sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A distribuição temporal das atividades do povo Zoró

A distribuição temporal das atividades do povo Zoró

O contato interétnico provocou profundas mudanças no modo de viver dos povos indígenas e de suas culturas. Na Amazônia esse processo continua a ocorrer em função da vasta dimensão territorial e consequentemente, do processo de povoamento e expansão das fronteiras, de forma que ainda hoje etnias continuam desconhecidas. No caso do povo Zoró, o contato acontece no ano de 1977, o que permitiu conhecer as práticas tradicionais de produção através dos relatos dos anciãos e também porque muitas delas estão vivas no cotidiano.

Poesia


CRIANÇA
 
Criança é a nossa alegria
Com seu sorriso puro e inocente
Nos trás paz e tranqüilidade,
O que nos alegra o coração e a mente.
 
Mas também há preocupação
Pois Deus a colocou em nosso caminho
 Sabemos todos que ela, hoje e flor
 Mas amanhã poderá ser espinho.
 
Depende muito do ensinamento,
E da educação que dermos a ela
Temos que regá-la com o
Liquido chamado amor e ternura
Pois isso é essencial para que
Permaneça o que existe nela.
 
 
Vivaldo Terres

terça-feira, 27 de setembro de 2011

SONHOS E METAS!!


Todos sabemos,que aquelas maravilhosas imagens retratando situações de perfeição e de total felicidade tão veiculadas pela mídia, na verdade são nada mais nada menos do que cenas minuciosamente planejadas por profissionais de marketing e interpretadas por pessoas que são pagas para representarem. Nada ali é natural. Todas as cenas, todos os personagens, são artificialmente perfeitos! Graças às correções minuciosamente feitas nas imagens. Estes atores e atrizes são profissionais na arte de representar. E é justamente isso que eles fazem nestas propagandas: representam personagens com expressões faciais e corporais meticulosamente preparadas, de bem estar total, com pele, cabelo e corpo perfeito. Conseguindo com isso, atingirem o objetivo principal das campanhas de marketing: nos passarem uma imagem de felicidade perfeita e realização plena em todos os âmbitos da vida. É claro que tudo isso vem sempre associado à marca ou produto que querem vender. Sabemos também que as imagens de fundo que aparecem, na verdade são cenários criteriosamente montados exatamente para completar a espetacular imagem de perfeição que interessa que seja passada. Acredito que várias vezes, o alcance destas cenas vai além do simples sucesso de uma propaganda, ou seja, conseguir um alto consumo do produto a que se referem. Elas também conseguem muitas vezes, nos deixar com um sentimento de insatisfação resignada, de frustração constante, pois por mais que as desejamos, constatamos na realidade a inacessibilidade em que se encontram, pois podemos almejar a perfeição, mas sabemos que alcançá-la é outra história. Diante disso, algumas vezes, servem também para despertar em muitos de nós um sentimento de insignificância e de incapacidade. Mas sempre alimentam os nossos sonhos, pois neles tudo nos é permitido, inclusive podemos deixar de ser meros mortais e nos transformar em qualquer personagem que idealizamos, em ter tudo que desejamos, em alcançar qualquer coisa que almejamos, em estar em qualquer lugar que imaginamos. Acredito que enquanto meros alimentos de sonhos podem ser efetivamente positivos, pois, se permitir sonhar é extremamente saudável e necessário para todos nós. O problema é quando se tornam anestésicos e nos paralisam, nos deixando inertes, com a falsa sensação/ilusão de satisfação plena. E existem tantas pessoas que se aprisionam nos sonhos!Eesquecem de viver, pois estão sempre e só sonhando, mas nunca fazendo nenhum movimento para realizar! Ficam por ai, como se acreditassem que de uma hora para outra, vão realizar os sonhos, como num passe de mágica! Esquecem que é fundamental abrir os olhos, arregaçar as mangas, e ir em busca de maneira firme e concreta. Sonhos podem ser combustíveis sim, de uma vida saudável, feliz. Mas paraser duradouro este bem estar, é fundamental que alguns destes sonhos sejam transformados em metas, em projetos, para que se realizem! Todos sabemos que a nossa vida existe no concreto, que a nossa passagem por este planeta acontece na realidade, ou seja, estamos aqui para sonhar sim, mas principalmente para realizar concretamente também! Portanto se passarmos por ela apenas aceitando nos consolar unicamente com sonhos, nos satisfazendo com os devaneios, e nos apegando puramente em ilusões, não realizaremos nada, pois abriremos mão das possibilidades de movimentos que poderiam nos conduzir justamente para a concretização destes sonhos. Quero lhe dar uma ideia: sonhe muito! Aliás, nunca deixe de sonhar, mas hoje mesmo, selecione alguns dos seus sonhos e transforme-os em metas!

VIVA, SEBASTIÃO!




Ultimamente não tenho dado muita atenção a futebol, principalmente depois que o Santos FC “pisou no freio” e o Campeonato Brasileiro começou a ficar meio esquisito.
E por falar em “pisar no freio”: Fórmula 1, então, desde aquela palhaçada da Ferrari no GP da Alemanha, quando a equipe constrangeu Felipe Massa a deixar Fernando Alonso passar - com direito a “ridiculous!” por rádio e tudo o mais -, parei de ver.
Massa, aliás, não teve muita sorte esportiva desde que entrou na escuderia italiana:
Em 2008, foi prejudicado pela equipe em duas corridas “ganhas” e, na última, perdeu o título para Hamilton, que ultrapassou Timo Glock na última curva. Já em 2009, graças a uma porca de Rubinho, quase foi desta para uma melhor equipe, onde, com certeza, o Chefe jamais o mandaria dar passagem para um “primeiro piloto”, pois todos são iguais perante Ele.
Este, principalmente depois do GP alemão, Massa desandou. Quando à Barrichello: nunca andou e, para completar, a equipe de di Grassi foi uma desgraça e a de Bruno Sena não ficou muito atrás. Por sinal, as duas é que ficaram muito atrás. Que tristeza!
Este domingo, no entanto, eu fiz questão absoluta de assistir o GP de Abu Dhabi, por algumas razões bastante significativas:
A primeira foi porque raras vezes, nas últimas décadas, um campeonato chegou ao derradeiro GP com quatro pilotos disputando o título. A segunda, porque soube que o dono da RBR, depois daquela coisa vergonhosa da Ferrari, proibira o chefe de sua equipe de fazer qualquer tipo de distinção entre seus pilotos. E a terceira, porque eu estava num entusiasmo só para torcer, com todas as minhas forças, para Alonso não ser campeão! Ainda mais depois das declarações arrogantes – o que não é nenhuma novidade - que ele dera no sábado, praticamente se julgando tri-campeão.
Ninguém nega as qualidades do piloto espanhol, mas ele é uma das figuras mais desagradáveis que esse esporte teve nos últimos tempos.
Torcer para quem, então?
Hamilton? Não, pois ainda não digeri aquele campeonato de 2008, sobre Massa.
Webber? Bem, ele se julgava primeiro piloto da RBR e andava reclamando muito de Vettel apenas porque ele estava subvertendo essa “ordem das coisas” dentro da pista, ou seja, por seu próprio mérito e arrojo!
Ora, escolha natural: Vettel! E o garoto de apenas 23 anos não decepcionou: mandou ver desde o início!
Para melhorar mais ainda, a corrida teve atuações soberbas de Kubica e seu companheiro de Renault, Petrov – que tem vitalidade até no pré-nome, Vitaly – não deu nenhuma chance de ultrapassagem para Alonso. E com classe!
Aí, para manter a fama de ridículo, ao final da corrida o espanhol emparelhou com o russo para fazer gestos desaforados.
O que ele queria? Que mandassem Petrov dar passagem para ele, mesmo sem ser retardatário? Será que na cabeça desse indivíduo todo mundo que está na frente dele é segundo piloto, ainda que não seja de sua equipe?
Bem fez o russo, que retribui com um sinal do tipo: “vai ver se eu estou na curva...”!
Assim, nesse domingo voltei a ter prazer em ver um GP de Fórmula 1, pois a corrida foi bem disputada e o resultado foi honesto, como sempre deveria ser! Além disso, um recorde foi batido: Vettel passou a ser o mais jovem campeão da história!
Valeu Sebastião, quer dizer, Sebastian!

ANJOS E DEMÔNIOS



Não, este texto nada tem a ver com o livro de Dan Brown! Mas tem muito com o cotidiano, com a vida que tentamos construir e levar, como os sonhos e pesadelos que sonhamos ou nos fazem sonhar, dormindo ou acordados.
Todo dia saímos à rua, para buscar o futuro, esquecer o passado – corrigir seus erros, se possível – ou, simplesmente, viver o presente. É a uma etapa em nossa jornada que, sabemos, tem começo, meio e fim, e na qual tentamos contribuir com alguma coisa, e não ser apenas espectadores passivos ou massa de manobra dos desejos alheios.
Não é fácil viver, por mais que nos esforcemos para tanto. Queremos apenas plantar e colher o fruto de nosso trabalho, regado com nossa esperança. Estudamos, aprendemos e nos aplicamos para isso, acreditando que crer é suficiente, mesmo sabendo que nossos esforços nem sempre bastam para enfrentar as forças adversas, muitas delas invisíveis, que se apresentam no caminho.
Qual seria o sentido da vida se não acreditássemos nisso? O que nos restaria de humano e divino se simplesmente aceitássemos seguir sem ter nenhum controle sobre o rumo?
Com tantas interferências, nossa caminhada pode estar cheia de perigos e ameaças, nem sempre identificáveis, e que às vezes vêm de onde menos ou nunca se espera!
Como as incertezas podem ser bem maiores do que as certezas, pedimos, rezamos e oramos por proteção divina, para que sejamos livres de todos os males. E mesmo quem não pede esse tipo de proteção já deve ter sentido que teve algum tipo de proteção, ou que sofreu algum mal cujo motivo era inexplicável.
Crendo ou não, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia, já dizia Shakespeare. Isso vale para a Dinamarca, como para qualquer ambiente: escola, trabalho, grupo social, etc.
De onde vem o divino bem que nos protege do mal que não vemos? De Deus, sem dúvida! Mas Ele tem seus anjos, alguns dos quais conhecidos como anjos da guarda. Muitas vezes eles são de carne e osso e exercem o bem ao evitarem que um mal seja perpetrado contra inocentes, sem que eles saibam quem o articulara. Sua bondade é tão grande que também alivia o ônus moral e espiritual do maldoso, embora a maioria destes seja imoral e alguns até se usem o nome de Deus para legitimarem suas maldades físicas ou psicológicas.
Esses últimos são os demônios de plantão, em grande parte também humanos, ao menos na forma orgânica. Eles não precisam possuir corpos para lhes fazerem mal: basta terem poder externo sobre suas vidas. E o poder nas mãos erradas, sejam elas: incompetentes, temerárias, orgulhosas, desmioladas ou sádicas pode gerar muito mal, às vezes travestido de boas intenções, daquelas de que o inferno está cheio, junto com os bem-intencionados que as tiveram.
Esses anjos da guarda e demônios de plantão estão em toda parte, travando uma luta diária por nossas almas: os primeiros sem nada pedir, os últimos tirando tudo o que podem, mesmo que não precisem. Uns zelando por nosso bem, outros perseguindo e destruindo, por estupidez ou prazer, transferindo suas culpas, erros e baixeza para o objeto de sua maldade e ainda alardeando que estão pensando num bem maior.
Hitler e Stálin provavelmente pensavam assim...
A nós, pobres mortais, resta continuar acreditando que podemos, com fé em Deus, remover os obstáculos que os demônios de plantão, infelizmente cada vez mais poderosos, motivados, dissimulados e bem organizados nos impõem; e agradecer a doce atenção e perseverança obstinada dos anjos da guarda que, contra todas as tendências e facilidades oferecidas pelo mal, persistem em nos proteger.
Que Deus os abençoe! E a nós também.

MEMÓRIAS DO RÁDIO ESPORTIVO



 
Comecei a acompanhar narrações esportivas mais atentamente por volta dos 11 anos de idade, no início da década de 1970.
O tipo de narração era mais ou menos padrão: um speaker de voz poderosa e rápida, estilo turfe; um comentarista de voz lenta e doutoral; e um ou dois repórteres de campo, além do plantão esportivo, que informava resultados de outros jogos.
Em Santos, eu costumava escutar a Rádio Atlântica, cujo narrador era Walter Dias, com comentários de Jorge Shammas e reportagens de João Carlos, o corisco dos repórteres. É verdade que várias vezes a torcida já estava gritando gol e o narrador ainda estava no meio de campo. Lembrando disso, me veio à mente o impagável esquete do narrador de futebol gago, imortalizado por Zé Vasconcellos...
Quando o Santos FC jogava clássicos, no entanto, eu preferia ouvir a Rádio Nacional de São Paulo, que tinha Pedro Luiz, Mário Moraes, Juarez Suares e Roberto Carmona.
Aí, um dia, eu passeava pelo dial do rádio de pilha quando descobri a Jovem Pan.
O estilo narrativo era irresistível, a começar por Osmar Santos, que reinventou a transmissão esportiva, trazendo a ?firula? do campo para a voz. Não foi à toa que passou a ser chamando de Pai da Matéria.
Os outros narradores da Pan eram apenas José Silvério e Edemar Anusek! Os comentaristas também eram supimpas: Orlando Duarte e Cláudio Carsughi, com seu sotaque italiano indefectível, ainda mais preciso quando acompanhava o Velho Barão, Wilson Fittipaldi, nas corridas de Fórmula 1, nos tempos de Emerson, Wilsinho e José Carlos Moco Pace. No campo, desfilavam Fausto Silva (o Faustão) e Wanderley Nogueira; equipe que teve, mais tarde, o aporte de um jovem cabeção de Muzambinho: um tal Milton Neves... Mas, o que mais me surpreendeu foi o que veio depois do futebol e antes do Terceiro Tempo, que na época era um noticiário geral, de fim de domingo da emissora. O nome desse programa resumia com absoluta perfeição o que ele era: Show de Rádio. Seus protagonistas: Estevam Sangirardi, Nelson Tatá Alexandre, Carlos Roberto Escova, Odayr Batista e, algum tempo depois, Serginho Leite. Eles personificavam personagens hilários, que representavam, entre outros, cada time grande de São Paulo: o Palmeiras tinha a Nona, o Fumagalli e o cachorro Vardema Fiúme; o Corinthians tinha o Zoca Zifio, o Pai Jaú e a Nega; o São Paulo tinha o Lorde Didu Morumbi e seu mordomo corintiano, sistematicamente assim chamado: - Archibald! Archibáaáaáaáald!; e o Santos tinha dois portuários: o Zé das Docas e o Lança-Chamas, este invariavelmente bebaço e, entre um cochilo e outro, perguntando: - O Santos joga hoje?
Os domingos e quartas-feiras terminavam mais felizes, e eu, ainda menino, tinha a ilusão da eternidade das coisas boas... Até que a Rádio Globo de São Paulo, sucessora da Nacional, resolveu contratar Osmar Santos e, de quebra, levou Faustão, Tatá e Escova, provocando o que foi uma das maiores disputas entre emissoras da época, com direito a editoriais e acusações de assédio.
Osmar Santos, que vivia a dizer para os jogadores mascarados: Desce daí! Desce daí, que você não ta com essa bola toda!, virou o Pai do merchandising, mandando tanto Oi, fulano! Oi, sicrano!; que a torcida já estava gritando gol, quando ele se tocava que tinha um jogo em andamento. Na nova casa foi criado o Largo da Matriz, programa nos moldes do Show de Rádio e, logo em seguida, Faustão, Tatá e Escova começaram a apresentar a primeira versão do caótico Perdidos na Noite, na TV Gazeta, que depois foi para a Band e, mais adiante, o então gordinho (Ô loco, meu!) foi sozinho para perpetrar o Domingão do Faustão, na Globo.
As transmissões esportivas radiofônicas voltaram a ficar resumidas aos jogos, plantões esportivos e programas muito parecidos entre si, cujo diferencial único estava num narrador ou comentarista mais espirituoso.
Ainda bem que existe o Na Geral, da Rádio Bandeirantes, que conta com um gênio Beto Hora. É impressionante como ele consegue interpretar três personagens brigando entre si, ao mesmo tempo! Mudar de um tipo para outro, entre dezenas, sem perder o rumo! E ainda dar opiniões sérias por esses alteregos.
Esse é um dos muitos fascínios do rádio, talvez o maior deles, só comparável à leitura: mexer com nossa imaginação!
Por essas e por outras é que, em suas múltiplas e dinâmicas facetas, o rádio vive em constante processo de reinvenção de si próprio e, quando bem utilizado: informa, entretém, educa e também sabe ouvir.
 
Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor

Feliz da vida



Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br

No Skina 22 eu conversava com “Zorongo” que foi um dos primeiros a rumar para São Paulo na década de 60. Jovens que mal haviam terminado o Tiro de Guerra viraram bancários de uma hora para a outra.
“Morávamos num casarão, o ´Ninho das Águias`, em Moema”, contava Mário “Zorongo” e lembrava-se de uma casinha, parede e meia, onde morava um casalzinho. Aos sábados a moçada não trabalhava e a mulher se exibia, vestindo um shortinho muito curto e cavado que deixava todos alucinados.
“Ela ouvia, ´Que queres tu de mim`, com Altemar Dutra”, lembrava Mário. “Que queres tu de mim/Que fazes junto a mim/Se tudo está perdido, amor”, e ele deixava os boêmios estupefatos enquanto fazia melodrama e dizia que Evaldo Gouveia e Jair Amorim eram gênios.
“Minha mãe me enviou uma carta dizendo que meu pai fora preso pelos milicos. Depois foi inocentado por um coronel em Juiz de Fora, mas já perdera seu emprego público. Foi então que me demitiram do banco”, contava “Zorongo”.
“Voltou para casa?”, perguntei interessado naquela história.
“Zorongo” pediu mais uma caipirinha e mais uma Brahma antes de responder.
“Que nada! A casa caíra de vez. Meu velho saía bem cedinho, com uma pasta de couro na mão, como se fosse trabalhar na sua repartição e sentava-se numa mesa no Bar Pinguim. Bebia cachaça com groselha o dia inteiro e voltava cambaleando. Sua história de vida acabou. Morreu de cirrose”, contava com os olhos cheios d água.
Muito tempo depois Mário “Zorongo” foi para Belo Horizonte procurar trabalho até que encontrou Antonieta, uma morena que não era bonita, mas tinha pernas compridas, lindas. O pai dela era gerente de uma empresa de mineração e arranjou emprego para o genro na mesa de open market de um banco.
“Verdadeiramente só pensava em voltar para cá por que detestava Beagá. Um dia fui para a rodoviária e peguei o primeiro ônibus. Deixei para trás um amor e um bom emprego. Tinha idéias impossíveis de realizar com meu pequeno capital. E ouvia os versos da música cantada por Altemar Dutra: ´Não sei o que pedir/ Se tudo o que desejo é paz/Que culpa tenho eu/ Se tudo se perdeu...”, cantarolava Mário “Zorongo”.
Devorávamos um “Frango à Passarinho” enquanto ele dizia que um dia encontrou em sua casa uma maquina de escrever Olivetti Lettera.
“Naquele momento tive mais do que uma inspiração, uma iluminação! As pequenas cidades não possuíam jornais impressos. Não havia notícias locais. Lembrei-me de um conhecido dono de uma gráfica em Juiz de Fora. Fiz lá o número zero de um jornal modelo e saí vendendo a idéia. Em pouco tempo eram mais de cinqüenta locailidades e eu trabalhava até alta madrugada na redação e depois levava para imprimir”, ele me dizia olhando o movimento das mocinhas que passavam pela rua.
“Não sei o que pedir/ Se tudo o que desejo é paz/ Que culpa tenho eu/ Se tudo se perdeu”, falava Mário “Zorongo’. “De repente cansei de tudo aquilo e viajei para São Paulo. O `Ninho das Águias` tinha sido demolido e em seu lugar ergueram um enorme prédio residencial. A casinha da moça de shortinho também desaparecera. A maior parte dos que haviam imigrado para lá voltara para casa. Todos, menos um, que morrera num incêndio, do Joelma ou do Andraus, não me lembro. Ouvia a música no ar. E eu estava ali e feliz da vida, pois ela é feita de momentos...E tenho uma bela história para contar ao lado de Antonieta, a mulher de lindas pernas”, disse e cochilou por entre copos, maços de cigarros e garrafas vazias...

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