sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Nova Ortografia. Inova?


*Marcilene Bueno

Desde o dia primeiro de janeiro de 2016 não mais coexistem duas normas ortográficas no Brasil. Enfim, a Nova Ortografia, cuja assinatura se deu em 1990, a vigência internacional em 2007 e, pelo decreto da Presidência da República, número 6583, produz seus efeitos no Brasil a partir de primeiro de janeiro de 2009, é a única norma ortográfica a ser respeitada em nossa língua escrita. 

Importante, porém, além de todos os aspectos linguísticos e gramaticais   que já foram amplamente discutidos, é entender em quê essa ortografia é nova, ou melhor, inova e qual a importância de a conhecermos e usarmos.

Pra começar, vamos entender que ortografia – grafia correta – é um conjunto de regras arbitrárias e convencionais, em sua maioria irregulares. Ou seja, poucos princípios se aplicam a todas as palavras. Poucos mesmo. Um bom exemplo das poucas regularidades é que em língua portuguesa nenhuma palavra começa com “rr” e sempre, antes de “p” e  “b”, usamos a letra m para marcar nasalidade. Mas é possível contar nos dedos, de uma mão, outras regularidades como as citadas. O que quero dizer com isso? Que não há uma lógica (intrínseca e inquestionável) no registro escrito da língua portuguesa: há tendências e influências, sobretudo etimológicas.

Aquela desesperada procura de todo falante da língua pela (“lógica”) correspondência entre a sonoridade e a grafia, é uma ilusão tremenda. Não existe correspondência absoluta entre letra e som nem no alfabeto da língua portuguesa e, por consequência, nem nas palavras, frases, textos!! Uma única letra pode representar vários sons – letra “x”: xícara, tóxico, exagero -, um único som pode ser representado por várias letras – som [s]: suave, assalto, acento, discente, criança, expectativa. Por quê? Porque a língua é um organismo vivo e incontrolável cuja evolução tentamos bravamente frear.  Assim, sempre haverá mudanças, novidades, inovações, especialmente, na língua falada. Na escrita, há regras que contribuem para a conservação. Nessa tensão – inovação/conservação – vivemos.

E, ao contrário do que muitos possam pensar, o esforço de conservação do registro escrito de uma língua  não a prejudica, mas a favorece possibilitando que, por um determinado tempo, todos os usuários reconheçam, sem dificuldades, os signos de uma língua. Ou seja, embora na sonoridade haja diferenças, na escrita o registro será sempre o mesmo: porta. Por isso, para textos é fundamental que se dominem as regras de ortografia porque escrita é um espaço onde variações não são admitidas. Não dá pra usar de um jeito no primeiro parágrafo e de outro no último. Ou hoje com um “s”, amanhã com dois “s”; já na fala, variações não causam espanto algum.

Então, mudanças ortográficas como retirada de acentos, ainda que “novas”, não indicam liberdade, continuam sendo regras de conservação. A norma gramatical, como a ortográfica, é instrumento de uniformização. Perdoem-me a rima, mas, mesmo assim, houve inovação?
Sim. Até houve. Dois aspectos inovadores devem ser destacados na nova norma ortográfica: concessões dos anteriormente dois sistemas vigentes – português e brasileiro e admissão do princípio fonético para o registro escrito de algumas palavras. Ou seja, inovação porque há uma tendência para pensar formas de uniformização, ao menos escrita, da língua portuguesa onde quer que seja usada e também em relação à simplificação das regras com a admissibilidade do princípio fonético – escrever de acordo com a sonoridade -, ainda que incipiente, em palavras que, por exemplo, passam a admitir dupla grafia: fêmur e fémur. Porém, nossa ortografia, embora nova, tem pretensão de conservar, não de inovar.

Enfim, ortografia é assunto interessante, complexo e de obrigatório aprendizado para todos os cidadãos que utilizam a língua portuguesa. As novas regras a simplificaram? A prejudicaram? Havia ou não necessidade de mudança? Houve avanço, retrocesso? Tais discussões hoje são inúteis. Fundamental, sem dúvida, é mudar o foco para alcançar o que importa: aprender as regras ortográficas.  E para a aprendizagem, sim, a inovação das estratégias e métodos é absolutamente necessária. Mas esse é um assunto para o nosso próximo artigo.

Sobre a professora Marcilene Bueno

Doutoranda em "Innovation in Engineering Education", na UNESP de Guaratinguetá-SP, mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1996). Professora do Centro Universitário Salesiano de São Paulo, graduação e pós-graduação. É pesquisadora, desde 2013, do Laboratório de Metodologias Inovadoras, no UNISAL, campus Lorena, atuando também na formação de professores e realizando experiências práticas na área de metodologias ativas, especialmente, "peer instruction", "team-based learning" e "writing across the curriculum".

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Gilberto Mendes

Por Nair Lúcia de Britto

Diálogo com professoras

DIÁLOGO COM PROFESSORAS: INVESTIGANDO OS DES/CONHECIMENTOS DOS CONTEÚDOS EXIGIDOS PELA LEI 11.645/2008 NA PERSPECTIVA INDÍGENA
Armelinda Borges da Silva*
Josélia Gomes Neves *

Armelinda Borges da Silva - Formada em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR, Campus de Ji-Paraná. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Educação na Amazônia – GPEA. armelindabs@hotmail.com
Armelinda Borges da Silva – Formada em Licenciatura em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia – UNIR, Campus de Ji-Paraná. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa Educação na Amazônia – GPEA. armelindabs@hotmail.com
Resumo: O texto em tela trata da apresentação de um estudo desenvolvido no ensino fundamental, anos iniciais, em escolas públicas do município de Ji-Paraná, em Rondônia. O objetivo principal foi investigar a prática pedagógica em relação aos conteúdos exigidos pela Lei 11.645/2008, com foco na temática indígena no âmbito do Projeto de Pesquisa: “História e cultura indígena como conteúdos de aprendizagem: como anda a implementação da Lei 11.645/2008 nas escolas públicas da Amazônia?” Esta atividade vinculou-se ao Programa Institucional de Bolsas e Trabalho Voluntário de Iniciação Científica – PIBIC/UNIR/CNPq, ciclo 2013-2014. Dentre os aportes teóricos utilizados destacam-se as contribuições de Teixeira (1995), Neves (2013), Candau (2006) e Hall (2006). A metodologia adotada utilizou a técnica de entrevistas semiestruturadas. Os resultados da pesquisa informam que há pouca experiência em relação à temática indígena, os conhecimentos são empíricos e superficiais, à base do improviso. As principais fontes de informação utilizadas são o livro didático e as pesquisas realizadas na internet. Há necessidade de mais investimento na formação docente referente à Lei 11.645/2008, considerando a pouca experiência observada no trabalho docente, bem como a elaboração de material didático mais qualificado de feição intercultural.

Embrapa Cerrados firma parceria com empresa angolana para desenvolver tecnologias voltadas à produção de alimentos

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