terça-feira, 27 de setembro de 2011

MEMÓRIAS DO RÁDIO ESPORTIVO



 
Comecei a acompanhar narrações esportivas mais atentamente por volta dos 11 anos de idade, no início da década de 1970.
O tipo de narração era mais ou menos padrão: um speaker de voz poderosa e rápida, estilo turfe; um comentarista de voz lenta e doutoral; e um ou dois repórteres de campo, além do plantão esportivo, que informava resultados de outros jogos.
Em Santos, eu costumava escutar a Rádio Atlântica, cujo narrador era Walter Dias, com comentários de Jorge Shammas e reportagens de João Carlos, o corisco dos repórteres. É verdade que várias vezes a torcida já estava gritando gol e o narrador ainda estava no meio de campo. Lembrando disso, me veio à mente o impagável esquete do narrador de futebol gago, imortalizado por Zé Vasconcellos...
Quando o Santos FC jogava clássicos, no entanto, eu preferia ouvir a Rádio Nacional de São Paulo, que tinha Pedro Luiz, Mário Moraes, Juarez Suares e Roberto Carmona.
Aí, um dia, eu passeava pelo dial do rádio de pilha quando descobri a Jovem Pan.
O estilo narrativo era irresistível, a começar por Osmar Santos, que reinventou a transmissão esportiva, trazendo a ?firula? do campo para a voz. Não foi à toa que passou a ser chamando de Pai da Matéria.
Os outros narradores da Pan eram apenas José Silvério e Edemar Anusek! Os comentaristas também eram supimpas: Orlando Duarte e Cláudio Carsughi, com seu sotaque italiano indefectível, ainda mais preciso quando acompanhava o Velho Barão, Wilson Fittipaldi, nas corridas de Fórmula 1, nos tempos de Emerson, Wilsinho e José Carlos Moco Pace. No campo, desfilavam Fausto Silva (o Faustão) e Wanderley Nogueira; equipe que teve, mais tarde, o aporte de um jovem cabeção de Muzambinho: um tal Milton Neves... Mas, o que mais me surpreendeu foi o que veio depois do futebol e antes do Terceiro Tempo, que na época era um noticiário geral, de fim de domingo da emissora. O nome desse programa resumia com absoluta perfeição o que ele era: Show de Rádio. Seus protagonistas: Estevam Sangirardi, Nelson Tatá Alexandre, Carlos Roberto Escova, Odayr Batista e, algum tempo depois, Serginho Leite. Eles personificavam personagens hilários, que representavam, entre outros, cada time grande de São Paulo: o Palmeiras tinha a Nona, o Fumagalli e o cachorro Vardema Fiúme; o Corinthians tinha o Zoca Zifio, o Pai Jaú e a Nega; o São Paulo tinha o Lorde Didu Morumbi e seu mordomo corintiano, sistematicamente assim chamado: - Archibald! Archibáaáaáaáald!; e o Santos tinha dois portuários: o Zé das Docas e o Lança-Chamas, este invariavelmente bebaço e, entre um cochilo e outro, perguntando: - O Santos joga hoje?
Os domingos e quartas-feiras terminavam mais felizes, e eu, ainda menino, tinha a ilusão da eternidade das coisas boas... Até que a Rádio Globo de São Paulo, sucessora da Nacional, resolveu contratar Osmar Santos e, de quebra, levou Faustão, Tatá e Escova, provocando o que foi uma das maiores disputas entre emissoras da época, com direito a editoriais e acusações de assédio.
Osmar Santos, que vivia a dizer para os jogadores mascarados: Desce daí! Desce daí, que você não ta com essa bola toda!, virou o Pai do merchandising, mandando tanto Oi, fulano! Oi, sicrano!; que a torcida já estava gritando gol, quando ele se tocava que tinha um jogo em andamento. Na nova casa foi criado o Largo da Matriz, programa nos moldes do Show de Rádio e, logo em seguida, Faustão, Tatá e Escova começaram a apresentar a primeira versão do caótico Perdidos na Noite, na TV Gazeta, que depois foi para a Band e, mais adiante, o então gordinho (Ô loco, meu!) foi sozinho para perpetrar o Domingão do Faustão, na Globo.
As transmissões esportivas radiofônicas voltaram a ficar resumidas aos jogos, plantões esportivos e programas muito parecidos entre si, cujo diferencial único estava num narrador ou comentarista mais espirituoso.
Ainda bem que existe o Na Geral, da Rádio Bandeirantes, que conta com um gênio Beto Hora. É impressionante como ele consegue interpretar três personagens brigando entre si, ao mesmo tempo! Mudar de um tipo para outro, entre dezenas, sem perder o rumo! E ainda dar opiniões sérias por esses alteregos.
Esse é um dos muitos fascínios do rádio, talvez o maior deles, só comparável à leitura: mexer com nossa imaginação!
Por essas e por outras é que, em suas múltiplas e dinâmicas facetas, o rádio vive em constante processo de reinvenção de si próprio e, quando bem utilizado: informa, entretém, educa e também sabe ouvir.
 
Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor

Feliz da vida



Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br

No Skina 22 eu conversava com “Zorongo” que foi um dos primeiros a rumar para São Paulo na década de 60. Jovens que mal haviam terminado o Tiro de Guerra viraram bancários de uma hora para a outra.
“Morávamos num casarão, o ´Ninho das Águias`, em Moema”, contava Mário “Zorongo” e lembrava-se de uma casinha, parede e meia, onde morava um casalzinho. Aos sábados a moçada não trabalhava e a mulher se exibia, vestindo um shortinho muito curto e cavado que deixava todos alucinados.
“Ela ouvia, ´Que queres tu de mim`, com Altemar Dutra”, lembrava Mário. “Que queres tu de mim/Que fazes junto a mim/Se tudo está perdido, amor”, e ele deixava os boêmios estupefatos enquanto fazia melodrama e dizia que Evaldo Gouveia e Jair Amorim eram gênios.
“Minha mãe me enviou uma carta dizendo que meu pai fora preso pelos milicos. Depois foi inocentado por um coronel em Juiz de Fora, mas já perdera seu emprego público. Foi então que me demitiram do banco”, contava “Zorongo”.
“Voltou para casa?”, perguntei interessado naquela história.
“Zorongo” pediu mais uma caipirinha e mais uma Brahma antes de responder.
“Que nada! A casa caíra de vez. Meu velho saía bem cedinho, com uma pasta de couro na mão, como se fosse trabalhar na sua repartição e sentava-se numa mesa no Bar Pinguim. Bebia cachaça com groselha o dia inteiro e voltava cambaleando. Sua história de vida acabou. Morreu de cirrose”, contava com os olhos cheios d água.
Muito tempo depois Mário “Zorongo” foi para Belo Horizonte procurar trabalho até que encontrou Antonieta, uma morena que não era bonita, mas tinha pernas compridas, lindas. O pai dela era gerente de uma empresa de mineração e arranjou emprego para o genro na mesa de open market de um banco.
“Verdadeiramente só pensava em voltar para cá por que detestava Beagá. Um dia fui para a rodoviária e peguei o primeiro ônibus. Deixei para trás um amor e um bom emprego. Tinha idéias impossíveis de realizar com meu pequeno capital. E ouvia os versos da música cantada por Altemar Dutra: ´Não sei o que pedir/ Se tudo o que desejo é paz/Que culpa tenho eu/ Se tudo se perdeu...”, cantarolava Mário “Zorongo”.
Devorávamos um “Frango à Passarinho” enquanto ele dizia que um dia encontrou em sua casa uma maquina de escrever Olivetti Lettera.
“Naquele momento tive mais do que uma inspiração, uma iluminação! As pequenas cidades não possuíam jornais impressos. Não havia notícias locais. Lembrei-me de um conhecido dono de uma gráfica em Juiz de Fora. Fiz lá o número zero de um jornal modelo e saí vendendo a idéia. Em pouco tempo eram mais de cinqüenta locailidades e eu trabalhava até alta madrugada na redação e depois levava para imprimir”, ele me dizia olhando o movimento das mocinhas que passavam pela rua.
“Não sei o que pedir/ Se tudo o que desejo é paz/ Que culpa tenho eu/ Se tudo se perdeu”, falava Mário “Zorongo’. “De repente cansei de tudo aquilo e viajei para São Paulo. O `Ninho das Águias` tinha sido demolido e em seu lugar ergueram um enorme prédio residencial. A casinha da moça de shortinho também desaparecera. A maior parte dos que haviam imigrado para lá voltara para casa. Todos, menos um, que morrera num incêndio, do Joelma ou do Andraus, não me lembro. Ouvia a música no ar. E eu estava ali e feliz da vida, pois ela é feita de momentos...E tenho uma bela história para contar ao lado de Antonieta, a mulher de lindas pernas”, disse e cochilou por entre copos, maços de cigarros e garrafas vazias...

Poesia


PRIMAVERA III

Primavera das estações é a mais bela,
Com teu olhar extremamente lindo,
Com teu sorriso, nunca esquecido,
Que nunca foi, e não será fingido.

Quando chega setembro...
Já começo a te esperar.
Pois sei que é nesse mês que voltas,
Voltas a nos encantar!
Não só com a beleza que trazes para a terra,
Como também para o mar.

Com teus jardins floridos,
Aqui ou, em outro lugar.
Os mesmos com o teu perfume,
Começam a nos deslumbrar.
Mostrando que na verdade...
Igual a ti outra não há...


Vivaldo Terres

sábado, 24 de setembro de 2011

GENTE POBRE: O Primeiro Clássico de Dostoievski











“Gente Pobre”, Primeiro Romance de Dostoievski
A marca do gênio já no nascedouro literário






Silas Correa Leite







"Gente Pobre" é o romance de estreia de toda a importante obra literária de Dostoievski, e que o revelou de imediato como escritor de grande futuro, inaugurando um estilo introspectivo-psicológico sem igual até o seu tempo histórico.

“A vontade de escrever é tão forte quanto a aversão pelas palavras.
Odiamos as palavras porque demasiadas vezes encobrem o vazio
e a vileza. Desprezam as palavras porque empalidecem diante da emoção
que nos atormenta. E, no entanto, outrora, a palavra significava dignidade
humana e era o melhor bem do homem – um instrumento de comunicação
entre pessoas” - Gustaw Jarecka



O romance Gente Pobre, escrito quando Fiodor Dostoievski tinha apenas 25 anos, é um poderoso livro de crônica social e entreditos, marco de um início que seria uma carreira literária retumbante. Duas personagens centrais, um humilde funcionário público e uma costureira que trocam correspondências entre si. “Jovem Dostoieviski: a síntese da arte e da verdade” (Bielinsk). Uma caracterização da pobreza à moda russa, daqueles tempos tenebrosos muitas vezes depois retratados com outras tantas tintas. Em São Petersburgo, os problemas diários relacionados com a habitação, a comida e o vestuário, e todo o sombrio entorno decorrente clarificado na obra marcada. O frio e a frieza de uma sociedade que ignora os pobres. Crítica social contundente, comendo pelas beiradas narrativas. Segundo alguns historiadores, uma das obras que mandou o autor para a cadeia siberiana.

Obra aparentemente sentimental, num entender primário que seja, em narrativa que propositalmente parece ser de simples crônicas, feito trocas de cartas (sentimentos, sonhadores, gente pobre; tristezas retratadas com primor), entre Makar Aleksieivitch, servidor público, e Varvara Aleksieievna, órfã desonrada – mais o subsolo da vida, inflexões, inquietações; a intimidade sagrada da penúria compartilhada. O miniobscuro retratado por miseráveis anônimos, essa gente miúda, anômalos, entre minitristezas, desavessos, a quase ralé no subúrbio de uma São Petersburgo. Cartas-janelas abertas entre escombros de sombras, zombarias, desprezos, toda uma obscuridade material. A agudeza de percepção já então determinante.

Gente Pobre é o inicio do ciclo literário geral de Fiodor Dostoievski (Noites Brancas, Os Irmãos Karamazov, 1879), o maior escritor do mundo de todos os tempos. Eram os 25 anos de um gênio então já se apurando na escrita, despertando assim, para sentir seu tempo e as humilhações da época, desesperos; um olhar sobre todas as coisas da sofrida gente. E ainda as citações: O russo, o mais rico dos dialetos eslavos, porque se conhece sua origem (Mikhail Lomonorov), “a riqueza, a expressividade e a concisão do latim e do grego”. As anotações do exímio e cult tradutor Luis Avelima (que também é poeta, escritor, jornalista e já traduziu François Villon, Henri Lefebre, Aristófanos, Mikhail Bulganov) à guisa de apresentação, enriquecem em muito o historial datado da obra, agora em primorosa nova edição (lançamento comentado por Manuel da Costa Pinto na Revista São Paulo, da "Folha de São Paulo") da Editora LetraSelvagem.

A “alma” das dores reinantes. A “alma” dos medos. A “alma” das inquietudes. A humanidade de seu tempo caprichosamente retratada desde a repartição pública viciada, à espelunca encardida frente a uma humilhação sobrevivencial. Vítimas preenchendo espaços do cenário literal. Gente Pobre é o retrato dessa gente humilde que nutre as injustas sociedades e são a verdadeira “alma humana” delas todas, de todos os vieses, tempos e ideologias multifacetadas. O humanismo possível? “Apesar de tudo, é verdade que tais homens (...), homens de peso, só existem na Rússia(..) Têm a verdade de seu lado, e esta e o bem triunfarão sempre sobre o vicio e a maldade” (Nascimento de um Escritor/1877, Diário de um Escritor, Dostoievski).

É claro que não seria um livro com o feitio criacional de Fiodor Dostoievski se uma carga psicológica - implícita ou não - não carregasse as tintas das personagens retratadas com especificidades contundentes, onde os seus passados pessoais se misturam com os seus feitios e reações, sequelas até. Frederico García Lorca já tinha se manifestado sobre o maior escritor do mundo depois reconhecido: “O insigne escritor russo, Fiodor Dostoievski, foi muito mais pai da revolução russa do que Lênin”.

Gente Pobre é o romance de estreia de toda a importante obra literária de Dostoievski, e que o revelou de imediato como escritor de grande futuro, inaugurando um estilo introspectivo-psicológico sem igual até o seu tempo histórico. Baseado na correspondência entre duas pessoas extremamente pobres que se amam numa relação terna mas infrutífera, sem perspectiva de consumação, um platônico de beijar paredes, para lembrar Clarice Lispector. Triste narrativa pungente da condição humana em torno desses dois personagens, como vítimas de fatalidades da vida numa sociedade onde poucos conseguem realmente sair do ramerão, e onde muitos se movem numa crueldade austera entre si, forçadas pelas inóspitas condições em que vivem. Makar e Varenka vivem um amor idílico ensombrado pelo que os circunda (Makar é muito mais velho que Varenka), agravando as suas próprias condições a um nível desesperador e quase doentio, mas sempre com alguma perspectiva de esperança fundadas em ilusões muitas das vezes patéticas, algo falsamente ingênuas, ilustrativas, no entanto, ao alcance do coração humano que tudo pode sonhar, sem se importar com as verdadeiras condições em que se encontra, principalmente nessas condições por assim dizer desprezíveis. A percepção no delinear a realidade que então sentia, pensava e proseava sobre. Aguda consciência de seu tempo percorre as narrativas trocadas...

O retrato social das camadas pobres de São Petersburgo em meados do século XIX, numa sociedade agonizante em que até os diferenciados sobrevivem em condições de penúria, então retratados de forma realista com episódios e personagens reveladoras dos desesperados e dos sem recurso, quase párias. E você vendo esses tempos atuais repetindo o passado, com quadros de dramas sociais e individuais, mais as vítimas de burocracias, desgraças várias, e também o egoísmo ou despotismo, próprios do ser humano pouco ser e ainda muito pouco humanus. Nada mudou. Nada mudará? O que foi será de novo, o que foi erração continua sendo, e o devir ainda é sombrio como as noites da Rússia de antigamente. A sustentação da narrativa do autor, situação de questionamento tácito, compreender quase o invisível... nas arestas do sobreviver de cada parte evocada em situação de penúria existencial. Próprio de gênio.

Dostoievski: a sentença de ser grande desde o começo. O preço de. A sina de ser genial. O destino de ser considerado para muitos o maior escritor do mundo, um mito que, já em Gente Pobre, vai revelando o artista comprometido com a causa humana: de retratar a sobrevivência possível, a alma humana respirando as sofrências pela perspectiva da esperança como inteligência da vida. Dostoievski compreendeu mais a alma humana do que a própria alma humana compreendia a si mesma. Escrever, criar, revela a nossa própria alma, disse Demétrio. Com Dostoievski a lucidez então emergente no achadouro de entender as essências do subviver, a flor da consciência, o território da contemplação, restaurando nos quadros narrativos a própria busca da dignidade humana. O dialogo entre pobres seres solitários, na miserabilidade pungente de vidas efêmeras, entregues... a consciência da incompletude e a ciência que não há final feliz no dezelo humano...

Acima de toda a desgraça e pobreza adjacentes, sobrepõem-se as poucas alegrias que justificam a existência e todas as mágoas dela decorrentes, quando momentos sonhados aparecem lampejos cruciais de que os outros não são assim tão maus quanto parecem, tentam sobreviver com as amarras decorrentes do custo de estarem vivos. A história de amor não acaba de forma feliz nem infeliz. Não há felicidade ou infelicidade, e sim de uma forma realista que dá ainda mais valor ao romance, com amor e momentos sublimes de pura emoção descritos de forma única, como se não terminasse, sim, talvez até se prolongue através dos tempos, com as vítimas da realidade e dos acontecimentos que forçam os destinos e acabam destemperando momentos e artes, fugas e desencontros, incompletudes e impropriedades. A realidade da vida retratada com maestria e a sabedoria de ter um olhar que paira sobre a triste condição humana, desde esses remotos tempos.

Em resumo: a história que se passa num dos bairros miseráveis de São Petersburgo, onde um funcionário de meia-idade vai trocando correspondência com uma jovem costureira que é na realidade a sua vizinha admirável, parece simples assim, triste assim, resgatadora enfim, mas traz o humanismo de coragem, a esperança sustentadora, o retrato de ser simples com contundência. Sim, pobres para se casarem, o amor passa todo por estas cartas onde contam um ao outro os pequenos acontecimentos do dia-a-dia, e onde relatam as suas vidas sofridas, refletindo individualidades quase insignificantes pela miséria, como cartas marcadas de um jogo perdido, como a própria história que é remorso, e que retrata sim, essa GENTE POBRE, que só sobrevive quando uma alma criativa se debruça sobre ela, retratando, dando prismas cênicos, fazendo chorar, tocando corações e mentes, debulhando um ramalhete doloroso de lágrimas e feições humanas, até porque, afinal, por triste que seja, ao término da leitura do clássico Gente Pobre, você fica com um sentido vazio, um gosto de quero mais, de idílio interrompido, uma tristice pegajenta, um cismar amargo, compreendendo que, sim, em toda vida-livro-aberto, há o imponderável “final feliz” em que todos morrem.

A arte vale a vida, o sentido da vida? Nesse caso, ficou a obra inaugural, um marco, feito o autor depois reconhecido mundialmente e consagrado, e ainda o inevitável e triste retrato da penúria de seres que se entrelaçam mas não se consagram, e nem na verdade consumem o amor que é mesmo sempre por isso quase por um triz.

Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br
WWW.portas-lapsos.zip.net


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

poesia




PRIMAVERA II

 

És uma estação maravilhosa,

Com poder de revigorar,

Aos chegares já vás tratando de dar vida à natureza,

Que com a tua falta, estava a se lamentar.

 

Pois sem ti a alegria não é a mesma,

Sem ti o sentimento até se extingue,

Sem ti a poesia fica calada,

Contigo nada morre tudo vive.

 

És a estação que nos eleva,

Que nos alimenta, sem exceção!

Pois não só nos dás vida, e alimentas a natureza,

Como também dás vida a nossa alma, e aos nossos corações.

Vivaldo Terres


Supervisão Escolar: Capitalismo e Ideologia

Supervisão Escolar: Capitalismo e Ideologia


Vamos colocar em ênfase a supervisão escolar, apontando as habilidades com fins e inspeção, administração, planejamento e orientação. Para falar de tais ideias, devemos observar que vivemos em meio ao processo de aceleração militarizada do ensino. A reforma universitária de 1968 consagrou a militarização do ensino superior; no entanto o sistema educacional tradicional ofereceu algumas resistências, provando que o sistema escolar não pode ser substituído rapidamente por outro. Mas as intenções mesmo estando em prática não foram totalmente aplicadas.
Convém acrescentar que esta concepção de militarização foi trazida para o Brasil por especialistas norte-americanos, que tende á reprodução dos privilégios desta classe; militar e burguesa.
Referindo a tal ideia, podemos observar que o curso de pedagogia, tem por função de formar a "oficialidade" os "dirigentes", criando uma separação dentro da escola, entre o "comando" e as "bases" (professores e alunos). E isto pode ser regra de quartéis, não regra na escola; porém o curso de pedagogia não pode formar os dirigentes; estes só conhecem a parte teórica e sem a prática, sem o trabalho na escola eles não podem ter um olhar de dirigente ou supervisor.
A supervisão é uma atividade que nasceu com a empresa capitalista, ou seja, com a industrialização, criada com objetivo de promover lucro máximo com mínimo tempo, mas com sua evolução, foi se tornando mais sofisticada e a ideologia industrial penetrou na escola, a transformando em uma empresa, a qual não só resistiu como também passou a utilizar o dicionário economicista. A supervisão escolar é um exemplo, embora tenha desviado de suas origens, ultrapassando as concepções integradoras, coordenadoras; fica claro que para substituir a "supervisão escolar" por "coordenação pedagógica" deve-se muda a ideologia.
De modo geral, para colocar em pratica a ideologia correta do ensino, precisamos de técnica administrativas, as quais são muito criticadas não pelo seu grau de importância e sim pela sua insuficiência para a realização dos exercícios amplos e das tarefas pedagógicas.
Para da concretibilidade de tal ideia podemos mostra passagens de vivida, as quais afirma que nós como professores devemos ser educadores e não domesticadores, neste sentido o supervisor deve produzir aprendizagem não apenas intelectuais, mas igualmente afetiva, ética, social e política.
Pois uma boa supervisão é aquela onde a produção e aprendizagem na escola é decorrente das relações humanas, que estabelece um trabalho coletivo. Em meio as contradições citadas, foi fundamental para criar a contra-ideologia que, tornou-se válidas na medida em que se concretiza.


Dhiogo José Caetano 

dhiogocaetano@hotmail.com

ARTIGO: A TECNOLOGIA INCORPORADA À EDUCAÇÃO


A Tecnologia Incorporada à Educação

 

          Uma vez que o sistema educacional sofre poucas mudanças numa estrutura normativa complexa, não é de se estranhar a dificuldade com que as instituições escolares enfrentam o choque do contemporâneo. Celulares proibidos em sala de aula, calculadoras e tablets excluídos da rotina e computadores utilizados apenas como chamariz para disputas de mercado; esta é a situação que se encontra tanto na rede pública e privada e nos diversos níveis de ensino. A incapacidade de lidar com o novo e de tirar proveito das vantagens da tecnologia remetem tudo à proibição. Há mais de quatro décadas as calculadoras portáteis surgiram no mercado e até hoje são raras as escolas brasileiras que destinam alguma atenção ao ensino para o manuseio e para o proveito de seu uso; o que dizer então dos computadores e celulares. Há uma necessidade de mudança paradigmática na visão da escola para a tecnologia, principalmente pela velocidade com que tudo se torna obsoleto.

 

Segundo Manolo Perez, coordenador pedagógico da Ponto Cursos e Concursos, apesar da utilização das novas tecnologias ser inevitável, há muita resistência entre professores e instituições de ensino. "O uso de smartphones, tablets e computadores em sala de aula instaura uma certa anarquia quando o processo é visto do ponto de vista de uma educação disciplinar. Esse não é o caso quando implementamos um projeto pedagógico interdisciplinar". Segundo o professor, mestre em Supervisão Educacional e doutor em Educação e Currículo pela PUC/SP, algumas experiências já existem nesse sentido, algumas produzidas como pesquisas vinculadas ao GEPI – Grupo de Estudos e Pesquisas em Interdisciplinaridade. Estas experiências mostraram que muitas vezes o aluno está melhor preparado que o professor na utilização das novas tecnologias, o que gera desconforto em docentes que veem seu papel como sendo de alguém que não pode mostrar falhas ou desconhecimento. Dessa maneira ele perde a oportunidade de aprender com o aluno apresentando ao mesmo tempo um olhar reflexivo sobre a tecnologia, coisa que este ainda não tem preparo para fazer.

 

As tendências sociais apontam inexoravelmente para a incorporação das novas tecnologias em todas as experiências de ensino, no entanto essa adoção irá nos desafiar nos próximos anos em relação ao papel que alunos e professores devem tomar nas salas de aula reais e virtuais.

 

"A velocidade com que se conseguem informações, imagens e videos sobre quase todos os assuntos, fazendo uso dos novos equipamentos de uso diário como celulares, note ou netbooks, tablets, etc. deve ser encarada como uma vantagem didática", afirma Perez.

 

A tecnologia é aliada do saber, e lidar com suas possibilidades e transformações deveria ser parte do currículo escolar em todos os momentos para que não existam abismos cada vez maiores entre aqueles que se aproximam das novas ferramentas e aqueles que as abominam, gerando novos tipos de "analfabetismos".

 

Há alguns anos, saber usar um computador distinguia toda uma nova geração de uma geração anterior pouco informatizada e virtualizada; nestes anos, nota-se que a distinção vai além do uso dos computadores, e se refere à capacidade de lidar e de se adaptar a mudanças em paradigmas informacionais e midiáticos.

 

Infelizmente o que pouco se vê nas escolas são aulas das diferentes disciplinas ganhando em riqueza de possibilidades com a ousadia de professores em abraçar a tecnologia ao seu alcance.

 

Fica difícil imaginar aulas de Geografia, História, Literatura ou Biologia sem o uso de imagens, sons e canais interativos. Mesmo que a escola, ou o professor não tenha em mãos esses canais, basta que um dos alunos os tenham para que ocorra a socialização na sala de aula, e todos aprendam pelo menos como poderão tirar proveito disto.

 

A proibição e o conservadorismo podem ter efeitos terríveis sobre a escola ampliando a separação entre o academicismo e a prática, tão inseparáveis na construção de uma sociedade em constante formação.


Prof. Manolo Perez, mestre e doutor em Educação pela PUCSP e coordenador da escola Ponto Concursos

 

Embrapa participa de debates, mostra tecnologias e lança publicações na Agrotins

  Foto: Ivanna Suzarte A vitrine de tecnologias está passando pelos últimos ajustes para o evento Mais uma vez, a  Embrapa  marca presença n...