Também serão aceitas as inscrições realizadas no dia do evento com os monitores. Serão concedidos certificados aos participantes que obtiverem, no mínimo, 75% de aproveitamento nas atividades do Colóquio.
A atividade é uma realização do Centro de Educação e Ciências Humanas, Grupo de Estudos Literários Portugueses e Africanos, Departamento de Letras e Pró-Reitoria de Extensão da UFSCar. A programação completa já está disponível no endereço http://www2.ufscar.br/uploads/estudos_africanos.pdf. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3351-8358.

Inmetro desenvolve sistema para nova classificação hoteleira


Regulamento será publicado até o final do ano. Copa do Mundo e Olimpíadas antecipam mudanças no setor

A proximidade da Copa do Mundo de 2014 e da Rio 2016 irá implementar importantes mudanças no país, sobretudo no setor hoteleiro. A pedido do Ministério do Turismo (MTur), o Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) desenvolve o Regulamento de Avaliação da Conformidade para  o Sistema de Classificação dos Meios de Hospedagem, a partir das considerações do setor hoteleiro, da sociedade e partes interessadas feitas durante as oficinas realizadas para cada tipo de meio de hospedagem e durante o  período de consulta pública. O regulamento deve ser disponibilizado até dezembro de 2010, quando o Inmetro publicará a Portaria com o Requisito de Avaliação da Conformidade, que visa a alterar a matriz que classifica por estrelas, possibilitando competitividade justa entre os meios de hospedagem do país e auxiliar os turistas em suas escolhas. O novo sistema de categorização de acomodação será de adesão voluntária. Para solicitar a nova classificação, o meio de hospedagem deve estar em situação regular no Cadastur, Sistema do Ministério do Turismo.

“Hoje são cerca de 15 mil meios de hospedagem no país, mas apenas sete mil são cadastrados. Não há um padrão. Queremos colocar o Brasil como um dos principais pontos turísticos do mundo, até mesmo para eventos internacionais. Para isso, precisamos expandir, melhorar a qualidade dos serviços e regularizar o setor. O turista vai poder pagar pela escolha dele e não mais ser surpreendido. Já consolidamos os comentários da consulta pública com a Comissão Técnica e o regulamento final será publicado até o final do ano”, resumiu Luciane Lobo, analista da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade e uma das responsáveis pelo Programa.

A nova classificação traz novidades na tipologia, dividida em sete categorias: hotel; hotel fazenda; hotel-histórico; pousadas; flats; resorts; e cama e café (hospedagem domiciliar). Os meios de hospedagem serão identificados por estrelas, de uma a cinco – Sistema extinto em 1997 e que agora será aplicado até mesmo às pousadas –, e deverão atender a itens obrigatórios  e eletivos (flexíveis). O Sistema foi construído após a análise da experiência em 24 países, além da participação de empresários, acadêmicos e a sociedade civil, inclusive no período de consulta pública.

Três conjuntos serão considerados na avaliação: infraestrutura – como tamanho do quarto e da cama, banheiros, elevador; serviços – como recepção, internet, lavanderia e piscina; e sustentabilidade, nos aspectos relacionados com meio ambiente, sociedade e satisfação do hóspede.

Os proprietários podem se submeter ao processo de classificação mediante a cadastro prévio no site do MTur (www.turismo.gov.br) com informações sobre o estabelecimento. Solicitação realizada, o representante da Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade do Inmetro no estado irá ao local conferir e avaliar a estrutura – todos os órgãos da Rede já receberam treinamento específico para desenvolver esta avaliação. A classificação do empreendimento terá validade de três anos.

Hotel modelo no Campus
Além dos Sistemas de Classificação dos Meios de Hospedagem para o MTur, o Inmetro também está em fase preliminar de elaboração do projeto do Hotel Conceito, no Campus de Laboratórios, em Xerém. O hotel será construído em uma área de 7 mil m² e vai apresentar modelos de todos os tipos de hospedagem. O espaço servirá de laboratório para novos empreendedores do setor que queiram conhecer o padrão de qualidade. Ali, poderão ver as acomodações adequadas para adaptar seus negócios aos requisitos do novo modelo de classificação.

22 DE NOVEMBRO: A REVOLTA DA CHIBATA COMPLETA 100 ANOS


No mês da Consciência Negra, comemora-se o centenário da Revolta da Chibata, que teve como líder o marinheiro João Cândido Felisberto. O objetivo do levante foi atingido, mas a anistia da Marinha, que prendeu e perseguiu o "Almirante Negro", só veio 39 anos após a sua morte, em 2008.
De frente para as águas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, de costas para o antigo entreposto de pesca que lhe garantiu o sustento até o fim da vida, depois da Revolta da Chibata, em 22 de novembro de 1910, João Cândido Felisberto não tem mais apenas as pedras pisadas do cais como monumento — como registra a letra de "Mestre sala dos mares", de João Bosco e Aldir Blanc. A homenagem ao "Almirante Negro", como ficou conhecido João Cândido está ali na Praça Quinze para lembrar que a luta por melhores condições de trabalho e pelo fim dos castigos físicos na Marinha não foi em vão. O objetivo do levante foi atingido, mas a anistia da Marinha, que prendeu e perseguiu o "Almirante Negro", só veio 39 anos após a sua morte, em 2008. A reparação, porém, foi incompleta. No ano do centenário da Revolta da Chibata, João Cândido e os outros revoltosos continuam sem as devidas promoções e seus familiares sem receber indenização.

No livro João Cândido, da Selo Negro Edições, o jornalista Fernando Granato resgata a história desse líder negro que se tornou o símbolo da luta contra a opressão no Brasil. Resultado de dois anos de pesquisa - nos arquivos da Marinha e da Biblioteca Nacional e em entrevistas com familiares de João Cândido -, o livro pretende iluminar um período pouco conhecido da sua história: a fase que vai de sua absolvição até a sua morte, no Rio de Janeiro, em 1969, aos 89 anos. "A fama de ‘perigoso’ não reflete suas convicções políticas, muito menos encontra respaldo na vida que passa a levar após o fim da revolta", afirma o autor. Uma época marcada, segundo ele, pela perseguição política, pela penúria e pelas tragédias pessoais. "De marinheiro a trabalhador braçal, recluso e doente, tem a polícia vigilante até mesmo em seu enterro", complementa.

Inédito em sua abordagem, o livro traz, em cinco capítulos, a trajetória de João Cândido desde a infância, em Rio Pardo, no interior do Rio Grande do Sul. Filho de ex-escravizados, ele deixa cedo a vida na fazenda e alista-se na Marinha. Ali, ganha experiência viajando pelo Brasil e pelo mundo. Com bom trânsito entre os oficiais e admirado pelos companheiros, o jovem acaba liderando uma das mais importantes rebeliões populares do Brasil.

No capítulo "A Revolta da Chibata", por exemplo, o jornalista conta, com detalhes, como aconteceu o movimento deflagrado pelos marinheiros contra os maus-tratos, que paralisou o coração do Brasil por quatro dias e custou a vida de dezenas de pessoas, entre civis e militares. Ele explica que a punição pela chibata era um hábito herdado da Marinha portuguesa. Os castigos tinham a função de educar na marra os supostos maus elementos que compunham os quadros inferiores.

Traídos, presos e torturados, os revoltosos foram expulsos da Marinha. A biografia mostra também os duros tempos para os marujos que participaram da revolta. "A anistia não durou dois dias. A imprensa noticiou rumores de um golpe contra os marujos", conta o autor. João Cândido é um dos que mais sofreram perseguições, vindo a morrer muito pobre e doente. "A sua prisão na Ilha das Cobras, por um lado, é marcada por atrocidades e barbaridades. Por outro, em uma ironia do destino, salva-lhe a vida", revela o jornalista. Ele explica que João Cândido deveria embarcar na chamada "viagem da morte" rumo ao norte do país. "Pela notoriedade que ganhara durante a revolta, no entanto, o governo tem medo e resolve deixá-lo preso na masmorra", complementa.

A biografia aborda ainda as dificuldades enfrentadas por João Cândido depois da prisão e seus últimos anos de vida. Mostra os problemas financeiros pelos quais passou, em função da perseguição que sofreu ao longo da vida por parte da Marinha; o seu envolvimento no cenário político do país e a filiação ao integralismo de Plínio Salgado, na década de 1930; a dura rotina de trabalho descarregando peixe durante a noite e de madrugada, no entreposto da Praça XV, no Rio de Janeiro; as perdas trágicas da mulher e da filha e as recaídas constantes da tuberculose. O enterro do "Almirante Negro", em pleno regime militar, vigiado pela polícia, e a luta dos compositores João Bosco e Aldir Blanc pela liberação da canção "O mestre-sala dos mares", driblando as barreiras impostas pela censura, na década de 1970, também estão contemplados na obra.

Fonte:

Fernando Granato é jornalista e escritor paulista. Já trabalhou nas redações dos jornais mais importantes do país e ganhou o prêmio Embratel de Jornalismo pela série "Memórias do Sertão", sobre Guimarães Rosa. Para escrever João Cândido, Fernando Granato pesquisou durante dois anos nos arquivos da Marinha Brasileira, na Ilha das Cobras, no Rio de Janeiro, decifrando com apuro e clareza uma documentação preciosa.

UMA OUTRA VERDADE


A adolescência é, por si só, uma fase complexa. Porém, quando o jovem se descobre homo ou bissexual, as dificuldades aumentam. Especialista em sexualidade juvenil, Claudio Picazio responde neste livro às dúvidas mais comuns feitas por pais e educadores sobre homossexualidade na adolescência.
A homossexualidade é genética? É possível evitar que uma criança se transforme em um adulto homossexual? De que forma o educador deve lidar com a homossexualidade na sala de aula? Como conversar com os pais de adolescentes homossexuais que sofrem preconceito na escola? Estas e outras perguntas são respondidas por Claudio Picazio, um dos maiores especialistas brasileiros em sexualidade juvenil, no livro Uma outra verdade (104 p., R$ 29,90), lançamento das Edições GLS. Sem apelar para explicações fáceis nem recorrer a julgamentos de valor, ele responde às dúvidas mais comuns feitas por pais e educadores sobre homossexualidade na adolescência. O objetivo é transmitir ao leitor informações claras e diretas, eliminando o "achismo" e o senso comum, ajudando a combater, assim, qualquer forma de discriminação. O lançamento acontece no dia 18 de novembro, quinta-feira, das 18h30 às 21h30, na Livraria Cultura - Loja das Artes - Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073 - São Paulo - SP).

O livro, segundo o autor, nasce da necessidade de esclarecer algumas questões que ainda geram dúvidas e, consequentemente, preconceito por parte de pais e educadores. "Quando pais e professores conseguem entender a questão, percebendo que a homossexualidade não é desvio e sim uma outra verdade da expressão da nossa sexualidade, tudo fica mais claro, tornando mais fáceis a quebra do preconceito e a formação de um novo paradigma", afirma Picazio.

Para o autor, é essencial que se mantenham programas que capacitem educadores e pais para que possam, cada um em seu papel, ampliar o respeito pelas diferentes formas de sentir e expressar a sexualidade. Por isso, o livro foi dividido em duas partes. Na primeira, Picazio dá explicações fundamentais sobre homossexualidade. Na segunda, aponta a importância da escola como agente de combate ao preconceito e esclarece as dúvidas dos educadores.

Explicando o que é preconceito e homofobia, por exemplo, Picazio apresenta dados recentes sobre a homossexualidade. Segundo pesquisas feitas por organizações que lutam pelos direitos homossexuais e entidades de direitos humanos, a cada três dias, uma pessoa é morta simplesmente por ser homossexual. Além disso, o Brasil é campeão mundial em crimes contra homossexuais. "O triste é constatar que essa violência começa em casa. Muitos pais rejeitam e até expulsam do lar filhos e filhas que não correspondem ao comportamento e ao desejo sexual esperado. A violência física e psicológica torna-se a estrutura de um estigma fragilizado. São enormes a vergonha e o preconceito internalizados em um gay que conviveu com essa atitude familiar", diz.

O índice de suicídios na adolescência é três vezes maior no caso de homossexuais. "Em minha experiência clínica, atendi um casal de pais cujo filho cometera suicídio e havia deixado um bilhete com os seguintes dizeres: ‘Desculpa pai, mãe, não quero decepcionar vocês. Sou homossexual e isso magoaria muito vocês. Beijos’. Nenhum pai, nenhuma mãe, acredito, gostaria de ver essa cena; mas, infelizmente, profetizam tal ação quando dizem alto e bom som que prefeririam um filho morto a um homossexual."

Para eliminar preconceitos, segundo Picazio, temos inicialmente de procurar respostas científicas acuradas e adquirir informação. Em segundo lugar, é preciso estar aberto para reorganizar valores e crenças. "Criticar aquilo que, para nós, estava certo não é tarefa fácil nem confortável. As certezas e convicções ficam registradas em nossa história, e transformá-las significa mudar todo um modo de ver o mundo e se relacionar com ele", conclui.

O autor

Claudio Picazio é formado pela Universidade São Marcos e especialista em sexualidade humana e em violência doméstica e abuso sexual infantil pelo Instituto Sedes Sapientiae. Psicólogo clínico desde 1983, atende adolescentes e adultos e oferece terapia a casais homo e heterossexuais. Também desenvolve grupos de estudos e de pais. Foi consultor do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação no projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE). Atuou no projeto Tecer a Vida, do Unicef, onde deu supervisão a profissionais da instituição e da rede pública que atendiam adolescentes e adultos soropositivos (primeira geração), visando à reintegração familiar. É cofundador da Atos, oscip que atua na diminuição da vulnerabilidade social, e autor dos livros Diferentes desejos: adolescentes homo, bi e heterossexuais e Sexo secreto - Temas polêmicos da sexualidade, ambos das Edições GLS.

Título: Uma outra verdade - Perguntas e respostas para pais e educadores sobre homossexualidade na adolescência
Autor: Claudio Picazio
Editora: Edições GLS
Preço: R$ 29,90
Páginas: 104
ISBN: 978-85-86755-58-3
Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890
Site: www.edgls.com.br

Enem: avaliando o avaliador

Enem: avaliando o avaliador
Esther de Almeida P. M. Carvalho*


Com relação ao Enem, em especial suas versões 2009 e 2010, uma sequência de descompassos tem abalado a credibilidade de um exame que envolve mais de três milhões de estudantes em todo o Brasil e põe em risco conceitos importantes que podem impactar na melhoria de nosso sistema educacional.

Ao longo de sua história, o Enem passou por mudanças importantes desde sua implantação, em 1998. Assumiu  finalidades distintas e não complementares:  ser um exame voltado para a avaliação do desempenho individual ao final da educação básica, com caráter de adesão individual e optativo e, ao mesmo tempo, um instrumento classificatório e seletivo para o acesso ao Ensino Superior. A falta de comparabilidade entre os exames por dez anos, seu caráter optativo e, ao mesmo tempo, a publicação de resultados dos alunos a partir de 2005 geraram impacto significativo nas instituições de ensino, pois a prova passou a ser, socialmente,  conhecida como um instrumento de avaliação de instituições, mesmo não tendo características técnicas para cumprir esse papel.

Em 2009,  com o ano  letivo em pleno andamento, houve a  decisão de se alterarem as regras, o formato e o propósito do Enem, acentuando seu caráter classificatório e seletivo, ao vinculá-lo ao processo de ingresso nas universidades federais.  Ao período de surpresa inicial seguiram-se momentos de indefinições e impactos, traduzidos no aguardo da adesão ao exame pelas universidades federais, na alteração da data  de aplicação de agosto para dezembro e na compreensão da nova estrutura da avaliação,  culminando com o adiamento da prova, a dois dias de sua execução, por motivo de  fraude. Instituições de educação básica, em todo o País, mobilizaram-se para acolher e preparar seus alunos para a transição que se impunha, sem cuidado, por parte de seus propositores, que transformaram grandes ideias em precários processos.

Indefinições, ao longo do ano de 2010, quanto ao período de realização da prova, que ficou, novamente, para o final do ano, próximo à data de grandes vestibulares, vazamento de dados sigilosos dos alunos por parte do site do INEP, problemas de impressão dos cadernos e dos gabaritos e o despreparo para tratar contingências comprometeram a credibilidade do Enem, não quanto ao seu propósito, mas quanto à condição  dos órgãos competentes de implementar, com qualidade, avaliação de tamanha envergadura.

No caso do acesso ao Ensino Superior, temos exemplos bem-sucedidos, como o SAT (Scholastic Assessment Test), aplicado nos Estados Unidos. O exame apresenta características fundamentais para seu sucesso: seu caráter compulsório a todos os que quiserem ingressar no Ensino Superior, a oferta de várias oportunidades de realização ao longo do ano e a descentralização da aplicação da prova, utilizando a mesma técnica contida no atual Enem, que é a TRI (Teoria de Resposta ao Item). Essa prova é aplicada, inclusive em outros países, como o Brasil, a todos os alunos que buscam ingressar em universidades americanas.

Os pressupostos pedagógicos do Enem, de avaliar competências e habilidades, de preconizar novas diretrizes para o Ensino Médio, o estabelecimento de indicadores que orientem políticas públicas e norteiem  as escolas, assim como a criação de processos nacionais de seleção à universidade, são elementos  importantes, capazes de contribuir para a melhoria do sistema educacional como um todo. Portanto, devem ser perseguidos.  Assim, o que está em descrédito não é o Enem  em si, mas a forma como as mudanças vêm sendo conduzidas,  com prazos e processos inadequados, que levam a fragilidades técnicas e operacionais. Fazendo uma metáfora com a rotina escolar, o processo de aplicação do Enem está em recuperação.


*Esther de Almeida P. M. Carvalho, professora, é a diretora-geral do Colégio Rio Branco.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Eleição do Cades IP acontece neste sábado


    A eleição para escolher os representantes da sociedade civil no Conselho Regional de Meio Ambiente, Desenvolvimento Sustentável e Cultura de Paz da região do Ipiranga - CADES-IP serão realizadas no dia 27 de novembro, das 9h00 às 16h00, na sede Subprefeitura Ipiranga, na rua Lino Coutinho, 444.

    Qualquer cidadão maior de 16 anos, munido de documentos, poderá votar, desde que compro­ve também que mora ou trabalha na região do Ipiranga, Cursino e Sacomã com apresentação de documento de identificação com foto, comprovante de endereço nominal (contas de luz, água, gás ou conta bancária) ou de trabalho na região administrativa da Subprefeitura Ipiranga.

    O Cades Regional, constituído em cada Subprefei tura, é uma oportunidade de participação da so ciedade na elaboração de propostas de políticas públicas voltadas ao meio ambiente e à cultura de paz. O Cades é um órgão participativo, consul tivo, que integra sociedade civil e poder público, na busca de ações e atividades visando, entre ou tras atribuições, receber propostas e denúncias a serem encaminhadas dentro de questões rela cionadas à preservação, conservação, defesa, recuperação e melhoria do meio ambiente. Suas atribuições estão regulamentadas pela Portaria Intersecretarial da Prefeitura de São Paulo n°005/SVMA/SMSP/SEPP/SEME/2007.


Segue baixo lista dos candidatos:
01 - MARIA LUZIA ROSATTI
02 - DENIVAL CARDOSO DE ANDRADE
03 - FERNANDO DE JESUS RIBEIRO
04 - MARIA FÁTIMA CHUECO BONVINO
05 - NELSON DA SILVA JUNIOR
06 - RITA JULIANA DE OLIVEIRA
07 - PAULO EVARISTO DOS SANTOS GERALDO
08 - CELSO HENRIQUES DE PAULA
09 - MARINA DE PAULA MARCONI GUIDONI


Mais informações:
ou acompanhar pelo Twitter:
ou enviar suas mensagens para:

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A TODOS MEUS AMIGOS E AMIGAS DA REVISTA PARTES

Dhiogo José Caetano

 

Quando recebo um comentário de um amigo, sinto realizado.  Dá uma alegria e a esperança de escrever mais um texto vem atormentar.  As palavras comentadas a meu respeito são constantes e a gratidão é infinita.

A partir daquele momento nada mais será igual; dias se passam e parece que o peito vai explodir de emoção. A memória fica a refletir. Aquela fala ou ideia de um amigo ou amiga virtual, mas real.

A satisfação é tanto que vou logo escrever um novo texto, só para vez o comentário daquela pessoa querida. Às vezes não tem lógica mais tem emoção.

 Quantas vezes choramos e agradecemos por uma mensagem marcante deixada por um grande amigo?

Amigos são aquelas pessoas que tem o dom de eliminar a solidão da alma e transforma o momento em uma plenitude de liberdade e de emoção.

 O ser amigo está aqui, ali e em todas as partes do universo.  Mas nossos amigos são diferentes; porque eles fazem parte do aprendizado, da sabedoria conquista e dos sentimentos concretizados.

Há amigos que estão distante em quanto espaço físico, mais está mais próximo do que nunca enquanto sentimento e ideais.

Amar um amigo é concretizar a essência da vida em coletividade em uma comunidade física ou virtual.

Ter um amigo é ter tudo; pois são eles que fazem movimentar está roda da emoção, que se chama coração.

Hoje digo muito obrigado para todos meus amigos e amigas da Revista Partes, enquanto plenitude de convivência e trocas de informações, mas com a complexidade de sentimentos.

Digo obrigado, pois vocês me ajudam a seguir em frente nesta caminhada do saber.

Choro de felicidade, pois foi lindo o nosso encontro, mas vou sorrir por que construímos uma amizade real e nada eliminará as belas palavras, sugestões e elogios que guardo de cada um na minha memória.

Minha eterna gratidão, amigos e amigas da Revista Partes. Abraço na alma e todo sucesso do mundo pra cada um de vocês.



dhiogocaetano@hotmail.com

domingo, 21 de novembro de 2010

MUITO OBRIGADA! _ LIVRO INFANTIL "QUIM KARATÊ"


*Muito obrigada!



*NOSSOS LIVROS*


MEU TRENZINHO - AUT PARANAENSE


MEU TRENZINHO -Por: R$ 10,00







  • REI SAPAO SAPOLAO E SEU CORACAO, O - AUT PARANAENS


    REI SAPAO SAPOLAO E SEU CORACAO, O


    Por: R$ 5,00










  • GIM - AUT PARANAENSES


    GIM -


    Por: R$ 5,00



  • sexta-feira, 19 de novembro de 2010

    Workshop de Apresentação do Mestrado em Comunicação

     
    MESTRADO EM COMUNICAÇÃO NA CÁSPER LÍBERO

     

    WORKSHOP DE APRESENTAÇÃO

     

     

    Para você que tem interesse em fazer

    Mestrado em Comunicação pela Cásper Líbero.

     

     

    Venha participar do nosso workshop de apresentação do curso, terça-feira, 23 de novembro, das 16h30 às 18h30.

    Você irá receber as informações de que precisa sobre nossas linhas de pesquisa, como elaborar um pré-projeto, como funciona o curso, quais as disciplinas e os professores, as provas de seleção, a bibliografia, as datas e horários...

    Além de conhecer nossos professores, você poderá também agendar com eles uma conversa sobre o seu projeto de pesquisa e as suas intenções ao eleger o Mestrado em Comunicação da Cásper Líbero.

     

    WORKSHOP DE APRESENTAÇÃO DO MESTRADO

     

    Dia: 23 de novembro, terça-feira.

    Horário: 16h30-18h30.

    Local: Faculdade Cásper Líbero, 5º andar (Pós-Graduação).

    Inscrições: na Secretaria de Pós-Graduação, pelos telefones (11)3170-5857 e 5875.

     

     

    DATAS DO PROCESSO SELETIVO PARA O 1º SEMESTRE DE 2011

     

    Inscrições: até 28 de janeiro de 2011.

    Prova de conhecimentos: 1º de fevereiro de 2011, das 09h00 às 12h00 (consulte a bibliografia em nosso site: www.casperlibero.edu.br).

    Prova de proficiência em língua estrangeira (inglês, francês ou espanhol): 1º de fevereiro de 2011, das 14h às 16h.

    Divulgação dos aprovados para entrevistas: 2 de fevereiro de 2011.

    Entrevistas: 3 e 4 de fevereiro de 2011, das 10h00 às 20h00.

    Divulgação do resultado final: 7 de fevereiro de 2011.

    Apresentação das disciplinas e indicação de orientação: 8 de fevereiro de 2011, das 16h30 às 18h30.

    Matrícula dos novos alunos: 14, 15 e 16 de fevereiro de 2011, das 09h00 às 20h00.

    Matrícula de alunos especiais (informe-se sobre essa possibilidade): 15 (das 14h00 às 18h00) e 16 (das 16h00 às 20h00) de fevereiro de 2011.

    Início das aulas: 23, 24 e 25 de fevereiro de 2011. 

     

    INFORMAÇÕES:

    Secretaria de Pós-Graduação

    Telefones: (11)3170-5857 e 5875

     

    quarta-feira, 17 de novembro de 2010

    Resenha Crítica Livro CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, de Silas Correa Leite

    O autor e os seus livros, no Lançamento, CPP de Itararé-SP


    RESENHA LIVRO CAMPO DE TRIGO COM CORVOS CONTOS
    ALGUNS SÍMBOLOS DA PERPLEXIDADE

    “O vôo rasante dos corvos
    debicando/Não as espigas
    maduras/Mas os olhos ...”

    -Jorge Sousa Braga, in
    “O Lírio que há no Delírio”

    O título, sumamente concreto e substantivo, impele ostensivamente para zonas sensoriais e pictóricas. No entanto, “Campo de Trigo com Corvos” não é mera reprodução do quadro de Van Gogh onde o trigo, amarelo, eivado das chamas loucas do pintor, escorraça de seu seio o bando negro dos corvos. Aqui, no livro, muito para além dos afugentados, corvos há que permanecem pairantes ou, mais ainda, baixando ao rés do solo jogam-se contra as pessoas provocando a clivagem (ou a carnagem). E esta fórmula aproxima os textos de uma realidade mais humana, ainda que desumana em função de traumatismos de que se tece a evolução vital e biológica. Mas, na arte de contar estórias, e é um pouco do que se trata aqui, o texto recorre globalmente a técnicas específicas da pintura. Designadamente, dos seguintes modos: Os fatos sucedem-se em tom linear, contíguos ou adjacentes, em direção a um desfecho, previsível ou não, podendo-nos apropriar neste caso da imagem do rio que decorre e atravessa a paisagem rumo à foz. A disposição da narrativa procede à colocação ou disposição de cenas paralelas, quadros que se encostam na vertical, ou na horizontal, às vezes na diagonal. Lembrando um pouco os vitrais medievais que ainda hoje se encontram nas catedrais. Postado na posição do personagem, o narrador reavém e sintetiza em frases-cristais largas faixas de vida transcorrida. São parágrafos breves, como riscos impressionistas e apressados, que intentam ou ensaiam remover um vulto de episódios para um mínimo centro, na vã tentativa de os aprisionar. De tudo dizer, sem ceder ao uso da gordura das palavras, muitas palavras, o “contar palha” da gíria. Por outro lado, mais do que abordagens textuais que imitam ou pretendem imitar técnicas fílmicas ou de vídeo, nota-se um apropriar de materiais atinentes ao teatro. Desde logo, na encenação criteriosa e fiel de palcos que suportam os personagens, a reconstrução de sítios, locais, ambientes ou atmosferas. Em que tem papel fenomenal o fluxo da enumeração. Neste exemplo, utilizaremos o conto nodal, que dá título ao livro, “Campo de Trigo com Corvos” para promover a tipificação: “Contratou peões de fora, tipos mal encarados de outras plagas, outras praças, gaúchos, catarinas, ˝barrigas-verdes˝”. Observemos como se delineiam outras estilísticas da arte de talma: O imprevisto é um dos recursos que pode fazer balançar o espectador na cadeira. Ele é aqui arremessado, quer surgindo de-vereda, o designado “causo”, bem assim o pandareco, quer atribuindo um rumo à história totalmente inverso, ou ao menos diverso da lógica que as teias já desarmadas anunciavam. O equívoco é, como se sabe, o banquete de muitas peças de teatro. De algumas em exclusivo. Ele provoca o espectador, obriga-o à concentração e à reflexão (e ao riso ou sorriso), mantém vivo o desenrolar do evento e o esforço dos atores. Aqui também ele atua, burilando surpresa nos personagens, dando lastros de ironia às vidas encenadas, apanhando na contra-mão o leitor. Quiçá, o próprio autor terá aberto olhos quando da elaboração dos textos. Alguns títulos, algumas frases, preparam para ocorrências posteriores do conto. É uma espécie de levantar do véu, destapar de roupas femininas, jogo de sedução e permeio. Que muitas vezes pode desaguar num dos recursos anteriores, anulando ou aparelhando os efeitos: o imprevisto. Mas, o mais robusto de todos os recursos é o golpe-de-teatro. Repare-se que a própria palavra de que vimos falando integra a nova palavra, esta, aliada a golpe. Quando tudo se encaminhava no rumo certo, quando a rotina ou a monotonia se estavam solidificando, eis que de supetão tudo se desmorona, tudo se transtorna, ficamos submersos nas estrias que estouraram sobre nossas cabeças, fica tudo de pernas ao ar, a mesa, a casa, o livro, o corpo, a mente. Apesar de usado e abusado, o conto produz-se hoje em doses avulsas. A despeito de sua condenação, final da história e seus componentes-trave: narração, tempo e espaço, decretados pelo noveau-roman. Não basta hoje dispor magnanimamente da arte de contar. Não basta, como a Silas Corrêa Leite, ser um domador de estórias. É condição, ainda e nomeadamente, inventar histórias, seu entrechocar, prover à invenção de uma “história nova”. Isso aconteceu muitas vezes neste livro. Mas vejamos algumas das várias fórmulas de história com que nos deparamos: Existe a história que é canto, beco e síntese em “Boêmio”. Existe a história que se traduz inteira e integral em “O Enterro”. Existe a que se senta na paragem, recusa avançar de momento e aguarda o porvir em “Quando a Tragédia Bate em sua Porta”. Existe a história que se metamorfoseia em lenda, veste-se mágica, irreal, em “O Inventor”. Existe a história contida, espelho de deserto dos tártaros, com tempestade iminente mas que não desaba em “Campo de Trigo com Corvos”. Mas todo livro é ou pretende ser uma obra literária. E é só isso que importa. Obtê-lo, consegui-lo, é todo o mérito e o valor acrescentado possível. Também aqui se obteve largamente esse desiderato. Observemos alguns dos meios. Ou fins. Deitando mão de uma linguagem que, afora o popular, o linguajar, a gíria, agarra os elementos específicos de dialetos, sintaxe indígena, eivando a escrita de vocábulos originados do tupi. Exercitando uma experiência genialmente rasgada noutros países de língua de expressão portuguesa por Mia Couto e Luandino. Dando o braço à metáfora, à imagem em novos moldes, revitalizando os textos. E desse modo obtendo o viço, a chispa, o engaste de muitas frases. Alongando a metáfora, expandindo-a, cingindo-a a personagens inteiros ou à globalidade do conto. Metáfora que se transforma em alegoria. Exemplo seguro de tudo que fica dito são os Corvos de “Campo de Trigo com Corvos” e o “Muro,” ou em “Anistia”. Lançando as palavras umas contra as outras, quando contíguas, provocando choque, conflito, traumatismo, mas também colo, enlace, anel. E neste particular merece realce a intensa e não pretensa construção de novos vocábulos. Fruto de tentativas ou abordagens díspares. Usando a colagem, a composição, errônea em aparência mas sempre imprevista, como no caso de “esposa-vítima”, “vento-coisa”, “nuvem-lesma”, “instante-trevas” ou “lebre-dor”. Recorrendo à síncope, como se verifica em “marra” e “garra”. Provocando a junção, de que poderemos enunciar “enfebre”, “nágua” e “cinzazul”. Adstringindo a preposição, prefixada, em “de-vereda”, “de-assim” e “de-primeiro”. Neste campo, de trigo literário, em que muitas letras são corvos, entendo que o mais subtil e profundo recurso resulta do germinar de vocábulos novos, que estimulam os acordes da sintaxe, da fonologia e da morfologia. Realizando cambiâncias, muito pouco vistas e nada pouco inesperadas. Ousando obter o substantivo a partir do verbo, do adjetivo, ou mesmo do próprio substantivo. Obtendo ligas que só ao alquimista são permitidas. Vejamos. Do inúmero número de vocábulos em que se verifica um processo de alteração da categoria sintática, ou manutenção sintática por força de novo vocábulo, quer por ação da base quer do derivado, topamos estas nominalizações deverbais: “acontecência”, “havência”, “pertencimento”, “andação” ou “conhecença”. Como apodo de nominalização denominal, poder-se-ia citar “mentirança” e “medaço”. Para não jazer nas plagas do vazio, eis também uma adjectivalização denominal: “encrenqueira”. Recuando: perante o impasse da estória, notória se torna a premência da exploração de técnicas e moldes e dados inovadores. Porque não basta à ficção reproduzir a realidade ou ser espelho do real. Isso já se fez ou é horta de outras artes. Da perícia autoral depende a superação do real. Mais: a sua subversão. E é o que acontece substantivamente em “Campo de Trigo”. Podemos apontar o irreal em “O Inventor”; o surreal em “Anistia”; a subversão do real (pelas palavras) em “Justiça”. Estas e outras estórias é que provocam o avanço. Deixando as restantes coladas, como pinto recém-nascido a casca-de-ovo, a correntes literárias recentes. E já que entramos na corrente, deveremos referir a mais ousada ousadia presente neste livro. Algo que apelidaríamos de transrealismo. Obter do texto a superação do real, a sua mistificação, submeter e soterrar normas, o erigir de um outro real. Isso acontece aqui e ali, mas de forma exemplar no conto mais de todos escatológico: “O Osso” (também em “Congonha”). De que retiramos três análises resumíticas: a mulher que se dá ao pai e depois ao filho, sendo carne para o primeiro e osso para o segundo; o homem que, elo em Kafka, devém canino, o filho-cão; a habituação a baixas desumanidades que impede um ser humano de reverter após uma vivência animalesca. Falávamos de artes plásticas. De artes cênicas. De linguística. E, sobretudo, de arte literária. E corrente. Literária, claro, mas não só. Tudo muito apreciado. Mas então, e a vida? Porque é o sangue dela que muitos pretendem, ou preferem ver escorrer das letras dos livros. Diria: Existe, como metáfora da terra, e dela, a vida, um extenso campo de trigo. E pequenos pontos negros no meio do trigo, os corvos. Este é o palco, é aqui que tudo decorre. Com o sol por testemunha ou sob o céu noturno. Os pequenos pontos negros por vezes exaltam-se.
    Rebelam-se. Ficam loucos. Pode dar na destruição de todo o enorme campo. De trigo.
    E é assim que a vida se eleva (mesmo quando derrubada).


    Porque ela é em simultâneo


    Luz e escuro
    Branco e negro
    Gozo e dor
    Água e fogo

    Campo de Trigo e Corvos.


    -0-


    Antero Barbosa – Literato de Porto, Portugal (Poema, Ficção, Ensaio). Licenciado em Estudos Portugueses, Diretor de Escola de Ensino Superior. Crítico Literário, autor dos livros “Contextos” (Contos) e “Ramos e de Repente (Poemas). Prêmio de Poesia Brétema, 1990, e Prêmio Trindade Coelho, 2005.

    terça-feira, 16 de novembro de 2010

    Desafio para 2011 é ligar o esporte à educação, afirma ministro Orlando Silva

    Vladimir Platonow

    Repórter da Agência Brasil

    Rio de Janeiro - O ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou hoje (13) que o desafio a partir de 2011 será ligar o esporte à educação, proporcionando aos milhões de estudantes brasileiros a prática esportiva como meio de inclusão social. O ministro também destacou que é preciso buscar novos talentos olímpicos. Ele participou do lançamento do Viradão Esportivo, que prevê 33 horas de atividades variadas, em 2 mil eventos, em diversos bairros da cidade e da região metropolitana. A abertura ocorreu aos pés do Cristo Redentor, com uma apresentação de judô reunindo crianças e medalhistas olímpicos.
    “Para 2011, o desafio estratégico e central é ligar mais o esporte à educação. Nós avançamos ainda em passos tímidos e será necessário dar passos mais ousados para que se tenha um desenvolvimento esportivo sustentado. É a capilaridade. Para se ter um modelo sustentável de desenvolvimento em várias modalidades é preciso atuar em várias frentes”, afirmou Orlando Silva, rodeado por crianças de comunidades cariocas praticantes de judô.
    Vestindo um quimono com o seu nome bordado, o ministro posou para fotos ao lado dos judocas e lembrou que é importante garantir legados sociais e esportivos dos grandes eventos que acontecerão no país, como os Jogos Mundiais Militares de 2011, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
    “O legado é o desafio principal. No Rio de Janeiro esperamos uma revitalização do centro e da região do porto. Mas o legado mais difícil e mais importante é estimular o hábito na população brasileira de ter atividades físicas para sua melhor qualidade de vida”, disse o ministro.
    Orlando Silva fez ainda um balanço positivo da política esportiva nos dois governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
    “Nesses últimos oito anos nós fizemos um esforço de superar um déficit de infraestrutura esportiva no Brasil. Nesse período assinamos perto de 13 mil contratos para reformar ou construir equipamentos esportivos em todos os estados e trabalhamos para colocar o Brasil na rota dos grandes eventos esportivos. Realizamos o Pan e o Parapan, valorizamos o esporte como fator de desenvolvimento e de inclusão social e tivemos a elevação do nível técnico do esporte de alto rendimento”, analisou o ministro.
    A secretária de Esportes do estado do Rio de Janeiro, Márcia Lins, também enfatizou a importância de se apostar nas crianças e nos adolescentes como futuros campeões olímpicos. Ela citou o projeto Rio 2016, que oferece, em 650 núcleos, práticas esportivas em 30 modalidades a 130 mil jovens.
    “Nosso objetivo é triplicar esse número até 2016. Nossas crianças e nossos jovens são a promessa de um futuro mais saudável e com mais medalhas. O esporte é a ferramenta que leva a cidadania de forma mais rápida para a sociedade”, afirmou a secretária.

    Edição: Lílian Beraldo

    ALIMENTAÇÃO É TAMBÉM :) EQUILÍBRIO!


    REFLEXÕES




    sábado, 13 de novembro de 2010

    AS DUAS FLORES

    Quando eu era criança: uns quatro ou cinco anos, mais ou menos, lembro-me que mamãe comprava-me um almanaque infantil chamado Tico-Tico, que continha uma seleção de histórias em quadrinho, além de textos e poesias, lindamente ilustrados. Quando eu não sabia ler, mamãe lia para mim... Ela própria gostava muito de ler. E uma das poesias que ficou marcada fundo na minha lembrança era As duas flores, que eu queria porque queria reler, mas não me lembrava nem do título, nem o nome do autor.

    Hoje finalmente eu a encontrei no site www.poemasdecoração.blogspot.com.
    Ao referido site, o meu muito obrigada!

    AS DUAS FLORES

    Por: Castro Alves

    São duas flores unidas
    São duas rosas nascidas
    Talvez do mesmo arrebol
    Vivendo no mesmo galho
    Da mesma gota de orvalho
    Do mesmo raio de sol

    Unidas, bem como as penas
    Das duas asas pequenas
    De um passarinho do céu...
    Como um casal de rolinhas
    Como a tribo de andorinhas
    Da tarde no frouxo véu...

    Unidas, bem como os prantos
    Que em parelha descem tantos
    Das profundezas do olhar
    Como o suspiro e o desgosto
    Como as covinhas do rosto
    Como as estrelas do mar...

    Unidas... Ai quem pudera!
    Numa eterna Primavera
    Viver qual vive essa flor
    Na rama verde e florida
    Na verde rama do amor!

    O DEUS DA DOR E DA PERDA

    Revista Partes : A sua revista virtual - ISSN 1678-8419 P@rtes (São Paulo) Julgar uma cultura que não é a nossa é sempre muito difícil, pa...