sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A sinfonia da Vida


Pedro Coimbra

Passados anos todos nós temos certeza que o amor de Maria e João não terminou como um samba de uma nota só, mas numa extraordinária sinfonia da Vida.
Tudo começou entre beijos e abraços que os levaram a excitação, com muitas mudanças biológicas. O grande momento ocorreu quando João atingiu o auge das contrações musculares lançando sêmem do pênis dentro da vagina de Maria e que por suas contrações vão até sua cérvix.
Depositado o sêmem na base do útero começa a louca corrida da existência humana, visando fertilizar o óvulo, o que pode durar de 12 a 48 horas, antes que os espermatozóides morram. Enfrentarão várias barreiras como a travessia do cérvix, convivendo com um meio aquoso que os agride.
Verdadeiros alpinistas eles sobem pela superfície interna do útero até as trompas de Falópio, sendo que apenas uma contém um óvulo e muitos deles vão para o lugar errado.. Menos de mil espermatozóides, entre milhões, conseguem chegar até as trompas.
Muitos deles ficam ao redor do óvulo na trompa. A cabeça de cada um libera enzimas que quebram a camada gelatinosa externa da membrana do óvulo, tentando penetrar nele. No momento em que um único espermatozóide penetra, a membrana muda suas características elétricas.
Termina a corrida e começa um maravilhoso processo, que durará nove meses, em que informações genéticas irão propiciar o surgimento de um outro indivíduo diferente que sobreviverá num útero que poderá chegar ao tamanho de um bola de basquete.
Nesse momento mágico do surgimento da vida os gregos, filosoficamente, diziam que surgia a alma ou espírito, entidade a que se atribuíam, por necessidade de um princípio de unificação, as características essenciais à vida, do nível orgânico às manifestações mais diferenciadas da sensibilidade e ao pensamento, e que se define em oposição a corpo estando associadas à consideração da idéia de alma as questões da imortalidade, da personalidade, da individualidade, da consciência, etc., com todas as implicações morais, religiosas e metafísicas que elas suscitam.
Ou seja, a partir desse instante estaria definido o sexo, a cor dos olhos e mais do que isso todos aqueles atributos que aquele ser humano desenvolveria no futuro.
Esta pequena alma/espírito nasceria no Planeta Terra para evoluir, ou seja, desenvolver, progredir. A sensacional divisão de células ocorrida naquele momento continuaria por toda a sua vida até o minuto final de sua morte.
João e Maria poderiam ter outros filhos, mas cada um deles teria sua própria individualidade.
O escritor Paulo Coelho analisa o sentido da vida de uma maneira simples e interessante:”A vida é como uma corrida de bicicleta,
cuja meta é cumprir a Lenda Pessoal.Na largada,estamos  juntos,
compartilhando camaradagem e entusiasmo. Mas, à medida que a corrida se desenvolve, a alegria inicial cede lugar aos verdadeiros desafios: o cansaço,
a monotonia, as dúvidas quanto à própria capacidade. Reparamos que alguns amigos desistiram do desafio, ainda estão correndo, mas apenas porque
não podem parar no meio da estrada. Eles são numerosos, pedalam ao lado do carro de apoio, conversam entre si, e cumprem sua obrigação.Terminamos por nos distanciar deles; e então somos obrigados a enfrentar a solidão, as surpresas com as curvas desconhecidas, os problemas com a bicicleta. Perguntamo-nos finalmente se vale a pena tanto esforço. Sim, vale...É só não desistir”
E não esquecer nunca que somos fruto de um dos mais maravilhosos milagres do cosmo, qualquer que seja nossa “Lenda Pessoal” , história ou destino...

Ridiculous again

Emerson Fittipaldi, em sua primeira temporada na F1, em 1970, deu o título de campeão ao seu companheiro de equipe, Jochen Rindt.
Isso parece familiar, não? Mas vale o seguinte esclarecimento:
Emerson batera o carro de Rindt num treino e cedeu o seu ao austríaco, claramente primeiro piloto da equipe Lotus e líder do campeonato, correr o GP de Monza. Rindt morreu, num acidente. Na última prova, Fittipaldi, que já vinha em ascensão, venceu sua primeira corrida, assegurando a Rindt o título, póstumo!
Eram os tempos românticos da F1, quando os pilotos mostravam que eram bons na pista. Época em que o Brasil surpreendia o “Primeiro Mundo”, desinformado e arrogante, com um piloto jovem, cerebral, genial!
Esse início foi muito bem seguido por José Carlos Pace, apesar da fama de azarado. Piquet, meu favorito, superou quase tudo para ser um dos maiores pilotos da história, intempestivo, briguento, voraz. Senna, que já havia conseguido muito – apesar de Prost -, não teve a paciência de Schumacher para esperar a Ferrari voltar a ser grande: preferiu a Williams...
A morte de Senna nos tirou do “olimpo” da F1, sem que houvesse um sucessor a sua altura. Será que era querer demais?
Sem desmerecer os dois vice-campeonatos de Rubinho, e um, de Felipe, o Brasil desceu aos infernos desse esporte. Massa, em 2008, esteve muito próximo de conquistar um merecido título mundial, mas foi prejudicado pela absurda negligência da Ferrari, em duas corridas. Depois, em 2009, sua ascensão foi tolhida por uma porca do carro de Rubinho: “porca miséria!”, como dizem os italianos.
O GP de Hockenheim, no entanto, parece mostrar que definitivamente fomos relegados à condição subalterna, humilhante, na F1:
Rubinho, na Ferrari, já havia cumprido ordens da equipe para deixar Schumi passar, “for the championship” (pelo campeonato), como ordenou Jean Todt, em 2002; Nelsinho Piquet protagonizou um lamentável episódio, em 2009, para beneficiar Alonso; e, agora, mais uma vez com um brasileiro, Alonso e Ferrari, Massa recebeu, pausadamente, a “informação” de que o espanhol estava mais rápido do que ele, pouco depois de mostrar que poderia estar à frente, e bem, desse inegavelmente bom piloto, mas extremamente arrogante e deselegante. Embora seja impossível afirmar o sentido do “Ridiculous!” de Alonso - a menos que ele próprio seja honesto em explicá-lo -, um piloto de alto nível reclamaria de uma defesa tecnicamente bem feita de uma posição?
É... Parece que temos um “karma” com espanhóis e pistas, sejam de aeroportos ou corrida... E com a Ferrari, também!
Massa é um piloto brasileiro e não o Brasil. Ele tem uma profissão, responsabilidades contratuais e contas para pagar. Sua carreira é um problema exclusivamente dele!
Mas o que dizer de nós, que ligamos a televisão, o rádio ou o computador na internet, aos domingos, para acompanhar uma competição e torcer por um brasileiro? Dá para fazer isso com um mínimo de motivação ou esperança de vitória quando seu companheiro de equipe estiver atrás, não necessariamente “na cola”?
“Ridiculous”, sim, tem sido acompanhar a F1 nos últimos 16 anos, e ter como única expectativa a de que alguém responda, pelo rádio do “cockpit”, para glória do esporte: - “Enough!” (chega!).
Mas também devemos refletir: e se fosse o contrário?
Por isso é que tenho saudades de Emerson, Piquet e Senna; e de Jackie Stewart e Nick Lauda, também! Esses, sim, eram esportistas: pilotos que sabiam acertar máquinas e ganhar por mérito!

domingo, 29 de agosto de 2010




Cem Anos de Adoniran


In Memoriam de Adoniran Barbosa, Boêmio,
Ator, Radialista, Cantor, Compositor, Inventor, Biriteiro
Faria 100 Anos em Agosto 2010


Se o senhor não tá lembrado vou contando
Em agosto deste insano ano e mês de 2010
Adoniran Barbosa estaria se seculando
Porque cem anos são remos e asas nos pés
Das coisas que vão e voltam se entranhando

Se o senhor não tá lembrado; eu sou fã
Era belo domingo de sol de antiga manhã
Que eu o vi saudosa maloca no Paissandu
Tomou um aperitivo rabo-de-galo e caracu
Chapéu e bigode a la carlitos era Adoniran

Se o senhor não tá lembrado é bom que eu diga
Depois o vi num barzinho risca-facas no Bixiga
Tomando a saideira que nunca ali terminaria
Talvez o trem das onze a milanesa ainda o siga
Na corda mi da garoa em percursão e harmonia

Se o senhor não tá lembrado do “Era uma vez”
Cem anos Adoniran faria neste agosto que era e é
Um eu você qualquer ritmo que se pinte paulistanês
Do centro à zona leste Sampa via Jaçanã ou Tatuapé
Adoniram boêmio é mano que samba paulistano fez

-0-

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras/Samparaguai
Blogue:
www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

NOSSO LAR, estréia dia 3 de setembro


Por: Nair Lúcia de Britto

Está prevista para o dia 3 de setembro a estréia do filme NOSSO LAR, baseado num Clássico da Literatura Espírita, um dos livros psicografados por Chico Xavier e um dos mais vendidos pela sua grande importância. A obra procura esclarecer, entre tantas outras, os mistérios da Espiritualidade.

Através do médium Chico Xavier, o médico André Luiz, que viveu no Rio de Janeiro, no início do século XX, relata a experiência vivenciada por ele, ao chegar numa colônia espiritual, após sua última existência no plano terrestre.

Segundo pesquisa, colônia espiritual (são muitas as colônias) é uma espécie de cidade onde os espíritos se reúnem para trabalhar entre uma encarnação e outra.
"Nessas colônias, "Nosso Lar" relata questões relacionadas ao trabalho justo e edificante e à Lei da Causa e Efeito.

Na novela A viagem, transmitida pela rede Globo, Ivani Ribeiro foi a primeira escritora a inspirar-se na obra "Nosso Lar", para escrevê-la. Foi um marco na literatura espírita pois a partir daí outras obras surgiram sobre esse vasto tema; cujo conhecimento traz a luz da qual precisamos para entender o porquê da nossa existência na Terra e o que nos espera, depois; segundo nossas ações voltadas para o Bem ou para o Mal.

O filme é uma superprodução nacional, com excelente direção de arte e efeitos especiais nunca vistos antes.
A direção e o roteiro são de Wagner de Assis. Eu acho que esse é um filme que ninguém deve perder!

sábado, 21 de agosto de 2010

Frederico Barbosa, o Poeta Que Promove a Poesia




Poeta Frederico Barbosa, um Portentoso Promotor Lítero-Cultural em Sampa


-Gerenciando técnico-administrativamente com qualidade humana e cultural a famosa Casa das Rosas, na Avenida Paulista, em Sampa; promovendo a poesia que, autofágica, cada vez mais se alimenta de si mesma, Frederico Barbosa é, certamente, um pilar da literatura popularizada na maior capital da sulamérica afrolatina em pó, um verdadeiro paladino das lidas lítero-culturais, ele mesmo tremendo poeta, segundo segue, pra começo de conversa, num breve currículo pinçado da web, porque, enquanto o site Cronópios é o melhor da literatura contemporânea brasileira, Frederico Barbosa é o maior batalhador da arte poético-cultural-literária dessa meio Sampa e meio Samparaguai que ergue e destrói coisas belas:

“Frederico Barbosa (Recife, Pernambuco, 20 de fevereiro de 1961), Medidor Cultural, Mediador Cultural, Promotor Cultural é um poeta, crítico literário e professor de literatura brasileiro. Barbosa se formou em Física e Grego pela Universidade de São Paulo, onde ele se especializou em Língua portuguesa, Literatura Brasileira e Portuguesa. Crítico literário do Jornal da Tarde e Folha de São Paulo por alguns anos, ele atualmente dirige um dos centros culturais mais importantes do Brasil, a Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. Obras: Rarefato (São Paulo, Iluminuras, 1990); Nada Feito Nada (São Paulo, Perspectiva, 1993); Contracorrente (São Paulo, Iluminuras, 2000); Louco no Oco sem Beiras – Anatomia da Depressão (São Paulo, Ateliê Editorial, 2001); Cantar de Amor entre os Escombros (São Paulo, Landy Editora, 2002); Brasibraseiro (em parceria com Antonio Risério), (São Paulo, Landy, 2004); A Consciência do Zero (Rio de Janeiro, Lamparina, 2004). Fonte: Wikipedia Página do autor na web:
http://fredbar.sites.uol.com.br/

Opinando sobre a poesia de Frederico Barbosa, diz Amador Ribeiro Neto:

“A poesia brasileira atual precisa muito da poesia-míssil de Frederico Barbosa — o mais significativo poeta surgido na década passada e um dos mais expressivos poetas contemporâneos brasileiros. Isto porque Frederico Barbosa continua a perseverante e bem sucedida trajetória de fazer poesia do não, da recusa, do nada, da rarefação, do rigor, do conciso, do exato. Com invenção. Frederico não escreve para o público: prefere formar público para a sua obra. Seus quatro livros o comprovam à vera.”

Exemplo (passageiro/indicativo/fragmento) de Poema dele:

CARTA A KIRILOV

este tremendo desejo de por fim por fim finalizar acabar por fim no pingo na gota do i e serenar ir embora já seja tarde seja já se já tarde tá arde ainda se já tarde talvez se tal já tal tarde seja já se tarde mas arde antes tarde por fim o fim treme fim final em fim antes treme tarde desejo de por vir treme ainda tal impronto ponto finalizar tal ainda antes já
(Do livro Rarefato)
Por essas e outras, pelo que Frederico Barbosa – Diretor do Espaço de Poesia Contemporânea Haroldo de Campos – (agregando Itaú Cultural ou o próprio projeto Dulcinéia Catadora), faz pela poesia brasileira em Sampa, e pela poesia de Sampa miscigenada à brasileira desses tantos brasis gerais aqui acantonados, preciso é reconhecer sua labuta limpa, sua garra transparente, sua dedicação direta e portentosa, porque é por causa dele, Frederico Barbosa, que São Paulo nem agoniza e nem morre a rama da poesia, antes, viça a poesia, entre música, teatro, viradas culturais, lançamentos, agitos boêmios, e a Casa das Rosas, base de Frederico, levanta as vozes das ruas, das academias, dessa juventude desvairada, a chamada Geração Teflon (quer aderência mas não esquenta assunto), dos criadores por atacado, sonhadores do criar possível e impossível, neomalditos até, dando espaço, tempo, voz e luz para os que ainda teimam em lavrar, tecer, clarificar.

Por essas e outras, é preciso parabenizar Frederico Barbosa e dizer que ele é sim, mais um migrante brilhante que dá palco iluminado nesse chão de estrelas que precisa sim, sobreviver na sensibilidade, tipo “Faz escuro mas eu canto”, tipo “É importante que a emoção sobreviva”, e, entre letras, músicas, teatro, poesia, Frederico Barbosa é agora sim, um reconhecido patrimônio íntegro e labutador de todos que “amam-odeiam” essa Sampa de sobrevivencial (riquezas injustas, lucros impunes, propriedades-roubos, neoescravismo da terceirização neoliberal do DEMO) a uma Samparaguai demonizada no narcotráfico informal sistêmico (e impunidade generalizada por atacado desde as privatarias), onde um professor ganha trinta por cento a menos do que o educador do Piauí, e, mesmo assim, um incompetente candidato culpado disso - tipo pinóquio de chuchu - tem aterrador quase 50% de chance de ser de novo eleito governador. Já pensou? Ai de ti paulicéia desvairada! Nesses condições, ai de nós, ai de nós (parafraseando o Pan Antonio Abujamra da propositalmente falida TV Cultura/Fundação Padre Anchieta) nesses tempos tenebrosos, poetar, mais do que nunca é preciso.

Silas Correa Leite – Vila Sonia, Butantã, São Paulo
Site:
www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com,br
Livros CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design e Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP, à venda no site: www.livrariacultura.com.br

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Primeiro Show do Centenário

Está chegando o dia mais aguardado pelos torcedores alvinegros!  

Para começar a festa, o Sport Club Corinthians Paulista apresenta o Primeiro Show do Centenário. Dia 29 de agosto, a partir das 18h, a dupla sertaneja sensação do momento, Fernando & Sorocaba, fará um show completo que vai agitar o Parque São Jorge.

Shows de abertura: Bateria dos Gaviões da Fiel, Beijo na Trave e Henrique & Diego.

Primeiro Show do Centenário
Data: 29 de Agosto de 2010
Horário: a partir das 18h
Local: Parque São Jorge

Ingressos:

Pista (Sócio*): R$ 25
Pista (Fiel Torcedor*): R$ 30
Pista (Não-sócio): R$ 35
Área Vip: R$ 50 

 

domingo, 15 de agosto de 2010

Errações - Auto-Retrato Testemunhal

Silas na Casa das Rosas em São Paulo


Poema

ERRAÇÕES (Auto-Retrato Testamental)

(Inferno astral de agosto de 2010)

Breve e agudo, epigramático, irônico, cara e coragem verbalizando
Esperança-utopia sempre – um outro mundo (as letras! as letras!)
Idílios pastoris, epifanias, e cortes na própria carne. Ai de mim!
Corte seco na linguagem espandongada, verve satírica, contundente
Resíduo cru da Geração 45 ainda (misticismo poético), nos Anos 60
Condensações – essências e medulas – eis o estilo quando não desenfreado
Às vezes a metralhadora dialética – sai de baixo; os vazamentos gerais
Às vezes o paradoxal, enxuto, anti-retórico – os versos – e os véus
Haiquases, microcontos, twitter-poemas, alma-olaria – a alma-nau
A palo seco vez em quando (vice-versos) – rigor concreto (neoconcreto)
Lucidez verbal; jorro neural - polaridades – chorumes em verso e prosa
Visibilidades, pertencimentos – humanismo de resultados, goya-marx
Remontagens de vocábulos – pensadilhos, trilhas, urbes, hangares, o caos
Jogam-se palavras no macadame das idéias, mixórdias, consertos críticos
Paródias, refabulações, letras de rocks e blues, hinos, louvações gerais
Desmontagens de palavras, parágrafos, trocadilhos, kamikazes urdidos
Ideologia-guaraná, signo não verbal, vanguarda, e-book, morte à matéria
Ficção-angústia: e chistes espirituosos, cracas, contentezas, barulhanças...
Volúpia, paixão de escreviver: estrelamentos, ilhamentos-crusoés na web
Prazer lúdico: jogo palavreal – o avesso do haver-se (palavras cruzadas)
Neologismos-chistes: salmos contemporâneos, existir dói o sobreviver
Romance com loucura-lucidez, vários finais, técnicas de lesmo com asas
Contraposições – desvairados inutensilios, bem-te-vi, bem-te-ri, aleluias
Significados e metalinguagens: metáforas etílicas, carpideiro cervejólogo
O que o poeta no fundo é? Errações & erranças – sal da terra oxidado
O inconsciente: clarificações – campo de trigo com corvos – porta-lapsos
O sentido de sobreviver, o retiro letral: ensaios-estúdios, homem-cerveja
Ensaísta de ocasião, resenhista e outros istmos. Ilhações-cibalenas: diques
Rações de subvida: existencialismo com placas de capturas: range a rede
Santa Itararé das Letras, Cidade poema, terra-mãe, auto-exilio íntimo
O pântano da condição humana - desterro de pasárgada: shangri-lá...
Sagrado coração de ser-se: inventário de partilhas, testamento-vazão
Escrever é éter, é ter, é ter-ser(se): código de barros macunaímicos
Épico-cético: o cínico estado mínimo, ai de ti neoliberalismo-câncer
O antivida: exílio literário, ócios do oficio nas enlivrações-bastilhas
Lacônico ou exagerado: complexo, obstinado, transliterário-purgação
Abismal subjetivo, declínio e levitação, aqui jazz o que se escreveu pra ser
Itararé-mãe: o neomaldito - fuga do ser de si em verbos-cálices, fermentos
O poeta finge a dor: solidão-coivara, solidão-albatroz, surrealismo ópio
A provinciana metrópole: Samparaguai, roubismo desde os bandeirantes
Neo século: ansiedade, Rosangela musa-vítima: salvação da lavoura
Onírico: fantasmas, fantasias e espiritualidades – consciência-remorso
Sacrifício, fome, dormir na rua, máscaras mortuárias, escombros de ler
Poemetos-feições. Prêmios, midia, tv – escrever é fuga do não se achar
Prosa cênica: Provocações (Pan-Abujamra), tudo a ler. Escrita catarse
O grotesco, a sozinhez da alma – geração teflon em infovias efêmeras
Vestígios de ausências. Guardados incontidos, poesilhas e entretextos
Não necessariamente nessa ordem o testamento letral do inferno agosto
Surrealismo, realismo fantástico, meio século-banzo: inquietudes.
Neruda-Lorca-Whitman-Rilke-Maiakovski-Jorge de Lima, Lispector
Alma-vida insana, precariedades, olhar-furacão, tez chão, ultrapássaro
Luz sobre as trevas: eu estive lá-aqui-mesmo: condenação a viver é isso
Escrever cetras e carbonos, vagações e poemas, contos, nas errações
Dei testemunho de mim escrevendo. Corto os pulsos com poemas, singro
A literatura como tábua de carne da vida. Condenaram-me a sobreviver
Destilo prosas e versos, pastoreio poemas, delato, testemunho, assino só
A passagem pela vida como se arrastasse a dor, a tristeza e a solidão
Escrever válvula de escape: A vida é um erro? Fermento odes-errações
Na tábua de carne da vida, onde me sirvo em penúria do existencialismo
Possível; quase cárcere de tentativa. Olhando os martírios das lavrações!
-0-
Silas Correa Leite – Augusta Sampa/Santa Itararé das letras
E-mail:
poesilas@terra.com.br - Site: www.itarare.com.br/silas.htm
Blogue: portas-lapsos.zip.net






sábado, 14 de agosto de 2010

Salve a Rádio e TV Cultura

Movimento Salve a Rádio e TV Cultura ganha força e adesão
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
PDF
Imprimir
E-mail

13 de agosto de 2010

José Augusto Camargo (Guto) e Sérgio Ipoldo

Jornalistas, radialistas, artistas, intelectuais e sindicalistas de diversas entidades como a CUT/SP, CTB, ETESP, Sindicato dos Radialistas de São Paulo, entre outras, participaram do lançamento do Movimento Salve a Rádio e TV Cultura, realizado no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, na noite desta quinta-feira, 12 de agosto.


Rose Nogueira durante fala no debate
O movimento pretende resistir e protestar contra as (más) intenções do governo do Estado de São Paulo, através do presidente da Fundação Padre Anchieta (gestora da RTV Cultura), João Sayad, de liquidar com a única TV pública existente do Estado, patrimônio cultural do povo paulista e demitir cerca de 1.500 funcionários, entre jornalistas, radialistas e setor administrativo.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, José Augusto Camargo (Guto) disse que a sociedade está se mobilizando contra o desmonte da TV Cultura. Na tarde de quinta-feira (dia 12), o dirigente esteve reunido com o presidente da Fundação Padre Anchieta (gestora da Rádio e TV Cultura), que disse que não vai haver demissões. “O Sindicato, em sua função institucional, preocupa-se com os empregos dos trabalhadores. Mas não pode deixar de se manifestar contra o fim de um espaço que não pertence a uma gestão da Fundação e sim a todo o povo paulista”.
Já o representante do Sindicato dos Radialistas de São Paulo, Sérgio Ipoldo, disse que é funcionário da TV Cultura há 23 anos e que sempre, quando há troca de diretoria, há ameaças de demissões. 
Durante o debate, a diretora de Comunicação do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, Rose Nogueira, relembrou a história da TV Cultura de qual fez parte. Ela era repórter na TV quando o jornalista Vladimir Herzog foi detido pela repressão em 1975 e foi torturado e assassinado nas dependências do DOI-CODI.
A representante do Movimento Salve Manos e Minas, Maria Amélia Rocha Lopes, que foi funcionária da TV Cultura há anos e que retornou recentemente à emissora como PJ, também presente no encontro. Ela relatou a maneira que a TV Cultura acabou com o programa, de uma hora para outra e que ficou sabendo de seu fim pela imprensa. O programa dava voz a cultura de rua e a periferia. “O Manos e Minas, da TV Cultura, foi o veículo dessa voz que agora está sendo calada. João Sayad, o presidente da Fundação Padre Anchieta, tirou Manos e Minas do ar – o único programa que mostrou que periferia não é sinônimo de bandidagem. Ali nascem também artistas, trabalhadores e músicos, gente que faz Cultura de verdade”, diz o texto do abaixo-assinado criado pelo movimento.
Várias mensagens de apoio chegaram ao e-mail criado para apoiar o Movimento Salve a Rádio e TV Cultura. Eles não param de chegar no salvertvcultura@sjsp.org.br . Se você ou sua entidade pretendem aderir, mande sua mensagem. Veja abaixo algumas delas:

“Nossas entidades apóiam o movimento Salve a TV Cultura, uma TV que até hoje se preocupa em produzir e transmitir programas de real comprometimento de conhecimento para a sociedade”.  - Associação Cultura Arte e Movimento – ACARMO; Comissão Nacional dos Pontos de Cultura – Mobilização e Gênero – CNPC; Ponto de Cultura da Biblioteca do Fórum Social Mundial _ PCBSM e Rede Nacional da Promoção e Controle da Saúde das Lésbicas Negras – Rede Sapatá

“Como ouvinte e telespectadora constante da Rádio e TV Cultura, apoio integralmente todo e qualquer movimento que vise a preservar suas características como entidade pública, exclusivamente voltada para o aprimoramento cultural do nosso povo. Nesse sentido, firmo minha adesão ao Movimento Salve a Rádio e Televisão Cultura”, Pérola de Carvalho, tradutora.
“Sou doutora em comunicação pela Universidade do Rio de Janeiro e quero aqui deixar meu protesto quanto à possibilidade da extinção da TV Cultura. Considero-a uma boa televisão com uma programação rica em vários aspectos. Não tirem esse veículo do ar, não privem o telespectador dessa opção televisa”. Lilian Fontes Moreira, professora doutora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
"Por favor, salvem a TV Cultura da amputação, do economismo, da facilidade. Um cultor da cultura para salvá-la"! Renata Pallottini, escritora.

Extraído do site do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo http://www.sjsp.org.br/

Silas Correa Leite na Minha Revista RJ


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Twitter-Poemas, Seleta Desvairados Inutensílios




Seleta Twitter – Desvairados Inutensílios


“Poesia é musica./Quem tem olhos para ouvir/Que sinta.”
Silas Correa Leite (Literal)

Parte UM



DESCONECTUDES

a)-A ocasião faz o lampião

b)-Exibir é ócio

c)-Do nada viemos, ao nada voltaremos, somos o nada com e pré e pós-graduação

d)-berrar é humano

e)-Rio, nuvem, chuva: a água é o mistério da vida em exercício de lastro, lágrima e levitação

f)-perder-se é divino

g)-quem quer alguém para chamar de self?

h)-Princesa moderna não beija sapo, não quer os efeitos colaterais

i)-Pimenta no Orkut dos outros é YouTube


Parte Dois




REFABULAÇÕES


1)-As raposas estão verdes, dizem as uvas vaidosas e cheias de si


2)-Pra baixo todo coveiro ajuda


3)-atrás do arco-íris há uma passeata gay


4)-sanduíche de elefantes? Sinto muito, acabou o pãozinho




Parte Três


SELETA DE PARTICULIARIDADES ÍNFIMAS


***O papagaio amarelinho cantava de maduro


***Debaixo do tapete das etiquetas, penas pra que te quero


***O absurdo: o surdo não se toca que é táctil

*** O saxofone desafinava feito um pistom roufenho com surdina rachada


***Tempestade em copo dágua: alka-seltzer


***Debaixo dos caracóis de seus cabelos, Cingapura de piolhos


***Caiu na rede é gol


***Dinheiro trai felicidade


***No juízo final os manetas e os aleijados das pernas aplaudirão de pé e sairão correndo para a luz libertária


***Surto-circuito: poesia como jorro neural


***Nos rodeios alguns dos piores animais estão todos engalanados com arreios íntimos na platéia


***Purgante não, neoliberal. O que dá na mesma...


***Diabético em lua-de-mel faz cuscuz doce


***Mim Tarzã, You Tube


***Chorar escondido na poesia: silêncio líquido


***A tristeza-bumerangue de estar longe de Itararé: sempre voltamos ao lugar de origem


***Escrever é limo


***Às vezes o porco está do outro lado da feijoada


***Ler é luxo


***No futuro continente chino-brasilis, seremos todos índios com chips das máfias orientais


***Sofro mas desligo


***Quem não chora não Brahma


***Quem tem orkut tem medo




Twitter-Microcontos


Amor em Tempos de Aids

-Foi bom para você?

-Quem é você?


Lost

-Você vem sempre aqui?

-O que é aqui?





FINAL


(Excluída por exceder o limite permitido)




Na Antiga Rússia havia uma policia secreta, mas tão secreta, que até hoje não conseguiram provar se ela existiu mesmo



-0-



Silas Correa Leite
Santa Itararé das Letras, São Paulo, Brasil
Blogue premiado do UOL:
www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Contra a violência na escola.

A Udemo realizará, nesta sexta-feira, dia 13 de agosto, uma passeata em frente à Secretaria da Educação, contra a violência na escola.
O ato ocorrerá entre 19:00 e 21:00, e visa chamar a atenção das autoridades para o grave problema em que se converteu a falta de segurança nas escolas da rede pública estadual.
Sem segurança, aumentou a insegurança, a violência, a criminalidade, fatores estes que são responsáveis, em grande parte, pela diminuição do aproveitamento e pela baixa aprendizagem dos alunos da rede pública, principalmente das escolas de periferia dos grandes centros urbanos.
O governo extinguiu o projeto de segurança nas escolas, preventivo e intensivo, que era prestado pela Polícia Militar, corpo feminino, não colocando nada em seu lugar. Como consequência, muitas escolas ficaram ao abandono e sob o domínio de marginais.
A educação desses alunos e a vida dos seus educadores estão em jogo, e o governo só contempla e discursa.
Na prática, e na realidade, há o abandono.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

REFLEXO



REFLEXO

Mas, nada me alcança sem razão
e todo foco me centraliza
no percebido

Percebo-me nas coisas que vejo
e sinto neste encontro
dos meus olhos com as coisas
um atingir
fundo de mim
com o outro que me fita

Dentro dos meus olhos
vivo dentro do outro que fito

domingo, 8 de agosto de 2010

AO MEU PAI...

 ... para colorear amor amor amor | http://www.educima.com/es-colorear-dibujos-imagenes-foto-amor-i7...
Papai, abre as portas do céu
Quero te homenagear...
Meu beijo vai numa estrela
Meu abraço, num raio de luar...
 
                                                      Nair Lucia de Britto

DIA DOS PAIS

Encaminhado por Nair Lúcia de Britto,
em homenagem a todos os pais...
 
 
PAI, NOME BEM PEQUENINO
QUE ENCERRA TANTO VALOR
TRADUZ CONFIANÇA, CARINHO
FORÇA, BONDADE E AMOR
 
(Walter Nieble de Freitas)
www.peregrinaçãocultural.wordpress.com

DIA DOS PAIS

Encaminhado por Nair Lúcia de Britto,
em homenagem a todos os pais...
 
 
PAI, NOME BEM PEQUENINO
QUE ENCERRA TANTO VALOR
TRADUZ CONFIANÇA, CARINHO
FORÇA, BONDADE E AMOR
 
(Walter Nieble de Freitas)
www.peregrinaçãocultural.wordpress.com

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Romance SAL DA TERRA de Caio Porfirio Carneiro




Pequena Resenha Crítica


Romance “SAL DA TERRA” de Caio Porfírio Carneiro: O Encharcamento de Almas Carentes Expropriadas


“Cada escritor vai soprar no espaço em branco o
seu próprio carma, a sua sabedoria cavada no
atordoamento causado pelo tanto de mistério que
nos constitui e humaniza” - João Gilberto Noll




Com uma narrativa realista a palo seco, o Romance “Sal da Terra” de Caio Porfírio Carneiro, um dos pilares da UBE-União Brasileira de Escritores faz tanto tempo, com brilho de estréia já no seu lançamento em 1965 (Editora Civilização Brasileira, RJ), depois relançado em 1980 e 1984 pela Editora Ática, SP, retorna agora, quarta edição em todo o seu esplendor, pela Editora LetraSelvagem (Taubaté-SP), mantendo ainda o mesmo vigor como se fosse romance atual, porque ainda encanta e abre os olhos para a realidade-sal de uma região, de um tempo, de um espaço-lugar, como fosse momento atual numa joiada literatura de já-hoje.

Parias, tarefeiros, brabos e mansos, nas lidas das Salinas do Ceará, sofrido nordeste brasileiro. E os nominados personagens sofrendo calos, cegueiras, entre maxixes, deformações, meretrício, mais águas salobras, cloreto de sódio, ainda a agonia, tragédia, crueldades, exploração humana, sangrias desatadas, aqui e ali na técnica do leque, abrindo e fechando parágrafos entre diálogos cortantes que enredam a compreensão do historial como um todo.

Guedegue, Cristina Louca, Bibio, Cego Delfino, Mestre Nonato, entre outros, personagens fortes e marcantes vão se passando e pontuam as acontecências entre os paradoxos de beleza e horror, no cotidiano doloroso da sobrevivência tornada possível a custo alto, preço infame, feito uma geografia de dezelo humano, com implicâncias de impropriedades sociais, o próprio continente branco (“impurezas no branco”), a diversidade beleza/sordidez, mais miséria, exploração, o homem brucutu feito peão ou fantoche expropriado entre o sal, o sol e o ser, ou bisonho sub-ser no caso, entre pirâmides de sal grosso e a própria miséria urdida; miserabilidade branca de uma solidão aterrorizantemente branca-selvagem, em que a pior aridez é a relação de troca capital/trabalho. Mudou muito desde então?

O peão tarefeiro brabo como abominável homem do trabalho pesado e mal-remunerado, quase sub-servo, o ferro-de-cova; num formigueiro branco entre travessias de sub-operários com brechas na sola do pé, a cegueira precoce, a luminosidade de uma salina que também provocada viola e cega. Diz o Negro Valério: “Salina só tem beleza por fora(...). Come por dentro que nem rato”.

Sim, no romance SAL DA TERRA salina tem cor e lavra carpida de morte “caiação de cemitério”, todos os personagens como lazarentos desfilam cada um ao seu modo desconfigurado entre as rudezas de muito cloreto de sódio, o maldito e lucrativo sal.

“A viração vibrava nas frinchas do telhado e as pilhas de sal, enfileiradas no barranco, branquejavam ao luar como estátuas silenciosas. Acordes tristonhos de um violão para o lado do puteiro. Gritos ao longe de um menino apanhando (pg. 38)”. Essa é a cruenta tônica narrativa, ora entintando os núcleos desumanos dos negredos do aldeamento, ora uma fluidez do real translucidando o próprio verbo salgar as carnes que foca, conta, liga, entrelaça, permeia. A última capa do livro aponta o cenário: “As mazelas de um meio físico e social hostil e degradante”.

Escombros humanos salinizados. Prosa propositalmente crua, sendo ela mesma também salinizada. Desalento. Melancolia, a própria brancura de certa forma paradoxalmente turvando a lucidez dos expropriados, entregues à própria sorte, ao deus-dará, os tais tarefeiros obtusos. Sal marinho e carne humana enquanto o subviver. O charque social. O achaque do explorador, os parasitas e as paranóias do entorno.

“Uma grande paz branca envolve a salina. As águas claras dos escoadeiros corriam em filetes como compridas tranças (pg.46)” Iniciação de mão-de-obra quase escrava que aleija, degrada... Iniciações amorosas. Relações de conflito. Caio Porfio Carneiro fala de sua terra com mostra de quem contundentemente bem exercita o verbo escrever com olhos que resvalam para um devão sócio-crítico da antropologia.

George Lukács diz que romance é a história de um herói insatisfeito que busca valores artísticos num mundo degradante. Assim é o romance SAL DA TERRA de Caio Porfírio Carneiro. Uma obra entrecortada de diálogos justapostos, conferindo desfechos, inclusive no pré-final que implicita um desdizer, o possível que, o talvez de; manejos de véus literais e assim por diante, bulindo com a imaginação e a sensibilidade do leitor nos sentidos tácitos ou nas aproximações das narrativas, quando não num proposital distanciamento dos quadros cênicos descritivos, levando e trazendo o leitor para aqui e ali, indicativos do que elucida no contar. O homem sal da terra? O escritor sal da terra, dando a sua temperança no olhar, descrever, fabular?

Turvam-se águas e salinas, para descobrir-se a transparência da terra em transe; buscando-se a transparência humana, o homem também como sal de si mesmo. Sem contar não podemos parecer humanos. E contando mostramos o desumano. Esse mundo não é falso, esse mundo é um erro, diria Mia Couto. Escrever é exercitar a paciência para descrever núcleos de remorsos incontidos?

A terra e o feitio do homem. O homem o bicho da terra. A terra sal do homem. O fatalismo regional. Nonato o Mestre da Salina. O sertão-sol-mar. O submundo do trabalho expropriado e o próprio sentido metáfora do sal nesse intento salgando idéias, corações, músculos, almas; secando-as ao sol para o charque lacrimal do devir a vidas carentes expropriadas na mixórdia da sobrevivência difícil. A subvida, ou a vida-cloaca no pântano da condição humana. O homem pântano do homem.

Caio Porfírio Carneiro destrincha a carne, o sangue e o eio do sal do que conta. Tempera parágrafos, nunca salga demais as contações, não se excede nas errações. Mas a vida (vida?) das salinas está muito bem exposta literariamente e o livro SAL DA TERRA é testemunhal.

Obstáculos existem na sobrevida, detalhes pungentes enredam, a selva-salina na salmoura em testamento de vidas ao rés do chão saltam aos olhos na leitura; sinais e desejos, lumes e limos, contextualizando atos e passagens, compartilhando assim com texto tenso a invisibilidade dos comuns na brancura fria das salinas, feito vazamentos de águas paradas, rabiscando luzes literais nelas, para um romancear que traz o pertencimento dos inválidos, encharcados pela rudeza crua da sobrevivência roubada nesses brasis gerais com a tez chão dos que vegetam a mingua.

Escrever é colocar sal na ferida vida dessa brasilidade expropriada. E Sal da Terra de Caio Porfírio Carneiro resgata isso num belo romance.

-0-

Silas Correa Leite
E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.itarare.com.br/silas.htm

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"LIVROS"






Papai

PAPAI




Apoie essa ideia!

"LITERATURA-ARTE E CULTURA- SEMENTE QUE DEVE SER CULTIVADA COMO CERTEZA DE HERANÇA DAS CRIANÇAS DE AMANHÃ!"

www.ninarocha.com.br

PROJETO DE LEITURA:) "CRIANÇA FELIZ!"

* LITERATURA EM TELAS - CARREFOUR PAROLIN
CURITIBA/PR - 2005

*LANÇAMENTO DE LIVRO - FEIRA DE LIVROS NA PRAÇA OSÓRIO
CURITIBA/PR

* LANÇAMENTO DE LIVRO - ESCOLA ELIAS ABRAÃO
MATINHOS/PR


* ESCOLA ELIAS ABRAÃO



* LANÇAMENTO DE LIVRO - SEDE DA ADEPOL
GUARATUBA/PR - 2007
* FEIRA CULTURAL
JOINVILLE/SC





* LANÇAMENTO DE LIVRO
CURITIBA/PR - 2006





* LITERATURA EM TELAS - BIBLIOTECA UNIANDRADE
CURITIBA/PR - 2005







* AUTÓGRAFOS
MATINHOS/PR -2009








* LANÇAMENTO DE LIVROS - CEMEI PAROLIN
CURITIBA/PR - 2010




















SORRISO DE CRIANÇA


PAPAI


"Feliz daquele que sente a expressão de alegria de sua alma e bendito aquele que consegue compartilhar este lindo sentimento".


terça-feira, 3 de agosto de 2010

Revés de um parto

“Oh, pedaço de mim! Oh, metade arrancada de mim,...”, diz uma letra da música de Chico Buarque, talvez a que mais me afeta emocionalmente.
Seu tema é a saudade...
Saudade que o poeta encontra várias formas de descrever, todas metaforicamente perfeitas, todas dolorosamente profundas. Saudade de coisas perdidas ou que se deixou de buscar ou acreditar. Saudade do que nos foi tirado inesperadamente, ou que, por mais que nos pensássemos resignados, nada é capaz de consolar.
Mas amores perdidos o tempo pode curar! E, hoje, já não são tantos os amores sinceros, que preconceitos e tolas tradições ainda teimem em separar.
É quando se encontra um desses amores que a gente entende o real sentido da vida e passa a vivê-la com uma intensidade que exterioriza luminosidade, que gera semente, que às vezes frutifica em mais vida e luz: é quando uma mãe dá à luz, e um pai acalenta ambos.
Nesse momento, deixamos de ser apenas andarilhos, na vida, para sermos guias e, até, caminho para nossos frutos.
No ciclo da vida, que é qual uma infindável corrida de revezamento, pais entregam vida aos filhos, e estes aos seus descendentes, num círculo virtuoso, que ninguém jamais sonharia em ver interrompido.
Nascemos, crescemos e tentamos aprender um pouco do mundo, da alma e de seus mistérios, antes que nosso tempo se esvaia e sejamos apenas lembrança, quem sabe saudade.
Quando isso é natural, fica mais fácil de entender uma perda. Uma longa vida que se encerra toca nossa alma, mas a ciência de que outras vidas dependem da nossa nos motiva a buscar forças para recobrar o alento e prosseguir.
Daí, ser pai foi algo que me tornou um ser humano melhor, apesar de todas as minhas limitações e defeitos renitentes. E a simples sensação de deixar essa condição me aflige de forma visceral. Creio que ninguém jamais estará preparado para isso, e que será precisa força sobre-humana para superar tal perda.
Por isso, toda vez que vejo quaisquer pais, famosos ou não, amigos ou não, chorarem seus filhos, isso me afeta e sempre me faz lembrar a música de Chico, que em sua mais aguda e definitiva comparação, resume que: “... a saudade é o revés de um parto. A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu”.
Talvez não haja dor maior!
Mas, a essa lembrança sempre vem juntar-se outra, a das palavras cantadas de Renato Russo, quando afirma: “É preciso amar as pessoas, como se não houvesse amanhã. Porque se você parar para pensar, na verdade não há!”.
Quem sabe assim, a saudade talvez seja mais amena, menos dorida, e a vida possa prosseguir, com campos ainda a semear.

sábado, 31 de julho de 2010

Livro Artesã de Ilusórios de Leticia Palmeira






Pequena Resenha Crítica


Livro “Artesã de Ilusórios” - Um Tremendo Bordado Literário de Letícia Palmeira


A compreensão não é um saber abstrato.

É um saber em ação.

Paulo de Camargo



-Mas, afinal de contas, o que é mesmo que Letícia Palmeira escreve? Como classificar sua primeira obra, a estréia em alto estilo, de salto alto? Conto, crônica, ficção, prosa em verso, prosa poética, derramas subjetivos, criações letrais, pirações, qual a classificação narrativa do exuberante livro “Artesã de Ilusórios”, Editora Universitária, UFPB, 2009? Essa é a questão.

Você começa a ler e, baba baby, fica encantado; acha que está entrando num conto, depois periga ver é ensaio, quando não começa meio croniqueta e vira conto, ou vice versa, para não dizer que não falou de flores, ela entra e sai toda prosa de narrativas mirabolantes que seduzem, cativam, tornam o livro um mosaico de tudo o que ela purga, fermenta, depura; olhar de artista descrevendo a vida, com paradoxos, entraves, janelas abertas de sua alma em jorro letral. Já pensou? Artesã de Ilusórios, é, talvez, mas só talvez, uma heroína insatisfeita buscando-se a si mesma, auditando valores existenciais, momentos, transgressões, tentando a autenticidade num mundo perdido, degradado...

-A mulher e flor-fêmea no exercício exuberante de toda a sua existencialização enquanto alma pensante, transbordando, dando corajoso testemunho, quando retrata, recolhe, registra e diz a que veio. Talvez para pensar a vida em que habita, levita, constrói e resgata peculiaridades em verso e prosa. É a mulher que não se basta, não se contém, não se enquadra. Somos continuações. Letícia Palmeira é a liga. Escrevendo ela se dá inteira, questionadora, a consciência-passageira no viço da vida, buscando a felicidade de participar, enxergar, se inserir inteira na paleta sensível de seu estar em si. A artesã que escreve é isso.

-Artesã de ilusórios tem guardados incontidos, com suas vertentes, feito um rosário de parágrafos, de palavras bem torneadas. O texto sagrando a lida da vida. Romântica e crítica. Com seus conceitos e incompreensões que mapeia, entre afetos e circunstancias de viver e ser. “O mundo de janelas abertas. São palavras em terno e gravata, grávidas, idosos, infantis, famintas e libertas. Palavras são a certeza e a visão concreta das dúvidas”. (Pg. 21, Afeto Literário). Essa é a prosa viçosa dela, formada em Letras pela Universidade Federal da Paraíba.

Fala de bichos, gatos, elefantes, dragões, e também do bicho-homem, o bicho-ser, no olival bem ilógico da vida. Quer o arsenal dos verbos. A vida é crucial? Qual é a imagem de nós mesmos no contexto de uma sociedade adultizada e machista? Não, não podemos fugir do lugar e estar que somos. Ou podemos, no escreviver, os destemperos alucinados? No tear de Letícia Palmeira, de anjos a borboletas, cercando o circo da vida. Compondo ou recompondo. tudo. Flores e árias. Clarões. E ela mesmo também ri-se de si, do que agrega, do que envolve com sua criação “Tabuada decorada para dias de prova – Pg. 47, Flor de Decassílabo.)

-Coletivo de pluralidades. Janelas. A madura escritora Letícia Palmeira pinta o quadro do que registra. “Vestígios de mim em outra face, num disfarce de casa antiga querendo mudar de lugar. Pg. 63, Janelas da Voz. A Mãe de Pedro arde em si, evoca almas, momentos, cicatrizes, faz um espólio de tudo. Como Clarice Lispector, poda-se para permanecer inteira e sempre na florada. O submarino amarelo é mais embaixo. A vida tem seus subterrâneos, de anjos a demônios. O amor também pode ser uma droga? Ela é cheia de questões, feminina e lúcida. Poeta a parir prosa feito artesã de si mesma. Se não nascemos inteiros, vamos nos fazendo. Assim é a escritora Letícia Palmeira.

-Traz as compotas da vida em palavras. Os potes de açúcares literais. Diz do homem desconexo, de filosofias e ervas. A vida o que é? Fala de flores e de sabão em pó, fala de sol e de lua, de madalenas e banheiros. Será o impossível? Que perigo é uma mulher pensadora, sentidora, criadora, na plena posse questionadora de si e do que a cerca? A literatura de pequenos espetáculos resgatados. Ah os origamis dos dias...

-Quando escreve é só uma espécie de strip-tease, em que desnuda a vida em toda a sua magnitude? Que labirinto é o pensar/sentir/amar, um quebra-cabeças em que se situa sensual, come e bebe de literatura cozida em vapor de existencialização, feito um fio de Ariadne para ramificar a sua própria contemplação?

No livro, Zélia Farias (Especialista em Língua e Literatura Anglo-Americana pela Universidade Federal da Paraíba) muito bem diz: “Letícia foi Alice um tempo(...). Já era o tempo em que se cercava a Mário Quintana, Clarice Lispector, Virginia Woolf, Ana Cristina César, Lygia Fagundes Telles (...)”. Existir é a arte da paciência sem tédio ou remorso, ou muito pelo contrário? Letícia Palmeira é a busca viva desse entendimento. Mia Couto (in, Último Desabafo de Arcanjo Mistura), diz que esse mundo não é falso. Esse mundo é um erro. Será o impossível? Ah o solilóquio da reflexões depuradas!

-Na sua exuberante literatura, Letícia Palmeira escreve recortes de vida, páginas de angústia e desprendimento, paradoxos e cisternas, olhares plangentes, fragmentos e matizes corajosos, prosa e poesia, um verdadeiro liquidificador de idéias e cobranças a partir disso, feito uma artesã que junta carne e luz, céu e terra, caracóis e pedras, defeitos de fabricação e peças de reposição, coletivos e plurais.

O mundo está dividido entre magoados e inquietos, disse Gabriel Garcia Marques. Nem sempre a lágrima é a medida de todas as coisas. Ler Letícia Palmeira é um deleite. A flor corajosa da arte e da vida, numa linguagem que situa a lucidez e a criatividade. A mulher exercitando a sua plenitude. Daí, a literatura pura.

-0-

Silas Correa Leite – Autor de Campo de Trigo com Corvos, Contos, Editora Design

E-mail:
poesilas@terra.com.br
www.portas-lapsos.zip.net




sexta-feira, 30 de julho de 2010

Opinião

Especialista em islã avalia os impactos da lei do véu aprovada recentemente na França

Doutora em Antropologia Social, a especialista em islã e professora do curso de pós-graduação em Globalização e Cultura da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Francirosy Ferreira analisa os impactos da lei do véu aprovada recentemente pelo Parlamento francês

Cubram-se com os seus véus!

Francirosy Ferreira*

Em 13 de Julho de 2010 um projeto de Lei nº 524, que entrará em vigor em seis meses após a sua promulgação, foi aprovado na França. Este projeto proíbe o uso da burqa (vestimenta islâmica usada no Afeganistão e no Paquistão) e do niqab (mais usado na península árabe) em vias públicas, em lugares abertos ao público e os destinados aos serviços públicos.

Cabe refletir se este projeto garante autonomia às mulheres muçulmanas. Certamente que não! Considerar que toda mulher que usa burqa ou niqab são submissas e devem ser "salvas" pelos ocidentais é tão violento quanto obrigá-las a usar tal vestimenta. É importante dizer, que o véu não subtrai o pensamento, e a ausência dele não é significado de autonomia. Na França vivem mais de cinco milhões de muçulmanos, mais ou menos duas mil mulheres usam essas vestimentas (burqa e niqab), o que não justifica tal reação. Ao fazer tais proibições estamos deixando de reconhecer e de respeitar às diferenças étnicas e religiosas. A desculpa de proteger essas mulheres não convence à comunidade, nem os Direitos Humanos.

São dois os motivos para proibição do uso dessas vestimentas em público: por questão de segurança (associando o uso da burqa e do niqab ao terrorismo) e o outro motivo refere-se em termos de tradições e costumes de um país (liberdade das mulheres), como acontece na França. A proibição ao uso dessas vestimentas islâmicas tenta esconder um certo "discurso civilizacional" e "ideológico".

A polêmica sobre o uso do véu na França não é recente. Em 1989 o colégio Gabriel Havez teria proibido suas alunas muçulmanas de usarem hijab. Atitude essa que foi recebida com muito protesto. Em luta pelo direito de usar o véu como ocorreu na França em 1989, jovens muçulmanas, que estudavam no colégio saíram em passeata pelas ruas de Paris. A proibição fez com que mais meninas passassem a usar o hijab em sinal de demonstração da sua identidade.

Após o atentado terrorista ao World Trade Center em 11 de Setembro de 2001, o Islã virou foco da mídia, e da comunidade intelectual, mas é possível constatar o crescimento da religião neste período, pude constatar o crescimento de revertidos[1] à religião, sendo que a maioria dessas reversões foi feitas por mulheres. Essas brasileiras, como bem afirmou, no vídeo, Vozes do Islã, Nadia Hussein "não se sentem oprimidas pelo véu".

Sabemos, portanto, que o uso de burqas e niqab são designados por grupos muçulmanos que interpretam a determinação alcorânica de forma extrema, mas também, não seria conveniente avaliar que há aceitação por parte de mulheres que acreditam que essa seja a forma correta de se apresentarem publicamente e de demonstrarem a sua adoração a Deus? Por que quando se trata da religião dos outros, somos intolerantes? É preciso considerar que o desejo de liberdade e de libertação é histórico e situado.

A vestimenta islâmica usada pelas mulheres significa: a modéstia, estar conectado com a sua família, demonstra o orgulho que essas mulheres sentem da sua comunidade, da sua família. Deixar de usar a burqa (niqab, xador, hijab) pode significar um estranhamento muito grande dos laços de parentesco. Então, considerar a ocidentalização como alguma coisa boa, pode ser um grande erro, que pode deixar sequelas na vida dessas mulheres, como por exemplo, limitar a circulação dessas mulheres ao espaço doméstico, pois agora estão proibidas de saírem às ruas com as suas vestimentas. É importante considerar que o sentido do self, as aspirações e os projetos dessas mulheres foram constituídos no seio de tradições não liberais. E exigir que elas tenham a mesma visão de mundo, de pessoa, de comunidade dos outros é querer uma homogeneização social que não existe, pois se a diversidade cultural existe, ela deve ser boa para gente pensar - parafraseado Claude Lévi-Strauss - e para respeitar.

*Francirosy Ferreira é doutora em Antropologia Social, docente do curso de pós-graduação em Globalização e Cultura da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), e organizadora da coletânea "Olhares femininos sobre o Islã: etnografias, metodologias e imagens". São Paulo: Editora Hucitec, 2010.

 

[1] Para os muçulmanos, todos os homens nascem muçulmanos, isto é, nascem submissos a Deus, mas por qualquer razão se afastam deste caminho, o retorno ao caminho, à senda reta, como costumam dizer, significa retornar, por isso reversão e não conversão, como vários especialistas preferem usar. Para ser fiel aos termos usados pelos nativos, uso o termo reversão, para saber mais sobre esta categoria ver (FERREIRA, 2009, revista litteris)

 

 

ICL defende aprovação urgente do PL 1482 para endurecer combate ao roubo de combustíveis em dutos

      O Instituto Combustível Legal (ICL) defende a aprovação urgente do PL 1482, proposta que busca dar uma resposta mais firme e proporcio...