sexta-feira, 18 de setembro de 2026

CEDECA RJ lança cartilha de educação política para adolescentes com participação do cientista político Jairo Nicolau

 

Publicação “Quem cuida… da minha cidade? do meu estado? do meu país?” explica, em linguagem acessível, o funcionamento dos cargos políticos e estimula a participação cidadã de adolescentes

O Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (CEDECA RJ) realiza, no dia 22 de setembro de 2026, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Centro do Rio de Janeiro, o lançamento da cartilha “Quem cuida… da minha cidade? do meu estado? do meu país? Vamos entender os cargos políticos”.

Voltada especialmente para adolescentes, a publicação apresenta, de maneira simples e acessível, informações sobre os diferentes níveis de governo, os cargos políticos e suas atribuições, o processo eleitoral e as possibilidades de participação na vida pública. O lançamento será realizado em formato de roda de conversa, tendo os adolescentes como protagonistas do encontro e do debate.

Participarão adolescentes vinculados às atividades do CEDECA RJ, a projetos sociais de organizações parceiras, aos Comitês de Participação de Adolescentes, além de estudantes e demais adolescentes interessados em conhecer e debater temas relacionados à democracia, eleições, cidadania e participação política.

O encontro contará com a participação do cientista político Jairo Nicolau, professor e pesquisador da FGV/CPDOC e autor do livro “O País Dividido: Duas décadas de eleições presidenciais no Brasil (2002–2022)”. Participarão também Mariah Govea e Pedro Pereira, autores da cartilha. A abertura institucional será realizada por Sidney Teles, presidente do CEDECA RJ.

A roda de conversa pretende criar um espaço de diálogo entre adolescentes e adultos sobre questões que fazem parte da vida democrática, como as funções de vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidente da República, o voto de adolescentes de 16 e 17 anos e outras formas de participação nas decisões sobre sua cidade, seu estado e seu país. A proposta é discutir essas questões com os adolescentes, e não apenas para os adolescentes, valorizando suas perguntas, opiniões, experiências e propostas.

A iniciativa parte da compreensão de que educação política e participação cidadã também são direitos de adolescentes. Em ano eleitoral, o CEDECA RJ busca contribuir para que esse público tenha acesso a informações qualificadas, acessíveis e apartidárias sobre democracia, instituições, eleições e participação política. A cartilha foi elaborada no âmbito das ações do CEDECA RJ de promoção do direito à participação e ao protagonismo de adolescentes.

SERVIÇO

Lançamento da cartilha:
“Quem cuida… da minha cidade? do meu estado? do meu país? Vamos entender os cargos políticos”

Data: 22 de setembro de 2026
Horário: 14h às 17h
Local: Associação Brasileira de Imprensa – ABI
Sala Belisário de Souza – 7º andar
Rua Araújo Porto Alegre, 71 – Centro, Rio de Janeiro – RJ
(Próximo à Cinelândia)

Participações:
Jairo Nicolau – Cientista político, professor e pesquisador da FGV/CPDOC e autor de “O País Dividido”
Mariah Govea – Coautora da cartilha
Pedro Pereira – Coautor da cartilha e Coordenador Institucional do CEDECA RJ
Adolescentes do CEDECA RJ, de projetos sociais de organizações parceiras, dos Comitês de Participação de Adolescentes, estudantes e demais adolescentes interessados

Abertura:
Sidney Teles – Presidente do CEDECA RJ
Claudia Fix – Coordenadora do Escritório de Diálogo e Ligação (EDeL) da MISEREOR no Brasil
Octávio Costa – Presidente da Associação Brasileira de Imprensa – ABI

Realização:
Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro – CEDECA RJ


quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Embrapa Pecuária Sul terá novo chefe-geral a partir de setembro

 


Foto: Gabriel Aquere

O pesquisador Gustavo Martins da Silva será empossado como novo Chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul nesta terça-feira (01/09). Escolhido por meio de processo seletivo interno, Silva substitui o pesquisador Fernando Cardoso, que esteve à frente da gestão do centro de pesquisa de Bagé (RS) desde 2020. Na Embrapa desde 2008, Gustavo é pesquisador em áreas como sementes forrageiras, sistemas de produção de leite e integração lavoura-pecuária. Desde então, já liderou cinco projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, e coordenou durante quatro anos o Programa Rede Leite, que envolve seis instituições de ensino, pesquisa e extensão na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Nos últimos sete anos fez parte da gestão da unidade de pesquisa, ocupando a Chefia-adjunta de Transferência de Tecnologia entre 2019 e 2026.

Um dos pilares da proposta de trabalho de Gustavo Martins da Silva é buscar a inovação com foco em sistemas de produção em que a pecuária esteja inserida. Silva defende que a pesquisa tenha um olhar mais sistêmico das propriedades rurais, de forma a integrar diferentes áreas com potencial de desenvolvimento. “Nesse sentido, entendemos a pecuária como uma atividade chave para se alcançar sistemas de produção mais rentáveis e sustentáveis”.

Segundo o dirigente, uma das estratégias é o fortalecimento de projetos de longo prazo que contemplam diferentes temáticas produtivas, ambientais e sociais em um mesmo ambiente experimental. “A Unidade já vem desenvolvendo iniciativas neste sentido, como o projeto Integra Pampa, no qual o parceiro da iniciativa privada contribui diretamente no desenvolvimento de novas tecnologias e conhecimentos, conduzindo sistemas integrados de produção em campos experimentais. Um dos diferenciais é que os produtores acompanham e participam das atividades de pesquisa, e já podem ir se apropriando das novas tecnologias, práticas e processos”.

O fortalecimento de parcerias com instituições públicas e privadas, formando redes de inovação, é outro destaque da proposta de gestão de Gustavo Silva. “O centro de pesquisa hoje tem 33 parcerias formalizadas, com instituições públicas e entidades representativas de diferentes públicos e categorias de produtores, e a ideia é potencializar essas parcerias especialmente com redes de produtores e técnicos”. Para ele, esse tipo de parceria em redes, pela capilaridade que possuem, permite uma maior adoção e impacto das tecnologias disponibilizadas, bem como a prospecção qualificada de demandas do setor produtivo.

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Fernando Goss

Jornalista - Núcleo de Comunicação Organizacional

Embrapa Pecuária Sul

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa)

Bagé - RS

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Grávida aos 48, a idade em que a mulher brasileira entra na menopausa



Avanço dos partos depois dos 40 aproxima maternidade da transição menopausal e exige atenção conjunta à saúde reprodutiva, cardiovascular e profissional

O anúncio da gravidez da jornalista Maju Coutinho, aos 48 anos, coloca em evidência uma mudança no perfil reprodutivo brasileiro. A maternidade avança para uma faixa etária que coincide com a transição menopausal, fazendo com que gestação, mudanças hormonais e cuidados com a saúde futura da mulher passem a ocorrer no mesmo período da vida.

Aos 48 anos está a média de idade em que a brasileira entra na menopausa, segundo estudo colaborativo entre a Faculdade de Medicina de Jundiaí, a Faculdade de Medicina do ABC, a Universidade de São Paulo e a Universidade de Pavia, publicado na revista Climacteric. A pesquisa, realizada com 1.500 mulheres de 45 a 65 anos, também identifica o início da irregularidade menstrual aos 46 anos. A referência internacional adotada pela International Menopause Society e pela The Menopause Society é de 51 anos.

Quando a maternidade avança para depois dos 40, os dois processos passam a se encontrar dentro da mesma fase. A medicina, porém, ainda tende a acompanhá-los em especialidades diferentes. “A mulher que engravida aos 45, 46, 48 anos não está fora da menopausa. Ela está dentro da transição menopausal, gestando. Isso não é uma exceção biográfica, é uma nova categoria clínica, e o Brasil ainda não escreveu o capítulo dela”, afirma a Dra. Fabiane Berta.

Gravidez tardia avança no país

As Estatísticas do Registro Civil do IBGE mostram que os partos entre mulheres de 40 anos ou mais passam de 57.983, em 2003, para 106.263, em 2022. O crescimento chega a 83%, o maior entre todas as faixas etárias e o único grupo em alta enquanto os demais recuam. O adiamento da maternidade está associado a fatores como formação, carreira, escolha de parceiro, planejamento financeiro e preservação da fertilidade. Maju Coutinho já tornou pública, em entrevistas anteriores, a decisão de congelar óvulos aos 37 anos.

“O que mais me interessa nesse movimento não é a idade, é a intenção. Recebo no consultório mulheres de 44, 46, 48 anos que chegam com exames em dia, composição corporal medida, sono discutido, força muscular monitorada. Elas não estão tentando parecer mais jovens. Estão tentando ser mais aptas. Essa é a ciência da maturidade feminina, e ela começa muito antes do positivo”, diz Fabiane Berta.

Riscos exigem avaliação individualizada

A possibilidade de engravidar em idade mais avançada não elimina os riscos, mas também não significa que toda gestação depois dos 40 deva ser tratada como necessariamente perigosa.

O consenso do American College of Obstetricians and Gynecologists registra que, tomando mulheres de 35 a 39 anos como referência, o risco de pré-eclâmpsia é 32% maior entre 40 e 44 anos e mais do que dobra a partir dos 45. Estudos também identificam maior ocorrência de diabetes gestacional, cesariana, prematuridade e outras complicações nessa faixa etária. Somam-se a esse quadro a redução progressiva da reserva ovariana, a maior taxa de aneuploidias e a necessidade mais frequente de reprodução assistida.

“Risco não é sentença, é informação para decidir melhor. A mulher de 47 anos que quer engravidar precisa de avaliação cardiovascular, metabólica, tireoidiana e de reserva ovariana antes da concepção, e não de um encaminhamento genérico. O que combato é a consulta que resolve isso com uma frase: é da idade”, afirma a médica.

Gestação sinaliza a saúde cardiovascular futura

A gravidez também pode funcionar como uma janela de avaliação da saúde cardiovascular feminina. Documento científico da American Heart Association, publicado na Circulation, estabelece que complicações como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e prematuridade estão relacionadas a maior risco de doença cardiovascular ao longo da vida.

Quando a gestação ocorre perto dos 50 anos, essa informação ganha ainda mais importância porque se aproxima da pós-menopausa, período em que o risco cardiovascular feminino aumenta.

“A gestação tardia é o exame de estresse mais informativo que uma mulher fará antes da menopausa. Se ela desenvolveu pré-eclâmpsia aos 46, essa informação precisa estar na primeira linha do prontuário dela aos 55. A menopausa não é o começo do risco cardiovascular feminino, é a hora em que ele aparece por escrito”, afirma Fabiane Berta.

Maternidade e menopausa dividem a mesma década

O adiamento da maternidade também encontra questões profissionais. Pesquisa da Escola Brasileira de Economia e Finanças da Fundação Getulio Vargas mostra que 48% das trabalhadoras estão fora de seus postos 12 meses após o início da licença-maternidade, patamar que se mantém nos dois anos seguintes.

“Existe uma conta que ninguém faz. A mesma mulher que se afasta do trabalho para gestar aos 46 vai atravessar a transição menopausal enquanto amamenta, com privação de sono somada à flutuação hormonal, e continuará sendo avaliada como se nada disso estivesse acontecendo. Não é fragilidade dela. É desenho institucional”, afirma a médica.

Para Fabiane Berta, o avanço da maternidade sobre a quinta década torna ainda mais necessária a integração entre obstetrícia e medicina da menopausa.

“A menopausa brasileira tem sotaque. E agora a maternidade brasileira também tem. Nenhuma das duas cabe em diretriz importada”, conclui.

 


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