quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O unicórnio no jardim




Pedro Coimbra


Once upon a sunny morning a man who sat in a breakfast nook looked up from his scrambled eggs to see a white unicorn with a golden horn quietly cropping the roses in the garden. The man went up to the bedroom where his wife was still asleep and woke her. "There's a unicorn in the garden," he said. "Eating roses." She opened one unfriendly eye and looked at him.

Era uma vez, numa manhã de sol, um homem que estava sentado à mesa tomando seu café da manhã. Num momento, ele olhou dos seus ovos mexidos para fora da casa e viu um unicórnio branco com um chifre de ouro calmamente comendo as rosas do jardim. O homem subiu para o quarto onde sua esposa ainda estava dormindo e a acordou. "Tem um unicórnio no jardim," ele disse. "Comendo rosas." Ela abriu um olho, não muito amigável, e olhou para ele.
O autor deste texto é James Thurber, que um dia, ao jogar "William Tell" com os irmãos perdeu a visão em um olho, quando uma flecha perfurou-o. Em última análise, ele viveria cego dos dois olhos, mas isso nunca o impediu de escrever ou desenhar. Criador de numerosos New Yorker caricaturas/ capa de revista, tornou-se  um dos maiores humoristas americanos do século 20, dono de inimitável prosa e amplitude de gêneros, incluindo contos, comentários moderna, ficção, fantasia infantil e letras.
Mas, por que diabos escrevo hoje sobre James Thurber?  A principal razão é que no meu primeiro livro escolar de Inglês, havia um texto sobre um unicórnio no jardim, talvez uma adaptação do original.
Minha professora era uma senhora de cabelos brancos, Dona Nair Paranaguá, casada com o também professor Tancredo Paranaguá, da Escola Superior de Agricultura  de Lavras (ESAL) e moravam perto do Hospital Vaz Monteiro, numa rua tranquila onde hoje alojam-se várias clínicas e consultórios médicos.
Foi ela quem primeiro percebeu minha dificuldade de ler o que ela escrevia no quadro negro e me disse que pedisse ao meu pai para me encaminhar ao oftalmologista.
Fiz o exame com o Dr. Geraldo Vilela, hoje octogenário, que detectou minha acentuada miopia e recomendou óculos de lentes esverdeadas.
Não me esqueço do dia que fui buscá-los na tradicional Joalheria Mesquita, na Rua Raul Soares e os coloquei pela primeira. Aquela “cangalha”, como diziam meus colegas, atrapalhava a prática de esportes, mas mudou minha vida que ficou nítida e clara.
Continuei com eles de diversas formas e tamanhos, t entei lentes de contatos e corri de operações corretivas até que tive que fazer uma em razão de um deslocamento de retina no olho direito.
Isso foi a mais de setes anos e agora o olho voltou a me incomodar, sinto que não estou enxergando nada na vista operada.
Espero que meu amigo de adolescência, Dr. Oto Metzger, grande médico das doenças dos olhos se recupere de um problema médico que o atingiu e possa me examinar. E conversarmos assuntos diversos no seu consultório, como sempre fizemos...
            Tenho medo da cegueira, mesmo lembrando-me do Tio Zequinha, parente do meu pai, que já completamente sem visão saía da Avenida Vaz Monteiro e vinha até nossa casa no centro da cidade ou a casa da minha avó Maria do Rosário...
            Na verdade o que me apavora são episódios como o da cegueira temporária de Saulo de Tarso, o “vaso escolhido” por Jesus para a divulgação do Cristianismo.
            Ou em “Un chien andalou” um filme surrealista dirigido/escrito por Luis Buñuel e Salvador Dalí. A primeira cena mostra uma mulher que tem seu olho cortado por uma navalha por um homem.
Quem sabe nossa incapacidade de enxergar o tal unicórnio e outros seres fantásticos esteja ligada a luta em aceitarmos as coisas mais espirituais, acostumados que estamos a realidade que nos diz que pau é pau e pedra é pedra...

MuBE recebe mostra de lambe-lambe

 

Vi[r]e]VER será uma intervenção de trabalho gráfico sobre papel colado diretamente nas paredes realizada pelo Coletivo Água Branca. A exposição fica no museu de 24/11 a 26/12.

 

A partir de 24 de novembro o Museu Brasileiro da Escultura vai exibir a mostra Vi[r]e]VER, uma intervenção de lambe-lambe realizada pelo Coletivo Água Branca. As paredes externas da sede do museu vão ganhar centenas de obras produzidas especialmente para o espaço, partindo de diferentes linguagens como gravura, stencil, pintura, desenho e imagem digital. Alguns trechos do mural serão abertos à interação com o público, através de oficinas de lambe-lambe, realizadas em parceria com a ação educativa do MuBE. A entrada é gratuita e a mostra fica até o dia 26 de dezembro.

Sob coordenação de Hélio Schonmann, Lúcia Neto e Paulo PT Barreto, os coletivos participantes farão cinco intervenções, modificando o trabalho ao longo de um mês e meio. De acordo com Hélio Schonmann, membro da comissão de coordenação da mostra e artista participante, a mostra resolve bem a questão da transferência da linguagem da arte urbana para dentro de um museu. "Muitos dos dilemas que se colocam, no processo de migração das manifestações de arte pública para o espaço museológico, ganham nesse projeto uma resposta que mantém intacta a natureza do lambe-lambe, formato estreitamente vinculado à arte de rua: obra efêmera, colada diretamente sobre o muro".

O lambe-lambe é um formato largamente utilizado na atualidade: trabalho gráfico realizado sobre papel, colado diretamente no muro. De natureza essencialmente efêmera, a colagem será realizada, nesse projeto, com cola CMC (cola de metil-celulose), que permite a total retirada dos papeis, sem deixar resíduos sobre o concreto.

O Coletivo Água Branca, promotor do evento, está trabalhando junto a outros coletivos, realizando interferências periódicas sobre essa intervenção de lambe-lambe, com o objetivo de estabelecer uma dinâmica de respostas e contrarrespostas visuais que adense o processo de diálogo poético.

 

sábado, 10 de novembro de 2012

VOYEUR

VOYEUR

não cismo com você à mesma proporção
que os vãos da boca esboçam cantos e trejeitos indisfarçáveis
caminho pelo teu rosto como uma vaca no pasto
esquadrinhando todas as fendas
Tua face é um mapa de tu’alma que exploro sem pudor
e viajo por luas, sóis, céus e piso em nuvens
sem me importar com a espessura da travessia
e não adianta se entocar em pensamentos esmos que de tocaia avanço
todos os recônditos gestos inomináveis
e, assim, lhe deixo inapelavelmente nua
e o gozo me vem pelos olhos ao contemplar
a mulher que dentro de você há
Hideraldo Montenegro

sábado, 3 de novembro de 2012

Reprodução Cultural e Contra-hegemonia: Formação Docente para a Transformação Social | Revista Partes

Reprodução Cultural e Contra-hegemonia: Formação Docente para a Transformação Social | Revista Partes

Reprodução Cultural e Contra-hegemonia: Formação Docente para a Transformação Social


 

Cristiano Guedes Pinheiro*

Priscila Monteiro Chaves**

 

 

Resumo: O presente trabalho objetiva refletir acerca das relações de poder na formação de estudantes e futuros docentes, a partir dos conceitos de “reprodução cultural” e de "contra-hegemonia". A fim de compreender a necessidade de uma formação docente que consiga estabelecer relações entre o político e o pedagógico, articulando práticas de uma democracia radical também na educação.

Palavras-chave: Reprodução Cultural; Contra-hegemonia; Formação Docente.

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7 Participantes devem se inscrever no Sistema PND. Prazo também foi prorrogado para solicitações de a...