quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

QUE ALMA SE PERCEBE?



QUE ALMA SE PERCEBE?


Mas, que alma perde-se
nos cemitérios
entre covas
e corpos desfeitos?

Que alma vaga
leve mágoa
insistente
e se assombra
persistente
na vida?

Que alma
perdida
encontra-se
ferida
sem um corpo
que marque
esta dor?

Que alma
não sangra
por causa
deste amor-vida
e segue insensível
sensitiva?

Que alma
não se assombra
com esta dor
de parto e despedida?

Mas, por que
a alma não se percebe
viva e neste escuro
não se percebe luz
e iluminada fica?


HIDERALDO MONTENEGRO

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CARTAS DE NATAL






Editores esnobam Machado de Assis
Esdras do Nascimento



A reportagem da Folha de S.Paulo enviou, pelo correio, a seis editoras uma novela de Machado de Assis, pouco conhecida, intitulada Casa Velha. Como autor, constava um nome desconhecido. Os originais, impressos em computador, estavam encadernados com espirais, o endereço do autor era um hotmail do correio eletrônico, criado especificamente para isso. Seis meses depois, a Companhia das Letras, a Objetiva e a Rocco responderam dizendo que não tinham interesse no livro. A Record, a L&PM e a Ediouro não responderam nem acusaram recebimento. Nenhuma delas reconheceu que se tratava de um texto de Machado de Assis.
A Editora Objetiva recebeu 547 originais em 1998. Isa Pessoa, responsável pela seleção de textos, disse que pelos menos vinte páginas de cada livro são lidas para avaliação. Além de duas pessoas que se dedicam a esse trabalho, na editora, também são usados colaboradores de fora.
Vivian Wyler, gerente editorial da Rocco, disse que recebe quarenta originais por mês, havendo períodos em que esse número chega a oitenta. Três funcionários fazem a primeira leitura. Quando o livro interessa, é submetido a uma segunda e a uma terceira opiniões de leitores que têm, no mínimo, mestrado em literatura.
A Companhia das Letras recebe por mês cem originais em português, que são avaliados por sete pessoas e, eventualmente, submetidos a pareceristas especializados.
Na opinião da gerente editorial da Objetiva, "estilos também envelhecem. Uma coisa é o autor dentro de seu contexto literário e político. Outra, é ele hoje. (Casa Velha)... não cativa, não está dentro do que estamos buscando, não tem empatia com o leitor brasileiro de 1999".
Vivian Wyler, da Rocco, afirmou que "o problema é de mercado mesmo. A pessoa que avaliou o livro disse que, de cara, pesou o fato de parecer uma novela histórica, gênero que teve um boom há alguns anos. Só para 99 já contratamos três livros assim, sendo que dois são exatamente desse período. Julgamos que o autor imitava um estilo antigo, o que é complicado para o leitor de hoje, às vezes, um empecilho. A linguagem é um pouco rebuscada".
Ruth Lanna, da Companhia das Letras, informou: "Fui procurar os registros e encontrei a entrada desses originais e também a saída, mas não a avaliação. Não sei dizer os motivos. Mas afirmo que o texto enviado foi analisado. Se você recebeu uma carta de recusa, é por que ele passou nas mãos de um leitor aqui dentro".
Como informa a reportagem da Folha, Casa Velha foi publicado pela primeira vez entre 1885 e 1886, dividido em 25 episódios, na revista para senhoras A Estação: "O romance é ambientado no Rio de Janeiro, em 1839. A dona de uma casa oligárquica quer impedir que seu filho se case com uma de suas protegidas. Para ajudá-la, chama um padre, que mais tarde narrará esses eventos ao leitor".
Lúcia Miguel Pereira foi a responsável pela publicação de Casa Velha em livro, pela primeira vez em 1944. Machado de Assis, ao contrário do que fez com a maioria dos seus outros trabalhos escritos para jornais e revistas, não reuniu os episódios para editá-los num volume. Isso não quer dizer, porém, que se trate de obra menor, insignificante, de Machado. Nem, tampouco, que seja uma obra-prima, simplesmente por ter sido escrita por ele. Quem estiver interessado em conhecer essa novela de Machado poderá encontrá-la no volume II das suas obras completas editadas pela Nova Aguilar.
Tempos atrás, num concurso de contos, no Rio, Sagarana, de Guimarães Rosa, perdeu para uma coletânea de histórias curtas assinada por Luís Jardim. Na comissão julgadora, voto decisivo, estava mestre Graciliano Ramos. Na França, André Gide mandou devolver os originais de Em busca do tempo perdido, de Proust, por considerá-los ilegíveis.
Em 1959, Umberto Eco escreveu uma bem-humorada coluna mensal de paródias para um jornal literário italiano. Essas paródias foram reunidas em livro em 1960, em dois volumes. Um dos capítulos foi intitulado "Infelizmente, estamos devolvendo o seu...". Reunia textos imaginários de avaliadores de originais sobre textos oferecidos aos editores por seus autores ou agentes:
* A BÍBLIA, anônimo – As primeiras centenas de páginas deste manuscrito realmente me fisgaram. Cheias de ação, elas têm tudo o que os leitores de hoje querem numa boa história. Sexo (aos montes, incluindo adultério, sodomia, incesto), assassinatos, guerras, massacres e por aí vai. O capítulo de Sodoma e Gomorra, com os travestis dando forma aos anjos, é digno de Rabelais; as histórias de Noé são puro Júlio Verne; a fuga do Egito merece uma grande produção cinematográfica. Em outras palavras, uma verdadeira bomba, bem estruturada, cheia de ginga, plena de invenção. Mas, à medida que continuei lendo, entendi que o manuscrito é na verdade uma antologia, envolvendo diversos escritores, com muitas, muitas mesmo, passagens de poesia, outras partes enjoativas e tediosas, e lamúrias que não fazem sentido. O resultado final é uma antologia monstruosa. Parece ter um pouco de todo mundo, mas termina apelando para ninguém. E adquirir os direitos de todos esses diferentes autores vai significar grandes dores de cabeça, a menos que o editor cuide disso ele mesmo. O nome do editor, a propósito, não aparece em nenhum lugar do manuscrito. Há alguma razão para manter sua identidade em segredo? Eu sugeriria comprar os direitos apenas dos primeiros cinco capítulos. Neles estamos pisando firme. Também se poderia pensar num título melhor. Que tal Os desesperados do Mar Vermelho?
* A ODISSÉIA, de Homero – Pessoalmente, gosto deste livro. Uma boa trama, excitante, embrulhada em aventura. Grandes momentos dramáticos, um gigante de um olho só, canibais, até algumas drogas – mas nada ilegal, porque até onde sei o lótus não está na lista do Departamento de Narcóticos. A cena final segue a melhor tradição do western, com algumas lutas pesadas, e a história com o arco é um golpe de mestre de suspense. O tom é calmo e ponderado, sem ser pesado. E a montagem, o uso de flashbacks, as histórias dentro de histórias... Em poucas palavras, este Homero é a coisa certa. Inteligente demais, talvez, comparado ao seu primeiro livro. Eu imagino se é realmente dele este trabalho. Sei, é claro, que um autor pode se aperfeiçoar com a experiência, mas o que me causa um certo desconforto – e, finalmente, me leva a dar um voto negativo – é a confusão que a questão dos direitos vai causar. Em primeiro lugar, o autor não é encontrado em lugar algum. As pessoas que o conhecem dizem que sempre foi difícil discutir qualquer mudança a ser feita no texto, porque ele era tão cego quanto um morcego, não conseguia encontrar o próprio manuscrito, e até dava a impressão de que não estava completamente familiarizado com ele. Será que realmente escreveu o livro ou apenas o assinou?
* A DIVINA COMÉDIA, de Dante Alighieri – Alighieri é um típico escritor de domingo. Seu trabalho mostra um inegável domínio da técnica e um considerável faro narrativo. O livro, no dialeto florentino, consiste de cerca de uma centena de capítulos rimados, e muito de seu conteúdo é interessante e de boa leitura. Eu particularmente gostei das descrições de astronomia e de certas noções teológicas concisas e provocativas. A terceira parte do livro é a melhor e terá o maior apelo; envolve assuntos de interesse geral, concernentes ao leitor comum – salvação, a visão beatífica, adoradores da Virgem. Mas a primeira parte é obscura e auto-indulgente, com passagens de erotismo barato, violência e crueza absoluta. Mas o grande inconveniente é a opção do autor por seu dialeto (inspirado sem dúvida por alguma idéia de vanguarda).
* EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO, de Marcel Proust – Este é um trabalho indubitavelmente sério, talvez longo demais. Poderia vender como uma série, mas não deveria ser publicado como está. Precisa de um trabalho editorial sério. Por exemplo, a pontuação deve ser refeita. As sentenças são muito elaboradas; alguma tomam uma página inteira. Bem trabalhado, reduzindo cada sentença para um máximo de duas ou três linhas, quebrando os parágrafos, o livro seria aceito. Se o autor não concordar, então esqueça. Como está, o livro é muito – qual é a palavra? – asmático.
* CRÍTICA DA RAZÃO PRÁTICA, de Immanuel Kant – É um pequeno e razoável livro sobre moralidade, que poderia se adaptar perfeitamente às nossas séries filosóficas, e poderia até ser adotado por algumas universidades. Mas o editor alemão diz que, se nós o comprarmos, teremos que nos comprometer não apenas com o livro anterior do autor, que é uma coisa imensa em no mínimo dois volumes, mas também com aquele no qual está trabalhando agora, sobre arte ou sobre julgamento, não tenho certeza. Todos os três livros têm mais ou menos o mesmo título, logo teriam que ser vendidos num pacote (e a um preço que nenhum leitor poderia recusar); de outra maneira, os ratos de livrarias poderiam confundir um com o outro e pensar "já li isso antes".
* O PROCESSO, de Franz Kafka – Um pequeno e agradável livro. Um thriller com alguns toques de Hitchcock. O assassinato final, por exemplo. Poderia ter algum público. Mas aparentemente o autor escreveu sobre um regime de censura pesada. Se não, por que todas essas vagas referências, esse truque de não dar nome a pessoas ou lugares? E por que o protagonista é colocado em xeque? Se esclarecermos esses pontos, o suspense ficará garantido. Escritores genuínos devem ter em mente as cinco questões básicas dos velhos jornalistas: quem? o quê? quando? onde? como? por quê? Se pudermos ter mão livre na edição, eu diria: compre-o. Se não, não.
* FINNEGANS WAKE, de James Joyce – Por favor, diga ao editor para ser mais cuidadoso ao distribuir livros aos analistas de textos. Eu sou leitor de língua inglesa, e vocês me mandaram um livro escrito em alguma outra língua remota. Estou devolvendo-o em pasta separada.
De toda essa história polêmica, fica a constatação de que três editoras das mais importantes do país sequer acusaram recebimento de originais recebidos. Essa prática é comum. E deixa alucinados os autores, que entram muitas vezes em paranóia escrevendo cartas, enviando faxes e e-mails e telefonando às editoras, no esforço inútil de tentar saber o que foi feito dos seus livros e se eles serão publicados ou não. Raramente recebem respostas. Nem mesmo a gentileza de um telefonema. Os gerentes editoriais, com raras exceções, tornam-se inacessíveis. Sonhando talvez com o dia em que haverá livros sem autores.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Contrate um Coach já!




O presente tema vem realçar a importância do coach (profissional orientador) no mundo dos negócios, pois vivemos em meio a uma era global, altamente competitiva, onde o momento atual passa e sofre reflexos de uma crise econômica de ordem mundial; assim, o empreendedor deve pensar rapidamente em contratar um coach para atuar em sua empresa de forma a auxiliá-lo a permanecer no mercado e assim, não naufragar junto às correntezas adversas que porventura surgirem. Trata-se, portanto, de uma atitude sábia, principalmente pela conjuntura em que estamos vivenciando.

Vale ressaltar que um coach irá atuar de forma a analisar e a avaliar a sua empresa de maneira criteriosa, observando suas fraquezas, bem como suas forças, mas enxergando as ameaças e as oportunidades, de forma a contribuir e muito no que tange à sua permanência no mercado.

Assim, através do trabalho do coach a sua empresa terá maior probabilidade de alcançar os resultados esperados, aprendendo a planejar e a realizar estratégias para alcançar as metas desejadas.

Em adição, o coach, além de ajudar a sua empresa a inserir as pessoas certas nos lugares certos, propiciará capacitações necessárias ao desenvolvimento de toda a empresa, deixando bem claro para todos os componentes da empresa a importância de saber trabalhar em equipe, de saber dar e receber feedback e de exercer a função de forma a somar forças, habilidades, conhecimentos e talentos, trabalhando como um verdadeiro “time”, onde todos possam de fato se interagirem, se inter-relacionarem e se integrarem, de forma a atuarem com comprometimento, motivação e envolvimento, em busca dos objetivos comuns da empresa.

Torna-se pertinente salientar que para que o coach exerça seu papel de forma brilhante, precisa da cooperação do coachee (cliente); assim, o coachee deve abrir de fato as portas da empresa para o coach, não escondendo nenhuma situação, sendo totalmente transparente. Isto irá facilitar todo o coaching (processo de trabalho), uma vez que o coach trabalha em cima da realidade, fazendo o diagnóstico, bem como a anamnese de toda a empresa, procurando desta forma enxergar quais os problemas e entraves existem na empresa para que, com precisão, defina o momento no qual deverá exercer suas funções e explorar o seu potencial. É seguramente dessa forma que todo o coaching resultará em êxito.

A esse respeito, tem-se compreendido que um coach é de fundamental importância para que sua empresa maximize produtividade e lucro e minimize tempo e custo, além de contribuir para que sua empresa faça a diferença e obtenha a excelência no seu segmento dentro das regras do mercado.

A rigor, pode-se dizer que, contratando um coach, você estará contribuindo então para o desenvolvimento e crescimento de sua empresa; portanto, você estará fazendo um belo investimento. Não o encare como sendo um custo, pois, na realidade, sua empresa será beneficiada de forma compensadora.

Nesse sentido, um coach não somente ajudará os lideres de sua empresa a enxergar o valor que possui os recursos humanos que a compõem, como também os ensinará a ouvir os seus profissionais, propiciando um ambiente aberto, flexível, onde todos possam contribuir com suas idéias e ideais, compartilhando de todo o processo. Com essa estratégia, há amplas chances de se banir a palavra medo impregnada no vocabulário de seus colaboradores, mantendo assim um relacionamento aberto, baseado na confiança e no respeito mútuo, facilitando assim todo o processo de comunicação, colaboração e cooperação, além de contribuir para manter e reter os grandes talentos ali existentes.

Releva destacar que o coach ativará a memória de seus gerentes quanto à importância de estar sempre aberto a fazer, conquistar e zelar pelo seu networking, utilizando-se estratégias de forma a ser sempre lembrado. É ainda de sua competência mostrar também a importância da postura perante a vida profissional e pessoal, enfatizando a todos a necessidade do comportamento ético e coerente, assim como da atitude perante os demais parceiros na empresa, lembrando a todos da importância de se ter o equilíbrio emocional diante tudo e de todos.

Não fosse suficiente o exposto acima, acrescento ainda o cuidado ao se contratar um coach. Antes de contratá-lo, o coachee deve verificar e enxergar de fato a sua real importância para a empresa, deverá conhecer o coach, deverá sensibilizar todos os gerentes quanto ao trabalho a ser desenvolvido, para assim não haver nenhuma resistência; ao contrário, deixar claro para todos que o coach estará na empresa para somar forças, “arrumar a casa” de forma gradativa e dar sugestões de mudanças que achar necessário, em prol do bem-estar da empresa, mas deixando claro também que quem irá implementar as idéias de mudanças será a própria empresa e não o coach.

É prudente ainda informar que o coaching a ser desenvolvido tem todo um plano a seguir com objetivos claros e bem definidos, tendo um prazo de trabalho a ser cumprido; sendo assim, precisa do apoio, da transparência, da verdade e da compreensão de todos os componentes da “casa”, pois, somente com o apoio de todos os envolvidos o trabalho do coach, todo o processo irá fluir, desenvolver e render “frutos” à empresa.

Todo ser humano merece respeito!




É fato que todo e qualquer ser humano gosta e precisa ser respeitado. O respeito, além de ser considerado uma valiosa virtude, é essencial para que, nas empresas, possa haver um ambiente cujo clima organizacional seja harmonioso; logo, isto se torna propício à produtividade, caso contrário, a mesma poderá ficar comprometida.

Por natureza, o respeito está atrelado ao comportamento e à atitude. Pensando assim, é preciso lembrar que cada ser humano veio de um “seio” familiar distinto. Cada um tem características peculiares, com valores e princípios diferenciados; portanto, torna-se necessário que cada pessoa faça de seu íntimo uma breve análise, procurando seu autoconhecimento, analisando desta forma as profundezas de seu ser, analisando sua conduta bem como o seu comportamento. Igual atenção deve ser dada às suas atitudes diante de todos, diante da vida, verificando e buscando desta forma, detectar suas falhas e procurando realizar os devidos acertos, tornando-se assim um ser humano cada vez melhor, um novo ser humano.

Isto posto, torna-se de grande importância cuidar de seu comportamento e de sua atitude. É da mesma forma importante quanto cuidar de sua aparência perante o cenário mercadológico, e isto vale para quem deseja sobreviver no mercado de forma perene.

É preciso aprender a respeitar a si próprio, para depois aprender a respeitar o próximo; logo, quem não se respeita, possui grande dificuldade em respeitar o outro.

Sabemos que o respeito é a base para a construção de quaisquer relacionamentos sólidos e equilibrados; portanto, na empresa, é preciso estar atento o tempo todo, procurando sempre respeitar o ambiente interno e externo em que encontramos inseridos, enxergando nossos limites e respeitando o colega de trabalho como um verdadeiro ser humano. É prioritário que também o percebamos como um verdadeiro parceiro, sabendo ouvi-lo, respeitando sempre o seu jeito de ser, dando-lhe a devida atenção, sendo cortês e educado para com todos, sem distinção. Todos merecem o devido respeito, desde o porteiro até a diretoria da empresa. Todos são parceiros e precisam ser respeitados.

Conhecedores da valiosa importância que tem o respeito no mundo dos negócios, um gestor do século XXI deve ter o cuidado de inserir o respeito na cultura organizacional da empresa no qual é responsável, preocupando-se em propagar o zelo pelo mesmo.

Face ao exposto, salientamos a importância de resgatar junto aos seus colaboradores os valores necessários à construção de um ser humano melhor, que muitas vezes encontram-se perdidos no decorrer da caminhada. Tais valores são imprescindíveis para que esse “ser humano” se torne de fato humano, passando assim a não somente valorizar mais o outro, mas a respeitar a si próprio, bem como a respeitar o próximo como deve ser respeitado, tratando-o com dignidade, atenção, educação e respeito.

Vale frisar que o respeito e educação são atributos bastante notáveis nas pessoas de destaque, e no trabalho faz todo um diferencial, já que sua imagem está sempre sendo observada.

É oportuno perceber que a ausência de respeito gera um estresse no ambiente de trabalho, situação essa desnecessária, que unicamente contribui para que ocorra certo desequilíbrio na produtividade, pois o colaborador, quando não se sente respeitado, não respeita os colegas de trabalho e nem a empresa da qual faz parte. Da mesma forma ele não se dedica, não se empenha, não faz “aliança” com a empresa em que está inserido, não executa suas funções de forma a compartilhar idéias em equipe, e de certa forma não se compromete com suas atividades, atribuições e/ou funções, podendo causar futuros transtornos dentro da organização da qual faz parte.

De outro lado, quando se tem respeito, o ambiente de trabalho fica harmonioso e alegre, prevalecendo a transparência, a sinceridade e a verdade entre os componentes; assim, além de facilitar todo o processo de trabalho em equipe, os colaboradores sentem que fazem parte de todo o processo, sentindo-se valorizados e satisfeitos. Quando criamos em cada departamento esse clima favorável, temos o comprometimento e o envolvimento cada vez mais com as atividades, tendo cada “parceiro” sua natural iniciativa e seu conseqüente engajamento num trabalho em prol da busca incessante por resultados e, por conseguinte, maior produtividade.

Por fim, é preciso conscientizar que a empresa é composta por seres humanos, que devem não somente compartilhar, mas somar idéias, ideais, valores, princípios, conhecimentos, habilidades, talentos e compromissos, caso contrário, estará em pouco tempo fadada ao fracasso; portanto, verifica-se que é de suma importância a empresa zelar pela agregação de todos esses valores.

A boa e a má sorte de cada um



Pedro Coimbra




Quem não viveu na década de 50 talvez não possa avaliar como o Brasil era pobre, bem longe do consumismo de hoje.

Classe média não existia e as pessoas eram simplesmente divididas em poderosos proprietários rurais e os pobres.

Deslocávamos de uma cidade para outra em prosaicas Maria Fumaças, as mulheres com redinhas na cabeça e os homens de guarda pó para evitar a fuligem das fagulhas.

Dois tios meus, o João Pádua e o Renato Coimbra, eram bem de vida como se dizia e proprietários de carros importados. Pretos. É claro.

Mas quando passávamos pela Praça Sete em Belo Horizonte, mamãe fazia questão de comprar um ou dois bilhetes da rifa de deslumbrantes e coloridos Cadillacs que nunca eram sorteados, evidentemente.

O conceito de sorte, faz parte da vida dos menos favorecidos através de amuletos, como ferraduras de cavalo, trevos de quatro folhas, e confundi-se muitas vezes com forças sobrenaturais. As pessoas já nasceriam com boa ou má sorte.

Nesta época o rádio era o sucesso do momento para todos e o teatro rebolado. o “hit” dos políticos e eninheirados do Rio de Janeiro, Capital da República.

Foi quando surgiu uma revista que se definia pelo próprio título: Escândalo.
Dirigida por Freddy Daltro, pseudônimo do jornalista Nilson Risardi, sua especialidade era as matérias sensacionalistas sobre os artistas.

Então, no dia 17 de junho de 1952, soube-se que Freddy Daltro fora seqüestrado e torturado, só não morrendo por circunstâncias próprias da vida, depois de ser espancado e enterrado na areia da praia..



Nunca se soube quem resolvera eliminar o jornalista difamador. Apenas que tivera muita sorte em sobreviver.
Anos depois nos arredores de Belo Horizonte, Bruno, Macarrão e Coxinha formam uma turma muito unida, solidária na falta de recurso e com relacionamentos familiares estranhos.
Mas Bruno consegue vencer os problemas da vida e com muito talento e sorte torna-se um goleiro famoso.
Ganha muito direito, compra muitas propriedades, continua junto com os amigos Macarrão e Coxinha e anda com lindas mulheres que os amigos denominam de namoradas, amantes e noivas, em orgias sem fim.
Mas, uma delas, Eliza Samúdio, sai dos limites estabelecidos e desaparece.
Para a Polícia foi simplesmente morta pelos asseclas de Bruno.
Vão todos parar na cadeia e fica uma dúvida: Se fosse inocentado Bruno voltaria a jogar num grande clube de futebol?
Má sorte ou boa sorte do goleiro Bruno que pelo andar da carruagem acabaria em outras encrencas.
Na verdade esta é a representação da boa e a má sorte de cada um....
Afinal de contas a boa sorte não é pra qualquer um.

A rua e a moça do piano


Pedro Coimbra


Houve um tempo, que já vai longe, em que não se dava nomes aos logradouros, ruas, avenidas e praças, de pessoas que haviam partido deste mundo para um melhor, mas de flores e outros fatos corriqueiros na vila de 901 casas.
´ E assim que o educador Firmino Costa, na sua “História de Lavras” lista as ruas existentes no começo do século: do Cruzeiro, da Pedreira, Alta, Soledade, Umbela, Novo Século, Passa Vinte, Nova, Direita, Santo Antônio, da Esperança, Bela Vista, do Calvário, Dona Inácia, das Mercês, do Fogo, do Instituto , do Córrego, das Flores, Caetano Machado e Veneza. Mais as travessas da Misericórdia, de Santo Antônio, do Rosário, Dr. Costa Pinto, Municipal, de Sant´Ana e das Mercês.
O mesmo historia diz que a rua do Fogo era assim denominada pois ali viviam famílias de brigões.
Sou apaixonado por essa rua do Fogo desde que retornamos para Lavras e fui morar na rua Sant´Ana. Naquela época, no final da rua, que já foi apelidada de “Vieira Souto de Lavras” não havia a ligação com a rua Firmino Sales e moravam famílias abastadas.
Com o tempo comprei e reformei um casa no começo da rua hoje denominada de Bernardino Macieira, um paisagista que era pai da minha tia Maria Emília e que dentre outras criou o perfil da atual Praça Dr. Augusto Silva.
Um enfermeiro de um laboratório que colhe material para exame a domicílio me advertiu que a denominação agora ia mudar pelo grande número de viúvas que aqui existiam.
Isso não me assusta. Preocupa si a possibilidade de um vereador tresloucado mudar o novamente o nome.
Seria com certeza mais um problema para os carteiros e entregadores.
O que me assusta agora é o silêncio tenebroso na rua, onde raramente se vê crianças brincando pela rua.
Aliás o silêncio não é total pois um prefeito “sabichão” desviou para cá o trânsito dos ônibus intermunicipais.

De qualquer maneira gosto de me sentir meio dono da rua do Fogo, como deve ter acontecido com meu tio Maurício Ornelas, o “seu” Alcides da Metrópole, o Martinho Sena, o Serginho, o “seu” Leônidas, o Gibinha, o João Oscar, o Ernani Alves e outros mais.
Ouço um som de piano ao entardecer. Tenho certeza que não é um CD, não se trata de música eletrônica, é música ao vivo.

Quando era adolescente o Instituto Gammon mantinha no térreo do Martha Roberts uma espécie de Conservatório Musical e uma das professoras era a Dona Cecília Veiga. Ali vi estudando a Georgette Mansur e levavam anos para se formar.

Mas, quem dedilha o teclado de um piano maravilhoso na rua do Fogo?

O piano é um instrumento derivado dos antigos cravos, e quando bem tocado chega a ter uma sonoridade angelical.
Sei da dificuldade para tirar os sons daqueles martelos que batem sobre cordas porque era incapaz de fazer qualquer melodia numa flautinha com talo de mamona como fazia o Luciano Carvalho.

Hoje em dia aquele que pretender aprender a tocar o instrumento terá bastantes dificuldades, a começar pelo preço exorbitante do instrumento.

Tanto procurei que encontrei esta musicista às escondidas.

É a Luciana, professora no Gammon, filha do Mauro Ferreira, parente da minha mulher e meu vizinho.

Não precisava mesmo nem ser uma virtuose ao piano, com sua beleza e seus lindos olhos claros.

Sou incapaz de identificar os autores das músicas que executa, mas qualquer dia tomo coragem e peço que interprete “Ticket to Ride”, dos Beatles.

Até lá a Luciana pode encher de melodia a rua do Fogo com o que o seu sentimento musical mandar….


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