sábado, 31 de março de 2012

A terra de ninguém não existe mais


Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br


O termo "terra de ninguém" é indicativo do território onde as leis não prevalecem, e que mocinhos e vilões, sem nenhuma ética ou moral, exercem um poder solitário.
Todos nós temos lembranças de centenas de faroestes em que o cowboy não cumpria preceitos do bem viver em sociedade.
Na verdade a civilização passou a existir a partir do momento em que os indivíduos passaram a ser julgados por seus atos. Antes disso matava-se um ou mais homens e simplesmente os jogava numa vala a beira do caminho. As vítimas nunca mais eram encontrados e os assassinos seguiam sua vida calmamente.
A sociedade moderna, baseada em preceitos helênicos e romanos universalizou o conceito de justiça e sua aplicação.
Quando dizemos que somos favoráveis a “liberdade de expressão” de toda a mídia, isto não significa um anarquismo total, mas que temos o direito de expor nossas ideias e nos responsabilizarmos por isso.
No início a Internet era simplesmente um sistema de comunicações que interligava bases americanas no mundo inteiro, a despeito da existência física do Pentágono ou não. Depois passou para as comunidades cientificas e dali para as universidades. Neste trajeto criou-se a imagem que a Internet poderia ser usada de qualquer forma, aparte do arcabouço jurídico e das leis que nos governam. Um mundo essencialmente marginal.
Mas vejamos alguns exemplos de que isso é uma grande falácia.
O jornalista Paulo Henrique Amorim fez colocações em seu blog sobre o apresentador Heraldo Pereira, que recorreu a Justiça, sendo que PHA deverá doar uma quantia a uma entidade filantrópica indicada por Heraldo, e aceitado uma conciliação entre PHA e Heraldo agora  em 15 de fevereiro de 2012. Nela Paulo Henrique Amorim reconhece Heraldo Pereira como jornalista de mérito e ético; que Heraldo Pereira nunca foi empregado de Gilmar Mendes; que apesar de convidado pelo Supremo Tribunal Federal, Heraldo Pereira não aceitou participar do Conselho Estratégico da TV Justiça; que, como repórter, Heraldo Pereira não é e nunca foi submisso a quaisquer autoridades; que o jornalista Heraldo Pereira não faz bico na Globo, mas é empregado de destaque da Rede Globo; que a expressão ‘negro de alma branca’ foi dita num momento de infelicidade, do qual se retrata, e não quis ofender a moral do jornalista Heraldo Pereira ou atingir a conotação de ‘racismo’. Tais declarações terão que ser publicadas em orgãos de imprensa de grande circulação. O jornalista Paulo Henrique Amorim é um renomado jornalista e como se vê foi flagrado em delito na própria “terra de ninguém”...
Nesta semana mesmo um blog cuja origem é o Sul do País foi denunciado pelo Ministério Público Federal que solicitou a detenção dos autores de seus conteúdos claramente defensores da homofobia e do preconceito racial.
O anonimato na Internet não existe e mais dia, menos dias, com menos ou maior empenho descobre-se os autores seja do que for por seus IP´s.
Constantemente redes de pedófilos, no Brasil e no Mundo, tem sido desbaratadas através da Internet.
No Orkut foram inúmeros os casos de ofensa moral punidos.
Quem é pré-candidato a qualquer cargo público deve prestar muito a atenção, pois as redes sociais só podem ser utilizadas a partir de 6 de julho  de 2012.
Ás redes sociais, como Orkut, Twitter, Facebook, não estão ainda suficientemente testadas em eleições no Brasil, o que é comprovado pela Abranet – Associação Brasileira de Internet.
O comportamento correto quando se perceber uma ofensa grave na rede de computadores é denunciá-lo ao Ministério Público, Polícia Federal ou delegacia especializada em crimes virtuais.
Enquanto isso revejo uma verdadeira “terra de ninguém”, num western spaghetti dirigido por Sergio Leone, ntitulado C'era una volta il West/Once Upon a Time in the West/;Era uma Vez no Oeste. Era uma vez no oeste conta a história da ex-prostituta Jill McBain (Claudia Cardinale), o bandido Cheyenne (Jason Robards), o pistoleiro Frank (Henry Fonda), e um homem misterioso que sempre traz consigo uma gaita (Charles Bronson). Não vou contar todo o filme e registro que ele é um retrato da Moral e Ética só para americanos verem com ausência total de justiça formal...

sexta-feira, 30 de março de 2012

"Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende." CORA CORALINA






Cora Coralina

O QUE É VIVER BEM!?!


Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense. Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso. 

Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia. 
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.

Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
 Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
 Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
 
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.
 Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.

 Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.

O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
 Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. 

Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.

Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.


(Cora Coralina)

quinta-feira, 29 de março de 2012

Discussão de obras de ficção pode mudar visão sobre Ciência


Por Júlio Bernardes - jubern@usp.br
Uma pesquisa do Instituto de Física (IF) da USP mostra que a leitura de textos de ficção científica em sala de aula pode ir além da introdução de conceitos científicos e se tornar um debate sobre o papel da Ciência e suas implicações sociais e políticas. O estudo de Adalberto Anderlini, professor de Física do ensino médio, apresenta projetos realizados com estudantes que buscam desenvolver entre eles uma visão mais crítica da Ciência.
Ficção pode ajudar a entender questões sociais que envolvem a Ciência
O professor conta que no início da pesquisa a ficção científica era encarada de uma forma mais lúdica. “Trazê-la para a sala de aula seria principalmente uma forma de cativar os estudantes para o ensino de Ciências”, aponta. No entanto, ao longo do estudo, com as reflexões teóricas e o trabalho em sala de aula, houve uma mudança de foco. “O que se percebeu é que os textos de ficção científica poderiam servir para compreender as questões sociais que envolvem a Ciência”.
A partir dos estudos do educador brasileiro Paulo Freire (1921-1997), do psicólogo russo Lev Vygotsky (1896-1934) e do filósofo russo Mikhail Bakhtin (1895-1975), o pesquisador procurou direcionar as discussões sobre obras de ficção científica em sala de aula para as questões políticas enraizadas na produção cultural. O trabalho de Mary Elizabeth Ginway, professora da Universidade da Flórida (EUA) e especialista em literatura brasileira fantástica e de ficção científica, também ajudou Anderlini a aprimorar o debate.
“É possível ler um conto sobre robôs e se concentrar apenas em questões técnicas, como a construção de um cérebro artificial”, aponta o professor. “No entanto, a relação entre homens e robôs é servil, como se fosse uma espécie de escravidão, o que pode ajudar a entender questões sobre preconceito racial, da mesma forma que uma história de alienígenas pode trazer questões sobre xenofobia, o medo do que vem de fora”, acrescenta.
Discussão
Anderlini relata em sua pesquisa três projetos que desenvolveu em uma escola na cidade de São Paulo, onde dá aulas de Física e Astronomia para estudantes do ensino médio. “Cabe lembrar que nesta escola as classes são pequenas, com média de 15 a 20 alunos por sala, o que facilitou o trabalho”. Depois de ter defendido o mestrado, orientado pelo professor João Zanetic, do IF, Anderlini continua a realizar projetos com os alunos, aplicando os conceitos que discutiu no estudo.
Uma das atividades consistia em uma discussão livre sobre o conto “O cair da noite”, do escritor norte-americano nascido na Rússia, Isaac Asimov (1920-1992), publicado no livro de mesmo nome. “Em certo ponto da história, no entanto, Asimov menciona a Lei de Gravitação de Newton”, aponta. “Assim, foi possível introduzir nas aulas de física a questão da gravidade.”
Os alunos também tiveram de escolher um livro do gênero para ler e elaborar um questionário com 20 perguntas. “Dessa forma, era feita uma leitura crítica de cada obra”, diz o professor. Entre as opções de livros, estavam obras de autores clássicos do gênero, como Júlio Verne (1828-1905), H.G. Wells (1866-1946), Ray Bradbury (1920) e Arthur Clarke (1917-2008). Com o tempo, a lista passou a incluir romances policiais, poesias, teatro, distopias (textos com visões negativistas do futuro da sociedade), entre outros gêneros literários, desde que envolvam a Ciência de alguma forma. A partir do segundo ano do ensino médio, são incluídos autores mais sofisticados, como Philip K. Dick (1928-1982), Stanislaw Lem (1921-2006) e Anthony Burguess (1917-1993).
Por fim, os alunos escreveram seus próprios contos de ficção científica, o que serviu para evidenciar a visão de Ciência que eles possuíam. “Na maioria dos casos, os contos estavam de acordo com a versão culturalmente aceita, de que a Ciência é dona da verdade absoluta e os cientistas são pessoas neutras e imparciais”, aponta Anderlini. “A partir dos textos, foi possível iniciar uma discussão sobre filosofia da Ciência e as questões sociais e políticas envolvidas na atividade científica, unindo Ciência e Humanidades nas análises.”
Imagem: Wikimedia Commons

Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após a IV Cúpula do BRICS



Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Apresentação do relatório de Estudo Econômico do BRICS - 1
Presidenta Dilma Rousseff posa para foto com Chefes de Estado durante apresentação do relatório de Estudo Econômico do BRICS. (Nova Délhi - Índia, 29/03/2012)

Dilma afirmou ainda que, durante seu governo, tomará medidas para que a carga tributária seja menor.
“Eu tenho plena consciência que o Brasil precisa reduzir sua carga tributária. Dentro do meu período governamental eu farei o possível para reduzi-la. Eu sei perfeitamente que devido ao fato de que há vários interesses envolvidos na questão de uma reforma tributária, eu até julgo que pode ter um momento no futuro que seja possível encaminhar uma reforma global. Agora o que eu tenho feito é tomar medidas pontuais que permitam que no conjunto se crie uma desoneração maior dos tributos no país que é fundamental para fazer o país crescer.” (Planalto)


Declaração à imprensa da Presidenta da República, Dilma Rousseff, após a IV Cúpula do BRICS


29/03/2012 às 17h25



Nova Délhi-Índia, 29 de março de 2012





Eu quero agradecer ao governo e ao povo indiano, mais uma vez, a hospitalidade e a qualidade com que nos receberam neste fascinante país.


Eu estou certa de que a agenda que o BRICS está construindo renderá muitos frutos para os nossos países e também para o mundo. A declaração assinada pelo conjunto de nossos cinco países é de alta relevância para definir os nossos caminhos nos próximos anos.


Esta Cúpula, esta IV Cúpula realiza-se em contexto econômico internacional ainda adverso. A combinação dos países envolvidos em problemas financeiros, baixo crescimento, excessiva injeção de liquidez exporta a crise para os países emergentes, atingindo nossas moedas e nossos sistemas produtivos.


Os países BRICS têm, na nossa relação, uma plataforma, e essa plataforma permite que nós olhemos para uma nova política baseada na expansão do mercado das principais economias mundiais e no crescimento equilibrado do comércio internacional.


A principal frente de expansão para a economia mundial é hoje a incorporação de milhões de pessoas à sociedade de consumo de massa. Essa expansão deve estar fundada no crescimento equilibrado entre consumo e investimento e deve estar, também, baseada num equilíbrio entre as nossas economias e a relação internacional de comércio.


Os BRICS continuam sendo elemento dinâmico da economia global, e vão responder por uma parcela significativa do comércio.


A notável expansão, nos últimos anos, do comércio intra-BRICS evidencia também o potencial das nossas relações. Nós passamos de US$ 27 bilhões em 2002 para estimados US$ 250 bilhões em 2011. Este é um dos pilares do nosso dinamismo.


Outro pilar, sem sombra de dúvida, é esse acordo que foi assinado hoje entre os bancos de desenvolvimento dos nossos países, que permite que nós usemos as nossas moedas nas relações comerciais entre nós.


Além disso, a definição de um grupo de trabalho para estudar o banco dos BRICS é também um indício muito positivo dessa disposição dos BRICS de investir em projetos produtivos e de infraestrutura.


Dessa maneira, nós transmitimos ao mundo uma mensagem que eu acredito ser muito positiva. Essa mensagem é: crescer, gerar empregos, distribuir renda é possível e, sobretudo, é necessário. São temas prioritários para todos os países BRICS.


Manifestei aos meus colegas a disposição brasileira de contribuir, por meio do Fundo Monetário, para a solução coletiva da crise, se isso for necessário, que deve ser acompanhada de avanços concretos também na reforma das instituições financeiras.


A legitimidade e a efetividade dos organismos internacionais, dos organismos financeiros depende da capacidade de representar o peso de nossas economias no cenário econômico internacional. Além disso, a reforma da governança econômico-financeira mundial, ela deve ser acompanhada pela melhoria da governança política, incluindo o Conselho de Segurança da ONU.


Eu reitero a opção brasileira pela diplomacia preventiva como estratégia para reduzir o risco de conflitos armados e a perda de vidas humanas. Nosso governo, do Brasil, repudia a violência, as violações de direitos humanos e, ao mesmo tempo, é contra toda a escalada retórica de violência e toda a política de bloqueio que não seja definida no ambiente do direito internacional e das Nações Unidas.


Nós coincidimos com a urgência de solucionar pacificamente todos os conflitos armados, em especial a questão palestina, imprescindível e inadiável para a paz em toda aquela região.


Queridos colegas,


Brasileiros, russos, indianos, chineses e sul-africanos são tão diferentes em suas ricas culturas quanto iguais em seu desejo de desenvolvimento pleno. Essa diversidade é o nosso maior patrimônio. Por isso, reiterei também a meus colegas o convite para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que é um ponto em comum entre todos nós. O engajamento dos BRICS na Rio+20 vai contribuir para a construção de um novo paradigma de desenvolvimento baseado na inclusão social, no respeito ao meio ambiente e no crescimento econômico.


Muito obrigada, e espero que nós todos nos vejamos no Rio de Janeiro, em junho, nos dias 20, 21 e 22. 

MEC divulga lista dos livros que serão distribuídos às escolas em 2013


Amanda Cieglinski

Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Ministério da Educação (MEC) divulgou hoje (29) a lista das 125 obras selecionadas para o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2013. Os livros vão compor o Guia do Livro Didático, que será apresentado às escolas para que elas escolham quais títulos irão receber no próximo ano letivo. Este guia contém resenhas das coleções para ajudar na escolha.
Em 2013, o programa irá distribuir novos livros de ciências, matemática, alfabetização e letramento, língua portuguesa, história e geografia. O processo de seleção das obras que farão parte do PNLD obriga as editoras a inscrevem os títulos que são submetidos a uma avaliação pedagógica feita por universidades públicas, observando as diretrizes e critérios do MEC. Os avaliadores emitem um parecer e caso o livro seja aprovado é incluído no guia.
As escolas selecionam as obras com que desejam trabalhar no próximo ano, o governo faz a compra dos livros e os exemplares são enviados para as escolas. O processo de escolha deve levar em consideração quais são os títulos, dentre os disponíveis para 2013, que mais se adaptam ao projeto pedagógico da instituição de ensino.
A lista completa das obras está disponível no Diário Oficial da União.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Millôr Fernandes

Millôr Fernandes foi um gênio brasileiro, um ícone do humorismo. Brilhante jornalista, com a mesma maestria tornou-se escritor, cartunista e dramaturgo. Autodidata, traduziu para o português dezenas de obras teatrais clássicas. Atuou em diversos veículos de comunicação, além de ter sido fundador de publicações alternativas. Com sua morte, o Brasil e toda a nossa geração perdem uma referência intelectual.




Dilma Rousseff
Presidenta da República Federativa do Brasil


"Com a morte de Millôr Fernandes, o Brasil perde uma referência de humor refinado, criatividade e bagagem cultural. Sua vida foi um exemplo de retidão e princípios que ajudou muito na formação do pensamento democrático brasileiro".


Prefeito Gilberto Kassab






Faleceu ontem, mas só foi noticiado pela família hoje de manhã, o humorista, cartunista e escritor Millôr Fernandes. Mauricio de Sousa fez um breve depoimento sobre sua referência desde criança, que foi Millôr:

"Conheci o Millôr antes de ele ser Millôr Fernandes. Assinava Van Gogo, na revista O Cruzeiro. Eu me alimentava com as tiradas geniais, algumas que, por ser muito jovem, nem entendia. Era um humor atilado, sofisticado. Com o tempo, fui perdendo o Van Gogo e conhecendo a majestade do humor de Millôr. Nos últimos anos, acompanhei como e quando pude, aquela visão de mundo que ele nos passava. E aqui e ali, com críticas super-inteligentes, deixa um legado para a eternidade."
 Mauricio de Sousa - cartunista




Recebi, com muita tristeza, a notícia da morte do escritor e jornalista Millôr Fernandes. Como poucos, ele conseguiu mostrar seu brilhantismo em todos os gêneros em que atuou: nos desenhos, na dramaturgia, na literatura, na poesia, na tradução de clássicos mundiais e até nas breves e irônicas frases, marcadas pelo humor crítico. Seu talento único encontrou espaço tanto em grandes veículos de comunicação como na imprensa alternativa, já que foi um dos fundadores dos jornais “Pif-Paf” e “O Pasquim”. Hoje, perdemos a inteligência e a apurada visão do mundo de Millôr, mas fica sua contribuição para a cultura brasileira. 
  
Andrea Matarazzo 

Secretário de Estado da Cultura







Amigos e admiradores se despedem de Millôr

29/03/2012 - 14h04
Flávia Villela
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro – Dezenas de amigos e admiradores estiveram no velório do desenhista, jornalista, tradutor e escritor Millôr Fernandes nesta manhã (29), no Cemitério Memorial do Carmo, no Caju, zona portuária do Rio. Após as 15 horas, o corpo será cremado em cerimônia fechada.
“Foi o amor da minha vida, é tudo que posso dizer”, comentou, emocionada, a escritora Cora Rónai. “Foi a melhor pessoa que conheci, a única que posso dizer que realmente foi um gênio sem medo de achar que estou falando bobagem”.
O irmão, Hélio Fernandes, também jornalista, disse ter sido o mais antigo amigo e fã de Millôr. “Quando ele nasceu eu tinha 2 anos. Fui seu primeiro amigo. Era um gênio completo e insubstituível, um dos mais ecléticos que já conheci, pois não teve um setor que ele não descobrisse no qual não fosse verdadeiramente fantástico”.
Para o escritor Ruy Castro, os textos e ideias de Millôr sempre iluminavam uma conversa que o ajudava a compreender o Brasil e o mundo. “Todos os pensadores internacionais juntos em um liquidificador não dariam meio copo do Millôr. Era um idealista e queria que o mundo funcionasse direito”.
O cartunista Chico Caruso chamou o amigo de batalhador e competitivo e elogiou o fato de Millôr ter usado ferramentas da internet, como o Twitter, para se comunicar até o ano passado quando adoeceu. “Ele não admitia que ninguém fosse mais inteligente que ele, inclusive o computador, então ele brigou muito com o computador e se tornou um especialista”.
Segundo a atriz Marília Pêra, Millôr era um homem livre. “Não tinha time de futebol, não era ligado a nenhuma religião, era muito culto e engraçado”.
Carioca nascido em 1923, Millôr iniciou sua carreira de jornalista na revista O Cruzeiro. Mais tarde dirigiu a revista em quadrinhos O Guri e Detetive, de contos policiais e colaborou em inúmeras revistas como colunista. Traduziu vários livros e escreveu outros tantos, além de roteiros de cinema e peças de teatro, alguns premiados, como Pigmaleoa.
Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim, em 1969, e da revista Pif-Paf, em 1974, que o consolidaram como um dos jornalistas que mais combateu a ditadura militar no país por meio de textos e charges.
Na última década, trabalhou como colunista em vários jornais e revistas.
Millôr Fernandes havia recebido alta em novembro passado, após passar cinco meses internado em um hospital da zona sul do Rio, devido a um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. Ele morreu na noite de terça de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca em sua casa em Ipanema, na zona sul do Rio.
Millôr deixou dois filhos, Ivan e Paula.
Edição: Fábio Massalli

sexta-feira, 23 de março de 2012

Nota de pesar – Chico Anysio


A morte de Chico Anysio entristece a cultura. Ao longo de 65 anos de carreira, os mais de 200 personagens que criou não só trouxeram alegria aos brasileiros, como também fizeram pensar sobre os problemas políticos e sociais do país. Seu legado, no entanto, permanece, não só por meio dos registros de suas atuações em filmes e programas de TV, como na geração de atores e humoristas que influenciou diretamente. 

Andrea Matarazzo 
Secretário de Estado da Cultura







RISADARIA LAMENTA A MORTE DE CHICO ANYSIO

Os idealizadores, realizadores, curadores e artistas do Risadaria lamentam a morte do humorista Chico Anysio.
Neste momento, solidarizamo-nos com os familiares e com os milhões de fãs espalhados pelo Brasil.
O comediante foi o grande homenageado da primeira edição do festival, em 2010.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Furação: a maior torcida do Paraná


Por: Monique Silva (Furacao.com)


A mais recente pesquisa realizada para mensurar o tamanho do potencial consumidor das torcidas no País apontou, mais uma vez, a supremacia da torcida do Atlético. A pesquisa, realizada pela Pluri Consultoria, atestou que o Furacão tem a 17ª maior torcida do país, cerca de 1,2 milhão de torcedores.

Mesmo sem muitas novidades e apontando que mais de 60% dos paranaenses não torce para nenhum clube da capital, a pesquisa confirma a superioridade do Furacão, perante Coritiba e Paraná. A consulta foi realizada em janeiro deste ano em 144 cidades do Brasil e com 10.545 pessoas, com uma margem de erro de 2,4%.

Na pesquisa também é possível observar que o Estado do Paraná, considerado a quinta força futebolística do país, tem 33% da população sem nenhuma preferência clubística. É o único estado entre os oito principais do país que apresenta um nível acima da média nacional de desinteresse por algum clube.

Em 2010, segundo levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas sobre a preferência clubística no Estado do Paraná, apontou que 25% se dizem atleticanos, 15% coxas e 7% tricolores. Analisando só os números de Curitiba, o Furacão mantém a preferência no coração da galera, com 31% dos torcedores, enquanto Coritiba e Paraná aparecem, respectivamente, com 24% e 11%. 

Clique aqui para conferir tudo sobre a pesquisa da Pluri Consultoria.

Bom atendimento, bons negócios



Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br

            Eu era garoto e morávamos em Governador Valadares. Adorava ir com meu pai ao armazém onde ele fazia as compras do mês. Depois de tudo embalado e pago o proprietário sempre nos brindava com um saco recheado de deliciosas balas.
            Nas férias, em Lavras, acontecia o mesmo no armazém do “Seu” Antônio Murad, onde véu avô materno me levava a passear aos domingos. De lá nunca saiamos sem um agrado do velho libanês e um saco de guloseimas. Dele contam que para atender ao pedido de um comandante da Polícia Militar teria construído um bairro e suas casas, a Vila Murad...
            Mas, havia também comerciantes difíceis de compreender, ruins no atendimento e consequentemente no comércio, este modo de vida originário da antiguidade.
            Minha atenção sobre este fato já vem de algum tempo e aumentou com esta verdadeira guerra de supermercados na cidade de Lavras, em que as empresas disputam pela preferência de um mesmo cliente, sua fidelização, e que para isso, a qualidade no atendimento se tornou fundamental.
Os clientes tornaram-se mais exigentes e conscientes não só de seus direitos, como também das vantagens que deverão receber para prestigiar uma empresa com sua preferência e que não são, evidentemente, sacos de guloseimas.
Algumas expectativas dos clientes são primordiais e se fazem presentes em qualquer segmento de mercado.

Vejamos algumas delas:
            Os clientes desejam que os profissionais que os atendam queiram ajudá-los a atingir seus objetivos, sempre, sendo colaborativos  e estando aptos a receber propostas de melhorias para sua atividade fim e seus processos.
            Os profissionais de vendas não devem colocar seus próprios interesses acima do dos clientes.
            Que haja um comprometimento com o cliente, ao longo do tempo, mesmo quando não haja uma perspectiva de venda ou negócios a vista.
            E o que é mais fundamental: os clientes querem ter disponibilidade de acesso sempre.
            Se você, caro leitor, achou o que leu até agora simples, saiba que a quase maioria das empresas não conseguem cumpri-las integralmente.
            Por que isso ocorre? Principalmente por não terem uma “cultura” que priorize tais ações e por falta de treinamento.

            Dizem por aí, que mercê do crescimento de Lavras e de seu posicionamento como cidade polo logo teremos uma Lojas Americanas por aqui. Ou seja, outro salto na relação com os clientes. É uma empresa brasileira do segmento de varejo fundada em 1929 na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, pelo Austríaco Max Landesmann e pelos norte-americanos John Lee, Glen Matson, James Marshall e Batson Borger. Atualmente, conta com mais de 465 estabelecimentos de vendas em 22 estados do Brasil e também no Distrito Federal. É controlada por três empresários: Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, o mesmo trio que comanda a Inbev (antiga AmBev), GP Investimentos, América Latina Logística e outros grupos. É uma grande loja de departamento, cuja rede comercializa mais de 80 mil itens de quatro mil empresas diferentes. Através do programa de expansão “Sempre Mais Brasil”, que prevê a abertura de lojas em todos os estados brasileiros até 2013, a rede pretende se tornar a primeira empresa varejista com presença em todo o território nacional.

            Com ela deve crescer esta política de atendimento ao cliente e a meritocracia, que é o sistema onde o mérito pessoal determina a hierarquia.
            Estaremos preparados para tantas novidades?
            Espero que sim. E que os que chegam ou pretendem prosperar lembrem-se que a prata da terra da publicidade/mídia pode dar melhores resultados que as grandes agências das capitais...
            E tenho a lembrança que na década de 60 a Lojas Americanas de Belo Horizonte tinha um sorvete, a Banana Split, inesquecível...

“cara-crachá”

O bordão humorístico “cara-crachá”, do porteiro interpretado por Paulo Silvino, indica que a função dele é controlar o acesso à empresa.
Talvez esse personagem não tenha a exata noção do poder que lhe é dado, pois ele poderia barrar até o dono, se este não portasse o crachá!
Poderoso ele, hein? E, em alguns casos, pode estar armado e com “licença para atirar”!
No entanto, normalmente ele só pararia o chefe se não o reconhecesse e sequer exigiria que ele pusesse o crachá. No máximo, lembraria educadamente das normas de segurança.
Regra com exceções informais?
Bem, também haveria o caso das senhoras elegantemente trajadas, que consideram o crachá antiestético... E como há marmanjos que se “derretem” facilmente, estes aceitarão sorrisos “identificadores” ou permitirão até que portem o crachá na bolsa...
O crachá é ótimo para identificação, tanto que empresas e eventos o usam. No caso de corporativo, o cartão eletrônico reduz a intervenção desses profissionais.
Já no caso de prédios residenciais, a interação com os porteiros é primordial, pois gera confiança e segurança.
É uma função importante, para a qual a pessoa deve ser preparada, inclusive psicologicamente, para atuar com eficiência e cordialidade.
Como em qualquer área, no entanto, há os que extrapolam, quem sabe para compensar frustrações ou limitações pessoais, descarregando seu ressabio em terceiros, como ocorreu com um amigo:
Seu crachá havia soltado do suporte e ele o portava na mão. Assim o exibindo, ele passou sem problemas por duas portarias. Ao passar pela terceira, de controle de veículos por outra entrada, seu ocupante, ao vê-lo com o identicação na mão, saiu da guarita para exigir que ele a prendesse no cordão. Educadamente, meu amigo informou do problema, mas o funcionário foi grosseiro, insistindo para que ele “desse um jeito”.
Posteriormente, meu amigo precisou pegar a chave de um carro nessa guarita, onde havia dois funcionários, inclusive o mencionado indivíduo.
Meu amigo se dirigiu ao outro, mais próximo, para pedir-lhe a chave, mas foi informado de que ela não estava lá. O “cara-crachá” se intrometeu de forma deselegante, perguntando: “Qui carro qui tu qué?”.
Meu amigo ignorou a intervenção grosseira, mesmo porque o outro já identificara a localização da chave. Agradeceu e seguiu seu caminho...
É lógico que é preciso relevar certas atitudes, para evitar problemas. Afinal, diz o ditado: “Quando um não quer dois não brigam”. Mas não podemos esquecer que a importância ou ascendência de nossas funções, quaisquer que sejam, não nos autoriza a abusar delas.
É fundamental que quem atua em contato com o público seja treinado e orientado para cumprir seu papel de forma adequada!
Caso contrário, a falha não será apenas de quem está lá, mas também – e muito! – de quem o colocou o “cará-crachá” lá...

Curiosidade: em francês, crachat significa “cuspida”. Em outros idiomas, seus termos equivalentes são: badge (inglês e francês), distintivo, insígnia e divisa, entre outros

terça-feira, 20 de março de 2012

Arquitetura, Porto Alegre e Barcelona



                 Fermín Vázquez*

Toda pessoa que veja o Museu Iberê Camargo de Porto Alegre, projetado pelo genial Álvaro Siza, dar-se-á conta, imediatamente, de estar ante magistral obra arquitetônica e um edifício extraordinariamente bem construído, a partir de um pressuposto superior ao de um prédio convencional. Porém, a efetiva razão de sua qualidade é que ela advém da atitude das pessoas que participaram do processo.
Em recente conversa com o arquiteto José Luiz Canal, responsável por sua impecável execução, ele confirmou algo que se deve esperar no Brasil e em qualquer lugar: o custo de construir bem não é necessariamente superior ao de construir mal. Uma arquitetura bem projetada e bem edificada não só pode ser menos onerosacomo mais econômica e socialmente muito rentável.
Barcelona é um bom exemplo nesse aspecto da qualidade, que pode ser útil neste momento em que o Brasil realiza grandes obras para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.  Considero bastante positiva a aposta que a cidade espanhola fez na planificada transformação estratégica e de qualidade. Todo o conceito de urbanismo que permeou sua transformação nasceu com o trabalho de Cerdá para a primeira expansão (Eixample) da cidade, onde a insistência na qualidade tem sido promovida e apoiada nas últimas décadas pela administração pública e a sociedade.
Tão inspiradora quanto o caso de Barcelona é a experiência do Cais Mauá de Porto Alegre, no Rio Grande doSul, que recupera para a cidade uma área pública de muita importância para a sua transformação e que fará com que o centro entre em contato com o cais do rio Guaíba.  A capital gaúcha aproveita inteligentemente a circunstância de ser sede da Copa do Mundo para potencializar a capacidade regeneradora de uma operação urbana.
         A reincorporação ao centro da cidade de um terreno inacessível até agora para os cidadãos é o objetivo fundamental do projeto. A nossa proposta para a transformação do porto, juntamente com o grande arquiteto brasileiro Jaime Lerner, foi feita para uma concessão, mas pensando exclusivamente no interesse público, criando um pedaço de cidade para todos e pensando acima de tudo no futuro. Esperamos que a evidente priorização do interesse público, a profunda reflexão sobre a multiplicidade de atividades, o desenho dos novos edifícios e a proteção do patrimônio façam do Cais de Mauá uma nova referência de revitalização de frente portuária capaz de superar, se não em volume, ao menos em qualidade conceitual e arquitetônica ao não muito distante e bem-sucedido exemplo do Porto Madero, na Argentina.
Impressiona a alguém, como eu, que tenha trabalhado em muitos projetos similares na Espanha, onde com frequência as transformações políticas tornam impossíveis projetos importantes, o quanto em Porto Alegre todos os órgãos públicos alinharam-se, independentemente da sua orientação político-partidária, para não perder uma oportunidade excepcional. Assim, em poucos meses deverão ser iniciadas obras de um projeto que recorda algumas das transformações de Barcelona dos últimos anos, a começar pelo essencial apoio popular.

*Fermín Vázquez é diretor da b720 Arquitectos, com escritórios na Espanha (Barcelona e Madri) e no Brasil.

Ricardo Teixeira renuncia ao cargo de membro do Comitê Executivo da Fifa

Da BBC Brasil
Brasília - Uma semana depois de ter deixado a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o comitê local de organização da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira renunciou hoje (19) ao cargo de membro do Comitê Executivo da Federação Internacional de Futebol (Fifa).
Em carta enviada à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Teixeira alegou motivos pessoais para a renúncia, "em caráter irrevogável". Ele ocupava o cargo desde 1994.
Teixeira deixou a CBF e a organização do Mundial em 12 de março, após ter sido alvo de críticas sobre sua gestão e de divergências com o governo de Dilma Rousseff.

Provinha Brasil vai mudar para que o MEC possa avaliar a qualidade da alfabetização de crianças

Da Agência Brasil
Brasília – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, anunciou hoje (19) em encontro com empresários em São Paulo que irá mudar o atual modelo da Provinha Brasil, para que sirva de instrumento para aferir a alfabetização de crianças até 8 anos de idade. A avaliação é aplicada desde 2008 aos alunos do 2º ano do ensino fundamental e serve como diagnóstico para o próprio professor identificar o nível de alfabetização dos estudantes. Mas, até hoje, os resultados do exame não são divulgados e o MEC não tem controle sobre esse indicador.
A nova Provinha Brasil será ponto central do programa Alfabetização na Idade Certa, que o ministério pretende lançar em breve. De acordo com o ministro, o objetivo é garantir que todas as crianças sejam alfabetizadas até os 8 anos. Para isso, será necessário estabelecer parcerias com as rede municipais de ensino, responsáveis pelas escolas de educação básica. Mercadante disse que as mudanças serão aplicadas na edição de 2013.
Iniciativa semelhante já foi feita pelo Movimento Todos pela Educação que, em 2011, aplicou a primeira edição da Prova ABC. Em caráter amostral, o exame apontou que mais de 40% dos alunos que concluíram o 3° ano do ensino fundamental não tinham a capacidade de leitura esperada para esse nível de ensino.
Edição: Vinicius Doria

segunda-feira, 19 de março de 2012

MinC indica o MAM para a proponência da 30ª Bienal de São Paulo


Ministério da Cultura

NOTA DE ESCLARECIMENTO
MinC indica o MAM para a proponência da 30ª Bienal de São Paulo
Pautado pelo interesse público, o Ministério da Cultura (MinC) vem se empenhando para viabilizar a continuidade da Bienal de São Paulo, um evento cultural existente desde 1951, notoriamente reconhecido pela sua grande importância no cenário artístico do País, o que repercute também no cenário externo, onde se situa como um dos principais acontecimentos da agenda internacional das artes visuais.
No entanto, a Fundação Bienal de São Paulo (FBSP), tradicional realizadora do evento, encontra-se inadimplente em função de projetos de anos anteriores em situação de Tomada de Contas Especial (TCE), junto à Controladoria Geral da União. Os processos em questão tiveram suas prestações de contas reanalisadas pelo MinC, por determinação desta CGU, emitida em julho de 2009, quando este Ministério deu ciência à atual Diretoria da FBSP.
Tendo em vista que a Fundação Bienal de São Paulo (FBSP) encontra-se impedida de operar os recursos de incentivo fiscal da Lei nº 8.313/1991 (Rouanet), o MinC buscou uma solução para tornar exequível a 30ª Edição da Bienal de São Paulo, prevista para ocorrer no segundo semestre deste ano. Tal solução não acarretará interrupção dos processos de prestação de contas em apuração.
Por meio de sua Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura (Sefic), elaborou a Nota Técnica nº 0116/2012, em 16 de fevereiro de 2012, propondo a alteração de proponente, para uso dos recursos de incentivo à cultura. A Nota Técnica foi analisada pela Consultoria Jurídica do MinC, órgão da Advocacia Geral da União, o que resultou no Parecer nº 133/2012, de 22 de fevereiro de 2012, favorável à troca de proponente, o que deverá ocorrer nos limites da lei.
Para essa substituição, foram convidadas três instituições com sede no Estado de São Paulo, detentoras de comprovada capacidade técnica, de experiência na gestão de projetos na área da arte contemporânea, com alcance nacional e internacional, e de experiência na execução de projetos com benefícios da Lei Federal de Incentivo à Cultura: o Instituto Tomie Ohtake, o Museu de Arte Moderna (MAM) e a O.S. Pinacoteca do Estado de São Paulo. Das três instituições, duas responderam positivamente ao convite do MinC. A Pinacoteca declinou tendo em vistas características estatutárias impeditivas.
A fim de dar segurança jurídica ao ato, MinC está preparando um Termo de Ajustamento de Conduta, em conjunto com a Advocacia Geral da União (AGU), que permita a alteração de proponente dos projetos “Projeto Curatorial da 30ª Bienal de São Paulo - PRONAC 10-11262” e ¨30ª Bienal de São Paulo - PRONAC11-9340”.
Para decidir pelo novo proponente, as equipes técnicas do MinC realizaram uma série de encontros com as instituições convidadas e com a FBSP.
Apesar de ter sido constatada a competência de ambas as instituições, deliberou-se pela maior tradição do Museu de Arte Moderna, pesando inclusive o fato dessa instituição ter sido a realizadora das primeiras edições da Bienal.
Assessoria de Comunicação do Ministério da Cultura

sexta-feira, 16 de março de 2012

Novo exame diagnostica crianças com dificuldade de fala


Por Paloma Rodrigues - paloma.rodrigues@usp.br 
Crianças com deficiência na fala podem realizar o novo exame
Um novo exame permite que crianças com problemas na percepção e processamento de informações auditivas possam ser precocemente diagnosticadas, mesmo quando não possuem recurso de fala ou o apresentem de maneira prejudicada. O método foi desenvolvido nos Estados Unidos há cerca de dez anos e acaba de ser validado no Brasil pela pesquisadora Caroline Nunes Rocha Muniz, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). “Foi importante conseguir trazer este equipamento para o Brasil e testá-lo em crianças brasileiras. Ele se mostrou ser um exame eficiente e sensível, que pode ser aplicado em qualquer parte do mundo, pois são ondas elétricas cerebrais em resposta a estímulos”, diz Caroline.
O equipamento para realizar o exame foi importado com o auxílio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e se encontra no laboratório de investigação fonoaudiológica em processamento auditivo da FMUSP.
O estudo Processamento de sinais acústicos de diferentes complexidades em crianças com alteração de percepção da audição ou da linguagem foi realizado no Centro de Docência e Pesquisa em Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da FMUSP, no Laboratório de Investigação Fonoaudiológica em Processamento Auditivo. A tese foi defendida em 2011 e orientada pela professora Eliane Schochat.
Exame
Para validar o exame, Caroline selecionou 75 crianças, com idades entre 6 e 12 anos. Elas foram divididas igualmente em grupos de “crianças normais”, que não apresentam nenhuma dificuldade de fala;  “crianças com Distúrbio Específico de Linguagem”, que apresentam alterações no desenvolvimento de linguagem, sem possuir nenhuma causa ou razão aparente; e “crianças com Transtorno de Processamento Auditivo”, que possuem audição normal, mas apresentam dificuldades em perceber e processar sons, em compreender a fala na presença de ruídos, têm dificuldade em concentrar-se em uma informação e podem apresentar problemas escolares, como na escrita e na leitura, por exemplo.
Todas foram submetidas aos mesmos testes, que consistiam na exposição a ruídos e a diferentes estímulos, como cliques e o som de fala (sílaba /da/). Essa exposição acontecia por meio de fones de ouvidos e a captação da resposta era feita pelos eletrodos, colocados em pontos específicos da cabeça dos pacientes.
No primeiro teste, chamado supressão das emissões otoacústicas, as crianças ouviam um estímulo em uma orelha e um ruído na outra. O cérebro libera uma série de ondas em resposta a esses sinais e, dependendo da forma que o cérebro processa esses sons, é possível monitorar o padrão das respostas. “O cérebro é bastante fiel àquilo que ouve. Ele reproduz perfeitamente aquilo que conseguiu ouvir através de ondas. Dessa forma, eu podia comparar o quadro de ondas de sons emitidos para a criança e a resposta que o cérebro delas deu àquilo. Por isso, pudemos ter a noção de como os sons de fala estavam sendo codificados pelas crianças”, explica Caroline.
Quando se tratava de crianças normais, os dois quadros de ondas eram extremamente similares, as ondas do som e as ondas de resposta do cérebro. Já quando havia alguma alteração na audição, certos pontos divergiam entre os quadros de ondas. “Os dois grupos que apresentavam alguma deficiência mostraram problemas da decodificação dos sons. Os picos de ondas não se pareciam com o pico de ondas das crianças com desenvolvimento normal, por exemplo”.
Diagnóstico
Ao contrário da metodologia tradicional, esse exame permite que crianças com extrema dificuldade de fala fala, linguagem e percepção auditiva sejam mais precocemente diagnosticadas. O processo usual consistia na percepção que os pacientes diziam ter do que tinham ouvido, era uma observação comportamental deles durante a realização dos testes. “Agora nós podemos fazer um estudo eletrofisiológico, por meio das respostas elétricas que o cérebro do paciente emitiu. Nesse caso, não precisamos da resposta comportamental do paciente, por isso o exame pode ser realizado em pacientes com dificuldades ou não de se comunicar”.
O novo equipamento permite colocar as crianças em grupos mais específicos. “Alguns desvios de fala não necessariamente tem a ver com problemas auditivos. Há uma série fatores que podem influenciar essas alterações e é importante saber onde eles se encontram, da maneira mais específica possível”, explica Caroline.
O exame poder ser feito em qualquer parte do mundo, por não variar de acordo com a língua da população. Além disso, ele também pode ser aplicado antes mesmo do paciente aprender a falar. “Futuramente, podemos realizar os testes em bebês, apenas monitorando os sinais de codificação neural que eles emitem. Assim, um trabalho fonoaudiológico já poderia começar a ser desenvolvido, de modo a impedir a evolução da deficiência”.
Mais informações: email carolrocha@usp.br, com Caroline Nunes Rocha Muniz 

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