quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Mercadante defende critério de reajuste do piso nacional dos professores


Amanda Cieglinski - Repórter da Agência Brasil
 
Brasília – O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, defendeu hoje (29) o reajuste de 22% do piso nacional do magistério, que passou de R$ 1.187 para R$ 1.451. Segundo Mercadante, o atual critério de correção do piso, com base no  crescimento do valor mínimo por aluno do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), permite recuperação salarial para os professores. O valor estipulado para este ano  acompanha o aumento do Fundeb de 2011 para 2012, conforme determina a legislação atual. O novo piso foi anunciado segunda-feira (27)
Alguns estados e municípios alegam dificuldade financeira para pagar o valor determinado. Governadores  reuniram-se ontem (28) com o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), e pediram a aprovação de um projeto de lei que altere o critério de correção do piso, que passaria a ser feito com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação. Mercadante disse que qualquer mudança na Lei do Piso precisará ser discutida com os professores e também com os prefeitos e governadores.
“O critério atual tem permitido uma recuperação salarial forte. É verdade que alguns estados e municípios estão com dificuldade, mas o piso que temos hoje é um pouco mais do que dois salários mínimos. É um equívoco o Brasil perder a perspectiva de continuar recuperando o piso salarial”, afirmou.
De acordo com o ministro, até o ano passado, quatro estados não pagavam o piso (R$ 1.187 ) e 11 já usavam valores iguais ou superiores ao que foi definido para este ano. A lei, aprovada em 2008, prevê que haja complementação da União caso o município ou estado comprove que não tem capacidade financeira para pagar o piso a seus professores. Entretanto, as prefeituras que solicitaram a verba ao MEC não atenderam aos pré-requisitos previstos, como, por exemplo, ter um plano de carreira para os docentes da rede e investir 25% da arrecadação de tributos em educação, como determina a Constituição.
“Se houver proposta para melhorar essa parceria, nós estamos abertos, sempre. A lei estabelece alguns critérios [para complementação], mas esses critérios ainda não foram acordados com estados e municípios. A situação é muito diferente em cada lugar”, disse o ministro.
Segundo Mercadante, para uma mudança nos parâmetros de reajuste do piso no Congresso, será preciso haver “entendimento e negociação”. “Caso contrário, isso não vai contribuir para o ambiente educacional. Nós podemos ter um acirramento das greves, que não interessa aos estudantes e não interessa ao Brasil.”
Edição: Nádia Franco

GUARANI X SANTOS

GUARANI 0 X 2 SANTOS

GUARANI:
 Emerson; Bruno Peres (Max Pardalzinho, aos 24'/2ºT), Domingos, Neto, Bruno Recife; Wellington Monteiro (André Leone, aos 44'/2ºT), Fábio Bahia, Danilo Sacramento, Fumagalli; Fabinho e Ronaldo (Bruno Mendes, aos 28'/2ºT). Técnico: Vadão.

SANTOS: Aranha, Crystian (Anderson Carvalho, aos 20'/2ºT), Edu Dracena, Durval e Juan; Arouca, Henrique, Ibson (Tiago Alves, aos 40'/2ºT) e Elano; Alan Kardec e Dimba (Felipe Anderson, aos 43'/1ºT). Técnico: Muricy Ramalho.

Estádio: Brinco de Ouro, Campinas (SP)
Data/hora: 29/2/2012 - 19h30 (de Brasília)
Árbitro: Vinicius Gonçalves Dias Araujo
Auxiliares: Alexandre Basilio Vasconcellos e Rodrigo Soares Aragão
Renda/Público: R$ 160.047,00/ 10.720 pagantes
Cartões Amarelos: Juan (SAN)
GOLS: Ibson, aos 5'/1ºT e Arouca, aos 44'/2ºT

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

MST teve atuação decisiva em desapropriação de terra no Pará



A ocupação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em uma fazenda da região sudeste do Pará, que resultou na desapropriação de um latifúndio de 10 mil hectares – o equivalente a 100 milhões de metros quadrados (m2) –, pode ser considerada um marco. “Trata-se da primeira desapropriação decretada com base no desrespeito à função social, com base em condições de trabalho escravo e desrespeito às leis ambientais”, descreve o jornalista Carlos Juliano Barros. Na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o pesquisador apresentou a dissertação de mestrado O sonho se faz a mão e sem permissão; “Escravidão temporária” e reforma agrária no Brasil. A pesquisa teve a orientação do professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira.

MST: decisivo na desapropriação de fazenda em Marabá, no Pará
Como diz o jornalista, “o estudo é uma discussão acadêmica sobre a escravidão no campo, que ainda persiste em algumas regiões do Brasil.” No Departamento de Geografia Humana da FFLCH, Barros analisou o caso da Fazenda Cabaceiras, localizada em Marabá, que foi desapropriada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em 2008. A propriedade era da família Mutran, mas boa parte das terras pertencia originalmente ao governo paraense, que concedeu as terras públicas em regime de “aforamento” — uma espécie de “aluguel”. “O aforamento se deu com o objetivo de que os proprietários trabalhassem na colheita da castanha”, conta o jornalista. “Mas toda a área foi devastada para a criação de gado de corte. Além do evidente desrespeito às leis ambientais, houve ainda a constatação da prática de trabalho escravo na propriedade.”
Pressão
A primeira ocupação da fazenda aconteceu em 1999. Na oportunidade, o movimento instalou cerca 1.200 famílias em 81 hectares (810 mil m2). “A ocupação atingiu menos de 1% da área total do imóvel”, recorda Barros. Em 2004, foi assinado pelo presidente Lula o decreto de desapropriação.
“O que chama atenção nesse processo é justamente os entraves e as decisões controversas que aconteceram até o desfecho final”, observa Barros. Ele conta que foram, ao todo, três vistorias do Incra até que houvesse a assinatura do decreto. “Na primeira delas, por exemplo, a área foi considerada improdutiva. Numa segunda inspeção, o instituto a considerou produtiva. Isso mostra que decisões desse tipo estão atreladas a diversas situações e pressões”, avalia. O pesquisador destaca como decisiva a ação do MST. “Sem a pressão do movimento, a desapropriação jamais teria acontecido, já que os proprietários chegaram a obter um mandado de segurança no STF para cassar o decreto.”
Trabalho escravo
Mesmo com 1% da área ocupada pelo MST, constatou-se que no restante da propriedade ainda era comum a prática do trabalho escravo. Barros conta que muitos trabalhadores viviam em condições precárias. “Com seus baixos salários tinham de custear a compra de comida e até de ferramentas de trabalho. No final das contas, acabavam devendo ao proprietário”, descreve.
Em geral, o alimento por que pagavam era apenas o arroz e o feijão. “A água consumida era proveniente de córregos e só comiam carne quando o gado morria por doença ou atropelado na estrada”, conta o jornalista, que visitou a área duas vezes num período de dois anos.
O assentamento
O que foi uma “ocupação” do MST, atualmente, é o Assentamento 26 de Março. Lá, estão instaladas 206 famílias, já que muitas desistiram durante o processo de desapropriação. Coube a cada uma dessas famílias um lote, onde a produção é diversa, desde hortaliças até mandioca. “Trata-se, no entanto, de uma produção ainda incipiente”, observa o jornalista. Segundo ele, os governos não conseguem fornecer a infra-estrutura necessária para que as famílias possam melhor se estabelecer e chegar a uma produção adequada.
Barros destaca ainda que, durante o processo de desapropriação, os Mutran fizeram uma oferta de venda da área ao Incra de R$ 35 milhões, que foi recusada. Posteriormente, o instituto avaliou as terras em R$ 21 milhões. Contudo, pagaria apenas R$ 9 milhões. “Os R$ 12 milhões da diferença, o Incra calculou como passivo ambiental, pela devastação que os proprietários fizeram em toda a área. Mas vale destacar a ação positiva do MST neste processo inédito em nossa história de reforma agrária, que é marcada pela lentidão da ação dos governos”, enfatiza o pesquisador.

ASSOBIO, REDES SOCIAIS E MUDANÇA



por
Francisco Bittencourt*

INTRODUÇÃO

Há alguns dias, sentado no banco de um shopping, esperando por minha mulher, percebi um homem, cuja idade estaria em torno dos 80 anos. Enquanto ele andava mexia em uma pasta com um grande número de documentos.

O que me chamou atenção neste cidadão foi o fato de que ele estava assobiando.

Imediatamente recorri à minha memória para verificar o quanto o assobio fez parte de hábitos no passado. Havia até um músico que se destacava como assobiador: O Garoto Assobiador.

A partir deste momento me propus a observar quantas pessoas eu encontraria assobiando, e, como já esperava reencontrei por duas ou três vezes o meu personagem (ele não sabia disto), que permanecia assobiando e era o único naquele cenário.

Confesso que, de vez em quando me pego assobiando, é um hábito antigo, quando estou sozinho, andando na rua, trabalhando.

Todo este intróito tem como finalidade questionar: O assobio é uma prática em desuso? É coisa de velho?

AS NOVAS GERAÇÕES E O ASSOBIO
Quando se abordam as novas tecnologias, identificam-se dois grandes grupos: Os nativos digitais e os imigrantes digitais.

Os nativos já vem com toda a predisposição do berço (até parece que geneticamente já vem inoculados), os imigrantes vem chegando e se aproximando das disponibilidades tecnológicas.

O acesso à tecnologia transita entre a necessidade de atualização e a exigência do cenário.

Há cerca de 15 anos atrás, ministrando a disciplina Gestão de Recursos Humanos na UFRJ, fui consultado por dois alunos, que pediam permissão para trocar com seus colegas de turma os seus e mails. Disse a eles que se sentissem livres, mas imaginava que haveria poucas trocas (se não me falha a memória, na turma de 35 alunos não havia mais do que cinco “portadores” da novidade).

Hoje não só o email, mas toda a gama de opções que a tecnologia da informação gerou se coloca à frente dos profissionais, para sua qualificação e inserção no mundo contemporâneo.

Não dispor destes recursos (ou seriam instrumentos) torna o profissional desconectado de uma realidade que compromete seu desempenho (até no terreno pessoal).

Na hierarquia da informação, o dado só faz sentido se for decodificado. A partir de sua decodificação o dado se transforma em informação, que selecionada, passa a significar conhecimento. Este, quando utilizado em prol dos resultados a alcançar, consolida o saber.

Esta é a linha da tecnologia. Na realidade atual é preciso saber assobiar, tirar o som correto e não simplesmente emitir um sopro silencioso. É fato concreto que se faz necessário conhecer a tecnologia e adotá-la como um instrumento (agora sim) do dia a dia (pessoal e profissional).

O conjunto de opções que se mostra ao profissional hoje inclui não só a tecnologia representada pelo chamado capital estrutural (máquinas, equipamentos, softwares e outros que tais), mas também, e principalmente, a teia representada pelas redes sociais (que a cada dia trazem mais novidades, obsoletando outras atropeladas pelas novidades).

É diante deste arsenal de opções que se torna importante analisar a forma como as organizações se propõem a gerenciar esta mudança.

AS EMPRESAS E A POSSIBILIDADE DE ASSOBIAR
As possibilidades que são reais hoje em relação às redes sociais: ning, orkut, via6, facebook, twiter, formspring, youtube, forumyahoo, podcast, tonomundo, blog, reddolac, cada uma delas tem suas características, seus objetivos, suas peculiaridades.

As formas como se apresentam estas opções dão ao profissional uma gama de possibilidades de interação e integração com seu mundo pessoal e profissional.

Constata-se que as redes proporcionam:

1 - A busca de consensos e a convivência no cenário das diversidades, coordenando autonomias;

2 - A conectividade, que reforça o relacionamento sem que a autonomia venha a ser comprometida;

3 - Gestão compartilhada da rede e de suas atividades, por meio da criação de formas espontâneas de divisão de trabalho e responsabilidades. [1]
A adoção das redes como instrumento de ação dos gestores, líderes ou profissionais, os quais, por sua função exercem uma liderança não formal, mas capaz de influenciar comportamentos e atitudes, demonstra uma evolução na maneira como transmitem seu conhecimento.

A utilização destes instrumentos, portanto é agilizadora do conhecimento, o que gera, em relação aos gestores, líderes, a necessidade do permanente aprimoramento no uso e manipulação destes recursos da contemporaneidade.

Determinadas organizações, em nome da segurança e da disciplina optam por bloquear, de forma radical o acesso de seus colaboradores às redes sociais, na medida em que afirmam ser oneroso ou perigoso controlar tais acessos.

Há inúmeras justificativas apresentadas, para validar este tipo de decisão. O que fica evidente é que, ao divulgar tais medidas a empresa precisa justificar o que fez. Se fosse um procedimento objetivo, cuja submissão à falta de lógica não ficasse tão evidente, não haveria necessidade da exposição. Os fatos falariam por si.

CONCLUSÃO
A adoção dos instrumentos da contemporaneidade sejam eles telefones celulares, smartphones, terminais individuais de acesso tecnológico (em todas as suas configurações) se transforma numa ação cotidiana, tão simples como ... assobiar.

Conhecer as opções, identificar as disponibilidades, verificar o que pode agregar valor ao seu trabalho e à sua vida pessoal se transforma numa obrigação espontânea (comprometimento).

A tentativa de sobrevivência no cenário de competitividade sem a adoção dos instrumentos pode ser marcada pela utopia, pois não atende aos requisitos mínimos de sobrevivência nesta “selva tecnológica”.

Os cuidados a serem tomados com a entrada neste novo cenário incluem:

1 - Falta de compromisso com o envolvimento da participação individual e coletiva;

2 - Excesso de individualismo e de espírito de competição entre pessoas e instituições;

3 - Fragmentação e dissociação dos diversos saberes e áreas de conhecimento;

4 - Confrontos de poder e conflitos entre pessoas e instituições dentro da rede, que não conseguem superar suas diferenças de opinião.[2]
Assobiar é um ato solitário. Atuar em redes pressupõe interação e integração com a comunidade produtiva. Sociabilidade e Solidariedade[3] são ferramentas que Garteh e Jones trouxeram e que demonstram a necessidade fundamental da sociedade contemporânea.

A sociabilidade pressupõe a comunicação para manutenção das relações interpessoais produtivas e solidariedade a capacidade de trabalhar em equipe.

John Kotter ao estabelecer as coalizões poderosas, e ele as indicou em uma era anterior ao advento das redes sociais, deixou claro que:

O ambiente corporativo moderno exige mais mudanças em grande escala através de novas estratégias, reengenharia, reestruturação, fusões, aquisições, downsizing, desenvolvimento de novos produtos ou mercados, as decisões tomadas dentro da empresa fundamentam-se em questões maiores, mais complexas e com maior teor emocional, ocorrem com mais rapidez, ocorrem em um ambiente de mais incertezas e exigem mais sacrifícios por parte dos que as implementam, e um novo processo decisório é necessário porque ninguém sozinho possui as informações apropriadas para tomar todas as decisões importantes nem o tempo e a credibilidade necessários para convencer um grande número de pessoas a implementarem essas decisões. Esse novo processo deve ser conduzido por uma coalizão poderosa que possa agir como uma equipe. ( p. 56)[4]
Os nossos assobiadores poderão continuar praticando sem problemas, mas provavelmente deverão procurar fazer com que seu assobio interaja com outras manifestações de comunicação.

Como atividade de lazer individual não há problemas, mas o cenário contemporâneo, altamente competitivo, exige uma efetiva de troca de informações e de conhecimento.


[1] TORRES, PATRICIA L. Aprendizagem em Redes, Palestra proferida em 17.06.2011, Curitiba, PR.
[2] TORRES, PATRICIA L. Aprendizagem em Redes, Palestra proferida em 17.06.2011, Curitiba, PR.
[3] GOFFEE, Rob e GARETH Jones. Quem disse que você  pode liderar pessoas? RJ: Campus Elsevier, 2006.
[4] KOTTER, John.  Liderar mudança.  Rio de Janeiro: Campus, 1999.

*Francisco Bittencourt é Consultor Sênior do Instituto MVC - www.institutomvc.com.br

ASSOBIO, REDES SOCIAIS E MUDANÇA



por
Francisco Bittencourt*

INTRODUÇÃO

Há alguns dias, sentado no banco de um shopping, esperando por minha mulher, percebi um homem, cuja idade estaria em torno dos 80 anos. Enquanto ele andava mexia em uma pasta com um grande número de documentos.

O que me chamou atenção neste cidadão foi o fato de que ele estava assobiando.

Imediatamente recorri à minha memória para verificar o quanto o assobio fez parte de hábitos no passado. Havia até um músico que se destacava como assobiador: O Garoto Assobiador.

A partir deste momento me propus a observar quantas pessoas eu encontraria assobiando, e, como já esperava reencontrei por duas ou três vezes o meu personagem (ele não sabia disto), que permanecia assobiando e era o único naquele cenário.

Confesso que, de vez em quando me pego assobiando, é um hábito antigo, quando estou sozinho, andando na rua, trabalhando.

Todo este intróito tem como finalidade questionar: O assobio é uma prática em desuso? É coisa de velho?

AS NOVAS GERAÇÕES E O ASSOBIO
Quando se abordam as novas tecnologias, identificam-se dois grandes grupos: Os nativos digitais e os imigrantes digitais.

Os nativos já vem com toda a predisposição do berço (até parece que geneticamente já vem inoculados), os imigrantes vem chegando e se aproximando das disponibilidades tecnológicas.

O acesso à tecnologia transita entre a necessidade de atualização e a exigência do cenário.

Há cerca de 15 anos atrás, ministrando a disciplina Gestão de Recursos Humanos na UFRJ, fui consultado por dois alunos, que pediam permissão para trocar com seus colegas de turma os seus e mails. Disse a eles que se sentissem livres, mas imaginava que haveria poucas trocas (se não me falha a memória, na turma de 35 alunos não havia mais do que cinco “portadores” da novidade).

Hoje não só o email, mas toda a gama de opções que a tecnologia da informação gerou se coloca à frente dos profissionais, para sua qualificação e inserção no mundo contemporâneo.

Não dispor destes recursos (ou seriam instrumentos) torna o profissional desconectado de uma realidade que compromete seu desempenho (até no terreno pessoal).

Na hierarquia da informação, o dado só faz sentido se for decodificado. A partir de sua decodificação o dado se transforma em informação, que selecionada, passa a significar conhecimento. Este, quando utilizado em prol dos resultados a alcançar, consolida o saber.

Esta é a linha da tecnologia. Na realidade atual é preciso saber assobiar, tirar o som correto e não simplesmente emitir um sopro silencioso. É fato concreto que se faz necessário conhecer a tecnologia e adotá-la como um instrumento (agora sim) do dia a dia (pessoal e profissional).

O conjunto de opções que se mostra ao profissional hoje inclui não só a tecnologia representada pelo chamado capital estrutural (máquinas, equipamentos, softwares e outros que tais), mas também, e principalmente, a teia representada pelas redes sociais (que a cada dia trazem mais novidades, obsoletando outras atropeladas pelas novidades).

É diante deste arsenal de opções que se torna importante analisar a forma como as organizações se propõem a gerenciar esta mudança.

AS EMPRESAS E A POSSIBILIDADE DE ASSOBIAR
As possibilidades que são reais hoje em relação às redes sociais: ning, orkut, via6, facebook, twiter, formspring, youtube, forumyahoo, podcast, tonomundo, blog, reddolac, cada uma delas tem suas características, seus objetivos, suas peculiaridades.

As formas como se apresentam estas opções dão ao profissional uma gama de possibilidades de interação e integração com seu mundo pessoal e profissional.

Constata-se que as redes proporcionam:

1 - A busca de consensos e a convivência no cenário das diversidades, coordenando autonomias;

2 - A conectividade, que reforça o relacionamento sem que a autonomia venha a ser comprometida;

3 - Gestão compartilhada da rede e de suas atividades, por meio da criação de formas espontâneas de divisão de trabalho e responsabilidades. [1]
A adoção das redes como instrumento de ação dos gestores, líderes ou profissionais, os quais, por sua função exercem uma liderança não formal, mas capaz de influenciar comportamentos e atitudes, demonstra uma evolução na maneira como transmitem seu conhecimento.

A utilização destes instrumentos, portanto é agilizadora do conhecimento, o que gera, em relação aos gestores, líderes, a necessidade do permanente aprimoramento no uso e manipulação destes recursos da contemporaneidade.

Determinadas organizações, em nome da segurança e da disciplina optam por bloquear, de forma radical o acesso de seus colaboradores às redes sociais, na medida em que afirmam ser oneroso ou perigoso controlar tais acessos.

Há inúmeras justificativas apresentadas, para validar este tipo de decisão. O que fica evidente é que, ao divulgar tais medidas a empresa precisa justificar o que fez. Se fosse um procedimento objetivo, cuja submissão à falta de lógica não ficasse tão evidente, não haveria necessidade da exposição. Os fatos falariam por si.

CONCLUSÃO
A adoção dos instrumentos da contemporaneidade sejam eles telefones celulares, smartphones, terminais individuais de acesso tecnológico (em todas as suas configurações) se transforma numa ação cotidiana, tão simples como ... assobiar.

Conhecer as opções, identificar as disponibilidades, verificar o que pode agregar valor ao seu trabalho e à sua vida pessoal se transforma numa obrigação espontânea (comprometimento).

A tentativa de sobrevivência no cenário de competitividade sem a adoção dos instrumentos pode ser marcada pela utopia, pois não atende aos requisitos mínimos de sobrevivência nesta “selva tecnológica”.

Os cuidados a serem tomados com a entrada neste novo cenário incluem:

1 - Falta de compromisso com o envolvimento da participação individual e coletiva;

2 - Excesso de individualismo e de espírito de competição entre pessoas e instituições;

3 - Fragmentação e dissociação dos diversos saberes e áreas de conhecimento;

4 - Confrontos de poder e conflitos entre pessoas e instituições dentro da rede, que não conseguem superar suas diferenças de opinião.[2]
Assobiar é um ato solitário. Atuar em redes pressupõe interação e integração com a comunidade produtiva. Sociabilidade e Solidariedade[3] são ferramentas que Garteh e Jones trouxeram e que demonstram a necessidade fundamental da sociedade contemporânea.

A sociabilidade pressupõe a comunicação para manutenção das relações interpessoais produtivas e solidariedade a capacidade de trabalhar em equipe.

John Kotter ao estabelecer as coalizões poderosas, e ele as indicou em uma era anterior ao advento das redes sociais, deixou claro que:

O ambiente corporativo moderno exige mais mudanças em grande escala através de novas estratégias, reengenharia, reestruturação, fusões, aquisições, downsizing, desenvolvimento de novos produtos ou mercados, as decisões tomadas dentro da empresa fundamentam-se em questões maiores, mais complexas e com maior teor emocional, ocorrem com mais rapidez, ocorrem em um ambiente de mais incertezas e exigem mais sacrifícios por parte dos que as implementam, e um novo processo decisório é necessário porque ninguém sozinho possui as informações apropriadas para tomar todas as decisões importantes nem o tempo e a credibilidade necessários para convencer um grande número de pessoas a implementarem essas decisões. Esse novo processo deve ser conduzido por uma coalizão poderosa que possa agir como uma equipe. ( p. 56)[4]
Os nossos assobiadores poderão continuar praticando sem problemas, mas provavelmente deverão procurar fazer com que seu assobio interaja com outras manifestações de comunicação.

Como atividade de lazer individual não há problemas, mas o cenário contemporâneo, altamente competitivo, exige uma efetiva de troca de informações e de conhecimento.


[1] TORRES, PATRICIA L. Aprendizagem em Redes, Palestra proferida em 17.06.2011, Curitiba, PR.
[2] TORRES, PATRICIA L. Aprendizagem em Redes, Palestra proferida em 17.06.2011, Curitiba, PR.
[3] GOFFEE, Rob e GARETH Jones. Quem disse que você  pode liderar pessoas? RJ: Campus Elsevier, 2006.
[4] KOTTER, John.  Liderar mudança.  Rio de Janeiro: Campus, 1999.

*Francisco Bittencourt é Consultor Sênior do Instituto MVC - www.institutomvc.com.br

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Artigo: Os benefícios da Gestão do conhecimento para as organizações


OS BENEFÍCIOS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA AS ORGANIZAÇÕES

Por Sonia Wada*
Imagem Divulgação
Sonia Wada é diretora-presidente da SBGC
 
Práticas de gestão do conhecimento não são apenas modismos da administração moderna. Não é de hoje que as empresas já a utilizam como ferramental de capacitação profissional. Temos inúmeros exemplos de mestres que passam os ofícios de sua profissão a seus aprendizes, desde os grandes mestres da arte como Da Vinci ao um simples carpinteiro em sua oficina rudimentar.
A economia mundial já viveu vários ciclos marcados pelas revoluções Agrícola e Industrial e, mais recentemente, pela Revolução da Informação. Na Revolução Agrícola, o poder político e econômico baseava-se na posse da terra. Já na Revolução Industrial, o determinante era o capital financeiro. Nela, passamos pela eras da produção em massa, da eficiência, da qualidade, da competitividade. Agora, em plena Era da Informação o que pesa é o conhecimento.
O saber e o aprender sempre foram as molas propulsoras da humanidade. Dados, informações e conhecimentos sempre existiram em todas as organizações, sejam elas do primeiro, segundo ou terceiro setor. O que há de novo nesse processo é entender o conhecimento como capital intelectual ativo das instituições. Saber geri-lo, conservá-lo, disseminá-lo, combiná-lo, criar e aplicar o conhecimento é fundamental para obter sustentabilidade e vantagem competitiva, por meio de melhorias, inovação e aumentando a qualidade de vida das pessoas, nesse mundo de constantes mudanças. Por isso é necessário que os gestores estejam abertos à criação de um ambiente favorável ao apoio de práticas que levem à formação de mais conhecimento, permitindo a captura e o filtro desse saber por meio de processos, métodos, práticas, ações e de sistemas internos de compartilhamento entre seus parceiros.
A grande questão é: onde está armazenado todo esse conhecimento? Ele está em toda parte, na cabeça das pessoas. É o conhecimento tácito, ou seja, aquele que foi formado pela vivência e pela interpretação e pela aplicação constante de dados e informações. Como transformar esse saber em conhecimento explícito, aquele que pode ser formalizado, armazenado, transportado, utilizado e mensurado? Somente com o gerenciamento de todo esse capital intelectual coletivo. Daí a necessidade da gestão do conhecimento!
Com a velocidade das transformações e a atual complexidade dos desafios, ganhar longevidade nesse mercado inconstante não é tarefa fácil. Empreendimentos públicos e privados devem antecipar suas estratégias aos fatos, precisam ser pró-ativos em suas decisões e reinventar-se a cada dia.
O que garante a segurança na tomada de decisões é a disponibilidade de todas as informações e conhecimentos possíveis. Quando esse capital intelectual está inacessível, disperso ou desorganizado, o futuro torna-se temeroso, incerto. A gestão do conhecimento veio em auxílio dos empreendedores no desenvolvimento de soluções relacionadas à competitividade e inovação nas empresas.
O cerne da gestão do conhecimento é justamente preocupar-se com a organização do conhecimento humano para que esse possa ser usado de maneira inteligente, gerando mais valor e aumentando o desempenho e a vantagem competitiva. Cabe à GC (Gestão do Conhecimento) criar, identificar, recolher, organizar, armazenar, integrar, partilhar, difundir, transferir, socializar, usar e explorar toda informação, filosofia, política, cultura, valores, normas, procedimentos, rotinas, processos, práticas e experiências dos colaboradores.
Muitos profissionais, com seus saberes individuais, deixam de trocar experiências entre si, impossibilitando o encontro de soluções na base da pirâmide e impedindo a implementação de uma boa gestão do conhecimento. Apoiada na participação ativa da alta administração, a GC coloca todos trabalhadores em contato constante, criando comunidades de aprendizado mútuo, disponibilizando a informação, na hora e no lugar acessível para cada necessidade, evitando retrabalho e sem duplicidade de esforços.
A gestão do conhecimento estimula os indivíduos a buscarem e compartilharem seu capital intelectual, de acordo com suas habilidades, por meio de ferramentas criadas para esse fim como, por exemplo, redes internas, portais, conversas informais, grupos de trabalho, lições aprendidas, comunidades de práticas, assistência a colegas, análise de rede social, colaboração em rede, narrativas, educação corporativa, inteligência nos negócios, processo de criação e inovação e gestão de intangíveis. O resultado se materializa na aplicação desses saberes cotidianos no ambiente de trabalho.
Os benefícios são inúmeros tanto para a pequena empresa como para as gigantes multinacionais e até governos e o melhor: está disponível para qualquer tipo de empreendimento. Basta vontade de crescer e aprender sempre. Em primeiro lugar, as instituições ganham agilidade e mais capacidade de resposta aos problemas imediatos, tornam-se mais competitivas e rentáveis. Os trabalhadores, por sua vez, sentem-se valorizados e motivados. Isto aumenta o seu rendimento produtivo, auxilia no desenvolvimento de competências e facilita a comunicação entre os pares. Esses perdem o medo natural de compartilhar ideias geradoras de inovação e de enfrentar novos desafios. Além disso, a GC também propicia conscientização do pessoal em torno do negócio, criando e aplicando o conhecimento em novos produtos, nos processos, na execução de tarefas para atingir a excelência operacional, no atendimento ao consumidor etc. Tudo isso agrega valor à organização.
Para as empresas, a GC melhora a capacidade de atrair profissionais comprometidos com resultados de longo prazo, com conhecimentos e habilidades diversas, gera empregabilidade, diminui a rotatividade, estimula a criatividade e a vontade constante de aprendizado. Otimiza, ainda,  os processos internos e os fluxos de trabalho. Desta forma, a gestão do conhecimento gera valor às organizações, diferenciando-as das demais.  Propicia um melhor aproveitamento do conhecimento já existente, contribui para a redução de custos, para o aumento de competitividade e receita. Também  os investimentos em capacitação profissional acabam por retornar mais rapidamente.
A agilidade nas respostas e o comprometimento são notados pelos clientes que percebem a sensível melhora no atendimento e na qualidade dos serviços, ou seja, quando uma decisão é tomada com mais segurança, rapidez e competência há uma melhor obtenção de resultados percebidos. Outra vantagem é conhecer os pontos fortes e fracos da organização para buscar a correção de rumos e a melhoria contínua.
Invariavelmente, empreendimentos bem sucedidos são aqueles nos quais a gestão do conhecimento faz parte do ambiente e de sua cultura organizacional. Em outras palavras, faz parte do seu DNA, isto é, está intrínseca nos processos, sistemas, comportamento e valores. São aqueles que utilizam a GC como recurso estratégico para gerar vantagem competitiva e aumentar o valor de mercado. São os que incorporam essa inteligência coletiva à tecnologia, atendimento, produtos e serviços. Exemplos não faltam, Apple, IBM, MPX, Tetrapak, Natura, Correios, Petrobras, Vale, entre muitas outras. Essas empresas já entenderam que o conhecimento é um gerador de riquezas, é um fator fundamental para mantê-las competitivas no mercado, fortalecer suas competências e melhorar seu desempenho. Esse capital não tem preço, portanto, não pode ser negociado!


*Sonia Wada é pesquisadora, formada em Biblioteconomia e Documentação pela ECA/USP, especialista em informação tecnológica e gestão do conhecimento e mestre em Inteligência Competitiva. Atualmente é diretora presidente da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br) e do KM Brasil 2012 – Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento que acontece em agosto, em São Paulo. E-mail: linksbgc@linkportal.com.br



Artigo: Os benefícios da Gestão do conhecimento para as organizações


OS BENEFÍCIOS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA AS ORGANIZAÇÕES

Por Sonia Wada*
Imagem Divulgação
Sonia Wada é diretora-presidente da SBGC
 
Práticas de gestão do conhecimento não são apenas modismos da administração moderna. Não é de hoje que as empresas já a utilizam como ferramental de capacitação profissional. Temos inúmeros exemplos de mestres que passam os ofícios de sua profissão a seus aprendizes, desde os grandes mestres da arte como Da Vinci ao um simples carpinteiro em sua oficina rudimentar.
A economia mundial já viveu vários ciclos marcados pelas revoluções Agrícola e Industrial e, mais recentemente, pela Revolução da Informação. Na Revolução Agrícola, o poder político e econômico baseava-se na posse da terra. Já na Revolução Industrial, o determinante era o capital financeiro. Nela, passamos pela eras da produção em massa, da eficiência, da qualidade, da competitividade. Agora, em plena Era da Informação o que pesa é o conhecimento.
O saber e o aprender sempre foram as molas propulsoras da humanidade. Dados, informações e conhecimentos sempre existiram em todas as organizações, sejam elas do primeiro, segundo ou terceiro setor. O que há de novo nesse processo é entender o conhecimento como capital intelectual ativo das instituições. Saber geri-lo, conservá-lo, disseminá-lo, combiná-lo, criar e aplicar o conhecimento é fundamental para obter sustentabilidade e vantagem competitiva, por meio de melhorias, inovação e aumentando a qualidade de vida das pessoas, nesse mundo de constantes mudanças. Por isso é necessário que os gestores estejam abertos à criação de um ambiente favorável ao apoio de práticas que levem à formação de mais conhecimento, permitindo a captura e o filtro desse saber por meio de processos, métodos, práticas, ações e de sistemas internos de compartilhamento entre seus parceiros.
A grande questão é: onde está armazenado todo esse conhecimento? Ele está em toda parte, na cabeça das pessoas. É o conhecimento tácito, ou seja, aquele que foi formado pela vivência e pela interpretação e pela aplicação constante de dados e informações. Como transformar esse saber em conhecimento explícito, aquele que pode ser formalizado, armazenado, transportado, utilizado e mensurado? Somente com o gerenciamento de todo esse capital intelectual coletivo. Daí a necessidade da gestão do conhecimento!
Com a velocidade das transformações e a atual complexidade dos desafios, ganhar longevidade nesse mercado inconstante não é tarefa fácil. Empreendimentos públicos e privados devem antecipar suas estratégias aos fatos, precisam ser pró-ativos em suas decisões e reinventar-se a cada dia.
O que garante a segurança na tomada de decisões é a disponibilidade de todas as informações e conhecimentos possíveis. Quando esse capital intelectual está inacessível, disperso ou desorganizado, o futuro torna-se temeroso, incerto. A gestão do conhecimento veio em auxílio dos empreendedores no desenvolvimento de soluções relacionadas à competitividade e inovação nas empresas.
O cerne da gestão do conhecimento é justamente preocupar-se com a organização do conhecimento humano para que esse possa ser usado de maneira inteligente, gerando mais valor e aumentando o desempenho e a vantagem competitiva. Cabe à GC (Gestão do Conhecimento) criar, identificar, recolher, organizar, armazenar, integrar, partilhar, difundir, transferir, socializar, usar e explorar toda informação, filosofia, política, cultura, valores, normas, procedimentos, rotinas, processos, práticas e experiências dos colaboradores.
Muitos profissionais, com seus saberes individuais, deixam de trocar experiências entre si, impossibilitando o encontro de soluções na base da pirâmide e impedindo a implementação de uma boa gestão do conhecimento. Apoiada na participação ativa da alta administração, a GC coloca todos trabalhadores em contato constante, criando comunidades de aprendizado mútuo, disponibilizando a informação, na hora e no lugar acessível para cada necessidade, evitando retrabalho e sem duplicidade de esforços.
A gestão do conhecimento estimula os indivíduos a buscarem e compartilharem seu capital intelectual, de acordo com suas habilidades, por meio de ferramentas criadas para esse fim como, por exemplo, redes internas, portais, conversas informais, grupos de trabalho, lições aprendidas, comunidades de práticas, assistência a colegas, análise de rede social, colaboração em rede, narrativas, educação corporativa, inteligência nos negócios, processo de criação e inovação e gestão de intangíveis. O resultado se materializa na aplicação desses saberes cotidianos no ambiente de trabalho.
Os benefícios são inúmeros tanto para a pequena empresa como para as gigantes multinacionais e até governos e o melhor: está disponível para qualquer tipo de empreendimento. Basta vontade de crescer e aprender sempre. Em primeiro lugar, as instituições ganham agilidade e mais capacidade de resposta aos problemas imediatos, tornam-se mais competitivas e rentáveis. Os trabalhadores, por sua vez, sentem-se valorizados e motivados. Isto aumenta o seu rendimento produtivo, auxilia no desenvolvimento de competências e facilita a comunicação entre os pares. Esses perdem o medo natural de compartilhar ideias geradoras de inovação e de enfrentar novos desafios. Além disso, a GC também propicia conscientização do pessoal em torno do negócio, criando e aplicando o conhecimento em novos produtos, nos processos, na execução de tarefas para atingir a excelência operacional, no atendimento ao consumidor etc. Tudo isso agrega valor à organização.
Para as empresas, a GC melhora a capacidade de atrair profissionais comprometidos com resultados de longo prazo, com conhecimentos e habilidades diversas, gera empregabilidade, diminui a rotatividade, estimula a criatividade e a vontade constante de aprendizado. Otimiza, ainda,  os processos internos e os fluxos de trabalho. Desta forma, a gestão do conhecimento gera valor às organizações, diferenciando-as das demais.  Propicia um melhor aproveitamento do conhecimento já existente, contribui para a redução de custos, para o aumento de competitividade e receita. Também  os investimentos em capacitação profissional acabam por retornar mais rapidamente.
A agilidade nas respostas e o comprometimento são notados pelos clientes que percebem a sensível melhora no atendimento e na qualidade dos serviços, ou seja, quando uma decisão é tomada com mais segurança, rapidez e competência há uma melhor obtenção de resultados percebidos. Outra vantagem é conhecer os pontos fortes e fracos da organização para buscar a correção de rumos e a melhoria contínua.
Invariavelmente, empreendimentos bem sucedidos são aqueles nos quais a gestão do conhecimento faz parte do ambiente e de sua cultura organizacional. Em outras palavras, faz parte do seu DNA, isto é, está intrínseca nos processos, sistemas, comportamento e valores. São aqueles que utilizam a GC como recurso estratégico para gerar vantagem competitiva e aumentar o valor de mercado. São os que incorporam essa inteligência coletiva à tecnologia, atendimento, produtos e serviços. Exemplos não faltam, Apple, IBM, MPX, Tetrapak, Natura, Correios, Petrobras, Vale, entre muitas outras. Essas empresas já entenderam que o conhecimento é um gerador de riquezas, é um fator fundamental para mantê-las competitivas no mercado, fortalecer suas competências e melhorar seu desempenho. Esse capital não tem preço, portanto, não pode ser negociado!


*Sonia Wada é pesquisadora, formada em Biblioteconomia e Documentação pela ECA/USP, especialista em informação tecnológica e gestão do conhecimento e mestre em Inteligência Competitiva. Atualmente é diretora presidente da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br) e do KM Brasil 2012 – Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento que acontece em agosto, em São Paulo. E-mail: linksbgc@linkportal.com.br



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