segunda-feira, 13 de julho de 2026

Exposição de Maria Auxiliadora Silva encerra temporada em Nova York ampliando debate sobre arte brasileira

 


Com curadoria de Bruna Grinsztejn, a mostra reuniu pinturas que despertaram discussões sobre memória, identidade, relações sociais, trabalho, e os processos de transformação vividos pelo Brasil ao longo do século XX

Após quase dois meses em cartaz no Hessel Museum of Art, no campus do Bard College, em Annandale-On-Hudson, Nova York, a exposição “Imprinted in My Mind”, dedicada à artista brasileira Maria Auxiliadora Silva (1935–1974), encerrou sua temporada, consolidando o interesse do público norte-americano por uma das mais singulares artistas brasileiras do século XX.

Com curadoria de Bruna Grinsztejn, a mostra reuniu pinturas que exploram as relações entre memória, imaginação e as experiências rural e urbana no Brasil das décadas de 1960 e 1970, articulando as paisagens construídas no limiar entre rememoração e imaginação por Maria Auxiliadora no interior de Minas Gerais às transformações sociais, culturais e urbanas de São Paulo.

Segundo a curadora, um dos aspectos mais marcantes da exposição foi a qualidade da relação estabelecida entre o público e as obras. A proposta expográfica foi pensada para criar um ambiente de contemplação e pausa, permitindo que os visitantes se aproximassem das pinturas em seu próprio ritmo e percebessem o vocabulário visual singular e as escolhas estéticas que caracterizam o trabalho de Maria Auxiliadora Silva.

“O que mais me surpreendeu foi perceber a diversidade de formas pelas quais o público se relacionava com as pinturas. Cada visitante parecia encontrar um percurso próprio pela exposição, guiado por detalhes diferentes que despertavam interesse e abriam novas possibilidades de reflexão sobre a obra”, afirma Bruna.

A recepção positiva do público também se refletiu no interesse pelas questões temáticas presentes nos trabalhos da artista. As obras despertaram discussões sobre memória, identidade, relações sociais, trabalho, e os processos de transformação vividos pelo Brasil ao longo do século XX.

Outro destaque da mostra foi a vitrine com documentos e materiais de arquivo que contextualizavam historicamente a trajetória de Maria Auxiliadora. O conjunto permitiu aos visitantes compreender não apenas a riqueza visual de sua produção, mas também os contextos culturais, sociais e históricos que atravessaram sua prática artística.

Há mais de uma década desenvolvendo projetos curatoriais e exposições em galerias e instituições culturais no Brasil, Bruna observa que muitos dos temas presentes na obra de Maria Auxiliadora Silva encontram ressonância no contexto norte-americano.

“Apesar das diferenças entre os contextos brasileiro e norte-americano, ambos compartilham questões fundamentais relacionadas aos legados da escravidão, às relações raciais e às permanências dessas experiências na cultura contemporânea. Esse terreno comum evidenciou como as questões mobilizadas pela obra de Maria Auxiliadora extrapolam o contexto brasileiro, encontrando forte ressonância junto ao público norte-americano.

Ao mesmo tempo, a obra de Maria Auxiliadora Silva desafia as categorias às quais historicamente foi associada, abrindo múltiplas possibilidades de interpretação e constituindo um campo fértil para novas pesquisas e leituras críticas”, explica.

A decisão de levar Maria Auxiliadora para os Estados Unidos também nasceu da percepção de que sua obra ainda tem muito a contribuir para as discussões internacionais sobre arte brasileira e modernidade. Com uma trajetória interrompida precocemente, aos 39 anos, sua produção permaneceu durante décadas menos conhecida do que a de outros nomes da arte brasileira.

“Maria Auxiliadora teve uma carreira muito curta, mas sua obra possui uma força extraordinária. Sua produção mobiliza questões que dialogam profundamente com debates contemporâneos e merece alcançar públicos cada vez mais amplos”, destaca a curadora.

SOBRE MARIA AUXILIADORA SILVA

Maria Auxiliadora Silva nasceu em 1935, em Campo Belo, Minas Gerais, e mudou-se ainda criança para São Paulo. Filha de Maria Almeida da Silva e João Cândido da Silva, cresceu em uma família numerosa e criativa, sendo incentivada pela mãe, também artista, a desenvolver atividades ligadas ao desenho, bordado e pintura.

Ela deixou de frequentar a escola aos 12 anos de idade para ajudar no sustento de sua família. Passou então a trabalhar como empregada doméstica, só retornando ao ensino formal em 1972, aos 37 anos. Com 19, trabalhava como bordadeira em uma fábrica no Brás, em São Paulo. 

Oriunda de uma família trabalhadora, conciliou por muitos anos sua produção artística com outras atividades profissionais até dedicar-se integralmente à arte a partir de 1968. Nesse período, passou a integrar um importante grupo de artistas negros da cidade de Embu das Artes, que promovia encontros, exposições e ações de circulação artística durante os anos da ditadura militar brasileira.

Sua obra se destaca pela construção de cenas densamente povoadas, pelo uso expressivo das cores e pela combinação singular de pintura, relevo e textura. Em seus trabalhos, retratou festas populares, celebrações religiosas, cenas do cotidiano, relações afetivas, trabalhadores rurais e a vida urbana brasileira, criando um universo visual marcado pela memória, imaginação e observação social.

Embora tenha falecido precocemente em 1974, aos 39 anos, Maria Auxiliadora deixou um legado artístico que vem sendo progressivamente redescoberto por museus, pesquisadores, curadores e instituições culturais no Brasil e no exterior. Atualmente, sua produção é reconhecida como uma contribuição fundamental para a história da arte brasileira do século XX, especialmente pela forma como articula questões de raça, classe, território, identidade e experiência urbana.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Edições Sesc São Paulo lançam Elza Soares: insurreição na garganta


No livro, a jornalista e pesquisadora Lígia Moreli analisa como Elza Soares transformou a própria trajetória, marcada por pobreza, racismo, misoginia e violência, em força criadora e ato político
 

 

Quatro anos após a morte de Elza Soares, em janeiro de 2022, as Edições Sesc São Paulo publicam Elza Soares: insurreição na garganta, da jornalista e pesquisadora Lígia Moreli. O livro propõe uma leitura da trajetória da cantora, investigando o que a autora chama de "estética-política", isto é, o modo como Elza transformou sua própria existência, marcada por pobreza, racismo, misoginia e violência, em força criadora e ato político.

O período entre o lançamento do álbum A mulher do fim do mundo (2015) e a apresentação no Rock in Rio de 2019, é o recorte escolhido por Moreli, justamente quando a cantora, perto dos 90 anos, vivia uma efervescência criativa renovada. Com parcerias com jovens músicos da cena paulistana e produção de Guilherme Kastrup, Elza soava mais contestadora do que nunca, articulando em suas canções questões sobre racismo, machismo, etarismo e violência de gênero, consolidando seu papel como uma das vozes políticas mais incisivas da música brasileira.

A trajetória reconstruída no ensaio vai da favela Moça Bonita, na zona oeste do Rio de Janeiro, ao palco do maior festival de música do país. Passa pela caloura que entrou no programa de Ary Barroso dizendo vir "do planeta Fome", pelas décadas de ostracismo nos anos 1970 e 1980, pelo resgate apoiado por Caetano Veloso e pela consagração internacional, quando a BBC de Londres a elegeu como "cantora do século XX". A análise apoia-se em referenciais que atravessam feminismo, psicanálise, política, mídia e estudos de imagem — entre eles Suely Rolnik, Jacques Rancière, Lélia Gonzalez, Paul Gilroy e Stuart Hall —, situando Elza como figura que articulou tecnologias ancestrais de resistência à cena cultural e política do século XXI.

Gestora de comunicação do Sesc São Paulo, Lígia Moreli acompanhou de perto as performances de Elza ao longo de anos na instituição. O livro é enriquecido por entrevistas realizadas entre 2022 e 2023 com artistas e pesquisadores que cruzaram com a cantora. O prefácio é assinado pela cantora e pesquisadora Fabiana Cozza. O volume reúne ainda fotografias do acervo da instituição, com design assinado pela Casa Rex.
 

SOBRE A AUTORA

Lígia Moreli é jornalista pela PUC-Campinas e mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Atua como gestora de comunicação no Sesc São Paulo desde 2023. Sua trajetória na instituição, onde também foi gerente adjunta das unidades de Sorocaba e Pinheiros, é marcada pelo desenvolvimento de projetos culturais, com ênfase na música.

sábado, 4 de julho de 2026

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7

Participantes devem se inscrever no Sistema PND. Prazo também foi prorrogado para solicitações de atendimento especializado e uso de nome social. Prova será aplicada em 20 de setembro
 

Foto: Fábio Nakamura/MEC


As inscrições para a Prova Nacional Docente (PND) 2026 foram prorrogadas até o dia 10 de julho e devem ser realizadas, exclusivamente, no Sistema PND. O novo prazo também vale para as solicitações de atendimento especializado e para o uso do nome social. A taxa de inscrição é de R$ 85 e poderá ser paga até 14 de julho.
 

O resultado das solicitações de atendimento especializado será divulgado em 14 de julho, com período para interposição de recursos entre os dias 14 e 16 de julho. O resultado final dos recursos será divulgado em 20 de julho.
 

A aplicação da prova está mantida para o dia 20 de setembro, e o resultado final será divulgado em 15 de dezembro.
 

Cronograma:

Inscrições: até 10 de julho.

Solicitação de atendimento especializado e uso do nome social: até 10 de julho.

Pagamento da taxa de inscrição: até 14 de julho.

Aplicação da prova: 20 de setembro.

Divulgação do resultado final: 15 de dezembro.
 

PND – A avaliação é composta por duas partes. A parte de Formação Geral Docente conta com 30 questões objetivas e uma questão discursiva, que visa analisar aspectos como clareza, coerência, coesão, argumentação e domínio da norma-padrão da língua portuguesa. Já a parte de Componente Específico tem 50 questões de múltipla escolha, voltadas para situações-problema e estudos de caso da área de formação do participante. Serão avaliadas 21 áreas de licenciatura.
 

Por meio da prova teórica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade das Licenciaturas), a PND tem como objetivo avaliar a formação de concluintes das licenciaturas. A avaliação também subsidia parte dos processos seletivos e concursos públicos realizados nos âmbitos federal, estadual e municipal para ingresso na carreira docente da educação básica pública.

 

sexta-feira, 3 de julho de 2026

MEC Livros atinge mais de 1 milhão de usuários

Foto: Divulgação/MEC



A plataforma já conta com mais de 25 mil livros disponíveis e 593.387 aluguéis. O acesso é gratuito e democratiza o acesso à literatura, incentiva o hábito e promove a integração de novas tecnologias na educação
 

 

A plataforma MEC Livros já atingiu a marca de mais de 1 milhão de usuários cadastrados e de 593.387 obras alugadas. Lançado no início de abril, o aplicativo disponibiliza mais de 25 mil títulos de autores nacionais e internacionais que podem ser alugados por qualquer pessoa que tenha uma conta Gov.br. A iniciativa contribui para preservar o patrimônio literário, ao mesmo tempo em que democratiza o acesso à literatura, incentiva o hábito de leitura, promove a integração de novas tecnologias na educação e apoia as práticas pedagógicas. O MEC Livros possui 1.834 obras de domínio público e, nos últimos 30 dias, havia 355.912 usuários ativos. Dentre os livros alugados, 2.827 tiveram o empréstimo estendido por 24.594 usuários.
 

O MEC Livros foi organizado a partir de critérios que valorizam a diversidade literária, cultural e linguística e conta com uma série de ferramentas voltadas para facilitar a experiência do usuário. Além de permitir a personalização da leitura e o uso de notificações automatizadas sobre as obras, o aplicativo separa os exemplares por categorias, o que permite uma navegação mais assertiva. A biblioteca digital conta com diversidade de gêneros, que vão de romance e ficção a histórias em quadrinhos e literatura de cordel.
 

Atualmente, os cinco livros mais lidos na plataforma são: Torto Arado, de Itamar Vieira Júnior (6.383); Noites Brancas, de Fiódor Dostoiévski (6.006); A Vegetariana, de Han Kang (4.459); A Cabeça do Santo, de Socorro Acioli (3.862); e Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski (2.472).
 

Inglês e espanhol – O MEC Livros disponibiliza obras em suas versões originais, em inglês e espanhol. Recentemente, foram incorporadas 7.832 publicações, com destaque para clássicos da literatura de língua inglesa, mas também com representação de sucessos contemporâneos. Entre os autores disponíveis estão William Shakespeare, Virginia Woolf, George Orwell e Emily Brontë, em inglês; e Gabriel García Márquez, Federico García Lorca e Teresa Orbegoso, em espanhol.
 

Com a atualização, o MEC Livros possui 17.610 obras em português, 6.468 em inglês e 2.724 em espanhol, ampliando o acesso gratuito dos brasileiros a diferentes tradições literárias e culturais.

 

Passo a passo – Para ter acesso às obras, basta acessar o site ou o aplicativo do MEC Livros e fazer o login com a conta do Gov.br. Na primeira página, já aparece uma lista de livros disponíveis, organizados por categorias como “Em Alta”, “Best-Sellers”, “Autores Clássicos Brasileiros”, entre outras. Ao clicar na capa da obra que deseja pegar emprestado, há a opção de ler o resumo sobre a obra no botão “Mais informações”. Após clicar nesse botão, abrirá uma nova página que contém o botão “Emprestar e Ler”, basta selecioná-lo e o livro estará à disposição para leitura.
 

MEC Livros – A plataforma MEC Livros foi criada para democratizar o acesso à leitura, oferecer livros que contribuam para a aprendizagem e formação de estudantes, difundir o patrimônio literário, incentivar o hábito de leitura, modernizar o ensino e promover a integração de novas tecnologias na educação. Para ampliar o acervo, o MEC firmou parceria com a Fundação Biblioteca Nacional e está em tratativas com instituições, como a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Edições Câmara, o Instituto Mojo e a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).
 

O app foi organizado a partir de critérios que valorizam a diversidade literária, cultural e linguística e conta com uma série de ferramentas voltadas à experiência do usuário, como integração com o Gov.br, personalização de leitura e notificações automatizadas. A plataforma também tem foco na acessibilidade, com opções de ajuste de fonte e contraste, suporte para pessoas com dislexia e compatibilidade com leitores de tela.

Exposição de Maria Auxiliadora Silva encerra temporada em Nova York ampliando debate sobre arte brasileira

  Com curadoria de Bruna Grinsztejn, a mostra reuniu pinturas que despertaram discussões sobre memória, identidade, relações sociais, trabal...