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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Artigo: Os benefícios da Gestão do conhecimento para as organizações


OS BENEFÍCIOS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA AS ORGANIZAÇÕES

Por Sonia Wada*
Imagem Divulgação
Sonia Wada é diretora-presidente da SBGC
 
Práticas de gestão do conhecimento não são apenas modismos da administração moderna. Não é de hoje que as empresas já a utilizam como ferramental de capacitação profissional. Temos inúmeros exemplos de mestres que passam os ofícios de sua profissão a seus aprendizes, desde os grandes mestres da arte como Da Vinci ao um simples carpinteiro em sua oficina rudimentar.
A economia mundial já viveu vários ciclos marcados pelas revoluções Agrícola e Industrial e, mais recentemente, pela Revolução da Informação. Na Revolução Agrícola, o poder político e econômico baseava-se na posse da terra. Já na Revolução Industrial, o determinante era o capital financeiro. Nela, passamos pela eras da produção em massa, da eficiência, da qualidade, da competitividade. Agora, em plena Era da Informação o que pesa é o conhecimento.
O saber e o aprender sempre foram as molas propulsoras da humanidade. Dados, informações e conhecimentos sempre existiram em todas as organizações, sejam elas do primeiro, segundo ou terceiro setor. O que há de novo nesse processo é entender o conhecimento como capital intelectual ativo das instituições. Saber geri-lo, conservá-lo, disseminá-lo, combiná-lo, criar e aplicar o conhecimento é fundamental para obter sustentabilidade e vantagem competitiva, por meio de melhorias, inovação e aumentando a qualidade de vida das pessoas, nesse mundo de constantes mudanças. Por isso é necessário que os gestores estejam abertos à criação de um ambiente favorável ao apoio de práticas que levem à formação de mais conhecimento, permitindo a captura e o filtro desse saber por meio de processos, métodos, práticas, ações e de sistemas internos de compartilhamento entre seus parceiros.
A grande questão é: onde está armazenado todo esse conhecimento? Ele está em toda parte, na cabeça das pessoas. É o conhecimento tácito, ou seja, aquele que foi formado pela vivência e pela interpretação e pela aplicação constante de dados e informações. Como transformar esse saber em conhecimento explícito, aquele que pode ser formalizado, armazenado, transportado, utilizado e mensurado? Somente com o gerenciamento de todo esse capital intelectual coletivo. Daí a necessidade da gestão do conhecimento!
Com a velocidade das transformações e a atual complexidade dos desafios, ganhar longevidade nesse mercado inconstante não é tarefa fácil. Empreendimentos públicos e privados devem antecipar suas estratégias aos fatos, precisam ser pró-ativos em suas decisões e reinventar-se a cada dia.
O que garante a segurança na tomada de decisões é a disponibilidade de todas as informações e conhecimentos possíveis. Quando esse capital intelectual está inacessível, disperso ou desorganizado, o futuro torna-se temeroso, incerto. A gestão do conhecimento veio em auxílio dos empreendedores no desenvolvimento de soluções relacionadas à competitividade e inovação nas empresas.
O cerne da gestão do conhecimento é justamente preocupar-se com a organização do conhecimento humano para que esse possa ser usado de maneira inteligente, gerando mais valor e aumentando o desempenho e a vantagem competitiva. Cabe à GC (Gestão do Conhecimento) criar, identificar, recolher, organizar, armazenar, integrar, partilhar, difundir, transferir, socializar, usar e explorar toda informação, filosofia, política, cultura, valores, normas, procedimentos, rotinas, processos, práticas e experiências dos colaboradores.
Muitos profissionais, com seus saberes individuais, deixam de trocar experiências entre si, impossibilitando o encontro de soluções na base da pirâmide e impedindo a implementação de uma boa gestão do conhecimento. Apoiada na participação ativa da alta administração, a GC coloca todos trabalhadores em contato constante, criando comunidades de aprendizado mútuo, disponibilizando a informação, na hora e no lugar acessível para cada necessidade, evitando retrabalho e sem duplicidade de esforços.
A gestão do conhecimento estimula os indivíduos a buscarem e compartilharem seu capital intelectual, de acordo com suas habilidades, por meio de ferramentas criadas para esse fim como, por exemplo, redes internas, portais, conversas informais, grupos de trabalho, lições aprendidas, comunidades de práticas, assistência a colegas, análise de rede social, colaboração em rede, narrativas, educação corporativa, inteligência nos negócios, processo de criação e inovação e gestão de intangíveis. O resultado se materializa na aplicação desses saberes cotidianos no ambiente de trabalho.
Os benefícios são inúmeros tanto para a pequena empresa como para as gigantes multinacionais e até governos e o melhor: está disponível para qualquer tipo de empreendimento. Basta vontade de crescer e aprender sempre. Em primeiro lugar, as instituições ganham agilidade e mais capacidade de resposta aos problemas imediatos, tornam-se mais competitivas e rentáveis. Os trabalhadores, por sua vez, sentem-se valorizados e motivados. Isto aumenta o seu rendimento produtivo, auxilia no desenvolvimento de competências e facilita a comunicação entre os pares. Esses perdem o medo natural de compartilhar ideias geradoras de inovação e de enfrentar novos desafios. Além disso, a GC também propicia conscientização do pessoal em torno do negócio, criando e aplicando o conhecimento em novos produtos, nos processos, na execução de tarefas para atingir a excelência operacional, no atendimento ao consumidor etc. Tudo isso agrega valor à organização.
Para as empresas, a GC melhora a capacidade de atrair profissionais comprometidos com resultados de longo prazo, com conhecimentos e habilidades diversas, gera empregabilidade, diminui a rotatividade, estimula a criatividade e a vontade constante de aprendizado. Otimiza, ainda,  os processos internos e os fluxos de trabalho. Desta forma, a gestão do conhecimento gera valor às organizações, diferenciando-as das demais.  Propicia um melhor aproveitamento do conhecimento já existente, contribui para a redução de custos, para o aumento de competitividade e receita. Também  os investimentos em capacitação profissional acabam por retornar mais rapidamente.
A agilidade nas respostas e o comprometimento são notados pelos clientes que percebem a sensível melhora no atendimento e na qualidade dos serviços, ou seja, quando uma decisão é tomada com mais segurança, rapidez e competência há uma melhor obtenção de resultados percebidos. Outra vantagem é conhecer os pontos fortes e fracos da organização para buscar a correção de rumos e a melhoria contínua.
Invariavelmente, empreendimentos bem sucedidos são aqueles nos quais a gestão do conhecimento faz parte do ambiente e de sua cultura organizacional. Em outras palavras, faz parte do seu DNA, isto é, está intrínseca nos processos, sistemas, comportamento e valores. São aqueles que utilizam a GC como recurso estratégico para gerar vantagem competitiva e aumentar o valor de mercado. São os que incorporam essa inteligência coletiva à tecnologia, atendimento, produtos e serviços. Exemplos não faltam, Apple, IBM, MPX, Tetrapak, Natura, Correios, Petrobras, Vale, entre muitas outras. Essas empresas já entenderam que o conhecimento é um gerador de riquezas, é um fator fundamental para mantê-las competitivas no mercado, fortalecer suas competências e melhorar seu desempenho. Esse capital não tem preço, portanto, não pode ser negociado!


*Sonia Wada é pesquisadora, formada em Biblioteconomia e Documentação pela ECA/USP, especialista em informação tecnológica e gestão do conhecimento e mestre em Inteligência Competitiva. Atualmente é diretora presidente da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br) e do KM Brasil 2012 – Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento que acontece em agosto, em São Paulo. E-mail: linksbgc@linkportal.com.br



Artigo: Os benefícios da Gestão do conhecimento para as organizações


OS BENEFÍCIOS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA AS ORGANIZAÇÕES

Por Sonia Wada*
Imagem Divulgação
Sonia Wada é diretora-presidente da SBGC
 
Práticas de gestão do conhecimento não são apenas modismos da administração moderna. Não é de hoje que as empresas já a utilizam como ferramental de capacitação profissional. Temos inúmeros exemplos de mestres que passam os ofícios de sua profissão a seus aprendizes, desde os grandes mestres da arte como Da Vinci ao um simples carpinteiro em sua oficina rudimentar.
A economia mundial já viveu vários ciclos marcados pelas revoluções Agrícola e Industrial e, mais recentemente, pela Revolução da Informação. Na Revolução Agrícola, o poder político e econômico baseava-se na posse da terra. Já na Revolução Industrial, o determinante era o capital financeiro. Nela, passamos pela eras da produção em massa, da eficiência, da qualidade, da competitividade. Agora, em plena Era da Informação o que pesa é o conhecimento.
O saber e o aprender sempre foram as molas propulsoras da humanidade. Dados, informações e conhecimentos sempre existiram em todas as organizações, sejam elas do primeiro, segundo ou terceiro setor. O que há de novo nesse processo é entender o conhecimento como capital intelectual ativo das instituições. Saber geri-lo, conservá-lo, disseminá-lo, combiná-lo, criar e aplicar o conhecimento é fundamental para obter sustentabilidade e vantagem competitiva, por meio de melhorias, inovação e aumentando a qualidade de vida das pessoas, nesse mundo de constantes mudanças. Por isso é necessário que os gestores estejam abertos à criação de um ambiente favorável ao apoio de práticas que levem à formação de mais conhecimento, permitindo a captura e o filtro desse saber por meio de processos, métodos, práticas, ações e de sistemas internos de compartilhamento entre seus parceiros.
A grande questão é: onde está armazenado todo esse conhecimento? Ele está em toda parte, na cabeça das pessoas. É o conhecimento tácito, ou seja, aquele que foi formado pela vivência e pela interpretação e pela aplicação constante de dados e informações. Como transformar esse saber em conhecimento explícito, aquele que pode ser formalizado, armazenado, transportado, utilizado e mensurado? Somente com o gerenciamento de todo esse capital intelectual coletivo. Daí a necessidade da gestão do conhecimento!
Com a velocidade das transformações e a atual complexidade dos desafios, ganhar longevidade nesse mercado inconstante não é tarefa fácil. Empreendimentos públicos e privados devem antecipar suas estratégias aos fatos, precisam ser pró-ativos em suas decisões e reinventar-se a cada dia.
O que garante a segurança na tomada de decisões é a disponibilidade de todas as informações e conhecimentos possíveis. Quando esse capital intelectual está inacessível, disperso ou desorganizado, o futuro torna-se temeroso, incerto. A gestão do conhecimento veio em auxílio dos empreendedores no desenvolvimento de soluções relacionadas à competitividade e inovação nas empresas.
O cerne da gestão do conhecimento é justamente preocupar-se com a organização do conhecimento humano para que esse possa ser usado de maneira inteligente, gerando mais valor e aumentando o desempenho e a vantagem competitiva. Cabe à GC (Gestão do Conhecimento) criar, identificar, recolher, organizar, armazenar, integrar, partilhar, difundir, transferir, socializar, usar e explorar toda informação, filosofia, política, cultura, valores, normas, procedimentos, rotinas, processos, práticas e experiências dos colaboradores.
Muitos profissionais, com seus saberes individuais, deixam de trocar experiências entre si, impossibilitando o encontro de soluções na base da pirâmide e impedindo a implementação de uma boa gestão do conhecimento. Apoiada na participação ativa da alta administração, a GC coloca todos trabalhadores em contato constante, criando comunidades de aprendizado mútuo, disponibilizando a informação, na hora e no lugar acessível para cada necessidade, evitando retrabalho e sem duplicidade de esforços.
A gestão do conhecimento estimula os indivíduos a buscarem e compartilharem seu capital intelectual, de acordo com suas habilidades, por meio de ferramentas criadas para esse fim como, por exemplo, redes internas, portais, conversas informais, grupos de trabalho, lições aprendidas, comunidades de práticas, assistência a colegas, análise de rede social, colaboração em rede, narrativas, educação corporativa, inteligência nos negócios, processo de criação e inovação e gestão de intangíveis. O resultado se materializa na aplicação desses saberes cotidianos no ambiente de trabalho.
Os benefícios são inúmeros tanto para a pequena empresa como para as gigantes multinacionais e até governos e o melhor: está disponível para qualquer tipo de empreendimento. Basta vontade de crescer e aprender sempre. Em primeiro lugar, as instituições ganham agilidade e mais capacidade de resposta aos problemas imediatos, tornam-se mais competitivas e rentáveis. Os trabalhadores, por sua vez, sentem-se valorizados e motivados. Isto aumenta o seu rendimento produtivo, auxilia no desenvolvimento de competências e facilita a comunicação entre os pares. Esses perdem o medo natural de compartilhar ideias geradoras de inovação e de enfrentar novos desafios. Além disso, a GC também propicia conscientização do pessoal em torno do negócio, criando e aplicando o conhecimento em novos produtos, nos processos, na execução de tarefas para atingir a excelência operacional, no atendimento ao consumidor etc. Tudo isso agrega valor à organização.
Para as empresas, a GC melhora a capacidade de atrair profissionais comprometidos com resultados de longo prazo, com conhecimentos e habilidades diversas, gera empregabilidade, diminui a rotatividade, estimula a criatividade e a vontade constante de aprendizado. Otimiza, ainda,  os processos internos e os fluxos de trabalho. Desta forma, a gestão do conhecimento gera valor às organizações, diferenciando-as das demais.  Propicia um melhor aproveitamento do conhecimento já existente, contribui para a redução de custos, para o aumento de competitividade e receita. Também  os investimentos em capacitação profissional acabam por retornar mais rapidamente.
A agilidade nas respostas e o comprometimento são notados pelos clientes que percebem a sensível melhora no atendimento e na qualidade dos serviços, ou seja, quando uma decisão é tomada com mais segurança, rapidez e competência há uma melhor obtenção de resultados percebidos. Outra vantagem é conhecer os pontos fortes e fracos da organização para buscar a correção de rumos e a melhoria contínua.
Invariavelmente, empreendimentos bem sucedidos são aqueles nos quais a gestão do conhecimento faz parte do ambiente e de sua cultura organizacional. Em outras palavras, faz parte do seu DNA, isto é, está intrínseca nos processos, sistemas, comportamento e valores. São aqueles que utilizam a GC como recurso estratégico para gerar vantagem competitiva e aumentar o valor de mercado. São os que incorporam essa inteligência coletiva à tecnologia, atendimento, produtos e serviços. Exemplos não faltam, Apple, IBM, MPX, Tetrapak, Natura, Correios, Petrobras, Vale, entre muitas outras. Essas empresas já entenderam que o conhecimento é um gerador de riquezas, é um fator fundamental para mantê-las competitivas no mercado, fortalecer suas competências e melhorar seu desempenho. Esse capital não tem preço, portanto, não pode ser negociado!


*Sonia Wada é pesquisadora, formada em Biblioteconomia e Documentação pela ECA/USP, especialista em informação tecnológica e gestão do conhecimento e mestre em Inteligência Competitiva. Atualmente é diretora presidente da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br) e do KM Brasil 2012 – Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento que acontece em agosto, em São Paulo. E-mail: linksbgc@linkportal.com.br



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

OS MERCADORES DO TEMPLO



Como Deus, a fé e a crença são usados para ganhar dinheiro. Como a fé
é comercializada.

Como os “criadores de milagres” vendem a promessa de uma pseudo-
prosperidade. Como o crente é usado para o enriquecimento dos
vendedores de milagres.

Um livro que revela a verdadeira natureza da crença, da fé e da
espiritualidade.

PARA ADQUIRIR O LIVRO ACESSE:
http://www.agbook.com.br/book/33692--OS_MERCADORES_DO_TEMPLO

NOSSO LAR: O UMBRAL KARDECISTA



NOSSO LAR : O UMBRAL KARDECISTA

Os evangélicos costumam colocar o kardecismo na mesma esfera de
práticas teurgícas como o candoblé e a umbanda. Isto denota uma
profunda ignorância e contribui com o preconceito e a intolerância em
relação a estes. Antes de tudo, nenhuma intolerância pode representar
a vontade divina, seja contra kardecistas, umbandistas e ou seguidores
do candomblé, pois, a intolerância só gera ódio, conflito e desamor e
isto está muito distante de algum princípio divino e humano digno.

Quem conhece a prática beneficente e altruístas dos kardescistas não
pode deixar de se comover. Sem dúvida, um dos maiores humanistas que o
Brasil, por exemplo, conheceu nos últimos tempos fora o grande Chico
Xavier.

Enfim, o kardecismo merece o maior respeito e admiração. Afinal, o
espiritismo kardecista tem contribuído para o refinamento de seus
membros e na disseminação da bondade.

No entanto, em relação a verdadeira busca espiritual o kardecismo está
completamente contaminado de fragrantes e enormes equívocos.
O kardecismo se pretende filosofia, mas filosoficamente apresenta
erros básicos. O kardecismo se pretende ciência, contudo, está
recheado de superstições. Enfim, o kardecismo nem contém filosofia e/
ou ciência.

Ele está baseado em meras crenças e, assim, o kardecismo não passa de
uma religião. O kardecismo não é uma via de conhecimento, mas de
crença, como toda e qualquer religião conhecida.

Num exame simples constatamos os graves equívocos do kardecismo. Na
verdade, na busca mística o kardecismo representa um umbral, um
empecilho que atrapalha a vida de muitos buscadores, já que estes
costumam confundir uma prática com a outra.

Por exemplo, o tempo e o espaço são frutos de nossa consciência
objetiva, ou seja, de nossos cinco sentidos físicos (visão, audição,
tato, paladar e olfato). Evidentemente, a apreensão (ou existência) do
tempo e espaço está condicionada ao mundo físico através destes nossos
sentidos. Há quem afirme que, em virtude disto, vivemos mergulhados
num mundo de ilusões já que nossos sentidos físicos estão limitados a
este mundo material e, portanto, não podem apreender a transcendência
da criação e de planos mais elevados (de consciência).

Lógico, portanto, que ao fazermos a transição, ou seja, ao morrermos,
perdemos os nossos sentidos físicos e, consequentemente, perdemos
qualquer apreensão do tempo e espaço. Assim, evidentemente, nos planos
espirituais não existem tempo e espaço, ou seja, ninguém é velho ou
moço (não tem idade cronológica e biológica). Nos planos espirituais
não há a passagem de tempo (tantos anos, meses, etc). Não existe
consciência objetiva nestes planos e, portanto, não há apreensão de
passagem de tempo. Numa simples(?) meditação já perdemos a noção de
tempo e espaço ao conseguirmos transcender os nossos sentidos físicos,
ou seja, nossa consciência objetiva.

De fato, a maioria dos mortos sequer sabe que esta morta (ou que
existe). Vive num estado de dormência. É por esta razão que
necessitamos encarnar para pudermos despertar a consciência. Ou
melhor, precisamos morrer conscientes. Este estado é chamado de
iluminação. Sedo assim, os falecidos não interferem e não podem
interferir no mundo físico porque boa parte não sabe de sua condição,
segundo, que não podem interferir com a Lei Cármica (de causa e
efeito), mudando completamente a vida de alguém encarnado.

Por que precisamos encarnar? Um castigo? Um castigo cármico, tipo
punição?

Precisamos encarnar porque só através do tempo e do espaço a nossa
consciência se move e, portanto, pode evoluir. Ou seja, não encarnamos
por castigo, mas pelo privilégio de termos a oportunidade de
crescimento. É por esta razão que devemos agradecer diariamente a
oportunidade que o cósmico nos está dando.

Não existem ações nos planos espirituais. A ação só pode ocorrer no
tempo e espaço e como o tempo e o espaço são noções de nossa
consciência objetiva (de nossos sentidos físicos), ela não existe nos
planos espirituais. A ação só existe no mundo material, manifesto.
Qualquer crença contrária é tão-somente uma crença e não passa disto.

Ao morrermos nossa consciência enfrenta seus medos. A este momento
chamamos de umbral. Os nossos medos estão atrelados aos maiores
equívocos. Precisamos vencer nossos medos e o fazemos através do
conhecimento. E, um dos maiores equívocos que nos prendemos são as
superstições. Temos medo de coisas que não existem. Não nos elevamos
simplesmente porque somos prisioneiros destes equívocos. Assim, muitas
vezes não avançamos porque não nos libertamos de nossas crenças.
Precisamos retornar para abrirmos a nossa consciência.

Como afirmou Hermes Trimesgistos: “assim como é em cima, é embaixo.
Assim como é embaixo, é em cima”. Mas, óbvio que ele não estava
afirmando que a vida pós-morte, por exemplo, é igual a vida material.
Esta idéia são fantasias que transferimos ao idealizarmos uma vida
além. Hermes, na verdade, fala em seu axioma das Leis. Assim como
visualizamos em nossa mente, assim será em nosso mundo físico,
manifesto. Os princípios herméticos, um grande guia na jornada
espiritual, através do autoconhecimento, é um dos primeiros livros
conhecidos escrito pelo homem que expõe detalhadamente as Leis pelas
quais o universo se manifesta. Reconhece aí, portanto, uma
inteligência primeira criadora das Leis Universais contrárias ao caos.
Posteriormente, o grande filósofo grego Pitágoras chamará esta
inteligência de Grande Arquiteto do Universo, reconhecendo existir uma
estrutura precisa na criação.

Alguns argumentam, no entanto, que este raciocínio é muito “lógico”,
cartesiano e, portanto, limitado. Mas, não existe nada mais LÓGICO que
Deus e suas Leis.

Para se afirmar que um determinado conhecimento contém ciência, que
seja ciência é necessário que este conhecimento não seja apenas
nomeado de ciência. Tanto física quanto metafisicamente (ou seja,
material ou abstratamente) o universo, tanto físico quanto espiritual,
é regido por uma Lei única: Causa e Efeito.

Um místico, assim que começa sua jornada espiritual, e à medida que
vai aprofundando, começa a conhecer perfeitamente os aspectos
psíquicos e psicológicos do ser humano e sabe que algumas
manifestações psíquicas não fenômenos sobrenaturais e percebe que
tanto o mundo físico quanto o espiritual são regidos por Leis
imutáveis.

O kardecismo ocupa o seu devido lugar enquanto religião e, assim, não
é uma via de conhecimento, mas de crença. Ele, tanto quanto as demais
religiões ocupa uma determinada etapa na evolução humana e,
consequentemente, precisa do maior respeito.

HIDERALDO MONTENEGRO
http://hideraldo-montenegro.blogspot.com/

ANJO-DA-GUARDA



ALMA UNIVERSAL OU ALMA DIVINA – ANJOS-DA-GUARDA

Em algum momento de nossas vidas sentimos uma presença protetora. Às
vezes, nos aparece com uma forte voz interior, outras, como uma grande
intuição nos protegendo do perigo ou nos inspirando na solução de
algum problema.


Em todas as tradições fala-se na alma universal que habita todos os
seres vivos, a alma de Deus, o nosso Mestre-Interior. Ou seja, de fato
só existe uma alma: a alma divina. Em sua descida para a matéria,
encarnando-se, perde a memória. É esta ligação que precisamos resgatar
e aprender a comungar e ouvir. O conhecido “ouvir a voz de nossa
consciência” é ouvir a voz de nossa alma.


Eis o nosso anjo-da-guarda. Contudo muitos ainda acreditam na
existência efetiva de uma entidade ou de um ser celeste chamado de
anjo-da-guarda. Embora, em essência trate-se da mesma coisa, há uma
grande diferença entre a Alma Universal e uma possível entidade
distinta de nós.


A questão que envolve o mito do anjo-da-guarda é naturalmente
simbólica, mas alguns confundiram este simbolismo e o entende como
real. Os anjos representam um grau de nossa consciência. Assim, não
podemos esquecer o que nos diz a Cabala e o que ela nos diz de fato.
As etapas da criação ocupam planos de consciência que são
representados pelas sefirotes.


Quando nos elevamos espiritualmente a nossa consciência atinge também
um grau de pureza.


Os desvios que aparecem no caminho do buscador são vários. Buscamos
anjos, santos, Mestres, um orixá, um salvador, enquanto o nosso Mestre-
Interior nos espera com toda a sua sabedoria e luz.


A Alma Universal (ou Alma do Cósmico) é imaculada, pura e o centro da
unidade universal.


Eis o verdadeiro EU SOU (em Deus), que sempre está nos protegendo,
inspirando e nos auxiliando. Qualquer outro Mestre apenas nos
inspirará para de fato encontrarmos o nosso verdadeiro Mestre-
Interior. O fato é que, enquanto não aprendermos a olhar para nós
mesmos e ficarmos olhando para os céus esperando um salvador, não
vamos encontrar o verdadeiro EU SOU em nós.


HIDERALDO MONTENEGRO

leia a coluna Hideraldo Montenegro no jornal da cidade:
http://www.jornaldacidadeonline.com.br/listagem_artigos.aspx?cod=76

FADAS, DUENDES E GNOMOS?



uma crença que se alastrou nos meios místicos como se fora uma sua
condição indissociável é a crença em elementais. Verdade que um
místico tem o despertar psíquico mais acentuado e, portanto, é capaz
de perceber certas vibrações que objetivamente boa parte não apreende,
mas há algo curioso sobre a crença em elementais que merece uma boa
reflexão.

A primeira coisa que constatamos nesta crença é sua herança cultural.
Ou seja, ela não acontece naturalmente. É herdada. Precisa ser
transmitida ou não existirá.

Nenhuma criança, que nunca teve algo informação sobre duendes, fadas,
gnomonos, sucupira, saci-pererê e cumade-florzinha, etc., fala sobre a
existência destes ou diz os vê.

Por exemplo, no interior do Nordeste brasileiro, onde nunca se viu
falar em saci-pererê, ninguém jamais o viu, no entanto, algumas
pessoas desta Região soube da existência ou diz ter visto a cumade-
fulorzinha, que tem as mesmas características de um saci-pererê.
Inversamente, na Região Sudeste não existe a cumade-fulorzinha. Lá
ninguém a viu, contudo, sabem da existência ou já viram o saci-pererê.
Em essência, em termos de características de personalidades, trata-se
da mesma entidade.

Ora, quem nos rincões do Brasil, por exemplo, onde não há muitas
informações, já viu um duende, ou gnomo ou fada?

Na Irlanda, entretanto, muitas pessoas dizem ter visto duendes, gnomos
e fadas, mas jamais viram um saci-pererê ou uma cumada-fulorzinha.

Esta crença em elementais, onde a natureza produz seres conscientes e
personificados remonta muita antes da legião de seres mitológicos
gregos. Este pensamento surgiu já na própria pré-história.

Para os gregos da época da mitologia, Zeus, Vênus, etc, eram bem
reais. Curioso que a mitologia grega teve uma influência plenamente
constatada sobre o candomblé africano. Ali ver-se todos os seres
elementais da antiga mitologia grega.

O místico verdadeiro não se deixa iludir. Perguntas simples como "por
que não há fadas de cor negra e por que na África não existem fadas?",
por exemplo, qualificam esta crença na condição de forma-pensamento e
pensamento-forma tão-somente.


HIDERALDO MONTENEGRO

quinta-feira, 8 de julho de 2010

O DEMôNIO DE CADA UM DE NÓS



O DEMÔNIO EXISTE REALMENTE?

Nada é o que parece ser. Pra começar, com o conteúdo deste livro. Isto confirma que podemos facilmente nos enganar e sermos enganados.
Somos tentados ou repudiamos as coisas por pura ilusão. As pessoas constroem interpretações antecipadas e isto é a origem dos preconceitos.
Como é dito na Bíblia: “Conhecerás a verdade e a verdade vos libertará”. Para nos libertarmos dos demônios que nos atormentam precisamos eliminar a ignorância que nos assombra.
Se existe um demônio que nos amedronta este é o medo e o medo, neste campo, é fruto da ignorância. Assim, se existe uma fórmula para exorcizarmos algum demônio, então, esta está no conhecimento.
Só a verdade pode libertar o ser humano de todos os seus demônios.

PARA ADQUIRIR O LIVRO ACESSE:
http://www.simplissimo.com.br/store/o-demonio-de-cada-um-de-nos.html

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Outro*


H.Spencer Lewis - Uma das mais lúcidas mentes que a humanidade conheceu

O OUTRO*

Hideraldo Montenegro F.R.C.


Quem é o outro? O que é o outro? Qual a importância do outro em nossas vidas? Como o outro participa e contribui com a nossa existência?



O caso das meninas-lobos, Amala e Kamala, descobertas em 1920, na Índia, que depois de terem convivido com lobos não conseguiram se desenvolver intelectualmente, permanecendo com comportamentos animalescos, pois, os seus raciocínios lógicos haviam sido afetados, suscitou profundas e instigantes reflexões antropológicas, sociológicas, psicológicas, filosóficas e místicas. O convívio social é essencial ao desenvolvimento humano?

Chamamos de “outro” aquele que não somos nós. Ou melhor, aquele que não “sou eu” é outro. O “outro” está separado de mim. Todavia, misticamente estes pensamentos não são tão simples e reais assim.


DEPENDÊNCIA NATURAL E DEPENDÊNCIA ARTIFICIAL

Embora muitos desejem, mas jamais seremos completamente independentes. Primeiro, porque, para começar, necessitamos do outro para sobreviver. Precisamos de um seio para nos alimentar em nossos primeiros anos de vida; precisamos do outro para aprender a falar, andar, obter alimentos, escrever, raciocinar, amar e ser amado, etc.

Esta dependência é extremamente necessária e salutar.

É fácil perceber que experimentamos dois tipos de dependência. Uma natural, necessária e salutar e outra artificial, forjada, nefasta, pois, está condicionada ao nosso ego. Muitos sucumbem a esta outra e, sequer, percebem que estão presos a ela. Embora, herdamos alguns traços culturais desta última, nosso ego, através da vaidade, orgulho, prepotência, etc, a alimenta.

Enquanto, a dependência natural nos aproxima mais dos “outros”, ao ponto até de eliminar a distância do “eu” (individual) do outro, a dependência forjada caminha justamente num sentido oposto, nos separando cada vez mais do “outro”.

Enquanto, a dependência natural gera amor, a dependência artificial, egóica, gera ódio. Enquanto, uma une, a outra separa.

O ego cria um limite inexistente na alma (portanto, uma ilusão). Desta forma, quanto mais forte um ego (e seu egoísmo), mais distantes ficamos de nossa essência comum. Inversamente, na medida em que vamos despertando nossa alma, mais as fronteiras entre o “eu” egóico e a alma vão se diluindo.

Descobrimos que, na medida em que nos libertando do ego, mais percebemos que não existe o “outro”. Afinal, esta separação é ilusória, pois, constatamos que, em essência, o “eu” verdadeiro do “outro” é exatamente igual ao nosso.


DEPENDÊNCIA ARTIFICIAL

O ego cria a ilusão de independência, contudo, paradoxalmente se nutre da opinião alheia. Sem perceber (?) o ego cria uma dependência do “outro”. E, nesta dependência forjada, a opinião do outro é decisiva. Somos aquilo que o outro diz que somos.

Nossos valores sociais dependem do que o outro determina. Assim, os valores reais, humanos, são desprezados.

Neste caso, falamos, andamos, nos vestimos, escolhemos parceir(as)os, obtemos tais e quais objetos e títulos, etc, esperando uma reação do outro. Esta é uma dependência estabelecida pelo ego. Desta forma, nos tornamos escravos do “outro”. Somos aquilo que o outro nos classifica. Lutamos assim para impressionar e obter aprovação do outro, de alguma forma.

Todo um mercado de consumo, que alimenta o ego e sua vaidade, é montado para atender e estimular esta dependência.

Assim, somos escravos da opinião e avaliação do outro sobre nós. Esta é uma dependência nefasta e doentia e em nada nos acrescenta de verdadeiro, ao contrário.

Afinal, maior fraqueza não há do que depender da opinião alheia.

Neste universo de disfarces e aparências vamos montando as nossas máscaras e, assim, gradualmente vamos obscurecendo a nossa luz e essência. Os valores humanos vão sendo substituídos por valores artificiais.


DEPENDÊNCIA NATURAL


Conseguimos medir o quanto devemos aos nossos pais, amigos, professores e as grandes mentes que nos ajudaram em nossa caminhada humana, etc? Sabemos dimensionar a importância de todos em nossas vidas?

O fato é que precisamos do outro, não para alimentar nosso ego de ilusão, mas para sobrevivermos e evoluirmos.

O que seríamos hoje sem a influência direta e indireta de várias pessoas do passado e do presente?

E, que bom que precisamos dos outros, afinal, sem eles não seríamos absolutamente nada! E, como é grandioso também puder ajudar e contribuir com alguém de alguma forma!

Não é à toa, inclusive, que hoje estamos envolvidos com questões ecológicas, pois, já estamos conscientes de que dependemos completamente do nosso meio ambiente. A sobrevivência de plantas e animais (inclusive insetos) garantirá a nossa própria sobrevivência, por exemplo.

Dependemos de insetos e plantas! Não há mais lugar para o individualismo. Dependemos do todo, pois, fazemos parte dele e, assim, o interesse coletivo envolve cada um de nós.

Não há evolução sem cooperação. A vida no planeta depende da harmonia e equilíbrio das relações entre os seres vivos.

Nada podemos construir sem o outro. Mas, o outro, misticamente falando, é mais do que isto.

O ESPELHO

Não há símbolo melhor para representar a nossa consciência do que o espelho. Num espelho contemplamos a imagem de um outro que não é outro senão nós mesmos. O “outro” sempre será uma ilusão. Esta separação espacial não é verdadeira na ilimitada essência da alma, ponto central da unidade humana.

O “outro”, na verdade, é um espelho do “eu” para nos compreendermos melhor. No “outro” descobrimos a nós mesmos. O “outro” existe apenas no ego. Na alma não existe o “outro”. Na alma só existe o “eu”.

E, todo cuidado é pouco, porque há coisas que nos aproximam ou que nos afastam deste “outro” que somos “eu”.

Independente é o ser humano que se livrou da escravidão do seu ego. Afinal, evoluímos na medida em que nos despimos das máscaras que encobrem a nossa essência. Só somos autênticos quando conseguimos sermos nós mesmos. E, somos nós mesmos quando descobrimos que o “outro” do outro lado do espelho somos nós mesmos.

Descobrir o outro é descobrir a nós mesmos. Descobrir a nós mesmos é revelar o outro que há em nós. Assim, descobrimos o Amor Universal que une todos os seres.

•Este artigo é um tributo a H. Spencer Lewis, por tudo que devemos a ele.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

A Eternidade do Ser

A CONSTRUÇÃO DO SOCIALISMO


- Você é de direita ou esquerda?

Alguns militantes políticos fazem esta pergunta tentando classificar o ser humano. Pasmem, para estes o valor de um ser humano vai depender da resposta a esta pergunta.

Como podemos medir o valor de um ser humano? Só podemos deduzir, antes de tudo, que o primeiro valor de um ser humano é ser humano e ponto. Qualquer medida de julgamento, de avaliação é relativa, portanto e obviamente, não é absoluta. O único valor absoluto do ser humano é ser ser humano.

Um ser humano é inteiro, não é dividido, fracionado em esquerda ou direita. O ser humano sequer pode ser medido por sua função ou importância social.

Entretanto, podemos situar algumas ações humanas como boas ou más, construtivas ou destrutivas, negativas ou positivas. São as circunstâncias, portanto, que devemos avaliar. Em nossa experiência política nos deparamos com atitudes boas e más de militantes tanto de direita quanto de esquerda.

Como poderemos construir um verdadeiro socialismo se o que importa são as atitudes, o pragmatismo das ações dos agentes políticos? Não é à toa assistirmos incoerência entre discurso e prática. Por que isto ocorre? Porque as ações dependem das pessoas e as pessoas têm ações relativas ao seu altruísmo ou, ao contrário, ao seu egocentrismo. Não havendo mudanças no agente político, nada mudará. O que vale em política não são teorias, são práticas.

Uma das piores desgraças que aconteceu à humanidade, tanto quanto a inquisição e o racismo em todas as suas formas, foi o anticomunismo. Hoje, liderado por uma nação inteira (americana) e assumido como sinônimo de patriotismo. Não é à toa, afinal, os Estados Unidos são a base do mais forte capitalismo.

Esta mentalidade retrógrada estimulou e gerou ditaduras cruéis, contraditoriamente argumentando defender os interesses democráticos. As piores injustiças foram cometidas. Torturas foram cometidas e todos os direitos humanos violados justificados como defesa da democracia. É lamentável que ainda tal idéia perdure e capte simpatizantes.

Apesar dos equívocos estruturais dos sistemas que pretenderam instalar uma sociedade igualitária, não obstante, eles tinham como objetivo a eliminação das injustiças e principalmente a exploração desumana. Têm-se que admitir que nenhuma forma de ditadura gerará nada de bom, por outro lado, não podemos esquecer que a miséria gerada pelo capitalismo jamais produzirá uma democracia verdadeira.

As ditaduras de direita, que no fundo apenas visavam a perpetuação de privilégios, causaram as piores agressões aos direitos humanos. Os reacionários ainda estão aí argumentando defender a democracia e a acusar os comunistas de a violarem, quando através da pobreza que geram os capitalistas maculam qualquer verdadeiro espírito democrático. Afinal, como pode existir democracia e igualdade de direitos onde existem explorados e exploradores, ricos e pobres?

Seja como for, sabemos que o espírito libertário independe de qualquer sistema político, embora a opressão dependa de um. Mas, serão os espíritos livres que construirão a democracia e o socialismo e isto não dependerá de sistemas, mas de evoluções individuais, que por sua vez, modificará o pensamento coletivo.

Será a sabedoria que redigirá a conduta social de governantes e governados, porque nesta etapa da consciência humana os governados maduros serão os próprios governantes. Ou seja, não haverá separação entre um poder e outro, pois, a sua base será a sabedoria. A sabedoria será o verdadeiro poder e, ela será resultante do amadurecimento humano.

Desta forma, podemos concluir que a grande batalha humana será contra o próprio ego. É ele que gera todas as injustiças e conflitos.

Um homem que depende da opinião de outro está fadado, humanamente, ao fracasso. Triste de um homem que depende da opinião de um outro. E esta dependência está ligada indissoluvelmente ao ego.

O verdadeiro socialismo não será construído por políticos. O verdadeiro socialismo não será construído através de lutas e por nenhuma forma de conflito. O capitalismo tem seus dias contados. Ele está fadado a desaparecer porque o ser humano sempre procurará a justiça e o capitalismo é essencialmente divisionista, conflitante e injusto, fruto do egoísmo.

O fato é que a justiça social passa pela bondade humana. Assim, só através da reforma humana é que a justiça se estabelecerá. Ela não virá desta ou daquela corrente ideológica, embora, convenhamos, existem algumas que caminham justamente no sentido inverso. Não se trata dogmas e crenças ideológicas. A justiça brota no homem a partir do abandono do seu ego. Onde houver um não haverá o outro.

Para isto, é necessário que o ser humano faça mudanças significativas em suas relações e, para tanto, ele precisa fazer mudanças profundas em si mesmo.

Afinal, como se construirá um socialismo sem verdadeiramente contarmos com o outro? Como um socialismo pode se preservar com o egoísmo? Seja como for, o socialismo só acontecerá a partir de transformações da natureza humana, caso contrário, toda ideologia fracassará.

De fato, já estamos construindo o socialismo através do aprofundamento de nossas reflexões pessoais e, na medida em que crescemos como seres humanos, mais nos aproximamos da justiça social. Sabemos que isto não basta, porém, isto será a base essencial para que ela ocorra.

Enfim, um dia temos que nos enfrentar e encarar todos os nossos defeitos para nos aprimorarmos como seres humanos. Será assim que teremos uma sociedade realmente justa.

Hideraldo Montenegro

A Ponte Cósmica

O Pós-Vida

Segundo aprendemos, a transição ocorre no momento da separação do corpo psíquico do corpo físico. Também aprendemos que durante alguns dias o falecido ainda continua preso aqui, no corpo psíquico e, posteriormente, haverá aquilo que podemos chamar de segunda morte, quando a consciência abandona o corpo psíquico e vai ocupar o plano de consciência correspondente ao seu nível de evolução.

Assim como o corpo físico do falecido fica sem vitalidade, sem consciência, ocorre o mesmo com o corpo psíquico que também não possui consciência, já que esta é um atributo da alma (alguns se referem a este corpo psíquico, desassociado da matéria, como “cascão” e acreditam que ele tenha consciência e que influencia negativamente os vivos). Ou seja, mesmo que o corpo psíquico seja imaterial e que nos sirva de veículo para acessarmos o mundo espiritual, ele está associado à matéria, pois, ele só é gerado a partir do momento que a energia vital se manifesta na matéria, animando-a (dando-lhe consciência), ao se combinar com a energia alma.

Como sabemos, o corpo psíquico (ou a energia psíquica) é gerado pela polaridade positiva da energia vital. Podemos concluir, portanto, que o corpo psíquico só existirá conscientemente enquanto houver vida física. A conclusão é de que a consciência psíquica é gerada pelos organismos vivos, ou seja, ela está associada a um nível de consciência que ocorre enquanto estamos encarnados, da mesma forma que a consciência objetiva, resultado de nossas percepções sensoriais, físicas, deixa de existir após a transição.

Mas, o poder de plasmar imagens do corpo psíquico é considerável. E, é este poder que tem gerado os maiores equívocos neste campo. Isto nos leva a uma outra questão bem rosacruz: a forma-pensamento e o pensamento-forma. O conjunto da humanidade gera também um corpo psíquico e, infelizmente, os nossos medos têm impressos imagens horripilantes nele. Há pessoas que afirmam, com toda convicção, que viram a imagem do diabo em sua frente. Em alguns casos não duvidamos que estas pessoas viram mesmo aquilo que fantasiamos ser a figura do diabo. Somos capazes de projetar todo tipo de pensamento-forma, embora não corresponda a uma realidade cósmica. Somos orientados sutilmente para mantermos sempre em mente que estas coisas são falsas, miragens e não reais. Saber distinguir estas coisas da realidade do mundo espiritual é fundamental para nossa exata compreensão das leis que regem o universo (visível e invisível).

Algumas pessoas acreditam num suposto plano espiritual onde as personalidades-almas desencarnadas se alimentam, trabalham, estudam, etc. Porém, estas crenças são incoerentes, ilógicas e fantasiosas, pois, se não temos um corpo físico, material, para manter e, se é ele que nos impulsiona o desejo de se nutrir, porque íamos precisar nos alimentar? Se não existe fome (que o corpo físico desperta) como vai existir o seu desejo? É verdade que pode-se argumentar que esta “fome” é mental, mas este raciocínio é simplista, pois, por exemplo, o mau-hábito de fumar e o alcoolismo seriam levados para lá também. Não dá para imaginar desencarnardos fumantes e alcoolátras. É evidente que os vícios (inclusive o glutanismo) estão impressos em nosso subconsciente, que é desassociado no momento da nossa transição. Ou seja, são essencialmente materiais, temporais. Pode ser que estes vícios fiquem em estados latentes, em dormência para serem despertados, talvez, e que se tornem tendências numa futura encarnação e não que ocorram nos planos espirituais de fato. A verdade para esta condição será também para todas as coisas ligadas ao corpo físico.

Se a vida é movimento e ação é óbvio supor que a vida espiritual seja exatamente o oposto, de quietude e contemplação. Assim, a nossa consciência, nos planos espirituais em que ocupamos (o nível em que nos encontramos antes de nos iluminarmos ao atingir a consciência cósmica), não é agitada pelos fenômenos e acontecimentos (fatos) como ocorre no contato com a matéria. Isto é tão verdadeiro que nunca ouvimos falar que, numa regressão, alguém tenha se lembrado de sua vida (sucessões de fatos que fazem uma história) num plano espiritual. Se não há vivências, não há movimento e se não há movimento, não há memória.

Parece ser evidente que alguns desejos ligados ao ego só existem enquanto estamos encarnados. Também parece lógico que lá (em algum plano de consciência) não temos sexo, idade, etc., como acreditam alguns. Ou seja, no plano espiritual não existe o macho, a fêmea, o velho, o novo, pois o tempo é uma impressão que acontece em nossa consciência objetiva, mortal. A velhice é uma condição ligada a temporalidade e, naturalmente, ao desgaste do corpo físico, material. Portanto, no plano espiritual não somos homens ou mulheres, jovens ou velhos, magros ou gordos, filhos ou pais, etc.

Alguns supõem também que no plano espiritual exista ação e que algumas atividades deste plano seriam intencionalmente feitas com o propósito de nos afetar (muitas das vezes negativamente). Ora, parece também lógico que a maioria dos desencarnados não têm consciência da existência deste plano terreno (provavelmente só os despertos a têm) para influenciar os vivos. Se isto ocorresse a lei do livre-arbítrio estaria comprometida e, consequentemente, o carma individual estaria constantemente sendo transgredido, fazendo do ser humano um joguete eterno de forças que ele não dominaria e retiraria também toda responsabilidade por suas ações (seu carma).

Uma idéia que podemos formar em relação a transição e todas as etapas que a acompanha é que, se enquanto encarnados existe um ego (o corpo psíquico que nos impulsiona a certos desejos e emoções), ligado a nossa sobrevivência física (subsistência, reprodução, etc), induzindo-nos a competição, a disputa, ao confronto e ao conflito e que na transição ele deixa de existir e igualmente todos os impulsos ligados a ele. Estes impulsos ocorrem enquanto estamos encarnados (enquanto existe o ego ou enquanto ele não foi sublimado). Na transição nos libertamos dos impulsos exclusivos do ego. É de se supor, portanto, que na transição ocorre, na verdade, uma expansão de consciência. Ou seja, todo desencarnado toma consciência de suas atitudes enquanto estava encarnado, pois, sua mente se liberta do ego.

Estamos vencendo nossa condição animal para, assim, nos humanizarmos. E, temos esta oportunidade toda vez que encarnamos e nos deparamos com situações criadas pelo ego que nos obrigam a profundas reflexões para vencê-las, através do sofrimento dos erros causados por ele mesmo. Certamente que estamos ainda no processo de humanização e, para tanto, precisamos vencer e superar nossa condição e tendência animal.

A conclusão lógica deste raciocínio é que quanto mais vezes uma personalidade-alma tenha se encarnado, mais o domínio do ego sobre esta é menos acentuado, da mesma forma que uma personalidade que esteja apenas em suas primeiras encarnações estará completamente dominada por ele. Ou seja, todos, num futuro, o dominarão através das experiências tiradas de suas inúmeras encarnações. Daí, a compreensão, a paciência e a tolerância com todos aqueles que julgamos não ter um nível de consciência (em virtude de sua “maturidade” cósmica) que os permitam perceber esta realidade.
Consequentemente, é uma obrigação, de todos aqueles que têm esta consciência, ajudar os seus irmãos humanos a superar suas tendências e/ou perdoá-los por ainda não dominá-las.

O óbvio também é que aqueles que estão desencarnados e livres de tais influências do ego, consigam perceber aquilo que, às vezes, não percebemos quando estamos em seu domínio exclusivo quando estamos encarnados. É justamente em virtude disto que podemos nos elevar até os níveis onde habitam os desencarnados, principalmente um parente nosso, para pedir-lhes inspiração. Certamente que podemos, enquanto encarnados, nos elevar aos planos espirituais, mas não é lógico ocorrer o contrário (exceto, talvez, os Mestres Cósmicos). A crença na interferência dos mortos sobre os vivos ainda é muito forte, mas ela não é plausível, pois, para isto ocorrer as leis cósmicas estariam constantemente sendo violadas.

Com certeza, toda transição é uma libertação. Mas, libertação do quê? Do ego. Dos vícios do corpo, das tendências nefastas e, enfim, de tudo que obscurece nossa consciência. Certamente existem graus desta libertação, porém, no plano espiritual a força do ego sobre a consciência é inevitavelmente enfraquecida. Podemos imaginar que o objetivo da evolução seja justamente o de alcançarmos a libertação tatal.
Como é dito de forma admiravelmente coerente e lógica em nossas monografias: “no nascimento três energias se fundem (energia espírito, energia vital e alma). E, no momento da morte elas se separam”.

É curioso que a idéia que concebemos em relação ao após-vida determina o nosso modo de viver. Certamente são as nossas crenças que têm nos impedido de apreendermos a bela simplicidade das leis que envolvem o nascimento e a morte. Está evidente que a idéia que formemos neste campo irá direcionar o caminho que vamos trilhar para desenvolvermos (ou, infelizmente, atrasar) a nossa busca espiritual. Aqui estamos na linha divisória entre ciência e superstição. Qualquer equívoco neste campo nos afastará ou nos aproximará da verdade na senda da espiritualidade.

De toda forma, podemos fazer magnifícas deduções a respeito das leis que envolvem o nascimento e a transição através do fabuloso ensinamento rosacruz e de suas práticas e, assim, eliminarmos muito de supertição que ainda envolve este assunto e o obscurece.

Hideraldo Montenegro

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