domingo, 24 de novembro de 2024

Produtor de Água Mirim: estudantes plantam mudas de espécies nativas do Cerrado

 

Nesta quinta-feira (21/11), foi realizada mais uma visita de estudantes da rede pública de ensino a propriedades rurais do DF com o objetivo de plantar mudas de espécies nativas do Cerrado. Desta vez, a ação foi realizada no Núcleo Rural Taquara (chácara sr Vital Moraes), em Planaltina (DF). 

Na próxima semana, mais duas visitas estão programadas e encerram essa ação de educação ambiental denominada Produtor de Água Mirim e que foi realizada durante todo o mês de novembro no âmbito dos projetos Produtor de Água no Descoberto e Produtor de Água no Pipiripau. 

Ao final, terão sido plantadas 800 mudas de espécies nativas do Cerrado em propriedades rurais que integram os projetos, reforçando o papel do bioma na preservação dos recursos hídricos. As mudas que estão sendo plantadas nas áreas de preservação e recuperação foram cedidas pela Embrapa Cerrados. 

“Nosso papel vai além da pesquisa em si. Participar desses movimentos de educação e de mobilização junto com os produtores e com as crianças é fundamental para o sucesso de um programa como esse”, afirmou a pesquisadora da Embrapa Cerrados, Fabiana Aquino. 

Ela explica que, no planejamento do processo de recomposição da vegetação nativa, são realizadas atividades de coleta de sementes e de produção de mudas, que são usadas para o plantio nas áreas abrangidas pelo programa. Esse trabalho é executado pela equipe técnica da Embrapa Cerrados e conta com o apoio do viveiro do centro de pesquisa. 

“Como agora temos mudas excedentes, elas são encaminhadas para os parceiros dos programas Produtor de Água do Pipiripau e do Descoberto. Esse recurso tem sido utilizado no programa Produtor de Água Mirim como uma estratégia para educar as crianças sobre a importância da preservação ambiental”, contou. 

Coordenado pela Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento do Distrito Federal (Adasa), o evento envolve a participação de diversas instituições. O Projeto Produtor de Água tem como objetivo principal fortalecer as bacias do Alto Descoberto e do Pipiripau como referência em produção sustentável de água e alimentos, garantindo a segurança hídrica e mantendo a vocação rural da região. 

Os projetos são desenvolvidos no âmbito do Programa Produtor de Água, da Agência Nacional de Águas (ANA). O Programa conta com uma ampla rede de parceiros e usa o conceito de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) como estímulo para que os produtores invistam no cuidado do trato com as águas, recebendo apoio técnico e financeiro para implementação de práticas conservacionistas.

Confira a programação dos próximos plantios de mudas

21/11 – Núcleo Rural Taquara – Chácara Sr. Vital Moraes, Planaltina
26/11 – Bucanhão – Chácara Sr. José Donizete, DF-415
28/11 – Núcleo Rural Taquara – Chácara Biofito, Planaltina

*Com informações da Emater-DF

Diversas hortaliças seguiram movimento de queda em outubro

 Hortaliças como alface, batata, cebola e cenoura apresentaram um movimento de queda de preços ao longo do mês de outubro, na maior parte das centrais de abastecimento pesquisadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Já o tomate teve alta nos preços na média ponderada, informa o 11º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado nesta sexta-feira (22) pela estatal.

Este é o segundo mês consecutivo em que os preços da alface variam de forma diferente nas Ceasas analisadas, sendo que a média ponderada diminuiu em 1,02%, em comparação com a média de setembro. Já o preço da batata vem caindo há quatro meses, desde julho, porém ainda é superior ao de outubro de 2023.

Para a cebola, os preços apresentaram novamente queda significativa. A média ponderada caiu 25,22%, um dos menores patamares dos últimos anos. A oferta abundante fez com que os preços caíssem em todas as Ceasas analisadas. Também houve uma nova queda do preço da cenoura em outubro. Desta vez, a média ponderada caiu 5,17%, em relação à média de setembro.

Na contramão das demais hortaliças, o tomate apresentou uma alta de 17,27% em relação ao mês anterior. Segundo o boletim, o que se observou em outubro foram variações constantes de preço, determinadas pela oferta. Esta, por sua vez, foi influenciada pelo calor, que, em algumas ocasiões, acelerou a maturação e aumentou a oferta; noutras, pelas chuvas, que diminuíram o tempo de maturação, dificultaram ou até mesmo interromperam a colheita em determinados momentos, reduzindo a disponibilidade do produto.

Frutas - Em outubro, o movimento preponderante de preços da banana, do mamão e da melancia foi de queda. A queda na média ponderada ocorreu devido ao aumento da comercialização para a produção de banana prata, por causa do pico de safra e de boas condições climáticas para amadurecimento em diversas regiões. Para a variedade nanica, ocorreu queda da oferta por causa do período de entressafra e de condições climáticas ruins em regiões produtoras paulistas e catarinenses, principalmente. 

No caso do mamão, ocorreu queda de preços em decorrência da elevação da oferta para ambas as variedades, com maior intensidade para a formosa. A melancia, por sua vez, teve queda nas cotações e aumento nas exportações em relação à temporada passada, sendo bastante remuneradoras e com possibilidade de baterem recordes de rentabilidade.

Para a laranja, foi observada mais uma alta nos preços junto à queda da comercialização na maior parte das Ceasas. As exportações brasileiras de suco de laranja registraram queda, devido à redução da oferta da fruta. No caso da maçã, os preços se mantiveram em patamar estável na média.

No acumulado até outubro de 2024, o volume total de frutas nacionais enviadas ao exterior foi de 812,8 mil toneladas, queda de 2,49% em relação ao intervalo janeiro/outubro de 2023, e o faturamento foi de U$S 1,03 bilhão (FOB), superior 5,35% em relação aos dez primeiros meses de 2023 e de 22,7% em relação ao mesmo período de 2022.

Nesta edição, a seção de destaques das ceasas aborda dois temas. O primeiro é o lançamento pelo Governo Federal do Plano Nacional De Abastecimento Alimentar – Alimento no Prato (2025 – 2028). O segundo aborda a visita técnica da Conab e do Ministério de Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) ao Banco de Alimentos Comida Boa da Ceasa Paraná.

Os dados estatísticos do Boletim Prohort da Conab são levantados nas Centrais de Abastecimento localizadas em São Paulo/SP, Belo Horizonte/MG, Rio de Janeiro/RJ, Vitória/ES, São José/SC, Goiânia/GO, Recife/PE, Fortaleza/CE e Rio Branco/AC que, em conjunto, comercializam grande parte dos hortigranjeiros consumidos pela população brasileira. As análises completas podem ser acessadas no 11º Boletim Hortigranjeiro 2024, disponível no Portal da Conab.

Boletim Logístico da Conab aponta variações nos preços de frete e desafios para o escoamento de grãos na safra 2024/25

 O mercado de fretes e a logística de escoamento se destacam como elementos essenciais no atual cenário da agricultura brasileira, especialmente diante do crescimento expressivo da produção de grãos previsto para a safra 2024/25. A estimativa de 322,53 milhões de toneladas de grãos, um aumento de 8,2% em relação à safra anterior, traz desafios adicionais para a infraestrutura de transporte e os processos logísticos do país. A análise consta na nova edição do Boletim Logístico da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado nesta sexta-feira (22).

A melhoria nas condições climáticas tem favorecido o avanço das semeaduras, com destaque para as culturas de soja e milho, mas, para que a produção chegue ao mercado internacional, é crucial um sistema de escoamento eficiente. Nesse sentido, os portos brasileiros desempenham papel fundamental, especialmente os do Arco Norte, que têm se consolidado como uma via vital para exportação. Em outubro de 2024, os portos do Arco Norte responderam por 35,1% das exportações de grãos, superando a participação de 33,9% registrada no mesmo período de 2023.

Com o aumento da produção de soja e milho, as expectativas de escoamento nos próximos meses apontam para um cenário desafiador, com necessidade de otimizar os fretes para atender ao crescimento das exportações. Em outubro, as exportações de soja caíram 22,9% em relação ao mês anterior, um reflexo de flutuações no mercado, mas o acumulado de 2024 manteve-se robusto, com 94,2 milhões de toneladas exportadas de janeiro a outubro. Já as exportações de milho, que enfrentam uma redução de 34,1% nas estimativas para a safra 2023/24, exigem adaptação no transporte, uma vez que a oferta menor pode reduzir a demanda por fretes no curto prazo, mas com aumento da competição por capacidade logística.

A movimentação de fertilizantes, por sua vez, também demanda atenção na logística. Em outubro de 2024, os portos brasileiros importaram 4,9 milhões de toneladas de fertilizantes, o que representa um incremento de 5,9% em relação ao mês anterior. Este crescimento contínuo na importação exige um cuidado especial no transporte desses insumos, visto que o Brasil é um dos maiores compradores internacionais e uma base importante de consumo de fertilizantes.

Por outro lado, o transporte de cargas no Brasil segue enfrentando desafios estruturais. De acordo com o Boletim da Conab, a ampliação das capacidades de escoamento nos portos, especialmente no Arco Norte, é uma estratégia chave para lidar com o aumento do volume de exportações e garantir que os fretes se mantenham competitivos.

Em suma, a logística no setor agropecuário brasileiro se apresenta como um elo crucial para garantir o sucesso das exportações de grãos. A integração entre os diferentes modais de transporte, o aprimoramento da infraestrutura portuária e a adaptação às demandas de escoamento serão decisivos para que o Brasil continue sendo um dos maiores exportadores de commodities agrícolas do mundo.

Fretes – Em outubro de 2024, os preços do frete apresentaram variações significativas entre os estados brasileiros. Os preços subiram em estados como Bahia, Goiás e Minas Gerais e Distrito Federal, principalmente devido ao aumento na demanda, impulsionado pela exportação de grãos e a importação de fertilizantes. Em Goiás, a melhora nos preços do milho também gerou aumento na demanda por fretes. Já em estados como Paraná, Piauí e São Paulo, os preços ficaram mais baratos, com o Paraná registrando uma redução de 16,67% na região de Cascavel, refletindo a baixa demanda por grãos. No Piauí, a diminuição nas exportações de soja resultou em uma queda de 4,10% no mercado de fretes. Por outro lado, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul apresentaram estabilidade nos preços, com pouca variação nas cotações, devido a um equilíbrio entre a demanda e a oferta de fretes.

O Boletim Logístico da Conab é um periódico mensal que coleta dados em dez estados produtores, com análises dos aspectos logísticos do setor agropecuário, posição das exportações dos produtos agrícolas de expressão no Brasil, análise do fluxo de movimentação de cargas e levantamento das principais rotas utilizadas para escoamento da safra. Confira a edição completa do Boletim Logístico - Novembro/2024, disponível no site da Companhia.

Conab divulga novo Boletim de Monitoramento Agrícola

 As condições climáticas favoráveis nas primeiras semanas de novembro impactaram positivamente o cenário agrícola brasileiro. Na região Central do país, precipitações regulares e bem distribuídas criaram um ambiente propício para a semeadura e o desenvolvimento dos cultivos de primeira safra.

O Norte-Nordeste experimentou uma expansão das áreas beneficiadas por chuvas, incluindo regiões do Matopiba que anteriormente enfrentavam déficit hídrico. Esse cenário impulsionou o processo de semeadura na maior parte dessa região.

Em contraste, o Sul do país registrou uma redução nas precipitações, o que facilitou o avanço da colheita do trigo e a semeadura dos cultivos de primeira safra. De modo geral, as condições agroclimáticas se mostraram favoráveis, proporcionando umidade adequada para o desenvolvimento das lavouras.

No Rio Grande do Sul, a semeadura do arroz progrediu significativamente, com a maior parte concluída dentro do período considerado ideal. A maioria das lavouras encontra-se em fase de desenvolvimento vegetativo, beneficiando-se das condições climáticas que favoreceram a germinação e o estabelecimento das plantas. Em Santa Catarina, temperaturas médias e incidência solar adequadas contribuíram para o bom desenvolvimento das culturas.

Estas informações estão presentes no Boletim de Monitoramento Agrícola (BMA), publicado mensalmente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em parceria com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Grupo de Monitoramento Global da Agricultura (Glam). A versão completa do Boletim está disponível para consulta no site oficial da Conab.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

“Fizemos história pelas crianças no G20”, diz adolescente em evento inédito da Save The Children e Plan International Brasil

 



Ynara, 17, foi uma das adolescentes que entregou uma carta de 50 mil crianças a líderes do G20. Painel contou com a presença ministros e autoridades do Brasil e África do Sul e marcou a primeira vez em 25 anos de história do G20 que crianças e adolescentes participaram desse processo de decisão global

Ynara, Julia, Wellington Dias, Rotimy Djossaya, Felipe Hess, Macaé Evaristo, Mongezi Mnguni, Maria Eduarda e Renato Godoy. Crédito: Rafael Oliveira

Rio de Janeiro, 18 de novembro de 2024 - A Cúpula Social do G20 começou na última quinta-feira (14/11), no Rio de Janeiro, e as organizações Save the Children e Plan International Brasil promoveram o “Evento de Alto Nível: G20 e os Direitos de Crianças e Adolescentes”, no Espaço Kobra, no Boulevard Olímpico, Centro do Rio de Janeiro. Pela primeira vez em 25 anos de história do G20, crianças e adolescentes tiveram voz ativa para compartilhar suas preocupações e prioridades diretamente com líderes globais através de uma carta produzida em conjunto com mais de 50 mil jovens de 60 países da América Latina, Caribe, África, Ásia e Europa. Entre os representantes de países do G20, Mongezi Mnguni, Diretor de Desenvolvimento Econômico do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação e Coordenador do G20 para a África do Sul, destacou o evento como um compromisso com o futuro e prometeu levar em consideração todas as questões da carta ao seu país. 


Também estiveram presentes à cerimônia a Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania do Brasil, Macaé Evaristo; o Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias; o diretor de Programas e Advocacia da Plan International Brasil, Flavio Debique; o diretor Executivo de Política Global, Advocacia e Campanhas da Save the Children, Rotimy Djossaya; o gerente de Relações Governamentais do Crianças no G20, Renato Godoya Sherpa do C20 no Brasil, Alessandra Nilo; o sub-Sherpa do G20 no Ministério das Relações Exteriores, Felipe Hess


É a primeira vez que crianças e adolescentes participam de fato desse processo. Testemunhamos um momento histórico. A Save the Children e a Plan International Brasil junto com 20 organizações nacionais e internacionais do grupo Crianças no G20 fizeram esforços para consultar 50 mil crianças de 60 países do mundo sobre suas recomendações para líderes do G20”, afirma Karina Gomes, diretora de Advocacy e Parcerias da Save the Children no Brasil.


As adolescentes Maria Eduarda, 16, participante de projetos da Plan International Brazil; Ynara e Júlia, 17, integrantes da Oficina de Comunicação em Direitos do Centro de Defesa de Crianças e Adolescentes do Rio de Janeiro (CEDECA-RJ), organização parceira da Save the Children, moderaram o evento e representaram as crianças e os adolescentes. “Nós, crianças e adolescentes de várias partes do mundo, apresentamos essa carta para exigir o reconhecimento dos direitos das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e econômica. Suas decisões moldam o presente e o futuro que herdamos, e não podemos aceitar que nossas necessidades e aspirações sejam ignoradas”, afirmou Julia.


Na foto, Maria Eduarda, Ynara e Julia. Crédito: Rafael Oliveira

INSEGURANÇA ALIMENTAR, INJUSTIÇA RACIAL E POBREZA ESTÃO ENTRE AS PRINCIPAIS PREOCUPAÇÕES DOS JOVENS


A carta se divide por temas como ação climática imediata, combate à fome e à pobreza, participação política efetiva, equidade econômica e investimentos justos, além de igualdade de gênero e justiça étnico-racial. Entre as recomendações solicitadas, estão a redução de emissões de gases de efeito estufa e a proteção das florestas a partir do envolvimento das crianças e adolescentes nas decisões climáticas aos níveis local, nacional, regional e global. Em relação à insegurança alimentar, elas reforçaram a criação de políticas que garantem alimentos e assistência para crianças em situação de rua ou deslocadas. “Queremos uma infância em que lutar pela sobrevivência não seja nossa primeira lição de vida. A insegurança alimentar não é uma estatística distante para nós; é uma realidade cruel”, enfatiza Maria Eduarda.


Também são exigidos investimentos em educação e apoio às famílias dos jovens, para que tenham condições e possibilidade de construir um futuro digno, além de combate a estereótipos de gênero, etnia e raça por meio da educação e do apoio econômico de políticas públicas a grupos vulnerabilizados. “Queremos que a infância e a adolescência sejam preservadas em sua plenitude e paz. Esse é o mínimo para construir um presente e um futuro mais justo e um planeta mais sustentável, em que possamos crescer saudáveis e em segurança”, conta Julia.


“AS CRIANÇAS SÃO OS GOVERNANTES DO FUTURO”


Não podemos normalizar a pobreza, a desigualdade e a exclusão social", ressaltou Ministra dos Direitos Humanos e Cidadania do Brasil, Macaé Evaristo“Gostaria de reafirmar a alegria do governo brasileiro em acolher as muitas vozes das crianças de diferentes lugares do mundo nesse momento do G20, que inaugura o G20 Social para trazer ampla participação popular a fim de pensar desafios, soluções e questões do nosso planeta. Ao longo dos últimos 34 anos, o Estatuto da Criança e do Adolescente trouxe avanços significativos. O governo brasileiro assumiu compromisso para pôr fim à violência contra crianças e adolescentes. Na Colômbia, mais de 100 países firmaram compromisso público para enfrentar a violência contra crianças. Estou aqui mais para ouvir do que para falar. Recebi o convite do Save The Children, que atua há mais de um século no direito das crianças, para receber essa carta das crianças, que são os governantes do futuro, que suas solicitações sejam seguidas por quem está no governo do presente para construirmos o planeta do futuro.”


Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome do Brasil, Wellington Dias, que lidera a Aliança Global Contra a Fome, cujo lançamento acontece na Cúpula de Líderes na próxima semana, reforçou sobre seu trabalho de educação integral:


“Temos feito um esforço para trabalhar de forma integrada a educação e a alfabetização. Preocupados com a evasão escolar, lançamos o programa Pé de Meia. Como diz o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não podemos dormir tranquilos sabendo que crianças e adolescentes não conseguem dormir pois não têm um copo de leite ou pão. Eu destaco na lista de prioridades a primeira infância e a alimentação escolar. Queremos melhorar a situação de crianças e adolescentes em todo o Brasil. Contem com o Brasil”. 


AÇÃO REUNIU 50 MIL CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE 60 PAÍSES 


A carta apresentada pelas três adolescentes foi fruto de um trabalho conjunto de mais de 50 mil crianças e adolescentes de 60 países, que participaram de uma consulta global conduzida pela Save the Children e pela Plan International no Brasil, em parceria com Joining Forces, Movimiento Mundial por la Infancia (MMI-LAC) e Crianças no G20. O diretor de Programas e Advocacy da Plan International Brasil, Flavio Debique, refletiu sobre a importância de ouvir os outros países que não estão participando do G20:


“Queremos que esse espaço se mantenha não só na África do Sul ano que vem, mas em todos os espaços. A Plan e a Save the Children junto com a Join Forces e o Movimento Mundial Pela Infância fizeram uma consulta global a mais de 50 mil crianças. É importante lembrar a importância do desenvolvimento sustentável para as futuras gerações, mas é essencial notar que as futuras gerações já nasceram e a humanidade tem uma dívida com essas crianças e adolescentes. Citando Gabriela Mistral ‘para as crianças o futuro é hoje’.  Os países que não estão no G20 também precisam ser ouvidos”.


Também esteve presente na mesa “G20 e o Direito dos Adolescentes” o diretor Executivo de Política Global, Advocacia e Campanhas da Save the Children, Rotimy Djossaya, que compartilhou que todos precisam ouvir mais as crianças e adolescentes e que todos os governos federais, estaduais ou municipais sejam mais transparentes em relação a suas atividades e prioridades direcionadas ao grupo:


“Estou orgulhoso de estar aqui. Gostaria de agradecer a todos por priorizar essa agenda, estamos falando de crianças, adolescentes, presente e futuro. Eles precisam ser ouvidos e têm muito a dizer. E não apenas temos que ouvi-los, mas amplificar suas vozes. Gostaria de parabenizar o Brasil e a África do Sul. O que precisamos para as crianças é assegurar que o governo diga-as o que vem sendo realizado e o que elas veem como prioridade. Se o mundo se transformar em um lugar melhor para crianças e adolescentes será um espaço melhor para todos. Isso representa o que crianças e adolescentes são capazes de fazer se apenas acreditarmos neles.”


MOVIMENTO CRIANÇAS NO G20


gerente de Relações Governamentais do Crianças no G20, Renato Godoy, apresentou o Policy Pack, que apresenta sete grandes eixos de defesa dos direitos das crianças e adolescentes, além de um vídeo que chamava a atenção para o momento presente de colocar as crianças no centro das decisões.


“Gostaria de cumprimentar a Alessandra Nilo [Sherpa do G20 no Brasil] por toda a sua liderança à frente do G20 social. Cabe a nós, organizações e movimentos que defendem os direitos de crianças e adolescentes, garantirmos que a participação delas no G20 seja efetiva. Nosso objetivo não se encerra nem no Rio, nem na África do Sul, mas queremos expandir cada vez mais, com os olhos voltados para o sul global onde estão as crianças em maior vulnerabilidade. Nós procuramos apresentar algumas saídas, como a criação de uma liderança global no G20 para que as crianças sejam prioridade. Criamos sete recomendações em sete grandes eixos pensando também no aspecto ambiental e na hipervulnerabilidade de crianças negras, indígenas e deficientes.”


Junto a eles, Sherpas do G20 no Brasil (representantes dos chefes de Estado e de governo dos países membros do grupo) trouxeram o olhar para o grupo Crianças no G20, como Alessandra Nilo.


“O C20 é um grupo responsável por reunir a sociedade civil organizada que luta pelos direitos. Quando li as recomendações das crianças, fiquei feliz de ver como elas são alinhadas com o que buscamos. O C20 foi formalizado em 2013. Esse grupo de crianças traz um diferencial. É uma fase de formação política e no Brasil estamos perdendo essas crianças para a pobreza e para a cultura de violência. Uma das grandes preocupações do C20 é garantir um espaço seguro para essas crianças que não estão seguras dentro de suas próprias casas. Precisamos pensar em estratégias para esses adultos e estabelecer um ciclo de cuidados que as crianças precisam. Queremos formar crianças para serem cidadãos de direito com pensamento crítico e propositivo. Precisamos construir esse ativismo desde a infância.”


Durante a cerimônia foi exibido um vídeo do vice-presidente do Comitê das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança, Luis Pedernera, que não pôde estar presente no evento e partilhou seu agradecimento por esse espaço protagonizado pelas próprias crianças e adolescentes.


PARCERIA COM A ÁFRICA DO SUL


Representando a África do Sul, o diretor de Desenvolvimento Econômico do Departamento de Relações Internacionais e Cooperação e coordenador do G20 para a África do Sul, Mongezi Mnguni, revelou que levará as recomendações da carta ao país. “Gostaria de aproveitar a oportunidade para saudar os ministros presentes aqui hoje, Wellington Dias e Macaé Evaristo, para discutir quais são as questões mais importantes das crianças. Vejo esse evento como um compromisso com o futuro. Você não pode falar do futuro sem trazer para a conversa crianças e adolescentes. Estamos falando de futuros líderes. A África do Sul vai levar essas questões da carta em consideração, eu garanto. Garantir que o planeta seja sustentável para futuras gerações”. 


sub-Sherpa do G20 no Ministério das Relações Exteriores, Felipe Hees, concluiu:

“É uma honra falar da importância dos direitos das crianças e adolescentes ao lado dos outros participantes. É necessário ouvir pois não existem governos abstratos. Como a ministra [Macaé Evaristo] falou: ‘são os governantes do futuro falando com os de agora’. É um prazer fazer parte do G20 Social que é uma iniciativa pioneira e estou muito contente em saber que a África do Sul vai continuar nessa parceria”



ÍNTEGRA DA CARTA:


“Nós, crianças e adolescentes de várias partes do mundo, apresentamos essa carta para exigir o reconhecimento dos direitos das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social e econômica. Suas decisões moldam o presente e o futuro que herdamos, e não podemos aceitar que nossas necessidades e aspirações sejam ignoradas.

Nossas recomendações a líderes do G20 são claras:


1. Ação climática imediata: O impacto das mudanças climáticas é brutal e presente. Secas, queimadas, inundações e poluição destroem nossa saúde física e mental, ameaçam nosso acesso à água limpa e comprometem nossa alimentação, especialmente em comunidades vulneráveis. Exigimos que o G20 atue com prioridade na redução de emissões de gases de efeito estufa, na proteção das florestas e que nos envolva nas decisões climáticas aos níveis local, nacional, regional e global. Nós sentimos na pele a urgência de agir — vocês também deveriam.


2. Combate à fome e à pobreza: A insegurança alimentar não é uma estatística distante para nós; é uma realidade cruel. Crianças negras, indígenas e de comunidades rurais e as meninas sofrem desproporcionalmente com a falta de alimento e oportunidades de estudo. Exigimos políticas que garantam alimentos e assistência para crianças em situação de rua ou deslocadas. Queremos uma infância em que lutar pela sobrevivência não seja nossa primeira lição de vida.


3. Participação política efetiva: Não toleramos mais sermos ignorados e ignoradas. Participamos de reuniões e discussões, mas nossas propostas são frequentemente desconsideradas. Exigimos espaços reais de formação e participação política, acesso à tecnologia e envolvimento em todas as decisões políticas que nos impactam diretamente, inclusive a nível global.


4. Equidade econômica e investimentos justos: A pobreza e a desigualdade nos impedem de crescer com dignidade e oportunidades iguais. Exigimos investimentos robustos em educação e apoio às nossas famílias, para que possamos construir um futuro digno.


5. Igualdade de gênero e justiça étnico-racial: Meninas, crianças e adolescentes negras e negros, indígenas e de comunidades tradicionais enfrentam violência e exclusão diariamente. A educação deve combater estereótipos, e as políticas públicas precisam apoiar economicamente esses grupos. Não toleraremos desigualdade.


Esperamos que esta carta convoque cada um de vocês para a responsabilidade de agir. Exigimos uma transformação real no sistema educacional, equidade, erradicação da fome e da pobreza, justiça climática e programas de financiamento que priorizem o bem-estar de cada criança e adolescente. Queremos que a infância e a adolescência sejam preservadas em sua plenitude e paz. Esse é o mínimo para construir um presente e um futuro mais justo e um planeta mais sustentável, em que possamos crescer saudáveis e em segurança.


Com a força de nossa voz e a firmeza de nossa esperança,

Crianças e Adolescentes da América Latina, Caribe, África, Ásia e Europa

Lula diz esperar que cúpula do G20 seja marcada pela coragem de agir

 


Vitor Abdala – Repórter da Agência Brasil
Publicado em 18/11/2024 - 12:24
Rio de Janeiro

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, abriu, na manhã desta segunda-feira (18), a cúpula do G20, na cidade do Rio de Janeiro. O brasileiro disse esperar que o encontro seja marcado "pela coragem de agir".

Durante a abertura da cúpula, foi lançada a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma iniciativa do governo brasileiro que busca acelerar os esforços globais para erradicar esses problemas.

Antes mesmo do lançamento, 81 países aderiram à iniciativa, entre eles 18 das 19 nações que compõem o G20. A exceção foi a Argentina. União Europeia e União Africana, os outros dois membros do grupo, também aderiram.

Além dos países e das uniões de nações, 64 organizações internacionais aderiram ao compromisso.

Segundo Lula, a Aliança nasceu no G20 mas seu destino é global. "Colocamos como objetivo central da presidência brasileira no G20 o lançamento de uma Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Esse será nosso maior legado. Não se trata apenas de fazer justiça. Essa é uma condição imprescindível para construir sociedades mais prósperas e um mundo de paz".

O presidente brasileiro afirmou que, com a Aliança, "vamos articular recomendações internacionais, políticas públicas eficazes e fontes de financiamento", disse Lula.

Em seu discurso, Lula ressaltou ainda que a fome e a pobreza não são resultado de escassez nem de fenômenos naturais, mas "produto de decisões políticas que perpetuam a exclusão de grande parte da humanidade".

O presidente destacou a preocupação com o aumento de conflitos internacionais e crises humanitárias. Lula citou os fenômenos climáticos extremos, as desigualdades sociais, raciais e de gênero  e as consequências da pandemia de covid-19, que matou mais de 15 milhões de vidas.

"Estive na primeira reunião de líderes do G20, convocada em Washington no contexto da crise financeira de 2008. Dezesseis anos depois, constato com tristeza que o mundo está pior".


 

 

1º Encontro Brasileiro de Nozes, Castanhas e Frutas secas reforça potencial do mercado nacional

 

A sustentabilidade na Amazônia tem que alcançar sua dimensão social, econômica e cultural. A afirmação foi feita pelo ex-Ministro e redator do Código Florestal do Brasil, Aldo Rebello, durante o 11º Encontro Brasileiro das Nozes, Castanhas e Frutas Secas, promovido pela Associação Brasileira de Nozes e Frutas Secas (ABNC), no dia 11 de novembro, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Para o ex-ministro a preservação da floresta amazônica é encontrar uma forma sustentável de exploração econômica, que concilie a manutenção da floresta e o desenvolvimento humano local.


A preocupação com a sustentabilidade foi a tônica do evento. O diretor do Departamento de Agronegócio da Fiesp, Roberto Bettancourt destacou que “um setor organizado que tenha uma entidade global, ajuda muito. A padronização global, a defesa global ajuda o setor a crescer de forma sólida,”


Ele defende que o governo crie planos de financiamento diferenciados, já que se trata de uma cultura com ciclos de vida mais longos que as tradicionais. “Juntos podemos trabalhar isso, o potencial é enorme. Coloco a Fiesp à disposição para que o setor tenha uma meta ambiciosa e possa crescer em todos os biomas do Brasil.”


O presidente da ABNC, José Eduardo Camargo, falou sobre o trabalho da Associação e ressaltou que as nozes e castanhas são produtos sustentáveis que permitem o uso racional da floresta, são utilizadas como alimento, até de forma fitoterápica e a presença da cadeia produtiva das Nozes é de norte a sul do país.


Camargo destacou os desafios do setor e o trabalho que a ABNC vem desenvolvendo para buscar facilitar a participação do Brasil no mercado internacional. “Estamos trabalhando na mesa de negociações do Ministério da Agricultura, de forma que as nozes e castanhas sejam incluídas no planejamento oficial e não apenas as culturas mais tradicionais.”


Para ele é preciso um sistema de financiamento diferenciado, uma vez que a cultura de nozes e castanhas pode variar de 5 a 15 anos para uma árvore produzir. Associado a tudo isso ainda existem os efeitos climáticos, como enchentes e secas. “Uma cultura de longo prazo não tem como abandonar, não dá para flexibilizar, temos que pensar em um seguro adequado à nossa situação.”


Dentre os desafios para o setor elencou a necessidade de romper barreiras criadas contra as nozes brasileiras em mercados internacionais, como a Coreia, ter estatísticas precisas sobre o setor vindas do IBGE e ter o reconhecimento e remuneração por ser uma atividade que contribuí com créditos de carbono.


Representando a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (FAPESP), Erica Monteiro de Barros afirmou que a união dos produtores auxilia o desenvolvimento da cadeia produtiva e quando se fala em castanhas é impossível não pensar na macadâmia, uma vez que 50% da produção nacional está no estado. 


A diretora de P&D do Grupo BIMBO, Renata Higashi, apresentou as tendências de consumo das nozes e castanhas, bem como analisou a mudança do comportamento do consumidor brasileiro.


Durante o evento ficou claro que categorias premium como queijos especiais (Cruzília), Chocolate bean to bar (Baianí Chocolates), Gelato (San Lorenzo) são exemplos que já estão agregando valor em seus produtos com as nozes e castanhas.


Outra participação de destaque foi do presidente do INC International Nuts Council and Dried Fruit, Michael Waring e sua equipe. Além de apresentarem o cenário das nozes e castanhas no mundo, destacou  a importância do Brasil como mercado e potencial de expansão. Falou também como a geração Z pode ser um referencial de consumo, uma vez que ela vem transformando o mercado de alimentos com tendência para uma alimentação mais saudável e sustentável.


O INC também apresentou sua iniciativa para investir no diálogo com a Geração Z no Brasil, lançando no Spotify a música "Zé Nutinha"

https://open.spotify.com/album/2gmzIOS6ZuXZXt5D5uujIl?si=-XBLUQHURv2h-dAa8XGxUA

 

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