quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Artigo/ Comemoração e compromisso no Dia Nacional do Livro, por Rosely Boschini


 Comemoração e compromisso

no Dia Nacional do Livro

                                                                   Rosely Boschini*

Há 199 anos, mais exatamente em 29 de outubro de 1810, quando a Corte portuguesa encontrava-se no Brasil protegida da guerra imperialista de Napoleão Bonaparte, registrou-se a transferência da Real Biblioteca para o Rio de Janeiro. Nosso país nunca mais foi o mesmo, pois os livros têm o poder de mudar a história, ao preservar memórias, transmitir conhecimento, formar consciências e garantir aos cidadãos o direito essencial da liberdade de expressão, pensamento e da formação de juízo de valores.
Contribuiu para a difusão da leitura no então Vice-Reino, o nascimento da indústria gráfica, surgida em 1808, também na Cidade Maravilhosa, com a instalação da Imprensa Régia. Repetiu-se no Brasil fenômeno semelhante ao que se observara cerca de 350 anos antes, na Europa, quando o alemão Gutenberg criou os tipos móveis e passou a imprimir. O primeiro trabalho que saiu de seus prelos foi uma Bíblia. Um dos exemplares originais, aliás, encontra-se no acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, aquela mesma que um dia recebeu as coleções da família real, compostas por 60 mil peças, entre livros, manuscritos e mapas.
Para se ter idéia da capacidade transformadora da leitura, por volta de 1450, o Velho Continente tinha cerca de 50 milhões de habitantes, dos quais apenas oito milhões alfabetizados. A transformação do livro de privilégio em algo mais acessível, propiciada pela impressão mecânica, multiplicou por três, em poucos anos, o número de europeus que sabiam ler e escrever.
Por isso, é importante comemorar com ênfase cada aniversário da chegada da Biblioteca Real ao Brasil. A data, 29 de outubro, foi oficializada como o Dia Nacional do Livro. Atualmente, nosso país produz 340,2 milhões de exemplares anuais (pesquisa "Produção e Vendas do Mercado Editorial Brasileiro 2008", realizada pela Fipe/USP, para a CBL e o SNEL). No período de 2006 e 2008, foram lançados aproximadamente 57 mil novos títulos e impressos mais de um bilhão de exemplares. O estudo, que também aponta significativa queda de preços, evidencia os esforços das editoras, livrarias, distribuidores e do segmento de venda porta-a-porta para que a leitura seja cada vez mais parceira do desenvolvimento.
Outro exemplo desse empenho é o fato de as entidades do setor terem acabado de formalizar entendimento com o Ministério da Cultura para a criação do Fundo Pró-Livro. O mercado editorial, cumprindo compromisso assumido há quatro anos, destinará um por cento de seu faturamento a essa finalidade. A contribuição do setor privado à meta de estimular a leitura também está expressa na qualidade. Nesse sentido, as iniciativas do setor livreiro estão ancoradas em consistente trabalho de pesquisa, realizado pelo Ibope Inteligência, por solicitação do Instituto Pró-Livro, criado pela CBL, SNEL e Abrelivros. O principal estudo — "Retratos da Leitura no Brasil" — permite dimensionar o mercado. Delineia necessidades e demandas e aponta caminhos e soluções eficazes para que mais pessoas leiam.
       Há, ainda, duas iniciativas da CBL que apresentam consistente resultado: a Bienal Internacional do Livro de São Paulo e o Prêmio Jabuti. Este, criado em 1959, chegou em 2009 à 51ª edição, contemplando 21 categorias e atingindo número recorde de inscrições, com 2.574 obras. Não menos importantes são as ações de divulgação do mercado editorial brasileiro no exterior. Em 2009, com apoio do convênio Brazilian Publishers, firmado pela Apex-Brasil e a CBL, a participação brasileira na Feira do Livro de Frankfurt, a mais importante do mercado editorial do mundo, teve mais visibilidade. No âmbito institucional, neste evento a Câmara firmou significativo acordo com Frankfurter Buchmesse (organizadora da Feira de Frankfurt) que visa à realização de atividades centradas no desenvolvimento da cadeia produtiva do livro no Brasil.
São prioritários, ainda, programas capazes de facilitar o acesso ao livro pelas crianças e jovens matriculados na rede pública de ensino. Nesse sentido, além da ampliação das ações federais (como o Programa Nacional do Livro Didático — PNLD e Programa Nacional Biblioteca da Escola), são necessárias mais iniciativas conjuntas entre União, estados e municípios e a iniciativa privada. Exemplo bem-sucedido da viabilidade desse objetivo é o projeto Minha Biblioteca, iniciado em 2007 na cidade de São Paulo, com forte apoio e participação da CBL.
Há, portanto, boas razões para se comemorar o Dia Nacional do Livro neste 29 de outubro. Porém, ainda é imenso o desafio relativo à meta de converter o Brasil num país de leitores e, portanto, mais desenvolvido, livre e justo! Como "a vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal" (Machado de Assis), é preciso reiterar a cada manhã o compromisso de outorgar a todo brasileiro o direito de repetir a instigante frase de Clarice Lispector: "A palavra é o meu domínio sobre o mundo".

*Rosely Boschini é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Memorial do Imigrante apresenta exposição especial sobre a França

Memorial do Imigrante apresenta exposição especial sobre a França
Evento integra calendário oficial do Ano da França no Brasil e fica em cartaz até 15 de novembro

Por sua condição geográfica privilegiada na Europa por e seu passado como potência colonial, a França é um país de trajetória secular na questão da imigração. Por esse fator e em ocasião do Ano da França no Brasil, o Memorial do Imigrante, em São Paulo, apresenta, até o dia 15 de novembro, a exposição “A Imigração na França: Pontos de Referência”.

A exposição, que na França se intitulou “Repères” (“Referências”) foi criada e instalada na Cité Nationale d’Historie de l’Immigration e tem como objetivo divulgar e reconhecer a história da imigração na França a partir do século XIX sob a visão da arte contemporânea. Ao total, o Memorial disponibiliza uma área de 1.100 m² dividida em oito capítulos, em um percurso temático que conta histórias individuais e que envolveram toda a sociedade francesa.

“Para que essa exposição fosse viabilizada, o Ano da França no Brasil foi fundamental. Quando decidimos participar do calendário oficial, pensamos inicialmente em construir uma exposição sobre a presença francesa em São Paulo. Mas como tínhamos excelentes contatos com a Cité Nationale d’Histoire, eles nos ofereceram essa exposição. Apoiamos a idéia não só pelo fato de ela tratar da imigração de uma forma mais artística, mas por ser um país que vive atualmente um problema sério em relação a esse tema”, afirmou a coordenadora de projetos do Memorial, Soraya Moura.

A exposição “A imigração na França: Pontos de Referência”é organizada pela Associação de Amigos do Memorial do Imigrante e pela Cité Nationale d’Histoire de l’Immigration. Conta com o apoio de Accor, Air France, Areva, Caixa Seguros, CNP, Dassault, EADS, GDF-Suez, Alstom, Lafarge, PSA Peugeot Citroën, Renault, CCFB, Saint-Gobain, Safran, DCNS, Thales, Vallourec, Governo Federal do Brasil e República Francesa.

Os patrocinadores do Ano da França no Brasil ( http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/
) são:

Comitê de patrocinadores franceses:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Câmara de Comércio França-Brasil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSAPeugeot Citroën, Renault, Saint-Gobain, Safran, Thales, Vallourec.

Patrocinadores brasileiros:
Banco Fidis, Banco Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa Econômica Federal, Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro.

Parceria: Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores, TV5Monde, Ubifrance, Aliança Francesa, CulturesFrance, TV Brasil, SESC, SESC SP.


Realização:
Governo Federal do Brasil e República Francesa



Mémorial de l’Immigrant présente exposition spéciale sur la France
Événement intègre le calendrier officiel de l’Année de la France au Brésil et reste ouvert au public jusqu’au 15 novembre

Par sa condition géographique privilégiée en Europe et par son passé de puissance coloniale, la France est un pays de trajectoire séculaire dans la question de l’immigration. Pour cette raison et en occasion de l’Année de la France au Brésil, le Mémorial de l’Immigrant, à São Paulo présente jusqu’au 15 novembre, l’exposition « Repères », ou « L’Immigration en France : Points de Référence ».

L’exposition a été crée et installé dans la Cité Nationale d’Historie de l’Immigration et son objectif est diffuser et reconnaître l’histoire de l’immigration en France depuis le XIXème siècle sur une vision d’art contemporaine. Le Memorial dispose d’un superficie de 1.100 m² divisée en huit chapitres, dans un parcours thématique qui raconte des histoires individuelles et celles qui ont ont engagé toute la société française.

 « L’Année de la France au Brésil a été fondamental pour viabiliser cette exposition. Quand nous avons décidé de participer du calendrier official, on a imaginé initialement dans le montage d’une exposition sur la présence française à São Paulo. Mais comme nous avons des très bonnes rélations avec la Cité Nationale d’Histoire, ils nous ont offert cette exposition. Et leur idée a été subventionnée d’imédiat, car l’exposition parle de l’immigration d’une façon plus artistique et aussi parce que la France est un pays qui passe par un problème très sérieux par rapport à cette thématique », a affirmé la coordinatrice de projets du Memorial, Soraya Moura.

L’exposition « Répères » est organisée par l’Association des Amis du Mémorial de l’Immigrant et par la Cité Nationale d’Histoire de l’Immigration. Elle compte aussi avec l’appui d’Accor, Air France, Areva, Caixa Seguros, CNP, Dassault, EADS, GDF-Suez, Alstom, Lafarge, PSA Peugeot Citroën, Renault, CCFB, Saint-Gobain, Safran, DCNS, Thales, Vallourec, Gouvernement du Brésil et Répúblique Française.

Les mécènes de l´Année de la France au Brésil (
http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/) sont:

Comité des mécènes français:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Chambre de Commerce France-Brésil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSA Peugeot Citroën, Renault, Saint-Gobain, Safran, Thales, Vallourec.

Mécènes brésiliens:
Banco Fidis, Banco Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa (Econômica Federal), Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro.

Partenaires:
Ministère de la Culture du Brésil, Ministère des Relations Extérieures du Brésil, TV5Monde, Ubifrance, Alliance Française, Culturesfrance, TVBrasil, SESC, SESC SP.

Opérateurs :
Gouvernement Fédérale du Brésil et République Française 


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Pesquisadores franceses de artes cênicas encontram-se em Belo Horizonte

Pesquisadores franceses de artes cênicas encontram-se em Belo Horizonte
O Ecum – Centro Internacional de Formação e Pesquisa em Artes Cênicas realiza o Programa de Oficinas de 2009 dentro do Ano da França no Brasil





26.10.2009 - Belo Horizonte/ Minas Gerais / Brazil.
Cerimonia de abertura do Encontro Mundial das Artes Cenicas, o ECUM, no espaco 104, no centro de Belo Horizonte, dentro da programacao do ano da Franca no Brasil.
Foto: Pedro Silveira / Entrelinhas
 



Entre 26 e 31 de outubro, Belo Horizonte recebe o Programa de Oficinas 2009, do ECUM – Centro Internacional de Formação e Pesquisa em Artes Cênicas, que faz parte do calendário do Ano da França no Brasil. O programa traz cinco oficinas mais um momento de reflexões ministrado por famosos pedagogos e artistas franceses.

No evento de abertura, Guilherme Marques, coordenador geral do ECUM contou que o programa recebeu inscrições de atores de 11 estados brasileiros e 100 vão participar das oficinas. "Ao longo dos anos, os encontros do ECUM foram tomando grandes proporções o que nos levou a consolidar o sonho de ter um Centro de Formação e Pesquisa em Belo Horizonte. E contamos com o apoio do Ano da França no Brasil para esse primeiro projeto", explicou. "Como sempre contamos com a participação francesa nas nossas oficinas, foi natural que eles estivessem presentes no primeiro projeto do centro. As escolas francesas de arte cênicas são tradicionais em pesquisa e formação de atores", completou o coordenador de projeto Fernando Mencarelli.

De acordo com a adida de Cooperação e Ação Cultural na Embaixada da França em Belo Horizonte, Sylvie Debs, o fato de o encontro bienal ter se desdobrado em um centro de pesquisa é muito importante. "Ficamos felizes em saber que a cooperação entre os dois países no Ano da França no Brasil vai se tornar algo permanente, com projetos além desse ano."

Os curadores desta edição são Béatrice Picon-Vallin (diretora de pesquisas sobre as artes do espetáculo do CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique e professora de História do Teatro no Conservatoire Supérieur d'Art Dramatique de Paris) e Jean-François Dusigne (professor em Artes do Espetáculo, Teatro e Etnocenologia na Universidade Paris 8 e co-diretor artístico da ARTA - Associação que Pesquisa as Tradições do Ator). Béatrice esteve várias vezes no Brasil em palestras e eventos e acha que o encontro entre pesquisadores e estudantes é enriquecedor para todos.

"Como professores e pesquisadores aprendemos muito trabalhando com uma cultura diferente. Senti os alunos brasileiros com muita curiosidade e vontade de aprender", garantiu a curadora.
Alexandre del Peruggia, pedagogo no Conservatoire National Supérieur d'Art Dramatique de Paris, ministra uma das oficinas. Ele acredita que possibilidades de encontros entre dois países como o Ano da França no Brasil ajudam a fortalecer as relações. "Uma forma de enriquecer os trabalhos de pesquisa e possibilitar a criação de projetos conjuntos."

Outro professor convidado foi o artista circense e pesquisador de artes cênicas Philippe Goudard, depois de ministrar sua primeira aula, ele estava contente com o retorno dos alunos. "É minha primeira vez no Brasil e acho que essa será uma boa oportunidade para trocar com os artistas brasileiros."

Um dos alunos das oficinas é o ator e diretor Júlio Vianna, de 36 anos. Participante frequente do ECUM, Júlio ficou feliz em ter como professores profissionais franceses de tanto renome e com um currículo internacional muito vasto. "Temos uma oportunidade de estar bem próximos e aprender bastante. A expectativa para essa semana é muito boa."

Os patrocinadores do Ano da França no Brasil ( http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/) são:

Comitê de patrocinadores franceses:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Câmara de Comércio França-Brasil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSAPeugeot Citroën, Renault, Saint-Gobain, Safran, Thales, Vallourec.

Patrocinadores brasileiros:
Banco Fidis, Banco Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa Econômica Federal, Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro.

Parceria: Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores, TV5Monde, Ubifrance, Aliança Francesa, CulturesFrance, TV Brasil, SESC, SESC SP.


Realização:
Governo Federal do Brasil e República Francesa



Les chercheurs français des arts du spectacle sont réunis à Belo Horizonte
Le ECUM - Centre International de Formation et de Recherche des Arts du Spectacle organise le Programme d'Ateliers 2009 dans le calendrier de L'Année de la France au Brésil 

Entre le 26 et octobre 31, Belo Horizonte reçoit le Programme D'ateliers 2009 du ECUM - Centre International de Formation et de Recherche des Arts d'Espetacle, qui fait partie du calendrier de l'Année de la France au Brésil. Le programme comporte cinq ateliers, ainsi qu'un moment de réflexions, enseigné par des artistes et éducateurs français renommée. 

Dans l'ouverture de l'événement, Guilherme Marques, coordinateur général de l'ECUM a dit que le programme a reçu des demandes provenant des artistes de 11 états brésiliens et 100 vont participer à des ateliers. "Au fil des ans les réunions du ECUM prenaient des proportions importantes qui nous a conduit à consolider le rêve d'avoir un centre de formation et de recherche en Belo Horizonte. Et nous avons l'appui de l'Année de France au Brésil pour ce premier projet", remarqua le coordinateur général. "Nous avons eu toujours la participation française dans nos ateliers, il était naturel qu'ils étaient aussi présents au premier projet du centre. Les écoles françaises d'art du spectacle sont traditionnels dans recherche et la formation des acteurs », expliqua le coordinateur du projet Fernando Mencarelli. 

Selon l'attachée de Coopération et d'Action Culturelle de l'Ambassade de France à Belo Horizonte, Sylvie Debs, le fait que la réunion biennale a été déployé sur un centre de recherche permanente est très importante. «Nous sommes heureux que la coopération entre les deux pays dans l'Année de la France au Brésil sera devenu permanente, avec des projets au-delà de cette année." 

Les curateurs de cette édition sont Béatrice Picon-Vallin (directeur de la recherche sur les arts de la scène CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique et professeur d'histoire du théâtre au Conservatoire Supérieur d'art dramatique de Paris) et Jean-François Dusigne (enseignant dans les Arts du spectacle, théâtre et Etnocenologia à l'université Paris 8 et co-directeur artistique de ARTA - Association of Research Traditions acteur). Béatrice était en plusieurs fois au Brésil au cours de conférences et d'événements et pense que la rencontre entre les chercheurs et les étudiants est enrichissante pour tous. «Les enseignants et les chercheurs ont beaucoup à apprendre en travaillant avec une culture différente. Je sent que les étudiants brésiliens ont une grande curiosité et volonté d'apprendre », a-t-elle dit.

Alexandre del Perugia, professeur au Conservatoire National Supérieur d'Art Dramatique de Paris, ministre un des ateliers. Il croit que le rencontre entre deux pays comme l'Année de la France au Brésil aide à renforcer les relations. «Un moyen d'enrichir les travaux de recherche et de permettre la création de projets communs." Un autre enseignant invité est l'artiste des arts du cirque et chercheur Philippe Goudard. Après avoir livré sa première conférence, il était heureux du retour des étudiants. "C'est ma première fois au Brésil et je pense que c'est une bonne occasion d'échanger avec des artistes brésiliens." 

Un des étudiants de ces ateliers est l'acteur et réalisateur Julio Vianna, 36 ans. Il participe fréquemment au ECUM et était heureux d'avoir comme maîtres professionnels très renommé et avec de très large expérience internationale. "Nous avons la possibilité d'être très proches et apprendre beaucoup. L'expectative pour cette semaine est très bonne."

Les mécènes de l´Année de la France au Brésil (http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/) sont:

Comité des mécènes français:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Chambre de Commerce France-Brésil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSA Peugeot Citroën, Renault, Saint-Gobain, Safran, Thales, Vallourec.

Mécènes brésiliens:
Banco Fidis, Banco Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa (Econômica Federal), Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro.

Partenaires:
Ministère de la Culture du Brésil, Ministère des Relations Extérieures du Brésil, TV5Monde, Ubifrance, Alliance Française, Culturesfrance, TVBrasil, SESC, SESC SP.

Opérateurs :
Gouvernement Fédérale du Brésil et République Française 

Ano da França no Brasil leva obras primas de Rodin a Salvador

Ano da França no Brasil leva obras primas de Rodin a Salvador
Exposição inédita "Auguste Rodin, homem e gênio" ficará em cartaz por três anos no Palacete das Artes, com gratuidade garantida por um ano


Uma concorrida festa de inauguração coroou o processo de sete anos que unem os primeiros acordos feitos entre França e Brasil para a vinda das peças do escultor francês Auguste Rodin para a Bahia, e a abertura da exposição "Auguste Rodin, homem e gênio", que permanecerá aberta a visitação pública por três anos. Esta é a primeira vez na história que o Museu Rodin Paris concorda em ceder para uma exposição, e por tanto tempo, as peças do artista considerado o pai da escultura moderna, o que envolveu um bem sucedido esquema de colaboração binacional que já dura quase uma década e teve seu ápice durante o Ano da França no Brasil.

Em sua primeira noite, as 62 esculturas, avaliadas em R$ 26 milhões e que foram cedidas em comodato de três anos pelo governo francês para a realização da exposição, receberam a visitação de cerca de 1,5 mil pessoas. O Projeto Rodin Bahia foi aberto pelo governador do Estado, Jacques Wagner, que esteve acompanhado da primeira-dama, Fátima Mendonça, e de membros da sua administração, como o secretários da Cultura, Marcio Meirelles, e do Turismo, Domingos Leonelli; o diretor geral do Instituto do Patrimônio Artístico Cultural da Bahia – IPAC, Frederico Mendonça; e o diretor do Palacete das Artes - Museu Rodin Bahia, o também artista plástico Murilo Ribeiro.

 "Para nós todos é um motivo de orgulho. Pela primeira vez essas peças saem do Museu Rodin Paris por um período tão longo, o que mostra a deferência da França em relação à Bahia", declarou Jacques Wagner, durante a coletiva que se seguiu à inauguração. "Espero que todos os visitantes possam ser inspirados, que desperte vontades artísticas e possa estabelecer trocas culturais e científicas entre o Brasil e a França", completou.

Também estiveram presentes Chantal Haage, conselheira de Cooperação e Ação Cultural Adjunta da Embaixada da França no Brasil e Irène Kirsch, adida cultural da França na Bahia. O conservador geral do Patrimônio e diretor do Museu Rodin Paris, Dominique Viéville, enfatizou a importância de inaugurar esta exposição dentro do Ano da França no Brasil, visto que o comodato que trouxe as obras é fruto de uma ação inédita dentro das relações binacionais França-Brasil.

"Fazer parte do Ano da França no Brasil é importante dentro de um contexto de descentralização da cultura francesa, em um nível internacional", colocou Viéville, que cita outras iniciativas de museus que fizeram itinerância de seus acervos dentro da França, como o Museu do Louvre e o Centro Georges Pompidou. "São projetos diferentes e complementares, que provocam o olhar de outra cultura sobre a cultura francesa e vice versa. Esta cooperação franco-brasileira vai dar uma nova vida às obras primas de Rodin", arrematou o diretor do Rodin Paris.

Aline Magnien, conservadora em chefe do patrimônio e responsável do serviço de coleções do Museu Rodin Paris ressaltou o empenho do governo baiano e francês para que o projeto de trazer ao Brasil as peças do maior escultor do século. "É um conjunto de sucessos, desde o restauro do casarão, até a cenografia bela e inteligente que foi feita para receber as peças. Estamos muito felizes com o resultado".

Para o secretário de Cultura, Marcio Meirelles, o fato de a exposição "Auguste Rodin, homem e gênio" ter sido aberta durante o Ano da França no Brasil tem uma dimensão acentuada pela relação histórica entre os dois países. "A Bahia foi um dos estados que teve os maiores eventos dentro deste projeto e a inauguração das obras de Rodin na Bahia evoca a contemporaneidade e a história".

"Aconteceu muita coisa na Bahia no contexto do Ano da França no Brasil, e a inauguração do Museu Rodin neste contexto foi uma coincidência feliz", ponderou Irène Kirsch, adida cultural da França na Bahia. "É uma oportunidade completamente inédita, com impacto nacional e além fronteiras no mercado de turismo e cultural. A vinda destas peças é uma história de desejo, o epílogo feliz de um processo de negociação que envolveu dois governos, quatro Ministérios da Cultura em ambos os países e é uma forma de a França dizer eu te amo, dos dois lados", completou.

"Para além de uma coincidência feliz, essa inauguração neste ano não seria possível sem o empenho e a chancela do Ano da França no Brasil, que otimizou, oportunizou e transformou esta noite em inesquecível", enfatizou o diretor do Palacete das Artes – Museu Rodin Bahia, Murilo Ribeiro. "Se não fosse ao Ano da França no Brasil não conseguiríamos chegar a este resultado tão importante e bem sucedido que vemos aqui esta noite. É uma exposição que vai alavancar a linguagem da escultura na Bahia e a visitação aos outros museus baianos. O Rodin pretende ser catalisador de arte e cultura".

A museóloga responsável pelo Rodin Bahia, Heloísa Helena Costa, relembrou o histórico anterior à inauguração da exposição: "O projeto começou em 2002, com Jacques Villain, diretor do Museu Rodin Paris, e Emmanoel Araújo. E o projeto cresceu primeiro recuperando um patrimônio da Bahia e do Brasil, que é o casarão Martins Catarino, e depois levando a termo a vinda das obras. O Ano da França no Brasil é um evento primoroso, que faz com que a gente cada vez mais estreite as relações entre a França e o Brasil, que ficaram um pouco perdidas no tempo", acrescenta. "Essa retomada de trocas culturais e científicas com a França fazem muito bem ao brasileiro, que vai buscar um pouco na sua origem anterior a maneira de olhar a vida cultural e científica com mais cuidado e atenção".

Já Chantal Haage, conselheira de Cooperação e Ação Cultural Adjunta da Embaixada da França no Brasil, posiciona a inauguração de "Auguste Rodin, homem e gênio" como um dos eventos mais importantes do Ano da França no Brasil. "Ele é único, dentro de coisas tão importantes e interessantes que aconteceram neste projeto até aqui. Uma exposição deste estilo, com obras primas de Rodin, que é um artista extraordinário, com esta duração, é um exemplo único no contexto do Ano da França no Brasil. Ela vai desembocar em outras exposições, há todo um pensamento científico e cultural que acompanha esta apresentação, o que propiciará uma verdadeira troca entre os artistas brasileiros e franceses".

O conjunto de obras que ficará, por um período, aberto a visitação gratuita, é composto por originais que são registrados no inventário das coleções públicas francesas, sendo consideradas propriedade inalienável do Estado Francês. As peças devem voltar a Paris ao fim de 2012, podendo ser feito um novo contrato com outras coleções do autor.

As 62 peças foram esculpidas em gesso, em uma tradução da técnica de Rodin, que costumava trabalhar com este material, deixando que seus assistentes fundissem o metal para finalização e reprodução de suas obras. Para Rodin, somente o gesso era capaz de moldar sobre o que já fora criado, o metal ou o mármore impediam as torções e contornos necessários a sua representação artística.

Entre os destaques da exposição, estão obras como "O Beijo", "O Pensador", "O Escultor e Sua Musa", "Eva", "A Defesa", "O Desespero", "Terceira Maquete para a Porta do Inferno", "Glaucus", "O Sono", "A Meditação", "A Eclesiástica" e a "Danaide".

O projeto Rodin é uma iniciativa do governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Cultura e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural do Estado, e conta com o apoio do Governo Federal do Brasil, da República Francesa e do Museu Rodin Paris.

Os patrocinadores do Ano da França no Brasil ( http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/) são:

Comitê de patrocinadores franceses:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Câmara de Comércio França-Brasil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSAPeugeot Citroën, Renault, Saint-Gobain, Safran, Thales, Vallourec.

Patrocinadores brasileiros:
Banco Fidis, Banco Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa Econômica Federal, Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro.

Parceria: Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores, TV5Monde, Ubifrance, Aliança Francesa, CulturesFrance, TV Brasil, SESC, SESC SP.


Realização:
Governo Federal do Brasil e República Francesa




Année de la France au Brésil apporte chefs d'oeuvre de Rodin à Salvador
L'exposition inédite « Auguste Rodin, l'homme et le génie » restera à l'affiche trois ans dans le Palacete das Artes, avec entrée gratuite pendant la première année.


 26/10/2009 - Salvador - Brazil - Salvador recebe obras do escultor francês Auguste Rodin por três anos Exposição inédita Auguste Rodin, homem e gênio ficará em cartaz no Palacete das Artes e integra a programação do Ano da França no Brasil.
Foto: Roberto Abreu/ Entrelinhas



Une affluente ouverture a couronné la procédure de sept ans qui unit les premiers accords faits entre la France et le Brésil pour l'arrivée des pièces du sculpteur français Auguste Rodin pour Bahia, et l'inauguration de l'exposition « Auguste Rodin, l'homme et le génie », qui restera ouverte au public pendant trois ans. C'est la première fois dans l'histoire que le Musée Rodin Paris est d'accord de céder pour une exposition, et pour un période si long, les pièces de l'artiste considéré comme le père de la sculpture moderne, ce qui a impliqué la réussite du projet de collaboration binationale qui dure déjà depuis dix ans et eut son apogée durant l'Année de la France au Brésil.

En leur première soirée, les 62 sculptures, évaluées vingt-six millions de reais, et qui ont été prêtées pour trois ans par le gouvernement français pour la réalisation de l'exposition, ont reçu la visite d'environ mille cinq cent personnes. Le Projet Rodin Bahia a été déclaré ouvert par le gouverneur de l'État, Jacques Wagner, qui était accompagné de la première dame, Fátima Mendonça, et de membres de son administration, comme les secrétaires de la Culture, Marcio Meirelles, et du Tourisme, Domingos Leonelli ; le directeur général de l'Institut du Patrimoine Artistique Culturel de la Bahia (IPAC), Frederico Mendonça ; et le directeur du Palacete des Arts - Musée Rodin Bahia, également artiste plastique, Murilo Ribero.

« Pour nous tous c'est un motif d'orgueil. Pour la première fois ces pièces sortent du Musée Rodin Paris pour une période aussi longue, ce qui montre le respect de la France concernant  Bahia », a déclaré Jacques Wagner, pendant la conférence de presse qui suivit l'inauguration. «J'espère que tous les visiteurs puissent être inspirés, que s'éveillent des volontés artistiques et puissent s'établir des échanges culturels et scientifiques entre le Brésil et la France », complète-t-il.

Étaient présentes également Chantal Haage, conseillère de coopération et action culturelle adjointe de l'Ambassade de la France au Brésil et Irène Kirsch, attachée culturelle de la France à Bahia. Le conservateur général du Patrimoine et directeur du Musée Rodin Paris, Dominique Viéville, a souligné l'importance d'inaugurer cette exposition dans le cadre de l'Année de la France au Brésil, vu que l'accord de prêt qui a permis d'amener les oeuvres est le  fruit d'une action inédite au sein des relations binationales France-Brésil.

« Faire partie de l'Année de la France au Brésil est important dans un contexte de décentralisation de la culture française, à un niveau international », rappelle Dominique Viéville, qui cite d'autres initiatives de musées qui ont prêté leurs fonds à l'intérieur de la France, comme le Musée du Louvre et le Centre Georges Pompidou. «Ce sont des projets différents et complémentaires, qui provoquent le regard d'une autre culture sur la culture française et vice-versa. Cette coopération franco-brésilienne va donner une nouvelle vie aux chefs-d'oeuvres de Rodin », conclut le directeur du Rodin Paris.

Aline Magnien, conservatrice en chef du Patrimoine et responsable du service des collections du Musée Rodin Paris souligne l'engagement des gouvernements de Bahia et de la France pour le projet d'apporter au Brésil les pièces du plus grand sculpteur du siècle. « C'est un ensemble de succès, depuis la restauration du Palais, jusqu'à la scénographie belle et intelligente qui a été faite pour recevoir les pièces. Nous sommes très heureux du résultat ».

Pour le secrétaire de la Culture de Bahia, Marcio Meirelles, le fait que l'exposition «Auguste Rodin, l'homme et le génie» ait été ouverte pendant l'Année de la France au Brésil a une dimension accentuée par la relation historique entre les deux pays. «Bahia a été un des États qui ont eu les plus grands événements à l'intérieur de ce projet et l'inauguration des oeuvres de Rodin à Bahia évoque la contemporanité et l'histoire ».

« De nombreux événements se sont produits à Bahia dans le contexte de l'Année de la France au Brésil, et l'inauguration du Musée Rodin dans ce contexte a été une coïncidence heureuse», considère Irène Kirsch, attachée culturelle de la France à Bahia. « C'est une occasion complètement inédite, avec un impact national et au-delà des frontières dans le marché du tourisme et de la culture. La venue de ces pièces est une histoire de désir, l'épilogue heureux d'un processus de négociation qui a impliqué deux gouvernements, quatre ministères de la culture dans les deux pays et c'est une forme, pour la France, de dire je t'aime, des deux côtés», complète-t-elle.

« Outre une coïncidence heureuse, cette inauguration en 2009 n'aurait été possible sans l'engagement et le paraphe de l'Année de la France au Brésil, qui a optimisé, rendu possible et  transformé cette soirée en moment inoubliable », a souligné le directeur du Palacete des Arts - Musée Rodin Bahia, Murilo Ribeiro. « Si ce n'était pas l'Année de la France au Brésil nous ne réussirions pas à arriver à ce résultat aussi important et réussi que nous voyons ici ce soir. C'est une exposition qui va être un levier pour le langage de la sculpture à Bahia et pour la visite aux autres musées de Bahia. Le Rodin prétend être catalyseur de l'art et de la culture ».

La muséologue responsable du Rodin Bahia, Heloísa Helena Costa, a rappelé l'historique antérieur à l'inauguration de l'exposition : « Le projet a commencé en 2002, avec Jacques Villain, directeur du Musée Rodin Paris, et Emmanoel Araújo. Et le projet a grandi, premièrement en récupérant un patrimoine de Bahia et du Brésil, qui est ce Palais Martins Catarino, et ensuite menant à terme la venue des oeuvres. L'Année de France au Brésil est un excellent événement, qui permet chaque jour un peu plus de rendre étroites les relations entre la France et le Brésil, qui étaient restées un peu perdues dans le temps », ajoute-t-elle.  «Cette reprise d'échanges culturels et scientifiques avec la France fait beaucoup de bien au Brésilien, qui va chercher un peu dans ses origines la manière de regarder la vie culturelle et scientifique avec plus de soin et d'attention ».

Ainsi,  Chantal Haage, conseillère de coopération et action culturelle adjointe de l'Ambassade de la France au Brésil, place l'inauguration d'«Auguste Rodin, l'homme et le génie» comme un des événements les plus importants de l'Année de la France au Brésil. « Il est unique, au sein des événements aussi importants et intéressants qui se sont produits dans ce projet jusqu'ici. Une exposition de ce style, avec des chefs-d'oeuvre de Rodin, qui est un artiste extraordinaire, sur cette durée, est un exemple unique dans le contexte de l'Année de la France au Brésil. Elle va déboucher sur d'autres expositions, il y a tout une pensée scientifique et culturelle qui accompagne cette présentation, ce qui rendra propice un véritable échange entre les artistes brésiliens et français ».

L'ensemble des oeuvres qui restera, pour une période, ouverte à la visite gratuite, est composé d'originaux qui sont enregistrés à l'Inventaire des collections publiques françaises, en étant considérées propriété inaliénable de l'État Français. Les pièces doivent retourner à Paris à la fin de 2012, un nouveau contrat pouvant alors être conclu avec d'autres collections de l'auteur.

Les 62 pièces ont été sculptées dans le plâtre, dans une traduction de la technique de Rodin, qui avait l'habitude de travailler avec ce matériel, laissant ses assistants fondre le métal pour la conclusion et la reproduction de ses oeuvres. Pour Rodin, seulement le plâtre était capable de mouler sur ce qui avait été déjà créé, le métal ou le marbre empêchaient les torsions et les contours nécessaires à sa représentation artistique.

Se détachent de l'exposition des oeuvres comme « le Baiser », « le Penseur », « le Sculpteur et sa muse », « Eva », « la Défense », « le Désespoir », la « Troisième Maquette pour la Porte de l'Enfer », « Glaucus », « le Sommeil », « la Méditation », « l'Ecclésiastique » et la « Danaïde ».

Le Projeto Rodin est une initiative du gouvernement de l'État de Bahia, à travers le Secrétariat de Culture (SECULT) et de l'Institut du Patrimoine Artistique et Culturel de l'État (IPAC), et compte avec l'aide du Gouvernement Fédéral du Brésil, de la République Française et du Musée Rodin Paris.

Les mécènes de l´Année de la France au Brésil (http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.br/) sont:

Comité des mécènes français:
Accor, Air France, Alstom, Areva, Caixa Seguros, CNP Assurance, Chambre de Commerce France-Brésil, Dassault, DCNS, EADS, GDF SUEZ, Lafarge, PSA Peugeot Citroën, Renault, Saint-Gobain, Safran, Thales, Vallourec.

Mécènes brésiliens:
Banco Fidis, Banco Itaú, Bradesco, BNDES, Caixa (Econômica Federal), Centro Cultural Banco do Brasil, Correios, Eletrobrás, Fiat, Gol, Grupo Pão de Açúcar, Infraero, Oi, Petrobras, Santander, Serpro.

Partenaires:
Ministère de la Culture du Brésil, Ministère des Relations Extérieures du Brésil, TV5Monde, Ubifrance, Alliance Française, Culturesfrance, TVBrasil, SESC, SESC SP.

Opérateurs :
Gouvernement Fédérale du Brésil et République Française 

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Bibliotecas de escolas de Rio Grande receberão livro sobre a importância da preservação da água

Bibliotecas de escolas de Rio Grande receberão livro sobre a importância da preservação da água 

 

 

             Escolas das redes públicas municipais e estaduais de ensino da cidade de Rio Grande (RS) vão receber cerca de 300 exemplares do livro Planeta Água, de Flávia Rossi para serem encaminhados às respectivas bibliotecas. A doação é uma das iniciativas em sustentabilidade do Tecon Rio Grande, empresa do Grupo Wilson, Sons, que patrocinou a obra.  

 

O livro

 

A obra de Flávia Rossi se comunica diretamente com crianças e jovens através de um texto leve e acessível. O que chama atenção à primeira vista são as ilustrações do grafiteiro Marcelo Eco, que atrai pela qualidade e por captar a linguagem do público que o livro quer atingir.

 

A mensagem central é fazer um alerta às crianças e jovens sobre como cuidar para que este bem não se esgote. O livro mostra que a importância vai além do abastecimento e alcança a manutenção do meio ambiente, sobrevivência de animais, lazer e até com importância cultural e mitológica, trazendo lendas brasileiras onde a água é o pano de fundo. "Eu quero mostrar, com o livro que a água não é só aquela que sai da nossa torneira, mas é a água do mundo responsável pela vida em nosso planeta", afirma a Flávia Rossi.

Artigo A campanha de Obama a minirreforma política brasileira, por Custódio Pereira

 

A campanha de Obama e a

minirreforma política brasileira

 

 

                                                          Custódio Pereira*

 

         Depois da antológica eleição de Barack Obama à Presidência da República dos Estados Unidos, as campanhas eleitorais nunca mais serão as mesmas. Refiro-me ao fato de, pela primeira vez desde o seu advento, a internet ter contribuído de modo tão expressivo para determinar o resultado de uma eleição, e de um pleito com significado ímpar, pois estabeleceu um marco na história norte-americana. A campanha pela Web teve muito peso na estratégia de comunicação e na captação de recursos, fatores exponenciais para a vitória.

         O revolucionário processo passa a interessar mais de perto os brasileiros a partir da minirreforma eleitoral aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Afinal,  o item mais relevante da nova lei é a total liberação da internet para as campanhas, incluindo o debate entre candidatos com regras mais flexíveis do que no rádio e na TV. A analogia, portanto, é inevitável.

Mais do que isso, é interessante que os partidos políticos, os especialistas em comunicação eleitoral, assessores de imprensa e relações públicas brasileiros estudem mais a fundo como se deu a formidável estratégia de Obama na rede mundial de computadores. Boa oportunidade para conhecer melhor um pouco mais a inovadora utilização política da Web é a presença no Brasil de Steve Hildbrand, captador de recursos da campanha do presidente norte-americano.  Ele estará em São Paulo por ocasião do Congresso Hemisférico de Captação de Recursos – Fundraising, de 6 a 8 de novembro, no auditório da Fundação de Rotarianos. É a primeira vez que o evento realiza-se no Brasil.

Hildbrand relatará a vitoriosa experiência. Vitoriosa e inédita, pois, embora desde o ano 2000, a internet já fosse utilizada em disputas eleitorais, nada até então comparou-se ao que ocorreu na campanha presidencial dos Estados Unidos em 2008. Assistiu-se ao surgimento de uma nova maneira de abordar os eleitores, arrecadar dinheiro, organizar grupos de voluntários, monitorar e convencer eleitores. Também se encontrou na Web um modo muito eficaz de rebater ataques dos adversários, desqualificando-os em uma portentosa rede formadora de opinião.

         A estratégia foi tão eficiente que, conforme noticiaram os veículos de comunicação norte-americanos, sensibilizou até mesmo numerosos cidadãos que jamais haviam exercitado anteriormente o direito de votar, principalmente no universo de público dos adultos jovens. A comunicação tela a tela, pessoa por pessoa, teve um imenso efeito multiplicador, chegando a milhões de pessoas. No final, além da vitória, resultou num mailing gigantesco de e-mails de gente que doou dinheiro, participou do debate e se mostrou aberta à abordagem política. A internet parece ter promovido, como nenhuma outra mídia, o engajamento ideológico das pessoas. Elas sentiram-se participantes diretas do processo, à medida que interagiam individualmente em um grande processo coletivo. Deixaram de ser espectadoras e se tornaram protagonistas!

         Com a minirreforma política, os partidos e candidatos brasileiros poderão adotar estratégias semelhantes à utilizada na campanha de Barack Obama. As possibilidades são enormes a partir da legalização da Web como mídia legítima para o processo de propaganda e mobilização eleitoral. Assim, que se utilize de modo competente e adequado essa ferramenta, possibilitando o avanço da participação democrática, do debate de propostas e da disputa, com criatividade e dignidade, pelo voto dos brasileiros.

 

*Custódio Pereira é diretor-geral das Faculdades Integradas Rio Branco e presidente do Grupo de Trabalho da OAB-SP que produziu o anteprojeto do Programa Nacional de Incentivo à Educação.

 

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (TERCEIRA PARTE)

ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (TERCEIRA PARTE)

 

 

Notisa – A parcela de nossa população que "não se importa" com o que ocorre dentro das favelas pode estar contribuindo, mesmo que inconscientemente, para uma forma de democídio (assassinato perpetrado pelo Estado contra pessoas em geral)?

 

ZYGMUNT BAUMAN – A capitulação tipicamente brasileira da separação espiritual entre estranhos, o preconceito mútuo, a desconfiança e a inimizade é o "medo do 'morro" e o "desdém por aqueles aqui de baixo" – os "residentes do asfalto".

 

Oscar Newman, um urbanista e arquiteto americano, sugeriu, em 1972, em um artigo com um título auto-explicativo – Espaço defensável, pessoas e design na cidade violenta – que o remédio preventivo contra o medo da violência urbana é a demarcação clara de limites – uma ação que desencorajaria ações invasivas de estranhos. A cidade é violenta e repleta de perigos porque – assim dizem Newman e seus apóstolos – está cheia de estranhos. Quer evitar infortúnios? – diz Newman: mantenha os estranhos a uma distância segura. Torne seu espaço compacto, brilhantemente iluminado, fácil de ser observado, possível de ser visto "através de" e seus medos irão desaparecer, você saboreará, finalmente, o maravilhoso gosto da segurança...

 

Como a experiência demonstrou, no entanto, os esforços para tornar espaços "defensíveis" levaram a aumentos agudos em preocupações com segurança. Arautos e sintomas da segurança "sendo um problema" continuam nos lembrando de nossas inseguranças... Como Ana Minton argumentou em seu estudo recente: "O paradoxo da segurança é que, quanto melhor funciona, menos deveria ser necessária. Ainda assim, ao invés disso, a necessidade de segurança pode ser tornar viciante..." De proteção e segurança nunca há o bastante; uma vez que se começa a desenhar e fortificar fronteiras, não há retorno. O principal beneficiário é nosso medo: ele prospera e se torna exuberante, alimentando-se de nossos esforços por desenhar e armar fronteiras.

 

Em uma das mais afiadas oposições imagináveis à opinião de Newman estão as recomendações postas no papel por Jane Jacobs: é precisamente na multidão das ruas da cidade e na profusão de estranhos ao redor que encontramos socorro e nos libertamos do medo que exala a cidade, aquele "grande desconhecido".  A palavra que define esse elo, diz ela, é confiança. A confiança na reconfortante segurança das ruas da cidade é destilada da multiplicidade de encontros e contatos rápidos nas calçadas... O sedimento e traço duradouro de contatos públicos casuais é um tecido de malhas de união-em-público compostas por respeito e confiança civis. A falta de confiança é um desastre para uma rua de cidade – conclui Jacobs.

 

Há a falta de comunicação e de laços que compartilham vidas na ausência de confiança; e a falta de confiança leva à indiferença moral – despreocupada com o que acontece com 'eles', os que estão 'lá fora', não importa o quão atroz e repelente possa soar, se aplicado a 'nós' ou a 'pessoas como nós'. A premonição de Jacobs pode assim se comprovar certa, se nada for feito para impedi-la...

 

Mas algo está sendo feito, mesmo se o que foi feito até agora ainda não seja o bastante para cortar o nó górdio firmemente amarrado durante décadas, se não séculos. Veja por exemplo o Viva Rio, a maravilhosa iniciativa de resistência à violência, com a introdução de escolas em distritos anteriormente privados de instituições educacionais, incentivando trocas humanas entre "favela e asfalto", empréstimos de baixos interesses, para encorajar pequenos negócios dentro das favelas etc., objetivos levados bravamente e com sucessos que não podem ser considerados insignificantes, alguns anos atrás, por Rubem César Fernandes... Ou sua extensão lógica, o Viva Favela, com a intenção explícita (para citar Sorj uma vez mais) "de mudar a maneira como a mídia retrata as favelas, para criar novas histórias que não se concentram simplesmente no assunto da violência, mas mostrar a plena realidade da vida nas favelas – sua riqueza humana e cultural e os esforços da maioria de seus habitantes para levarem uma vida com dignidade". Pequenos passos, talvez, que não sopram forte o bastante para quebrar a armadura do ressentimento mútuo e a indiferença moral lançada e reforçada por anos entre os moradores "do morro" e "do asfalto" do Rio de Janeiro – mas mesmo assim um início. A escolha é, afinal, entre erigir paredes de pedra e aço, ou desmantelar as cercas espirituais. E por favor, tomemos nota de que cada uma das duas escolhas opostas, uma vez tomadas, tendem a desenvolver capacidades autopropulsoras e "auto-intensificantes".

 

 

(Bibliografia utilizada pelo entrevistado, mantida no formato original)

 

Teresa Caldeira, 'Fortified Enclaves: The new Urban Segregation', in Public Culture 1996, pp.303-28.  29

Nan Elin, 'Shelter from the Storm, or Form Follows Fear and Vice Versa', in: Nan Elin (ed.), Architecture of Fear, Princeton Architectural Press 1997, pp.13, 26.  30

Steven Flusty, 'Building Paranoia', in: Architecture of Fear,pp.48-52.  31

Richard Sennett, The Uses of Disorder: Personal Identity and City Life, Faber & Faber 1996, p. 39, 42.

Anna Minton, Ground Control: Fear and Happiness in the twenty-first-century City, Penguin 2009, p.171

Jane Jacobs, The Death and Life of Great American Citie, Random House 1961

Artur Domosławski, Swiat Książki, Gorączka Latynoamerykańska (Latin-American Fever), Warszawa 2004.

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (SEGUNDA PARTE)

 

 

19/10/2009

ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (SEGUNDA PARTE)

 

Notisa: A população das áreas das favelas está sendo tratada como 'o outro', de acordo com o seu conceito sobre aquele que é estranho, indesejável, estrangeiro etc.?

 

ZYGMUNT BAUMAN – Sim, os residentes das favelas estão configurados na variação brasileira de um problema muito mais universal da vida urbana: a criação da imagem do 'outro' na forma do estranho, ou desconhecido. Não importa o que aconteça com as cidades em sua história, uma característica permanece constante: as cidades são espaços onde estranhos se movem ou permanecem em lugares próximos uns dos outros. Esta presença de estranhos em todos os espaços, constantemente dentro do alcance e da linha de visão, insere uma grande dose de 'incerteza perpétua' para todos objetivos dos habitantes; essa presença é uma fonte de ansiedade prolífica e inesgotável, e de uma agressividade que normalmente permanece dormente, mas que de tempos em tempos entra em erupção.

 

 

O 'outro' também fornece uma saída conveniente –e prática – para o medo inato do desconhecido, do incerto e do imprevisível. Afastando os 'estranhos' para longe de nossas casas e ruas, o apavorante fantasma da incerteza é, mesmo que por apenas um momento, exorcizado: o horrível monstro da insegurança é queimado em efígie. Mas, apesar desses exorcismos, nossa moderna vida líquida permanece teimosamente incerta, errante e caprichosa; o alívio tem vida curta, e esperanças ligadas aos mais firmes alicerces são derrubadas assim que surgem.

 

O 'estranho' é, por definição, um agente movido por intenções que podem ser, na melhor das hipóteses, adivinhadas – mas das quais nunca se pode ter certeza. Em todas as equações que compomos quando estamos deliberando o que fazer e como se comportar, o estranho é uma variável desconhecida. O estranho é, afinal, 'estranho', um ser bizarro, cujas intenções e reações podem ser radicalmente diferentes daquelas das pessoas ordinárias (comuns, familiares). E então, mesmo quando não se comportam agressivamente ou ressentidos de forma explícita, estranhos provocam desconforto: sua mera presença torna torturante a tarefa que já é desanimadora, de prever efeitos de uma ação e suas chances de sucesso. E mesmo o dividir espaço com estranhos, viver na proximidade de estranhos (que via de regra não são convidados ou bem-vindos), é a condição que os habitantes das cidades sentem como difícil, e mesmo impossível de se esquivar.

 

Como a proximidade dos desconhecidos é o destino não-negociável dos citadinos, alguns modus vivendi capazes de tornar a coabitação palatável e a vida desfrutável precisam ser desenhados e testados. A maneira pela qual gratificamos essa necessidade é, todavia, uma questão de escolha. E as escolhas nós as fazemos cotidianamente: sejam por ação ou omissão, por projeto ou padrão, por decisão consciente ou apenas por seguir, cega e mecanicamente, os moldes costumeiros; por discussão e deliberação ampla, ou apenas por seguir o confiável, porque é um meio na moda. Abandonar a busca de uma convivência (modus co-vivendi) é uma das decisões possíveis.

 

Sobre São Paulo, por exemplo – a maior, mais movimentada e rápida das cidades brasileiras em expansão – Teresa Caldeira escreve: "São Paulo é hoje uma cidade de muros. Barreiras físicas foram construídas por toda a parte – ao redor das casas, apartamentos, parques, praças, locais de trabalho e escolas... Uma nova estética da segurança modela todos os tipos de construções e impõe nova lógica de vigilância e distância..." Quem pode pagar, compra para si uma residência em um "condomínio", em sua essência uma ação eremita: fisicamente dentro, mas social e espiritualmente fora da cidade. "Comunidades fechadas têm por objetivo serem mundos à parte. Suas propagandas propõem um 'modo de vida' total que deveria representar uma alternativa à qualidade de vida oferecida pela cidade e seu deteriorado espaço público". Uma característica proeminente do condomínio é seu "isolamento e distância da cidade. Isolamento significa separação daqueles considerados socialmente inferiores" e, como os criadores e agentes do estado insistem, "o fator chave para garantir isso é a segurança. Isso significa cercas e muros circundando o condomínio, guardas em alerta vinte e quatro horas por dia controlando as entradas, e um leque de medidas e serviços para manter os outros do lado de fora".

 

Como todos sabemos, cercas possuem dois lados. Cercas dividem o espaço que de outra forma seria contínuo em um "lado de dentro" e um "lado de fora", mas o que está 'dentro' para aqueles que estão em um lado da cerca é o que está 'fora' para aqueles do outro lado. Os residentes do condomínio se cercam fora da vida truculenta e difícil da cidade em um oásis de calma e segurança. Pelo mesmo motivo, no entanto, eles cercam todos os outros fora dos locais seguros, decentes e agradáveis e em suas próprias, reconhecidamente esquálidas e miseráveis ruas. A cerca separa o 'gueto voluntário' dos ricos e poderosos dos guetos forçados dos pobres e infelizes. Para os indivíduos dentro dos guetos voluntários, os outros guetos são espaços aonde não se deve ir. Para os residentes da contrapartida involuntária, a área na qual estão confinados é uma área da qual não se pode sair.

 

Paradoxalmente: originalmente construídas para garantir segurança para todos seus habitantes, as cidades são hoje em dia mais associadas com o perigo do que com a segurança. Como Nan Elin posiciona: o "fator medo com certeza cresceu, como pode ser indicado pelo aumento no número de sistemas de trancas de portas de carros e casas, pela popularidade das comunidades 'muradas' e 'seguras' para todos os grupos etários e de renda e pela crescente vigilância de espaços públicos, para não mencionar os relatos de perigo emitidos insistentemente pela mídia de massa".

 

Ameaças genuínas e presumidas para o corpo e para a propriedade individual estão se tornando considerações maiores sempre que méritos ou desvantagens de um espaço são contemplados. Ameaças também foram apontadas como a preocupação no topo das políticas imobiliárias. Incerteza do futuro, a fragilidade da posição social e a insegurança existencial, esses acompanhantes onipresentes da vida no mundo 'líquido-moderno', estão notoriamente enraizadas em locais remotos, ainda assim, as paixões por eles geradas tendem a ser focadas nos alvos mais próximos e canalizadas nas preocupações com a segurança individual: o tipo de preocupações que são condensadas em ímpetos segregacionistas / exclusionistas, levando inexoravelmente a guerras de espaço urbano.

 

Como nós podemos aprender do estudo perceptivo do jovem crítico de arquitetura e urbanística americano, Steven Flusty, dar os meios necessários para essa guerra, e, particularmente, desenhar as maneiras para negar aos adversários o acesso ao espaço reivindicado são os fins mais salientes da inovação da arquitetura e do desenvolvimento urbano nas cidades norte-americanas.

 

As novidades mais orgulhosamente anunciadas são os 'espaços interditivos' – "projetados para interceptar, repelir ou filtrar possíveis usuários". Explicitamente, o propósito dos 'espaços interditivos' é dividir, segregar e excluir – não construir pontes, facilitar acessos e locais de encontro hospitaleiros; não facilitar, mas sim romper a comunicação e separar, não unir pessoas.

 

As invenções arquitetônicas / urbanísticas listadas e nomeadas por Flusty são os equivalentes aprimorados das torres, fossos e ameias das paredes das cidades; com apenas a ressalva de que ao invés de defender a cidade e seus habitantes contra os inimigos de fora, são construídas para manter os residentes da cidade do lado de fora. Entre as invenções citadas por Flusty, está o "espaço escorregadio" – "um área que não pode ser alcançada, porque seu acesso é contorcido, prolongado ou porque faltam caminhos para a abordagem", o "espaço espinhoso" – "um espaço que não pode ser confortavelmente ocupado, defendido por detalhes como chuveiros automáticos para extinção de incêndios montados em paredes, para expulsar vadios, ou bordas inclinadas para impedir que pessoas se sentem"; e "espaços agitados" - "áreas que não podem ser utilizadas sem vigilância devido ao controle ativo de patrulhas móveis e / ou tecnologias remotas ligadas a estações de segurança". Todas essas inovações e outras como elas têm somente um propósito: cortar enclaves extraterritoriais, erigir pequenas fortalezas nas quais os membros da elite supra-territorial global podem aprumar, cultivar e apreciar sua independência física e seu isolamento espiritual da localidade. Os 'aprimoramentos' descritos por Steven Flusty são manifestações high-tech da constante mixofobia (receio de estar na presença física de descoonhecidos), uma das reações mais comuns à incompreensível, arrepiante e enlouquecedora variação de tipos e estilos de vida humanos que esbarram em seus ombros nas ruas das cidades contemporâneas e em seus 'ordinários' (leia-se: não protegidos por 'espaços interditivos') bairros. Descarregar anseios segregacionistas pode aliviar a tensão crescente. Diferenças confusas e desconcertantes podem ser inexpugnáveis e irascíveis, mas talvez a toxina possa ser removida de suas feridas atribuindo a cada forma de vida seu espaço físico separado, isolado, bem demarcado e devidamente guardado... Talvez cada um possa garantir a segurança de si mesmo, de seus amigos e parentes e outras pessoas 'parecidas consigo mesmo', em um território livre da mixórdia e da sujeira que irremediavelmente envenenam as áreas urbanas...

 

A mixofobia se manifesta em uma pulsão em direção a ilhas de similaridade e mesmice entre o mar de variedade e diferenças. As razões para a mixofobia são banais – fáceis de compreender, se não necessariamente fáceis de esquecer. Como Richard Sennett sugere, "o sentimento de 'nós', que expressa o desejo de ser similar, é uma maneira que os homens encontram de evitar a necessidade de olhar mais profundamente para dentro de cada um". Esse sentimento promete algum conforto espiritual: a perspectiva de tornar a convivência mais fácil, fazendo redundantes os esforços para entender, negociar e se comprometer. "O desejo de evitar a participação de fato é inato ao processo de formar uma imagem coerente da comunidade. Sentir laços comuns sem experiências comuns ocorre primeiramente porque os homens têm medo de participação, têm medo dos perigos e desafios dela, têm medo da dor que ela provoca". O impulso em direção à 'comunidade da similaridade' é um sinal do retrocesso não somente da alteridade externa, mas também do compromisso vívido ainda que turbulento, engajado ainda que incômodo que existe no lado de dentro.

 

Escolher a opção de fuga solicitada pela mixofobia tem uma consequência insidiosa e deletéria própria: quanto mais auto-perpetuante e auto-afirmada for a estratégia, mais é inefetiva. Quanto mais tempo se gasta na companhia de outros 'como si mesmo', com os quais é possível 'socializar' superficialmente e, evidentemente, sem riscos de incompreensão, e sem a onerosa necessidade de orbitar entre universos de significado distintos – mais os indivíduos que levam a cabo tais práticas tendem a 'desaprender' a arte de negociar significados e modus co-vivendi. Conforme falham em aprender ou esquecem as perícias necessárias para viver com as diferenças, ou simplesmente negligenciam a possibilidade de adquiri-las – eles veem com apreensão crescente a perspectiva de confrontar os estranhos cara-a-cara. Os estranhos parecem ainda mais assustadores conforme se tornam 'alienígenas', pouco familiares e incompreensíveis e quando a comunicação mútua que poderia finalmente assimilar a 'estranheza' para a sua própria vida-mundo desaparece ou nunca surge, em primeiro lugar. O ímpeto para um ambiente homogêneo e territorialmente isolado pode ser engatilhado pela mixofobia; mas, praticar a separação territorial é o cinto de segurança e a fonte de alimento dela.

 

Uma vasta maioria de pesquisadores concorda que o principal motivo que leva pessoas a se trancarem dentro das paredes e circuitos fechados de televisão de uma 'comunidade murada' é –consciente ou inconscientemente, de forma explícita ou tácita – seu desejo de manter a 'fera longe de casa', o que pode ser traduzido como manter os estranhos à distância... Estranhos são 'riscos', portanto cada desconhecido é um arauto do perigo. Ou pelo menos é nisso que aquelas pessoas acreditam. E o que elas desejam mais do que qualquer outra coisa é estar a salvo do perigo, mais precisamente, estar seguras do angustiante, assustador e incapacitante medo da insegurança. Elas esperam que as paredes os protejam do medo.

 

O revés, todavia, é que há mais de uma razão para se sentir inseguro. Sejam críveis ou fantasiosos, os rumores sobre os números crescentes de crimes e de assaltantes ou predadores sexuais preparando emboscadas e esperando por uma ocasião para atacar se traduzem em apenas uma dessas razões. Afinal de contas, nos sentimos inseguros porque nossos empregos, e por consequencia por nossos salários, posições sociais e dignidade, estão sob ameaça. Nós não estamos seguros contra a ameaça de sermos tornados 'redundantes', excluídos e despejados, perdendo a posição que amamos e acreditamos ter herdado, e que seria nossa para sempre. Tampouco as parcerias que gozamos estão infalíveis e seguras: podemos sentir tremores subterrâneos e esperar terremotos. A familiar vizinhança pode sofrer a ameaça de ser derrubada para dar lugar a novos empreendimentos. Em geral, seria evidentemente tolo acreditar que todas essas ansiedades bem ou mal-fundadas poderiam ser armazenadas e postas em animação suspensa uma vez que nos cercássemos com paredes, guardas armados e câmeras de tv.

 

Mas o que dizer sobre aquela (aparentemente razoável) primeira razão para optar por uma 'comunidade murada' – distante dos medos de abordagens físicas, violência, assaltos, roubos de carro e mendigos importunos? Não vamos ao menos dar atenção a esse tipo de medo? Infelizmente, mesmo nesse front, os ganhos dificilmente justificam as perdas. Como é indicado pela maioria dos observadores atentos da vida urbana contemporânea, as probabilidades de ser assaltado ou roubado podem cair uma vez que se está atrás dos muros, – a persistência do medo, no entanto, não (mesmo assim, pesquisas conduzidas recentemente na Califórnia, talvez a maior guarnição da obsessão por 'comunidades muradas', não encontraram nenhuma diferença entre os espaços murados e não-murados). Anna Minton, a autora de um estudo aprofundado intitulado 'Ground Control: Fear and Hapiness in the Twenty-First-Century City', conta o caso de Mônica, uma mulher que "gasta a noite inteira acordada e muito mais assustada do que jamais esteve em 20 anos vivendo em ruas comuns" quando "uma noite, os portões eletronicamente controlados não funcionaram e tiveram de ser abertos de forma convencional". Atrás de muros, a ansiedade cresce, ao invés de se dissipar – e o mesmo se passa com a dependência do estado mental dos residentes nos 'novos e avançados' dispositivos de alta tecnologia, comercializados na promessa de manter riscos, medos e perigos fora de jogo. Quanto mais um indivíduo se cerca com esses dispositivos, maior é o medo que algum deles 'pare de funcionar'. E quanto mais esse alguém se preocupa com a ameaça espreitando em cada estranho, mais a "tolerância e apreciação pelo inesperado retrocede", e menos esse alguém é capaz de confrontar, manusear, gozar e apreciar a vivência, variedade e vigor da vida urbana. Se trancar em uma comunidade murada para afastar os receios, é como retirar a água da piscina para ter certeza de que as crianças vão aprender a nadar em total segurança.

 

Amanhã, a resposta de Zigmunt Bauman para a última pergunta: "A parcela de nossa população que "não se importa' com o que ocorre dentro das favelas pode estar contribuindo, mesmo que inconscientemente, para uma forma de democídio (assassinato perpetrado pelo Estado contra pessoas em geral)?

 

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

Revista Partes

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