terça-feira, 22 de junho de 2010

UMA FLOR BRANCA...

A moça veio ao meu encontro e me ofereceu uma flor branca...
-- Estamos fazendo uma passeata pela paz, quer nos ajudar?, ela me perguntou.

Todos que faziam parte da passeata levavam consigo uma flor igual a que ela me ofereceu. A maioria eram alunos de uma Faculdade, onde uma funcionária foi mais uma jovem, vítima da violência... à saída do trabalho.

Quase que diariamente jovens estudantes, homens do comércio e pessoas que trabalham honestamente têm suas vidas interrompidas abruptamente devido aos constantes assaltos.

A violência está se alastrando como uma doença infecciosa sem perspectiva de cura. Os interesses parecem voltados para o desenvolvimento econômico. Mas desenvolvimento econômico sem qualidade de vida não faz sentido...

Cada um de nós pode ajudar cultivando a paz, repudiando qualquer apologia à violência e inspirando-se nos países mais evoluídos culturalmente e não nos mais ricos...

É muito bom ter... Mas quando o ter prejudica o ser, o ter passa a ser uma tragédia social.

Coloquei a flor branca aos pés da Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, pedindo o milagre da paz...


NAIR LÚCIA DE BRITTO

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Artigo: Ocupação tímida nas reitorias

Ocupação tímida nas reitorias

 

Luciana Onusic *

 

         A mulher, desde o século XX, luta pelo seu espaço no mercado de trabalho. E sabemos que isso tem evoluído a cada ano que passa. Em 2009, de acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 35% das mulheres brasileiras trabalhavam com carteira assinada – porém, número ainda inferior ao dos homens, que é de 43,9%. Outro dado do instituto, no entanto, mais preocupante, é em relação à remuneração: para se ter uma equiparação, o salário das mulheres teria que ter um aumento de 38,3% em relação ao dos homens.

Porém, no ramo da educação, a entrada feminina é alta em todos os cargos – desde professora até diretora –, principalmente em educação básica (infantil, ensino fundamental e médio). Quando chega no ensino superior, o quadro muda. Ainda há muitas mulheres lecionando, mas nos cargos mais altos da hierarquia educacional, como diretoria e reitoria de instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas, a inserção das mulheres é ainda baixa.

Esse quadro pode ser constatado no 2º Encontro Internacional de Reitores Universia, realizado em Guadalajara (México), entre os dias 31 de maio e 1º de junho. Não foram divulgados dados oficiais, mas quem esteve presente pode notar o pequeno número de mulheres que participaram do encontro. Portanto, esse cenário não é apenas um problema tipicamente brasileiro.

O encontro, que reuniu reitores e presidentes de 1.126 instituições de ensino superior de diversas partes do mundo, teve como objetivo debater como melhorar o ensino e aumentar o grau de internacionalização, da responsabilidade e do compromisso econômico e social das faculdades e universidades. Temas como inclusão e coesão social através da educação superior, atividade docente, infraestrutura, inovação, transferência de conhecimento foram abordados nos dois dias de evento.

         O Brasil contou com a representação de mulheres neste último encontro: Laura Laganá, da rede Paula Souza – primeira mulher a ocupar o cargo de reitora nos 40 anos da instituição –; e Maria Célia Pressinatto, reitora do Centro Universitário Barão de Mauá.

         Para o próximo encontro, que será realizado em 2015 no Brasil, esperamos que mais mulheres tenham conseguido se inserir neste mercado – o de educação superior. Se são competentes em níveis de ensino básico, tem tudo para também estarem no topo nas faculdades e universidades.

 

* Luciana Onusic é contadora, mestre e doutora em Administração e diretora executiva da Trevisan Escola de Negócios.

E-mail: luciana.onusic@trevisan.edu.br.

 

Entre Braços e Abraços

A França chegou à Copa de África carregando um pesado fardo, pois a imprensa mundial não perdoou sua classificação pela mão de Thierry Henry!


O curioso é que todos desculparam o gol de Maradona contra a Inglaterra, em 1986...


A única explicação que encontro, nesse caso, é que ninguém perdoa os ingleses pelo título de 1966, que também foi muito parecido com o da Argentina, em 1978. Assim, parece que acharam justo que nuestros hermanos revidassem nas quatro linhas o revés ainda recente da Guerra das Malvinas.


Franceses ou argentinos, não havia muita diferença entre os dois casos, só que é mais fácil ficar ao lado da Irlanda do que a favor da França. No mais, no calor do jogo, bola na mão ou mão na bola sempre pode acontecer e cabe ao árbitro interpretar cada lance. O mesmo vale para as jogadas corpo a corpo e divididas em geral e, nesse âmbito, o jogo Brasil x Costa do Marfim teve um pouco de tudo.


Para começar, não gostei da escalação de arbitragem francesa, afinal, querendo ou não existe uma ligação cultural relativamente forte entre a França e este país africano, que começa com o próprio nome do país Côte d'Ivoire. O desenvolvimento do jogo mostrou que eu não estava de todo errado, pois, principalmente depois do terceiro gol brasileiro, os marfinenses começaram a bater pesado, sem que o árbitro tomasse atitudes mais rígidas. Duas soladas homéricas - uma que tirou o incansável Elano do jogo, de forma alarmante - foram punidas de forma extremamente branda, enquanto Kaká, caçado em campo, foi punido com um amarelo e, depois, numa encenação grotesca do jogador africano, expulso.


Felizmente, já era tarde para uma reação adversária, embora Drogba tenha reduzido.


Por sorte, os franceses também gostam de futebol bonito e, com certeza, o árbitro ficou tão encantado como nós e o público do estádio e mundo inteiro, quando o Fabuloso Luís Fabiano, num lance espetacular, usou a cabeça, dois chapéus, os braços - duas vezes - e toda categoria que Deus lhe deu para marcar um golaço. Ninguém no mundo teria anulado aquela jogada. Seria um pecado mortal!


Ok, seo juiz: ta perdoado por expulsar o Kaká!


Além disso, o Dunga já deveria tê-lo tirado depois do cartão amarelo. Mas isso também não tem problema, pois, já o Brasil já está classificado, Kaká está melhorando tecnicamente, o time está subindo de produção, Nilmar pode entrar no próximo jogo, dando tempo para o camisa 10 evoluir fisicamente e voltar zerado para a próxima fase.


Para tudo dá-se um jeito!


O resultado foi justo e mostrou as duas apostas de Dunga dando resultado, com Kaká tendo sido decisivo e Luís Fabiano marcando dois. Elano marcou mais um, numa belíssima antecipação, antes de ser covardemente solado por um marfinense. Deus queira que ele se recupere rapidamente, pois ele precisa e merece ser titular desse time.


A defesa brasileira continua firme, com um Lúcio que não cansa de nos impressionar e um Júlio César que saiu muito bem, quando preciso, e não teve culpa no gol.


Resumo da ópera: estamos classificados e mostrando um futebol convincente no segundo tempo. Até Felipe Melo não comprometeu!


Bem, agora é esperar o jogo contra o Portugal para tentar consolidar a liderança do grupo.


Estamos fazendo a lição de casa, mas ainda precisamos estudar mais para, na técnica, na garra e, até, no braço, gritar gol e sair para o abraço!


Vamos nessa Brasil!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Filme traz Pelé de volta aos gramados

 

 

 

Filme “1284”

O filme “1284” mostra Pelé, aos 70 anos, correndo atrás de mais um sonho: fazer o último gol da carreira com a camisa canarinho. Afinal, o craque brasileiro marcou seu último gol, até então, pelo New York Cosmos, contra o Santos, em 1977, no Giants Stadium, nos Estados Unidos. De volta aos gramados, entre os jogadores da Seleção, com a equipe e a torcida brasileira em delírio, o Rei vestindo a camisa 10 parte para a bola, no clássico Brasil x Argentina. Narradores e jornalistas do mundo todo estão no estádio para acompanhar a partida.

 

No primeiro tempo, com a marcação cerrada, várias chances de gol são desperdiçadas. Os argentinos não aliviam e ainda fazem uma falta dura em Pelé, que ameaça parar. Incentivado por Carlos Alberto Torres, capitão da Seleção Brasileira na Copa de 70, o craque retorna para o segundo tempo.

 

Quando começa a demonstrar cansaço, o jogador confirma que quem é Rei nunca perde a majestade.  Recebe uma bola, ainda próximo ao meio de campo, acredita e vai com muita raça e determinação rumo ao gol e chuta.  O trajeto da bola é lento, mas, seu destino é certo: Pelé marca seu último gol pela Seleção, e repete algumas das cenas consagradas na história do futebol mundial, incluindo o  tradicional soco no ar.  O encerramento fica por conta do letreiro “Ele fez 1.283 gols por nós. Ele merecia que a gente fizesse esse por ele. Obrigado, Pelé”.

 

Com sete minutos de duração, “1284” foi rodado no Estádio do Morumbi em São Paulo. De acordo com Marco Versolato, vice-presidente de criação da Y&R, o maior desafio foi reproduzir a realidade com todos os seus detalhes. “Mesmo sendo uma ficção, procuramos produzir uma partida como se fosse uma história real. E, Pelé aos 70 anos contra a Argentina, não seria nada fácil”, comenta.  A produção contou com uma estrutura cinematográfica de 250 profissionais e mais de 500 pessoas no elenco. Também foram escalados alguns jogadores profissionais e vários ícones do esporte e do jornalismo brasileiro como Rivellino, Carlos Alberto Torres, Orlando Duarte e Osmar de Oliveira -, que sempre acompanharam a carreira de Pelé.

 

 A criação do curta-metragem é de Alexandre Vilela (Xã), Felipe Gall e Marco Versolato, que também assinam a direção de criação. A produção é da O2 Filmes, com direção de cena de Luciano Moura e Nando Olival e produção executiva do cineasta Fernando Meireles, um dos sócios da produtora.

 

O filme conta com exibição exclusiva na internet, no link  http://www.youtube.com/watch?v=GYpf1tVJLOg&feature=channel ou na página www.euvivoaselecao.com.br .

 

 

A morte de José Saramago






A morte de José Saramago
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“Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,manhãs e madrugadas em que não precisamos de morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será. (...)
Cada um de nós é por enquanto a vida. Isso nos baste.”

Morreu hoje, aos 87 anos, José Saramago, em Lanzarote, Ilhas Canárias, onde vivia com sua segunda mulher, Pilar Del Rio.
O homem que nunca foi à universidade, porque a família era pobre e não havia meios para isso.

O homem que, para sobreviver, fez um curso técnico e tornou-se serralheiro mecânico. No entanto, como tinha paixão pelas letras, passava suas noites na Biblioteca Municipal Central de Lisboa.

O homem chamado coragem nasceu em 1922 em Azinhaga, no Ribatejo, Portugal de uma família de pais e avós pobres.

O homem que foi funcionário público em Portugal, por décadas. Aos 30 anos começou a fazer traduções, para aumentar sua renda de operário. Auto didata, traduziu Baudelaire, Hegel e Tolstoi, entre outros clássicos.

O homem que publicou seu primeiro romance, Terras do Pecado, em 1947, mas só foi reconhecido como um verdadeiro escritor a partir da década de 1980, quando lançou o romance Levantado do Chão.

Depois disso, seus sucessos literários se sucederam com Memorial do convento (1982), O ano da morte de Ricardo Reis (1984), A jangada de pedra, (1986) História do cerco de Lisboa (1989) O Evangelho segundo Jesus Cristo, (1991) e Ensaio sobre a cegueira (1995) com o qual ganhou o Prémio Nobel da literatura em 1998.
Único ganhador de um Prêmio Nobel em língua portuguesa, José Saramago ajudou, com isso, a estimular as vendas de livros e a aumentar o respeito por quem escreve em português.

O homem que, com esse sucesso, fez com que vários outros autores nacionais e da comunidade de língua portuguêsa fossem descobertos e também lidos, o que estimulou os mercados de livros na nossa língua.

O homem que nunca escondeu suas ideias, brigou por elas, deixou muito claras suas posições, sem medo de críticas.
“Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles,  infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala”.

Autor versátil, ele deixou 20 romances, 3 livros de contos, 5 peças de teatro, 4 livros de crônicas, 3 livros de poesias e um de viagem. Os números, frios, nunca vão explicar a emoção da qual era carregada sua literatura, que fez chorar e rir, que espantou e acalmou, que fez pensar, enfim. “Escrevo para desassogar os meus leitores” disse Saramago em 2009.

"Sou um leitor de Saramago desde a minha adolescência. Conheço muito bem a obra dele e foi o escritor que mais me tocou até hoje", revelou. João Tordo, ganhador do Prêmio José Saramago 2009 (com o romance “As Três Vidas” Portugal). Para Tordo, Saramago foi “Um escritor que revolucionou a literatura portuguesa: há um antes e um depois de Saramago. Ele inventou um modo de escrever."

O homem que se tornou, antes e por esforço próprio, jornalista, a partir do final de década de 1960. E que trabalhou intensamente na imprensa, no Diário de Notícias, Diário de Lisboa, em A Capital e no Jornal do Fundão, todos portugueses.

Em 1975 foi, por alguns meses, diretor-adjunto do "Diário de Notícias". Essa função foi o ponto alto do seu percurso jornalístico e seria fundamental para o seu regresso à literatura e ao romance.. Demitido, decidiu que transformaria a sua vida: seria um escritor em tempo integral.

Ele só seria reconhecido como tal três décadas depois de “Terras do Pecado”. Por essa época (1977) surgiu a primeira obra do Saramago exclusivamente escritor: Manual de Pintura e Caligrafia

O homem que falava da morte como fim único, pois era ateu. Mas falava da morte sem temor.
“Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais”.

O homem que escreveu em seu blog, ainda na semana passada: “Acho que todos nós devemos repensar o que andamos aqui a fazer. Bom é que nos divirtamos, que vamos à praia, à festa, ao futebol, esta vida são dois dias, quem vier atrás que feche a porta – mas se não nos decidirmos a olhar o mundo gravemente, com olhos severos e avaliadores, o mais certo é termos apenas um dia para viver, o mais certo é deixarmos a porta aberta para um vazio infinito de morte, escuridão e malogro”.
"Escritor de projecção mundial, justamente galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, José Saramago será sempre uma figura de referência da nossa cultura. Em nome dos Portugueses e em meu nome pessoal, presto homenagem à memória de José Saramago, cuja vasta obra literária deve ser lida e conhecida pelas gerações futuras. À Família do escritor, endereço as minhas mais sentidas condolências", lê-se numa nota publicada no site da Presidência da República de Portugual, Cavaco Silva.

Morreu José Saramago. Foi ele mesmo quem disse: “Há coisas que nunca se poderão explicar por palavras.”
Obras Publicadas

Poesias
Os poemas possíveis, 1966
Provavelmente alegria, 1970
O ano de 1993, 1975
Crônicas
Deste mundo e do outro, 1971
A bagagem do viajante, 1973
As opiniões que o DL teve, 1974
Os apontamentos, 1976
Viagens
Viagem a Portugal, 1981

Teatro
A noite, 1979
Que farei com este livro?, 1980
A segunda vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993
Don Giovanni ou O dissoluto absolvido, 2005

Contos
Objecto quase, 1978
Poética dos cinco sentidos - O ouvido, 1979
O conto da ilha desconhecida, 1997

Romance
Terra do pecado, 1947
Manual de pintura e caligrafia, 1977
Levantado do chão, 1980
Memorial do convento, 1982
O ano da morte de Ricardo Reis, 1984
A jangada de pedra, 1986
História do cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio sobre a cegueira, 1995
A bagagem do viajante, 1996
Cadernos de Lanzarote, 1997
Todos os nomes, 1997
A caverna, 2001
O homem duplicado, 2002
Ensaio sobre a lucidez, 2004
As intermitências da morte, 2005
As pequenas memórias, 2006
A Viagem do Elefante, 2008
O Caderno, 2009
Caim, 2009

Fonte: CBL : www.cbl.org.br 

Tributo a Saramago Nobel Lusonauta




S a r a m a g o
(18.06.10)


“O mundo existe para terminar num livro”
Mallarmé

Morreu Saramago
Em seu mundo nunca dantes navegado
No entorno de lágrimas de Portugal
E muito além do chão letral dos lusonautas
Numa intermitência telúrica
Morreu Saramago
O criador de um verbo alumbrado
Sua literatura esplende, arrebata
Num mundo globalizado – e insano
Muito além de seu tempo
Morreu Saramago
Entre seu palavrear de luz e sangue
Densos Tejos que ainda rebrilham
Em lágrimas que verteram seu espírito
Procissão de excluídos
Morreu Saramago
Que nos viçou em língua mátria
A sociedade sórdida: e o que somos
Ovelhas perdidas de uma manada
Contra o qual lutava...
Morreu Saramago
O ser humano historial, o homem bandeira
Que na mão esquerda ainda tem uma roseira
Que dá flores rubras a vida inteira
Levantado do chão, nos ares

AINDA VIVE SARAMAGO!


-0-


Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras, São Paulo, Brasil
E-mail:
poesilas@terra.com.br - Site: www.portas-lapsos.zip.net

quinta-feira, 17 de junho de 2010

A mulher de bota

Pedro Coimbra

ppadua@navinet.com.br

Seria um dia comum de outono se não fosse pelo frio que teimava por entrar no meio dos agasalhos que vestia e me enregelar.

Esperava cumprir aquele compromisso profissional e social e me enfiar debaixo de pelo menos três cobertores, numa cama aconchegante.

Era uma reunião em que o número de homem predominavam sobre as mulheres. Eles falantes e desinibidos e elas, estranhamente caladas, o que não era de seu feitio.

Encostei-me num canto e fiquei a observá-las, todas elegantemente vestidas.

Num instante percebi que quase todas elas calçavam botas.

Quando o homem surgiu lá na África distante não usava vestuário nenhum. Literalmente todos andavam nus. E talvez o que mais aborrecesse esses nossos irmãozinhos de um passado distante fosse caminhar num chão pedregoso, cheio de armadilhas.

Envergonhados, depois de conhecer o Mal, que os tirou de seu caráter angelical de seres especiais no Paraíso, sentiram vergonha de suas partes pubentas e trataram de se cobrir com toscas roupagens.

Daí para a primeira sandália a lhes proteger os pés foi um pulo, dizem os historiadores.

Andar descalço ou não tornou-se com toda certeza um sinal de civilização.

Um empreendedor se transferiu para a Corte do Marfim, com disposição e maquinário para fabricar meias. Lá chegando percebeu que iria a falência, pois ninguém comprava seus produtos. Simplesmente não havia demanda. Encomendou novas máquinas e começou a produzir sandálias de borracha que se transformaram num sucesso...

A bota é um tipo de calçado que todos nós sabemos ter o cano mais alto que o sapato comum. A altura do cano varia com a destinação ou em razão da moda.

São de inúmeros tipos: combate, militar, de motociclista, vaqueiro, feminina e outros.

São feitas com couro bovino, sola de borracha ou couro e forros em lã, pele ou sintéticos.

Surgiram da necessidade de proteger uma parte da perna das pessoas, acabando por se tornar um artigo de moda, do gosto das mulheres.

Localizo minha amiga de muitos anos, G., com os cabelos alourados, um casaco muito elegante, preto e botas da mesma cor.

Ao vê-la e perceber suas atitudes percebi que essa história de usar botas mais do que moda era um sensual fetiche.

Fetiche é uma palavra oriunda do francês e significa feitiço. É uma espécie de obsessão por alguma coisa, situação, pessoa ou parte da pessoa. Uma atração incontrolável que origina um prazer intenso, nem sempre ligado à prática sexual.

Mas ligado também profundamente a roupas de couro pretas, chicotinho e outras práticas sadomasoquistas...

A nossa conversa flui de forma muito agradável e me ponho a pensar se G. tem conhecimento de toda a simbologia contida naquele complemento do seu vestuário.

Concluo que as mulheres têm uma percepção muito maior do que a homens para o que nos atrai.

Mesmo que seja, como para G., puro charme...

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