quarta-feira, 16 de julho de 2008

Mostra “A Casa Xinguana” acontece na terceira edição projeto Casas do Brasil do MCB

A exposição “A Casa Xinguana”, que abre dia 26 de julho no Museu da Casa Brasileira, da Secretaria de Estado da Cultura, é composta de 46 painéis fotográficos em preto e branco de Milton Guran com o tema da habitação tradicional dos povos indígenas do Parque Nacional do Xingu: sua arquitetura, uso cotidiano, função social e dimensão simbólica. Haverá também uma representação virtual em animação eletrônica das etapas construtivas da casa xinguana, além de uma maquete para facilitar a compreensão dos aspectos técnicos desta solução arquitetônica.



Esta mostra, terceira edição do projeto Casas do Brasil do MCB, é patrocinada pela Kostal Eletromecânica, subsidiária de grupo alemão LK - Leopold Kostal. Realizadas pelo fotógrafo e antropólogo Milton Guran, que também é curador da mostra, as fotos foram feitas nos meses de julho e agosto de 1978. Elas mostram aspectos tradicionais da cultura xinguana começando a dialogar mais estreitamente com a cultura nacional. O texto que acompanha “A Casa Xinguana” é de Carlos Fausto, antropólogo do Museu Nacional (UFRJ), especialista nas culturas indígenas da Amazônia e trabalhando, no momento, entre os Kuikuro do Alto Xingu.



“A intenção do Projeto Casas do Brasil, implantado em 2006, é a criação de um inventário visual das diversas formas de morar no Brasil, reforçando o caráter do Museu da Casa Brasileira como centro de referência para questões relativas ao habitat e suas intersecções entre a arquitetura e o design”, afirma Giancarlo Latorraca, diretor Técnico do MCB. “Esta edição traz através do olhar de Milton Guran, a nossa casa - referência primordial, de técnica refinada e verdadeiramente integrada ao ambiente. Apresentamos aqui o relato de uma cultura não com exotismo e sim com a consciência do necessário reconhecimento e de sua fundamental contribuição na formação da diversidade brasileira.”



O Parque Nacional do Xingu, atualmente, abriga diversos povos indígenas de diferentes origens étnicas e falando idiomas das principais famílias lingüísticas da América do Sul. Nesta exposição, o foco são as aldeias Kamayurá e Kuikuro, paradigmáticas desta área cultural. Sempre tomando a casa como referência são capturadas as imagens de diversos rituais, como o Quarup, o Jogo do Jawari e um casamento, que ancoram um painel de imagens bastante abrangente, embora sucinto, sobre a vida cotidiana dentro e em torno da casa. Algumas imagens remontam há quase 30 anos, como é o caso da documentação de um casamento tradicional Kuikuro em torno do qual se constrói a exposição. Embora a cerimônia de casamento seja bastante freqüente, e continue a mesma que há 30 anos atrás, esta é a única documentação fotográfica conhecida do ritual completo.



A mostra trata de forma ampla e despojada a questão da diversidade cultural, enfatizando o fato de que cada cultura tem uma forma específica de viver e de ocupar seu próprio espaço no mundo. Cada uma responde a aspectos importantes de compreensão do mundo e da organização social do seu respectivo grupo de indivíduos.



No Brasil se encontram as últimas fronteiras intocadas da diversidade humana representadas por diversos grupos indígenas da região amazônica, alguns poucos ainda isolados da sociedade nacional. Esses grupos fazem parte de um conjunto de cerca de 200 diferentes povos indígenas que, em diversos graus de integração com a sociedade nacional, participam ativamente do processo de construção da identidade brasileira como nação. Na mostra, esta diversidade cultural é vista e apresentada como um patrimônio maior do povo brasileiro.



Desde 1979, Milton Guran já realizou 27 exposições fotográficas sobre a temática indígena no país e no exterior. As mais recentes são Viva Yanomami, 2005, no Centre Intermondes, La Rochelle , França; Paresi, 2005, individual, no Museu do Índio, Rio de Janeiro; Todo dia é dia de índio, individual, 2003, no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPr, Paranaguá; Pataxós do Sul da Bahia, individual, 2003, Museu do Índio, Rio de Janeiro; Amazônicas, 1998, coletiva, Instituto Cultural Itaú.



A Kostal Eletromecânica Ltda., com sede na Alemanha, está instalada em São Bernardo do Campo (SP) desde 1979 e na cidade de Cravinhos (SP) desde 2006. Nas duas unidades, são produzidos produtos para a indústria automotiva com grande ênfase em produtos eletromecânicos, eletrônicos e mecatrônicos.



Debate, 20/8, às 19h30, entrada gratuita, com Milton Guran, Carlos Fausto e Mutua Mehinaku Kuikuro, presidente da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu.



Mutua Mehinaku Kuikuro é professor e presidente da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu. Formou-se na primeira turma do Terceiro Grau Indígena da Universidade Estadual do Mato Grosso (2001-2006), com concentração em lingüística. Foi agraciado pelo Programa Internacional de Bolsas de Pós-Graduação da Fundação Ford - Instituto Carlos Chagas, devendo iniciar o mestrado em antropologia no Museu Nacional, UFRJ, em 2009. É membro do projeto Documenta Kuikuro (DKK), coordenado por Bruna Franchetto e Carlos Fausto.



Serviço:

Exposição: “A Casa Xinguana”

Abertura: 26 de julho, das 11h às 13h, entrada gratuita

Debate: 20 de agosto, às 19h30, com Milton Guran, Carlos Fausto e Mutua Mehinaku Kuikuro, presidente da Associação Indígena Kuikuro do Alto Xingu.

Visitação: até 14 de setembro, de terça a domingo, das 10h às 18h

Site: www.mcb.sp.gov.br

Local: Museu da Casa Brasileira - Av. Faria Lima, 2705 - Tel. 11 3032-3727

Jardim Paulistano São Paulo

Ingresso: R$ 4,00 - Estudantes: R$ 2,00 Domingo gratuito

Acesso a portadores de deficiência física.

Visitas monitoradas: 3032-2564 agendamentomcb@terra.com.br

Estacionamento: R$ 10,00 no dia da abertura; de terça a sábado até 2 horas R$ 6,00; 3ª hora R$ 2,00; demais horas R$ 1,00 Domingo: preço único R$ 10,00

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Poema do Zeh!!!

A sociedade do escape

a Guy Debord



Toda a vida atual consiste

em um seminário de distâncias;

a distância é uma semana invisível

num calendário perdurante,

uma estância perdida onde não se há

o que se é, e o que seria também sucumbe;

um instante posta-se noutro

e o próximo desafago é apenas uma porta aberta

para um longe de afetos frustrados;

o dia encosta na noite, de relógio-alarme

em punho, cerrado de rotinas;

a voz imposta-se no grito de uma árvore

presa em tela seca na garganta;

e por fim uma chama fica cega de exílio,

quando a cor de tudo em torno é fuga.



In "A Perspectiva do Quase" (Arte Paubrasil, 2008), de Zeh Gustavo, p. 62
Encomendas: zehgustavo@yahoo.com.br
www.artepaubrasil.com.br

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Coronado



O diretor da Cia. Bará, Diego Gonzalez estará em cartaz 'atuando', na peça 'CORONADO' de Denis Lehane e direção: David Rock, nos próximos dias 08/07, 09/07 e 10/07 às 21:00 hrs no teatro TUCA.
TEATRO TUCARENA
R. Monte Alegre, Perdizes - S.P.

O DEUS DA DOR E DA PERDA

Revista Partes : A sua revista virtual - ISSN 1678-8419 P@rtes (São Paulo) Julgar uma cultura que não é a nossa é sempre muito difícil, pa...