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sábado, 7 de junho de 2014

O e-commerce e a educação no Brasil

Por Felipe Morais* Segundo o relatório Webshoppers, do E-Bit, o Brasil passará dos 50 milhões de consumidores online em 2014, o que irá gerar um faturamento acima de R$ 34 bilhões em vendas virtuais. Mesmo assim, a constatação é de que há muito espaço para crescer, tendo em vista que o Brasil passará dos 110 milhões de internautas neste ano. Portanto, existe mercado, mas o que falta são profissionais qualificados para tocar o dia a dia das operações. Em pesquisas com grandes diretores e gestores de e-commerce no país percebemos que existe muita gente com vontade de trabalhar, mas sem qualquer bagagem teórica e prática para crescerem no setor. A sensação é de que o país possui diamantes que precisam ser lapidados. Muitos que trabalham no e-commerce estão no ramo por paixão à Internet e pelo dinamismo, acreditando que campanha de e-mail e marketing e produtos do Google resolveriam os problemas das marcas. Porém, o que temos visto é que apenas boa vontade não é suficiente para crescer. É preciso ter conhecimento e ser diferenciado na área. Por conta disso, cursos de pós-graduação começam a surgir para dar conta dessa demanda cada vez mais crescente. Os mais indicados são aqueles que possuem professores que apresentam novas tendências do mercado. Afinal de contas, o básico muitos já sabem. Mas com profissionais qualificados no corpo docente é possível mostrar o que dá certo através do compartilhamento de experiências e do debate com alunos. As grades curriculares precisam trazer temas que atendam as dúvidas e anseios do próprio comércio eletrônico. É necessário ficar no meio-termo: enquanto metade das aulas expõem problemas, a outra metade discute soluções. Dessa forma, é preciso abandonar o conceito de “aula-palestra”, onde apenas o professor fala e o aluno só ouve. Este método já está ultrapassado, ainda mais em um tema tão dinâmico quanto o varejo virtual. O ideal é buscar cursos com “aulas-consultorias”, onde o docente ensina compartilhando experiência e históricos de sucesso, mostrando ao aluno como resolver problemas diários. Para formarmos excelentes profissionais de e-commerce, os cursos de MBA não devem levar apenas conteúdo aos alunos. É necessário transformá-lo em um verdadeiro gestor capacitado. Assim, ele consegue operar qualquer loja virtual – desde as maiores, com grandes operações, e até mesmo as menores, promovendo o empreendedorismo existente no empresário virtual brasileiro. *Felipe Morais é coordenador do curso MBA de negócios digitais e gestão estratégica de e-commerce da Faculdade Impacta

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Educação de São Paulo abre inscrições para concurso de remoção de docentes


Os professores interessados em mudar de escola a partir de 2013 têm até o dia 16 deste mês para indicar a unidade escolar na qual gostariam de atuar
A publicação das vagas no Diário Oficial e a abertura das inscrições ocorrerão amanhã
 
Os professores da rede estadual, titulares de cargo, interessados em mudar de escola em 2013 podem se inscrever no concurso de remoção a partir das 9h de amanhã (10/04). O cadastramento deve ser feito via internet, até as 23h59 da próxima segunda-feira (16/04), pelo sistema GDAE (Gestão Dinâmica de Administração Escolar da Coordenadoria Geral de Recursos Humanos), da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, no endereço http:/drhunet.edunet.sp.gov.br/PortalNet/, acessando o link relativo ao concurso. As normas serão publicadas amanhã no Diário Oficial do Estado.
         A inscrição está condicionada à indicação de pelo menos uma unidade escolar, que deve ser feita no ato do cadastro. O candidato que não indicar nenhuma instituição terá a inscrição indeferida. A relação das vagas inicialmente disponíveis pode ser consultada no site do GDAE, mas o docente poderá escolher qualquer escola, mesmo que não haja vagas neste momento, pois podem ser abertos postos ao longo do processo.
O candidato poderá se inscrever para concorrer por títulos ou por união de cônjuges. No cadastramento, serão utilizados os dados constantes no cadastro funcional da Secretaria da Educação. Mesmo efetuando a inscrição pela internet, o professor deverá apresentar ao diretor da escola em que atua toda a documentação comprobatória dos títulos para a classificação (doutorado, mestrado, especialização ou aperfeiçoamento) e da união de cônjuge (certidão de casamento ou escritura pública de declaração de convivência marital e atestado do cônjuge original).
Não poderá participar do concurso o docente em condição de readaptado ou ingressante em estágio probatório que tenha sido nomeado mediante concurso regionalizado. Também será eliminado aquele que optar pela remoção por união de cônjuges, mas que tenha sido transferido nessa modalidade há menos de cinco anos, exceto se o seu cônjuge foi transferido por decisão da administração para outra unidade ou vier a prover novo cargo em outro município, apresentando o comprovante ao seu superior imediato.
Uma vez inscrito no processo, o candidato não mais poderá desistir da mudança de escola e nem alterar, incluir ou excluir unidades escolares que vier a indicar para a remoção. A conclusão do concurso de remoção está prevista para dezembro e os professores somente assumirão a nova escola no próximo ano.
Em caso de dúvidas, os professores interessados podem entrar em contato com a Central de Atendimento da Secretaria de Estado da Educação, por meio do telefone 0800-7700012 ou pelo e-mail centralgdae@edunet.sp.gov.br. O candidato que não tiver ou que tenha esquecido login e senha para acesso ao sistema GDAE deverá clicar em “Manual Para Acesso ao Sistema” e seguir as orientações.
 
São Paulo, 9 de abril de 2012
Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mercadante defende critério de reajuste do piso nacional dos professores


Amanda Cieglinski - Repórter da Agência Brasil
 
Brasília – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendeu hoje (29) o reajuste de 22% do piso nacional do magistério, que passou de R$ 1.187 para R$ 1.451. Segundo Mercadante, o atual critério de correção do piso, com base no  crescimento do valor mínimo por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), permite recuperação salarial para os professores. O valor estipulado para este ano  acompanha o aumento do Fundeb de 2011 para 2012, conforme determina a legislação atual. O novo piso foi anunciado segunda-feira (27)
Alguns estados e municípios alegam dificuldade financeira para pagar o valor determinado. Governadores  reuniram-se ontem (28) com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), e pediram a aprovação de um projeto de lei que altere o critério de correção do piso, que passaria a ser feito com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação. Mercadante disse que qualquer mudança na Lei do Piso precisará ser discutida com os professores e também com os prefeitos e governadores.
“O critério atual tem permitido uma recuperação salarial forte. É verdade que alguns estados e municípios estão com dificuldade, mas o piso que temos hoje é um pouco mais do que dois salários mínimos. É um equívoco o Brasil perder a perspectiva de continuar recuperando o piso salarial”, afirmou.
De acordo com o ministro, até o ano passado, quatro estados não pagavam o piso (R$ 1.187 ) e 11 já usavam valores iguais ou superiores ao que foi definido para este ano. A lei, aprovada em 2008, prevê que haja complementação da União caso o município ou estado comprove que não tem capacidade financeira para pagar o piso a seus professores. Entretanto, as prefeituras que solicitaram a verba ao MEC não atenderam aos pré-requisitos previstos, como, por exemplo, ter um plano de carreira para os docentes da rede e investir 25% da arrecadação de tributos em educação, como determina a Constituição.
“Se houver proposta para melhorar essa parceria, nós estamos abertos, sempre. A lei estabelece alguns critérios [para complementação], mas esses critérios ainda não foram acordados com estados e municípios. A situação é muito diferente em cada lugar”, disse o ministro.
Segundo Mercadante, para uma mudança nos parâmetros de reajuste do piso no Congresso, será preciso haver “entendimento e negociação”. “Caso contrário, isso não vai contribuir para o ambiente educacional. Nós podemos ter um acirramento das greves, que não interessa aos estudantes e não interessa ao Brasil.”
Edição: Nádia Franco

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Especialista contesta decisão do Estado de estender o limite de idade para aluno se matricular no 1º ano


O Conselho Nacional de Educação estabeleceu nos últimos dias que a partir de 2012 só poderão ser matriculadas no primeiro ano do Ensino Fundamental as crianças que completarem seis anos até o dia 31 de março. Em São Paulo, as matrículas para alunos da rede pública já se encerraram. Por essa razão, o Conselho Estadual de Educação decidiu estender a data para 30 de junho. Contrário à decisão do Estado, João Cardoso Palma, professor da Unesp de São Paulo e membro do Conselho Estadual de Educação aponta os possíveis problemas com crianças menores de seis anos matriculadas na primeira série do Ensino Fundamental. 
Ouça o Podcast Unesp:



 
Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

A tecnologia com o pé no chão da sala de aula


(*) Antônio Sérgio Martins de Castro

          Assim que os primeiros computadores começaram a chegar às escolas, ainda na década de 1980, começaram a ser notadas certas dificuldades que marcariam, desde então, a disseminação do uso da tecnologia como estímulo à aprendizagem. Alguns equívocos e preconceitos tornaram-se marcas ainda atuais. Por exemplo, a ideia de que primeiramente se investe em infraestrutura, depois em formação.
          Ainda hoje, basta entrar na conversa de uma roda de educadores – gestores ou professores – para descobrir quantos equipamentos de alta tecnologia estão parados ou subaproveitados. Vários colégios têm sites muitas vezes não-atualizados e sem uso efetivo pela comunidade. No início, era assim com os PCs, hoje são as lousas eletrônicas e outros dispositivos. Tudo porque a tecnologia chegava (e continua chegando) à escola como uma visita formal e incômoda. Todos sabem que é necessária, oportuna, importante, mas ninguém se preparou para recebê-la tão rapidamente e muitos até se constrangem pela falta de intimidade.
          Qual é a razão para esse estado de coisas? Há muitos nomes e formas, mas poderíamos talvez traduzi-lo como a necessária transição cultural que deve acontecer nas instituições de ensino. Isso englobaria todos os graus de distanciamento que separam os educadores do pleno uso do potencial tecnológico, que hoje poucos discutem. Há quem fale em diferenças geracionais (os chamados nativos analógicos x nativos digitais), em atitudes individuais que variam dos resistentes aos iniciados, ou no desencontro entre projeto pedagógico e recursos da informática. O fato é que estamos em um ponto em que, se não ampliarmos as discussões sobre a importância do uso da tecnologia na aprendizagem, estaremos longe de uma escola onde as imensas possibilidades desses recursos sejam bem aproveitadas.
          No universo educacional, basta ver como a tecnologia chega à escola vestida de uma aura que não contempla o fazer diário e as demandas imediatas do professor. O mesmo educador que usa diariamente os recursos do internet banking só usa a tecnologia em seu trabalho para digitar provas, e olhe lá. Ele um dia poderá até fazer bom uso daquilo, mas há uma enorme distância entre suas práticas atuais (sedimentadas no tempo da cultura escolar, que é caracteristicamente conservadora) e os recursos disponibilizados.
          Em suma, é preciso fazer com que o professor sinta a tecnologia como uma demanda imediata, que seja incorporada ao seu trabalho como ferramenta, para que então comece a se criar um círculo virtuoso, no qual mais uso gera mais demanda, e vice-versa. É preciso a picadinha de uma mosca, e não a dentada de um leão que atemoriza os docentes, especialmente os que já passaram da faixa dos 30 anos.
          Chegamos ao coração dessa reflexão. Para que nossa escola seja digital, é preciso que sejamos mais compreensivos com a realidade do professor, não para nos conformarmos com os limites, mas para ganharmos sucessivamente novos patamares de uso do potencial das ferramentas tecnológicas. Até porque há efetivamente diferentes graus de utilidades da informática, adequada aos mais diferentes momentos do trabalho do professor.
          Isso significa que precisamos conhecer melhor o trabalho do docente em sala de aula e procurar lhe oferecer recursos para aqueles momentos e situações reais. É preciso sair da lógica de criar projetos que envolvam tecnologia para a lógica de usar tecnologia para aprimorar o que é feito agora. Isso fará com que, no jargão da área, as ferramentas se tornem mais “amigáveis” e se incorporem de forma mais natural ao cotidiano do educador.
          Nos nossos sistemas de ensino Agora e Ético, desde o início procuramos olhar para a tecnologia como algo para o aqui e agora, sem esse viés futurista. Nosso foco continua sendo a realidade concreta vivida pelos professores, e isso implica desenvolver ferramentas para os diferentes perfis de uso. Os educadores das escolas parceiras têm e terão cada vez mais acesso a materiais que lhes permitam tornar suas aulas mais interativas, ricas, diversificadas e próximas do universo do aluno, sem nunca perder de vista os objetivos de aprendizagem.
          Assim, desenvolvemos numerosos recursos, que vão de aulas em softwares de apresentação mais conhecidos (como o PowerPoint), com animações e uso de diferentes mídias, ao desenvolvimento de materiais pedagógicos para leitura nos novos suportes que chegam ao mercado com perspectivas de uma difusão explosiva, como é o caso dos tablets.
          É essa diversidade de ferramentas, aplicáveis nos diferentes contextos de uso, que paulatinamente fará com que o professor veja a tecnologia como aliada e facilitadora de seu trabalho, e não como um desafio a mais, entre tantos outros a serem vencidos. E é assim que precisa ser.

(*) Antônio Sérgio Martins de Castro é gerente de mídias digitais da Divisão de Sistemas de Ensino da Editora Saraiva (www.souagora.com.br e www.sejaetico.com.br)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O desafio de educar para a diversidade


 (*) Francisca Romana Giacometti Paris

          No filme Entre os muros da escola (França, 2008), em uma sala de aula marcada por diferentes ordens de conflitos, a certa altura uma aluna adolescente de ascendência árabe questiona seu professor, com ironia, sobre o porquê de os livros didáticos trazerem personagens apenas com nomes franceses, como se não existem pessoas com nomes árabes. Com isso, queria ilustrar o desconforto sentido por ela e diversos outros jovens de origem não francesa e o choque cultural vivido naquela sala, naquela escola e, claro, em toda a França.
          Evidentemente, essa é uma situação tipicamente vivida na Europa, onde o tema da atenção à diversidade na Educação ganha corpo já há algumas décadas. São problemas reais, enfrentados com grande dificuldade pelo sistema escolar. Mas não queremos falar da França e da Europa. Apenas ilustrar, com um exemplo já trazido para o cinema – num filme provocativo, que vale a pena assistir –, um dos mais importantes desafios da escola contemporânea brasileira: a educação para a diversidade.
          No Brasil, o tema da diversidade está cada vez mais presente em livros, seminários, oficinas. Mas, como costuma acontecer em nossa tradição pedagógica, ainda vivemos em dois mundos – o das boas teorias e, ao mesmo tempo, o das práticas defasadas.
          Somos um país que tem a diversidade cultural em suas raízes históricas, amalgamando influências indígenas, negras, europeias. Há um século, recebemos um dos maiores fluxos migratórios da história recente, e agora chegam bolivianos, peruanos, argentinos. Mais: do ponto de vista social, nossa escola reúne crianças nas diferentes situações socioeconômicas, que têm suas próprias experiências e aprendem em seu próprio ritmo.
          Contudo, de modo geral, as escolas brasileiras ainda parecem funcionar como se tivessem apenas um tipo de estudante: o aluno ideal, que corresponde a todos os estereótipos daquilo que desejamos consciente ou inconscientemente. Parafraseando o autor português João Barroso, ainda educamos a muitos como se fossem um só, e não a todos como se fossem “cada um”. A diversidade cultural é tratada muitas vezes de modo quase folclórico; já as diferenças individuais, especialmente as ligadas às questões sociais, são simplesmente ignoradas.
          Isso precisa mudar, por todos os motivos. Nossas salas de aula são de uma diversidade incrível, que produzem, naturalmente, grande riqueza humana. São um espaço fecundo para as trocas, para que as crianças se expressem, ganhem autoestima, que se orgulhem do que são e se encontrem em país multicultural.
          A questão da diversidade precisa definitivamente estar contemplada nos materiais empregados, nas práticas pedagógicas cotidianas. Mais do que isso, precisamos preparar nossos professores para uma mudança de atitude, para criar um ambiente onde as diferenças sejam o combustível de uma maravilhosamente rica experiência educativa.

 (*) Francisca Romana Giacometti Paris é pedagoga, mestre em Educação e diretora de serviços educacionais do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br)e do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Campanha defende aumento de recursos para educação em audiência pública sobre financiamento do PNE

Expositores ligados à Campanha Nacional pelo Direito à Educação defenderam 10% do PIB para educação, na 3ª audiência pública da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PL 8035/2010), realizada na tarde desta quarta-feira, 25/5/2011, na Câmara dos Deputados, em Brasília


A terceira audiência pública da Comissão Especial que analisa o PL 8035/2010 (Plano Nacional de Educação 2011-2020) tratou do financiamento necessário para o cumprimento do Plano.
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que participou comoexpositora da primeira audiência da Comissão articulou a presença de vários de seus membros nesta sessão, como os professores José Marcelino Rezende Pinto, da Universidade de São Paulo, e Nelson Cardoso Amaral, da Universidade Federal de Goiás. A presidenta da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e integrante do Comitê Diretivo da Campanha, Cleuza Repulho, também foi expositora.
A primeira exposição, do economista Jorge Abrahão de Castro, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostrou uma análise dos indicadores educacionais brasileiros no período de 1995 a 2009. De acordo com o economista, apesar dos avanços no acesso à educação, de 1995 a 2005 observa-se instabilidade de prioridade macroeconômica, ou seja, o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) que a educação teve no período foi muito pequeno. De 2005 a 2009 esse quadro mudou, com crescimento de gastos na área, chegando a um patamar de 4,8%. No entanto, Jorge Abrahão chama atenção para a persistência das desigualdades educacionais, que se revelam nos indicadores de renda e de localização regional, entre outras. “O gasto público em educação promove um ciclo econômico positivo, com efeito no crescimento da economia, na distribuição de renda, e na diminuição das desigualdades, entre outros aspectos”, ressaltou Jorge.
Já o secretário de Educação de Goiás e representante do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Thiago Peixoto, destacou que em 2009, o investimento público direto em educação correspondeu a 5% do PIB, sendo que União contribuiu com 19,7% desse montante, os Estados e Distrito Federal com 41,2% e os Municípios com 39,1%. “Esperamos que o Plano defina claramente quais as responsabilidades de cada ente federado com relação a cada uma das metas e quanto cada uma delas custará. Lembramos também que se a meta 20 [financiamento] não for adequada, pode prejudicar a implementação do Plano. Por fim, destaco que qualquer proposta precisa considerar a necessidade de aumentar os investimentos por parte da União”, concluiu.
O financiamento necessário para os desafios da educação – O professor José Marcelino Rezende Pinto, da USP, ativista e colaborador da Campanha e um dos autores do CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial)  ressaltou que, para definir o financiamento necessário para o PNE, é preciso ter uma noção clara do tamanho dos desafios da educação brasileira. Um deles é garantir 12 anos de estudo (o equivalente ao ensino médio) para a população na faixa etária de 18 a 24 anos. Estima-se que 14 milhões de pessoas nessa faixa necessitam de um ou mais anos de estudo para alcançar essa meta.
As matrículas de creche devem saltar dos pouco mais de 2 milhões atuais de crianças matriculadas para quase 4,7 milhões em 2020. Para o total da educação básica, o salto deve ser das atuais 52 milhões de matrículas para quase 61 milhões em 2020. Levando em conta esses e outros números, como a proposta de CAQi, Marcelino calcula que em 2016, o gasto com educação no Brasil deveria ser equivalente a 7,67% do PIB, devendo alcançar 10,01% do PIB em 2020, já considerando a dinâmica populacional.
O pesquisador mostrou ainda que a carga tributária brasileira corresponde a 35% de seu PIB. No entanto, de cada 100 reais arrecadados, a União fica com 58 reais, os Estados com 26 reais e os Municípios com 16 reais. “Quem paga a conta? Não podemos jogar essa conta para as famílias. Se o Estado não arcar, os mais pobres continuarão excluídos. Entendemos que 10% do PIB para educação é cabível nesse cenário”, defendeu Marcelino.
Novos velhos erros – Em sua exposição na audiência, a secretária municipal de educação de São Bernardo do Campo e presidenta da Undime, Cleuza Repulho, lembrou que apenas 20% dos 5565 municípios brasileiros possuem arrecadação própria, reforçando a defesa de que é preciso destinar mais recursos da União para educação no Brasil. A secretária apontou como principais críticas ao PL 8035 as limitações de financiamento que inviabilizam o cumprimento das metas, a ausência de metas intermediárias que permitam monitorar a implementação do Plano e a falta de definição do papel de cada ente federado.
Segundo Cleuza, pesquisa inédita feita por Undime, Unicef e Fundação Itaú Social revela que os dados apresentados pelo Siope (Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação) são muito diferentes do que os gastos reais em educação. Ela explicitou que os dados desse sistema não podem e não devem ser usados como parâmetro para o PNE. “Se os dados do Siope fossem usados, já faltariam 8,6 bilhões de reais para cumprir somente a meta 1 [ampliação de atendimento na educação infantil]”. Os dados do Siope foram utilizados pelo MEC para justificar sua proposta tímida de aplicar em educação 7% do PIB até 2020.
“Já vimos que o veto ao financiamento no PNE anterior impediu o cumprimento das metas e tem impacto negativo até hoje. Não podemos repetir esse erro. Como dizia Celso Daniel [prefeito de Santo André, no ABC paulista, de 1997 a janeiro de 2002, quando foi assassinado], podemos cometer erros novos, mas os velhos jamais”, alertou Cleuza.
Desfazendo mitos – O professor Nelson Cardoso do Amaral, da Universidade Federal de Goiás, esclareceu que utilizar o PIB como referência de investimento em educação pode ser uma armadilha, quando não se considera outros dados da economia dos países. Segundo o professor, dados da Agência de Inteligência Americana mostram que a Bolívia aplica 6,4% de seu PIB em Educação, enquanto o Canadá aplica 5,2%. Mas isso significa 2,9 bilhões de dólares na Bolívia e 66,5 bilhões de dólares no Canadá, sendo que a Bolívia gasta 695 dólares por estudante ao ano e o Canadá 7.731 dólares por cidadão. “Se aplicasse 7% do PIB o Brasil chegaria a um patamar de 1.678 dólares por habitante. Com 10% chegaria a 2.397 dólares por pessoa, ainda nada comparável com os países desenvolvidos, sendo que nossos desafios educacionais são muito maiores do que nesses países”, aponta Nelson.  
 Síndrome de Carolina – Citando dados do Ipea (Comunicado 14 de 12/11/2008), o deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) enfatizou que de 2000 a 2007, o país destinou R$ 1,267 trilhões para o serviço da dívida pública e apenas R$ 149 bilhões para educação. “Diante desses números, quem afirma que o Brasil não tem capacidade fiscal para garantir 10% do PIB para educação mente ou está desinformado”, provocou. Em entrevista à Campanha Nacional pelo Direito à Educação logo depois da audiência, o deputado Paulo Rubem disse que o Brasil sofre do que ele chama de “síndrome de Carolina”, referindo-se ao trecho da canção de Chico Buarque (“O tempo passou na janela e só Carolina não viu...”).
O presidente da Comissão Especial do PNE, deputado Gastão Vieira (PMDB/MA), encerrou a audiência se comprometendo a receber insumos técnicos que mostrem a necessidade de ampliar o financiamento educacional a partir do PNE.
Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a audiência “comprovou que as notas técnicas do MEC são frágeis tecnicamente e que é preciso mais de 7% do PIB, em investimento público direto, para garantir a necessária expansão da educação pública, fundamentada em um padrão mínimo de qualidade”.
Destaques da audiência
“Os países ricos aplicam cerca de 20% do PIB per capita em cada um de seus alunos. No Brasil, esse patamar não ultrapassa os 11%, embora o MEC tenha divulgado que chegou a 19%”, José Marcelino Rezende Pinto, professor da USP, ativista e colaborador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
“É importante aplicar o CAQi, ou passaremos os próximos dez anos discutindo a divisão dos recursos que temos, e não os recursos que precisamos para incluir todas as crianças, jovens e adultos e oferecer educação de qualidade para todas e todos”, Cleuza Repulho, secretária de educação de São Bernardo do Campo e presidenta da Undime. 

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação

RELATÓRIO SOBRE A SITUAÇÃO DA EDUCAÇÃO NO COMPLEXO DO ALEMÃO SERÁ LANÇADO NA PRÓXIMA SEMANA


Documento a ser encaminhado às instâncias da ONU será entregue às autoridades do Rio de Janeiro na sexta-feira (8) e lançado em evento sobre educação no sábado (9). Lançamento no Complexo do Alemão ocorrerá no dia 30.



A Relatora Nacional para o Direito Humano à Educação, Denise Carreira, entregará na próxima sexta-feira às autoridades do Rio de Janeiro documento contendo análise da situação educacional do Complexo do Alemão e um conjunto de recomendações destinadas à melhoria da situação educacional da área. O relatório será lançado publicamente no dia 9 (sábado), no Seminário Nacional de Educação da organização Ação da Cidadania, que ocorrerá no Centro Cultura Ação da Cidadania (av. Barão de Tefé, 75, Saúde, RJ). No dia 30, acontecerá o lançamento no Complexo do Alemão.

Os lançamentos do relatório contam com apoio do Unicef e da Unesco e de um conjunto de organizações cariocas, entre elas, Comitê de Desenvolvimento da Serra da Misericórdia, Fase, Ibase, Observatório de Favelas, Raízes em Movimento, Justiça Global, Ação da Cidadania, Centro Bento Rubião/MNDH, Criola, Pastoral das Favelas, Sepe, AfroReggae.

O que é a Relatoria Nacional para o Direito Humano à Educação?

Experiência inédita no mundo inspirada nos Relatores Especiais da ONU, o Brasil possui seis relatores nacionais vinculados à Plataforma DHESCA Brasil, uma articulação de quarenta e três organizações e redes nacionais de direitos humanos. Além da educação, a plataforma conta com mais cinco Relatorias nacionais (saúde, alimentação e terra rural, meio ambiente, moradia adequada e trabalho). Para o desenvolvimento das investigações e acompanhamento de casos paradigmáticos de violação dos direitos humanos no Brasil, as Relatorias contam com o apoio da Procuradoria Federal do Cidadão e do Programa de Voluntários das Organizações das Nações Unidas.

Eleita em junho de 2007, Denise Carreira é a atual Relatora Nacional para o Direito Humano à Educação. Denise é coordenadora do programa de pesquisa e monitoramento de políticas educacionais da organização Ação Educativa e ex-coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. A assessoria da Relatoria é exercida por Suelaine Carneiro, educadora e integrante da organização não-governamental Geledés Instituto da Mulher Negra.

Acesso à internet em escolas da rede pública de São Paulo chega a 98,5% em 2025

  Dados do Censo Escolar indicam avanço de 10,3 pontos percentuais desde 2015 nas escolas de  educação  básica no estado   Subiu o número de...