sexta-feira, 27 de julho de 2012

Volta às aulas: como se organizar bem




Por Letícia Bechara*

A volta às aulas no segundo semestre do ano letivo tem um caráter diferenciado. Os cursos entram na reta final e é o momento de definição da situação do aluno, ao mesmo tempo que já se iniciam as expectativas e a preparação para o próximo ano.

Nesse momento é importante revisar os planos e identificar as principais dificuldades: trabalhar os pontos fracos e fortalecer os pontos fortes.

Para os alunos, a fase de adaptação já passou, existe um entrosamento entre colegas e professores e é possível avaliar com maior precisão as principais dificuldades. As férias serviram para a última relaxada e agora é força total para levar em frente os planos traçados.

Para quem está no terceiro ano do ensino médio, o momento é ainda mais delicado e para alguns até chega ao desespero... o tempo de escolha se esgota e chega o momento da decisão. As inscrições para os grandes vestibulares públicos começam em agosto. Nas faculdades particulares as provas iniciam em setembro e outubro. O ENEM, no primeiro fim de semana de novembro, abre alas para as principais provas.

Como se organizar melhor? Minha sugestão é um calendário mensal que indique o período das inscrições dos vestibulares que o aluno irá participar seguido da data das provas.

No caminho entre a inscrição e a prova, simulados. Quanto mais, melhor. Técnicas de memorização e relaxamento também são muito bem vindas. Controlar a ansiedade com atividades físicas é outra boa saída.

Será que vale a pena fazer cursinho agora? Essa é uma questão muito pessoal e que cada aluno deve avaliar sua própria rotina e condições. Muitas escolas usam o 2º semestre para revisão dos conteúdos do Ensino Médio. Então, se dedicar no colégio pode ser uma opção melhor e mais econômica. Lembrando que concluir o ensino médio é o objetivo primeiro e passar no vestibular uma consequência do seu preparo.

Para os pais é um momento igualmente difícil. A ansiedade de ver o filho (a) fazendo escolhas remete ao momento em que ele mesmo viveu, somando à angústia de estarmos em um tempo bem diferente e com o mercado  de trabalho ainda mais exigente.

Por isso, aproveite o final de férias e escreva tudo o que deseja para concluir bem 2012 e encaminhar seus sonhos em 2013. Compartilhe com sua família e amigos e se prepare para as surpresas: boas e ruins. Ainda dá tempo de colocar em ordem aquilo que não se fez, escolher o que não se escolheu e lutar para 2012 ser um ano de sucesso. Boas escolhas!

* Letícia Bechara é pedagoga e coordenadora de relacionamento da Trevisan Escola de Negócios

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Hoje é dia dos avós! Normal de avós é entender que dia do VOVÔ e da VOVÓ é todos os dias! Nesta vida conheci muitos avós,com suas histórias e lembranças. Um tanto de imaginação, mas a maioria, sustentando calos verdadeiros nas mãos! O bom de falar com avós é que as informações chegam certeiras! Para o bem de todo neto, avós não medem gestos, atos, palavras... eles semeiam, sobremaneira, o melhor na personalidade dos netos, pois sabem com certeza que a boa colheita chegará em tempo certo! FELIZ DIA DOS AVÓS! COM MUITA ALEGRIA, PARA TODOS OS AVÓS E TODOS OS NETOS! Partes Mirim

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Natural não! Habitual!



Estamos descobrindo que muitas das verdades que considerávamos incontestáveis, são mentiras, e que valores básicos de ética que assimilamos ao longo da vida, estão ultrapassados ou extintos.

É cada vez mais predominante o desleixo por valores éticos, que fica parecendo que se busca justamente a extinção desses conceitos como balizadores do comportamento humano.

Agir de maneira egoísta, mal educada, com total grosseria nos nossos atos e nas nossas falas está se tornando tão habitual, que quase nos convence que tudo isto é natural, que estas são as maneiras certas de agir.

Fica parecendo que o errado passou a ser certo, que conceitos básicos de cidadania, de respeito pelo outro, de boa convivência social, são antinaturais.

Que é natural ser desonesto, agir com total falta de respeito por quem quer que seja, sair gritando e esbravejando por qualquer coisa, ou começar uma briga pelos mais insignificantes motivos. E isto tantas vezes nos deixa com uma desagradável sensação de que estamos ultrapassados, que os valores que norteiam a nossa vida são obsoletos.

Ser mal educado, maltratar o outro, enganar, ser ‘esperto’ é mais importante.

Levar vantagem sempre, em qualquer circunstância (mesmo quando sabemos que estamos errados!), não aceitar levar ‘desaforo’, cultivar o egoísmo, ser arrogante, ostentar uma falsa aparência!

Não ser sincero, e se aproveitar de todas as maneiras possíveis de quem se atrever a ser correto.

Nunca ser gentil e muito menos educado, para não fazer papel de bobo, para não ser passado para trás.

Ter ambição, não a saudável que nos impulsiona e nos faz ultrapassar os obstáculos que surgem, mediante o nosso esforço e mérito, mas a ambição doentia, que nos faz procurar sempre o caminho mais fácil, mesmo que seja um atalho ilegal e desonesto.

Cada vez mais se cultiva a cultura de que para crescer na vida pe preciso pisar nos outros, usar as pessoas do nosso convívio como degrau para a nossa subida.

Pessoas com este perfil se apegam a uma velha, mas sempre presente frase absurda que diz que ‘os fins justificam os meios’.

São tantos atos insistentemente repetidos, todos os dias, por um número assustadoramente crescente de pessoas, que apesar de assustarem, de causarem tanta indignação e mal estar, são tão bem assimilados e rapidamente espalhados na convivência social atual.

É tão comum pessoas demonstrarem tanto espanto com alguns (muitos) acontecimentos que tomam conhecimento, expressam imensa indignação diante de certas atitudes que presenciam, mas ao mesmo tempo, não fazem nada para mudá-los, muito menos para impedir muitos deles.

O que se vê inúmeras vezes é a facilidade com que protagonizam estas mesmas situações que criticaram, assimilam e incorporam na própria vida, comportamentos que tantas vezes até mesmo condenam no outro.

Como fica mais cômodo e conveniente, passam inclusive a fazer de conta que é natural agir assim! E se empenham em convencer um número cada vez maior de pessoas a agirem da mesma forma, se deixando levar pela insensata maneira de viver e conviver que tanto mal acarreta, nos deixando com uma desconfortável sensação de medo, de indignação e de preocupação, no que diz respeito aos caminhos que têm tomado o nosso mundo.

Qual destino chegaremos, se insistirmos em ignorar valores éticos básicos e imprescindíveis para a boa convivência humana?

terça-feira, 24 de julho de 2012

nota


O CLUBE ATLÉTICO PARANAENSE vem informar que seu atleta profissional Rodolfo Alves de Melo foi sorteado para realização de exame antidopagem na partida disputada contra o CRB, no dia 09 de junho, válida pelo Campeonato Brasileiro - Série B 2012.
O resultado do exame (bem como da contraprova realizada) confirmou a presença de substância não permitida utilizada sem o conhecimento do clube. Assim, atendendo os dispositivos da legislação vigente, o Senhor Presidente do STJD do Futebol, Doutor Flávio Zveiter, determinou a suspensão preventiva do referido atleta pelo período de 30 (trinta) dias, abrindo o prazo para protocolização de defesa prévia escrita.
Os departamentos de futebol, médico e jurídico do clube, juntamente com o atleta, preparam os elementos para o julgamento que ocorrerá em breve perante uma das Comissões Disciplinares do mencionado órgão jusdesportivo.
Por respeito ao atleta, seus familiares e ao elenco profissional, não serão feitos outros comentários, salvo esclarecimentos eventualmente devidos.

Cientistas precisam saber escrever, afirma editor


Por Fabio Reynol, de Palmas (TO)*

Agência FAPESP – O Brasil deixa de publicar muitos trabalhos científicos de alta qualidade em revistas de grande impacto simplesmente por não redigir adequadamente. A afirmação foi feita por Carl Webster, do Centro de Pesquisa em Aquicultura da Universidade do Estado do Kentucky, Estados Unidos, no 5º Congresso da Sociedade Brasileira de Aquicultura e Biologia Aquática (Aquaciência 2012), realizado em Palmas (TO) de 1º a 5 de julho.
Webster, que ministrou um curso sobre redação de artigos científicos durante o evento, é o editor responsável pela World Aquaculture Magazine, revista da Sociedade Mundial de Aquicultura (WAS, na sigla em inglês).
O primeiro passo, segundo Webster, é selecionar o assunto a ser tratado de acordo com a publicação. “Dizer que a amônia apresenta toxicidade para o pirarucu, por exemplo, não é novidade alguma, mas se você fizer um artigo sobre a fisiologia ou histologia relacionada ao assunto, o interesse será grande”, disse.
Segundo Webster, saber dividir uma pesquisa em partes que possam interessar a diferentes periódicos científicos e relacioná-las entre elas é um dos atributos mais valorizados pelos revisores.
O organizador do curso, José Eurico Possebon Cyrino, professor associado do Departamento de Zootecnia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), concorda. Em vez de focar os artigos em espécies exclusivas do Brasil, Cyrino recomenda selecionar detalhes da pesquisa que sejam comuns a outros peixes, o que pode fazer toda a diferença durante uma seleção para publicação.
Cyrino, que coordena atualmente três projetos apoiados pela FAPESP na modalidade Auxilio à Pesquisa – Regular, após ter concluído diversos outros, é o responsável pela publicação dos anais do Aquaciência e aponta para uma deficiência na formação do pesquisador em todo o país, a redação científica.
“É preciso mostrar aos graduandos e pós-graduandos a importância de se escrever bem um artigo científico, sob o risco de o trabalho não ter a repercussão que merece”, alertou Cyrino ao ministrar o curso que dividiu com Webster.
Webster, por sua vez, ressaltou a alta qualidade da pesquisa brasileira em aquicultura, apesar das dificuldades na escrita. “O Brasil faz um ótimo trabalho de investigação na área, e poderia publicar muito mais”, afirmou.
A despeito das dificuldades dos brasileiros, a qualidade de um trabalho pode suplantar as barreiras linguísticas, de acordo com ele. “Não descarto um artigo potencialmente bom por estar mal escrito, todavia um paper bem escrito faz muita diferença na hora da escolha”, disse.
Webster aconselha aos que dominam pouco o inglês a sempre submeter o artigo a um colega fluente antes de enviá-lo a uma revista. Adaptar o artigo a cada publicação é outra dica. Por esse motivo, não é aconselhável enviar para uma revista um artigo originalmente escrito para outra. Cada uma possui peculiaridades e objetivos que precisam ser observados.
Pelo mesmo motivo, o cientista aconselha a leitura atenta das normas de cada publicação. “Muitos trabalhos são rejeitados por não observar regras básicas estabelecidas pelos editores”, apontou.
Sem tradutor automático
Segundo Webster, na hora de escolher a publicação é importante verificar o fator de impacto, que é o indicador de citações que o veículo teve durante o período de dois anos. Publicar em revistas de reputação ruim pode afetar negativamente o trabalho.
No entanto, o fator de impacto não é tudo, pois é necessário ver se o trabalho é adaptado àquela revista. “Um fator de impacto alto provoca em vários países uma avalanche de trabalhos submetidos à revista e muitos deles não têm muito a ver com a proposta da publicação”, pontuou.
Webster alertou para a necessidade de sempre restringir cada artigo a um único tema central. “Uma pesquisa pode apresentar inúmeros experimentos, contanto que tenha um único foco”, aconselhou. Por outro lado, quanto aos parâmetros é preferível que sejam abundantes e componham um banco de dados que apoiem a pesquisa.
Cyrino propôs aos participantes a aquisição de bons dicionários em inglês, de preferência ilustrados. Desse modo, fica mais fácil encontrar partes anatômicas dos animais, por exemplo. O professor da USP apresentou uma extensa lista de livros de apoio voltados à escrita científica.
Entre suas dicas finais, Cyrino desaconselhou o uso de tradutores automáticos encontrados na internet e chamou a atenção para um equívoco comum em submissões internacionais, a titulação de doutorado.
“Se você não fez doutorado nos Estados Unidos ou no Reino Unido, não escreva a sigla PhD em sua titulação, mas doutor em ciência”, recomendou. Segundo Cyrino, o título PhD pressupõe fluência na redação científica na língua inglesa e, caso o autor não apresente essa habilidade no texto, ele frustrará bastante o avaliador.

 * Fábio Reynol é assessor de comunicação da Embrapa Pesca e Aquicultura

A era dos Tablets




Por Mariano Gordinho*

Quando comecei a escrever esse texto, que vai ser publicado em nosso blog essa semana, a primeira coisa que me veio a mente foi o significado da palavra Tablet. 
Apesar de não estar totalmente convencido de que realmente entendemos a palavra de origem inglesa Tablet, continuamos a incorporar palavras de outros idiomas (especialmente o inglês) a nossa língua, como são originalmente, sem qualquer tipo de preocupação em alterá-las ou adequá-las ao nosso contexto linguístico e cultural.
A tradução literal de Tablet é Tabuleta – laje ou placa, de pedra ou marfim, com superfície destinada a escrita ou que ostente uma inscrição.  (a palavra tablete em nosso idioma está diretamente associada a palavra chocolate – tablete de chocolate).
Convencionamos então que Tablet é um dispositivo pessoal, em formato de prancheta, usado para acesso a Internet, organização pessoal, visualização de fotos e vídeos, leitura de jornais, livros e revistas e para entretenimento com jogos. Dispõe de tela sensível ao toque (touchscreen) que é o dispositivo de entrada e, através de uma caneta ou a ponta dos dedos, tem-se acesso as suas funcionalidades. Os Tablets são um novo conceito, que não deve ser confundido com smartphones, netbooks e notebooks apesar de ter inúmeras funcionalidades comuns a esses outros dispositivos.
Creio que após essa pequena dissertação, me senti mais à vontade para escrever sobre A era dos Tablets.
Essa semana estou fora do Brasil, participando do Conselho Mundial de Distribuição de Tecnologia (GTDC em inglês) do qual sou membro há cerca de 2 anos. Desde que cheguei ao aeroporto de Guarulhos em São Paulo, no avião e em todas as minhas escalas nos Estados Unidos, até chegar a Santa Ana na Califórnia (onde a reunião do conselho está acontecendo) fui literalmente “perseguido” por Tablets.
Vi Tablets de diversas cores, com os mais diversos tipos de capa e de diversos tamanhos e, o mais importante, sendo usado por todo tipo de pessoas, crianças, adultos, idosos e naturalmente por geeks (outra palavrinha inglesa amplamente utilizada para definir os maníacos por tecnologia, especialmente aqueles ligados a TI).
Certamente essa super exposição a esses dispositivos simpáticos, charmosos e atraentes serviu de inspiração, quando finalmente sentei em frente a meu notebook para escrever esse texto. Me dei conta então de que sou um daqueles que ainda não aderiu aos Tablets. Não por preconceito (tenho smartphone, notebook, netbook, via de regra me sinto um indivíduo conectado a tecnologia), mas porque até então não tinha percebido o valor dos Tablets ou, talvez porque essa revolução que eles vêm causando ainda não tivesse batido na minha porta.
Na minha cabeça o Tablet tinha que provar o valor de sua utilidade. Um conceito simples – lembrei da quantidade de geringonças que já comprei por impulso e, que na vida prática não tiveram a mínima utilidade.
Mas me propus a avaliar os Tablets sob o ponto de vista do usuário e me dei conta de que eles são de fato leves, portáteis, móveis e, IRREVERSÍVEIS. 
Os Tablets vieram para ficar: para acesso a Internet são infinitamente melhores e mais confortáveis do que os netbooks ou notebooks e, fiz uma continha básica da quantidade de tempo que navegamos pela Internet e só por essa razão já valem a pena; para a visualização de imagens (fotos e vídeos) são práticos, convenientes e eficientes (a funcionalidade que permite girar e esticar as imagens com a ponta dos dedos é imbatível); Como entretenimento pessoal são insuperáveis (tem até efeito terapêutico – os jogos e aplicativos de lazer, tem capacidade calmante) e, a quantidade de aplicações “úteis” que aparecem diariamente é estimulante – Num Tablet acessa-se o banco online com o mesmo nível de segurança e funcionalidade de qualquer computador, pode-se comprar e vender ações (se esse for o seu caso) e, utilizando aplicativos específicos, acessar os sistemas corporativos de sua empresa.
Cada vez mais e, cada vez mais rápido os Tablets vão incorporar aquelas necessidades do usuário que hoje são realizadas em um computador tradicional (desktop ou portátil) e vão executá-las de forma mais fácil e intuitiva. Os sistemas operacionais nos Tablets são mais amistosos e transparentes para quem usa – lembram mais a televisão (basta ligar, selecionar o canal e assistir) do que nossos bons amigos: os computadores. No aeroporto em São Paulo, me dei conta dessa enorme diferença – Um Tablet você liga e bingo! Sai usando. Mesmo os mais modernos e eficientes notebooks ainda precisam ser inicializados (para lembrar de um termo jurássico – tem de dar o boot).
No conselho falou-se muito de mobilidade, acessibilidade, segurança da rede e o aumento exponencial do tráfego de dados, causado principalmente pela explosão dos smartphones e Tablets! Todas as grandes corporações do mundo, sejam elas fabricantes de tecnologia, sejam elas usuárias de tecnologia, já têm uma agenda específica para tratar do assunto Tablets. A proliferação dos Tablets no mundo corporativo, nas escolas e nas famílias não está mais no radar – Já faz parte das discussões estratégicas sobre o uso da Tecnologia da Informação.  
E falou-se de Cloud Computing e, lá estava o Tablet novamente no centro das atenções – o Tablet como ele é hoje ou, como será num futuro próximo, será o principal dispositivo de acesso aos serviços de computação em nuvem, principalmente porque os Tablets são conceitualmente dispositivos para se consumir informação sobre demanda, que é a pedra de toque de Cloud Computing.
Lembrei de um velho sócio e bom amigo que adora tecnologia, mas por princípio nunca é um early adopter (outra expressão inglesa usada para definir aqueles indivíduos ou empresas que são invariavelmente os primeiros a adotar as mudanças tecnológicas). Ele acredita e, via de regra, está certo, que o custo da adoção da tecnologia em seu estágio inicial tem um ônus, técnico e financeiro, que ele prefere evitar. Bom, mas os Tablets já estão por aí a umas 03/04 gerações (quando pensamos em termos de versões de sistema operacional e funcionalidades aplicadas), creio que já não se tratam de produtos para early adopters. A questão agora é decidir se é o seu momento de mergulhar no universo dos Tablets.
Mariano Gordinho, Presidente ABRADISTI – Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos e Serviços de TI

A era dos Tablets




Por Mariano Gordinho*

Quando comecei a escrever esse texto, que vai ser publicado em nosso blog essa semana, a primeira coisa que me veio a mente foi o significado da palavra Tablet. 
Apesar de não estar totalmente convencido de que realmente entendemos a palavra de origem inglesa Tablet, continuamos a incorporar palavras de outros idiomas (especialmente o inglês) a nossa língua, como são originalmente, sem qualquer tipo de preocupação em alterá-las ou adequá-las ao nosso contexto linguístico e cultural.
A tradução literal de Tablet é Tabuleta – laje ou placa, de pedra ou marfim, com superfície destinada a escrita ou que ostente uma inscrição.  (a palavra tablete em nosso idioma está diretamente associada a palavra chocolate – tablete de chocolate).
Convencionamos então que Tablet é um dispositivo pessoal, em formato de prancheta, usado para acesso a Internet, organização pessoal, visualização de fotos e vídeos, leitura de jornais, livros e revistas e para entretenimento com jogos. Dispõe de tela sensível ao toque (touchscreen) que é o dispositivo de entrada e, através de uma caneta ou a ponta dos dedos, tem-se acesso as suas funcionalidades. Os Tablets são um novo conceito, que não deve ser confundido com smartphones, netbooks e notebooks apesar de ter inúmeras funcionalidades comuns a esses outros dispositivos.
Creio que após essa pequena dissertação, me senti mais à vontade para escrever sobre A era dos Tablets.
Essa semana estou fora do Brasil, participando do Conselho Mundial de Distribuição de Tecnologia (GTDC em inglês) do qual sou membro há cerca de 2 anos. Desde que cheguei ao aeroporto de Guarulhos em São Paulo, no avião e em todas as minhas escalas nos Estados Unidos, até chegar a Santa Ana na Califórnia (onde a reunião do conselho está acontecendo) fui literalmente “perseguido” por Tablets.
Vi Tablets de diversas cores, com os mais diversos tipos de capa e de diversos tamanhos e, o mais importante, sendo usado por todo tipo de pessoas, crianças, adultos, idosos e naturalmente por geeks (outra palavrinha inglesa amplamente utilizada para definir os maníacos por tecnologia, especialmente aqueles ligados a TI).
Certamente essa super exposição a esses dispositivos simpáticos, charmosos e atraentes serviu de inspiração, quando finalmente sentei em frente a meu notebook para escrever esse texto. Me dei conta então de que sou um daqueles que ainda não aderiu aos Tablets. Não por preconceito (tenho smartphone, notebook, netbook, via de regra me sinto um indivíduo conectado a tecnologia), mas porque até então não tinha percebido o valor dos Tablets ou, talvez porque essa revolução que eles vêm causando ainda não tivesse batido na minha porta.
Na minha cabeça o Tablet tinha que provar o valor de sua utilidade. Um conceito simples – lembrei da quantidade de geringonças que já comprei por impulso e, que na vida prática não tiveram a mínima utilidade.
Mas me propus a avaliar os Tablets sob o ponto de vista do usuário e me dei conta de que eles são de fato leves, portáteis, móveis e, IRREVERSÍVEIS. 
Os Tablets vieram para ficar: para acesso a Internet são infinitamente melhores e mais confortáveis do que os netbooks ou notebooks e, fiz uma continha básica da quantidade de tempo que navegamos pela Internet e só por essa razão já valem a pena; para a visualização de imagens (fotos e vídeos) são práticos, convenientes e eficientes (a funcionalidade que permite girar e esticar as imagens com a ponta dos dedos é imbatível); Como entretenimento pessoal são insuperáveis (tem até efeito terapêutico – os jogos e aplicativos de lazer, tem capacidade calmante) e, a quantidade de aplicações “úteis” que aparecem diariamente é estimulante – Num Tablet acessa-se o banco online com o mesmo nível de segurança e funcionalidade de qualquer computador, pode-se comprar e vender ações (se esse for o seu caso) e, utilizando aplicativos específicos, acessar os sistemas corporativos de sua empresa.
Cada vez mais e, cada vez mais rápido os Tablets vão incorporar aquelas necessidades do usuário que hoje são realizadas em um computador tradicional (desktop ou portátil) e vão executá-las de forma mais fácil e intuitiva. Os sistemas operacionais nos Tablets são mais amistosos e transparentes para quem usa – lembram mais a televisão (basta ligar, selecionar o canal e assistir) do que nossos bons amigos: os computadores. No aeroporto em São Paulo, me dei conta dessa enorme diferença – Um Tablet você liga e bingo! Sai usando. Mesmo os mais modernos e eficientes notebooks ainda precisam ser inicializados (para lembrar de um termo jurássico – tem de dar o boot).
No conselho falou-se muito de mobilidade, acessibilidade, segurança da rede e o aumento exponencial do tráfego de dados, causado principalmente pela explosão dos smartphones e Tablets! Todas as grandes corporações do mundo, sejam elas fabricantes de tecnologia, sejam elas usuárias de tecnologia, já têm uma agenda específica para tratar do assunto Tablets. A proliferação dos Tablets no mundo corporativo, nas escolas e nas famílias não está mais no radar – Já faz parte das discussões estratégicas sobre o uso da Tecnologia da Informação.  
E falou-se de Cloud Computing e, lá estava o Tablet novamente no centro das atenções – o Tablet como ele é hoje ou, como será num futuro próximo, será o principal dispositivo de acesso aos serviços de computação em nuvem, principalmente porque os Tablets são conceitualmente dispositivos para se consumir informação sobre demanda, que é a pedra de toque de Cloud Computing.
Lembrei de um velho sócio e bom amigo que adora tecnologia, mas por princípio nunca é um early adopter (outra expressão inglesa usada para definir aqueles indivíduos ou empresas que são invariavelmente os primeiros a adotar as mudanças tecnológicas). Ele acredita e, via de regra, está certo, que o custo da adoção da tecnologia em seu estágio inicial tem um ônus, técnico e financeiro, que ele prefere evitar. Bom, mas os Tablets já estão por aí a umas 03/04 gerações (quando pensamos em termos de versões de sistema operacional e funcionalidades aplicadas), creio que já não se tratam de produtos para early adopters. A questão agora é decidir se é o seu momento de mergulhar no universo dos Tablets.
Mariano Gordinho, Presidente ABRADISTI – Associação Brasileira dos Distribuidores de Produtos e Serviços de TI

Casa dos avós: doces lembranças para os netos

* Dado Moura A participação dos avós na vida dos netos é tão importante quanto a presença dos pais na vida dos filhos. Embora minha infância já tenha passado, as lembranças dos meus avós são tão vivas na minha memória, como se tudo que vivemos juntos tivesse acontecido ontem. Quem já passou alguns dias de férias na casa dos avós certamente tem boas recordações. Algumas atividades simples, como conhecer a casa e os locais onde nossos pais foram criados, a escola onde estudaram ou ver as fotografias da época, nos ajudaram a estreitar os laços com uma geração passada. Principalmente, através dos causos de família, narrados ao ritmo da (o) vovó (ô), passamos a conhecer a história dos nossos pais quando crianças. Dependendo da intensidade do relacionamento entre netos e avós, facilmente, a criança irá obedecer aquele com quem passa maior parte do dia. Essa influência acontece quando os netos vivem cotidianamente sob os cuidados dos avós, por exemplo, quando os pais trabalham fora. O contato com a maneira e os hábitos da “casa da vó” serão percebidos no comportamento das crianças, seja na maneira de falar, de se comportar ou até mesmo em hábitos simples como atender ao telefone. Com isso, os avós acabam passando por algumas dificuldades de convivência, não com a nova geração, mas com os pais de seus netos. Os conflitos entre os adultos podem ser estressante quando os avós, na intenção de fazer o melhor para os netos, interferem na educação aplicada pelos pais. Contudo, mesmo que seus compromissos sejam grandes, não cabe aos avós assumir a responsabilidade outorgada aos pais. Geralmente, na casa dos avós, comer doces antes do almoço, deitar sem escovar os dentes ou fazer xixi na cama parece não ser o maior pecado do mundo… Mas isso não significa que os pais devam proibir suas crianças de visitá-los. A eles cabe apenas buscar o equilíbrio dessas visitas e ajudar seus filhos a perceberem que em cada casa há um ritmo próprio. Acima de tudo, estes momentos de convivência na casa dos avós são fundamentais, pois nossas crianças não esquecerão das brincadeiras, dos passeios, das piadas, entre outras coisas boas que fizeram parte do tempo de infância; do mesmo modo, que eu não posso esquecer de outras épocas quando, com outros primos, brincávamos na oficina e com as “preciosas” ferramentas do meu avô "Tonho". Um abraço especial aos avós e também aos bisas! * Dado Moura é escritor, produz conteúdo para o portal Canção Nova, e recentemente publicou o livro "Lidando com as Crises", pela editora Canção Nova.

A semiótica das MARCAS

Por Marcos Hiller* Na comunicação da marca, o foco é o receptor. No processo de branding, não necessariamente o que você pretende comunicar é o que o público-alvo entende. Na verdade, isso é uma máxima que vale para processos de comunicação como um todo. No momento em que planejamos e decidimos qual a forma, o tom, a linguagem, a frequência e o estilo com que nossa marca quer “falar” com nosso público-alvo é de fundamental importância que conheçamos com quem estamos falando, ou seja, quem é essa pessoa? Quem é esse receptor? Qual o seu repertório cultural? Qual o seu acervo de conhecimento? Eu diria que investigar essas respostas é uma etapa tão fundamental quanto planejar a mensagem, a mídia, a frequência, o tom, etc. E para cristalizar essa minha afirmação, gostaria de ancorar esse texto em dois exemplos muito emblemáticos: Um deles é o exemplo da Smirnoff, que identifica uma das marcas de vodkas mais conhecidas do mundo. Recentemente a Diageo, a empresa que é dona Smirnoff e outras como Guinness, Bailey’s e Cuervo, elegeu um brasão medieval com uma águia de duas cabeças para ser o novo símbolo da marca em todo o mundo. Isso mesmo, um animal bicéfalo está estampando a sua garrafa de Smirnoff. Pode parecer estranho ou então você nem mesmo se lembre dessa nova identidade, ou você nem reparou na criatura que representa a marca. Bastou a Smirnoff lançar essa identidade mundial de marca que, na Europa, por exemplo, os consumidores da vodka se revoltaram e acessaram o 0800 da Diageo, pois não gostaram e se ofenderam com aquele símbolo que representa força, poder e outros valores que a marca deseja passar. Nos Estados Unidos, o ruído foi um pouco menor e, no Brasil, zero. Mas como o mesmo símbolo pode gerar reações diferentes, dependendo com quem estamos falando? Pois é justamente sobre isso que chamo atenção. Sabemos que o cidadão europeu possui um repertório cultural mais vasto que o nosso, e identificou que aquilo era um bicho de duas cabeças, que remete a elementos belicistas de uma era medieval, e que desagradou os olhos dos consumidores. Já o brasileiro que tem um acervo intelectual tradicionalmente menos vasto que o do europeu, simplesmente não se ateve a esse detalhe, e continuou tomando a sua caipiroska tranquilamente sem o menor problema. Outro exemplo é o da Eternity (Calvin Klein). Tive conhecimento dessa história em um curso de semiótica de marcas que fiz na ECA-USP anos atrás. Uma distinta cidadã fazia coleção de perfumes e a cada viagem trazia mais um frasco e ostentava todos eles em sua prateleira do banheiro. Um belo dia, ela desconfiou que sua empregada doméstica estivesse usando seus perfumes sem que ela soubesse. A patroa sempre percebia um vidro ou outro mexido. Após alguns meses, um fato a deixou muito intrigada: a empregada usava todos os perfumes, exceto o Eternity, da Calvin Klein, que é um belíssimo perfume e um dos mais consumidos no mundo. Intrigada com aquele fato, chamou a empregada e disse: “Eu sei que você usa meus perfumes e não vou mandá-la embora por isso. Mas me tire uma dúvida. Por que usa todos exceto esse (apontando para o Eternity)?”. E a empregada doméstica solta uma resposta que vale por um curso de semiótica: “Ai, não! Como eu vou usar perfume com nome de telha” (onde ela fazia alusão à marca Eternit, que fabrica telhas e tijolos). Veja como a mesma expressão de marca pode gerar efeitos de sentido completamente distintos. A semiótica de Charles Pierce nos ajuda a entender melhor o porquê desses fenômenos acima. Esses dois exemplos nos evidenciam como é fascinante estudar marcas na contemporaneidade. E ao ler essas belíssimas histórias, concluímos que: muito mais importante que planejar a mensagem que sua marca pretende comunicar é entender a fundo a capacidade que seu público-alvo tem para decodificar o mote da comunicação. *Marcos Hiller é coordenador do MBA Gestão de Marcas (Branding) da Trevisan Escola de Negócios (@marcoshiller).

terça-feira, 17 de julho de 2012

Tudo que é bom dura pouco?

Dizem que “tudo que é bom, dura pouco”, ou ainda que “tristeza não tem fim, felicidade sim”. Muitas pessoas vivem, tentando se convencer disso. E algumas são tão convincentes, que acabam acreditando!

Acredito que nós é que valorizamos pouco os acontecimentos bons, mas em contrapartida, sentimos intensamente e damos uma importância imensa a tudo que nos causa desconforto e sofrimento.

Dê uma paradinha agora, e tente enumerar na sua mente, os episódios de tristeza pelos quais você passou nas últimas semanas.

Talvez você tenha se desentendido com alguém que você gosta (quando está em harmonia, com esta mesma pessoa, você consegue pensar nisso, e valorizar?), ou o ambiente no trabalho não está tão tranqüilo, como você gostaria que estivesse (você se lembra de sentir alegria quando está tudo correndo bem?) .

Tente se lembrar, da intensidade com que você vivenciou este sentimento, de quantos acontecimentos bons você deixou de perceber, de quantas sensações boas você se negou de sentir, pela falta de espaço na sua mente, já que ela estava quase que totalmente tomada por negativismo e por pensamentos dolorosos e aflitos.

Será que você tem conseguido dar tanta importância aos episódios de felicidade também?

Será que o sentir-se feliz para você, é tão importante e tão valorizado, quanto o sentir-se triste?

Nos últimos tempos, em quais situações, você consegue se lembrar, que conseguiu ser feliz? E nestas situações, será que você realmente teve a percepção deste sentimento e se deixou ser envolvida por ele?

Pátria de chuteiras


 Consta que Nelson Rodrigues afirmou que a Seleção Brasileira é a "pátria de chuteiras"...


Confundir pátria com esporte é algo meio delicado, embora potências mundiais invistam pesado nesse âmbito, para demonstrar superioridade.
Ocorre que, recentemente, vários meios de comunicação noticiaram que advogados da FIFA teriam alegado, num tribunal europeu, que a corrupção é comum em países sulamericanos e africanos. E isso não apenas no futebol, mas em toda atividade profissional, afirmando que a propina faria parte do "salário" da maioria dessas populações!
Essa é a imagem que fazem de todos nós?
Graças a corruptos que ocupam alguns cargos-chave e a picaretas nacionais que se autoexportam para o mundo, sim: no geral, eles pensam assim sobre nós.
No entanto, certos países desenvolvidos nos dão alguns exemplos a seguir:
Na Itália, eles punem e rebaixam times que participam de falcatruas. No Japão, empresários e políticos corruptos flagrados se suicidam, por vergonha!

E quanto ao Brasil?
Pois é, aqui, no futebol como em outras áreas, às vezes os inocentes é que são punidos. E, não raro, os culpados são até premiados!
Hoje, há interesses de mercado extremamente fortes no esporte.
Sempre houve, é verdade. Mas é difícil provar irregularidades, a não ser que alguém de dentro denuncie.
No entanto, generalizar o que fazem os atores desse submundo corporativo para nações e continentes é preconceito da pior espécie! Só falta alegarem que seus clientes são "vítimas da sociedade".
A esmagadora maioria desses povos injustamente acusada por esses "defensores" é trabalhadora e honesta! Só é pena que ela não consiga esmagar a corrupção que a assola, talvez por trabalhar demais e, para muitos, o esporte ser meio de fuga dessa roda-viva.

Quem sabe por isso, haja tantos fanáticos por futebol, facilmente manipuláveis.
Que absurdo: para justificar propinas milionárias recebidas por pouquíssimos, culpar centenas milhões de seres humanos, que ganham salários de fome!
Alguns deles são culpados, sim! Culpados por gastarem o pouco que ganham com seus times, às vezes deixando o conforto e, até, a dignidade de suas famílias em segundo plano. Culpados por "saírem no braço" com torcidas adversárias, com ou sem encontro marcado, ferindo e matando em nome de sua "paixão". Culpados por aceitarem ser manipulados nessa nova versão do "pão e vinho" romano.

Bem que poderia ser... Desde que os polegares para baixo fossem para os que orquestram esse espetáculo. Eles, sim, merecem ser jogados aos leões, inclusive do Imposto de Renda.
Chamar países e populações inteiras de corruptos para defender clientes? Será que os defendidos concordaram com essa forma de defesa, que denigre a imagem de milhões para justificar opções de caráter exclusivamente pessoal?

Para tudo há um limite! Mas, considerando a boa índole dos brasileiros, talvez ainda convidem essas "personas" para comer um churrasco por aqui...
No entanto, o certo seria a "pátria de chuteiras" começar a chutar alguns traseiros!

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Pelo fim da censura às biografias



(*)Newton Lima
      Nas últimas semanas participei de dois eventos que reuniram grandes nomes da literatura e do mercado editorial brasileiros: a Festa Literária Internacional de Paraty e o encontro de escritores da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Nas duas ocasiões, tive a oportunidade de defender o Projeto de Lei (PL 393/2011) que propus logo que assumi uma cadeira na Câmara Federal, sugerindo a ampliação da liberdade de expressão, informação e acesso à cultura na divulgação de dados biográficos de pessoas cujos atos sejam de interesse da coletividade.

      O referido projeto – em tramitação na Câmara – altera o artigo 20 do Código Civil, que estabelece que “(...) a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas (...) se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade (...)”. Em meu projeto tento acabar com esse resquício de censura determinando que a mera ausência de autorização não impede a divulgação de imagens, escritos e informações com finalidade biográfica da pessoa cuja trajetória pessoal ou profissional esteja inserida em acontecimentos de interesse da coletividade.

     Muitos poderão questionar se isso não configuraria um caso de conflito entre os dois direitos constitucionais: o da liberdade de expressão e o da privacidade e à imagem. Entendo que não, por um motivo muito simples: as personalidades são pessoas cujas trajetórias profissionais e pessoais confundem-se e servem de paradigma para toda a sociedade. Por sua posição de destaque, elas influenciam condutas e decisões de diversos seguimentos sociais, que valorizam as escolhas pessoais realizadas por tais “celebridades”, muitas vezes até reproduzindo-as.

      Nossa legislação, entretanto, não faz qualquer distinção entre pessoas públicas e demais cidadãos desconhecidos. Em outros países, como Inglaterra e Estados Unidos, o fato das personalidades frequentarem constantemente a mídia diminui o seu direito de imagem e privacidade, tornando lícitos, por exemplo, a publicação de biografias sem a necessidade de prévio consentimento. Nesses países, os interesses da coletividade em ter acesso às informações são garantidos pela não-exigência de autorização para a publicação de biografias.

      Vale enfatizar que essa não-exigência de autorização não significa atentado à dignidade da pessoa humana, garantido pelo artigo 1º, III, da Constituição Federal. Bem como permanece garantido o direito ao nome, previsto pelo artigo 17 do Código Civil. Eventuais conflitos destes direitos devem ser dirimidos no âmbito da Justiça, onde os tribunais proferem suas decisões à luz dos fatos concretos.

      Em um mundo cada vez mais globalizado, em que o acesso irrestrito à informação torna-se inevitável, a censura às biografias representa um antiquado cerceamento do direito de expressão tão caro aos brasileiros. Que o digam os fãs de Mané Garrincha, Roberto Carlos, Di Cavalcanti, entre outros, que viram as obras sobre seus ídolos serem brutalmente censuradas.

       A liberdade às vezes incomoda, mas as restrições a ela, como nos ensinou a experiência da ditadura, acabam nos levando às trevas.

      (*) Deputado Federal (PT-SP), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara, ex-prefeito de São Carlos e ex-reitor da UFSCar

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Santos, no Senado...

Agência Brasil030712 ANT1914
Brasília - O presidente do Senado, José Sarney, recebe o presidente do Santos Futebol Clube, Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro. Em 03/07/2012


Para aumentar número de jovens leitores é preciso fazer ligação entre internet e literatura, diz professora



Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - A ampliação do hábito da leitura entre estudantes brasileiros requer a existência de mediadores preparados que entendam as novas ferramentas tecnológicas para levá-los a fazer a ligação com o mundo em que vivem por meio da literatura. “Nós temos poucos mediadores aptos a entrar neste diálogo, nestes suportes, nestas novas linguagens e que tragam uma herança cultural vastíssima”, disse a diretora adjunta da cátedra Unesco de Leitura da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Eliana Yunes.
Na avaliação de Eliana, que criou a cátedra de Leitura na PUC-RJ em parceria com a Unesco, os estudantes, mesmo no uso da internet, podem dedicar mais tempo à escrita e à leitura do que teriam as pessoas há cerca de 20 anos. “Eles são obrigados a ler, a escrever, a se comunicar”, declarou à Agência Brasil.
Eliane admitiu, contudo, que sem uma mediação adequada, “existe uma simplificação do uso da língua”. A leitura dos estudantes que estão conectados às redes sociais acaba circunscrita a um universo muito estreito ao qual eles têm acesso com facilidade. “Está na onda, está na moda. Tem a coisa da tribo, do grupo”, disse. A professora disse que essa leitura, porém, não têm a densidade necessária para levar os alunos à formação de um pensamento crítico.
Segundo Eliana Yunes, falta a esses estudantes um trabalho de ligação com a leitura criativa ( presente na literatura, por exemplo), algo que pode ser feito pelas escolas e até pelas famílias. “Falta uma mediação que permita que esses meninos tenham acesso, mesmo via internet, a sites muito bons de poesia, de blogs,pequenas histórias, de museus, que discutem música, história”. Sites que, segundo Eliana, permitem que os alunos saiam desse “chão raso” e possam ser levados para uma experiência criativa da linguagem.
“Quem não lê tem muita dificuldade de escrever, de ampliar o seu universo de escrita, de virar efetivamente um escritor”. Como eles têm pouca familiaridade com a língua viva, seria necessário que os adultos se preparassem melhor, buscando conhecer esta nova tecnologia para que a mediação, tanto pela escola como pela família, pudesse ser exercida de forma a partilhar com os alunos leituras de boa qualidade.
A professora disse que a mediação restaura o fio que liga o passado ao futuro no presente destes estudantes. Ela reiterou que a falta de conhecimento de professores e pais desses suportes modernos de comunicação e a falta de habilidade de envolver alunos em uma discussão de um universo mais rico impedem meninos e meninas de desfrutarem uma herança cultural, “da qual eles são legítimos herdeiros”.
“Acho que a questão da escola passa pelo problema da mediação. Se nós não formos leitores de várias linguagens, de vários suportes, nós perderemos realmente o passo com esta geração, que está velozmente à nossa frente, buscando outras linguagens, outras formas de comunicação”. É preciso, sustentou, que os estudantes percebam que a literatura não é um peso ou uma obrigação. “Literatura é vida”.
Para Eliana, a literatura faz falta porque desloca o olhar das pessoas de uma coisa “líquida e certa”, para um lugar de reflexão, de discussão sobre o mundo e a vida humana. Isso pode ser encontrado não só no livro impresso, em papel, como também no livro digital. “Este jogo contemporâneo é muito rico”, disse. “Quanto mais suportes a gente tiver para a palavra escrita e para abrigar a reflexão sobre a condição do ser humano, melhor a gente vai poder abraçar as várias modalidades, que estão vivas, da palavra”.
Pesquisa - De acordo com pesquisa efetuada pelo Instituto Mapear para a Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro com 4 mil estudantes e 1,2 mil responsáveis, 93% dos alunos do ensino médio da rede pública do estado tinham celulares em dezembro de 2011 e 78% possuíam computador, sendo que 92% tinham acesso frequente à internet.
Em contrapartida, 14% dos alunos declararam não ter lido nenhum livro nos últimos cinco anos. Entre os que não leram nada, 17% residiam no interior e 12% na região metropolitana. Um livro foi lido no período por 11% dos estudantes; dois ou três livros por 26% e quatro ou cinco livros por 17%.
Entre os alunos que leram mais que um livro em média nos últimos cinco anos, a pesquisa registrou que 14% leram entre seis e dez livros, 8% entre 11 e 20 e 10% leram mais que 20 livros em cinco anos.
Edição: Fábio Massalli

sábado, 7 de julho de 2012

A química de cada um de nós




Pedro Coimbra

            Miúcha me disse, num final de semana passado em Monte Verde, que o que nos unia era a química.
Será verdade? Pesquiso e constato que o corpo humano é composto por 21 elementos da Natureza, que talizam 96. E que 95% da massa corporal é formada por 4 elementos: oxigênio, carbono, hidrogênio e nitrogênio.
Enquanto Miúcha e eu rolamos pela cama e pelos tapetes vermelhos raciocino se esses elementos presentes em mim são capazes de substituir o que chamamos de afetividade.
Minha tia Tetê, uma solteirona de mão cheia, funcionária aposentada da Caixa Econômica Federal, tornou-se uma espécie de protetora da família e guru sentimental.
Diziam, e as fotos não desmentiam, ter sido uma das mulheres mais bonitas da cidade.
Teve só um grande amor, Lipinho, nomeado Fiscal de Rendas, sem concurso, por políticos. Era o que chamavam então de “pé de valsa” e todos diziam que ele e Tetê haviam nascido um para o outro.
Seria essa a tal química perfeita?
Tia Tetê não gostava de conversar no assunto, principalmente como Lipinho desaparecera de sua vida.
Tudo acontecera numa terça-feira, e por isso ela detestava esses dias da semana.
O melhor dançarino da cidade, sua paixão, fez as malas, abandonou um emprego duradouro, tomou a “jardineira” para a Capital e foi se refestelar nos braços de Mercedes, uma dançarina espanhola que morava na Casa da Zezé, o mais famoso prostíbulo de Minas Gerais.
            Para uma sobrinha mais espevitada que insistiu muito ela contava como tudo tivera fim.
            Mercedes não era uma mulher para um homem só e corneava Lipinho a torto e a direito.
- Ia além de suas funções de mulher dama – explicava ruborizada tia Tetê.
Numa noite de lua cheia, Lipinho estava bebendo um chope na Cantina do Lucas, no Maleta, quando entrou um tal de Dudu.
Os dois eram muito fortes e logo batiam boca por Mercedes, até que Dudu sacou um revólver e crivou Lipinho com vários balaços.
- Testemunhas disseram que Lipinho se arrastou ainda até a esquina da Avenida Augusto de Lima e Bahia antes de morrer – dizia com lágrimas nos olhos.
Foi ela quem pagou o translado, velório e enterro com um terno novo, guardando no seu breviário uma recordação da Missa de Sétimo Dia que mandou rezar na Igreja das Mercês.
- Mas, tia, existe a química no amor, ou não?
Antes que responda chego a conclusão que a afirmação é uma grande balela e que o amor está mesmo condicionado a nossa empatia pelo outro, nossa capacidade de dividirmos emoções e aí, deixarmos que funcionem aquelas  nossas glândulas animais primárias.
Essa história da química de cada um de nós é apenas uma maneira de escamotearmos as verdadeiras virtudes necessárias a longevidade dos nossos relacionamentos.
Ah! E para terminar vou atrás de alguém que supra a minha falta de lítio...
Pois,  como diz a poeta Cláudia Banegas, “ Para amar é necessário apenas ter um coração... sem mais, nem menos.”


14 filmes e animações para estimular o senso crítico em crianças e adolescentes

  Com cinema brasileiro em destaque no cenário internacional, especialistas apontam obras que ajudam crianças e adolescentes a desenvolver r...