sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Artigo: O MUSEU DO FUTEBOL, O POVO, A PALAVRA E A LEI

 

 O MUSEU DO FUTEBOL, O POVO, A PALAVRA E A LEI

 

*Antonio Goulart

 

O Museu do Futebol, esse ano, não comemorou um simples aniversário, mas, o seu primeiro ano de vida. Sim, digo vida, porque em respeito à força da expressão, as imagens unidas aos sons que os visitantes captam, os fazem transportar por um túnel do tempo e reviver hoje, a mesma  emoção de um gol, drible, delírio ou desespero da torcida ocorrida há 50 anos.

 

Esse sonho, que se transformou em realidade, é fruto do saber ouvir as pessoas diariamente, somado à prática de consultar assessores de campo e as principais autoridades no assunto. Mas, na verdade, a ideia estava em qualquer lugar que um cidadão vá nesse imenso Brasil. Estava em qualquer estado, município ou bairro. Estava nas esquinas, em qualquer campo sem grama que serve de palco a uma pelada. Isso porque os brasileiros jogam, discutem , vivem o futebol todos os dias.

 

Não à toa, um dos primeiros ambientes da visitação proposta no Museu chama-se "Pé do Futebol" e reafirma que tudo começa nos pés das crianças, pois são elas que se transformam nos grandes craques que fazem a historia que, no nosso país, está intimamente ligada à história do Futebol.

 

Por isso, um fato integrante dessa emocionante narrativa não pode ser esquecido. É que a biografia do museu é mais antiga, data de 1999, quando apresentei o Projeto de Lei 271/99 para a Câmara Municipal que previa a criação de um espaço dedicado ao futebol, sediado no estádio Paulo Machado de Carvalho, mais conhecido como Pacaembu.

 

A aprovação do Projeto de Lei, no entanto, foi demorada: apenas em 2004 o projeto saiu do papel. Baseado na Lei 13.989, o Museu do Futebol surgiu por meio de uma parceria entre Câmara Municipal, Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal de Esportes, São Paulo Turismo e Fundação Roberto Marinho.

 

Realmente, quando um filho é prodígio, muitos querem ser o pai. E para mim é muito triste ver um filho ser adotado por outro pai, sem poder reclamar e lutar por sua paternidade a altura. Por outro lado, quando criamos um filho, o criamos para o mundo. E é para o Brasil que o Museu do Futebol foi criado e seus números, que reafirmam sua importância, estão aí para serem comemorados. A área de 6.900 m2 conta com quatro pavimentos, 1500 imagens e 6 horas de vídeo disponíveis aos visitantes que, em apenas um ano, chegaram a quase 400 mil.

 

É com orgulho que digo que o Museu do Futebol é o Museu da Educação, da Cultura e do Emprego, pois ele dá asas para a imaginação, educa e gera trabalho. Quem o visita descobre que o local não é só um templo do esporte. Nele, é possível aprender mais sobre os costumes e a história do Brasil.

 

Segundo pesquisa de avaliação e perfil socioeconômico e cultural, realizada pela empresa ADM Museografia e Educação, no início de 2009, o Museu do Futebol foi apontado por 98% dos visitantes como um museu de história, cerca de 70% dos entrevistados disseram que a visita ampliou os seus conhecimentos sobre a história do Brasil e 95% recomendariam a visita mesmo para quem não gosta de futebol.

 

Antonio Goulart - Lançado à vida política, o Vereador Goulart obteve seu primeiro mandato em 1996, com 23.336 votos e, na última eleição municipal, reelegeu-se pela quarta vez consecutiva com 90.054 votos de confiança da população paulistana.

Goulart vem se destacando como um dos membros mais atuantes da Câmara Municipal de São Paulo. Seu desempenho como vereador inclui a elaboração de projetos legislativos, participação em comissões técnicas permanentes e extraordinárias. Hoje, Goulart é membro da Comissão de Trânsito, Transporte, Atividade Econômica, Turismo, Lazer e Gastronomia.

O Vereador tem 60 Leis sancionadas e quase 183 Projetos de Lei significativos que ainda se encontram em tramitação, distribuídos em todas as áreas (educação, saúde, meio ambiente, cidadania, esporte, cultura e lazer, turismo, transporte, higiene, sistema viário, limpeza pública, urbanismo etc).

Entre seus projetos e leis, destacam-se:

*                           Kit de material escolar para crianças carentes (LEI 13.323);

*                           Uniforme escolar gratuito para estudantes da rede municipal (LEI 13.371);

*                           Tênis como complemento do uniforme para estudantes (LEI 14.064);

*                           Cria o Museu do Futebol (LEI 13.989);

*                           São Paulo Capital Mundial da Gastronomia (LEI 12.448);

*                           Proibição do uso de materiais de construção à base de amianto (LEI 13.113);

*                           Cria o Museu do Meio Ambiente (PL 366/08);

*                           Fisioterapeutas nos Centros de Educação Infantil (PL 172/07);

*                           Fisioterapeutas nos programas de assistência à saúde (LEI 14.963);

*                           Inclui mochila no kit de material escolar gratuito (PL 116/07).

 

: ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (PRIMEIRA PARTE)

 

16/10/2009

ENTREVISTA ESPECIAL: ZYGMUNT BAUMAN (PRIMEIRA PARTE)

 

A matéria de hoje inaugura uma série de três que compõem a entrevista que o professor Zigmunt Bauman concedeu à Agência Notisa, na qual trata da questão das favelas do Rio de Janeiro. Nossa intenção foi interrogar se, para o sociólogo polonês, haveria ligações entre os conceitos que descreve no seu livro Modernidade e Holocausto e o contexto da cidade. Basicamente, Bauman mostra no livro que o Holocausto, tal como outros genocídios levados a cabo no mundo contemporâneo, não é uma deformidade da História, mas sim um mecanismo inerente à Modernidade, especialmente organizado de forma fabril para dar conta de "limpezas" consideradas necessárias e organizadas pelos Estados. Vale aqui uma explicação sobre as rotinas de produção desta entrevista: enviamos o pedido, acompanhado de três perguntas, e o professor nos solicitou um tempo para estudar o assunto. O resultado foram três artigos, respectivamente elaborados para cada uma delas. Optamos pela tradução e publicação na íntegra, inclusive com a bibliografia que segue, no último envio, próxima terça feira. É nossa intenção também disponibilizar as respostas originais em inglês, que poderão ser pedidas a nós por e-mail, ao término da publicação completa. 

 

NOTISA: a situação das favelas brasileiras pode ser comparada com o Holocausto, de alguma maneira?

 

Zygmunt Bauman – Não, colocar o fenômeno das favelas na mesma categoria do Holocausto faria sua compreensão, assim como sua profilaxia, mais ao invés de menos difícil. Holocausto (de judeus, ciganos, armênios na Turquia, tutsis em Ruanda) foi um meio desenvolvido e aplicado para aniquilar populações inteiras, homens e mulheres, idosos e jovens – grupos considerados 'vazios' de usos positivos, quando em interferência com o modelo de ordem social, que se presumia dever ser entranhado e reforçado. As favelas, multiplicadas e vivendo um 'inchaço' desde os anos 70 nas grandes cidades do Brasil – passaram de cerca de 60 favelas no Rio de Janeiro em 1940 para um número que se alega ser de 600 hoje – pelo influxo massivo de populações rurais sem terra, expropriadas ou desempregadas (predominantemente do nordeste do país), encontraram sua posição indispensável na totalidade do sistema social vigente, praticam uma série de funções sociais para as quais são, até agora, insubstituíveis, e até onde eu sei, não existem projetos que visem à exterminação de seus habitantes in totum, tampouco há um grupo poderoso o suficiente para compor e sustentar tal desígnio.

 

Para começar, as favelas servem como 'lixeira' para o grande número de indivíduos 'redundantes', comprimidos de outras partes do país, onde seus tradicionais modos de vida foram destruídos, que procuraram chances de reconstruir suas vidas nas cidades grandes, mas para os quais os poderes do Estado não possuem provisões sociais para oferecer, ou planos para provê-los no futuro próximo. A notória 'informalidade' da vida dentro desses meios, pairando constantemente à beira da ilegalidade, atua "como uma alternativa" para as agências do Estado, que não são hábeis o bastante para assumir a responsabilidade pela sobrevivência dos empobrecidos, exilados e redundantes.Mesmo sem declarar isto abertamente, agências estatais devem estar confortáveis com a capacidade de as populações das favelas de "cuidarem dos assuntos com as próprias mãos" – por exemplo, montar seus barracos com materiais instáveis, encontrados ao acaso ou roubados, na falta de projetos de habitação planejados e construídos por autoridades estaduais ou municipais para acomodá-los. Na verdade, as consequências potencialmente desastrosas da escassez de serviços médicos públicos são ao menos, em pequena parte, mitigadas pela presença de redes informais/ ilegais de patrões e clientes.

 

O vácuo político-social criado no interior desses meios pela saída em retirada de instituições estaduais ou municipais, sua relutância ou inabilidade de adentrar e (para todos os intentos e propósitos práticos) verdadeira suspensão aí das leis do país, assim como a incapacidade de o Estado de fazê-las obrigatórias, foi prontamente preenchido por poderosos impérios do tráfico de drogas – para os quais as favelas, na condição de que a presente situação se perpetue, se tornaram rapidamente indispensáveis: de fato, principais enclaves no país – uma vasta rede de postos avançados. Esses impérios, fazendo com que o Rio se tornasse um elo crucial na rota da circulação da maconha e da cocaína, têm agora investido na meta de preservar as favelas e seus mecanismos de auto-reprodução. Com tais objetivos em mente, o Comando Vermelho e seus competidores emergentes/alternativos, como, por exemplo, o Terceiro Comando, assumiram, mesmo que de forma deformada, a 'lei e a ordem' e as funções de prover serviços sociais, que as agências estatais abandonaram ou falharam em assumir.

 

É claro que, muitas das funções decisivas para levantar as populações das favelas acima do círculo vicioso de pobreza, exclusão e 'invalidez' social, como, por exemplo, a educação – 25% dos moradores jovens das favelas não possuem qualquer instrução, e somente 1% alcançou o nível superior – caíram como baixas colaterais dessa mudança de poder.

 

Na falta de todo e qualquer constrangimento legal – muito menos um controle estatal efetivo – sobre a atividade dos conglomerados do tráfico de drogas, as favelas se tornaram o palco favorito onde é encenado o ajuste de contas entre grupos concorrentes. Como resultado, a taxa de homicídios (composta de vítimas de conflitos intragangues, clientes não confiáveis e vítimas acidentais) é consideravelmente maior do que nos distritos 'melhores', de classe média do Rio, o que constitui a principal circunstância responsável por tornar a favela, nas mentes da classe média, um sinônimo de violência desenfreada, e que reduz ao mínimo tolerável a comunicação entre regiões pobres e afluentes da cidade, não obstante sua proximidade física.

 

Por último, mas não menos importante, as relações entre policiais e 'companhias que traficam drogas' são, na feliz expressão de Bernardo Sorj (ver seu Confronting Inequality in the Information Society, UNESCO: Brazil 2003), "nem guerra nem paz". Por um lado, como Sorj aponta, "a polícia representa o principal inimigo do tráfico de drogas, assassinando centenas de seus membros e empregados a cada ano". Por outro, todavia, "a polícia participa dos vastos lucros do comércio das drogas, seja pela venda de armas, libertando traficantes e 'chefes' mediante pagamento, ou aceitando subornos para permitir a passagem de cargas". Esse amor e ódio entre os dois principais 'agentes do terror' acrescenta ao estigma a imagem de favelas como teatro de violência genocida; ao mesmo tempo, no entanto, também adiciona a 'funcionalidade', verdadeira indispensabilidade, para as favelas na manutenção do atual sistema de poder brasileiro. Permitam-me acrescentar, a polícia brasileira possui um longo histórico de tratamento brutal contra os pobres do país, alcançando tempos distantes, desde bem antes da relativamente nova proliferação das favelas; estas não deram origem à brutalidade – ela foi somente reforçada sobre diferentes fontes e ganhos corruptos. A brutalidade policial é concebida para ser espetacular, não para ser particularmente bem-sucedida em combater crimes e corrupção e sim para convencer a população de seu poder coercitivo potencial e atemorizá-los à obediência silenciosa.

 

No todo, o registro sangrento e a intensidade da violência que aparenta crescer nas áreas pobres das cidades brasileiras são fatores essencialmente conservadores, calculados para preservar e mesmo 'entranhar' a atual estrutura de dominação sóciopolítica (e, sobretudo, a submissão de suas principais vítimas – os redundantes, os excluídos, os pobres e os miseráveis – não para modificar ou remodelar, muito menos para revisar ou superar o presente modelo de sociedade e distribuição de poder, o que foi regra no objetivo de iniciativas como o Holocausto).

 

(Segunda-feira, segue a resposta de Zigmunt Bauman para: "A população dessas áreas (favelas) está sendo tratada como 'o outro'?")

 

 

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

Uma semana dedicada à ciência e à tecnologia

A Agência Espacial Brasileira (AEB) estará presente na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que será realizada entre os dias 19 e 25 de outubro, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Em um estande de 272 metros quadrados, a AEB apresentará o Programa Espacial Brasileiro aos visitantes com exposições, palestras e filmes.

Este ano, o espaço contará com novidades tecnológicas, como um filme em 3D e jogos eletrônicos interativos. Além disso, haverá um painel iluminado contando a história do Programa Espacial Brasileiro. Quem passar por lá verá, também, vídeos mostrando as aplicações dos satélites e uma parede com os spin offs - expressão inglesa usada para denominar casos nos quais as tecnologias, desenvolvidas no contexto dos programas espaciais, são usadas em atividades fora desse setor - desenvolvidos pelo Programa Espacial Brasileiro. No dia da abertura do evento (19), o astronauta brasileiro, Marcos Pontes, estará presente no estande e fará palestra sobre a Missão Centenário.

O programa AEB Escola vai expor três telescópios - um do Clube de Astronomia, outro da Universidade de Brasília (UnB) e um terceiro, produzido pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Nas noites de quarta-feira a sábado, logo após o anoitecer, serão realizadas observações astronômicas com apoio dos voluntários do Clube de Astronomia de Brasília. Serão oferecidas, ainda, no estande, oficinas sobre Astronomia e Astronáutica voltadas para professores e alunos da educação básica. Durante as oficinas será distribuído aos professores o livreto "Mão na Massa", com propostas de atividades sobre Astronomia, Astronáutica e Mudanças Climáticas que podem ser realizadas com material reaproveitável.

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) é comemorada anualmente, no mês de outubro, sob a coordenação do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), com colaboração de diversas entidades vinculadas ao setor. O objetivo é criar e consolidar no Brasil mecanismos que mobilizem a população em torno da importância da Ciência e da Tecnologia, contribuindo ainda para a popularização da ciência de forma integrada.

Confira a participação da AEB na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia:

Palestra com o astronauta brasileiro, Marcos Pontes
Tema: Missão Centenário
Data: 19/10
Hora: 17 horas
Local: Espaço Café Científico


Palestra com o meteorologista Dr. Gilvan Sampaio
Tema: Impacto das Mudanças Climáticas no Brasil
Data: 20/10
Hora: 16 horas
Local: Espaço Café Científico

Palestra: com o diretor de Satélites, Aplicações e Desenvolvimento da Agência Espacial Brasileira, Dr. Thyrso Villela
Tema: O Programa Espacial Brasileiro
Data: 23/10
Hora: 16 horas
Local: Espaço Café Científico


Semana Nacional de Ciência e Tecnologia
Data: 19 a 25 de outubro
Horário de visitação: 8h30 às 19h
Local: Esplanada dos Ministérios
Informações: http://semanact.mct.gov.br/

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Artigo/ Os professores e o vaticínio de Delors


Os professores e o
vaticínio de Delors

               Fabio Arruda Mortara*

Ao emergir de uma das mais graves crises econômicas da história, a presente civilização não pode continuar postergando a solução de seus gargalos, em especial as prioridades sociais. Afinal, não haverá solução definitiva para a humanidade ascender ao círculo virtuoso inserido em uma economia sustentável, num mundo ainda permeado de bolsões de miséria e exclusão. Por isso, educação e leitura são prioridades absolutas. Nada mais tem tamanho poder transformador!
 Assim, temos de nos envergonhar muito com os dados da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), de que, em todo o mundo, cem milhões de crianças continuam fora da escola e quase um bilhão de pessoas são analfabetas. Este flagelo, na América Latina e no Caribe, atinge 39 milhões de adultos. Os números, obviamente, conspiram contra os Objetivos do Milênio na área do ensino, estabelecidos pela ONU para 2015. 
No Brasil, a situação também é grave. Temos um dos piores índices de alfabetização da América Latina, atrás de nações como Bolívia, Suriname e Peru. É o que se pode depreender por meio do cruzamento de dados do último Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) com o ranking do analfabetismo da região. Com índice de 10%, nosso país é o 15º colocado. A relação é liderada por Cuba (taxa de 0,2%). O lanterna é o Haiti (37,9%).
         Corrobora esse complexo cenário, a pesquisa "Juventude e Políticas Sociais no Brasil", realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): a distorção idade-série é um dos maiores problemas na área educacional brasileira. Quase 34% dos jovens de 15 a 17 anos continuam no Ensino Fundamental, quando deveriam estar cursando o Médio. Na faixa etária de 18 a 24 anos, apenas 12% estão no nível adequado, ou seja, o Ensino Superior. Nessa mesma faixa etária, mais de 30% já abandonaram os estudos. Na população de 25 a 29 anos, apenas 13% seguem estudando, sendo que 7% encontram-se na educação superior.  Acrescente-se ainda a esses vergonhosos indicadores o expressivo número de analfabetos funcionais, ou seja, aqueles que apenas escrevem seus próprios nomes.
         É preciso mudar essa realidade! Educação e leitura são essenciais para que os indivíduos alcancem a cidadania, tenham participação plena em suas comunidades, melhores condições de saúde, engajamento político e melhores oportunidades de trabalho. Enfim, para que se alcance a democracia plena.  Prova disso é a pesquisa internacional Education at a glance (Panorama da Educação), da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O estudo comprova que, na maioria dos países ricos ou emergentes, a renda dos profissionais é 50% maior para os que concluem o Ensino Superior. No Brasil, esse índice é ainda mais expressivo, excedendo a 100%.
         Portanto, não podemos continuar sonegando o direito inalienável à leitura, que será garantido apenas quando houver  educação universal de excelência. Considerando não haver mais falta de vagas nas escolas públicas, resta aos brasileiros promover a melhora na qualidade do ensino gratuito. Tal conquista somente será possível a partir da valorização e de melhores condições de trabalho para o Magistério. O vislumbre de tal perspectiva é a homenagem mais pertinente a ser feita neste Dia do Professor (15 de outubro).
A sociedade agradece, pois é no reconhecimento aos docentes e na certeza do papel fundamental que desempenham, que se consubstancia o vaticínio de Jacques Delors, ex-presidente da Comissão Européia e coordenador da Comissão Internacional da Unesco sobre Educação para o Século XXI: "O ensino surge como um trunfo indispensável à humanidade na construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social. Só ele conduzirá a um desenvolvimento mais harmonioso e autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões e as guerras".

*Fabio Arruda Mortara, M.A., MSc., empresário, é presidente da Regional São Paulo da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf).
  

terça-feira, 13 de outubro de 2009

X Prêmio Arte na Escola Cidadã divulga as experiências educativas  vencedoras

Aos que ainda se perguntam para quê se ensina arte na escola,  as experiências educativas vencedoras da décima edição do Prêmio Arte na Escola Cidadã são uma verdadeira aula. Dividida em níveis de ensino – Infantil,  Fundamental I,  Fundamental II,  Médio e Educação de Jovens e Adultos – a décima edição do Prêmio reuniu um conjunto de 548 inscritos em todo o Brasil. Este  é o único prêmio específico da área de Arte em todo o país, portanto estas experiências educativas representam uma amostra nacional significativa do ensino da arte na escola.  E elas apontam para a seriedade e consistência com que os professores vem trabalhando a relação ensino aprendizagem, tratando Arte como área de conhecimento e não equivocadamente como atividade complementar ou indutiva para outros fins.

Dialogando com outras disciplinas ou ainda com temas transversais , as cinco experiências educativas  vencedoras foram selecionadas entre as 53 finalistas em todo o país, justamente por comprovar, na prática, que os conteúdos de  Arte ensinados propiciaram mudanças de atitude e novos conhecimentos entre os alunos.  As questões de cidadania encontradas nos trabalhos do cinco professores selecionados têm uma enorme capacidade mobilizadora, que extrapola os muros da escola construindo, em alguns casos, conhecimento com a comunidade. 

"A qualidade das experiências educativas  inscritas este ano no Prêmio Arte na Escola Cidadã foi excepcional", destaca Denise Grinspum, gerente geral do IAE. "Estamos diante de uma nova geração de professores que enxerga o professor como um dos elos dentro do processo de aprendizagem e que não hesita em reconhecer que é fundamental unir força e  aprender com os alunos", ressalta Mirca Bonano, coordenadora do Prêmio. 

Para assegurar uma avaliação justa nas premiações, o Instituto Arte na Escola realiza a seleção em três  etapas – local, regional e nacional – com comissões julgadoras distintas.  "Esta metodologia assegura o respeito à diversidade regional e o correto entendimento da relevância de cada iniciativa em seu contexto local", explica Mirca. "As comissões são formadas de acordo ao perfil das experiências educativas inscritas e são os coordenadores da Rede Arte na Escola que indicam e elegem professores, pesquisadores e estudiosos da educação em arte para compor estes grupos de avaliadores, que pautados com os critérios de seleção explicitados no regulamento do concurso, elegem os vencedores em cada um dos níveis de educação.

Cada professor responsável pela experiência educativa premiada receberá R$ 7 mil, além de passagem e estadia até Recife (PE), onde acontecerá a cerimônia de premiação em 13 de outubro.  Eles também receberão um documentário em vídeo sobre sua iniciativa que estará disponível no site http://www.artenaescola.org.br/premio/avaliacao_nacional.php  a partir de 15 de outubro, Dia do Professor, junto com o registro da entrega dos prêmios.  A escola onde o projeto foi desenvolvido, por sua vez, receberá um computador e uma máquina fotográfica digital.




Os projetos vencedores

Educação Infantil
Gilmária Ribeiro da Cunha - "Somos brasileiros, somos diferentes"
Salvador – BA


Desenvolvido com crianças de cinco anos no Centro Municipal de Educação Infantil Cid Passos, localizado no Subúrbio Ferroviário de Salvador (BA).  A região abriga famílias de baixa renda, porém com uma herança cultural rica, advinda de raízes africanas e indígenas. E foram essas raízes que o projeto "Somos brasileiros, somos diferentes" se propôs a resgatar e difundir entre as crianças. Para tanto, foram utilizadas as mais variadas praticas artísticas utilizando: tintas, argila, isopor, diversos tipos de papel, roupas, livros de literatura infantil, vídeos e até excursões.   Com elas, as crianças puderam se expressar por meio de diferentes linguagens, construindo sua identidade cultural e assimilando o conceito de multiculturalismo – o que, por sua vez, contribuiu para a o conhecimento da cultura de sua cidade. 

Ensino Fundamental 1
Juliana Carnasciali Muniz - Bla Bla Bla
Osasco - SP

"Bla bla blá" visava levar 480 alunos de quinto ano do ensino fundamental da E.E.I.E.F. Embaixador Assis Chateaubriand, em Osasco (SP)  a perceber seu próprio corpo como veículo expressivo que pode comunicar arte.  A escolha do tema foi feita após consultas com professores de outras disciplinas, que confirmaram seu diagnóstico de que a mente e o corpo dos alunos estavam desconectados, com noções de equilíbrio, percepção corporal e estruturação espacial defasados em relação à sua faixa etária, de nove a dez anos. O caminho escolhido para ampliar o encontro dos alunos com a arte e o corpo foi a experiência poética sonora, que permitiu potencializar nos alunos a capacidade de relacionar corpo,  e espaço dentro da arte contemporânea.  O trabalho de percepção corporal foi amparado por interrelações com as aulas de educação física, ciências, história, geografia e língua portuguesa.
Ensino Fundamental 2
Cecília Luiza Etzberger-"Visitando os mundos da Arte"
Ivoti - RS

O projeto foi desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental 25 de Julho, no município de Ivoti (RS), com um grupo de alunos da sexta série que contava com o envolvimento de suas famílias no processo de aprendizagem.  Este contexto permitiu que arte, história local e história pessoal aflorassem e se cruzassem em um processo transversal, multidisciplinar, que teve a arte como fio condutor.  O ponto de partida foi o estudo da arte medieval, o qual permitiu uma reinterpretação da arquitetura da Igreja Matriz de São Pedro patrimônio cultural local.  Por meio de atividades em sala de aula e visitas ao local, os alunos desenvolveram uma exposição fotográfica que foi exibida não só na escola, mas também em locais públicos da cidade.

Ensino Médio
Flávia Roberta Alves Costa - "Arte: Impressão e Expressão que transforma"
Recife - PE

Desenvolvido com uma turma de 30 estudantes do segundo ano de ensino médio da Escola Mater Christi em Recife (PE), o projeto teve por objetivo favorecer a construção da identidade dos estudantes, reconhecendo e respeitando as diferenças.  Para tanto, ao longo do primeiro semestre do ano passado os alunos puderam experimentar as diversas linguagens artísticas.  No segundo semestre, foi tempo de realizar projetos e ações que concretizassem o potencial criativo dos alunos, individualmente, e do grupo. O entusiasmo com a crítica de arte vivenciada pelos estudantes levou à criação de um espaço para publicação de seus textos, que resultou em uma revista de alunos e professores dedicada ao tema Artes, além de um salão de arte realizado na escola onde todas as suas descobertas artísticas foram socializadas com a comunidade escolar. Houve uma importante apropriação do sentido da arte contemporânea.

Alfabetização e Educação de Jovens e Adultos - EJA
Jacson Silva Matos - "Cavalo Nóia"
São Paulo - SP


"Cavalo Nóia" é um projeto cultural desenvolvido na Escola Estadual Prof. Lauro Pereira Travassos, localizada em Vila Missionária, bairro constituído irregularmente em uma área de manancial na periferia da Zona Sul de São Paulo.  Seu objetivo é atrair de volta à escola os alunos, afastados pelos relatos de violência que comprometiam a imagem da escola, e resgatar sua auto-estima e orgulho de suas raízes, uma vez que a comunidade é formada em grande parte por êxodos do norte e nordeste do país.   

Dirigido a adultos, ou seja, donas de casa, trabalhadores e terceira idade, além de jovens que queriam dar continuidade aos estudos interrompidos, o projeto parte da junção das manifestações artístico-culturais de suas origens: boi-bumbá, reisado, cavalo-marinho, carnaval de rua, folguedos, São João, quermesse, maracatus, samba de roda, capoeira e jongos. Juntas, elas formam o evento de final de ano da escola, cuja elaboração é distribuída ao longo dos bimestres em atividades educativas e preparatórias.  As atividades reúnem inúmeros voluntários e parceiros da comunidade (comércio local, igreja) e resultaram em um evento que reuniu 3,5 mil pessoas em sua última edição, em 2008. O sucesso do trabalho com o EJA vem ampliando significativamente a participação de outras pessoas ano já se apresentando como uma importante festa cultural da região.

No dia do professor, todos deverão ficar nus...

O Conselho Deliberativo da Udemo decidiu que, para mostrar a nudez deste Governo com relação à educação, ou seja, a sua total falta de propostas para a escola pública e seus profissionais, nada melhor do que instituir um "Dia do Nu Pedagógico", na rede. Foi escolhido o Dia do Professor, dia 15 de outubro, para esse ato.
Nesse dia, os funcionários, professores, diretores, supervisores e simpatizantes deverão ficar nus, na frente da Secretaria da Educação, em protesto pela situação das escolas públicas estaduais.

www.udemo.org.br


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domingo, 11 de outubro de 2009

Transição


Rembrandt


TRANSIÇÃO


Esta aparência incerta
de meus passos
estrandando histórias
e dengos
às vezes, em salto
às vezes, sobressalto
voa
para cima
ou para baixo
em rumo concomitante
de chapéus e sapatos
infernos e céus

-um corpo que se enterra
uma alma que se liberta
aberturas e obscurecimentos
de véus

sábado, 10 de outubro de 2009

"VERTIGEM" MOSTRA DE ARTE NA FAAP: OSGÊMEOS

A nova mostra "Vertigem" dos artistas plásticos OSGEMEOS estará em cartaz no Museu de Arte Brasileira – MAB – na FAAP, em São Paulo, de 25 de outubro a 13 de dezembro deste ano.


Além dos trabalhos apresentados pela dupla de artistas, Gustavo e Otávio Pandolfo, em Curitiba e no Rio de Janeiro, a exposição contará com obras novas, destinadas especialmente para este evento.


"A mostra promove o melhor diálogo do graffite com as artes plásticas em instalações; pinturas, esculturas e objetos sonoros.", segundo informações à imprensa.


Impossível precisar a quantidade e caracteríticas dessas obras, o que é um dado fundamental do caráter dos artistas, sempre voltados para o inesperado; capazes de criar, surpreender e inventar, de forma impressionante. Mas, certamente, quem visitar a mostra estará cercado por todos os lados pelo trabalho d'OSGEMEOS.


São obras que expressam o olhar sensível desses dois artistas voltados sobre o cotidiano brasileiro; desde a periferia urbana ao folclore nordestino. Traduzidas em cores alegres, personagens melancólicos e em cenários surrealistas. Os desenhos de figuras com a pele amarelada, narizes largos e olhos espaçados caracterizam-se por um lirismo ingênuo.


Vale lembrar que a exposição tem o patrocínio do Deutsche Bank.




Perfil dos artistas:

 

OSGEMEOS, Gustavo e Otávio Pandolfo (paulistanos, de 1974) começaram sua trajetória artística na street art, em 1980, retratando as culturas regionais do Brasil, nos muros de São Paulo.


Em 1993 deram início a participações coletivas. Em seis anos passaram a fazer parte do cenário internacional da arte urbana e contemporânea.


Em 2007 pintaram um dos castelos mais famosos da Escócia: o histórico castelo de Kelburn, em Ayrshire.


No ano seguinte, pintaram a fachada do prédio da Tate Modern, de Londres, grande centro cultural da arte contemporânea internacional.


Em junho deste ano, coloriram o grande muro pintado por Keith Haring (1982), em New York. Segundo declarou Roberta Smith no New York Times: "Um mural fantástico e épico, um sonho de felicidade traçado à melancolia; e realismo mágico."

 

NAIR LÚCIA DE BRITTO



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M E T A F Í S I C A M O D E R N A

A Editora Vida & Consciência e seus autores prestigiaram na tarde do dia 7 de outubro
lançamento da categoria editorial METAFÍSICA MODERNA. O evento ocorreu no
Espaço Vida & Consciência: rua Salvador Simões, 444 - Ipiranga, na Capital de São Paulo. As obras prestigiadas são:

A NOVA METAFÍSICA, de Maria Aparecida Martins

O LIVRO DA REALIZAÇÃO, de Mark Allen

ALMA LIVRE, de Michael Singer

O PODER DA ALMA, de Nikki de Carteret

PSICOLOGIA NOVA, de Charles Hannel

SABEDORIA DO CORAÇÃO, de Bardel e Manfred Mohr

SONHOS E TRANSCEDÊNCIA, de Christina Donell

As obras mostram experiências práticas que possibilitam o contato com
o mundo, além da Física e abrangem estudos sobre técnicas modernas
e ancestrais; como o Xanismo, meditação e visualização criativa; 
com o intuito de auxiliar o leitor na busca do autoconhecimento.

                                                 NAIR LÚCIA DE BRITTO   

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Artigo/ Oportunidades e desafios olímpicos

 

 

Oportunidades e desafios olímpicos

                                                                                                           Por Eduardo Pocetti*

No início de setembro, cerca de um mês antes da confirmação do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou um estudo sobre seus possíveis impactos econômicos. As análises basearam-se nos indicadores de três edições do grande evento: Barcelona (1992), Sydney (2000) e Pequim (2008).

Entre outras informações, o estudo revela que, em Barcelona, a taxa de desemprego caiu pela metade e permaneceu um terço menor do que no restante da Espanha. Os chineses, por sua vez, aproveitaram os Jogos de Pequim para fortalecer a imagem do país perante o mundo e para investir vigorosamente em infraestrutura, com a realização de obras que têm importância permanente para a população.

Em 2000, o setor da economia que mais se beneficiou com a exposição propiciada pelo evento foi o de turismo: o documento do Ipea informa que, entre os norte-americanos, o interesse pela Austrália como destino turístico cresceu 45%.

Num momento em que o Brasil está especialmente bem posicionado no cenário econômico mundial, o direito de sediar as competições é uma conquista mais do que bem-vinda, pois nos abre várias frentes de atuação e desenvolvimento.

Para o Rio de Janeiro, eterna cidade-símbolo do Brasil, a responsabilidade de se adequar às exigências inerentes a uma sede olímpica representa um enorme desafio – e, também, uma oportunidade valiosa para elevar o nível de emprego, aprimorar as obras de infraestrutura realizadas por ocasião dos Jogos Pan-Americanos, reforçar a imagem de paraíso tropical dotado de uma indústria turística madura e incrementar a segurança pública, que permanece como o calcanhar-de-aquiles da capital fluminense.

É certo que a economia brasileira como um todo, e a do Rio de Janeiro em particular, sentirá os impactos positivos dessa intensa movimentação: as expectativas de investimentos em obras e na organização dos Jogos, por parte de Município, Estado e Federação, giram em torno de R$ 30 bilhões.

A premência de obras necessárias gera um evidente impacto positivo no setor da construção civil, mas há desdobramentos saudáveis em inúmeros segmentos. Haverá aumento da demanda nos setores hoteleiro e de transportes (das empresas aéreas às prestadoras de serviço em rádio-táxi), no varejo, nas áreas de entretenimento, bares e restaurantes, nas telecomunicações...

A realização da Olimpíada representa, portanto, uma perspectiva e tanto no que se refere à geração de riqueza e emprego e de aumento de arrecadação, que se estenderá pelos próximos sete anos, ou talvez mais. Os jovens terão mais chance de conseguir seu primeiro posto de trabalho, os empreendedores encontrarão terreno fértil para lançar as sementes de um novo negócio e os administradores públicos serão desafiados a mostrar o melhor de sua competência.

Vale ressaltar que as promessas felizes não se restringem à cidade que sediará os Jogos. Afinal, as companhias especializadas em grandes obras de infraestrutura atuam em vários estados e, em momentos cruciais como este, é comum haver recrutamento de profissionais de várias partes para que os prazos sejam cumpridos, e as expectativas, atendidas.

Além disso, quais são as chances de um turista que venha para o Brasil querer ampliar sua visita para outras cidades do país? Enormes, sem dúvida! Cabe lembrar que teremos aqui não apenas torcedores, mas também atletas e profissionais das comissões técnicas de todos os continentes. O trânsito desses turistas por outras cidades fluminenses, e até por outros estados do país, é bastante promissor.

Para que tudo dê certo – não é exagero afirmar que, neste momento, todo brasileiro se torna um anfitrião ansioso por receber seus visitantes de maneira impecável – os gargalos precisam ser solucionados. Do fornecimento de internet banda larga ao suprimento de energia, passando pela necessidade de assegurar a sustentabilidade de cada projeto que será efetuado, há muitas arestas a serem aparadas e detalhes a serem observados.

O sucesso depende de um bom alinhamento entre os setores público e privado, do planejamento racional e da constante busca de eficiência por parte de todos os atores envolvidos nessa imensa força-tarefa. É fundamental, também, que os princípios da ética e da transparência sejam obedecidos rigorosamente.

E nós, cidadãos brasileiros, temos o dever de nos inspirar nos exemplos dos grandes atletas. Juntos, vamos buscar a máxima performance no cumprimento das nossas atribuições! Somos agora uma nação-equipe, imbuída da missão de fazer a tocha olímpica de 2016 brilhar com mais intensidade que nunca!

*Eduardo Pocetti é CEO da BDO, quinta maior empresa de auditoria no Brasil e no mundo

Artigo/ Esporte verde


Esporte verde

 

Antonio Carlos Porto Araujo *

 

Os eventos esportivos mundiais são um espetáculo fascinante: reúnem os melhores atletas de diferentes países, atraem um público vasto e funcionam como vitrine para as belezas (naturais, históricas, artísticas) da nação anfitriã, além de ressaltar o poder de organização de seus dirigentes e a hospitalidade de seu povo.

Por todas essas características, os grandes eventos sempre foram objetos de desejo para os países. Sediar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada é uma chance valiosa para angariar investimentos, atrair turistas e ganhar evidência.

Porém, em um mundo cada vez mais atento às questões ambientais, já não é tão simples construir um novo estádio ou criar as infraestruturas necessárias para comportar um evento de dimensão mundial. A preocupação com os impactos das atividades humanas sobre a natureza tem obrigado os arquitetos a elaborar projetos sustentáveis, que tenham viabilidade ambiental e econômica comprovada.

O desafio de atender às novas exigências é enorme, mas nem por isso as cidades mais importantes do mundo abriram mão do direito de abrigar as Olimpíadas de 2016. E, para demonstrar que estariam preparadas para acolher a mais célebre das competições, as concorrentes previram investimentos de bilhões de dólares em infraestrutura.

Em meio a esse acalorado debate, vencido pelo Rio de Janeiro, um murmúrio persistente se vez ouvir nos bastidores brasileiros: as nossas cidades estariam aptas a dar conta de um evento internacional? Será que, até a data dos jogos, conseguiríamos efetuar as melhorias necessárias em nossos aeroportos e meios de transporte urbanos, sistema de segurança pública, infraestrutura hoteleira etc.?

Além destas questões, surgem outras: a cidade de São Paulo, por exemplo, discute a conveniência de construir, para a Copa de 2014, um novo estádio de futebol, independentemente das reformas milionárias que serão feitas nos estádios do Morumbi e Pacaembu.

Nesse sentido, é permitido aventar outra hipótese, com vistas a comportar não apenas os jogos de futebol, mas também outras atrações.

A ideia seria construir uma arena multiuso, ampla e inteligentemente estruturada, com um caráter versátil que permitiria seu uso intenso por todos os setores da sociedade, para shows esportivos, artísticos e culturais.

O lugar ideal para a construção desse grande complexo, com aproximadamente 300 mil metros quadrados de área, seria a região hoje apelidada de "Cracolândia", que, assolada pelo tráfico de drogas, tornou-se um triste símbolo da degradação do centro de São Paulo.

No entanto, a região dispõe de localização privilegiada e ótima acessibilidade, com integração rápida e intermodal (trem, ônibus, metrô), e fica próxima da futura parada do trem-bala que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Seu entorno é bem servido de hotéis e restaurantes, e um projeto de excelente potencial turístico motivaria os empresários do ramo a inaugurar e expandir estabelecimentos na região.

O aproveitamento da área resultaria em inúmeras vantagens, mas a principal delas, certamente, é a revitalização de um ponto importante da cidade. O peso simbólico da vitória da saúde sobre as drogas, da cidadania sobre a marginalidade, faria um enorme bem à autoestima dos brasileiros e fortaleceria a nossa certeza de que a redenção é possível – basta haver planejamento e disposição para agir e transformar!

 

* Antonio Carlos Porto Araujo é consultor da área de sustentabilidade da Trevisan.

E-mail: antonio.carlos@trevisan.com.br.

 

Artigo/ Dia especial para a meta de um Brasil de leitores


 

Dia especial para a meta

de um Brasil de leitores

                                                          Rosely Boschini*

            Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1924: o presidente da República, Arthur Bernardes, assina o Decreto nº 4.867, instituindo o Dia das Crianças. Brasília, 8 de janeiro de 2009: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sanciona a Lei nº 11.899/09,  criando o Dia Nacional da Leitura. Embora separados por 85 anos, os dois documentos apresentam instigante coincidência: ambas as comemorações ocorrem em 12 de outubro. Analogia ainda mais emblemática, contudo, refere-se ao fato de ser decisiva para o sucesso d o desenvolvimento brasileiro a capacidade de prover em larga escala o acesso aos livros por parte da infância e da juventude.

         Ler, não há dúvida, é fator crucial à eficiência da escolaridade e para que os indivíduos alcancem, ao longo de toda a vida, as prerrogativas essenciais da assistência médica, alimentação, esporte, lazer, profissionalização, dignidade e liberdade. Portanto, simultaneamente às políticas públicas da União, estados e municípios, todos devem engajar-se numa verdadeira cruzada nacional em prol da leitura, em especial no universo das crianças e jovens. O setor do livro vem-se empenhando muito para fazer sua parte nesse processo, a começar pela maior oferta de livros.

Resultados desse esforço são visíveis na Pesquisa "Produção e Vendas do Mercado Editorial 2008", recentemente divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). No ano passado, o número de títulos voltados ao público infantil cresceu 14,02% na comparação com 2007. Também houve incremento de 41,88% nos novos títulos de literatura juvenil. As editoras também colocaram no mercado 4,95% a mais de obras infantis e 9,26% de juvenis.

O fato de os jovens e as crianças estarem lendo mais já havia sido evidenciada em levantamentos anteriores. A Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2007, revelou que cerca de 39% dos 95,6 milhões de leitores brasileiros têm entre cinco e 17 anos. A estatística aumenta na faixa etária dos 11 aos 13 (8,5 livros por ano) e cai levemente entre os jovens de 14 a 17 anos (6,6). O estudo demonstra, ainda, a importância da escola e da família como incentivadores do hábito de ler.  

Além da maior oferta, são prioritários programas capazes de facilitar o acesso ao livro pelas crianças e jovens matriculados na rede pública de ensino. Nesse sentido, além da ampliação das ações federais (como o Programa Nacional do Livro Didático — PNLD e Programa Nacional Biblioteca da Escola), são necessárias mais iniciativas conjuntas entre União, estados e municípios e a iniciativa privada. Exemplo bem-sucedido da viabilidade desse objetivo é o projeto Minha Biblioteca, iniciado em 2007 na cidade de São Paulo, com forte apoio e participação da CBL.

Outro passo importante foi a recente aprovação, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte  do Senado, do projeto de lei 278/08, agora em trâmite na Câmara dos Deputados, que autoriza a criação da Cesta Básica do Livro. Trata-se de proposta do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), autorizando o Governo Federal a distribuir, a cada bimestre letivo, dois livros de literatura, ficção ou paradidáticos, às famílias com filhos entre seis e 18 anos que estudem em escolas públicas.

Multiplicar a oferta de livros, igualar as condições de acesso, incentivar as crianças e jovens de maneira positiva e envolver cada vez mais o governo, a sociedade, os pais e professores na missão de criar novas gerações de leitores são providências fundamentais para o destino do Brasil. Portanto, disseminar essa consciência é a melhor maneira de comemorarmos, em 12 de outubro, o Dia da Criança e o Dia Nacional da Leitura.

*Rosely Boschini é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

 

Artigo Dia das Crianças

 

 

Que Brasil desejamos para as nossas crianças em 2016?

 

As Olimpíadas do Rio 2016 serão uma nova oportunidade para o Brasil olhar para o futuro. Muitos dos pequenos brasileiros de hoje virão a ser os atletas olímpicos daqui a sete anos. Eles competirão em estádios construídos por operários, muitos deles frutos de uma geração com poucas oportunidades, mas que poderão vivenciar as conquistas de seus filhos.

 

Do ponto de vista econômico, conseguimos inúmeros avanços, temos hoje uma economia com bases sólidas, a inflação sob controle e parâmetros financeiros de primeiro mundo, atingimos "Investment Grade" (recomendação de investimento), fomos os últimos a entrar na crise e os primeiros a sair dela. Enfim, sopram ventos favoráveis para mudanças estruturais na educação, na saúde e na qualidade de vida, especialmente para as crianças.

 

Por isso, com a missão de organizar o principal evento esportivo do planeta, e com indicadores econômicos tão positivos, os nossos governantes têm pela frente a chance de serem os operários na construção de uma geração campeã, vitoriosa na formação educacional, com ampla oferta de oportunidades e de um horizonte mais glorioso. Um exemplo de que os jogos poderão trazer avanços é a medida que prevê o ensino de inglês, a partir de 2010, aos adolescentes das escolas municipais cariocas. Muitas outras mudanças e inovações como essa também estão por vir.

 

Afinal, hoje somos uma das maiores economias do mundo e um dos principais países emergentes ao lado da Rússia, Índia e China (BRIC), também integramos o G20 e, por diversas vezes, somos reconhecidos como liderança na América Latina e no cenário mundial.

 

Entretanto, em relação à educação, de acordo com um ranking elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que monitora o cumprimento de metas alcançadas pelos países para melhorar o ensino, o Brasil ocupa a 80ª posição em uma lista de 129 países, ficando atrás de nações como Paraguai, Venezuela, Argentina, Kuwait e Azerbaijão.

 

Além disso, o Brasil é o 75º colocado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) medida esta que compara a riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros indicadores de 182 países do mundo. Isso se deve ao fato de milhões de crianças brasileiras serem de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza, se encontrarem sem vagas em creches, nunca terem ido à escola, frequentarem escolas de péssima qualidade e morrerem por doenças que poderiam ser  facilmente evitadas como a diarreia e a desnutrição.

 

Apesar de termos muitos desafios pela frente, nossa visão é otimista, vemos as Olimpíadas como marco de uma nova nação rumo ao primeiro mundo, não só nos esportes, mas em todos os aspectos. E para que esse objetivo seja atingido, será necessário um investimento de aproximadamente 30 bilhões em obras públicas que também irão beneficiar e inspirar as milhares de crianças que, em 2016, certamente serão 60 milhões* de vencedores.

 

Nosso desejo é o de sermos protagonistas do futuro do Brasil que terá 100% das crianças matriculadas em creches e escolas de qualidade, livres do trabalho infantil, com registro civil, bem nutridas, protegidas de qualquer forma de violência ou opressão. Enfim, que os nossos futuros campeões tenham todos os seus direitos garantidos e possam se orgulhar por fazerem parte do primeiro país da América do Sul a sediar uma Olimpíada.

Esperamos que em 12 de outubro de 2016 possamos comemorar o cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Que o espírito olímpico vivenciado por aqui traga consigo todo o progresso que exige. Este é o Brasil que desejamos para as nossas crianças daqui a alguns anos.

*(número de crianças e adolescentes, de acordo com a PNAD-IBGE 2007)

 

 

Synésio Batista da Costa, presidente da Fundação Abrinq

 

 

 

poesia

 

CRIANÇA

 

Criança é a nossa alegria

Com seu sorriso puro e inocente

Nos trás paz e tranqüilidade,

O que nos alegra o coração e a mente.

 

Mas também a preocupação

Pois Deus a colocou em nosso

Caminhos sabem todos que ela,

Hoje é flor, mas amanhã poderá ser espinhos.

 

Depende muito do ensinamento,

E da educação que dermos a ela

Temos que regá-las com o

Liquido chamado amor e ternura

Pois isso é essencial para que

Permaneça o que existe nela.

 

 

Vivaldo Terres

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Artigo Dia das Crianças

 

 

Em que momento deixamos de ser crianças?

                                                                                         

 *(Eder Roberto Dias)

 

Um sonho começa quando percebemos que ser criança é algo muito especial! Por mais que passe o tempo, por mais que os anos nos transformem em adultos responsáveis e maduros seremos sempre crianças que buscam momentos de felicidade, prazer e diversão.

 

Não há adultos que não reconheçam a essência de um olhar infantil ou a pureza que nos toca ao ouvirmos um sorriso inocente de uma criança. Porém o rumo dessa inocência vem sendo mudada por atitudes inescrupulosas de pessoas amarguradas e entristecidas que se esqueceram que um dia foram crianças felizes.

 

Aceitam tão somente a pressão de uma vida que escraviza, culpa e deturpa a forma correta em se viver! De nada adianta fechar nossos olhos para a fantástica maneira em sermos ainda crianças mesmo que crescidos. Enquanto olharmos o nosso todo com a responsabilidade de encontrarmos defeitos, mentiras e falsos momentos de satisfação nossa realidade não será exposta na continuidade do nosso existir.

 

O mundo não deve ser visto como algo que nos pune, mas sim, como algo que nos dá direito em sermos o que quisermos. Quando criamos em nós apatias, pesadelos e intolerâncias para com o todo que nos cerca nos tornamos vazios, injustos e distantes da origem que nos faz humanos.

 

A criança existente dentro de cada um de nós não deve morrer só porque achamos que nosso tempo passou e que a idade nos faz distantes em demasia desse fluxo. Em que momento deixamos de ser crianças? Quando deixamos de sonhar, cantar, desejar e amar, pois uma criança representa a realidade de todos nós que acreditamos na verdade, na justiça e em tudo que nos traga uma relação sadia entre a vida representada em um cotidiano que não seqüestre de nós a criança de nossas irresponsabilidades sem pecados.

 

Somos seres humanos e nos preocupamos com as contas financeiras que chegam todos os meses naqueles mesmos dias, estamos preocupados em como manteremos nossos empregos, em como caminha a humanidade e, nos esquecemos de sermos crianças!  Estamos tão robotizados que as estruturas de nossas crianças vêem sendo desrespeitadas: queremos dar a elas a responsabilidade de serem adultas antes do tempo e, por sua vez, frustrando antecipadamente o direito ao qual um dia tivemos.

 

De nada adiantará termos todo dinheiro do mundo ou darmos a elas todos os brinquedos mais modernos, pois em que tempo em suas vidas eles se sentirão realmente crianças? Estamos vivendo uma demagogia inescrupulosa e irracional! Estamos chocados com a falta de cultura entre os jovens, estamos afastando nossos filhos de uma relação mais aproximada de uma fé que priorize o comportamento junto a Deus e, por fim, deixamos de brincar, participar e de estar junto a elas.

 

Dia 12 de outubro é o Dia da Criança! Mas de uma criança integrada ao sonho, fantasia, criação e desejos de felicidade, onde a igualdade não é uma irrealidade que habita o mundo dos homens pensadores e conhecedores da ciência e da fronteira entre o sucesso e os pesadelos.

 

Devemos nos permitir mais, devemos enriquecer as lembranças boas que farão parte de nossos filhos no amanhã para que se tornem homens muito mais felizes do que nós. Ainda somos uma geração nascida de um desejo de liberdade social e igualdade de condições. Mas eles serão a continuidade de todos nós e para que isso aconteça devemos nos presentear no dia 12 de outubro com o direito de estarmos novamente crianças.

 

Sendo crianças inocentes que se desprendam das responsabilidades e se aproximam do mundo existente dentro de cada criança que habite o mundo infantil! Ao invés de gritarmos palavrões em meio a um engarrafamento, ao invés de discutirmos com nosso gerente em um banco qualquer ou nos precipitarmos a qualquer tipo de sofrimento, busquemos nos apoiar na criança existente em nós e em tudo que faça bem a seu filho que lhe verá e viverá para sempre no mundo infantil que sempre existirá! 

 

A morte só acontece quando não criamos elos com aqueles que amamos, assim também é a criança que nos acompanha nessa relação com a vida e participa em tudo que nos acontece. Uma criança feliz será um homem feliz! Por isso, apodere-se desse direito!

 

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!!!!!!!!

 

 

 

*Eder Roberto Dias é autor do livro “O Amor Sempre Vence...”, publicado pela  Editora Gente.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Primeiro-cavalheiro e ministros do Suriname integram missão em busca de conhecimentos para alimentar seu povo

  Comitiva conheceu tecnologias da Embrapa Cerrados que levaram ao desenvolvimento da agricultura tropical. Foto: Alexandre Veloso A visita ...