14/10/2008
Violência em estádios de futebol não é prioridade para políticas públicas
Pesquisadores de Pernambuco afirmam que o problema tem que ser analisado sob o prisma de saúde pública.
Um levantamento de dados bibliográfico efetuado por Ricardo Alexandre Guerra Vieira (especialista em pedagogia dos esportes) e Gisela Rocha de Siqueira (mestre em saúde coletiva) mostra que a violência que ocorre nos estádios de futebol não é prioridade nas políticas públicas do país. Com o objetivo de focar nas lutas entre componentes de torcidas organizadas, sob a perspectiva da saúde pública, os pesquisadores da Universidade de Pernambuco e da Faculdade Integrada do Recife efetuaram uma revisão bibliográfica em obras de referência – livros, periódicos, anais de congressos nos idiomas português e inglês – e busca nas bases de dados Lilacs, Medline, Scielo e Bireme. Também realizaram consulta à Secretaria de Saúde Pública e à Policia Militar do Estado de Pernambuco, segundo afirmam em artigo publicado na revista Saúde e Sociedade de julho-setembro de 2008.
Para os autores, a questão da violência dentro dos estádios de futebol tem que ser assumida também como uma questão de saúde pública na sua origem e não apenas nas conseqüências imediatas. “Se por um lado as vítimas precisam de atendimento nos serviços de urgência e de uma atenção especializada no que se refere à reabilitação física, psicológica e assistência social, entre outras coisas, por outro, a área da saúde não deve continuar, como tradicionalmente tem feito, concentrando seus esforços em atender apenas os efeitos da violência, isto é, reparando os traumas e lesões físicas nos serviços de emergência e prestando atenção especializada nos processos de reabilitação, nos aspectos médico-legais e nos registros de informações”, afirmam no artigo.
Sua proposta reflete uma tendência iniciada há mais de 15 anos em países preocupados com o número de mortes e acidentes gerados pela violência entre torcedores. “Na década de 1990, a preocupação com o tema ganhou prioridade e, nas agendas das organizações internacionais do setor, a violência, pelo número de vítimas e a magnitude de seqüelas que produz, tanto num nível orgânico quanto no emocional, passou a adquirir um caráter endêmico e passou a ser relacionada como um problema de saúde pública em vários países”, dizem os pesquisadores.
Entretanto, segundo concluíram após o levantamento, o Brasil está longe de qualquer perspectiva do gênero, pois, escrevem, “ficaram constatadas a escassez de dados relacionados ao assunto, a subutilização dos dados existentes e a falta de intercâmbio entre as instituições para utilizá-los na criação de mecanismos de reflexão e ação conjunta em busca de soluções para o problema”.
Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)
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quarta-feira, 22 de outubro de 2008
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