segunda-feira, 8 de junho de 2026

Primeiro-cavalheiro e ministros do Suriname integram missão em busca de conhecimentos para alimentar seu povo

 Comitiva conheceu tecnologias da Embrapa Cerrados que levaram ao desenvolvimento da agricultura tropical.

Foto: Alexandre Veloso

Alexandre Veloso -

A visita à Embrapa Cerrados teve como objetivo conhecer as pesquisas que permitiram ao Brasil se tornar autossuficiente na produção de alimentos. Segundo o ministro da Agricultura do Suriname, Mike Noersalim, o país tem intenção de produzir alimentos suficientes para sua população, de cerca de 600 mil habitantes. “Olhamos como a agricultura se desenvolveu no Brasil e como conseguiram combater a fome, alimentar sua população. Sabemos que a Embrapa tem muita experiência em pesquisas com diferentes culturas, então, nós queremos a colaboração com a Embrapa”.

Também estiveram presentes no centro de pesquisa, no dia 29 de maio, o primeiro-cavalheiro, Gleen Geerlings, esposo da presidente Jennifer Geerlings-Simons; os ministros do Transporte, Comunicação e Turismo, Raymond Landveld; de Relações Exteriores, Negócios Internacionais e Cooperação Internacional, Melvin Bouva; de Assuntos Sociais e Habitação, Daiana Pokie, além de representantes do corpo diplomático e da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).

Aos ministros surinamenses, foi apresentada a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, tecnologia que permite, no Brasil, a produção de até quatro safras em uma mesma área – grãos da safra principal e da safrinha, pastagem para criação animal e madeira, além de serviços ambientais, como sequestro de carbono. “Essa pode ser uma opção para o Suriname, que tem cerca de 93% de seu território coberto por floresta tropical, aliando um melhor aproveitamento dos recursos naturais e uma produção com sustentabilidade”, afirma o chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Enoch.

“Não podemos depender apenas do petróleo e do gás para termos receita. A agricultura é muito importante para nós e temos que acelerar nosso setor agrícola e não podemos fazer isso sozinhos. Precisamos de cooperação, precisamos do Brasil, especialmente desse centro de pesquisa. Além disso, a segurança alimentar e a qualidade dos alimentos estão no topo da nossa agenda”, completa Noersalim.

A visita marca os 50 anos das relações diplomáticas entre Brasil e Suriname e contou com uma reunião entre os presidentes do Brasil e do Suriname e o fechamento de 13 atos bilaterais em áreas como defesa, energia, saúde, segurança e conectividade.

Mais de mil visitantes internacionais

Com a visita da delegação sul-americana, passou de mil o número de visitantes de outros países que vieram à Embrapa Cerrados, em registro iniciado em 2023. Somente neste ano, foram recebidos 340 visitantes de quatro continentes. Entre os visitantes, estão pesquisadores, embaixadores e pessoas do corpo diplomático, professores e empresários que atuam no setor produtivo.

No dia 28 de maio, uma missão técnica do governo de Moçambique conheceu detalhes das pesquisas sobre consórcio de cana-de-açúcar e milho, mitigação de gases de efeito estufa em sistemas agrícolas, intensificação sustentável e diversificação de espécies arbóreas em sistemas integrados.

Entre os representantes do país africano, estavam o secretário de Estado da Terra e Ambiente, Gustavo Dgedge; a diretora nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas, Sónia Muando; a diretora nacional de Energia, Marcelina Mataveia; a jurista da Direção Nacional de Energia, Leonice Mutepua; e a chefe do Departamento de Financiamento Climático, Anacleta Chingua; além de representantes da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) – Escritório de Moçambique, Vera Julien e Enrico Dal Farra; e Escritório do Brasil, Mayana Witt, Edson Duarte, Thiago Mendes e Karina Nair.

Como opção para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e cumprir as metas estabelecidas em acordos internacionais, a pesquisadora Arminda de Carvalho apresentou as plantas de cobertura, cultivadas após o milho ou a soja, capazes de melhorar a qualidade e a saúde do solo e reduzir a aplicação de fertilizantes nitrogenados.

Já o consórcio cana-de-açúcar e milho é uma tecnologia que traz mais opções para a indústria de biodiesel, já que usinas flex conseguem utilizar as duas matérias-primas. Além disso, o cultivo de milho nas entrelinhas melhora a estabilidade do sistema, uma vez que reduz a erosão do solo, proporciona a produção de cana com maior concentração de açúcar e de milho de melhor qualidade. “Todas as usinas brasileiras estão apostando no milho, que é uma matriz energética barata e traz vantagem competitiva para o governo brasileiro”, explica o pesquisador João de Deus dos Santos Júnior.

Já na área experimental de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, o pesquisador Robélio Marchão falou sobre as diferentes configurações dos sistemas integrados, que podem ou não incluir espécies arbóreas, e de seus múltiplos benefícios, como melhoria da fertilidade do solo, intensificação da produção, bem-estar animal, maior eficiência no uso de insumos, balanço de carbono positivo, entre outros.

A engenheira florestal Karina Pulrolnik apresentou as diferentes opções de árvores que podem ser implantadas no sistema, desde o eucalipto, um dos mais usados, a espécies nativas, como pequizeiro, baruzeiro, angico vermelho e macaubeira, e a importância da árvores como outra fonte de renda para o produtor, por meio da venda dos frutos, resina ou madeira.

A preocupação com as mudanças climáticas e os efeitos sobre sua agricultura levou Moçambique a iniciar um programa com sistema agroflorestal, sob liderança do pelo Ministério da Agricultura, Ambiente e Pesca. “Esse programa tem como foco restaurar áreas degradadas. Por outro lado, queremos promover a agricultura sustentável, integrá-la também com a pecuária. Com a experiência da Embrapa, que tem desenvolvido vários sistemas integrados, acreditamos que podemos ter esse conhecimento para apoiar a melhoria dos sistemas do nosso país”, detalha Sônia Muando, diretora nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas de Moçambique.

De acordo com o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cerrados, Edson Sano, a savana do país africano tem diversas semelhanças com o Cerrado brasileiro, principalmente em relação à flora desses biomas, o que pode facilitar a troca de conhecimentos e experiências entre os países.

Ainda em maio, representantes da organização de pesquisa agropecuária Rural Development Administration (RDA) da Coreia do Sul e de empresas de insumos agrícolas estiveram na Embrapa Cerrados. Segundo o diretor-geral da RDA, So-il Kim, os principais interesse do grupo são bioinsumos, sistemas integrados (ILPF) e manejo de pragas em grandes culturas.

Eles foram recebidos pelo chefe-geral da Embrapa Cerrados, Jorge Enoch, e participaram de palestra sobre práticas e pesquisas com bioinsumos e bioindicadores de solo, apresentada pelo pesquisador Fábio dos Reis Júnior, compartilhamento de experiências em manejos de pragas, especialmente em soja e milho, com o pesquisador Charles de Oliveira, e demonstração de tecnologias aplicadas em campo sobre intensificação sustentável em sistemas integrados, com os pesquisadores Roberto Guimarães Júnior e Lourival Vilela.

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