terça-feira, 18 de maio de 2010

Prêmio Ipê Cidade de Blumenau

Coletânea Haicais em Setembro, volume 2

O Prêmio IPÊ Cidade de Blumenau foi instituído pelo Projeto Palavras Azuis, para comemorar o plantio de três mudas de IPÊ ROXO (árvore símbolo de Blumenau), durante o 2º Encontro de Poetas del Mundo realizado na cidade, em 2008. As três árvores foram batizadas de IPÊ BRASIL, IPÊ SANTA CATARINA e IPÊ CIDADE de BLUMENAU, respectivamente.

O Prêmio Ipê Cidade de Blumenau será concedido a três dos autores que aceitarem o convite para participar da Coletânea Haicais em Setembro, vol.2. Os três primeiros colocados receberão um troféu e certificado de participação, sendo um prêmio para autor residente Blumenau, outro para Santa Catarina e um terceiro para o selecionado entre participantes do Brasil e exterior. Os jurados não tomarão conhecimento dos nomes dos autores durante o processo de seleção. Membros da organização, Conselho Editorial e corpo de jurados, nâo farão jus à premiação, caso participem da Coletânea.

A seleção dos três melhores haicais será feita por profissionais ligados à Literatura em Língua Portuguesa (doutores, professores e poetas conhecedores do haicai) dentro dos seguintes critérios:

· Haicai tradicional com 17 sílabas.

· Kigô: tema livre ou termos referentes à Primavera.

· Originalidade e beleza poética.

· Uso do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Nota:

· Se as inscrições ocorrerem dentro do prazo e atingirem o número ideal de co-participantes, a Coletânea Haicais em Setembro, vol.2, poderá ser editada em São Paulo, para lançamento na Bienal do Livro, no mês de agosto de 2010.

· Lançamento em Santa Catarina ocorrerá em Setembro, em homenagem aos 160 anos de Fundação de Blumenau (dia 2) e ao Dia da Árvore (21), com colocação de placas de identificação nos três pés de Ipê, plantados em frente ao Mausoléu Dr. Blumenau, no Centro Histórico.

REGULAMENTO

· As inscrições serão feitas até 30 de Maio de 2010, através dos correios eletrônicos manczak@terra.com.br ou terezinhamanczak@yahoo.com.br

· Os haicais deverão ser enviados em português, arquivo Word, fonte Arial 12.

· A Coletânea será editada em regime de cooperativa, como as demais
edições do Projeto Palavras Azuis.

· O custo de co-participação será de R$240,00 por autor, com direito a seis páginas, sendo (5) cinco páginas para publicação (um haicai por página) e uma página de abertura, com identificação do autor.

· A edição terá no mínimo um total de 20 participantes.

· Cada autor terá direito a 20 exemplares do livro.

· O formato do livro será de 10X15. Miolo em Papel Off Set 75g e capa em Papel Triplex Supremo 250g.

 

 

Dados para inscrição
Nome do autor, RG, CPF, e-mail, endereço completo e telefone, E – mail e/ou site

Informações para depósito

Banco do Brasil Ag. 5203 -5

C/C 296.137-7 (favor enviar comprovante de depósito)

Formas de pagamento

À vista ou em até três parcelas de R$80,00 (maio, junho e julho), através de depósito bancário ou cheques nominais. No caso dos cheques pré-datados, favor solicitar endereço para remessa.


Organização:

Terezinha Manczak – Editora do Projeto Palavras Azuis, Coleção Prosa & Verso.

Fones: (47) 33371867 Cel.(47) 84024233

blog www.terezinha-manczak.blogspot.com site www.seblumenau.org

ABBTUR São Paulo comunica

Entidade reintegra Contur a partir de 19 de maio

A ABBTUR São Paulo comunica aos colegas bacharéis, docentes, estudantes e profissionais de Turismo que, conforme o Decreto n 55.670 de 1 de abril de 2010, passa a reitegrar o Conselho Estadual de Turismo.

A Associação será representada por seu Presidente, Prof. Dr. Marcelo Vilela de Almeida e por seu Diretor de Comunicação, Aristides Faria, membros Titular e Suplente, respectivamente.

Prestes a completar três décadas de atuação no Estado de São Paulo, a Entidade já participará da próxima reunião do Conselho. O evento se dará na quarta-feira, dia 19 de maio.

 

Ana Marina Godoy
jornalista - 8446/PR

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Poema

 

Complexo

 

És lindo por dentro

E por fora

A noite é bela, conte comigo...

Vem cigano dos meus sonhos...

Vou lembrar sempre de você...

Em horas corridas...

Em dias cheios

Nada te impedi...

De me tomar pelos braços...

Quero sentir seu perfume...

Nessa altura da vida...

Sua forma de viver a vida...

Serei grata por nós...

Patrícia Raphael é poetisa em Itajaí

 


 

Poemas

 

 

 

AUTOPSICOGRAFIA DO POETA

Dhiogo Jose Caetano

 

O poeta é um fingido.

Finge tão perfeito que chega a ficar com dor e releva o sentimento.

E o lê e o escrever na dor nos sentidos perfeitos.

E assim nas rodas gira a razão esse comboio de rodas que se chama coração.


dhiogocaetano@hotmail.com

Interrogatório ex-deputado Carli Filho

Nota para a imprensa

Ex-deputado Carli Filho opta por ser interrogado em Curitiba.

A defesa do ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, pelo advogado criminalista Roberto Brzezinski Neto, protocolizou petição na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Curitiba, informando o juiz que o acusado opta por ser interrogado em Curitiba. "Agora o processo segue para o Juiz designar a data do interrogatório nesta Capital", declarou o advogado Elias Mattar Assad, que representa a família Yared na assistência do MP.

Assessora de Imprensa
Nayara Giazzon

 

 

Filmes premiados podem ser acessados on-line

  Filmes premiados podem ser acessados on-line

Os filmes premiados na primeira edição do TourFilm Brazil já podem ser acessados no site do evento, www.tourfilmbrazil.com

domingo, 16 de maio de 2010

FÉ DIVINA E FÉ HUMANA

 

Seja divina ou humana, a é um sentimento inato do ser humano.

Desde o seu nascimento o homem traz dentro de si a consciência

de suas poderosas capacidades e do destino que lhe é reservado.


A princípio o sentimento deestá oculto dentro dele. Para que esse

sentimento se manifeste, se desenvolva e se revigore isso é algo que vai depender exclusivamente do livre arbítrio de cada pessoa.


Geralmente quando se fala de costuma-se aliar-se essa palavra apenas no sentido religioso; na fé que Jesus ensinou, como chefe de uma religião. Mas o que Jesus, que realizou vários milagres, quis realmente mostrar aos homens são as maravilhas que todos

podem realizar através da fé; isto é da vontade de querer.


Os milagres realizados pelos apóstolos, a exemplo de Jesus, não seriam exatamente milagres, mas sim efeitos naturais; efeitos esses que, naquela época, os homens não tinham conhecimento.

 

Hoje, através do estudo da filosofia espírita e do magnetismo,

o homem tem condições de se esclarecer a respeito.


Explicando em miúdos, todo homem é dotado de um magnetismo

que já nasce com ele e, portanto, com o poder de atrair para si,

como um ímã, o que ele deseja. Só que, em primeiro lugar,

o homem precisa tomar conhecimento desse poder e

saber desenvolvê-lo, a favor do bem.


A fé tanto pode ser divina como humana; dependendo para onde o homem a direciona. Quer dizer, a pode ser aplicada tanto para as aspirações celestiais, no futuro;

como pode ser aplicada às necessidades materiais terrestres.


Por exemplo, um homem que luta para construir uma grande

empresa e executa seu trabalho com fé e determinação, certo de

que conseguirá realizar seus projetos, triunfa porque essa

certeza lhe dará uma grande força que o ajudará a vencer.

Essa é a fé humana.


Por outro lado, o homem que acredita na sua vida futura, depois de sua passagem pela Terra, e procura através de boas ações obter merecimento para alcançar a felicidade celeste pode realizar milagres através da caridade, do devotamento e da

abnegação. Essa é a a fé divina.


Quer dizer, seja a humana ou divina, não existem dificuldades

que não possam ser ultrapassadas. O magnetismo é a prova

do poder da fé colocada em ação.

Pela fé, o homem obtém a cura de enfermidades e produz vários outros fenômenos que, antigamente, eram chamados de milagres.


Se todos os homens se conscientizassem do poder que têm dentro

de si e se esforçassem no sentido de trabalhar adequadamente

esse poder, todos seriam capazes de realizar grandes prodígios

que, na verdade, não seriam milagres; mas sim a capacidade

de saber colocar em exercício e desenvolver favoravelmente uma de suas poderosas faculdades humanas.


NAIR LÚCIA DE BRITTO


Fonte de pesquisa: O Evangelho, segundo o Espiritismo – Paris, 1863.



 

Oitava edição da Cãominhada de Blumenau bate recorde de público

A 8º edição da Cãominhada, que ocorreu no último domingo, dia 16, a partir das 8h30mim em frente ao setor 3 do Parque Vila Germânica, bateu recorde de inscrições. Ao total, 1,052 cães participaram do evento, que contou ainda com a participação de mais de 4 mil pessoas que se divertiram em uma manhã de lazer.

De acordo com a coordenadora do evento, Margaret Nascimento, os números expressivos da Cãominhada provam que o evento já faz parte do calendário da cidade e caiu no gosto da população. "Estamos muito felizes com o resultado deste evento e notamos que cada vez mais, estamos sendo prestigiados pelos blumenauenses", afirma. A próxima edição da Cãominhada ocorre em agosto.

Repórter: Rafaella Fernandes E-mail: rafaellafernandes@blumenau.sc.gov.br


sábado, 15 de maio de 2010

A poesia que entra pelos OlhOs

Nós humanos somos providos de cinco órgãos dos sentidos: tato, olfato,
paladar, audição e visão. Todos são demais valiosos para o nosso
relacionamento com o universo. Qualquer mensagem que chega ou sai de
nós passa por algum deles a depender da forma com que foi codificada.
A música, por exemplo, necessariamente passa pelos ouvidos. Toda a
culinária, o paladar e o olfato estão intimamente relacionados. E
assim por diante.
De tempos em tempos, um ou outro órgão entra mais em evidência. Na era
do rádio estava a cargo dos ouvidos traduzir para o resto do corpo as
novidades do mundo. Com o advento da televisão entramos na chamada era
visual. E na era virtual (internet) vai vigorar em nós o sexto
sentido?
Enquanto nos respondem os biólogos, cientistas e teóricos da
comunicação, vamos nos ater a um assunto já bastante experimentado: a
poesia visual.

Poesia visual brasileira

A síntese da poesia visual brasileira ganha as terras americanas pelas
mãos da artista Regina Vater, que organizou uma abrangente exposição
sobre o tema. Residindo há mais de vinte anos nos EUA e contando com o
apoio do Instituto de Estudos Latino Americanos da Universidade do
Texas, a artista reuniu trabalhos de 53 poetas de diferentes partes do
Brasil. O ponto culminante do projeto "Poesia Visual Brasileira" é a
exposição realizada no Mexic Arte Museum - Texas, também disponível no
site www.imediata.com.
A relação dos artistas participantes já impressiona por seus nomes:
Ana Aly, André Vallias, Alex Hamburger, Almandrade, Alvaro de Sá,
Arnaldo Antunes, Augusto de Campos, Avelino de Araújo, Bené Fonteles,
Bruno Monteiro, Carli Moore Portella, Christine Mello, Décio
Pignatari, Edgar Braga, Fabio Di Ojuara, Falves Silva, Franklin
Capistrano, Gastão Debreix, Giselle Beguelman, Glauco Matoso, Grima
Grimaldi, Haroldo de Campos, Hélio Oiticica, Hugo Pontes, J. Medeiros,
João Bandeira, Joaquim Branco, José Alberto Saraiva, Lena Bergstein,
Lenora de Barros, Lia do Rio, Lygia de Azeredo Campos, Maria do Carmo
Secco, Millôr Fernandes, Moacy Cirne, Neide Sá, Omar Khouri, P.J.
Ribeiro, Paulo Bruscky, Paulo Miranda, Philadelphio Menezes, Regina
Vater, Sayonara Pinheiro, Tadeu Jungle, Walter Silveira, Wladimir Dias
Pino.


"Se vos nutro com poesia, é na esperança de que não me faltem com a
comida."
Luiz de Camões
A artista e curadora Regina Vater participa com uma instalação
especial para a ocasião chamada "O Festim de Camões", onde são
homenageados o patrono da língua portuguesa Luiz de Camões e os poetas
brasileiros Affonso Romano de Sant'Anna, Antonio Cícero, Caetano
Veloso, Frederico Barbosa, Haroldo de Campos, Manoel de Barros, Olga
Savary e Sérgio de Castro Pinto. Na instalação, sobre uma mesa posta
para os convivas brasileiros está impresso, nos oito pratos, um
pequeno poema de cada um deles que podem ser lidos sob um foco de luz
direcionada. Intrigante!
A idéia se baseia numa história atribuída a Camões que, querendo
retribuir favores devidos a certos cortesãos, certo dia decidiu
oferecer um banquete. Como não tinha dinheiro, pediu emprestado a um
amigo rico seu melhor serviço de mesa (pratos, cristais e talheres).
Quando os convidados chegaram para a festança, encontraram a mesa já
posta. Todos os pratos, porém, estavam virados para baixo. Camões
agradeceu a todos pelo apoio sempre recebido e pediu, então, que
virassem os pratos, pois o banquete iria começar. Debaixo de cada
prato, os convidados encontraram um poema escrito especialmente para
cada um deles pelo anfitrião. Para completar a surpresa, Camões
declarou: "Ora, pois, o banquete está servido... Se vos nutro com
poesia, é na esperança de que não me faltem com a comida".

Para enxergar melhor

Enxergar e entender. A poesia visual já passou por diversas
experimentações e hoje convivemos com ela em out-doors, anúncios,
grafittes, luminosos, vinhetas de televisão, capas de livros, revistas
e jornais, rótulos de produtos, logomarcas, na arquitetura, na moda,
no design industrial, sem nem nos darmos conta.


"As cavernas com suas inscrições visuais são os museus do homem
primitivo. O homem moderno armazena suas imagens visuais nos museus."
ALMANDRADE
Para compreendermos a origem e essência do conceito "poesia visual",
nos valemos de uma entrevista concedida pelo poeta Antônio Luiz Morais
de Andrade - ALMANDRADE - ao repórter Rodrigo de Souza Leão.
ALMANDRADE é dono de um estilo através do qual o minimalismo é o
cursor de sua estética e trabalha o poema como quem lapida um
diamante. É um dos criadores do Grupo de Estudo de Linguagem da Bahia
que editou a revista Semiótica em 1974. Ele responde às perguntas com
a sabedoria de um verdadeiro mestre e mostra-se indignado pelo descaso
ao trabalho do artista numa sociedade dominada pela cultura da mídia,
da moda, do fácil e do descartável.

Repórter - Por que o poema curto é o paradigma da poesia brasileira
atual?

ALMANDRADE - Não tenho informações suficientes para afirmar que o
poema curto é o paradigma da poesia atual. No meu caso, a arte e a
poesia me desviaram para o uso de um repertório mínimo de signos
verbais ou pictóricos como método de trabalho. Tenho como referências:
a vanguarda poética, o construtivismo e a arte conceitual. Mais tarde
me aproximei das conferências de Ítalo Calvino, principalmente sobre a
leveza "monumentos perdidos/pinturas nas paredes dos museus/cavernas
modernas".

Repórter - O que há de comum entre monumentos perdidos e a pintura nas
paredes das cavernas? "Tudo passa menos o tempo"? "Círculos que se
prendem em círculos"? "Eterno Retorno"?

ALMANDRADE - A poesia é um fazer com a linguagem, um exercício que
leva a linguagem a um limite, a romper com os significados do
cotidiano. "...ir o mais longe possível, e não alcançar" (Bataille).
Na minha poesia há imagens, às vezes absurdas, contraditórias,
relações estranhas... possíveis só na linguagem poética. O poeta é
livre para transformar a ordem e o sentido das coisas. Mas podemos
aproximar da lógica do cotidiano, um problema para o leitor resolver,
ele é cúmplice dos significados de uma obra poética. Como diz Borges:
/"Aquele que lê as minhas palavras as está inventando"/. - Por
exemplo: as cavernas com suas inscrições visuais são os museus do
homem primitivo. O homem moderno armazena suas imagens visuais
(artísticas) nos museus (cavernas modernas). / "tudo é íntimo/na
desordem/do sofrimento"/

Repórter - Não acredita no sofrimento coletivo? Quando sofrer pode ser
ordenar?

ALMANDRADE - A resposta anterior poderia também ser uma resposta a
esta pergunta. A linguagem poética não é porta-voz do sofrimento da
dor ou do riso, eles estão presentes na poesia, mas como elementos
simbólicos, fazem parte na natureza do homem. E ele projeta naquilo
que lê ou vê seus sofrimentos, suas angústias e suas alegrias: "a
razão/é um pensamento /sem saída"/

Repórter - Quais as saídas para além do cartesiano?

ALMANDRADE - Esta talvez seja uma provocação, não sei se existem
saídas, a não ser o riso. /"Os limites da minha linguagem são os
limites do meu mundo"/, (Wittgenstein). A poesia é uma forma de
pensamento que não responde, interroga o pensamento. E a razão /"...é
apenas a imperfeição da inteligência"/, como afirma São Tomás de
Aquino.

Repórter - Você foi um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem
da Bahia que editou a revista Semiótica em 1974. Quais caminhos a
Internet abre para o estudo da semiótica?

ALMANDRADE - Estamos deslumbrados com a Internet, como se ela fosse
resolver alguma coisa ou tornar o homem mais inteligente. Na verdade é
apenas um meio que pode estar a serviço de qualquer área de
conhecimento: facilita contatos, (esta entrevista, por exemplo)
informações, ela pode divulgar pesquisas, trabalhos, mas não vai
produzi-los.

Repórter - Quando um objeto pode ser um poema? Quando que uma só
palavra pode ser um poema? Quais são os limites que delimitam a poesia
concreta e a poesia visual?

ALMANDRADE - A poesia pela sua forma de escrita, diferente da prosa,
sempre foi um enunciado visual. A poesia concreta é o reconhecimento e
a afirmação da poesia como uma arte também visual, que o
poema-processo assumiu na sua radicalidade, a meu ver, levando o poema
a um rompimento com a literatura. Eu quando faço poema visual, eu
penso como uma arte gráfica que dialoga com a literatura. Um objeto ou
uma palavra assume a condição poética quando apropriada, inserida ou
deslocada para o contexto poético, quando produz certas emoções que
denominamos poética. Me lembro de Valery.

Repórter - O que é que a Bahia tinha que não tem mais? Desde Caetano e
Gil não nasce um artista do mesmo porte destes dois na terra de ACM. É
uma crise da Bahia ou brasileira?

ALMANDRADE - É um problema que me parece internacional. No caso da
música baiana (ou melhor, brasileira), cresceu em mercado mas caiu em
qualidade. Fazemos parte de uma civilização que tem como princípio de
ética o consumo. Pensar hoje em dia é ser retrógrado. Quando o
importante não é mais a qualidade mas a quantidade, tem alguma coisa
de errado!... ou errado é o ato de pensar?... Walter Benjamin apontava
o cinema como a grande arte.

Repórter - Há uma arte maior que a outra?

ALMANDRADE - ÉÉ preciso refletir sobre esta afirmação do Benjamin no
lugar e no tempo onde foi pensada. (No auge da revolução industrial).
Não há uma arte maior que outra. Os saberes de uma sociedade são
díspares e são mais importantes dentro das suas especificidades.

Repórter - Qual o papel do escritor na sociedade?

ALMANDRADE - O papel do escritor é escrever, produzir conhecimentos e
questionar sua natureza, inventar outras relações com o mundo. Mas
numa sociedade dominada pela cultura da mídia, da moda, do fácil e do
descartável, que despreza a reflexão, o escritor, o poeta e o artista
são personagens inúteis que passam o tempo recuperando uma poética e
uma forma de saber perdidas ou desprezadas. Para o homem não perder a
memória.

Dê sua opinião sobre o tema.


Élton Skartazini


Conheça mais sobre o(a) autor(a) desta matéria

_________________________________________________________________
O Internet Explorer 8 quer te ajudar a navegar seguro. Entre aqui para
ler as dicas.
http://www.microsoft.com/brasil/windows/internet-explorer/?WT.mc_id=1500
Se certificó que el correo entrante no contiene virus.
Comprobada por AVG - www.avg.es
Versión: 8.5.437 / Base de datos de virus: 271.1.1/2875 - Fecha de la
versión: 05/15/10 06:26:00

quinta-feira, 13 de maio de 2010

CASA DE CULTURA DO IPIRANGA PROMOVE SARAU NO DOMINGO

 

 

A Casa de Cultura do Ipiranga Chico Science (Rua Abagiba, 20, Ipiranga) oferece para a população neste domingo (16/5), às 15h30, o I Sarau Aberto Cappaz - Confraria de Artistas e Poetas pela Paz. Nesse evento serão apresentadas poesia e declamações entre outras atrações. A entrada é gratuita e os interessados devem levar alimentos não perecíveis e ou latas de leite em pó que serão encaminhados para a Defesa Civil do município.

Data: 16 de maio

Subprefeitura do Ipiranga - São Paulo

2808-3613

 

Adeus carne

 

Adeus carne

 

l

 

O corpo esguio e o andar rápido em meio aos corredores e, ela não parecia se importar com o fato dos detentos estarem perfilados e, de cara para a parede, enquanto ela passava. O fato já não intrigara mais Maria da Saudade, com seus olhos verdes sedutores e seus quarenta anos de idade, e já se foram um pouco mais de um ano que fizera sua primeira visita ao seu filho no cárcere. Ficou sabendo logo como as coisas ali se precediam. E ficou feliz e amargurada ao mesmo tempo. Hoje esta especialmente feliz, pois estava enfim chegando o dia da soltura de seu filho e, amargurada de ainda ao vê-lo ali preso. E hoje, ao visitá-lo, foi o encontrar amuado em seu cubículo.

– Filho, o que foi?

– Hora o que foi? Quero sair deste inferno mãe!É ‘’que’’ quero acertar umas continhas fora daqui...

– Tu vais sair logo meu filho! As palavras saíram em tom acalentador da boca de Maria. Ver o filho em tal estado, não era uma coisa que ela estava preparada. Era sempre assim, todas as sextas-feiras, um recomeçar, uma agonia sem fim, uma vez por semana e todo o mês. A princípio, ela pensava que o filho morreria em dois tempos naquele lugar infernal, mas logo soube que o ‘’Comando Criminoso’’ havia suspendido, toda e qualquer, acerto de contas ali dentro. As ‘’broncas’’ deveriam ser resolvidas no lado de fora do presídio. Isto devido à superpopulação de presídio.

– O advogado, disse que tu vai sair no mês ‘’qui’’ vem filho.

O que Maria da Saudade não sabia, era que o ‘’Comando Criminoso’’ quem de fato mandava no presídio, fizera uma acareação, entre seu filho e o Josué de Guimarães Travasso, o ‘’Nego preto’’, que fora preso logo após o filho da Maria ‘’cair na rua’’. ‘’O Patrão’’ queira saber da ‘’bronca’’ entre os dois e, deixar bem claro que as diferenças entre os dois seriam acertados fora do presídio. ‘’O Patrão’’ ficou contente, por saber que quem dera o tiro que matou um ‘’casqueiro’’ qualquer fora o Nego preto e o filho de Maria da Saudade ficou quieto durante todo o inquérito e o processo que o arrolava como homicida. E agora que o Nego Preto estava na rua, uma coisa não saia da cabeça do filho de Maria da Saudade.

 

 

ll

 

Ao subir na ‘’ziquinha’’, Josué de Guimarães Travasso, o Nego Preto só pensava no lucro que teria à noite. Repassar sua cota de drogas e ficar de boa com o traficante ‘’Trinta e oito’’, mas repente em sua mente um pressentimento lhe invade a mente. Um mau presságio, e a figura do ‘’prego’’ que estava ‘’pagando’’ cadeia no seu lugar, vêm em sua mente. Preto não sabia se ele já estava para ser solto ou não. Vender a arma para ele foi uma tacada de mestre, justo a arma que usara para matar aquele ‘’laranja’’, que lhe devia uma boa quantidade de craque.   

– Ligo ‘’pros’’ irmãos mais tarde, pra sabe do lance! –Diz Josué de si para si mesmo. E ao chegar bem em frente da escola aonde estudara aquele adágio lhe invade com toda a força. E ele não escuta o tiro, disparado em sua direção, que o derruba da bicicleta, mas senti o ombro esquerdo em brasas. Atônito e atordoado ‘’Nego preto’’ em sua confusão mental se vira e, vê a figura de uma mulher que se aproxima. Seu andar era firme e esguio, seus olhos verdes sem emoção alguma a lhe fitar bem de perto. Josué de Guimarães Travasso se lembra da fisionomia da mulher, só não sabe de onde. O Nego preto que sentia o ombro em brasas vê a arma apontada para sua têmpora e, um brilho laranja esbranquiçado e uma fumaça. Sua cabeça que é jogada para trás, e ele que sentia o ombro em brasas já não sentia mais nada...     

 Samuel Costa é contista em Itajaí

 


 


 

Se certificó que el correo entrante no contiene virus.
Comprobada por AVG - www.avg.es
Versión: 8.5.437 / Base de datos de virus: 271.1.1/2870 - Fecha de la versión: 05/12/10 18:26:00

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Sustentabilidade na gestão de resíduos é tema de concurso

 
 

Logo_Prêmio

 

 

Inscrições já estão abertas e vão até o dia 30 de setembro

 

"Além da sustentabilidade: novas ideias para a gestão de resíduos" é o tema da 15ª edição do Prêmio ABRELPE de Reportagem, concurso organizado anualmente pela ABRELPE – Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais. Podem participar jornalistas profissionais, autores de reportagens que explorem o tema e que tenham sido veiculadas em jornais, revistas, emissoras de rádio e TV do País.

 

Poderão ser inscritas no 15º Prêmio ABRELPE reportagens publicadas entre 1º de outubro de 2009 e 30 de setembro de 2010. A inscrição deve ser feita pelo site www.premioabrelpe.org.br, onde o concorrente preencherá uma ficha eletrônica e fará o upload da matéria. Para isso, o arquivo precisa estar em formato pdf, para mídia impressa, em mp3, para mídia de rádio, e mpeg, wmv ou flv, para mídia de TV.

 

A divulgação dos finalistas, que serão escolhidos por uma comissão julgadora formada por jornalistas, profissionais de imprensa e acadêmicos, será feita no site do Prêmio até o dia 16 de novembro. Os autores das reportagens vencedoras em cada categoria – Jornal e Revista, Rádio e TV – vão ganhar TVs de Led. Além disso, a matéria que obtiver a maior pontuação absoluta entre as três primeiras colocadas será a vencedora do Grand Prix, cujo prêmio é um automóvel zero quilômetro.

 

Mais informações podem ser obtidas no regulamento, disponível no site www.premioabrelpe.org.br.

 

 

 

AINDA CASA GRANDE E SENZALA

AINDA CASA GRANDE E SENZALA
 
O que é preciso para tornar um ser humano escravo?
Tome uma criança, uma vida sem rumo ou uma alma ingênua. Mantenha-a na ignorância do mundo. Crie regras rígidas, punidas com violência física ou psicológica. Destrua qualquer vestígio de dignidade ou autonomia mental, incentive a promiscuidade, rompa vínculos familiares ou transforme-os em mecanismo de controle: numa ameaça!
Dê-lhe apenas o necessário para matar a fome e a sede, e, mesmo assim, só quando estas já forem tantas, que seu ato seja considerado como uma demonstração de generosidade. Ela já estará acreditando que sua vida depende de você.
Acostume-se a estender a mão para ser beijada. Exija que baixem os olhos diante de sua presença. Escolha um desses submissos - de preferência o de pior índole - para ser seu capataz. Dê-lhe alguma regalia e ascendência, e o torne o instrumento físico de sua crueldade e falta de humanismo. Mande-o bater! Deixe que bata! Depois, surja como um bálsamo!
Manipule os cordéis, mas mantenha-se à distância.
Use a religiosidade a seu favor. Deixe acreditarem que existe uma vida melhor e que o sofrimento é o caminho para ela... Mas não nessa existência! Doutrine para que creiam haver os que nascem para mandar e outros para obedecer, e que isso é natural e imutável, desde a origem dos tempos.
Eduque seus filhos para serem piores que você, encarando a escravidão como parte de sua herança. Encha-os de preconceitos e mimos. Faça com que eles acreditem que existem seres inferiores aos seus cães e cavalos de raça, e que as filhas da escravidão também são escravas de seu prazer, sem culpa nem compaixão. Acoberte seus excessos.
Compre o respeito e o silêncio das elites. Lave as mãos com viagens e festas. Cultive a vaidade, para si, e a insensibilidade, para com o semelhante. Construa templos para expiar seus pecados. Glorifique Deus, com palavras, mas sirva às trevas, com seus pensamentos e atos. Acredite que o sangue de Cristo o libertará, mesmo vivendo imerso no sangue de inocentes. Creia fazer jus a vida eterna, apesar de limitar a vida de seres humanos. Sonhe com um túmulo majestoso, esquecendo as centenas de covas rasas, em local desconhecido, pelas quais deve ter sido responsável.
Pensaram que isso havia acabado em 13 de maio de 1888, mas não! Isso nunca acabará enquanto existirem bestas humanas, nos campos e nas cidades, que insistam em tratar outros seres humanos, de todas as raças: patrícios ou imigrantes ilegais, como animais de um rebanho pessoal.
Enquanto houver senhores feudais, no campo; empresários sem escrúpulos, nas cidades; cafetões, em qualquer lugar, e a sociedade tolerando-os e cortejando-os, a escravidão continuará sendo uma sombra, uma vergonha, um absurdo e um imperdoável crime contra a Humanidade!
São vidas de pessoas que estão sendo desviadas, consumidas e destruídas! São condenações, sumárias e sem juízo, por toda a vida!
Como qualificar e punir quem pratica ou justifica a escravidão em pleno Século XXI? Com a milenar Lei de Talião?
Não! Isso seria justificá-los, transformando-os em vítimas e rebaixando-nos a um nível ainda pior. A Humanidade evolui quando supera essas práticas!
Que tal condená-los a viver de um trabalho honesto, tendo apenas o que merecerem? Quem sabe...
Enquanto isso, que Deus tenha piedade de seus atos e de nossas omissões.
 

domingo, 9 de maio de 2010

M Ã E

Mãe,
Você é como o sol que nasce
E renasce a cada alvorecer...
É como uma onda do mar
Que vêm à tona, a cada manhã...
Você é como uma flor
Que faz o buquet da minha vida
Você guia meus passos
Você me escuta quando eu preciso
Mãe você é muito muito mais...
Do que eu não sabia
Você mãe, é mãe
É tudo que há de melhor
Nessa vida...
Te amo, mãe
Que Deus te abençoe e te proteja
Mãe querida!
 
Nair Lúcia de Britto. 

 

LANÇAMENTO DO LIVRO "QUIM KARATÊ" DIAS 07/05/2010 E 08/05/2010.





















































































sábado, 8 de maio de 2010

HUMANO CANTO





UM CANTO DEMASIADAMENTE HUMANO

O MAIS SIGNIFICATIVO E IMPORTANTE
LIVRO DE HIDERALDO MONTENEGRO


Depois de publicar Alquimia das Águas (escrito em 2002) e O Pássaro (2008) Hideraldo Montenegro publica agora o seu mais recente livro de poesias, escrito em 2009, onde o poeta fixa o seu amadurecimento estético numa poética chocantemente livre, com temas avassaladoramente instigantes.

Uma obra imprescindível e apaixonante para poetas e apreciadores.

A DEPURAÇÃO DO DISCURSO

O que podemos destacar neste Canto Humano
de Hideraldo Montenegro é que sua poética é limpa, clara, direta. Uma
poesia sem subterfúgios, sem truques, sem jogos (de palavras). Embora,
a temática deste livro seja forte, onde morte está no centro do
movimento, o discurso poético é leve e livre. Não segue nenhum padrão
estético. Não está amarrado a uma estrutura. Engraçado como Hideraldo
coloca a morte como liberdade e faz do seu discurso, ou seja, o
constrói de forma simples. E, é justamente isto o grande valor de o
Humano Canto. O poeta parece se libertar e nos convida a fazer o
mesmo. Um livro, segundo ele, interminável. Estará sempre sendo escrito.
Estará sempre se construindo. Bom lembrar o poema Indecifrável onde afirma: O poema que
não escrevi/jamais escreverei.

Leon K.

UMA LEITURA IMPERDÍVEL!


PARA ADQUIRIR O LIVRO HUMANO CANTO ACESSE:

http://www.artexpressaeditora.com.br/produtos.asp?produto=111

sexta-feira, 7 de maio de 2010

FW: Roda Viva - segunda-feira, 10 de maio de 2010 às 22h00 - transmissão pela Internet

 
Joseph Nye
Relações Internacionais da J.F Kennedy School of Government de Harvard

Em um mundo globalizado, com crise econômica, conflitos étnicos, terrorismo e ameaça nuclear, o convívio está cada mais complicado e uma pergunta recorrente é qual o papel os países ricos e os emergentes irão desempenhar nessa nova ordem mundial apresentada por essa conjuntura?

Reconhecido especialista em relações internacionais, Joseph Nye vem defendendo a teoria de que só o poder militar não é suficiente para atingir objetivos de uma política externa. Diz que países em conflito terão de recorrer a muita diplomacia e usar seus poderes de forma mais branda e inteligente se quiserem criar uma relação de prosperidade e paz.

Joseph Nye é cientista político, professor da Universidade de Harvard, ex-consultor do Departamento de Estado dos EUA e uma das principais autoridades em relações internacionais.

Participam como convidados entrevistadores:
Entrevistadores: Celso Lafer, professor titular da Faculdade de Direito da USP, Presidente da Fapesp e ex-ministro das Relações Exteriores no Governo Fernando Henrique Cardoso; Jaime Spitzcovsky, diretor da produtora de conteúdo Prima Página e diretor de Relações Institucionais da Confederação Israelita do Brasil; Demétrio Magnoli, sóciólogo, especialista em relações internacionais e editor do jornal Mundo, Geografia e Política Internacional e Flavia de Campos Mello, professora de Relações Internacionais da PUC/SP e pesquisadora do Instituto Nacional para o Estudo dos Estados Unidos - INEU Colaboradores: Luíza Giovancarli, estudante de jornalismo (www.twitter.com/lugiovancarli); Ana Carolina Lima, estudante de jornalismo (twitter.com/anaclima); André Lelis Gonçalves, empresário (www.twitter.com/lelis718) e Tomas Vianna, fotógrafo e cinegrafista (www.flickr.com/photos/tomavianna).

Apresentação: Heródoto Barbeiro

O Roda Viva é apresentado às segundas a partir das 22h00.
Você pode assistir on-line acessando o site no horário do programa.
http://www2.tvcultura.com.br/rodaviva


USE O MESSENGER DENTRO DO HOTMAIL SEM PRECISAR INSTALAR NADA. CLIQUE PARA VER COMO.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Paixões femininas

Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br


Minha avó Nair nasceu na Vila de Nepomuceno, pertinho de Lavras, filha de “sá” Donana e de “seu” João Barbosa, boticário, caçador de codornas, político, jornalista e amante das artes que viajava a cavalo para o Rio de Janeiro para se inteirar das novidades.
Não se sabe bem por que se casou com meu avô Pedro Coimbra, um alfaiate vindo de Tiradentes, cuja família era praticamente desconhecida por essas bandas.
Lembro-me bem, menino ainda, de folhear um álbum de fotografias junto com minha mãe e ver Dona Nair, muito linda, numa pose costumeira para os fotógrafos da época..
Foi uma mulher bonita, eu tenha certeza e nunca deixou de prender os cabelos curtos de uma maneira bem charmosa.
Quando a conheci a família já tinha sido vitimada pela fatídica “Roda da Fortuna”, com o pagamento de um famigerado aval para um rico fazendeiro, confiando no fio do bigode, como se dizia, pelo meu avô e moravam numa casa simples na rua Babosa Lima que fora residência do seu motorista.
Uma rua de terra ora muito enlameada no tempo das águas, ora com uma poeira vermelha que grudava na pele, na seca e que só tomaria ares mais civilizados anos depois quando meu pai, Renato, calçou a cara de uma família pessedista e pediu ao prefeito udenista, Nadinho, que a pavimentasse, o que foi feito.
Mas, Dona Nair enfrentou com altivez essas agruras todas e levou a vida como Deus queria e como as circunstâncias permitiam.
Adorava orquídeas e no seu quintal mantinha em uma mangueira duas ou três espécies que certamente não eram raras de Cattleias, Vandas, Phalaenopsis ou Cymbidiuns, mas singelas bailarinas amarelas, as Oncidium Zappi, que nos mostrava sorridente quando floriam.
No espaço que controlava e que não era muito grande, havia de tudo um pouco: “boca-de-leão”, crisântemos, girassóis, “palmas-de-santa-rita”, lírios, margaridas, violetas e avencas, sem contar aquelas que se perderam na minha memória.
No terreno vazio acima de sua casa e que mais tarde meu pai compraria havia um cerca tosca, vedada por beijos rosados.
Como seus maiores divertimentos eram bater perna, quando meu avô permitia,  e conversar com as pessoas, amigas ou não, quando elas faltavam dialogava com as suas plantinhas.
Vaidosa mesmo na simplicidade, nunca a vi sair para a rua sem antes passar um ruge rosa, colorindo as maçãs do rosto, leite de colônia na pele, prendendo os cabelos com ramonas, presilhas e depois lançando mão de uma pequena bolsa e uma sombrinha para se proteger da chuva ou do sol.
No tempo que restava das tarefas domésticas sentava-se em uma cadeira de um conjunto de palhinha austríaca, que meu avô comprara quando casaram e fazia por horas a fio, crochê e o frivolité, com sua inseparável navete.
Devia gostar realmente de crianças, pela turminha que colocou no mundo e pelos netos, que zoavam pela casa e a quem sempre tolerou com muita paciência. Sua única preocupação é que não perturbássemos meu avô, “seu” Pedro Coimbra, naquela época já afetado pela caduquice e que passava o dia inteiro de ouvido colado no rádio, sintonizado na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.
Sempre que penso nela sinto suas dificuldades para criar moças e moços num tempo em que não existia um emprego decente por toda a cidade.
Não há provas do que vou escrever a seguir e nunca foram encontradas anotações e vestígios que pudessem comprovar tais sonhos, dentre os despojos encontrados depois de sua morte, mas tenho certeza que quando às escondidas fazia sua fezinha no jogo do bicho, pensava que no dia que ganhasse na cabeça e que então compraria um lindo colar de perolas, um anel de safira ou um bom perfume francês.
Por que, saiba meu caro leitor, as paixões femininas são eternas...

Sereias e Medusas

As sereias eram o terror dos mares da Antiguidade. Seu canto inebriante levava os navegantes à loucura ou à morte. Já os olhos de Medusa transformavam todos quantos os fitassem em estátuas de pedra, figuras sem liberdade ou vontade.

O fascínio é assim: tolhe o discernimento e faz perder o rumo. Seu poder é quase insuperável, a não ser com muita astúcia e inteligência: faculdades humanas, disponíveis para quem as quiser desenvolver e exercer.
O fascínio pode ser uma manifestação espontânea, mas também pode ser o produto de um ato deliberado de manipulação externa do inconsciente. Assim como o fanatismo, não deixa ver nada além do objeto de sua fixação: ídolo, ideal, etc.; inibe a consciência da realidade; limita a visão do próximo e do todo, e pode levar a destruição individual e coletiva.
O canto de sereia distrai e não deixa ver os rochedos que se avizinham.  Além disso, dependendo da melodia que se ouve, fechar os olhos para melhor senti-la pode significar perder a capacidade de ouvir outros sons, inclusive alertas de perigo ou apelos à racionalidade.

Virar pedra transfere para outros a escolha do que será construído. Às vezes, podem ser rochedos. E quando o ser humano aceita virar pedra, também concorda que sua mobilidade estará nas mãos de terceiros, que o colocarão onde bem ou mal quiserem, para ser: a base do caminho onde pisarão; obstáculo aos outros; objeto a ser atirado; ou mais um elemento inerte na muralha de ignorância que protege seus interesses obscuros.
Para não cair nessas armadilhas, nos dias atuais, também é preciso ter muita astúcia e inteligência - assim como tiveram Perseu e Ulisses - para não se deixar iludir com as aparências do marketing e da propaganda, que podem ser usados maliciosamente, para nos transformar em pedras ou nos afogar no mar da vaidade, do oportunismo, da ganância ou do fanatismo. Como esses personagens da mitologia grega, é preciso desafiar os deuses que querem exercer sua divindade nefasta do alto das torres que constroem com as pedras em que transformam os seres humanos, que aceitam a condição de escravos de seus cantos de sereias e olhares de Medusa. Mas, também é preciso combater nossos maus instintos, que a sedução oportunista faz aflorarem, e a tendência à passividade e à alienação, que é solo fértil para os posseiros e grileiros de mentes e almas.

Para tanto é imprescindível não se iludir com discursos; não se distrair com presentes; não se deixar seduzir com promessas; não assinar cartas de escravidão voluntária; não integrar rebanhos destinados ao abate; não aceitar ser usado como agregado inerte na argamassa de manobra que concretiza as más intenções coletivas de interesses individuais, oportunistas, egoístas, parasitários e deletérios.
É preciso ser plenamente humano, com todas as vantagens e responsabilidades que essa condição importa, individual e coletivamente.
Fascínio e encantamento? Só com a humanidade, com a natureza e com a vida, que é um dom gratuito de Deus: pessoal e intransferível!

Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor
Ouça textos do autor em: www.carosouvintes.org.br (Rádio Ativa)

ICL defende aprovação urgente do PL 1482 para endurecer combate ao roubo de combustíveis em dutos

      O Instituto Combustível Legal (ICL) defende a aprovação urgente do PL 1482, proposta que busca dar uma resposta mais firme e proporcio...