quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A boa e a má sorte de cada um



Pedro Coimbra




Quem não viveu na década de 50 talvez não possa avaliar como o Brasil era pobre, bem longe do consumismo de hoje.

Classe média não existia e as pessoas eram simplesmente divididas em poderosos proprietários rurais e os pobres.

Deslocávamos de uma cidade para outra em prosaicas Maria Fumaças, as mulheres com redinhas na cabeça e os homens de guarda pó para evitar a fuligem das fagulhas.

Dois tios meus, o João Pádua e o Renato Coimbra, eram bem de vida como se dizia e proprietários de carros importados. Pretos. É claro.

Mas quando passávamos pela Praça Sete em Belo Horizonte, mamãe fazia questão de comprar um ou dois bilhetes da rifa de deslumbrantes e coloridos Cadillacs que nunca eram sorteados, evidentemente.

O conceito de sorte, faz parte da vida dos menos favorecidos através de amuletos, como ferraduras de cavalo, trevos de quatro folhas, e confundi-se muitas vezes com forças sobrenaturais. As pessoas já nasceriam com boa ou má sorte.

Nesta época o rádio era o sucesso do momento para todos e o teatro rebolado. o “hit” dos políticos e eninheirados do Rio de Janeiro, Capital da República.

Foi quando surgiu uma revista que se definia pelo próprio título: Escândalo.
Dirigida por Freddy Daltro, pseudônimo do jornalista Nilson Risardi, sua especialidade era as matérias sensacionalistas sobre os artistas.

Então, no dia 17 de junho de 1952, soube-se que Freddy Daltro fora seqüestrado e torturado, só não morrendo por circunstâncias próprias da vida, depois de ser espancado e enterrado na areia da praia..



Nunca se soube quem resolvera eliminar o jornalista difamador. Apenas que tivera muita sorte em sobreviver.
Anos depois nos arredores de Belo Horizonte, Bruno, Macarrão e Coxinha formam uma turma muito unida, solidária na falta de recurso e com relacionamentos familiares estranhos.
Mas Bruno consegue vencer os problemas da vida e com muito talento e sorte torna-se um goleiro famoso.
Ganha muito direito, compra muitas propriedades, continua junto com os amigos Macarrão e Coxinha e anda com lindas mulheres que os amigos denominam de namoradas, amantes e noivas, em orgias sem fim.
Mas, uma delas, Eliza Samúdio, sai dos limites estabelecidos e desaparece.
Para a Polícia foi simplesmente morta pelos asseclas de Bruno.
Vão todos parar na cadeia e fica uma dúvida: Se fosse inocentado Bruno voltaria a jogar num grande clube de futebol?
Má sorte ou boa sorte do goleiro Bruno que pelo andar da carruagem acabaria em outras encrencas.
Na verdade esta é a representação da boa e a má sorte de cada um....
Afinal de contas a boa sorte não é pra qualquer um.

A rua e a moça do piano


Pedro Coimbra


Houve um tempo, que já vai longe, em que não se dava nomes aos logradouros, ruas, avenidas e praças, de pessoas que haviam partido deste mundo para um melhor, mas de flores e outros fatos corriqueiros na vila de 901 casas.
´ E assim que o educador Firmino Costa, na sua “História de Lavras” lista as ruas existentes no começo do século: do Cruzeiro, da Pedreira, Alta, Soledade, Umbela, Novo Século, Passa Vinte, Nova, Direita, Santo Antônio, da Esperança, Bela Vista, do Calvário, Dona Inácia, das Mercês, do Fogo, do Instituto , do Córrego, das Flores, Caetano Machado e Veneza. Mais as travessas da Misericórdia, de Santo Antônio, do Rosário, Dr. Costa Pinto, Municipal, de Sant´Ana e das Mercês.
O mesmo historia diz que a rua do Fogo era assim denominada pois ali viviam famílias de brigões.
Sou apaixonado por essa rua do Fogo desde que retornamos para Lavras e fui morar na rua Sant´Ana. Naquela época, no final da rua, que já foi apelidada de “Vieira Souto de Lavras” não havia a ligação com a rua Firmino Sales e moravam famílias abastadas.
Com o tempo comprei e reformei um casa no começo da rua hoje denominada de Bernardino Macieira, um paisagista que era pai da minha tia Maria Emília e que dentre outras criou o perfil da atual Praça Dr. Augusto Silva.
Um enfermeiro de um laboratório que colhe material para exame a domicílio me advertiu que a denominação agora ia mudar pelo grande número de viúvas que aqui existiam.
Isso não me assusta. Preocupa si a possibilidade de um vereador tresloucado mudar o novamente o nome.
Seria com certeza mais um problema para os carteiros e entregadores.
O que me assusta agora é o silêncio tenebroso na rua, onde raramente se vê crianças brincando pela rua.
Aliás o silêncio não é total pois um prefeito “sabichão” desviou para cá o trânsito dos ônibus intermunicipais.

De qualquer maneira gosto de me sentir meio dono da rua do Fogo, como deve ter acontecido com meu tio Maurício Ornelas, o “seu” Alcides da Metrópole, o Martinho Sena, o Serginho, o “seu” Leônidas, o Gibinha, o João Oscar, o Ernani Alves e outros mais.
Ouço um som de piano ao entardecer. Tenho certeza que não é um CD, não se trata de música eletrônica, é música ao vivo.

Quando era adolescente o Instituto Gammon mantinha no térreo do Martha Roberts uma espécie de Conservatório Musical e uma das professoras era a Dona Cecília Veiga. Ali vi estudando a Georgette Mansur e levavam anos para se formar.

Mas, quem dedilha o teclado de um piano maravilhoso na rua do Fogo?

O piano é um instrumento derivado dos antigos cravos, e quando bem tocado chega a ter uma sonoridade angelical.
Sei da dificuldade para tirar os sons daqueles martelos que batem sobre cordas porque era incapaz de fazer qualquer melodia numa flautinha com talo de mamona como fazia o Luciano Carvalho.

Hoje em dia aquele que pretender aprender a tocar o instrumento terá bastantes dificuldades, a começar pelo preço exorbitante do instrumento.

Tanto procurei que encontrei esta musicista às escondidas.

É a Luciana, professora no Gammon, filha do Mauro Ferreira, parente da minha mulher e meu vizinho.

Não precisava mesmo nem ser uma virtuose ao piano, com sua beleza e seus lindos olhos claros.

Sou incapaz de identificar os autores das músicas que executa, mas qualquer dia tomo coragem e peço que interprete “Ticket to Ride”, dos Beatles.

Até lá a Luciana pode encher de melodia a rua do Fogo com o que o seu sentimento musical mandar….


Livro traz material inédito sobre a história do Clube Atlético Paranaense

Foi lançado dia 29 de novembro o livro Clube Atlético Paranaense - Uma Paixão Eterna, de Heriberto Ivan Machado e Valério Hoerner Junior, na Arena Store, espaço anexo ao estádio do Atlético.

Segundo Milene Szaikowski, que promove os encontros mensais do Círculo de História Atleticana, o livro é uma edição atualizada e revisada da primeira obra lançada em 1994, intitulada Atlético - A paixão de um Povo. “O livro traz toda a história do Clube Atlético Paranaense, incluindo desde a fundação do Internacional e do América, que são os clubes que originaram o Atlético”, afirma.

O livro tem 366 páginas e 365 fotografias, muitas delas inéditas, e servirá como fonte de consulta para todas as gerações sobre a história do clube. “Todos os méritos do livro são dos professores Heriberto e Valério Hoerner Junior. Porém, nos encontros do Círculo, volta e meia surgem alguns materiais inéditos. No último encontro, por exemplo, um dos participantes levou uma fotografia que o professor ainda não tinha e na mesma hora ele disse:  ‘Essa vai pro livro!’”, conta Milene.

Serviço: Livro Clube Atlético Paranaense - Uma Paixão Eterna
Autores: Heriberto IvanPublicar postagem Machado e Valério Hoerner Junior
Preço do livro: R$ 60,00
Tiragem: 1000 livros

Caixinha decorada com guardanapo natalino


Artesanato de Natal




REPASSANDO AOS LEITORES DA PARTES MIRIM E DO PROJETO DE LEITURA CRIANÇA FELIZ, O LINDO CARTÃO DE NATAL QUE RECEBEMOS DA "LOU" _ site_ "VELHOS AMIGOS"


Quatro batalhas

Homem que é homem, não chora! Diz um estúpido e anacrônico ditado.

 Estúpido porque associa o choro, abençoado mecanismo orgânico, bom na tristeza e na alegria, à fraqueza masculina, esquecendo que o problema nunca esteve no chorar, mas no motivo do choro. Talvez por terem sido doutrinados a não chorar, alguns homens tornaram-se tão insensíveis que perderam a noção de humanidade.

Esse ditado também é anacrônico, pois, ao qualificar sensibilidade como fraqueza é tão ultrapassado como outro: “honrar as calças que veste”. Se fosse assim, gregos, romanos, escoceses e todos os que usam túnicas seriam, por princípio, desonrados. E o que dizer dos indígenas, então? Hábitos mudam com o tempo e não fazem o monge...

Isso é coisa tão antiga como aquela história do “fio de bigode”; ou como outra que dizia que homem de verdade faz barba com navalha; ou que “macho” que é “macho” fuma cigarro sem filtro; ou que o capitão nunca abandona o navio, se bem que, nesse caso, os “ratos” continuam sendo os primeiros a abandoná-los: navio e capitão. Mera aparência!

Ainda há pessoas que se impressionam e se submetem a lideranças rudes e arrogantes, que seguem essas tradições estúpidas e anacrônicas, ou criam suas próprias. A maioria delas, aliás, é “para inglês ver”, criando uma aura de fortaleza para ocultar imensos vazios morais e espirituais. Muitas delas até se armam para defender ideais, às vezes mal entendidos ou aplicados, até porque ideais precisam de abstração antes de concretizar mudanças. E elas só são duradouras quando conscientemente aceitas, nunca quando são impostas, por mais heróica que seja a defesa do ideal!

Não é à toa que mudanças culturais demoram gerações! As que ocorreram abruptas, radicais que sucederam radicais, foram violências que o tempo se encarregou de revidar, pois o rancor permaneceu represado, a espera que o prato esfriasse para vir à tona.

As guerras, grandes ou pequenas, geram esse tipo também anacrônico e estúpido de rancor, ranço egoísta. Egoísta porque muitos dos que escolheram lutá-las, vitoriosos ou derrotados, insistem em creditarem-se lendas e viverem delas, quando apenas fizeram o que decidiram fazer!
Qualquer “guerra” só é justa quando constrói pontes onde havia muralhas! Quando toma as pedras do caminho e as usa para pavimentá-lo! Quando consegue transformar sociedades injustas em igualitárias sem derramar uma única gota de sangue, sem disparar um único tiro, sem perder uma única alma! E suas vitórias duradouras!
Apesar de todos os percalços e ranços político-ideológicos, a história recente da democracia brasileira vem buscando trilhar esses caminhos, e já chega a um quarto de século! E desde que foi restabelecida, junto com a liberdade de imprensa, vem demonstrando vigor, apesar de continuar cheia de humanos defeitos, que não a desabonam enquanto ideal.

Já elegemos e reelegemos presidentes de idades e formações acadêmicas diferentes, e o medo deixou de permear nossos atos, substituído pelo bom senso e pela vontade de conhecer cada vez mais profundamente essa milenar senhora chamada democracia.

E porque essa crença não vê limites anacrônicos, agora é a vez de uma senhora dirigir os destinos do Brasil! Senhora que, depois de demonstrar fortaleza para enfrentar e vencer três batalhas - doença e dois turnos -, em vez de vangloriar-se com suas certezas, verteu lágrimas de agradecimento e conclamou ao diálogo, em nome de algo muito maior do que o egoísmo e a vaidade de alguns: o Brasil!

Dilma Roussef será presidenta de todos os brasileiros pelos próximos quatro anos: sua próxima batalha!
Espero que ela não siga nenhum dos ditados anacrônicos e estúpidos que mencionei não apenas por ser mulher, mas principalmente por ser mulher!

Que ela governe com razão e sensibilidade; que erre o mínimo possível, mas que saiba reconhecer seus erros e compartilhar seus acertos; que torne nosso país forte e autônomo, embora nunca arrogante; e que saiba ouvir todos os reclamos e conselhos, de onde quer que surjam, mas principalmente os que vêm diretamente do povo, pois é somente a ele que ela deve se reportar e servir!

Adilson Luiz Gonçalves
Mestre em Educação
Escritor, Engenheiro, Professor Universitário e Compositor

Exposição de Maria Auxiliadora Silva encerra temporada em Nova York ampliando debate sobre arte brasileira

  Com curadoria de Bruna Grinsztejn, a mostra reuniu pinturas que despertaram discussões sobre memória, identidade, relações sociais, trabal...