segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A coragem de mudar


*Padre Fabrício Andrade
Chegamos ao final de mais um ano. Dentro de poucos dias, celebraremos o Natal do Senhor. Tempo forte de reflexão e mudança de vida. Como você viveu sua fé durante todo este ano? Foi um ano muito exigente para você? Ou os meses passaram muito rápido que você nem se deu conta? Também pode ser que você esteja dando graças por acabar este ano, na esperança de que 2014 seja muito melhor.

O evangelho de Mateus (1, 18-24) mostra como a novidade do nascimento de Jesus pegou José de surpresa. Sem conseguir entender o que se passava, ele deixa que sua humanidade reaja na defensiva e toma a decisão de obedecer ao anúncio do anjo: “Quando acordou José fez conforme o anjo do Senhor tinha mandado e acolheu sua esposa”. José teve a coragem de mudar!

Muitas vezes impedimos que a vontade de Deus se realize em nossas vidas porque não aceitamos que nossos projetos sejam alterados, que nossas decisões não sejam respeitadas e até brigamos com Deus, quando Ele não nos obedece. Como se até Deus tivesse que nos consultar para saber se pode ou não mudar os projetos que tínhamos feito para a nossa vida ou para este ano que chega ao fim. José foi dócil, aceitou livremente que os rumos de sua vida fossem conduzidos por Deus.

Pode ser que na sua avaliação de vida, em 2013 tenha brigado com Deus e com todo mundo para que a sua opinião e as suas decisões fossem soberanas. Entretanto, os acontecimentos e fatos da sua história o conduziram por outros caminhos. Contra aquilo que não podemos mudar, resta-nos acolher! Veja que não estou convidando-o a um conformismo passivo. Porém, existem muitas situações que são maiores do que nós! São José não poderia ser obstáculo para o nascimento de Cristo, então acolheu aquela realidade e foi feliz.

A maturidade humana e cristã não reside no fato de atingirmos certo nível de crescimento onde jamais precisaremos reavaliar a vida e abraçar as novidades que nos visitam (algumas muito boas, outras não tão agradáveis). São José está no evangelho nos ensinando que ser capaz de ponderar, de pensar duas vezes antes de agir é virtude e não fraqueza. Agir no calor dos problemas sempre gera mais problema. Pensar, meditar e ouvir Deus cria o espaço necessário para uma resposta nova aos desafios que a vida nos traz.

Ajudados pela intercessão de São José, façamos nestes dias do último mês de 2013 uma reavaliação da nossa vida e das decisões que planejamos tomar e deixemos que a luz do Cristo que nasce revele os melhores caminhos. Você não está sozinho (a), Ele está com você: Emanuel – Deus conosco! Feliz Natal!!

*Padre Fabrício Andrade é missionário da comunidade católica Canção Nova, em Cachoeira Paulista/SP. É autor do livro “Fortes na Tribulação” pela Editora Canção Nova.

twitter:pefabriciocn
blog.cancaonova.com/padrefabricio

sábado, 21 de dezembro de 2013

Sem violência, por favor!


(*) Por Keiko Ota
É fato e não representa motivo algum de orgulho. Em pleno século XXI, a violência contra a mulher brasileira é assustadora. Ocupamos, infelizmente, a sétima colocação no ranking internacional de homicídios cometidos contra a população feminina. Para se ter uma ideia, ficamos atrás somente de El Salvador, Trinidad e Tobago, Guatemala, Rússia, Colômbia e Belize, segundo o Mapa da Violência elaborado pelo Instituto Sangari.
Nos últimos 30 anos, mais de 92 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, sendo cerca de 44 mil somente na última década. O número de mortes, no período analisado, passou de 1.353 para 4.465 – um salto de 230%! Diariamente, mais de 2 mil mulheres registram queixa de violência doméstica praticada pelo marido, namorado ou companheiro.
É preciso dar um basta a esse quadro lamentável. Ainda mais no mês em que celebramos o Dia Internacional de Luta contra a Violência à Mulher. Não podemos mais continuar a ser vítimas contumazes. Até porque contamos com uma das mais avançadas legislações do mundo no que se refere à proteção das mulheres. Falo da Lei Maria da Penha, que enfrenta dificuldades de ser colocada em prática pelo poder público.
Fui vice-presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Violência contra a Mulher. Ao longo de 2012, estive em diversos Estados brasileiros para verificar a qualidade dos serviços públicos destinados ao atendimento das mulheres vítimas. Conversei com entidades, ONGs, gestores públicos, especialistas e movimentos sobre a situação da população feminina. Em conjunto com os demais integrantes da Comissão, realizamos audiências públicas, onde pudemos ouvir diretamente a sociedade.
O resultado desse trabalho mostrou que temos muito a avançar. Entre outras medidas, os serviços de atendimento às vítimas precisam ser aperfeiçoados e ampliados. Além disso, defendo leis mais duras para os crimes contra a vida, especialmente os que são cometidos contra nós, e a aplicação efetiva da Lei Maria da Penha. Definitivamente, a velha imagem da mulher como símbolo de sexo frágil precisa ser abandonada, ainda mais quando vivemos uma situação em que a violência, infelizmente, persiste com muita força no nosso dia a dia.


(*) A autora é deputada federal. Contatos: dep.keikoota@camara.leg.br / www.keikoota.com.br / (61) 3215-5523

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

DECOLANDO PARA 2014!

                                                                    2014 ESTA AÍ!

        DECOLAMOS AO NOVO ANO PARA REALIZARMOS ALGUNS SONHOS OU  
 CONCLUIRMOS PROJETOS. EM FRENTE, DISPOSTOS, MOVIDOS PELA FÉ EM BOAS NOVAS, A NOSSA ALEGRIA É A CERTEZA DA VITÓRIA EM TODAS AS REALIZAÇÕES!
                                                                    FELIZ 2014!

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Fascismo: a grande novidade política do século XX



Por Alcides Leite*

O termo fascismo tem origem na palavra italiana fascio, que significa feixe. O símbolo do fascismo italiano era um machado envolto por um feixe de varas. Este símbolo vinha do Império Romano e representava a autoridade e coesão do Estado.

O Fascismo foi a grande novidade política do século vinte. Outras correntes políticas, como aquelas baseadas no conservadorismo, liberalismo e socialismo, já atuavam, de forma consolidada, nas últimas décadas do século dezenove. Nesta época, a grande maioria dos analistas políticos sequer imaginava que um movimento como o fascismo poderia surgir e ganhar corpo em um momento em que a democracia se fortalecia na maior parte dos países europeus. Friedrich Engels, companheiro de Marx, no prefácio da edição de 1895 do livro “A Luta de Classes na França”, afirmara: “no final do século dezenove nós conquistaremos a maior parte da classe média, dos pequenos governos e dos operários, e aumentaremos o poder no campo (....) não há outro caminho para os conservadores senão romper a ordem democrática.”

Além de inesperado, o fascismo teve outra característica surpreendente: uma data de nascimento bem definida. No dia 23 de março de 1919, no salão da Aliança Comercial e Industrial, na Praça do Santo Sepulcro em Milão, sob o comando de Benito Mussolini, uma centena de pessoas se reuniu para fundar o movimento. Faziam parte do grupo veteranos da primeira Guerra Mundial, sindicalistas e intelectuais nacionalistas.

O programa fascista apresentava pontos considerados avançados para a época, como a defesa do voto feminino e do voto aos dezoito anos, o fim da monarquia, a jornada diária de oito horas de trabalho, a participação dos trabalhadores na gestão das empresas, a parcial expropriação de toda espécie de riqueza por meio de uma pesada taxação sobre o capital e a limitação das propriedades da Igreja.

A ascensão política do fascismo foi meteórica. Pouco mais de três anos após sua fundação, o partido já conquistara o poder central na Itália. Na Alemanha, o fascismo, comandado pelos nazistas, chegou ao poder onze anos depois. Em ambos os países contou como forte apoio popular e com financiamento dos maiores empresários locais. Sem o apoio da maioria da população e, sobretudo, das lideranças políticas, sociais e da burocracia do estado, o fascismo não teria conseguido se estabelecer por tanto tempo no poder. A situação de descrédito nas instituições liberais, a crise econômica do pós-guerra e a decadência dos partidos políticos tradicionais contribuíram para o fortalecimento dessa corrente.

Ao contrário dos socialistas e liberais, os fascistas jamais se colocaram como defensores de uma ideologia definida. Eles contavam com a liderança e voluntarismo de seus expoentes. Robert Paxton, um dos principais historiadores do tema, em seu livro “A Anatomia do Fascismo” diz: “O fascismo estava mais ligado a mobilizar as paixões que moldassem a sua ação, do que a uma bem articulada filosofia. Na base estava o apaixonado nacionalismo, aliado à conspiratória e maniqueísta visão da história como uma batalha entre o bem e o mal, entre o puro e o impuro, na qual a própria comunidade ou nação é a vítima. O fascismo no poder é um composto, um poderoso amálgama de diferentes, mas misturáveis, ingredientes conservadores, nacional-socialistas e radical-direitistas, unidos pelos inimigos e paixões comuns com a finalidade de regenerar, energizar e purificar a nação, ao custo das instituições livres e do estado de direito”.

Mesmo não contando com uma ideologia definida, o fascismo apresentava características que foram estudadas anteriormente por importantes pensadores. Nietzche havia atacado o moralismo complacente e conformista dos burgueses em nome de uma forte e pura independência de espírito. Ele idealizara um super-homem de espírito livre, libertador, independente das crenças. Gustave Le Bon tinha escrito o famoso livro “A Psicologia das Massas”, que mostrava que o coletivo poderia ter comportamento diferente dos seus componentes, tomados individualmente. A massa, portanto, poderia ser facilmente manipulada. Freud descobrira o poder do subconsciente no processo de pensamento humano, enfraquecendo o pensamento liberal sobre a independência racional das pessoas. A teoria da evolução de Darwin contribuiu para justificar a existência de raças privilegiadas, tese grata aos nazistas. Francis Galton, primo de Darwin, havia desenvolvido a eugenia, que propagava a seleção dos melhores indivíduos como reprodutores. Durkheim verificara ser a sociedade moderna uma massa sem laços sociais que trocou a solidariedade orgânica (laços formados dentro das comunidades, da família e da igreja), pela solidariedade mecânica (laços formados pela comunicação moderna da propaganda e da mídia).

No livro citado acima, Robert Paxton define algumas característica importantes do fascismo. Diz ele: “O fascismo pode ser definido como uma forma de comportamento político marcado pela preocupação obsessiva com o declínio, a humilhação e o vitimismo da comunidade e pela compensatória cultura da unidade, energia, e pureza, na qual um partido popular, formado de comprometidos militantes nacionalistas trabalhando em efetiva colaboração com as elites tradicionais, abandona as liberdades democráticas e persegue com violência redentora e sem ética ou restrição legal, objetivos de limpeza interna e expansão externa”.

Embora tenha deixado tristes e profundas marcas na primeira metade do século vinte, o fascismo não pode ser considerado um fenômeno isolado. Esta forma de autoritarismo encontra-se inoculada no organismo social. Sem uma contínua vigilância, o enfraquecimento da democracia, motivado por crises econômicas e morais, pode criar as condições para que o vírus do fascismo volte a se manifestar e a se fortalecer sob uma nova roupagem. A lição da história deve nos manter alertas para que nunca mais se repita as terríveis experiências fascistas, sobretudo sob a forma repudiável do nazismo.


* Alcides Leite é economista e professor da Trevisan Escola de Negócios

O mundo dos Smartphones

Que os smartphones dominaram o mundo da telefonia celular não é novidade para ninguém. Até por que, atualmente, ter um celular significa muito mais do que fazer e receber chamadas, ou mandar e receber sms. O celular é o meio por onde as pessoas passam a maior parte do tempo conectadas ao mundo através de várias redes sociais e aplicativos. Deste modo, quanto maior a velocidade e a memória do dispositivo, maior a procura por ele. Todos os dias aparecem modelos novos, de várias marcas e sistemas operacionais, que brigam pela preferência do público. E junto com os IOS, Androids e Windows Phones, os acessórios para os aparelhos fazem a cabeça da galera! Desde os cases e películas protetoras aos fones de ouvido, os acessórios representam a possibilidade de personalizar e até otimizar o aparelho. Independente de a intenção ser trocar o modelo por um mais moderno, ou só quer deixar o smartphone melhor e com sua cara, as opções do mercado são infinitas!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Por uma escola mais democrática e participativa

 
 

(*) Gilmar Silvério

 

A escola deve ser o espaço privilegiado para o exercício da cidadania. Isso significa preparar as pessoas para que elas saibam encarar o seu papel na sociedade. Para tanto, é preciso construir um processo participativo e democrático, que começa por transformar o ambiente escolar em um cenário que reproduza o que ocorre no dia a dia.

Daí que se não tivermos o devido cuidado com nossas crianças e adolescentes, não alcançaremos o objetivo maior da educação, que é formar cidadãos capacitados a entender e enfrentar os desafios do mundo. A construção desse olhar passa, necessariamente, pelo fortalecimento dos conselhos de escola, que não podem ser encarados como algo burocrático.

Os tempos são outros. Pais, professores e funcionários devem ter uma participação ativa nesse processo, auxiliando inclusive na sua organização. Em Santo André, na região do ABC paulista, em um universo de 32 mil alunos da rede municipal de educação, mais de 11 mil pessoas votaram na criação desses conselhos em cada um dos estabelecimentos de ensino.

O desafio, permanente, é que os conselhos sejam ouvidos e tenham uma atuação significativa para criar uma escola aberta à participação de toda a comunidade. Mas é preciso ir além e avançar mais para consolidarmos um ambiente escolar efetivamente democrático. Por isso, nossa decisão de engajar os próprios estudantes, por meio de representantes escolhidos por eles, nas reuniões dos conselhos.

A ideia é que os alunos possam pensar em propostas para a cidade de seus sonhos. Ou seja, é o cidadão ultrapassando, de fato, os limites do muro da escola. Para incentivar isso, há, inclusive, o Plano Plurianual Estudantil, ocasião em que a "cidade do futuro" é discutida por quem irá viver nela.

Esse esforço todo resultou na criação dos conselhos mirins. Alunos de até dez anos se organizam para construir um ambiente educacional mais interessante, significativo e autônomo. Com isso, estamos incentivando nossos pequenos cidadãos a participar da construção de uma cidade mais humana, alegre e feliz.

 

(*) O autor é professor da rede estadual de ensino e secretário de Educação de Santo André. 
E-mail: gsilverio@santoandre.sp.gov.br.

 

 

 

 

 

O MEDO DA MORTE NA IDADE MÉDIA: UMA VISÃO COLETIVA DO OCIDENTE

 
 

 O MEDO DA MORTE NA IDADE MÉDIA: UMA VISÃO COLETIVA DO OCIDENTE

Dhiogo Caetano no livro: O MEDO DA MORTE NA IDADE MÉDIA: UMA VISÃO COLETIVA DO OCIDENTE propõe uma discussão sobre o imaginário relacionado ao medo da morte na Idade Média. O autor ressalta que o homem pode conseguir refrear todos os sentidos e paixões do mundo material, no entanto não poderá fugir da experiência de morrer seja ele um homem religioso ou pagão. É o medo dessa experiência um dos focos principais do livro.

O livro traz uma investigação e análise de uma discussão bibliográfica sobre o tema morte em um recorte temporal de vários séculos.

A obra se divide em dois capítulos visando uma maior compreensão do tema proposto. No primeiro capítulo, Caetano trabalha a teoria e historiografia visando descrever como o medo de morrer se comportava dentro da historiografia. Podendo ser visto que a formação do medo coletivo traz várias consequências para o Ocidente e possibilita uma análise mais profunda com relação aos conceitos de cultura, civilização, memória coletiva e religiosidade de forma homogênea.

A morte como fenômeno físico, já foi evidentemente estudada, sendo um objeto de pesquisa de muitos pesquisadores, porém ainda permanece como um mistério. "Quando aventuramos no terreno do psiquismo, a morte nos auxilia na investigação da mentalidade humana, colocando em destaque o medo do homem de que um dia a vida chegará ao fim". (DELUMEAU,1989,pp.90-8)

Dentro da Nova História ampliaram-se os objetos de estudo, se fazendo possível analisar até mesmo termos subjetivos como o medo o qual envolve a História das Idéias, História das Mentalidades e História das Religiões.

Caetano nos deixa claro que trabalhar essa questão (a da memória) é fundamental para a compreensão e análise do medo em um período que nos retrocede cronologicamente. A construção de uma memória coletiva do Ocidente Medieval é essencial para responder os inúmeros questionamentos levantados pelo próprio processo investigativo. Portanto essa é pretensão desse capítulo.

Já o segundo capítulo Caetano trabalhado o medo de morrer e a concepção de religião e mentalidade na Idade Média. Foi analisada a visão coletiva do homem medieval diante do medo de morrer e o domínio abstrato dos símbolos, o qual revelava um mundo que se estende além do aqui e do agora, aflorando a concepção de uma decisiva consciência que vislumbra que o medo da morte não é somente considerado um aspecto que fascina, mas ao mesmo tempo, aterroriza a humanidade, historicamente sucede de fontes de inspiração para doutrinas filosóficas e religiosas bem como uma inesgotável fonte de temores, angústia e ansiedade para os seres humanos.

Juntamente com a configuração da sociedade, não podemos deixar de lado o processo de configuração de uma mentalidade coletivamente religiosa, dotada de objetivos e métodos próprios. Estruturando como disciplina a etnologia conseguindo ganhar reforços poderosos de discussão positivista e evolucionista para a análise do sistema religioso.

O estudo dos comportamentos sociais na Idade Média mostra que as crenças e práticas beneficiaram a constituição de um novo campo do conhecimento, tornando-se uma disciplina autônoma, na medida em que categoria social e sociedade tornavam papel privilegiado do estudo, entre eles à religião que passava a merecer maior atenção, com um estudo mais objetivo e sistemático. O termo religião se estruturou num contexto de lentas e definitivas laicizações, conhecendo vários significados, de diversos autores, que promoveram o método comparativo entre sagrado e profano, sociologia e antropologia, abrindo caminhos importantes para uma proposta, mas adequados à abordagem historiográfica; conjugando o desenvolvimento e a vivência de crenças religiosas, um estudo rico e complexo, passando pela produção no campo da mentalidade, demonstrando ser um campo fértil para a contínua reflexão metodológica e historiográfica.

No entanto, o homem na Idade Média se encontrava submisso aos dogmas e práticas religiosas, que tornavam severos os sistemas em geral; ideia transferida graças à memória. Tais fatores deixavam o homem medieval conformado com a miséria vivida, com a peste que assolava, pois somente com a dor, a renúncia e a purificação da morte que o homem garantia a salvação e o paraíso. Tornando possível abordar a relação do homem com a morte em vários aspectos: o biológico, o jurídico, o econômico, o social etc. Na obra, o homem diante da morte, de Philippe Áries (1990) podemos perceber o processo de domesticação da morte; ou seja, uma forma de viver com tal fenômeno como algo natural; nascido por ocasiões do trauma primitivo diante do fato inelutável da morte até a incorporação desta na vida humana.

Caetano nos apresenta uma investigação sobre o medo de morrer não deixando de destacar o controle sobre o corpo na Idade Média. O homem para ter uma boa morte segundo Caetano deveria controlar e disciplinar os desejos do corpo.

Assim, ao analisar o medo da morte na Idade Média, deparamo-nos com regras e comportamentos que favoreciam para uma boa morte, ou seja, uma preparação para o pós-morte que requeria práticas diárias para eliminar os desejos da carne.

Em suma podemos concluir que Caetano descrever o medo de morrer, afirmando que o tema é difuso e que envolve o mistério, o fascínio do além como algo desconhecido e temido ao longo dos séculos. Na Idade Média tal medo se expandiu com um grande temor que espreitava os indivíduos, o medo foi a ameaça; transbordando do imaginário do homem medieval, e penetrando na vida real e cotidiana, e isso ficou denotado e demonstrado na arte, na escrita, nas práticas e nos ritos de uma coletividade cristã ocidental, que se designava sitiada, desmobilizada diante do medo de morrer.

A morte foi e sempre será o principal medo que assola a humanidade.

 Dhiogo Caetano - Professor, historiador, poeta, cronista e colunista.

Uruana -Go 

dhiogocaetano@hotmail.com

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