segunda-feira, 29 de junho de 2026

Embrapa Cerrados firma parceria com empresa angolana para desenvolver tecnologias voltadas à produção de alimentos

 Foto: Juliana Caldas

Evento de assinatura do documento na Embrapa Cerrados

Com o objetivo de ampliar a oferta de alimentos e fortalecer a sustentabilidade da produção agrícola em Angola, a Embrapa Cerrados e a Companhia Agrícola do Sul S.A. assinaram, nesta sexta-feira (26), um Acordo de Cooperação Técnica e Financeira para o desenvolvimento de inoculantes microbianos destinados às culturas de soja, feijão e milho.

A parceria prevê a realização de atividades conjuntas de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltadas à adaptação e aplicação dessas tecnologias nos sistemas produtivos angolanos, buscando elevar o desempenho agrícola e ambiental das lavouras. A coordenação técnica dos trabalhos será conduzida pelo pesquisador da Embrapa Cerrados Fábio Bueno, com a participação dos pesquisadores Ieda Mendes, Cícero Pereira e Luiz Gustavo Moretti.

O chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Werneck, destacou o potencial da iniciativa para gerar benefícios concretos aos dois países por meio da ciência e da inovação. Segundo ele, a parceria representa uma oportunidade de transformar conhecimento em desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida da população. “Temos tudo para fazer um grande trabalho em ciência e tecnologia voltadas ao desenvolvimento dos nossos países e à melhoria da qualidade de vida das pessoas. Tenho certeza de que estamos em um bom caminho”, afirmou.

Responsável por conduzir a articulação da parceria, o pesquisador José Roberto Peres classificou a iniciativa como um marco na cooperação entre a Embrapa e a África. Segundo ele, o projeto figura entre as primeiras parcerias da instituição no continente africano envolvendo diretamente o setor privado, modelo que considera fundamental para fortalecer as ações de pesquisa e transferência de tecnologia.

Peres ressaltou a expectativa de que a iniciativa se torne uma referência para futuras cooperações internacionais da Embrapa. “Acreditamos que só vamos consolidar uma parceria efetiva em pesquisa e transferência de tecnologia se ela envolver o setor privado. Essa é uma semente que está sendo plantada e que vai gerar muitos frutos. Temos grandes perspectivas e queremos unir a competência do setor produtivo às tecnologias desenvolvidas pela Embrapa”, destacou.

Para João Saraiva, administrador-executivo da Companhia Agrícola do Sul, a cooperação entre Brasil e Angola tem potencial para gerar impactos ainda maiores do que os inicialmente previstos. Segundo ele, o projeto contribuirá para a segurança alimentar, a transferência de tecnologia, a capacitação de recursos humanos e o fortalecimento da produção agrícola angolana nos próximos anos.

Saraiva também ressaltou a importância estratégica da parceria para a projeção internacional do Brasil. “A África é a grande oportunidade da afirmação do Brasil. Este projeto, além de todo o impacto que terá na segurança alimentar em Angola, será também um espaço importante de afirmação do Brasil no mundo e do Brasil na África, algo fundamental para a economia brasileira”, afirmou.

A Companhia Agrícola do Sul (CAS) é uma empresa privada angolana do setor agropecuário, voltada à produção agrícola e ao desenvolvimento do agronegócio no país. A companhia participa de iniciativas de cooperação internacional destinadas à modernização da agricultura angolana, incluindo ações de transferência de tecnologia, capacitação de recursos humanos e adoção de sistemas produtivos inspirados na experiência do Cerrado brasileiro.



Núcleo de Comunicação Organizacional - NCO
Embrapa Cerrados

Do Cerrado à África: ciência busca caminhos para produzir mais alimentos em um clima extremo

 Secas mais frequentes, temperaturas mais alta e a necessidade de alimentar uma população mundial crescente exigem novas soluções para a agricultura tropical.

Com 60% das terras agricultáveis ainda não exploradas do mundo, o continente africano busca adaptar tecnologias desenvolvidas no Cerrado para enfrentar a fome, gerar empregos e fortalecer a segurança alimentar, ampliando a oferta global de alimentos. A transformação do Cerrado em uma das principais regiões agrícolas do mundo pode servir de modelo para o desenvolvimento sustentável das savanas africanas, segundo Abdukrazak Ibrahim, coordenador do Fórum para Pesquisa Agrícola na África (Fara).

“Temos dois biomas semelhantes. A ciência transformou um — o Cerrado brasileiro — e pode transformar o outro — a Savana africana”, afirmou Ibrahim. Segundo o pesquisador, a África reúne cerca de 60% das terras aráveis não cultivadas do planeta e pode protagonizar a próxima grande revolução agrícola mundial. A discussão ocorreu durante o painel Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, realizado no X Simpósio Nacional Cerrado e III Simpósio Internacional Savanas Tropicais, promovido pela Embrapa Cerrados.

O pesquisador destacou, porém, que o objetivo não é reproduzir a experiência brasileira de forma idêntica. “O objetivo não é copiar o Brasil. Precisamos adaptar as tecnologias e conhecimentos às diferentes realidades africanas, construindo soluções adequadas à diversidade do nosso continente”, explicou.

Ibrahim lembrou que a transformação da agricultura brasileira foi resultado de cinco décadas de investimento em ciência e inovação. Para a África, o desafio é urgente. De acordo com projeções da Organização das Nações Unidas (ONU), o continente deverá abrigar cerca de 2,5 bilhões de habitantes em 2050. Atualmente, os países africanos importam aproximadamente US$ 100 bilhões em alimentos por ano.

Ao mesmo tempo, ele vê um cenário promissor. A África dispõe de cerca de 600 milhões de hectares de terras agricultáveis, uma população predominantemente jovem e amplo potencial para aumentar a produtividade agrícola. “Milhões de novos empregos podem surgir a partir desse processo”, destacou.

Nesse contexto, Ibrahim ressaltou a importância da cooperação Sul-Sul e do intercâmbio de conhecimento com o Brasil. Para ele, a experiência da Embrapa, especialmente no desenvolvimento de tecnologias para ambientes tropicais, pode contribuir para acelerar a modernização da agricultura africana.

Uma das iniciativas apontadas como estratégicas é a formação de recursos humanos. Mais de 3 mil estudantes e profissionais de 20 países africanos já participaram de programas de capacitação no Brasil. O próprio Ibrahim foi bolsista na Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em Brasília, durante o doutorado. “É possível tirar nossos países da fome. O Brasil mostrou que a transformação é viável e oferece uma experiência capaz de inspirar mudanças que podem beneficiar milhões de pessoas”, afirmou.

Segundo o coordenador da Fara, o fortalecimento da pesquisa agrícola, o investimento público de longo prazo, a melhoria genética de espécies vegetais e animais, a mecanização agrícola e a inovação tecnológica são elementos centrais para ampliar a produção de alimentos no continente. Como exemplo, ele citou avanços recentes em diferentes países africanos: a autossuficiência em trigo na Etiópia, o aumento da produção de mandioca na Nigéria, os ganhos de produtividade do milho em Gana, as plataformas digitais de agricultura no Quênia e os sistemas de gestão integrada da terra em Ruanda.

Apesar dos progressos, ainda há grande margem para crescimento. A produtividade média do milho na África é de 2,2 toneladas por hectare, enquanto produtores mais tecnificados alcançam entre 10 e 12 toneladas por hectare.

Para Ibrahim, a parceria entre Brasil e África pode ser decisiva para enfrentar os desafios da segurança alimentar global. “Há muito que a África pode aprender com o Brasil, assim como há muito que o Brasil pode aprender com a África. Juntos, podemos transformar esse potencial das savanas em realidade”, concluiu.

Como as mudanças climáticas afetam o campo e a comida na mesa dos brasileiras

Enquanto Brasil e África discutem caminhos para ampliar a produção de alimentos nas savanas tropicais, cientistas alertam que o sucesso dessa missão dependerá da capacidade de enfrentar as mudanças climáticas e conservar a biodiversidade. O aumento das temperaturas, a redução das chuvas e a degradação dos ecossistemas já afetam a agricultura, encarecem a produção e podem comprometer a segurança alimentar de milhões de pessoas nas próximas décadas.

O debate promovido pela Embrapa Cerrados no dia 23 trouxe um alerta: produzir mais alimentos no futuro dependerá da conservação dos recursos naturais e da adaptação da agropecuária a um clima cada vez mais instável.

As palestras da professora da Universidade de Brasília (UnB), Mercedes Bustamante, e do pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV), Eduardo Assad, mostraram que as crises climática e de biodiversidade estão profundamente conectadas e já produzem impactos sobre a disponibilidade de água, a produtividade agrícola e a vida das populações rurais e urbanas.

Segundo Bustamante, as mudanças climáticas e a perda de biodiversidade formam “crises gêmeas” que não podem ser tratadas separadamente. Hoje, a mudança no uso da terra é o principal fator de perda de biodiversidade. Mas a cientista alerta que o aquecimento global tende a se tornar a principal causa desse problema nas próximas décadas.

“O destino do Cerrado tem impacto muito grande pela sua conectividade com todos os outros biomas brasileiros”, afirmou. Ocupando cerca de 23% do território nacional, o bioma funciona como elo entre Amazônia, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica, desempenhando papel fundamental na regulação climática e hídrica do país.

Estudos apresentados pela pesquisadora mostram que a conversão da vegetação nativa para outros usos já tornou o Cerrado mais quente e mais seco. Entre 2006 e 2019, houve redução de cerca de 10% na evapotranspiração — processo responsável por devolver umidade à atmosfera — e aumento da temperatura superficial em áreas de intensa expansão agrícola, especialmente na região do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

“A proteção da biodiversidade passa a ser considerada uma estratégia essencial para a mitigação das mudanças climáticas”, destacou Bustamante. Segundo a professora, ecossistemas saudáveis ajudam a regular o clima, armazenar carbono, conservar a água e sustentar a produção de alimentos.

Já Eduardo Assad apresentou dados de que os efeitos das mudanças climáticas sobre a agropecuária brasileira deixaram de ser projeções para se tornarem realidade. Informações da Embrapa indicam que eventos climáticos extremos provocaram perdas acumuladas de cerca de R$ 300 bilhões na agricultura brasileira entre 2000 e 2024. “O mundo está ficando mais quente e mais seco e não estamos prestando atenção nisso. Isso compromete muito a agricultura”, afirmou.

Mapas climáticos apresentados pelo pesquisador mostram redução das chuvas, aumento da frequência das secas e elevação das temperaturas em importantes regiões produtoras do Cerrado. Em alguns locais, a estação chuvosa já encurtou em cerca de 22 dias, reduzindo a disponibilidade de água para as lavouras.

Assad alertou que a combinação entre temperaturas mais elevadas e deficiência hídrica pode comprometer culturas estratégicas para o abastecimento de alimentos. Estudos indicam, por exemplo, perdas de produtividade da soja e do milho em cenários de aquecimento e escassez de água.

Apesar dos desafios, os pesquisadores ressaltaram que existem soluções. A recuperação de pastagens degradadas, a ampla adoção de sistemas integrados de produção, como Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), o manejo sustentável do solo, a restauração de áreas degradadas e a conservação da vegetação nativa figuram entre as estratégias capazes de aumentar a produção de alimentos de forma sustentável.

“Sem desmatamento e queimadas, o Brasil pode ser o maior sumidouro de carbono do planeta”, garantiu Assad. Para o pesquisador, o país reúne conhecimento científico, tecnologia e recursos naturais suficientes para conciliar produção agrícola, conservação ambiental e adaptação climática.

Quando preservar também gera lucro

Se o desafio é produzir mais alimentos sem ampliar o desmatamento, experiências já em andamento mostram que isso é possível. Durante o painel sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, o gerente sênior de Projetos de Sustentabilidade da Syngenta, Jonas Oliveira, apresentou resultados do programa Reverte, iniciativa que apoia a recuperação de áreas degradadas por meio de crédito, assistência técnica e adoção de boas práticas agrícolas e mostra que a recuperação de áreas degradadas, a sustentabilidade e a rentabilidade podem caminhar juntas no campo.

Segundo Oliveira, a sustentabilidade deixou de ser vista apenas como uma questão ambiental para se tornar uma estratégia de negócios. “Hoje, quando olhamos para a sustentabilidade, estamos falando da perenidade dos negócios rurais e o produtor rural já entende isso”, afirmou.

Criado em 2019, o programa reúne parceiros públicos e privados e já recuperou mais de 280 mil hectares em cerca de 400 propriedades rurais. Foram desembolsados mais de R$ 2 bilhões em financiamento para a conversão de áreas degradadas em sistemas produtivos mais sustentáveis.

Um dos exemplos apresentados foi o de uma fazenda em Itaúba (MT), que aderiu ao programa em 2021, o primeiro produtor que aderiu ao programa Reverte. A área de 4 mil hectares, anteriormente degradada, passou a adotar plantas de cobertura, manejo conservacionista do solo e rotação de culturas. Em poucos anos, passou a produzir soja, milho e algodão em níveis competitivos.

Os resultados também apareceram na rentabilidade. Segundo Oliveira, em outra propriedade atendida pelo programa, em Açailândia (MA) o faturamento da propriedade saltou de cerca de R$ 1 mil, em 2023, para R$ 10 mil por hectare ao ano. Além disso, a fazenda mantém mais de 50% de sua área com vegetação nativa preservada, realiza restauração ambiental e gera empregos diretos na região. “O programa cresce porque cria oportunidade de negócio para todos os envolvidos. O produtor ganha produtividade, reduz riscos e valoriza sua terra”, destacou.

A experiência reforça que a ciência e a inovação já oferecem caminhos para aumentar a produção agropecuária, recuperar áreas degradadas e conservar os recursos naturais, tornando sustentabilidade e rentabilidade objetivos possíveis.

 

Núcleo de Comunicação Organizacional - NCO
Embrapa Cerrados

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Governo do Brasil torna voluntária certificação dos armazéns no país

 Com a sanção da nova legislação, a Conab poderá expandir a rede credenciada de armazéns privados, contribuindo para o aumento da capacidade armazenadora da produção agropecuária

Na última sexta-feira (05), foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) a Lei nº 15.429/2026, que estabelece a adesão facultativa ao sistema de certificação de unidades armazenadoras de produtos agropecuários. Com essa nova legislação, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) poderá expandir sua rede credenciada de armazéns privados, uma vez que era impedida legalmente de registrar como aptos aqueles armazéns os quais não estivessem com a certificação regular.

A medida, que representa um avanço na modernização do ambiente regulatório do segmento, também permitirá a ampliação da infraestrutura de armazenagem nacional, ao regularizar a situação de unidades públicas e privadas, contribuindo, assim, para o aumento da capacidade armazenadora de produtos agrícolas no país.

O texto traz uma nova redação a Lei nº 9.973/2000, a qual estabelecia a certificação como um requisito legal para o funcionamento do armazém. Com a nova legislação que torna todo esse processo de autenticação voluntário, os quase 83% dos armazéns brasileiros não-credenciados têm a oportunidade de estar legalmente habilitados para fazer estoque de produtos agropecuários, caso se adequem as demais normas, já determinadas por lei, e sejam aprovados nos procedimentos regimentais de documentação e vistoria realizados pelos órgãos responsáveis.

O diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos, ressaltou que a nova legislação representa um avanço para a ampliação da infraestrutura de armazenagem no país ao reduzir entraves burocráticos e estimular novos investimentos no setor. "Essa lei vem para simplificar o processo de credenciamento dos armazéns, dispensando a certificação que antes era obrigatória. Isso é muito importante para que a gente possa ter uma redução nos custos e aumento dos investimentos para a aprimoração da infraestrutura de armazenagem no Brasil. Com essa certificação eram impostos custos para uma adequação que muitas vezes não eram necessários, o que engessava até mesmo a articulação da Conab junto a rede privada, principalmente onde a Companhia precisava atuar mas não havia a existência de armazéns com a certificação regular. O Brasil já possui uma legislação rigorosa para garantir a qualidade dos alimentos que são estocados, para a gestão ambiental dessas unidades, assim como questões tributárias e fiscais, e mais essa certificação passava a ser um entrave para a expansão da capacidade armazenadora brasileira", destaca ele.

Atualmente, pouco mais de 17% dos armazéns brasileiros possuem certificação. Esse cenário demonstra a já existência de mecanismos complementares capazes de garantir elevados padrões operacionais e de qualidade nas atividades de armazenagem. Entre os benefícios esperados com a mudança está também a redução dos custos operacionais. Até então, a certificação obrigatória era realizada por organismos privados acreditados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), o que gerava despesas adicionais para parte dos empreendimentos e da cadeia produtiva. Com a desobrigação da certificação, o setor passa a contar com maior flexibilidade para decidir sobre a certificação de acordo com suas estratégias comerciais e as demandas do mercado.

Nas últimas décadas, o crescimento acelerado da produção agropecuária ampliou significativamente a demanda por estruturas de armazenagem. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que, nos últimos dez anos, a produção de grãos cresceu, em média, 6,72% ao ano, enquanto a capacidade de armazenamento avançou apenas 2,38% no mesmo período. Atualmente, o Brasil possui capacidade para armazenar cerca de 60% a 63% da produção anual de grãos, acumulando déficit superior a 130 milhões de toneladas.

A nova legislação não altera os mecanismos de controle sanitário nem os procedimentos de fiscalização dos produtos agropecuários armazenados. A qualidade e a segurança desses produtos continuam sendo asseguradas por instrumentos regulatórios permanentes, como os normativos de Operações da Conab, os padrões oficiais de classificação do Ministério de Agricultura e Pecuária, auditorias realizadas por empresas do setor e exigências de rastreabilidade e boas práticas de armazenagem.

A mudança também não impacta o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais. A certificação permanece disponível para atender demandas específicas de clientes e mercados, enquanto os requisitos sanitários e fitossanitários exigidos pelos parceiros comerciais do Brasil seguem sendo garantidos por instrumentos próprios, independentes da certificação de armazéns.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Universidade Aberta do Brasil fortalece polos no Ceará com entrega de computadores



O Governo do Ceará reforçou a estrutura da Universidade Aberta do Brasil (UAB) com a entrega simbólica de 1.150 computadores destinados a 115 polos ativos no estado. A solenidade foi realizada, nesta quinta-feira (11), no Palácio da Abolição, em Fortaleza, e reuniu representantes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, vinculada ao Ministério da Educação (CAPES/MEC), de instituições públicas de ensino superior e de administrações municipais. Os equipamentos beneficiarão 113 cidades cearenses atendidas pela rede.
 

A iniciativa integra um acordo de cooperação entre a CAPES/MEC, a Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece), universidades públicas e prefeituras. Adquiridas pelo Governo do Estado, as máquinas fortalecerão laboratórios de informática e darão suporte às atividades presenciais desenvolvidas nas unidades de apoio da modalidade a distância.

Imagem: Luís César/CAPES


Representando a presidência da CAPES/MEC, o diretor de Avaliação, Antonio Gomes de Souza Filho, destacou o significado da ação quando o programa completa duas décadas de atuação.


“A Universidade Aberta do Brasil demonstra sua capacidade de transformar realidades locais por meio da educação. O Ceará construiu uma experiência que se destaca nacionalmente ao ampliar a presença da universidade pública em regiões que historicamente tiveram menos oportunidades de formação. Essa parceria fortalece uma política consolidada e amplia o alcance do ensino de qualidade para milhares de pessoas”, enfatizou.


O diretor de Articulação e Inovação em Educação Aberta e a Distância da CAPES/MEC, Antonio Carlos Rodrigues de Amorim, ressaltou que a atualização tecnológica faz parte de uma estratégia voltada à expansão da oferta acadêmica em todo o território cearense. Segundo ele, a modernização dessa estrutura cria melhores condições para o desenvolvimento das atividades acadêmicas e fortalece uma estratégia que vai além da entrega dos equipamentos.


“O objetivo é ampliar a presença da UAB para que cada município cearense tenha acesso a oportunidades de graduação e especialização ofertadas por instituições públicas, aproximando cada vez mais a formação universitária da população”, acrescentou.


Inclusão e qualidade
Os computadores serão encaminhados às unidades classificadas como “Apto Ativo” no Sistema Universidade Aberta do Brasil (SisUAB). Cada polo receberá dez máquinas. Caucaia, por possuir três unidades credenciadas, será contemplada com 30 equipamentos.


A distribuição alcança as 14 macrorregiões cearenses e contribui para aprimorar avaliações, encontros acadêmicos, atividades práticas e demais ações desenvolvidas pelos cursos ofertados pelas instituições participantes.


Para a presidente nacional da Associação Nacional dos Coordenadores de Polos da Universidade Aberta do Brasil, Maria Virgínia Tavares Cruz, a disponibilização das máquinas promove a inclusão e contribui para a melhoria dos cursos. “A entrega desses computadores representa muito mais do que a disponibilização de equipamentos para os polos da Universidade Aberta do Brasil no Ceará. Além de fortalecer os laboratórios de informática, a iniciativa amplia o acesso e contribui para a melhoria da qualidade dos cursos ofertados. São novas oportunidades para os estudantes que utilizam diariamente essa estrutura.”
 

A secretária da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará, Sandra Monteiro, pontuou o papel da educação a distância na ampliação do acesso à formação universitária para estudantes do interior do estado.
“A expansão da modalidade a distância, somada à oferta presencial, amplia oportunidades para que cada estudante possa se qualificar sem precisar se afastar da família e da sua comunidade. Estamos falando de educação pública, gratuita e de qualidade, que forma profissionais, fortalece carreiras e contribui para o desenvolvimento dos municípios cearenses”, disse.


Projeto amplia acesso à educação superior

Criada em 2005 pelo Ministério da Educação, a Universidade Aberta do Brasil reúne esforços de diferentes esferas da administração pública para alcançar o acesso ao ensino superior em localidades distantes dos grandes centros urbanos.
 

No Ceará, a política pública já formou mais de 45 mil pessoas e conta, atualmente, com 13.890 estudantes ativos, sendo 9.098 matriculados em graduações e 4.792 vinculados a programas de pós-graduação.

O reitor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Hidelbrando dos Santos Soares, reforçou que os resultados alcançados demonstram a força da articulação construída entre as entidades participantes.

“Estamos construindo um modelo que busca levar a presença da universidade pública, gratuita e de qualidade para todos os municípios cearenses. Poucos estados alcançaram esse nível de articulação entre instituições de ensino, governo estadual, Ministério da Educação e CAPES. Trata-se de uma experiência que vem transformando vidas e ampliando oportunidades onde elas antes eram mais limitadas”, afirmou.


Segundo o reitor, o Ceará concentra atualmente o maior número de polos da Universidade Aberta do Brasil no país e trabalha para ampliar ainda mais essa presença. A meta é alcançar os 184 municípios cearenses nos próximos anos.


Cooperação fortalece a rede

No Ceará, participam da iniciativa a Universidade Estadual do Ceará (Uece), a Universidade Regional do Cariri (Urca), a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Universidade Federal do Cariri (UFCA), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) e a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab).


A atuação conjunta dessas instituições, da CAPES/MEC, do governo do Ceará e das administrações municipais permite ofertar graduações, especializações e ações de qualificação profissional em regiões que não contam com campus universitário próximo, fortalecendo a interiorização do ensino superior público e ampliando oportunidades para a população.

 

 


Assessoria de Imprensa CAPES

Olimpíada de Matemática premia 684 alunos com medalhas de ouro no Rio de Janeiro

 

Cerimônia Nacional da OBMEP será na segunda-feira (22); evento marca 20 anos da maior olimpíada científica do país

 

Foto/Divulgação: IMPA

 

A OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) fará na próxima segunda-feira (22), no Rio de Janeiro, a Cerimônia Nacional de Premiação. O evento reunirá 684 medalhistas de ouro da 20ª edição, realizada em 2025. Promovida pelo IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), desde 2005, a celebração marca ainda as duas décadas da maior olimpíada científica do país.

 

Para o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana, a cerimônia simboliza o impacto da OBMEP na educação brasileira. "Ao longo dessas duas décadas, vimos jovens de todas as regiões do país descobrirem seu potencial, ampliarem horizontes e alcançarem oportunidades que talvez parecessem distantes. A cerimônia nacional reúne muitas dessas histórias em um mesmo lugar."

 

O jovem Alexandre de Abreu Amaral, de 18 anos, natural de São Borja (RS), estará na solenidade para receber a quarta medalha de ouro na OBMEP. Foi a trajetória na Olimpíada que abriu as portas para ele cursar o IMPA Tech, bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação, no Rio de Janeiro.


"A OBMEP foi muito importante na minha vida acadêmica. Comecei a estudar quando tinha 13 anos, durante a pandemia, e percebi que gostava muito de matemática. Desde então, tive experiências como a Cerimônia Nacional, o Encontro do Hotel de Hilbert, os programas de iniciação científica e as pessoas que eu conheci nesses lugares.”

 

Enquanto Alexandre já é veterano, Maria Eduarda Nunes da Costa vai estrear na Cerimônia Nacional de Premiação. Também estudante do IMPA Tech, ela vai receber a primeira medalha de ouro da OBMEP. "O impacto que a OBMEP teve na minha vida acadêmica foi tão grande que, às vezes, nem parece verdade. Foi tal que eu pude criar uma expectativa de futuro acadêmico extremamente rico em conhecimento, algo que nunca imaginei ter na vida nessa magnitude. A OBMEP que me trouxe para o IMPA Tech, eu diria que a maior conquista que já obtive.”

 

Vindos dos 26 estados e do Distrito Federal, os medalhistas chegam ao Rio de Janeiro organizados em delegações coordenadas pela OBMEP. A Olimpíada custeia as passagens aéreas dos alunos de escolas públicas e oferece hospedagem aos participantes durante o evento.

 

A programação comemorativa contará com três dias de atividades, incluindo palestras, jogos, momentos de integração e os tradicionais jantar de boas-vindas e festa dos medalhistas. O ápice é a solenidade de entrega das medalhas. Divididos em delegações, eles sobem ao palco para receber a tão sonhada honraria.

“Vinte anos atrás, a OBMEP era uma aposta. Hoje é a maior olimpíada científica do mundo, reconhecendo talentos em todos os cantos do país. Os 684 medalhistas de ouro, selecionados entre mais de 18 milhões de estudantes, têm muito o que comemorar, e merecem celebrar essa conquista”, disse o diretor-adjunto e gerente de Olimpíadas do IMPA, Jorge Vitório Pereira.

 

Outro momento marcante da cerimônia é a entrega do Troféu Meninas Olímpicas para as garotas com melhor desempenho em cada um dos três níveis. A homenagem faz parte das ações do IMPA para estimular a presença feminina na área das exatas.

 

 Foto/Divulgação: IMPA

 

OBMEP: gigante em números e em impacto social

 

A OBMEP reúne anualmente mais de 18,3 milhões de estudantes do 6º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio em 99,9% dos municípios brasileiros. Mais do que um reconhecimento pelo desempenho nas provas, as medalhas da OBMEP podem abrir portas para novas oportunidades acadêmicas. Muitos dos premiados passam a integrar o PIC (Programa de Iniciação Científica Jr.), que oferece aulas avançadas de matemática e uma bolsa de iniciação científica de R$ 300 concedida pelo CNPq aos estudantes de escolas públicas.

 

Ao longo de duas décadas, a olimpíada também ajudou a aproximar jovens talentos de universidades e centros de excelência. Hoje, diversas instituições de ensino superior consideram o desempenho em olimpíadas científicas em seus processos seletivos, e muitos ex-medalhistas da OBMEP seguem carreira em áreas como ciência, tecnologia, engenharia, educação e pesquisa.

 

A Cerimônia Nacional de Premiação celebra os destaques da edição de 2025, mas também o legado construído pela OBMEP ao longo de 20 anos: uma rede que conecta estudantes, professores e escolas de todo o Brasil.

Realizado pelo IMPA, a OBMEP é promovida com recursos do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A Olimpíada é um projeto nacional dirigido às escolas públicas e privadas brasileiras. Entre os objetivos estão, estimular o estudo da matemática e identificar talentos na área e incentivar seu ingresso em universidades, nas áreas científicas e tecnológicas.


Sobre o IMPA
Fundado em 1952, o IMPA é um centro de pesquisa matemática e pós-graduação de renome internacional, com doutorado, mestrado e mestrado profissional. Em 2024, o Instituto inaugurou seu primeiro programa de graduação, o IMPA Tech. Também é o organizador da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), a maior olimpíada científica do mundo em número de participantes.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Rede de pesquisa e monitoramento ambiental da aquicultura em águas da União tem nova coordenação

 

Foto: Clenio Araujo


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Tanques-rede são cada vez mais utilizados como sistemas de produção aquícola em águas da União

A Embrapa Pesca e Aquicultura agora é a instituição que coordena a Rede Nacional de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Aquicultura em Águas da União, formada por representantes dos setores público e privado. A rede tem como principal objetivo gerar subsídios técnico-científicos para que a criação de organismos aquáticos em águas públicas federais (a exemplo dos reservatórios de rios da União) seja feita de maneira planejada, ordenada e principalmente sustentável, considerando os três pilares desse conceito: ambiental; econômico; e social.


Flávia Tavares de Matos, pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO), está à frente da rede. Ela explica que “a temática é complexa, pois lida com diferentes corpos hídricos ao longo do país. Temos condições distintas em relação à localização e às condições físicas, hidrodinâmicas e climáticas dos reservatórios de domínio da União que trazem grandes desafios para a comunidade científica na busca de respostas e soluções que auxiliem na gestão desses corpos hídricos”.


Formalizada em dezembro de 2021, a rede inclui centros de pesquisa, universidades, órgãos estaduais de meio ambiente e representantes do setor privado. Por meio desse arranjo institucional, a proposta é integrar dados, informações e conhecimentos técnicos e científicos relacionados ao aprimoramento permanente da gestão ambiental na aquicultura brasileira. Desde o início e até recentemente, a coordenação foi feita por Fernanda Garcia Sampaio, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna-SP). 


Flávia entende que, “pelo fato de sermos, na Embrapa, a unidade temática em pesca e aquicultura, é de grande relevância que coordenemos as ações da Rede Nacional de Pesquisa e Monitoramento Ambiental da Aquicultura em Águas da União em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura, gerando conhecimento e soluções tecnológicas que atendem o setor produtivo”. As mais de 40 instituições que compõem a rede estão divididas em cinco coordenações regionais, compartilhando a gestão de maneira mais próxima a cada realidade.

 


Clenio Araujo (MTb 6279/MG)
Embrapa Pesca e Aquicultura

A Rumo concluiu a restauração ambiental de 48,6 hectares de Mata Atlântica e Cerrado ao longo da Malha Paulista

 

 

Intervenções em áreas protegidas removem espécies invasoras, favorecem a regeneração da vegetação nativa e fortalecem corredores ecológicos

 

 

 

A Rumo, maior operadora ferroviária de cargas do país, concluiu mais uma etapa da recuperação ambiental de 48,6 hectares de Mata Atlântica e Cerrado ao longo da Malha Paulista, área equivalente a aproximadamente 68 campos de futebol. A iniciativa envolveu a recuperação local com plantio de mudas nativas e a remoção de mais de 2,8 mil árvores exóticas invasoras, espécies introduzidas que competem com a vegetação nativa e dificultam sua regeneração.
 

As intervenções ocorreram no Núcleo Curucutu, do Parque Estadual da Serra do Mar, em Parelheiros; na Estação Ecológica de Itirapina; e na região de Evangelista de Souza, zona sul da capital paulista, área localizada no entorno do Parque Estadual da Serra do Mar. Juntas, as três frentes concentram importantes remanescentes de Mata Atlântica e Cerrado.
 

Espécies como Pinus e Eucalipto comprometem a biodiversidade ao alterar as características naturais do ambiente. Além de dificultarem a regeneração da vegetação nativa, essas árvores exóticas reduzem a diversidade da flora local e contribuem para a degradação dos habitats utilizados pela fauna silvestre.
 

“Essas áreas têm um papel essencial na preservação da biodiversidade paulista. A recuperação ambiental fortalece os processos naturais de regeneração da vegetação nativa, contribuindo para a recuperação dos ecossistemas e para a criação de ambientes mais equilibrados para a fauna e a flora. Esse trabalho gera benefícios significativos, ampliando a diversidade biológica e promovendo a melhoria da qualidade ambiental.” explica Paula Durante Tagliari, Gerente Executiva de Meio Ambiente.
 

Além do manejo, a companhia também implementou um projeto de compensação ambiental de 9,47 hectares na Floresta Nacional (Flona) de Ipanema, em Iperó (SP). A ação incluiu o plantio de 10 mil mudas nativas, além da técnica conhecida como muvuca, que utiliza uma mistura de sementes para estimular a regeneração da vegetação nativa e ampliar a diversidade vegetal da área.
 

As ações fazem parte de uma estratégia mais ampla da Rumo voltada à conservação da biodiversidade ao longo de sua malha ferroviária. Além dos projetos de restauração ecológica, a companhia mantém programas permanentes de monitoramento e proteção da fauna, gestão de corredores ecológicos e implantação de estruturas que favorecem o deslocamento seguro de animais silvestres.
 

Em suas operações, a Rumo possui 1.895 estruturas mapeadas que podem ser utilizadas por animais silvestres para atravessar áreas próximas à ferrovia com mais segurança, além de 10 passagens superiores de fauna implantadas e 54 quilômetros de cercamento direcionador voltados à redução de atropelamentos e à conectividade entre habitats.
 

Monitoramento e próximos passos

Após a conclusão das intervenções, as áreas passaram a receber monitoramento técnico periódico para acompanhar a regeneração natural da vegetação. A Rumo também avalia a continuidade das parcerias com as unidades de conservação para o desenvolvimento de novas ações voluntárias de conservação ambiental.

“A regeneração ambiental é um processo contínuo. Nosso trabalho agora é acompanhar a evolução dessas áreas para garantir que a Mata Atlântica e o Cerrado recuperem suas características naturais e continuem oferecendo condições adequadas para a fauna e a flora nativas”, finaliza Paula Tagliari.

 

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