domingo, 30 de novembro de 2008

Wlater Moura

ENTREVISTA: WALTER ROURA - Presidente da International Federation of Sports Medicine (FIMS)


Como fazer para que as pessoas se exercitem regularmente?

Realizado entre os dias 18 e 23 de novembro em Barcelona (Espanha), o 30o Congresso Mundial de Medicina do Esporte reuniu mais de 1.200 especialistas de 67 países diferentes e apresentou cerca de 500 estudos diferentes. Na opinião do presidente da International Federation os Sports Medicine (FIMS), Walter Frontera Roura, o evento reafirmou os avanços da área e apontou novos rumos no ano em que a instituição completa 80 anos. Em entrevista à Agência Notisa, Roura fez um balanço das atividades do congresso e defendeu a necessidade de a área expandir-se cada vez mais para além do treinamento de atletas. Durante café da manhã no hotel AC Barcelona, ao lado do Centro de Convenciones Internacional Barcelona (CCIB), o professor da faculdade de medicina da Universidad de Puerto Rico apontou, ainda, o papel que a medicina do esporte pode desempenhar no busca por respostas frente ao envelhecimento da população mundial e o concomitante avanço das doenças crônicas.

Notisa – Como a medicina do esporte pode contribuir para um mundo melhor?

Walter Roura – Este é o tema do congresso, e eu acho que existem diferentes maneiras. Só o fato de nós promovermos a prática de esportes e a participação de inúmeras nações do mundo na área [medicina do esporte] não deixa de ser uma maneira de promover a paz e, esperamos, um mundo melhor.

Notisa – De que forma isto é feito?

Walter Roura – Mais especificamente, no que diz respeito à nossa atuação científica, o que fazemos é promover o exercício, a atividade física e os esportes como uma maneira de melhorar a qualidade de vida. Nesse contexto, há duas grandes vertentes. A primeira é a mais conhecida: os esportes de competição, com as modalidades olímpicas sendo sua face mais visível. A medicina ligada aos esportes olímpicos pode contribuir fazendo com que, quando aumentamos a qualidade de um programa de treinamento e prestamos o atendimento médico que os atletas exigem, possamos diminuir os riscos e recuperar lesões que eventualmente os estão atingindo. Todas essas questões estão relacionadas à tentativa de melhorar a performance dos atletas.

Notisa – E a segunda?

Walter Roura – A segunda linha de atuação é o uso do exercício e da prática de esportes para prevenir e tratar doenças crônicas. O argumento básico dessa abordagem, intimamente ligada à saúde pública, são as inúmeras evidências científicas. Hoje, nós sabemos que, se um indivíduo pratica um esporte regularmente, determinadas doenças crônicas podem ser prevenidas, como doenças cardíacas, diabete, obesidade, hipertensão e até mesmo alguns tipos de câncer. Inclusive acreditamos que este seja um caminho muito importante para a medicina do esporte, o que aumenta consideravelmente o escopo de atuação da área, e inclui aqueles que não são atletas de competição.

Notisa – Quais foram os principais avanços feitos nesse sentido, levando-se em consideração que a medicina do esporte, em geral, é associada apenas ao tratamento de atletas?

Roura – De fato, a face mais comum da medicina do esporte é a atuação voltada para atletas de elite, e eu considero que nós temos que ir além e incluir, como já disse, atividades de promoção do esporte como meio de melhorar a saúde e prevenir doenças. Mas, nos últimos 10 anos, inúmeras pesquisas mostraram que o exercício pode ser usado na prevenção primária de doenças crônicas, ou seja, antes de elas aparecerem, e é importante enfatizar esta questão: que o risco de uma pessoa vir a desenvolver uma doença crônica é mais baixo quando ela se exercita. Isso é algo que nós já sabemos há algum tempo, mas não existiam evidências tão consistentes para determinadas doenças como demonstrado na última década.O segundo ponto é que não se trata apenas de estudos que demonstraram esta a associação entre atividade física e risco menor de doenças. Na verdade, cada vez mais os estudos têm, de fato, investigado intervenções utilizando o exercício como meio de prevenir que um determinado grupo de indivíduos com alto risco para, por exemplo, diabetes venha a desenvolver o quadro. Tais pesquisas têm mostrado que esta é uma estratégia eficaz.

Notisa – Diante do envelhecimento da população, você considera o enfrentamento das doenças crônicas como sendo o grande desafio da medicina do esporte? Além deste, que outros você citaria?

Roura – Você mesmo já mencionou um dos principais: o envelhecimento da população. Por muitos anos, nós focamos na promoção do esporte e da atividade física entre homens e mulheres jovens e saudáveis. Porém, a realidade demográfica nos mostra que o número e o percentual de pessoas nos grupos etários mais avançados está crescendo dramaticamente. Realmente, em muitos países, nas próximas duas décadas, cerca de 25% da população terá mais de 65 anos de idade. Isso está acontecendo em todo o mundo, talvez com exceção de alguns países africanos. Posso dizer que estamos enfrentando o envelhecimento da população, não apenas o envelhecimento de um indivíduo, mas de todas a sociedade.

Notisa – Há mudança de comportamento entre os idosos?

Roura – Isso mesmo, nesse contexto, outro ponto interessante é que este é um processo no qual as pessoas não estão apenas vivendo por mais tempo, elas também estão mais saudáveis, atingindo idades mais avançadas sem doenças crônicas – e elas querem continuar ativas. Em geral, são pessoas que não querem se adaptar a um estilo de vida sedentário, e no caso daquelas que se mantêm inativas, nós devemos contribuir para evitar que isso ocorra, tendo em vista as conseqüências negativas para a saúde.

Notisa –Qual o caminho para oferecer estratégias de atividade para os mais velhos?

Roura – O desafio que se coloca é o de adaptarmos nosso conhecimento sobre exercícios e atividades físicas em populações mais jovens e aplicá-lo aos idosos. É claro que isso demanda novos estudos. Nós não podemos extrapolar dados produzidos com base em um indivíduo de 20 anos para outro com 75. Nos últimos 15 ou 20 anos, foram conduzidas pesquisas significativas mostrando que o exercício pode ser seguro e eficaz em mulheres e homens mais velhos. Tais pesquisas são, em algum grau, independentes dos estudos acerca da relação entre exercício e doenças crônicas. Há, obviamente, uma certa sobreposição, mas existem diferenças significativas. Do meu ponto de vista, este é o principal desafio para o futuro.

Notisa – Mais do que enfrentar o avanço as doenças crônicas?

Roura – Eu colocaria as duas questões na mesma categoria. Eu diria que a medicina do esporte tem que continuar a fazer parte deste esforço em melhorar a performance humana, o tratamento de lesões de atletas. Porém, ao mesmo tempo, ela deve se debruçar sobre essa importante tendência das sociedades. Hoje, nós temos as doenças crônicas e o envelhecimento, e ambos exigem a devida atenção.

Notisa – Durante o congresso, foram apresentados estudos de diferentes áreas da Medicina, como cardiologia, ortopedia, fisiologia e genética. Qual é a importância de um olhar multidisciplinar?

Roura – Eu considero que a abordagem multidisciplinar é a correta, e isso decorre de diferentes fatores. Um deles é o fato de que, nos últimos 50 anos, houve um crescimento dramático da quantidade de informação sobre a saúde e as doenças humanas. É muito difícil para um único indivíduo ter a resposta para um paciente ou uma situação em particular. É por isso que eu acredito que nós precisamos de pessoas com experiências e especialidades diversas para lidar com as necessidades do paciente. Nesse contexto, é fundamental que os diferentes profissionais atuem de maneira coordenada com o objetivo de evitar um tratamento fragmentado. Nós temos que não apenas ter a certeza de que dispomos de indivíduos com o conhecimento e a habilidade necessárias para tratar do pacientes, mas também de que eles vão trabalhar juntos.

Notisa – Isto implica em algumas mudanças, certo?

Roura – Este é um desafio e tanto, pois a medicina tradicional é calcada na abordagem individual do paciente e, hoje, se nós queremos oferecer o melhor tratamento possível, nós temos que trabalhar em equipe. Tal fato não se aplica somente ao atendimento do paciente, mas também à pesquisa. As demandas que se colocam à pesquisa científica exigem especialistas em diferentes áreas. Não é fácil lidar com um problema científico significativo na atualidade sem ter ao lado colegas com experiência e conhecimento em áreas nas quais nós não temos. Não apenas o atendimento médico, mas também a ciência deve ser feita em equipe.

Notisa – Na sua opinião, qual é a principal mensagem do congresso para a comunidade científica e para o público leigo?

Roura – Essa é uma boa questão. Para os médicos, a mensagem parece ser que o conhecimento, na medicina do esporte, tem crescido dramaticamente. Neste congresso, nós apresentamos a eles o estado da arte – nível mais alto de conhecimento e aplicação prática até o momento – em diferentes aspectos da área, e esta é uma informação que ele deve ter em mente em sua prática clínica. Já a mensagem para o público em geral é a de que, como dissemos antes, hoje, nós temos uma extensa literatura científica mostrando que a prática regular de atividade física é boa para a sua saúde e contribui para a prevenção de doenças crônicas importantes.

Notisa – Qual a contramão dessa história?

Roura – O problema que nós temos é que, a despeito de todo o conhecimento publicado em livros e periódicos científicos, a maioria da população mundial não é fisicamente ativa. Um dos desafios que temos, então, é: como fazer com que as pessoas se exercitem regularmente? Como fazer com que elas incorporem a atividade física à vida diária? Essa é uma área de pesquisa que precisa ser expandida, uma área mais comportamental de pesquisa e, a menos que possamos descobrir como fazê-lo, nós alcançaremos apenas um sucesso parcial.

Notisa – A psicologia comportamental não poderia ajudar a medicina do esporte a encontrar tais respostas?

Roura – Eu concordo com você. Essa é uma das áreas que temos que expandir. Precisamos buscar profissionais treinados em psicologia comportamental realmente interessados em descobrir como fazer para que as pessoas se tornem fisicamente mais ativas, como convencê-las a iniciar um programa de exercícios e a manter a atividade física como parte da vida diária. Voltando à importância das equipes multidisciplinares, esta questão comportamental é um ponto que precisa ser encarado, e eu não acho que alguns dos excelentes pesquisadores que temos na área são treinados nesta habilitação em particular. Então o que nós podemos fazer? Nós temos que convidar aqueles que têm este conhecimento e colocar o problema para eles e perguntar: como vocês podem nos ajudar a responder esta questão? Acredito que este é um ponto que pode ser acrescentado aos desafios a serem enfrentados [pela Medicina do Esporte] nos próximos 10 ou 20 anos.

Notisa – Já existe alguma pesquisa nesse sentido?

Roura – Já existem algumas pesquisas, e elas são boas. Mas este tópico exige ainda mais trabalho. Nós precisamos ter uma compreensão muito melhor para fazer isso. Lembre-se de que temos que entender como intervir em diferentes grupos etários, constituídos por homens e mulheres, inseridos em contextos culturais diversos. Uma coisa é promover a atividade física no Brasil, outra é fazê-lo na Índia. Além disso, precisamos de pessoas com o conhecimento necessário e que tenham interesse em identificar fatores que podem predizer quem irá aderir ao programa de exercício? Entre aqueles que não o fizerem, por quê isto ocorreu? O que nós podemos fazer para que eles participem?

Notisa – Esta é uma barreira apenas com relação ao exercício físico?

Roura – Não, esse é um problema que não se restringe ao exercício. Na medicina em geral, os médicos prescrevem as drogas e os pacientes simplesmente não as tomam, por exemplo. É um problema sobre o qual devemos falar. É muito frustrante perceber que nós sabemos como tratar uma doença, nós demos a medicação ao paciente, e ele não a utiliza. É claro que existem razões para isso. Alguns podem não ter o dinheiro para comprar o remédio, outros podem considerar que não é a melhor maneira de tratar a doença. É por isso que considero este um ponto importante para a medicina do esporte. Nós não podemos ignorá-lo, e é um desafio para o futuro.

Notisa – O que se pode esperar para o próximo congresso em 2010, sobretudo levando-se em consideração que ele será realizado no país de origem do senhor (Porto Rico)?

Roura – Eu espero que o próximo congresso seja um sucesso. Para mim, há diferentes fatores. Eu quero assegurar que tenhamos um bom número de participantes e especialistas em Porto Rico. Vou buscar também assegurar o máximo de pessoas da região do Caribe e das Américas Central e do Sul.Levando-se as diversas dificuldades econômicas relacionadas ao deslocamento, eu acho que é importante que congressos dessa natureza sejam realizados o mais próximo possível de diferentes pessoas em diferentes partes do mundo. Viajar não é fácil, logo, nós queremos ter a certeza de que pessoas que talvez não puderam vir para a Europa possam ir ao próximo encontro. Desejamos também, é claro, que o nível científico continue a ser extraordinário, pois o objetivo do congresso é, na verdade, sempre trazer aos participantes a melhor evidência científica possível para embasar o que eles estão fazendo na prática. Por fim, há sempre um componente humano, social no congresso. Queremos que as pessoas se reúnam e conversem umas com as outras. Neste tipo de encontro, todas as atividades sociais fora das salas de conferência estão repletas de discussões científicas, e muitos projetos científicos nascem deste tipo de conversa informal.

Notisa – E do ponto de vista de resultados de pesquisas científicas, o que se pode antever?

Roura – Do ponto de vista científico, há muitas pesquisas que são imprevisíveis, não há como dizer que, em dois anos, que tipo de informações teremos. É isso, inclusive, que faz da pesquisa algo tão interessante. Por outro lado, se você analisar os anais de diferentes congressos ao longo dos anos, irá perceber que há uma evolução de conceitos. Nesse sentido, nós esperamos ver, daqui a dois anos, mudanças nos nossos métodos. Há uma série de tópicos relacionados à genética, por exemplo, que estão se transformando muito rapidamente, e temos certeza de que muitas novas observações poderão ser feitas em 2010.

Notisa – Atualmente, a Internet permite acessar grande parte de toda a literatura publicada sobre um determinado assunto. Nesse sentido, por que organizar um congresso científico ainda é importante?

Roura – Eu entendo o argumento e diria que a publicação eletrônica tornou o fluxo de informação mais fácil e possível realizar uma série de atividades sem viajar. É possível que, em sua Universidade, você possa ter acesso à informação sem nem mesmo ir à biblioteca, pois está disponível na Internet. Porém, isto é parcialmente verdadeiro. A realidade é que, em muitos congressos, os pesquisadores enviam informações que não estão publicadas, talvez até venham a ser publicadas, mas ainda não estão acessíveis. Você pode argumentar, ainda, que basta esperar o congresso terminar e adquirir o livro de abstracts (resumos) e lê-los, mas não é a mesma experiência.

Notisa – Do que mais a internet não dá conta?

Roura – A outra coisa que a Internet não oferece é a oportunidade de encontrar pessoas cara a cara, conversar com elas e, assim, elaborar novas idéias e novos projetos – e isso, especificamente, eu acredito que ainda pode ser mais bem feito em uma situação cara a cara. Eu concordo que a publicação eletrônica tornou nossa vida mais fácil, o acesso à informação é muito mais simples, mas eu não concordo que este seja um motivo para que congressos não mais sejam organizados, ao contrário, eles precisam se multiplicar.

Agência Notisa de Jornalismo Científico (science journalism)

SOS santa Catarina

GRANDES NOMES DA MPB SE UNEM EM SHOW “SOS SANTA CATARINA”, PROMOVIDO PELA TV CULTURA


Um grande show aberto ao público será realizado neste domingo (30/11), das 20h às 22h, no Anhembi (Grande Auditório), em prol das vítimas das chuvas em Santa Catarina.


Promovido pela TV Cultura , em parceria com a Prefeitura do Município de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo e Defesa Civil de São Paulo, o evento “SOS Santa Catarina” contará com a presença de grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Ed Motta, Chico César, Fabiana Cozza, Simoninha, Jairzinho Oliveira, Trio Virgulino, Quinteto em Branco e Preto, e Lecy Brandão, além da turma do Cocoricó e apresentadores da emissora. A TV Cultura ainda aguarda a confirmação de outros artistas convidados.



Para participar do show, que será transmitido ao vivo pela TV Cultura, cada pessoa deve levar uma garrafa de água mineral ou cobertor. A entrada será feita pelo portão 34, a partir das 18h. O estacionamento, gratuito, poderá ser acessado pelo portão 30.



A TV Cultura dará continuidade à campanha “SOS Santa Catarina” no decorrer da próxima semana, quando a população poderá fazer doações nas bases da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Subprefeituras e no Fundo Social de Solidariedade. A população também poderá contribuir com depósitos em dinheiro no Banco do Brasil, agência 3582-3, conta corrente 80.000-7, em nome do “Fundo Estadual da Defesa Civil” - CNPJ 04.426.883/0001-57.



As doações serão entregues às famílias atingidas pelas chuvas, que deixou milhares de desabrigados e matou quase 100 pessoas.



Gerência de Comunicação Corporativa da Fundação Padre Anchieta

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MEU NARIZ, SUA BOCA E UM CIGARRO ENTRE NÓS.

MEU NARIZ, SUA BOCA E UM CIGARRO ENTRE NÓS.
(Autor: Antonio Brás Constante)

SIM, eu fumo. Fumo através de outras bocas, cada vez que respiro o ar advindo de suas narinas, que exalam fumaças toscas. Fumo de forma passiva, indefesa. Fumo sem ver, sem muitas vezes saber. Fumo por ter que respirar um ar viciado, produzido por você.

Eu padeço de um suplício através de seu vício, perecendo um pouco a cada momento, por causa de suas baforadas desaforadas, desta doença disfarçada de indiferença, que atenta contra a própria vida que em ti se sustenta.

De tempos em tempos uma nova tragada, desta podre fumaça estragada, que viaja em suaves brumas para ser por mim inalada. Sinto-me um cinzeiro humano, contaminado por seus crônicos atos insensatos, que impregnam meus cabelos, minhas roupas, minha mente, com o cheiro que brota das cinzas de suas guinbas decadentes.

E você se acha uma pessoa bacana, sorvendo seu cigarro até a bagana. Soprando a morte aos ventos da própria sorte. Meu pior sortilégio é ser vítima casual de suas ações fugazes para tentar fugir do tédio.

Indivíduos movidos por uma ânsia que vai apagando o fogo de sua essência, queimando suas entranhas com todo tipo de moléstias estranhas. Alguns chegam a clamar por direitos equivocados de usufruir do funesto tabaco, por tantos outros execrado.

Quem cai nas garras desse frenesi, sabe o quanto é fácil começar e difícil parar de fumar. Onde o condenado ainda paga para poder se matar. Coloca na boca a arma e vai disparando para dentro de si mesmo atroz veneno, consumido em frascos tão pequenos. Atira uma, duas... Inúmeras vezes (e seus pulmões que se danem sofrendo a esmo).

Vão se matando aos poucos, e alguns ainda dizem que eu é que sou louco (talvez só um pouco). Mas acho que é porque quem respira tais toxinas às vezes desatina. Vai assassinando sua tênue existência todo santo dia, em troca da fútil nostalgia de soprar fumaça, imitando a chaminé de uma lareira nefasta.

Suicidas que se acham modernos. Fumam para espantar os seus demônios internos. Fumam pela rebeldia, ou para simular alegria. E eu sigo fumando com eles. Adoecemos, combalidos por essa desgraçada fuligem amaldiçoada. Agora se me derem licença vou tomar minha cachaça, pois já que é para se acabar, enfisema ou cirrose tanto faz. O importante é saber que no fim alguém vai acabar lucrando, enquanto vamos todos nos matando. Enfim, como para meio entendedor uma boa palavra basta, só posso deixar uma dica: fumar MATA.

***

A PROPÓSITO: Falando um pouco sobre a notícia de astronautas que perderam suas ferramentas no espaço, fica a pergunta: Afinal, perder coisas no espaço pode ser considerado um acontecimento sem gravidade?

E-mail: abrasc@terra.com.br

Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

NOTA DO AUTOR: Divulgue este texto para seus amigos. (Caso não tenha gostado do texto, divulgue-o então para seus inimigos).

NOVA NOTA DO AUTOR (agora com muito mais conteúdo na nota): Caso queira receber os textos do escritor Antonio Brás Constante via e-mail, basta enviar uma mensagem para: abrasc@terra.com.br pedindo para incluí-lo na lista do autor. Caso você já os receba e não queira mais recebe-los, basta enviar uma mensagem pedindo sua retirada da lista. E por último, caso você receba os textos e queira continuar recebendo, só posso lhe dizer: "Também amo você! Valeu pela preferência".

ULTIMA NOVA NOTA DO AUTOR: Agora disponho também de ORKUT, basta procurar por "Antonio Brás Constante".

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Em jogadores de futebol, ultra-som e exames de sangue podem ajudar a predizer tempo de recuperação após lesão muscular

Estudo espanhol concluiu também que tempo de recuperação foi mais alto em pacientes com baixos níveis de ferritina, o que sugere que isto pode ser um fator de risco para lesões musculares.



Dublin (Irlanda) – Após analisarem 57 jogadores de futebol federados com lesões musculares, pesquisadores espanhóis concluíram que a realização de ultra-som e de exames de sangue pode ajudar a predizer o tempo de recuperação dos atletas. Segundo o estudo, apresentado na sessão de pôsteres do 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte, encerrado ontem em Barcelona (Espanha), as lesões musculares constituem a razão mais freqüente da procura por atendimento médico de jogadores de futebol.



“Diante disso, é necessário fazer um diagnóstico clínico e anatomopatológico para que seja possível definir o prognóstico e o período necessário de recuperação”, afirmam os autores da pesquisa, Rodas, Insunza e Del Valle, da Escuela de Medicina del Deporte, Oviedo, Astúrias (Espanha).



Segundo o pôster, o estudo analisou dados, coletados entre os anos 2000 e 2008, de 56 homens e 1 mulher com idade entre 12 e 39 anos, todos submetidos a ultra-som e exames de sangue. Em geral, ambos são utilizados para identificar a lesão anatômica, e o objetivo do estudo foi verificar se eles podem ser considerados bons testes complementares na hora de determinar o tempo de recuperação do músculo lesionado.



Os resultados mostraram que os atletas com 18 anos de idade foram os que mais sofreram lesão (12,28%) e que 42,10% de todos os participantes havia sofrido injúria em tendão da perna. Além disso, os exames de sangue mostraram que 38,59% apresentavam baixos níveis de ferritina (proteína que contem reservas de ferro) e que 10,52% tinham altos níveis de creatinaquinase (ck) – enzima encontrada no músculo, relacionada ao fornecimento de energia. De acordo com os autores, “o tempo de recuperação foi maior nos pacientes com baixos níveis de ferritina”, sugerindo que isto “pode ser um fator de risco para lesões musculares”.



Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

Vitamina C pode piorar resistência de atletas, sugere estudo

Cobertura especial – 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte

24/11/2008


Pesquisa espanhola analisou os efeitos da ingestão da substância em humanos e ratos durante um programa de treinamento. Substância é freqüentemente usada por desportistas para combater o estresse oxidativo.



Dublin (Irlanda) – Estudo realizado pela Universidade de Valencia e apresentado durante o 30º Congresso Mundial de medicina Esportiva, em Barcelona, concluiu que a suplementação de vitamina C diminui a eficiência do treinamento na medida em que evita algumas adaptações celulares ao exercício. A pesquisa (duplo cega e randomizada) analisou os efeitos da substância em 14 homens e 24 ratos machos e identificou que a administração de vitamina C dificultava significativamente a capacidade de resistência em ambos os grupos.



Segundo o pôster do estudo, os efeitos adversos podem ser explicados pela diminuição da expressão induzida pelo exercício dos fatores chave de transcrição envolvidos na biogênese das mitocôndrias (organelas celulares), especificamente: PGC-1, NRF-1 e mTFA.



“A vitamina C também impediu a expressão induzida, pelo exercício, do citocromo C (um marcador de conteúdo mitocondrial) e das enzimas antioxidantes superóxido dismutase e glutationa peroxidase”, afirmam os autores no artigo.



Eles destacam que os praticantes de esporte freqüentemente tomam vitamina C, pois o exercício exaustivo gera estresse oxidativo, o que pode causar lesão tecidual. Entretanto, há um debate considerável com relação aos efeitos benéficos deste procedimento como demonstrado no estudo.




Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

domingo, 23 de novembro de 2008

E FOI ASSIM QUE TUDO TERMINOU...

E FOI ASSIM QUE TUDO TERMINOU...
(Autor: Antonio Brás Constante)

Em um belo dia (antes mesmo de existirem os dias), alguém dotado de poderes tão vastos quanto a nossa própria imaginação resolveu criar o mundo, dizendo apenas duas palavrinhas mágicas: “Big Bang”, e foi assim que tudo começou. Então, Ele pegou um punhado de terra e misturou com água formando o barro, deste barro fez o homem (provavelmente este fato foi o precursor do biscuit). Esta foi à parte fácil, difícil mesmo foi achar algo para o homem fazer depois de ter sido criado.

Adão e Eva viviam no paraíso, um lugar que poderia ser considerado como o primeiro condomínio fechado na história da humanidade, construído com todo conforto para um tipo especial de inquilinos, que eram protegidos e adorados por serem as preciosidades do Todo-poderoso, ou seja, para quem não sabe, não entendeu, ou fez de conta que não sabia, estou falando das maçãs.

Todo o restante dos habitantes do jardim do Éden só era bem-vindo se ficasse longe dos deliciosos e suculentos frutos das macieiras. Foi então que a ardilosa serpente (provavelmente possuída pelo espírito que daria origem aos primeiros políticos), usou de sua lábia ardilosa para convencer Eva a comer do fruto proibido. Após muito pensar, a criatura peçonhenta finalmente elaborou uma tática infalível, dizendo para a primeira mulher que a maçã tinha baixíssimas calorias e que fazia maravilhas para os cabelos.

Tão logo mordeu a maçã Eva percebeu que estava nua, e o que era ainda pior, se deu conta de que não existiam shoppings centers naquele lugar. Para não levar a culpa sozinha, ela inventou ao ingênuo Adão (um homem ainda sem pecados) que a maçã tinha gosto de cerveja, deixando-o com uma vontade irresistível de prova-la também. Mal sabia ele que aquela seria sua ultima refeição de graça...

Quando ficou sabendo que havia sido cancelada a contagem de listras da zebra (para finalmente descobrirem se ela era preta com listras brancas, ou branca com listras pretas), Adão ficou contente, sempre ficava perdido em eventos assim, principalmente porque ainda não havia sido inventada a matemática. Mas quando soube, juntamente com Eva, que a referida atividade daria lugar à expulsão do paraíso de um homem e uma mulher, sua curiosidade aflorou, afinal quem seriam os dois pobres coitados?

Adão e Eva faziam esta pergunta para si mesmos e para os demais animais e árvores do bosque encantando chamado de paraíso. Até que acabaram se dando conta que seriam eles mesmos (por total falta de opções), e assim ficou cunhada a expressão: “Os únicos serão os primeiros”, como eles também foram os últimos a terem acesso aquele primeiro paraíso, posteriormente a expressão foi alterada para: “Os últimos serão os primeiros”, que é utilizada até hoje em nossos dias.

Após a expulsão os dois vieram parar aqui na Terra (se você estiver lendo este texto em algum outro ponto do universo, comece procurando por “Via Láctea” no google e leia sobre o assunto). Eles foram obrigados a garantir o seu sustento com o suor do próprio rosto. Como ainda não havia nada, acabaram trabalhando tanto que seu suor provavelmente deu origem aos oceanos do planeta.

E foi assim que tudo terminou, ou pelo menos foi assim que terminou a vida mansa do casal número 1 de nossa existência. Mas o pecado original também trouxe algumas novidades (a princípio muito boas), como o sexo, por exemplo, que era bem mais interessante como passatempo do que ficar contando nuvens no céu. Porém, logo vieram os filhos, a manutenção da caverna, o trabalho para cuidar da plantação e do rebanho, e a cada dia que passava, Adão ia se dando conta de que ter extraído a tal costela para dar forma a uma mulher já estava lhe dando mais dor de cabeça do que prazer. Ao menos povoar o mundo foi uma boa idéia, pois assim poderia formar um time de futebol e talvez as coisas começassem a melhorar por ali. Enfim, de lá pra cá, muita pouca coisa mudou...

E-mail: abrasc@terra.com.br

Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

NOTA DO AUTOR: Divulgue este texto para seus amigos. (Caso não tenha gostado do texto, divulgue-o então para seus inimigos).

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Medicina esportiva

ENTREVISTA: JOSÉ KAWAZOE LAZZOLI



Dublin (Irlanda) – Começam amanhã e vão até domingo, dia 23 de novembro, em Barcelona (Espanha) os trabalhos científicos do 30º Congresso Mundial de Medicina dos Esportes. O presidente eleito da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte e editor-chefe da Revista Brasileira de Medicina do Esporte, José Kawazoe Lazzoli, que estará presente ao evento, afirma, em entrevista, que a medicina do exercício e do esporte produz um conhecimento e uma assistência que beneficia todos os cidadãos, desde atletas de ponta a pacientes portadores de doenças crônicas. O cardiologista, membro da Câmara Técnica de Medicina Desportiva do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro, também alerta que são necessárias políticas públicas eficientes que promovam a prática dos exercícios físicos para todos os segmentos da sociedade. A partir de amanhã, o correspondente da Agência Notisa na Europa, Gustavo Oliveira, estará cobrindo, diretamente de Barcelona, o 30º Congresso Mundial de Medicina dos Esportes.




Notisa - Às vésperas do maior e principal congresso do mundo de medicina do esporte, que avaliação o senhor faz da especialidade?



José Lazzoli – A medicina do exercício e do esporte é uma especialidade em franco crescimento. Hoje, a população em geral está cada vez mais consciente de que a prática regular de exercícios é parte fundamental de qualquer estratégia de promoção da saúde. Indivíduos que praticam exercícios têm menor chance de desenvolver uma série de doenças crônicas, além de viverem mais e com melhor qualidade. Por outro lado, os atletas de alto rendimento têm à sua disposição técnicas cada vez mais sofisticadas para melhorarem o seu desempenho sem sacrificarem a sua saúde. E é por trabalharmos com todo esse espectro da população (atletas de alto rendimento num extremo, indivíduos comuns que praticam exercícios para manterem a saúde e indivíduos portadores de diversas doenças, que utilizam o exercício como parte importante do seu tratamento, no

outro extremo), utilizando um mesmo instrumento – o exercício físico – de forma individualizada, que podemos dizer que a medicina do exercício do esporte é uma especialidade única.



Notisa – Quais serão os principais assuntos discutidos ao longo do congresso? O senhor destacaria algum em particular?



José Lazzoli – Dentro da abrangência de assuntos que encontramos em um congresso de medicina do exercício e do esporte, eu destacaria, entre outros assuntos, (1) as estratégias para melhorar o desempenho de um atleta de elite, de forma limpa e saudável – nutrição e suplementos no esporte, fisiologia do exercício, controle anti-doping –, (2) as novas técnicas para prevenir e tratar lesões dos ossos, articulações e músculos, tanto de atletas de ponta quanto de praticantes de exercícios em caráter não-competitivo e (3) os novos grandes estudos populacionais que corroboram o uso clínico do exercício físico como componente fundamental do tratamento de uma vasta série de doenças cardiovasculares, respiratórias e metabólicas.



Notisa – Qual é a sua avaliação em torno da qualidade da produção científica na área de medicina do esporte, considerando os avanços já feitos e as atuais perspectivas?



José Lazzoli – O conhecimento médico avança de forma muito rápida em todas as especialidades e a medicina do exercício e do esporte não é exceção. É justamente a pesquisa que proporciona as novas técnicas, os novos tratamentos; é justamente a pesquisa clínica que permite que tenhamos tanta convicção com relação ao papel benéfico do exercício para a saúde. As perspectivas atuais caminham para uma medicina cada vez mais capaz de prevenir doenças preveníveis (minha redundância é proposital), pois diversos estudos nas últimas décadas já foram capazes de identificar as características (que nós chamamos de "fatores de risco") associadas ao surgimento de uma série de doenças crônicas. Estamos

avançando muito nas informações científicas que geram recursos que nos permitem reduzir as chances de desenvolver tais doenças, mas é necessário avançar mais na implementação de políticas de saúde pública que contemplem também a prática regular de exercícios pela população. Esta é, sem dúvida alguma, uma intervenção com uma relação custo/benefício extremamente interessante.



Notisa – Mais especificamente, nesse contexto, qual é sua opinião sobre a atual produção científica brasileira na área da medicina do esporte comparada ao nosso passado e aos países desenvolvidos?



José Lazzoli – Este aspecto fica muito claro quando debruçamos o nosso olhar sobre a Revista Brasileira de Medicina do Esporte, que é o órgão científico oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. A RBME é hoje a revista científica mais importante dentro da especialidade na América Latina. O número de artigos originais, com dados de pesquisadores brasileiros, aumentou cerca de nove vezes nos últimos 11 anos. Quando comparamos nossa produção científica com os países desenvolvidos, principalmente com os países europeus e da América do Norte, talvez haja diferenças na disponibilidade de infra-estrutura – considerando-se a utilização ampla do termo –, mas os pesquisadores brasileiros da nossa área são muito capazes e criativos, com uma produção que qualitativamente pode ser comparada aos melhores centros de pesquisa do mundo.



Notisa – De que maneira a medicina do exercício e do esporte pode servir também ao indivíduo comum, que não pratica esporte?



José Lazzoli – Como já disse, a nossa especialidade lida não somente com o atleta de alto rendimento, cujo objetivo é melhorar o seu desempenho, mas também com o indivíduo comum, que pratica exercícios para aprimorar a sua saúde; e, além disso, com o indivíduo portador de alguma doença cardiovascular, metabólica, respiratória ou osteomioarticular, que apresenta limitações e que utiliza o exercício como instrumento de reabilitação e tratamento da sua doença, com a intenção de prolongar a sua vida, melhorando também a sua qualidade de vida. Como exemplos, podemos citar os portadores de doenças cardiovasculares, como a doença obstrutiva das artérias coronárias ou os portadores de insuficiência cardíaca (por dilatação do coração): esses indivíduos têm diversas limitações em seu dia-a-dia, muitas vezes sendo incapazes até mesmo de desempenhar

tarefas simples do cotidiano. Com a prática regular e supervisionada de exercícios, não somente aumentam a sua capacidade funcional, como também passam a ter menor possibilidade de uma morte prematura, conforme demonstram grandes pesquisas clínicas. É importante destacar que, nestes casos, o exercício sozinho não é nenhuma panacéia, mas é parte de uma estratégia traçada a critério médico, que contempla o uso de medicamentos de boa qualidade, uma alimentação correta e, naturalmente, a prática de exercícios sob orientação médica.



Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

SOCORRO, A BOLSA ESTOUROU!

SOCORRO, A BOLSA ESTOUROU!
(Autor: Antonio Brás Constante)

Em tempos de colapso nas bolsas do mundo, nada melhor do que escrever sobre elas, as bolsas. Tudo começa em meio a uma crise, quando uma certa bolsa estoura e ao som de gritos e gemidos acabamos despejados e largados neste tal de mundo redondo e sem muito sentido. Somos frutos, já nos primórdios de nossa própria existência, de uma bolsa que até este momento nos protege e alimenta.

A partir de então damos nossos primeiros passos, antes mesmo de gatinhar, amparados pela bolsa colorida que nos fornece subsistência. Falo da bolsa onde nossas mães levam tudo que precisamos: mamadeira, chupeta, fraldas, etc. E sem perceber nos vemos totalmente dependentes destes “porta-apetrechos”, utilizados para nos servir através de mãos benevolentes.

Enquanto vamos crescendo, acabamos iludidos achando que conseguiremos nos desligar desta influência louca. Não cortamos o cordão umbilical, tentamos cortar a alça que nos prende as bolsas. Mas ainda somos pequenos e nos sentimos fisgados por um ou outro doce em seu ventre artificial guardado, que deixa um certo ar afeiçoado aos desejos que se escondem naquele objeto quase encantado.

Chegamos na adolescência, e novamente as bolsas marcam sua presença. Alguns se sentem atraídos pelos movimentos nas esquinas, de bolsinhas femininas que giram chamando para gandaia, homens ainda meninos que acham que já tem idade para provar tais desatinos. Outros tentam conseguir bolsas para estudar e garantir o seu futuro, quem sabe até ganhar um dinheirinho. Também a quem resolva investir na bolsa, desde que ela seja alheia, com alcinhas para poder puxar. Corre o malandro carregando a bolsa, aos gritos da mulher que nem percebeu ele chegar.

Até que um dia entendemos que bolsa é coisa de homem, pois a bolsa tem valor. Um novo brinquedo pra muitos, que impulsionados por suas ações caem em um mercado cheio de especulações. Muito risco e muita grana, tudo junto que bacana. Uma bolsa gigantesca, conduzindo o destino de nações. A bolsa sobe e desce tal qual elevador de prédio comercial. Compra na baixa, vende na alta, e lá se vai seu capital. Bancos fortes desmoronando, como castelos de cartas em meio a um vendaval. E todos ouvimos desesperados: “a bolsa vai afundar os mercados!”, parece até sortilégio, ou magia, onde o mantra do dia foi forjado nas alas da economia.

É um pandemônio anunciado como um trem desgovernado. Se pular o bicho quebra, se ficar o bicho te consome os bolsos, transformando belos e tenros filés, em amontoados de osso. Pára o mundo que eu quero descer. Estão injetando mais dinheiro no mercado, do que silicone nos seios para deixa-los turbinados.

Enfim, nos mistérios das bolsas vamos vendo a vida passar. São tantas bolsas que nos cercam, que mais parecemos fantoches sem cordas, cujos destinos são levados como esmaltes, batons ou outros artigos da moda, em uma bolsa de mulher.

E-mail: abrasc@terra.com.br

Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

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NOVA NOTA DO AUTOR (agora com muito mais conteúdo na nota): Caso queira receber os textos do escritor Antonio Brás Constante via e-mail, basta enviar uma mensagem para: abrasc@terra.com.br pedindo para incluí-lo na lista do autor. Caso você já os receba e não queira mais recebe-los, basta enviar uma mensagem pedindo sua retirada da lista. E por último, caso você receba os textos e queira continuar recebendo, só posso lhe dizer: "Também amo você! Valeu pela preferência".

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quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Assembléia aprova projetos de reajustes aos policiais civis

Segue abaixo infomação da Secretaria de Gestão do Governo do estado_SP sobre aumento aos policiais civis



Assembléia aprova projetos de reajustes aos policiais civis

Os deputados aprovaram na noite desta quarta-feira, 12, projetos de lei complementares enviados à Assembléia Legislativa pelo governador José Serra que garantem reajuste imediato no salário-base em 6,5% dos policiais civis, bem como a reestruturação de cargos. Com o sinal verde dos parlamentares, o menor salário de um delegado, por exemplo, passa dos atuais R$ 3,7 mil para R$ 4,9 mil. Esse piso subirá para R$ 5,2 mil em novembro do próximo ano, aumento acumulado de 40,3%.

O reajuste é retroativo a 1º de novembro. O mesmo percentual será aplicado em 1º de novembro de 2009. Os projetos asseguram ainda extinção da 5ª classe com a redistribuição dos cargos beneficiando cerca de 3.500 delegados e 16.032 policiais operacionais, praticamente 50% do efetivo atual também serão promovidos. A elevação no salário-base garantirá também aumentos aos aposentados e pensionistas.

"Com tais medidas pretende-se dar continuidade à política de valorização dos servidores integrantes desta importante carreira de Estado; dar continuidade à correção de distorções entre as remunerações de servidores ativos e inativos e pensionistas e dotar de maior fluidez a promoção na carreira", defende o secretário de Segurança, Ronaldo Marzagão, no texto enviado aos deputados. "As medidas alcançarão todos os servidores, ativos e inativos, e pensionistas dessas instituições e atendem às diretrizes gerais desse Governo", reforça o Marzagão.

Para o secretário de Gestão Pública, Sidney Beraldo, "essa medida demonstra a importância que o Governo Serra dá para a carreira policial, que no ano passado já foi contemplada com uma série de ações de valorização buscando sempre atender cada vez melhor a população do Estado".

Os deputados aprovaram ainda uma medida que assegura intervalo salarial de 10,5% entre as classes, bem como a criação de 1.236 cargos de oficiais administrativos destinados ao Detran (Departamento Estadual de Trânsito). As mudanças também significarão vencimentos maiores à medida que o policial for sendo promovido.

Com a aprovação, algumas funções como a de diretores técnicos e chefes de seção terão elevação que oscilará entre 7 e 15%. Ainda de acordo com texto aprovado, médicos legistas e peritos criminais não perderão o direito à gratificação ao se afastarem devido a férias ou licença prêmio.

No caso dos investigadores e escrivães, o piso inicial das carreiras, em cidades com menos de 200 mil habitantes, passa dos atuais R$ 1.757,82 para R$ 2.056,96 e chega a R$ 2.142,56 em 2009, um reajuste acumulado de 21,89%

Os projetos seguem agora para as mãos do governador José Serra.

Outros benefícios:

*Outra reivindicação antiga, agora atendida, é a aposentadoria especial. Com a aprovação do projeto de lei, os policiais civis poderão se aposentar cinco anos mais cedo. Isso porque o tempo mínimo de contribuição para a aposentadoria vai cair de 35 anos para 30 anos e não será mais exigida a idade mínima para quem ingressou na carreira até 2003.

*Os aposentados e pensionistas também terão um acréscimo salarial no valor dos seus proventos. Eles levarão para a inatividade, de forma gradual, 50% da média do Adicional de Local de Exercício recebido nos últimos cinco anos.

* O projeto propõe a criação do cargo de Superintendente da Polícia Técnico-Científica, com vencimentos equivalentes aos de Delegado-Geral de Polícia e Comandante Geral da PM.

* No caso da Polícia Militar, haverá a redução do número de cargos de segundo-tenente, a criação de 1.180 cargos de cabos, sargentos e subtenentes que serão alocados em 44 novos batalhões e companhias.

* O projeto transforma as vagas de segundo-tenente extintas em cargos de coronel, tenente coronel, major, capitão e primeiro-tenente, o que permitirá novas promoções.

Assessoria de Imprensa

Secretaria de Gestão Pública

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

VIDA E LIMÕES (Humor azedo)

VIDA E LIMÕES (Humor azedo)
(Autor: Antonio Brás Constante)

Se a vida lhe der limões faça uma limonada;

Se a vida lhe der mais limões faça uma caipirinha;

Se a vida lhe der mais limões ainda, atire-os de volta nela;

Se a vida lhe der limões, saiba dizer: “Não, obrigado!”;

Se a vida lhe der limões, peça-os em rodelas, dentro de um copo com vodka, mel e gelo;

Se a vida lhe der limões, não entre mais em amigos secretos com ela;

Se a vida lhe der limões, fale no ouvido dela o que você gostaria de fazer com eles;

Se a vida lhe der limões, chame-a de “mão-de-vaca”;

Se a vida lhe der limões, é porque você os merece;

Se a vida lhe der limões, agradeça por não serem abacaxis ou pepinos;

Se a vida lhe der limões, comece a montar sua própria fruteira;

Se a vida lhe der limões, não vote nela;

Se a vida lhe der limões, troque-os por laranjas;

Se a vida lhe der limões, venda-os a troco de bananas;

Se a vida lhe der limões, é porque ela se lembrou de você;

Se a vida lhe der um monte de estrume, devolva e peça os limões;

Se a vida lhe der limões, diga que prefere morangos;

Se a vida lhe der morangos, diga que prefere dinheiro;

Se a vida lhe der dinheiro, deixe-me fazer parte da sua vida;

Se a vida lhe der limões, lembre-se das pessoas que gostariam de estar em seu lugar e mande os limões para elas;

Se a vida lhe der limões, embrulhe-os e presenteia com eles só de sacanagem;

Se a vida lhe der limões, nunca mais aceite nada dela;

Se a vida lhe der limões, com certeza você plantou sementes de limoeiro;

Se a vida lhe der limões, seja azedo com ela;

Se os limões lhe derem a vida, você terá motivos para ser bem amargo;

Se os limões lhe derem a vida, cuidado para não ser chupado e servido em rodelas;

Se os limões lhe derem a vida, então meu amigo, você é uma tremenda frutinha;

Enfim, se escreverem diversas frases sobre: “Se a vida lhe der limões...”, é porque alguém perde tempo lendo tudo isso;

E-mail: abrasc@terra.com.br

Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

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MinC e a Capes lançam, em conjunto, o primeiro Edital de Seleção Pública para Bolsas de Estudo em Pós-Graduação

Parceria entre o Promover ações que contribuam com a ampliação do acesso à produção científica no Brasil, em especial as que promovam novos estudos e pesquisas no campo da cultura e na formação de recursos humanos de alto nível para o setor, é o objetivo do primeiro Edital de Seleção Pública para Bolsas de Estudo em Pós-Graduação, em Nível de Mestrado, a ser lançado pelo Ministério da Cultura (MinC) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), instituição vinculada ao Ministério da Educação (MEC).

O anúncio da iniciativa será feito na próxima segunda-feira, 10 de novembro, às 9h30, no Auditório Guimarães Rosa do Complexo Cultural do Ministério da Cultura, em Brasília. Na ocasião, estarão presentes os ministros da Cultura e da Educação, Juca Ferreira e Fernando Haddad, respectivamente; dirigentes do MinC, MEC e Capes; e representantes de institutos de pesquisa; além de estudiosos da área, que compartilharão suas perspectivas sobre a iniciativa.

Por meio do Edital, serão disponibilizadas 48 bolsas, no valor de R$ 1.200,00 (cada), compostos 16 grupos de pesquisa relacionados à área da cultura e escolhidos três projetos de cada um dos grupos. A ação - que é fruto de um Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre o MinC e a Capes - tem o intuito de desenvolver atividades conjuntas no âmbito de pesquisas relacionadas à cultura.

O gerente de Políticas Culturais do MinC, Pablo Martins, explica que a proposta visa a melhoria, a longo prazo, dos quadros de pesquisadores, artistas e intelectuais, capacitando-os a enfrentar os desafios contemporâneos da cultura. Para ele, o campo cultural é transversal e dialoga com outras áreas como, por exemplo, a tecnologia, mas os programas atuais de pós-graduação não estão preparados para isso.

“Nós percebemos que há um vício na academia brasileira em só entender manifestações culturais pelo meio escrito, através de teses. Esse é um paradigma francês. O que queremos é implantar um paradigma norte-americano, pois não há nenhum problema em termos uma pós-graduação em arte e como produto final ser apresentado um video game, um novo instrumento musical e a forma de produzi-los. Nós, com isso, queremos incentivar essa nova ventilação na pós-graduação brasileira”, diz Pablo Martins.

(Comunicação Social/MinC)

terça-feira, 4 de novembro de 2008



Eu já faço parte dessa rede, comprometa-se você também.

Se você é homem, visite o site http://www.homenspelofimdaviolencia.com.br/ e deixe lá a sua assinatura.

Se você é mulher, divulgue para que mais homens assinem.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Vitória esmagadora dos nulos obriga TSE a convocar novas eleições em dois municípios do RJ

Em Bom Jesus de Itabapoana, no Estado do Rio de Janeiro, os votos nulos alcançaram 89,23% da preferência do eleitorado e o candidato único à Prefeitura, João José Pimentel, do PTB, apenas 6,3%. Eram 26.863 eleitores, mas apenas 1.692 votaram em Pimentel. Em Santo Antônio de Pádua, Maria Dib, do PP, obteve 10.074, o equivalente a 37,9% dos votos, enquanto os nulos totalizaram 16.527, o equivalente a 60,35%.

De acordo com as regras eleitorais, nenhum candidato pode tomar posse quando os nulos e brancos vencem as eleições, alcançando um coeficiente maior que a soma dos votos dos candidatos. Nos dois municípios, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá que convocar novas eleições e os dois candidatos rejeitados pela população ficarão inelegíveis. As duas cidades tiveram outros concorrentes, mas suas candidaturas foram impugnadas. Agora será estabelecido um novo prazo para inscrições, propaganda eleitoral e os eleitores terão que voltar às urnas.

O Tribunal Regional Eleitoral (TER-RJ) já está com esquema todo preparado para realizar novas eleições para prefeito em Santo Antônio de Pádua e em Bom Jesus de Itabapoana. A intenção do presidente do TRE, desembargador Alberto Motta Moraes, é convocar o novo pleito ainda este ano, antes da diplomação dos prefeitos eleitos no estado. Pelo calendário eleitoral, a data-limite para os juízes diplomarem os vencedores das eleições deste ano é 18 de dezembro. Sua intenção é evitar que os presidentes de câmaras municipais sejam obrigados a tomar posse, interinamente.

Em Bom Jesus e Pádua, os eleitores deram uma lição de cidadania, demonstrando que o voto nulo é também uma forma de expressar opinião, quando os opções disponíveis não atendem às expectativas.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)
www.apn.org.br

SE REFORMATANDO DEPOIS DAS FORMATURAS

SE REFORMATANDO DEPOIS DAS FORMATURAS
(Autor: Antonio Brás Constante)

O Brasil é um lugar onde todos se esforçam para alcançar um mesmo objetivo. No Brasil se trabalha pesado. O Brasil é um lugar repleto de pessoas dedicadas. Antes que você ache que estou exagerando, gostaria de esclarecer que estou me referindo ao “Espaço BRASIL”, que é o nome da academia de musculação administrada por meu cunhado e o instrutor Ricardo, situada no bairro Mathias Velho, cidade de Canoas RS (sabe como é, marketing é importante nos dias de hoje). Para os que perguntarem qual a relação deste tema com o título do texto, peço que leiam “Formatando as formaturas” (disponível em www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc), que tudo se explicará.

Resolvi fazer academia porque sou o tipo de pessoa que até aceita ter um corpo gordinho do jeito que está, mas também só quero este sobrepeso como amigo. Nada de ir ficando em mim como inquilino permanente.

Para iniciar o tal fitness, tudo começa com uma ida ao médico que verificará se você está saudável o suficiente para se exercitar, pois lugar de doente é no hospital e não na academia. Um dos exames é o teste de esteira, que consiste em se colocar no corpo uns dez decalques onde serão conectados fios para medir seu ritmo cardíaco. Eles são posicionados em vários locais do seu peito, deixando você com uma aparência de porta de geladeira, dessas repletas de imãs. Se for homem, já aviso de antemão que terá seu peito depilado, mas não totalmente, apenas o suficiente para parecer que foi vítima de algum trote escolar.

Confesso que ao olhar o tamanho da esteira, a primeira coisa que perguntei foi: “pra que lado eu deito?” (estava tentando, na base do humor, ganhar a simpatia do médico e minimizar algum ímpeto sádico que ele pudesse vir a ter). Desisti das piadas quando soube que o aparelho era tão moderno que ia acelerando sozinho. Os exames constataram que os exercícios não me matariam, e até poderiam transformar minha massa corporal, produzida a base de massa de lasanha, em algo com mais músculos e menos tecido adiposo.

Uma academia poderia ser uma excelente empresa, já que ali todo mundo costuma suar a camiseta em suas tarefas. Minha primeira atividade atlética foi na esteira ergométrica (esta máquina me persegue), sendo orientado sobre como ligar, acelerar e desligar o equipamento (que consistia em puxar um pequeno imã em seu painel frontal). Para não perder tempo eu fui logo colocando a velocidade máxima.

Corri por aproximadamente uma hora. Já estava quase desmaiando quando houve uma breve falta de energia e a esteira parou. Cai exausto no chão. As pessoas ali presentes vieram em meu auxílio, perguntando porque não parei antes. E eu, quase totalmente sem fôlego, respondi: “bem que tentei... Mas... Não conseguia... Me aproximar... do painel... Para puxar... O imã...”. Chego a pensar que fazer esteira não nos leva a lugar algum (literalmente falando). Enfim, fazer exercícios é bom. Perder peso também é bom. Mas, de tudo que é bom, ainda prefiro um delicioso bombom.
E-mail: abrasc@terra.com.br

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domingo, 2 de novembro de 2008

Desabafo de um policial civil paulista

Concursado, há tempos sou policial civil... Hoje, não sei se teria capacidade para passar neste último concurso aberto para Escrivães e Investigadores, apesar do nível de escolaridade exigida continuar o mesmo: 2º grau completo. Confesso que, ao ler o Edital, cheguei à conclusão que somente alguém formado em Direito (nível universitário) poderia fazer frente a tantas exigências. Lembro-me de que quando prestei o concurso, a matéria exigida versava sobre o que se aprende no 2º grau. Atualmente, percebi que o pretendente ao cargo deve ter amplo conhecimento de tudo que me foi ensinado na Academia de Polícia e mais, muito mais... (direito constitucional, inclusive).

Diante disso, pergunto-me a todo instante o que irá aprender na Academia aquele que conseguir provar que é um gênio, pois, apenas com o diploma do 2º grau, apresentou alto conhecimento de Direito, Português, Matemática, etc, etc... (além de preparo físico e psicológico). Eletricidade? Não, acredito que não. Com tanto conhecimento, certamente, ele também entenderá de eletricidade. Ah! Já sei... Ele irá aprender a atender prazerosa e atenciosamente à população, apesar do cansaço provocado pelas inúmeras horas insones e pela preocupação com o sustento da família. (Ele terá que arrumar um “bico”). Ele irá aprender que só ingressou nessa carreira por amor à profissão, pois o salário ofertado, “pasmem”... é de R$ 1.700,00, incluindo gratificações. E, finalmente, a “duras penas”, irá aprender também que tudo que sabe e estudou sobre Direito Constitucional, não se aplica a ele, pessoa comum.

A essa altura, antes mesmo de assumir o cargo, já deve estar pensando que tivesse ele um diploma universitário, estaria ingressando na Polícia Federal, onde o salário pago é bem maior e o currículo exigido é igual, se não for menor. O que o conforta é saber que seus superiores, os Delegados, apesar de terem concluído a faculdade de Direito, também não recebem muito mais que ele. Porém, ainda acredita que vale a pena pois, afinal, irá fazer o que sempre sonhou: servir a coletividade, lutando pela manutenção da ordem e da justiça. Qual o quê... Com o tempo, ele perceberá que de nada adianta suas boas intenções diante da estrutura montada pela administração do sistema, pois a política implantada visa somente servir aos governantes, o que sempre conseguem, através da nomeação de determinados servidores para assumirem cargos estratégicos, o que, aliás, mudam a seu “bel-prazer”, se estes não apresentarem política administrativa compatível com os ditames dos poderosos.

A partir daí, assim como eu, sentindo-se completamente desiludido e manipulado, ele começará a se importar com seu salário, pretendendo, até, ora vejam, lutar para ser reconhecido em seu trabalho, esperando que essa valorização seja demonstrada, ao menos, em seu holerite mensal. Nossos sindicalistas, bem que tentam consegui-la... No entanto, acabam sempre esbarrando nos já citados jogos políticos, orquestrados pelos mandantes do sistema.

Uma das várias tentativas de nossas Associações de Classe para alavancar um aumento salarial para a categoria, na minha opinião, foi baseada na alteração da exigência de escolaridade quando da prestação dos concursos públicos, pois, segundo a Constituição, a composição dos proventos recebidos e promoções, são avaliados em conformidade com esse item. No entanto, quando essa exigência foi modificada para o exercício do cargo de Agente Policial, com a criação da nova lei, nada mudou: seus salários continuaram os mesmos, inconstitucionalmente, sem qualquer alteração. Tanto que, ao notar no que tal ato implicaria, o Sr. Governador vetou a promulgação desta mesma lei, já aprovada pela Assembléia Legislativa, a qual favorecia aos Investigadores e Escrivães, que passariam a ter direito a perceber mais, em decorrência da exigência da formação em curso universitário. Pelo visto, acharam bem mais fácil incrementar o currículo do Edital do concurso, conservando a escolaridade e o salário.



E por falar em salário e na obstinação de nosso Governo em alegar quer não há verbas para reajustá-lo (e afirmo, reajustá-lo e não aumentá-lo), resolvi analisá-lo para tentar entender se sou eu ou ele quem gasta demais ou o administra inadequadamente.

Percebo mensalmente, em média, R$ 2.400,00, sendo que meu salário real e nominal versa em torno de R$ 650,00, recebendo este uma alteração para R$ 1.300,00 (100%) a título de RETP (Regime Escravo de Trabalho Policial) Ihh!!! Será que é isso que essa sigla quer dizer??? Bem, não tenho certeza... Porém, sei que ela dá direito a meus empregadores a não me pagarem horas extras, adicionais noturnos ou qualquer outro benefício a que possa fazer jus, segundo as leis trabalhistas normais em vigor, permitindo que me convoquem a trabalhar diuturnamente, se assim julgarem necessário ou conveniente.

Afora isso, também faz parte de meu salário o Adicional de Periculosidade e Insalubridade, na base de 80% do salário mínimo, mesmo existindo lei específica que determina que este Adicional deva ser calculado sobre 40% do salário base da categoria, pois, pelo que reza a Constituição, (mais uma vez a Constituição), o salário mínimo não pode, em hipótese alguma, servir como vínculo indexador para qualquer fim, tanto que, nesse sentido, já há “ganho” de causa no TSJ, sendo que existem atualmente alguns poucos policiais recebendo pelo novo índice.

Outro componente de meus proventos, este, acredito que na opinião geral, o mais estapafúrdio de todos, é o ALE (Adicional de Local de Exercício). Absurdo dos absurdos, o Governo o usa como parâmetro para conceder aos policiais gratificações salariais (o que considera aumento ou reajuste, sei lá...) sem vinculá-lo a qualquer índice referencial, percentual ou lógico, servindo, ao longo dos anos, como “cala boca” toda vez que a categoria pretendeu reivindicar revisão salarial. Esse subterfúgio foi criado há muito tempo, com o objetivo evidente de burlar novamente a Constituição (coitada da Carta Magna!!!), não repassando aos inativos (aposentados e pensionistas) quaisquer valores que os policiais na ativa viessem obter a título de salário. Desse modo, não cairiam totalmente na ilegalidade, já que não haveria reajustes, mas também não haveria repasse, evitando onerar os cofres públicos, principalmente, o do Fundo de Pensões (IPESP). Para justificar a pantomima, promulgou-se tal lei, fixando-se, ora vejam, proventos diferenciados para iguais funções policiais, escalonando-os pelo número de população existente no local de exercício do funcionário. Salientaram, à época, que o objetivo era incentivar o policial a trabalhar nas grandes cidades (maior remuneração), porque ali o volume de ocorrências era maior e, consequentemente, a criminalidade. É claro que se esqueceram de contabilizar que em uma cidade considerada grande (acima de 500.000 habitantes) são fixados, normalmente, o dobro ou o triplo de servidores do que daqueles existentes em cidades menores, dependendo da necessidade, o que ocasiona, com certeza, igual número de afazeres para todos. Também não existe paridade entre o número de população e criminalidade, pois existem cidades onde, estatisticamente, os índices de violência são altíssimos, como em Diadema, por exemplo, em contrapartida ao número de residentes (Média de 400.000 habitantes). E, por fim, por incrível que possa parecer, não conseguiram lembrar que não é o policial quem escolhe o local onde irá exercer sua atividade, sendo este, simplesmente, designado pela cúpula, independente da vontade do servidor. Pior ainda no caso dos Delegados, visto que, para eles, não são respeitados nem sequer determinados limites separadores (DECAP, DEMACRO, DEINTERS), podendo ser obrigados a servir em qualquer município do Estado, determinado pela administração, seja qual for o local de sua residência. Creio que torna-se desnecessário acrescentar que quem foi designado para trabalhar em uma cidade pequena, dificilmente irá conseguir permutar com alguém fixado em uma cidade considerada grande, pois ali, não só o policial é melhor remunerado, como melhores são as condições de trabalho. Portanto, fica o funcionário obrigado a resignar-se ganhar pior que seu colega, mesmo exercendo função idêntica.

Quanto a outros valores creditados em meu holerite, plagiando um personagem de TV, “prefiro não comentar”. Somente citá-los já é interessante:

- Adicional de Tempo de Serviço (5% sobre o valor do salário referencial (R$ 1.300,00) a cada qüinqüênio, não sendo a ele incorporado para fins de reajuste.

- Ajuda de Custo Alimentação para Carreira Policial (Em média R$ 15,00). O que será que isso significa???

- Auxílio Transporte (Em Média R$ 80,00). Seu cálculo é realizado seguindo mais ou menos os ditames das empresas privadas.

Bom, discriminada item por item a composição de minha remuneração, faço agora um balanço de minhas despesas, dando ênfase ao valor que retorna aos cofres públicos, direta ou indiretamente. São gastos relatados que tem por base uma família de 3 pessoas (eu e 2 dependentes).

- Encargos e Impostos já descontados na fonte pagadora: Em média 19%, incluindo IPESP (Aposentadoria), IRF (Imposto de Renda) e IAMSPE (Assistência Médica) e Associação de Classe, perfazendo R$ 450,00.

- Imposto pago mensalmente à Prefeitura a título de IPTU – R$ 50,00.

- Impostos e Encargos Financeiros declarados, embutidos nas Contas de Água, Luz e Telefone – 34% do valor do Consumo (25% são de ICM), equivalente a R$ 102,00 de um total médio de R$ 300,00.

- Impostos e encargos embutidos nos preços dos produtos de primeira necessidade (alimentação e higiene) – 40% (Incluem também IPI e Enc. Trabalhistas) de R$ 500,00, o que representa R$ 200,00.

- Convênio Médico: 20% de meus vencimentos líquido (R$ 400,00), o que também deve ser visto como uma Taxa complementar, pois, mesmo sendo a Saúde obrigação do Governo, descontada em folha, é público e notório que o Hospital do Servidor (que eu saiba, único no Estado), não consegue atender a demanda de tantos funcionários a ele agregados.

- Transporte: Em média R$ 100,00 por mês. Tenho sorte, pois trabalho perto de minha casa; porém, sei que a grande maioria de meus colegas policiais gasta, no mínimo, o dobro que isso, mesmo recebendo igual valor referente ao auxílio transporte.

Ao final desses pagamentos, sobram-me R$ 600,00, com os quais tenho que fazer frente as demais despesas, como Habitação (Aluguel? Prestação da Casa Própria??), Educação (Material Escolar? Escola Particular?) e Segurança (Guarda Noturno? Câmeras??), entre outras. E digo entre outras porque, infelizmente, tenho o hábito de fumar, adquirido durante o tempo em que o Sistema permitia à Mídia incentivá-lo através da propaganda (Hollywood, o Sucesso), talvez vislumbrando uma maior arrecadação de impostos, pouco se importando com a saúde do cidadão. Entretanto, sei que não preciso mais me preocupar com isso, pois, nosso governador, mesmo com tantos problemas mais sérios para resolver, encaminhou, em caráter de urgência, à Assembléia, projeto de lei proibindo fumar em qualquer estabelecimento fechado, até aqueles pertencentes à empresas privadas e, usando de determinados artifícios, está conseguindo sancioná-lo, apesar da clara inconstitucionalidade. (Meu Deus!!! Aonde vamos parar??? Barbaridade!!!).

Mas, vícios à parte, voltando ao assunto, lembrei-me de que somos nós, servidores, os responsáveis pelo pagamento de nosso salário, conforme palavras de um amigo meu, o que confirmei ao realizar esses cálculos, pois verifiquei que, por baixo, 50% do que recebo retornam aos cofres públicos, de uma forma ou de outra. Sendo assim, mereço reivindicar revisão salarial e a Administração tem obrigação de estudá-la, conhecendo a fundo os problemas da categoria e a composição dos seus proventos, analisando suas reais necessidades e, cumprindo as leis estabelecidas, apresentar proposta viável, que não se prenda apenas a números e porcentagens de Orçamento, pois quando da Previsão Anual esses valores já deviam ter sido providos. Aliás, essa falha orçamentária, parece-me, vem acontecendo desde 1995, data de nosso último reajuste salarial. Quiçá, aumento salarial...

Acredito que, assim como eu, todos os policiais estão cansados da “cortina de fumaça” (Ihh!!! Lembrei do Governador) que os Srs. Legisladores teimam em “jogar em nossos olhos”, através da manipulação de porcentagens e valores, como se não tivéssemos capacidade de fazer contas. E, com o intuito de provar o que digo, apresentarei agora os cálculos que fiz acima, dando a provável interpretação governamental sobre meu orçamento:

- Salário Base – R$ 2.400,00, equivalente a 100% da remuneração;

- Encargos descontados na fonte – R$ 450,00, equivalente a 18,75%, sobrando R$ 1.950,00, ou seja, 81,25% do valor inicial;

- IPTU a ser pago – R$ 50,00, equivalente a 2,56% dos R$ 1.950,00 restantes, sobrando 78,69% do valor inicial;

- Contas de Água, Luz, Telefone – R$ 300,00, equivalente a 15,78% dos R$ 1.900,00 restantes, sobrando 62,91% do valor inicial;

- Gastos com Alimentação/Higiene – R$ 500,00, equivalente a 31,25% dos R$ 1.600,00 restantes, sobrando 31,66% do valor inicial;

- Convênio Médico – R$ 400,00, equivalente a 36,36% dos R$ 1.100,00 restantes, sobrando... (Ops!!! Faltando 4,7%!!!)

- Transporte – R$ 100,00, equivalente a 14,28% dos R$ 700,00 restantes, faltando... 18,98%.

Meu Deus!!! O que farei para arcar com minhas outras despesas com habitação, educação e segurança??? Ah!!! É simples...

(AVISO A MEUS CREDORES: SEGUNDO MEU LEVANTAMENTO ORÇAMENTÁRIO, LAMENTO, MAS NÃO TEREI RECURSOS PARA HONRAR MEUS COMPROMISSOS, NEM VERBA PARA PAGAR MEUS DÉBITOS. AGRADEÇO A COMPREENSÃO, MAS VISTO QUE NADA POSSO FAZER, “VIREM-SE”... OU “PROCUREM A POLÍCIA”... OBRIGADO).

Agora, se vocês leitores, se houver algum, pensam que estou brincando, analisem comigo a proposta feita pelo Governo à categoria, finalmente, depois de muitos dias de greve e “muita luta”, literalmente falando.

- Reajuste Salarial de 6,5% a partir de 2009 (Janeiro ou Março?) e 6,5% em 2010.

Pois bem, façamos as contas: Meu salário, assim como o da grande maioria dos policiais, gira em torno de R$ 1.300,00, o que implica dizer que irei receber R$ 84,50 de reajuste, sendo abatido deste valor R$ 4,22 (IRF), R$ 1,69 (IAMSPE) e R$ 9,29 (IPESP), a título de encargos, restando-me, em média, R$ 69,30 de valor real. (Pasmem, Srs... Depois de 14 anos sem reajuste salarial, irei receber quase R$ 70,00 de aumento.) Aumento??? Qual o quê... Muitos perderão, em média R$ 10,00 por mês, ou mais... Como??? Calma, eu explico:

Há muito tempo, o governo instituiu, através de decreto, o vale alimentação para as diversas carreiras de servidores públicos, somente para aqueles que tenham vencimentos líquido abaixo de 140 UFESP, valor limite para ser considerado mal pago. Os outros não precisam porque, evidentemente, ou não comem ou são muito bem remunerados e podem arcar com a despesa de sua refeição diária, é claro. Esse valor, para a carreira policial é de...”Pasmem... (Gostei dessa palavra, Sr. Barroz Munhoz) R$ 4,00 diários por dia útil, desde que comecei a trabalhar na Instituição, há tantos e tantos anos atrás, sem qualquer tipo de revisão. Acontece que, somado ao nosso salário o grandioso reajuste ofertado, a maior parte dos policiais atingirão o limite imposto pelo governo, sendo considerados “muito bem pagos” e perderão o direito ao “vale coxinha” (como é conhecido no meio) de R$ 80,00 ao mês. Será que o Sr. Sidney Beraldo sabia disso quando propôs o aumento???

- Extinção da 5ª Classe – Sem comentários. De nada adianta ser promovido, se a vantagem não for acompanhada da devida valorização. Conheço policiais que possuem quase 16 anos de profissão, ainda estão na 3ª Classe e recebem um pouco mais que eu, pagando mais encargos e tendo menos benefícios. Depois dizem que esta é uma atividade para seguir carreira. Não entendo...

- Aposentadoria aos 30 anos de serviço: Lei que já deveria ter sido aprovada há tempos, pois é de conhecimento de todos que o serviço policial exige aposentadoria especial.

- Incorporação gradativa do valor do ALE aos salários, até o índice máximo de 50% de seu valor: Qual deles? Para ser honesto, ainda não tenho opinião formada sobre o assunto.

Gostaria de encerrar esse desabafo, esclarecendo que ele não é dirigido a meus colegas policiais civis, pois tenho certeza de que todos que estão lutando pela valorização da carreira conhecem os dados aqui apresentados, decor e salteado.

Ele é dirigido à população que, ludibriada pela imprensa, não consegue convencer-se de que nossa reivindicação é justa. Em nossa defesa, quero lembrar ao povo que qualquer Delegacia é conhecida como o “Pronto Socorro das Desgraças”, a quem todos recorrem mesmo quando o caso não requer intervenção de cunho penal. Sei também que nós, policiais, somos conhecidos como “as Genis” da Instituição, mas tenho absoluta convicção de que quando se virem em apuros e necessitarem de ajuda, abrirão mão de suas ressalvas, pedindo auxílio e contando com ele sob quaisquer circunstâncias. (Não é verdade, Sr. Governador???)

Ele é dirigido também aos Constituintes deste Estado e, especialmente, ao Sr. Líder do Governo na Assembléia, que teve a infelicidade de tentar justificar o descumprimento da data do dissídio da categoria pelo Sr. Governador, alegando que nosso Presidente a cumpriu, mas apresentou lei concedendo apenas 1% de reajuste a seus servidores. Enfatizo aqui, Sr. Deputado, que 1% de R$ 7.000,00 (remuneração média de um policial federal) é R$ 70,00 e que essa importância incorporada ao salário real, servirá como base cumulativa para os próximos 1% do ano seguinte, e assim consequentemente, perfazendo um total de mais de 15% ao longo de 14 anos, tempo que não temos reajuste salarial. Gratificação, Sr. Deputado, não é salário, que o digam nossos pobres aposentados e pensionistas.

BASTA DE “FUMAÇA”... NÃO QUEREMOS E NÃO PODEMOS MAIS SER “PALHAÇOS’...





Assinado,





UM SIMPLES POLICIAL.

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