quinta-feira, 17 de maio de 2012

Comissão da Verdade começa investigação de violações aos direitos humanos de 1946 a 1988

Integrantes terão dois anos para concluir o trabalho 

A Comissão da Verdade tomou posse nessa quarta-feira (16), no Palácio do Planalto. Composta por sete integrantes, a comissão vai apurar nos próximos dois anos violações aos direitos humanos, entre 1946 e 1988. Os integrantes não terão a função de punir e deverão observar a Lei da Anistia, de 1979.
Escolhido para falar em nome de seus seis colegas, o advogado criminalista e ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, destacou o empenho de três gestões de governo na concretização da Comissão da Verdade. “É preciso revelar a história para mostrar o que foi escondido e, assim, garantir aos brasileiros seus direitos com base na democracia”, afirmou. “Não seremos os donos da verdade, mas seus perseguidores obstinados”.
Em seu discurso, a presidenta Dilma Rousseff falou da importância da presença de ex-chefes de Estado brasileiros na cerimônia. “Me honra estar acompanhada dos presidentes que me precederam nesses 28 anos de regime democrático”. A presidenta afirmou também que o País reconhecerá o trabalho do grupo pelo espírito democrático e pela rejeição a gestos de revanchismo.
Investigação - A comissão poderá atuar de forma articulada e integrada com os demais órgãos públicos, especialmente com o Arquivo Nacional e as comissões Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e a de Anistia. A lei que instituiu a Comissão foi sancionada em 18 de novembro passado, junto com a Lei de Acesso à Informação.
O projeto de lei que cria a Comissão da Verdade fora enviado ao Congresso Nacional pelo poder Executivo em maio de 2010. Em setembro de 2011, o projeto foi aprovado na Câmara dos Deputados, e, em 26 de outubro, no Senado Federal. No dia 10 de maio de 2012, a presidenta assinou o decreto que designa os membros da comissão.
A presidenta, em seu discurso, explicou que a escolha dos nomes dos membros da Comissão foi objetiva, a partir da biografia de cada um. “Escolhi um grupo plural de cidadãos, de cidadãs, de reconhecida sabedoria e competência. Sensatos, ponderados, preocupados com a justiça e o equilíbrio e, acima de tudo, capazes de entender a dimensão do trabalho que vão executar”, disse a presidenta Dilma Rousseff.
Na mesma cerimônia, a presidenta assinou o decreto que regulamenta a Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor na quarta-feira (16). A nova norma garante a ampliação do acesso do cidadão à prestação de contas públicas e possibilita o monitoramento sistemático da execução e resultados das políticas públicas.

Para saber mais sobre a Lei de Acesso à Informação
O cidadão pode obter na internet um panorama da Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor nessa quarta-feira (16). As informações estão disponíveis em www.acessoainformacao.gov.br

terça-feira, 15 de maio de 2012

Artista plástico Samson Flexor: Atêlie-Abstração sob suspeita de demolição


artista plástico da Unesp em São Paulo, Percival Tirapelli, comenta aimportância do Ateliê-Abstração e de Samsor Flexor para a cultura brasileira.

IV Prêmio "Carrano" de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos


8 de maio é o dia Nacional da Luta Antimanicomial e no dia 27 de maio completam-se quatro anos da morte de um dos maiores militantes da Luta Antimanicomial: Austregésilo Carrano Bueno, dramaturgo e escritor, que lutou até o fim de sua vida pelo fim dos manicômios no Brasil. Carrano – como Nise de Silveira - se destacou na Luta Antimanicomial. Eleito representante dos usuários em congresso na cidade de Xerém-RJ, atuou muitos anos na Comissão Nacional de Reforma Psiquiátrica do Ministério da Saúde, chegando a receber, em 2003, uma homenagem das mãos do presidente da república Luís Inácio Lula da Silva, por seu empenho e total envolvimento, na Reforma Psiquiátrica. Além das torturas e sessões de eletrochoque sofridas nos tempos em que foi isolado do convívio social e confinado “em chiqueiros psiquiátricos”, como dizia, Carrano sofreu vários processos judiciais por sua militância, principalmente por parte dos familiares dos médicos responsáveis pelos “tratamentos” recebidos nas passagens pelos locais onde esteve internado, por quase três anos. Após o confinamento escreveu o seu drama no livro “Canto dos Malditos” que originou o filme “Bicho de sete cabeças”, de 2001, o primeiro longa-metragem dirigido por Lais Bodanzky, que revelou o jovem ator Rodrigo Santoro e se tornou o filme mais premiado do cinema brasileiro. A repercussão da obra no cinema e o livro intensificaram uma revolucionária mudança na Reforma Psiquiátrica no Brasil. Carrano nunca desistiu de seus ideais e sonhos por uma sociedade mais humana que trata a todos sem diferenças, continuou militando até seus últimos dias no Movimento da Luta antimanicomial, mesmo com a saúde debilitada e condições financeiras precárias - morreu condenado a pagar 60 mil reais para os médicos do qual foi “cobaia humana”, recebendo 21 eletrochoques e outras violências - sobre isso ele falava: "Estou condenado a indenizar as famílias dos torturadores dos quais fui vítima", mesmo nessas condições, no dia 18 de maio de 2008, participou do Dia Nacional de Luta Antimanicomial, Belo Horizonte, vindo a falecer nove dias depois.
 
O Prêmio é um movimento para que a sua voz não se cale e seu nome continue vivo não só no Movimento de Luta Antimanicomial, como nos direitos da humanidade em geral, criado em 2009, o Prêmio CARRANO de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos tem como objetivo dar continuidade a sua luta por uma mudança nas condições de tratamento de pessoas em sofrimento mental, fazendo valer a Lei nº 10.216/2001 da reforma Psiquiátrica no Brasil, da qual Carrano foi um dos defensores e críticos. O troféu é entregue anualmente a 13 pessoas e instituições, que com sua arte, ações e atitudes contribuem com os dois temas do prêmio, que manifestam e denunciam sua indignação com quaisquer violações dos Direitos Humanos, especialmente no que se refere às pessoas nas condições de sofrimento mental. Em 2009 criamos o coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura, que tem o papel da organização do Prêmio. O coletivo é formado por Edson Lima coordenador do projeto O Autor na Praça, Erton Moraes escritor, compositor e músico do Movimento TrokaosLixo, Lobão, integrante do Movimento 1daSul e Sarau do Cooperifa, agitador e grande amigo de Carrano, o educador Adriano “Mogli” Vieira, a escritora e produtora Paloma Kliss do projeto Literatura Nômade, a psicóloga Patrícia Villas-Bôas, a poeta Tula Pilar, o músico e compositor Léo Dumont e  outros amigos de Carrano. Trata-se de um grupo aberto a pessoas e instituições interessadas em participar e colaborar com esta iniciativa.

A entrega do IV Prêmio Carrano será no dia 19 de maio, sábado, na semana do dia nacional de Luta Antimanicomial (18/05), próximo à data de nascimento de Austregésilo Carrano Bueno: 15 de maio de 1957. Os convidados para receber o prêmio este ano são: Ana Elisa Silveira, Associação Capão Cidadão, Beto de Jesus, Cia de Artes Balú, Carlos Giannazi, CRP-SP, Elke Maravilha, Givanildo Manoel da Silva “Giva”, José Roberto Aguilar, Leci Brandão, Luiza Erundina, Mães de Maio e Multirão Cultural da Quebrada. Além da entrega do prêmio faremos uma homenagem ao escritor Lima Barreto com exibição de documentário, leituras, apresentações musicais e performances com a participação do músico e compositor Léo Dumont, o poeta e bailarino Ricardo Carneiro e Silva, o artista plástico D’Ollynda e outros convidados. Estarão disponíveis os dois últimos livros publicados por Carrano em parceria com o selo editorial O Autor na Praça com textos de teatro: “Canto dos Malditos” e “O Sapatão e a Travesti”. Veja mais informações sobre Carrano e os convidados abaixo.

Vídeo com o Senador Eduardo Suplicy sobre o Prêmio em 2010:

Serviço:
IV Prêmio Carrano de Luta Antimanicomial e Direitos Humanos
Data: dia 19 de maio de 2012, sábado, a partir das 19h – Entrada Franca.
Local: Auditório da Biblioteca Pública Alceu Amoroso Lima.
Av. Henrique Schaumann, 777 (Esq. Rua Cardeal Arcoverde) - Pinheiros – SP – Tel. 3082 5023
Realização: coletivo Gato Seco – Nos telhados da Loucura
Apoio: O Autor na Praça, Movimento Trokaoslixo, Fórum Paulista de Luta Antimanicomial, Movimento Nacional de Luta Antimanicomial, Grupo Tortura Nunca Mais, AEUSP – Associação dos Educadores da USP, CRP-SP Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, O Cantinho Português, Max Design, Enlace Média,Artver, Prefeitura do Município de São Paulo / Departamento de Bibliotecas e outras entidades e instituições ligadas ao tema.
 
Informações sobre os premiados deste ano:
  1. Ana Elisa Siqueira - Educadora e diretora da Revolucionária escola EMEF Amorim Lima no bairro do Butantã em São Paulo. Uma Mulher lutadora incansável, Ana Elisa Siqueira é assim, uma louca apaixonada pela educação pública. Emociona-se todas as vezes que fala do projeto inspirado na Escola da Ponte, desenvolvido na EMEF Desembargador Amorim Lima, localizada na zona oeste de São Paulo: “Em primeiro lugar não foi eu quem trouxe, não é uma coisa minha, foi uma conquista que a escola teve. Foi a comunidade - que inclui os pais, os educadores e a equipe técnica. Foi um conjunto de pessoas que conseguiu. A gente se inspirou na Escola da Ponte e a partir daí estamos construindo uma educação para essa escola. Que tenha outra cara, outro jeito. Uma educação que a gente acredita. Uma dessas crenças é pensar que as crianças possam ser donas do seu processo de aprendizagem. Podem saber como aprendem. Saber como a gente aprende é um passo na nossa própria autonomia. Quando a gente aprende como a gente aprende, a gente aprende como a gente é. A gente aprende o que a gente pode e o que a gente não pode. O que a gente é bom e o que a gente não é. Onde a gente precisa de ajuda e onde não precisa. Então isso dá uma outra consciência de si próprio. Eu penso que isso é fundamental e foi uma das coisas que mais me encantou na Escola da Ponte. Outra coisa que me encantou profundamente é o fato de ser Pública. Por exemplo: Todas as pessoas da Escola da Ponte sabem o que vão aprender do primeiro ano até o último que estão lá. Isso é de fato um trabalho cidadão”. Há mais de 20 anos na rede municipal de ensino, a pedagoga e mãe (também quase filósofa), claro, rodeada de uma equipe de pessoas especiais, exerce a profissão por uma escola pública, sem paredes, de qualidade e cidadã, com muito compromisso e crença: “Eu acho que não dá para fazer nada em educação se você não tiver fé!” Saiba mais aqui.
  2. Associação Capão Cidadão - No ano 2000, iniciamos um movimento chamado: "Não a violência, Eu quero lazer!", com ações cujo objetivo era combater a violência com atividades culturais e educativas, essas ações aconteciam na comunidade do Capão Redondo, mais especificamente no Parque Santo Dias, na zona sul da cidade de São Paulo. O movimento foi tomando proporções maiores a cada ano, e mais e mais pessoas da comunidade foram se beneficiando com esta nova proposta que envolvia a diversidade cultural e étnica tão presente nesta região, Com a continuidade do movimento, percebemos que as demandas da comunidade em relação às crianças e adolescentes, sobretudo, a falta de espaços adequados de cultura e lazer e, eram muitas, e que as atividades para este público deveriam ser mais sistemáticas, havendo a necessidade de se ter um local fixo para este fim, nasceu assim, a Associação Capão Cidadão, atuando no Jardim Valquíria, atendendo a comunidade com atividades culturais como dança, teatro, música, educação e esporte. Atualmente, a organização atende uma média de 226 rianças e adolescentes .(www.capaocidadao.com.br).
  3. Beto de Jesus - Secretario para América Latina e Caribe da ILGA - International Lesbian and Gay Assotiacion; membro da Executiva da ABGLT - Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, travestis e Transexuais e do IEN - Instituto Edson Neris. É Consultor em Educação para organismos Governamentais e não-Governamentais. Colaborou com a publicação "Gênero e Diversidade Sexual na Escola: reconhecer diferenças e superar preconceitos" do Ministério de Educação do Brasil, bem como na elaboração do tema transversal "Gênero, Identidade de Gênero e Orientação Sexual" para os Parâmetros Curriculares do Ensino Médio, também do Ministério de Educação. É co-autor do livro: "Diversidade Sexual na Escola: uma metodologia de trabalho com adolescentes e jovens".
  4. Carlos Giannazzi - Deputado Estadual pelo PSOL. Sempre atuou na defesa do magistério, da educação pública, gratuita e de qualidade, da cidadania ativa e crítica, do fortalecimento dos movimentos sociais. Coordena as Frentes Parlamentares em defesa da escola pública, dos músicos contra a OMB, contra os pedágios e da diversidade sexual. É autor dos requerimentos de instalação das CPIs da Educação, da Segurança Pública, do Judiciário e do DPME. Giannazi está preparando um dossiê para ser entregue ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), pedindo uma profunda investigação nos atos da juíza da 6.a vara de S. J. dos Campos, Márcia Faria M. Loureiro e da presidência do Tribunal de Justiça que avalizou a decisão de retirar mais de 6000 moradores do bairro do Pinheirinho, causando uma grande tragédia humanitária que afrontou e violou a dignidade da pessoa humana e os direitos humanos elementares, inclusive de crianças, mulheres grávidas e idosos. (www.carlosgiannazi.com.br).
  5. Cia. de Artes Balú - Nasceu do Movimento Popular "Mão pra Bolo e Cia" em Carapicuíba no ano de 1999, fruto desta organização e eventos socioculturais na periferia da cidade, a companhia manteve o objetivo de disseminar as artes e levar cultura em locais de pouco acesso para atingir público em situação de vulnerabilidade. Fundada pela atriz circense Fabiana Mina a companhia integra artes cênicas, música, dança, arte circense, artes visuais e artes plásticas na execução de seus eventos, saraus, peças teatrais e intervenções artísticas, o trabalho tem como objetivo principal levar arte, cultura e conhecimento especialmente para população de baixa renda e jovens que se encontram em situação de vulnerabilidade, atuando como agente transformador do caráter sócio-cultural do indivíduo na cidade de Carapicuiba-SP e região. (http://www.ciadeartesbalu.org).
  6. CRP-SP Conselho Regional de Psicologia de São Paulo - instituição criadora do Prêmio Artur Bispo do Rosário. (www.crpsp.org.br).
  7. Elke Maravilha - Dra. Nise da Silveira, criadora do Museu de Imagens do Inconsciente, afirmava que Elke é uma Sacerdotisa Dionisíaca, e que, como tal, ilumina caminhos e aquece corações. Já na década de 1960 despontou como símbolo de transgressão e liberação. Visionária como só os que assumem seu delírio, intuiu o movimento holístico e vem exercendo-o tanto em suas relações pessoais como em sua comunicação com o mundo. Elke Maravilha é uma obra de arte em constante metamorfose e como artista vem trilhando o melhor dos caminhos da arte: Ela apostou e aposta no sonho possível. Artista reconhecida da TV, cinema, teatro, música e ativa militante das questões antimanicomiais e direitos humanos
  8. Givanildo Manoel da Silva - Giva, Militante do Tribunal Popular, batalhador pelas questões carcerárias, indígenas e tantas formas de injustiças sociais, como o caso da violência policial e do poder público no “Pinheirinho” em 2012. Atua na Coordenação de Grupos, organização de estrutura de entidades, trabalho com jovens, desenvolvimento de projetos, formação de Conselheiros dos Direitos da Criança e do Adolescente, Tutelar, Educadores e profissionais diversos que trabalham com criança e adolescente, especialista em políticas publicas para criança e adolescente.
  9. José Roberto Aguilar – Artista multimídia. Nasceu em São Paulo em 1941. Em 1958 já participava da vida cultural brasileira através do movimento Kaos, manifestação vanguardista de Jorge Mautner, que incluía sessões de poesia, literatura e performances. Em 1961, realiza sua primeira exposição. Em 1963, é selecionado para a Bienal Internacional de São Paulo. Em 1965, junto com outros artistas nacionais e internacionais, entre eles Hélio Oiticica com os parangolés, participa da famosa Mostra Opinião – 65, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Em 1967, recebe o Prêmio Itamaraty na Bienal de São Paulo, onde volta a expor em 1969.
  10. Leci Brandão – Nascida em Madureira, criada em Vila Isabel e cidadã paulistana, Leci Brandão foi a primeira mulher a fazer parte da ala de compositores da Mangueira. Em 1975 gravou o primeiro LP e recebeu inúmeros prêmios de crítica. De lá até aqui foram 23 discos e várias compilações em 37 anos de carreira. Durante cinco anos Leci ficou sem gravar por não abrir mão de suas opiniões. As gravadoras não aceitavam suas canções marcadas pela crítica social. Ela cantou a defesa das minorias, todas elas. Era convidada para cantar em todos os eventos afinados com sindicalistas, estudantes, índios, prostitutas, gays, partidos de esquerda, movimentos de mulheres e principalmente o Movimento Negro. Foi membro do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial e do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Entre 2002 e 2010 foi comentarista dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e de São Paulo pela TV Globo. Em 2010 foi eleita Deputada Estadual de São Paulo pelo Partido Comunista do Brasil e se tornou a segunda mulher negra a ocupar uma cadeira no parlamento paulista. Como parlamentar, continua fiel às causas que sempre considera importantes e pelas quais vêm se dedicando ao longo da vida: igualdade racial, religiões de matrizes africanas, populações negras e indígenas, juventude, mulheres, segmento LGBTT e cidadania. No carnaval de 2012 foi homenageada pela escola de samba Acadêmicos do Tatuapé, de SP. (www.lecibrandao.com.br).  
  11. Mães de Maio - É uma rede de Mães, Familiares e Amigos de vítimas da violência do Estado Brasileiro (principalmente da Polícia), formado aqui no estado de São Paulo a partir dos famigerados Crimes de Maio de 2006. Foi a partir da Dor e do Luto gerado pela perda de nossos filhos, familiares e amigos que nos encontramos, nos reunimos e passamos a caminhar juntas. “Nossa missão é lutar pela Verdade, pela Memória e por Justiça para todas as vítimas da violência contra a população Pobre, Negra, Indígena e contra os Movimentos Sociais brasileiros, de Ontem e de Hoje. Verdade e Justiça não apenas para os mortos e desaparecidos dos Crimes de Maio de 2006 ou dos Crimes de Abril de 2010, mas para todas as vítimas do massacre contínuo que o estado pratica historicamente no país. Nosso objetivo maior é construir, na Prática e na Luta, uma sociedade realmente Justa e Livre.” (www.maesdemaio.blogspot.com.br).
  12. Marcos Garcia - Professor da UFSCar do campus Sorocaba, doutor em Psicologia Social e pesquisador comprometido com a temática da exclusão social em suas várias formas. Em 2011 desenvolveu uma pesquisa em conjunto com integrantes do FLAMAS (Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba) que mostrou que nos últimos 8 anos ocorreram 863 mortes nos manicômios da região de Sorocaba, maior pólo manicomial do Brasil, muitas delas de pessoas jovens e por causas evitáveis ou mal-esclarecidas. As fiscalizações e auditorias provocadas pela pesquisa mostraram um cenário de inúmeras violações de direitos humanos no interior destes manicômios e reascenderam o debate sobre a necessidade da reforma psiquiátrica antimanicomial avançar por regiões que ainda funcionam sob a lógica da exclusão dos pacientes do convívio social e sobre os riscos de se reproduzir o mesmo modelo de encarceramento e violação de direitos humanos no cuidado com os usuários de drogas. Dados sobre a pesquisa realizada e sobre a tentativa de intimidação dos donos dos manicômios, que abriram um processo judicial contra o professor Marcos por sua divulgação, podem ser vistos em www.liberdadepesquisa.blogspot.com.
  13. Multirão Cultural na Quebrada – No ano de 2006 inicia-se a pré-produção comunitária na Vila Menck, na cidade de Osasco-SP. Após articulação da população no ano de 2009, surge este movimento, em parceria com outros coletivos, criando uma rede com atividades diferenciadas. Em 2011 com toda a rede articulada conseguiram desenvolver o maior evento cultural da periferia do estado de São Paulo. Em 2012 com uma estrutura mais profissionalizada atingiram um público recorde, pessoas de várias regiões de São Paulo e outros estados. (mutiraoculturalnaquebrada.blogspot.com.br).  
Já receberam o Prêmio Carrano em anos anteriores: Allan da RosaCarlos Costa “Carlão”, Carlos Eduardo Ferreira (Maicon)Casa do SaciClara Charf, Dom Paulo Evaristo Arns, Gegê, Grife Dasdoida, Grupo Tortura Nunca Mais, José Ibrahim, Laís Bodanzky, Luciano SantosMagrão (Amigo de Carrano),Marcos AbranchesMaria Amélia Teles “Amélinha”, Paulo AmarantePaulo César Sampaio, Raquel Trindade, Revista Ocas, Sebastião NicomedesSenador Eduardo Suplicy, Sonia Rainho, Tia Dag (Casa do Zezinho), Toninho Rodrigues, Xico SáZ’África Brasil

Pequena biografia de AUSTREGÉSILO CARRANO BUENO - Curitibano, escritor, ator, dramaturgo. Autor de dois livros editados: “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de Sete Cabeças” e “Textos – Teatro – Seis peças para Teatro”. O texto para teatro de sua autoria “SOS Mãe natureza”, premiado na ECO-92, foi adaptado para livro infanto-juvenil, com titulo provisório: “SOS... Os Senhores Mesquinhos estão devorando a Mãe Natureza” que não foi publicado ainda, embora Carrano tenha batido a portas de algumas editoras. Em parceria com o selo O Autor na Praça, publicou em 2007, dois livros de textos para Teatro: Canto dos Malditos e O Sapatão e a Travesti, com a renda da venda desses livros esperava publicar de forma independente uma nova edição de “Cantos dos Malditos” e seu novo romance “Filhas da Noite”, ainda não publicado.

Carrano foi Ativista do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, Membro da Comissão Intersetorial de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Representante dos Usuários no Conselho Nacional de Reforma Psiquiátrica (Eleito no Encontro Nacional dos Usuários e Familiares em Xerém, RJ), Defensor Ferrenho das Indenizações as Vítimas do Holocausto Psiquiátrico Brasileiro. Homenageado pelo Ministério da Saúde
O livro “Canto dos Malditos” deu origem ao filme mais premiado da história da cinematografia brasileira: “Bicho de Sete Cabeças”, dirigido por Laís Bodanzky, recebeu 45 prêmios nacionais e 08 prêmios internacionais, ao todo são 53 prêmios conquistados. O trabalho de Carrano foi reconhecido nacional e internacionalmente, envolvendo a questão da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Como ele exigia e defendia: “Temos que ter uma nova visão e maneira de tratarmos, sem preconceitos, respeitando seus direitos de cidadão, e aceitando o diferente que se encontra em sofrimento mental. Um basta definitivo no confinamento, sedação e experiências com cobaias humanas. Confinar não é tratar, é Torturar, portanto, são crimes psiquiátricos que devem ser cobrado responsabilidades e serem pagas indenizações as Vítimas”.

“(...) Ainda espero ser indenizado pelas torturas psiquiátricas sofridas, pela minha condenação aos preconceitos sociais, danos físicos, emocionais, morais, danos na minha formação profissional, danos financeiros, destruição de minha adolescência. E esses meus direitos de cidadão serão cobrado até o fim dos meus dias. Se não conseguir em vida, algum dos meus filhos ficará com essa incumbência. Justiça plena e total é o que exijo, e mesmo depois de morto continuarei a exigir. Não só para mim, exijo essas indenizações para todas as vítimas do holocausto da psiquiatria brasileira, não desistirei por nada nem que leve o resto da minha vida” (Texto de Carrano no posfácio da última edição do livro Canto dos Malditos).

Vejam depoimentos do Carrano:
http://www.youtube.com/watch?v=22Ai29O1qIo&feature=related Neste depoimento Carano faz a leitura de seu poema “Sequelas... e... Sequelas” de abertura do livro “Canto dos Malditos”, que originou o filme “Bicho de sete cabeças” (o texto do poema está ao final deste release).

SINOPSE do livro Canto dos Malditos - História real do período que o autor passou confinado por três anos e meio em instituições psiquiátricas do Paraná e Rio de Janeiro, dos 17 até 21 anos. Sofrendo torturas, e as mazelas de um sistema manicomial brasileiro arcaico, confinador, estigmatizante, e que chamam de “tratamento psiquiátrico”. Sobreviveu a 21 aplicações de Eletroconvulsoterapia; choques numa voltagem de 180 a 460 volts aplicados nas temporas. O livro foi escrito não com a intenção de denegrir a imagem de médico psiquiatra algum, e sim é um relato fiel a que são submetidos os pacientes psiquiátricos dentro dos manicômios.

Homenageado pelo Presidente da República Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 28 de maio de 2003, pelo seu empenho na Reforma Psiquiátrica, que está sendo construída em todo o Brasil; Porém, todo esse empenho e reconhecimento, têm-lhe cobrado um grande preço, na sua terra natal. Em Curitiba, um Lobby de Psiquiatras, contrários às ideologias de Carrano, e do Movimento Nacional da Luta Antimanicomial, são eles, opositores ferrenhos a Reforma Psiquiátrica no Brasil. Esses Empresários da Loucura, donos e associados dos hospitais psiquiátricos, fizeram perseguições indecentes, constantes e aviltantes, lançou a 1ª edição do livro em 1990, pela Scientia et Labor, Editora da Universidade Federal do Paraná. Dias após o lançamento, o livro foi retirado das livrarias a mando desse Lobby de Psiquiatras. Só voltando a ser publicado em 1991, pela Editora Lemos, de São Paulo, Carrano comprava a edição e a vendia em seminários, palestras, feiras culturais, entre elas uma em um Shopping da cidade, por onde chegou as mãos da diretora do filme Laís Bodanszky. Chegou a publicar e bancar sete edições do livro sem ser vendido em livrarias.

Em 13 de maio de 1998, Carrano entrou com a “1ª Ação Indenizatória” por erro, tortura e crime psiquiátrico no histórico forense brasileiro. Até sua morte em maio 2008, uma de suas rotinas foi responder a processos jurídicos de todos os tipos, até um processo que exige que ele se calasse, proibindo-o de falar de sua experiência dentro dos chiqueiros psiquiátricos que foi torturado. As Perseguições judiciais que recebia, eram repudiadas pela sociedade brasileira, causando indignação em ongs nacionais e internacionais de Direitos Humanos. O livro “Canto dos Malditos” foi cassado, retirado novamente das livrarias e proibido em todo o território nacional, em abril de 2002. Da primeira Ação Indenizatória por erro, tortura e crime psiquiátrico no Brasil, de vítima virou réu, em maio de 1999 foi condenado a pagar R$ 60.000.00 aos donos dos “Chiqueiros Psiquiátricos” do qual foi vítima. Entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal em Brasília. Em novembro de 2003 foi condenado novamente a pagar mais R$ 12.000.00 em vinte e quatro horas, por citar os nomes dos hospícios e dos médicos na imprensa, por estas citações chegou a receber ameaças de morte. Na sentença desse processo seu direito de livre expressão foi cassado, foi proibido de falar o nome de seus torturadores em público, com uma multa de R$ 50.000.00 a cada desobediência jurídica.  Julgado pelo Judiciário Paranaense, de Vítima da Tortura Psiquiátrica se tornou Réu por denunciar, exigir mudanças radicais, indenizações, cobrança de responsabilidades dos profissionais dessa falsa psiquiatria que confina, droga e mata pessoas em suas casas de extermínios, os “chiqueiros psiquiátricos” brasileiros. Pagou o preço por enfrentar essa Máfia do Inconsciente, donos exclusivos e ditadores do “Saber Psiquiátrico!”.

Tentaram o calar a todo custo. Foi sem dúvidas um artista, revolucionário, guerreiro da Luta Antimanicomial e dos Direitos Humanos e um dos mais batalhadores por estas causa no Brasil. Conseguiu, bancando sozinho o trabalho de seu advogado na liberação do seu livro “Canto dos Malditos”, depois de dois anos e meio cassado e retirado de todas as livrarias brasileiras, não contou com nenhum apoio da editora da época. “Canto dos Malditos” foi dos poucos livros proibidos depois do fim da Ditadura Militar.  Voltou às livrarias em setembro de 2004, com um posfácio mais picante, denunciando os crimes psiquiátricos e também as fortunas psiquiátricas ilícitas. Cobrando, exigindo “Indenizações” imediatas às Vítimas do Holocausto Psiquiátrico Brasileiro... “A Luta pelos Direitos Sociais de nós ‘Vítimas Psiquiátricas’, está apenas começando, agora que a cobra vai fumar!” dizia Carrano.

 Sequelas... e ... Sequelas

Seqüelas não acabam com o tempo. Amenizam. Quando passam em minha mente as horas de espera, sinceramente, tenho dó de mim. Nó na garganta, choro estagnado, revolta acompanhada de longo suspiro.

Ainda hoje, anos depois, a espera é por demais agonizante. Horas, minutos, segundos são eternidade martirizantes. Não começam hoje, adormeceram há muito tempo, a muito custo... comigo. Esta espera, Oh Deus! É como nunca pagar o pecado original. É ser condenado a morte várias vezes.

Quem disse que só se morre uma vez?

Sentidos se misturam, batidas cardíacas invadem a audição. Aspirada à respiração não é... É introchada. Os nervos já não tremem... dão solavancos. A espera está acabando. Ouço barulho de rodinhas. A todo custo, quero entrar na parede. Esconder-me, fazer parte do cimento do quarto. Olhos na abertura da porta... rodam a fechadura. Já não sei quem e o que sou. Acuado, tento fuga alucinante. Agarrado, imobilizado... Escuto parte de meu gemido.

Quem disse que só se morre uma vez?

(Austregésilo Carrano Bueno – Poema das quatro horas de espera para ser eletrocutado – aplicação da eletroconvulsoterapia). Veja vídeo do Carrano declamando o poema:

Declamação no Oswald destaca a poesia modernista


 Na foto à direita, o Concurso de Declamação 2011.

No ano em que completa 35 anos, o Colégio Oswald de Andrade, com três unidades em São Paulo – no Alto da Lapa, Alto de Pinheiros e Vila Madalena – transformou um de seus mais tradicionais eventos em uma homenagem ao Modernismo. O Concurso de Declamação, que sempre mobiliza toda a comunidade oswaldiana, este ano terá como tema central a revolução estética desencadeada por Oswald e Mário de Andrade e dezenas de outros artistas. “Além dos 35 anos do Colégio, em 2012 a Semana Modernista, em que Oswald de Andrade teve papel muito importante, completa 90 anos. Por isso resolvemos restringir a escolha dos poemas a um período específico”, explica Sandra Cutar, coordenadora Cultural do Oswald. Haverá 35 participantes, entre alunos do Ensino Fundamental II, Ensino Médio, ex-alunos, funcionários e pais de alunos. “O Concurso de Declamação acontece anualmente e tem como objetivo estimular nos alunos a leitura e o gosto pela poesia e a literatura em geral”, ressalta Sandra. O evento acontece no dia 19 de maio, a partir das 16h, no Teatro do Oswald, que fica na Rua Cerro Corá, 2.375, Alto da Lapa, em São Paulo.

Na foto à esquerda, o Concurso de Declamação 2011.
Para escolher o vencedor, os jurados analisam a expressão vocal (dicção, intensidade e impostação de voz), a expressão corporal (movimentação no palco e postura), a interpretação (adequação entre poema e resolução cênica) e a pronúncia, para declamação em língua estrangeira. Os professores de Teatro e Artes Visuais também estão envolvidos no processo de ensaio dos alunos, além dos responsáveis pelo ensino de Português e de Língua Estrangeira. 

Livro traz retrato da imigração árabe no Brasil



Quando os pioneiros chegaram ao Brasil, criaram uma propaganda positiva do país
Algumas crenças ligadas a imigração libanesa no Brasil foram sendo construídas ao longo do tempo. Uma delas diz que os mascates libaneses sempre enriquecem e se transformam em “doutores”. Já outra crença aponta que Dom Pedro II teria sido um grande incentivador dessa imigração. Ao estudar o tema em seu mestrado, a pesquisadora Samira Adel Osman constatou que essas crenças não passam de mitos.
“Essa história de que todo libanês que trabalha no Brasil como mascate acaba enriquecendo não é verdadeira. Segundo o mito, a primeira geração de libaneses foi trabalhar como mascate. A segunda geração se tornou comerciante. E a terceira, doutor. Apesar de existirem alguns casos em que isso realmente aconteceu, muitos deles ainda ganham a vida exercendo a função de mascate”, aponta a pesquisadora, que atua como professora de História da Ásia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
A pesquisa foi realizada no Núcleo de Estudos em História Oral (NEHO) da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, sob a orientação do professor José Carlos Sebe Bom Meihy. O resultado do mestrado é o livro recentemente lançado “Imigração Árabe no Brasil: história de vida de libaneses muçulmanos e cristãos” (Editora Xamã) com apoio do NEHO/FFLCH. A obra traz o relato de vida de libaneses que saíram do Oriente Médio a partir de 1950 em busca de melhores condições de vida, e também de seus descendentes, nascidos aqui no Brasil.
No próximo dia 05 de junho, a partir das 17 horas, haverá um novo lançamento do livro, seguido de mesa-redonda, no Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos (Diversitas USP), localizado na Avenida Lineu Prestes, 159, Cidade Universitária, na Casa de Cultura Japonesa. Na ocasião também haverá o lançamento da obra “As mil e uma noites mal dormidas: a formação da Republica Islâmica do Irã”, de autoria do pesquisador Murilo Sebe Bom Meihy, historiador, doutorando em Estudios Árabes e Islámicos pela Universidade Autónoma de Madrid. O evento acontecerá no auditório e contará com a presença dos autores dos livros e também dos professores Zilda Márcia Grícoli Iokoi, coordenadora do Diversitas e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades da USP, e de José Carlos Sebe Bom Meihy, coordenador do NEHO.
Samira conta que o Líbano é um país basicamente agrícola. As famílias árabes (tanto cristãs como muçulmanas) se organizam em verdadeiros “clãs”, onde além do pai, da mãe e dos filhos, há também os tios, os primos, os avós. A pesquisadora explica que, quando o jovem chega a vida adulta, ele percebe que não há terra para todo mundo. Além disso, a terra de lá é limitada e não é tão fértil. Então, ele sai em busca de melhores condições, pensando em retornar posteriormente para melhorar a vida da família, ou seja, pensando em uma imigração provisória. “O principal destino era a América, tanto os Estados Unidos como o Brasil. O pouco de dinheiro ganho era enviado para o Líbano e representava muito para os que recebiam”, diz.
Segundo a pesquisadora, essa questão de sair do Líbano em busca de melhores condições de vida já era visível no final do seculo 19. Com o final do Império Otomano, houve uma grande perseguição religiosa aos cristãos. No século 20, tivemos a 1ª e 2ª guerras mundiais, além da Guerra Civil de 1975”, conta Samira. “Esses aspectos econômicos foram importantes para que ocorressem as imigrações. Sempre que ocorre algum conflito lá, ou algum outro tipo de problema, muitos vem para o Brasil.”
Quebrando mitos: mascate nem sempre enriquece e Dom Pedro II não incentivou a imigração libanesa
Mascates
As imigrações libanesas do final do século 19 tiveram como destino o sudeste, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, para trabalhos nas lavouras de café, e na região norte, onde a borracha e a lavoura foram as atividades principais. “Outros chegaram ao Brasil e já começaram a trabalhar como mascates”, explica. A figura do mascate aliás, ainda não deixou de existir, segundo Samira: nas levas mais recentes, muitos vieram exercer o ofício.
Numericamente, os libaneses que atualmente exercem tal função não é tão expressiva, mas Samira constatou outras áreas de atuação como pequeno comércio e indústria têxtil, sobretudo de jeans, e movelar. Segundo ela, quando os pioneiros chegaram ao Brasil, criaram uma propaganda positiva do país e divulgaram entre os familiares, se tornando referência para os outros. “De uma certa maneira, quando se diz que o mascate virou “doutor” é um modo de confirmar o sucesso de uma imigração”, destaca a pesquisadora.
Dom Pedro II
Para averiguar se Dom Pedro II havia mesmo incentivado a vinda de libaneses para o Brasil, a pesquisadora foi pesquisar os diários do imperador no Arquivo do Museu Imperial, em Petrópolis. “Não encontrei nenhum material que confirmasse isso ”, diz. De acordo com Samira, o incentivo de D. Pedro II a imigração libanesa pode ser encontrada em alguns livros não acadêmicos escritos por imigrantes. “Alguns grupos repetiram tanto esta ideia como se ela fosse uma verdade. Por isso, muitos acreditam. Quando o ex-presidente Lula foi ao Oriente Médio, esse mito foi recuperado”, lembra.
As entrevistas foram feitas com 3 grupos familiares muçulmanos, totalizando 10 pessoas, e 2 grupos familiares cristãos, totalizando 7 pessoas.
Para os primeiros imigrantes que chegaram ao Brasil, uma das dificuldades iniciais foi entender a Língua Portuguesa. Mas uma forma interessante de aprendizado se deu por meio do contato com outros imigrantes, vizinhos de origem italiana e portuguesa por meio das atividades do cotidiano.
Samira destaca também o papel das mulheres, tanto nos libaneses cristãos como nos muçulmanos. A restrição ao trabalho delas era geral, mas muitas ajudavam seus maridos nas atividades de mascate. “Mas o grande destaque delas foi na filantropia. O Hospital Sírio-Libanês originou-se a partir da iniciativa de mulheres da comunidade libanesa”, finaliza a pesquisadora.
Imagem com montagem das bandeiras: Igor Máia/USP Imagens
Imagem da capa do livro: cedida pela pesquisadora
Mais informações: email sa.osman@uol.com.br, com a pesquisadora Samira Osman

Conciliações na área de direito de família evitam processo judiciais


Defensoria Pública de SP promove mutirão em 25 cidades do Estado na próxima sexta-feira (18/5)



Para celebrar o Dia Nacional da Defensoria Pública (19/5), Defensores Públicos paulistas irão promover um mutirão de conciliações em casos de direito de família na próxima sexta-feira (18/5), em unidades de todo o Estado.

A iniciativa deve gerar acordos em demandas de divórcios, uniões estáveis, pensões alimentícias, reconhecimentos de paternidade e afins. As conciliações frutíferas serão encaminhadas para homologação pelo Judiciário. Ao todo, há 716 casos pré-agendados em 25 cidades (veja lista abaixo).

A iniciativa faz parte da campanha nacional “Ensinar, prevenir, conciliar: Defensores Públicos pela garantia extrajudicial dos direitos”, promovida em todo o País pela Associação Nacional de Defensores Públicos (Anadep), com apoio da Associação Paulista de Defensores Públicos (Apadep). Clique aqui para mais informações sobre a campanha nacional.

O objetivo da campanha é demonstrar a atribuição da Defensoria de promover acordos entre as partes envolvidas, evitando a judicialização desnecessária de demandas e promovendo um desfecho mais célere e amigável para as partes.

Em 2011, a Defensoria promoveu 12.966 casos de mediações e conciliações. Além da atuação de Defensores Públicos, Psicólogos e Assistentes Sociais do quadro de apoio da Defensoria também auxiliam a composição entre as partes previamente ao ajuizamento de demandas.

No Estado de São Paulo, serão promovidas conciliações nas unidades da Defensoria das seguintes cidades: Capital, Araçatuba, Araraquara, Avaré, Bauru, Campinas, Carapicuíba, Franca, Guarulhos, Jaú, Jundiaí, Marília, Mogi das Cruzes, Osasco, Presidente Prudente, São Bernardo do Campo, São Carlos, São José dos Campos, São José do Rio Preto, São Vicente, Santo André, Santos, Sorocaba, Taubaté e Registro.

Na Capital, as atividades serão promovidas pelos Defensores Públicos na unidade de atendimento situada à Avenida Liberdade, nº 32, Centro – cem casos estão agendados para o período vespertino.

A campanha contará ainda com a distribuição de três mil cartilhas, banners, cartazes e adesivos.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Prêmio Impacta Mais: Tecnologia para regeneração das águas vence como Negócio de Impacto do Ano

  Além do Negócio do Ano, conheça os vencedores das 7 categorias da premiação   Desenvolvida pela Infinito Mare, a Caravela Ecológica, uma t...