Memória do mundo, escrito por João Paulo Lorenzon, protagonista do espetáculo, e dirigido por Élcio Nogueira, estréia dia 24 de abril no SESC Paulista. Texto é resultado de mergulho apaixonado do autor na obra e vida do escritor argentino, que contou com as contribuições dos especialistas em literatura e em Borges, Júlio Pimentel Pinto e Davi Arrigucci Júnior, com supervisão do ator e diretor Elias Andreato; trata-se de uma realização do SESC São Paulo.
O monólogo compõe uma noite na vida de Borges. Traz a conversa impossível dele com Beatriz, a amada morta, e temas tão recorrentes na vida do argentino: a admiração pelo pai, a cegueira progressiva, a literatura, o realismo fantástico, seu fascínio por espelhos, tigres e labirintos e sua obsessão pelo infinito. Borges reflete sobre a morte inexistente das coisas; a eternidade de Beatriz, e de todos os paraísos perdidos; o tempo dos dois e os tempos lembrado, vivido e ficcional.
Memória do mundo será mostrada num espaço não convencional para apenas 25 pessoas por sessão. A entrada do público será pelo camarim onde o Lorenzon já estará incorporado ao personagem. A disposição das cadeiras procura formar um labirinto, idéia reforçada pela distribuição de placas de espelhos pelo cenário. Um jogo de luzes e caixas de som dispostas para criar um efeito “dolby” compõem uma cenografia projetada de modo a desorientar os sentidos dos espectadores
A vontade de dividir com o espectador as contradições, as dores, as indignações e, acima de tudo, “a ameaça da infinita felicidade que sempre pode acontecer aos homens” marca o texto de João Paulo Lorenzon. Ele também quer prestar uma homenagem a um dos seus autores preferidos, buscando dar voz e corpo às visões sobre o mundo de um homem de gênio inacreditável e raro de aparecer. “A obra de Borges é fonte muito limpa nesses tempos opacos”, esclarece o ator/autor.
Elcio Nogueira optou por ressaltar a relação de proximidade entre intérprete e público. No ambiente em que terá uma platéia de apenas 25 pessoas por sessão, acredita que será mais eficaz levar o público a uma “viagem rumo aos mundos fantásticos do escritor”, ressaltando palavras e devaneios do argentino.
O cenário assinado por Márcia Moon buscou inspiração nos labirintos de Borges e, por isso utiliza-se de espelhos, luz e sombra. A idéia é levar o espectador para diversos universos e realidades.
A pesquisa de Lorenzon para a construção da dramaturgia iniciou-se em julho de 2006 e contou com a contribuição de dois estudiosos em literatura e especialistas em Borges: Júlio Pimentel Pinto e Davi Arrigucci Júnior. Elias Andreato supervisionou o roteiro.
Júlio Pimentel Pinto, historiador e professor doutor de História da América Latina da USP, deu preciosas informações sobre Beatriz Viterbo, principal personagem feminina de Borges. Ajudou a encontrar os aspectos mais lírico, delicado e mais amoroso de Borges, que raramente percebemos em sua obra.
Davi Arrigucci Júnior, atual tradutor de Borges para a Companhia das Letras, sugeriu intensificar no texto a relação do argentino com Beatriz. Essa conduta fortalece a idéia do amor não correspondido e, desta forma, constitui um forte paralelo entre a condição do personagem, vivendo um amor impossível e uma das principais temáticas de sua obra: o fascínio pelo impossível, pelo inalcançável.
Elias Andreato, roteirista e intérprete de quatro monólogos, foi fundamental para tornar o roteiro mais teatral e menos literário. Considerou a importância de transformar as reflexões intelectuais em emoção, em tirar as idéias da cabeça do personagem e colocá-las no coração e deu “tempo do teatro”, sempre mais urgente e fragmentado, ao “tempo da literatura” indissolúvel no texto de Lorenzon. (Assessoria de imprensa)
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