quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Presidente Castello Branco será o primeiro município a adotar o sistema GeoFrota da Embrapa

 

A partir da esquerda: Supervisor do Núcleo de Tecnologia da Informação da Embrapa Suínos e Aves, Geordano Dalmedico, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Suínos e Aves, Franco Martins, secretário de Agricultura de Pres. Castello Branco, Carlos Eduardo Machado, coordenador de Agricultura de Pres. Castello Branco, Láercio da Silva, vice-prefeito de Pres. Castello Branco, Cleiton Frigo, representante da Ekodata, Marco Antônio Ramme, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves Cláudio Miranda, analista da Embrapa Suínos e Aves Mateus Lorenzetti, e o chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe


 

O município catarinense de Presidente Castello Branco vai ser o primeiro a utilizar o GeoFrota, sistema de informação desenvolvido pela Embrapa Suínos e Aves para gerenciar pedidos e registrar serviços agrícolas realizados por prefeituras, associações ou empresas terceirizadas.

 

Um acordo de cooperação técnica para fins de desenvolvimento, validação técnica e mercadológica do GeoFrota foi assinado ontem à tarde na Embrapa em Concórdia, com a presença do chefe-geral do centro de pesquisa, Everton Krabbe, o chefe-adjunto de transferência de tecnologia, Franco Martins, o pesquisador Cláudio Miranda, o vice-prefeito de Castello Branco, Cleiton Frigo, o secretário de Agricultura do município, Carlos Eduardo Machado, do coordenador de Agricultura, Laércio da Silva, e o representante da empresa Ekodata Tecnologia e Saneamento Ambiental, Marco Antônio Ramme.

 

Criado em 2021, durante o projeto Smart (Desenvolvimento de um modelo de gestão ambiental para bacias hidrográficas com produção intensiva de animais na região Sul do Brasil – 2019-2022), o protótipo do GeoFrota tinha como objetivo inicial acompanhar a aplicação de biofertilizantes suínos nas lavouras. Desde então, o sistema foi ampliado e adaptado, ganhando funcionalidades que o tornam mais atrativo para uso pelos municípios.

 

A ferramenta permite comprovar a aplicação de recursos públicos em serviços prestados a produtores rurais e evidenciar a correta destinação dos biofertilizantes gerados pela suinocultura. Os dados também poderão apoiar estudos sobre sustentabilidade, biosseguridade e outras áreas de pesquisa.

 

Para o chefe-geral da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe, a iniciativa reforça o papel estratégico da rastreabilidade nas cadeias produtivas. “Esse investimento em sistemas como o GeoFrota mostra a preocupação constante com a biosseguridade, fundamental para Santa Catarina, responsável por 55% das exportações brasileiras de carne suína no primeiro bimestre de 2025”, destacou.

 

Segundo o pesquisador Cláudio Miranda, responsável pelo desenvolvimento, o software tem caráter social por dispensar equipamentos específicos, já que pode ser acessado pelo celular. Ele ressaltou ainda que os dados coletados poderão ser integrados ao SGAS, o Sistema de Gestão Ambiental da Suinocultura, também criado pela Embrapa.

 

O vice-prefeito Cleiton Frigo avaliou que a implantação do GeoFrota trará ganhos imediatos à administração municipal. “A ferramenta não só vai automatizar as solicitações de serviço, hoje feitas manualmente em blocos de papel, como também vai melhorar a gestão das informações”, afirmou.

 

Caberá à empresa EkoData a implantação do sistema, o treinamento dos usuários e o acompanhamento dos testes, com possibilidade de sugerir customizações e melhorias.

 

Localizado no Alto Uruguai Catarinense, Presidente Castello Branco tem 65 km² de área e população estimada em 1.711 habitantes, segundo o IBGE. A principal atividade econômica do município é a agricultura.

A liderança tem o poder de desenvolver potenciais


Especialista em Recursos Humanos do Buttini Moraes acredita que cuidar, inspirar e transformar motiva os profissionais a ampliarem sua produtividade e se aperfeiçoarem constantemente, liberando todo seu potencial

Desempenho e Potencial são conceitos fundamentais para avaliar e desenvolver profissionais no ambiente corporativo, cada um com foco em diferentes horizontes temporais e características, mas igualmente essenciais para o crescimento individual e o sucesso organizacional. O desempenho reflete o presente, traduzindo-se nos resultados concretos e mensuráveis que um profissional entrega em suas funções atuais, como o cumprimento de metas e a qualidade das entregas, evidenciando sua competência técnica e impacto imediato. Já o potencial aponta para o futuro, indicando a capacidade de um profissional evoluir, assumir responsabilidades maiores e se adaptar a desafios, por meio de características como curiosidade, resiliência e visão estratégica. Enquanto o desempenho avalia o que o profissional entrega agora, com base em suas habilidades atuais, o potencial analisa comportamentos e atitudes que sinalizam sua capacidade de desenvolvimento e contribuição futura.

“Para as empresas equilibrarem esses dois pilares é crucial: profissionais de alto desempenho, que garantem resultados imediatos, enquanto aqueles com alto potencial representam os futuros líderes, capazes de impulsionar a inovação e a sustentabilidade do negócio. Para os profissionais, cultivar ambos evita a estagnação, abre oportunidades de carreira e assegura um impacto duradouro, alinhando sucesso individual e organizacional”, diz Neide Leite Galante, diretora de recursos humanos, gestão e desenvolvimento de pessoas do ButtiniMoraes.

Segundo a profissional, há 28 anos, quando começou a trilhar sua jornada na gestão de escritórios de advocacia, não imaginava o quanto a liderança poderia ser uma força transformadora. “Ao longo dessas quase três décadas, descobri que liderar não é apenas alcançar metas ou celebrar o bom desempenho. Liderar é cuidar com empatia, inspirar com propósito, transformar com coragem e desenvolver profissionais para que descubram seu verdadeiro potencial. Essa visão, forjada na prática, mudou outras vidas e a minha própria história”, conta Neide.

Desconstruindo o mito do Bom Desempenho

Neide detalha que, por muito tempo, o mundo corporativo acreditou no bom desempenho: prazos cumpridos, metas batidas, números impressionantes. Mas, ao olhar para os jovens profissionais que cruzavam meu caminho, percebi que essa métrica, embora necessária, era limitante. “Esta visão reduz pessoas a resultados, ignorando suas aspirações, talentos e sonhos. Um profissional que apenas performava bem poderia estar preso a uma zona de conforto, longe de alcançar o que realmente era capaz”, enfatiza a especialista do ButtiniMoraes Advogados.

 

O ideal é, em vez de focar em resultados imediatos, os gestores enxerguem cada profissional como um potencial único, uma chama esperando para ser acesa. Essa mudança de perspectiva não é apenas uma estratégia de gestão, é um compromisso com o futuro de cada pessoa que confiava em mim.

 

O poder de uma liderança transformadora

Liderar com cuidado e inspiração exige coragem. No ambiente corporativo, no qual a pressão é constante e o tempo parece escasso, criar espaço para o desenvolvimento humano é um ato de ousadia. Lembro-me de uma profissional jovem, talentosa, mas insegura, que hesitava em assumir desafios. Em nossas conversas, percebi que ela precisava de confiança, não apenas de instruções. Com mentorias próximas, deleguei a ela projetos que a desafiavam, mas também a apoiavam. Aos poucos, vi sua postura mudar: de tímida, ela se tornou uma líder admirada, hoje lidera uma grande equipe de uma empresa multinacional. Sua transformação é um dos muitos legados que carrego com orgulho.

Essa experiência se repetiu inúmeras vezes. Investi em treinamentos personalizados, criei espaços para feedback honesto e celebrei cada conquista, por menor que parecesse. Ao longo dos anos, vi jovens profissionais, estagiários, advogados e equipes administrativas florescerem, assumindo papéis de liderança, propondo inovações e construindo carreiras brilhantes. Cada história de sucesso reforçou minha crença: o líder não forma apenas profissionais competentes, mas pessoas que transformam o mundo ao seu redor.

Os pilares de uma liderança que inspira

Para transformar potenciais em realidades, a liderança deve se apoiar em quatro pilares fundamentais:

  • Cuidar com empatia: escutar ativamente, compreender as necessidades individuais e oferecer suporte genuíno criam um ambiente no qual as pessoas se sentem valorizadas.
  • Inspirar com propósito: um líder deve compartilhar uma visão que conecte o trabalho diário a um significado maior, motivando a equipe a dar o melhor de si.
  • Transformar com ousadia: identificar talentos escondidos e oferecer oportunidades desafiadoras é o que permite que profissionais superem suas próprias expectativas.
  • Desenvolver com compromisso: investir em aprendizado contínuo, delegar com confiança e celebrar o crescimento constroem carreiras duradouras.

 

Um legado de transformação

Liderar é um ato de amor e responsabilidade. É acreditar que cada pessoa tem algo extraordinário a oferecer e dedicar-se a ajudar a descobrir isso. “Que possamos abandonar a visão estreita do bom desempenho e abraçar a liderança que cuida, inspira e transforma. Isto porque, quando desenvolvemos potenciais, não apenas construímos carreiras, construímos um futuro mais humano, ético e brilhante”, acredita Neide.

A liderança que motiva e desenvolve potenciais é uma força poderosa para moldar o futuro de profissionais. Quando um líder investe tempo em compreender as aspirações de sua equipe, como um mentor que oferece feedback construtivo e oportunidades de crescimento, é criado um ambiente no qual a confiança floresce. “Líderes transformadores, como os que implementam programas de capacitação, mostram que, ao oferecer ferramentas e autonomia, é possível despertar talentos adormecidos, permitindo que jovens profissionais alcancem resultados extraordinários. Essa abordagem não apenas eleva o desempenho individual, mas também constrói equipes resilientes e inovadoras, capazes de enfrentar os desafios do futuro. Assim, o verdadeiro poder de um líder reside em sua capacidade de cuidar, inspirar e transformar, desbloqueando o potencial humano para criar um impacto duradouro na vida e na carreira dos profissionais”, conclui a especialista do ButtiniMoraes Advogados.

A liderança tem o poder de desenvolver potenciais


Especialista em Recursos Humanos do Buttini Moraes acredita que cuidar, inspirar e transformar motiva os profissionais a ampliarem sua produtividade e se aperfeiçoarem constantemente, liberando todo seu potencial

Desempenho e Potencial são conceitos fundamentais para avaliar e desenvolver profissionais no ambiente corporativo, cada um com foco em diferentes horizontes temporais e características, mas igualmente essenciais para o crescimento individual e o sucesso organizacional. O desempenho reflete o presente, traduzindo-se nos resultados concretos e mensuráveis que um profissional entrega em suas funções atuais, como o cumprimento de metas e a qualidade das entregas, evidenciando sua competência técnica e impacto imediato. Já o potencial aponta para o futuro, indicando a capacidade de um profissional evoluir, assumir responsabilidades maiores e se adaptar a desafios, por meio de características como curiosidade, resiliência e visão estratégica. Enquanto o desempenho avalia o que o profissional entrega agora, com base em suas habilidades atuais, o potencial analisa comportamentos e atitudes que sinalizam sua capacidade de desenvolvimento e contribuição futura.

“Para as empresas equilibrarem esses dois pilares é crucial: profissionais de alto desempenho, que garantem resultados imediatos, enquanto aqueles com alto potencial representam os futuros líderes, capazes de impulsionar a inovação e a sustentabilidade do negócio. Para os profissionais, cultivar ambos evita a estagnação, abre oportunidades de carreira e assegura um impacto duradouro, alinhando sucesso individual e organizacional”, diz Neide Leite Galante, diretora de recursos humanos, gestão e desenvolvimento de pessoas do ButtiniMoraes.

Segundo a profissional, há 28 anos, quando começou a trilhar sua jornada na gestão de escritórios de advocacia, não imaginava o quanto a liderança poderia ser uma força transformadora. “Ao longo dessas quase três décadas, descobri que liderar não é apenas alcançar metas ou celebrar o bom desempenho. Liderar é cuidar com empatia, inspirar com propósito, transformar com coragem e desenvolver profissionais para que descubram seu verdadeiro potencial. Essa visão, forjada na prática, mudou outras vidas e a minha própria história”, conta Neide.

Desconstruindo o mito do Bom Desempenho

Neide detalha que, por muito tempo, o mundo corporativo acreditou no bom desempenho: prazos cumpridos, metas batidas, números impressionantes. Mas, ao olhar para os jovens profissionais que cruzavam meu caminho, percebi que essa métrica, embora necessária, era limitante. “Esta visão reduz pessoas a resultados, ignorando suas aspirações, talentos e sonhos. Um profissional que apenas performava bem poderia estar preso a uma zona de conforto, longe de alcançar o que realmente era capaz”, enfatiza a especialista do ButtiniMoraes Advogados.

 

O ideal é, em vez de focar em resultados imediatos, os gestores enxerguem cada profissional como um potencial único, uma chama esperando para ser acesa. Essa mudança de perspectiva não é apenas uma estratégia de gestão, é um compromisso com o futuro de cada pessoa que confiava em mim.

 

O poder de uma liderança transformadora

Liderar com cuidado e inspiração exige coragem. No ambiente corporativo, no qual a pressão é constante e o tempo parece escasso, criar espaço para o desenvolvimento humano é um ato de ousadia. Lembro-me de uma profissional jovem, talentosa, mas insegura, que hesitava em assumir desafios. Em nossas conversas, percebi que ela precisava de confiança, não apenas de instruções. Com mentorias próximas, deleguei a ela projetos que a desafiavam, mas também a apoiavam. Aos poucos, vi sua postura mudar: de tímida, ela se tornou uma líder admirada, hoje lidera uma grande equipe de uma empresa multinacional. Sua transformação é um dos muitos legados que carrego com orgulho.

Essa experiência se repetiu inúmeras vezes. Investi em treinamentos personalizados, criei espaços para feedback honesto e celebrei cada conquista, por menor que parecesse. Ao longo dos anos, vi jovens profissionais, estagiários, advogados e equipes administrativas florescerem, assumindo papéis de liderança, propondo inovações e construindo carreiras brilhantes. Cada história de sucesso reforçou minha crença: o líder não forma apenas profissionais competentes, mas pessoas que transformam o mundo ao seu redor.

Os pilares de uma liderança que inspira

Para transformar potenciais em realidades, a liderança deve se apoiar em quatro pilares fundamentais:

  • Cuidar com empatia: escutar ativamente, compreender as necessidades individuais e oferecer suporte genuíno criam um ambiente no qual as pessoas se sentem valorizadas.
  • Inspirar com propósito: um líder deve compartilhar uma visão que conecte o trabalho diário a um significado maior, motivando a equipe a dar o melhor de si.
  • Transformar com ousadia: identificar talentos escondidos e oferecer oportunidades desafiadoras é o que permite que profissionais superem suas próprias expectativas.
  • Desenvolver com compromisso: investir em aprendizado contínuo, delegar com confiança e celebrar o crescimento constroem carreiras duradouras.

 

Um legado de transformação

Liderar é um ato de amor e responsabilidade. É acreditar que cada pessoa tem algo extraordinário a oferecer e dedicar-se a ajudar a descobrir isso. “Que possamos abandonar a visão estreita do bom desempenho e abraçar a liderança que cuida, inspira e transforma. Isto porque, quando desenvolvemos potenciais, não apenas construímos carreiras, construímos um futuro mais humano, ético e brilhante”, acredita Neide.

A liderança que motiva e desenvolve potenciais é uma força poderosa para moldar o futuro de profissionais. Quando um líder investe tempo em compreender as aspirações de sua equipe, como um mentor que oferece feedback construtivo e oportunidades de crescimento, é criado um ambiente no qual a confiança floresce. “Líderes transformadores, como os que implementam programas de capacitação, mostram que, ao oferecer ferramentas e autonomia, é possível despertar talentos adormecidos, permitindo que jovens profissionais alcancem resultados extraordinários. Essa abordagem não apenas eleva o desempenho individual, mas também constrói equipes resilientes e inovadoras, capazes de enfrentar os desafios do futuro. Assim, o verdadeiro poder de um líder reside em sua capacidade de cuidar, inspirar e transformar, desbloqueando o potencial humano para criar um impacto duradouro na vida e na carreira dos profissionais”, conclui a especialista do ButtiniMoraes Advogados.

terça-feira, 19 de agosto de 2025

“Likes” destrutivos: infâncias roubadas, adultos infantilizados

 

André Naves (*)

 

Vivemos sob os efeitos de um espelho invertido. De um lado, empurramos nossas crianças para uma vida adulta que não lhes pertence, cobrando performance, estética e consumo. Do outro, nós, os adultos, nos refugiamos em uma infantilidade cômoda, movida a recompensas instantâneas e a uma aversão crescente à complexidade e à responsabilidade. Este aparente paradoxo não é um acaso. É o sintoma mais claro de uma sociedade que abdicou da maturidade em troca do entretenimento; e o preço dessa troca é o futuro de toda uma geração.

 

O motor dessa engrenagem é um sistema econômico que transformou a atenção em mercadoria e o cidadão em consumidor. As plataformas digitais, com seus algoritmos viciantes, são a mais perfeita expressão desse modelo. Para as crianças, elas vendem a "adultização" como um produto aspiracional, monetizando cada gesto e criando uma legião de pequenos influenciadores ansiosos. Para os adultos, o produto é outro: um fluxo infinito de conteúdo simplificado, debates polarizados e desafios virais que nos mantêm engajados, mas dóceis. Ao nos tratar como crianças que só respondem a estímulos fáceis, o sistema nos infantiliza e, assim, nos torna coniventes com o roubo da infância alheia.

 

O resultado dessa engenharia social é uma tragédia gritante que se desenrola dentro de casa. O adulto infantilizado, treinado para a gratificação imediata e para a superficialidade das relações digitais, perde as ferramentas essenciais para guiar uma criança no mundo real. Como ensinar o valor da paciência, da resiliência e do pensamento crítico quando nós mesmos estamos presos em um ciclo de dopamina que dura quinze segundos? A criança "adultizada" é, em grande parte, o reflexo de um adulto que não consegue mais exercer a complexa e bela tarefa de ser um porto seguro.

 

Diante desse cenário, a resposta mais comum é clamar por políticas públicas, leis e regulação. E, sem dúvida, são passos necessários. Temos legislações avançadas, como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Marco Civil da Internet. O problema é que essas leis são como um software sofisticado tentando rodar em um hardware social e político quebrado. A fiscalização é precária e a execução de políticas públicas falha porque, como sociedade, perdemos o fôlego para projetos de longo prazo. A mesma lógica imediatista que nos prende às telas infecta a gestão pública, que prefere o paliativo vistoso ao investimento estrutural e silencioso.

 

É aqui que a verdadeira solução se revela, não como um remendo, mas como a única forma de reconstruir nosso "hardware" social: a Educação. Não falo apenas de instrução formal, mas de uma Educação para a vida, que fomente o senso crítico, a inteligência emocional e a ética do cuidado. É ela que pode fornecer as ferramentas — os "anticorpos" — para que crianças e adultos se tornem resilientes à manipulação dos algoritmos e à cultura do consumo desenfreado. Investir em Educação é a forma mais eficaz de quebrar o feitiço do algoritmo.

 

Portanto, a luta pela proteção da infância é, fundamentalmente, uma luta pelo resgate da nossa própria maturidade. Exige que nós, adultos, tenhamos a coragem de desligar o piloto automático, de buscar a profundidade em vez da distração e de assumir a responsabilidade por construir um mundo onde as crianças tenham o direito de ser, simplesmente, crianças. É um duplo resgate, e um depende inteiramente do outro.

 

* André Naves é Defensor Público Federal formado em Direito pela USP, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social; mestre em Economia Política pela PUC/SP; Cientista Político pela Hillsdale College e doutor em Economia pela Princeton University. Comendador Cultural, Escritor e Professor (Instagram: @andrenaves.def).



sexta-feira, 15 de agosto de 2025

Com apelo à ação e foco na cooperação, Seminário Nacional pela Alfabetização encerra debates em Fortaleza

 

 
FOTOS: Carol Dias

Fortaleza - 07 de Agosto de 2025 - A capital cearense recebeu, nos dias 06 e 07 de agosto, o Seminário Nacional pela Alfabetização, que reuniu autoridades nacionais, gestores e especialistas da área para debater os rumos da alfabetização no Brasil. O evento, que contou com cerca de 500 participantes presenciais e aproximadamente 20 mil inscritos online, teve sua abertura marcada por falas que reforçaram o compromisso coletivo com a alfabetização das crianças brasileiras na idade certa.

Fotos: Carol Dias

O ministro da Educação, Camilo Santana, defendeu o regime de colaboração entre União, estados e municípios como pilar essencial para o sucesso do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). “Não aceitaremos retrocessos quando o assunto é alfabetizar nossas crianças”, afirmou. Ele também comemorou a criação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância, destacando o papel do MEC na coordenação dessa nova frente.
 

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, compartilhou a trajetória de melhoria nos índices de alfabetização do seu estado. “Saímos de 92% de crianças que não sabiam ler, escrever e interpretar, muitas delas só se alfabetizavam no 4º ou 5º ano. Isso criava um sentimento de exclusão. Com muito trabalho e apoio aos municípios, avançamos. Hoje, Goiás alcançou 72,7% de crianças alfabetizadas na idade certa. Ainda estamos atrás do Ceará, com seus mais de 85%, mas vamos continuar avançando com seriedade e dedicação”, destacou Caiado.
 

Já no segundo dia de evento, as discussões foram voltadas à equidade, mobilização social e avaliações. Participação importante no encontro, Márcio Pochmann, presidente do IBGE, destacou o papel das políticas públicas eficazes: “Estamos vivendo uma época permeada de mudanças e isso nos leva a refletir sobre a alfabetização. Um país que se coloca cada vez mais no centro do mundo, com as suas dificuldades, evidentemente, mas também com uma imensa oportunidade, tem um desafio muito grande que é construir políticas de natureza preditiva, de enfrentamento das desigualdades regionais, esse é nosso grande desafio”.
 

O Senador da República e Presidente da Subcomissão Permanente da Alfabetização na Idade Certa, Cid Gomes, defendeu a alfabetização como prioridade nacional e destacou a educação como vetor de transformação social. “Estou na vida pública porque acredito que todas as pessoas devem ter a chance de realizar seus sonhos, e isso só é possível por meio da educação. Nosso maior desafio é garantir uma escola pública de qualidade para todos os brasileiros”, lembra.

Fotos:Carol Dias

Já o presidente do INEP, Manuel Palacios, enfatizou os processos de avaliação: “A avaliação feita pelos sistemas estaduais serve como uma ferramenta de apoio à gestão de uma maneira muito mais significativa do que uma avaliação nacional sem o ponto de vista das iniciativas estaduais. No rastro dessa iniciativa, sistemas de incentivo estaduais ao progresso da educação brasileira foram criados em quase todas as unidades da federação. Precisa-se criar um ambiente de incentivo continuado, que seja vinculado entre a União e o Estado. Nós precisamos ter avaliações convergentes e estamos empenhados em tornar nossas avaliações mais sensíveis às realidades das redes e mais úteis para o planejamento educacional”, reforçou.
 

Em sua fala final do evento, Veveu Arruda, diretor-presidente da Associação Bem-Comum reforçou a relevância do encontro: “Nós reunimos 500 pessoas no auditório, representando todos os estados brasileiros e o Distrito Federal. E tivemos uma participação expressiva, com quase 20 mil pessoas do Brasil e de outros países. É assim que a gente consegue reverberar a agenda da alfabetização na idade certa, que, apesar dos esforços importantes feitos nos últimos anos, ainda precisa ser uma prioridade na nação brasileira. Mesmo o Brasil sendo o único país do sul global que tem um programa nacional para a superação do analfabetismo, que é o Compromisso Nacional da Criança alfabetizada (CNCA), por meio do regime de colaboração da União com estados e municípios, nós ainda precisamos, juntos, enfrentar esse problema do analfabetismo. A troca de experiência que tivemos nesses dois dias foi tão rica que saímos com uma animação no coração e na cabeça de que seremos, sim, capazes de alcançar a meta que o próprio governo federal estabeleceu, de alfabetizar, até 2030, 80% das crianças”.
 

O Seminário Nacional pela Alfabetização foi promovido pela Aliança pela Alfabetização (Associação Bem Comum, Fundação Lemann e Instituto Natura), e Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAEd), em parceria com o B3 Social e Fundação Vale.

Embriaguez ao volante: vítimas ficam desamparadas por falta de políticas públicas

 


 

Mais de 3,5 mil acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras, entre janeiro e novembro de 2024, foram relacionados por embriaguez ao volante, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os sinistros provocaram 178 mortes e deixaram 2.828 pessoas feridas. No maior estado do país, que representa 28% da frota brasileira, os números também impressionam. De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), no ano passado, cerca de 13 mil motoristas foram autuados por alcoolemia (recusa, direção sob efeito de álcool e embriaguez), um aumento de 29% no comparativo com 2023.


“Infelizmente, todos nós estamos submetidos à irresponsabilidade de pessoas que assumem o risco de dirigir alcoolizadas. Atualmente, um Projeto de Lei tramita no Congresso Nacional para tornar a embriaguez ao volante com resultado morte em crime hediondo, sob a ideia de se fazer Justiça em casos de acidentes com vítimas fatais. No entanto, quando os sinistros deixam feridos e sequelados, no Brasil não existe nenhuma política pública de amparo às vítimas”, diz Lucio Almeida, presidente do CDVT – Centro de Defesa das Vítimas de Trânsito, Organização Não Governamental sem fins lucrativos e com atuação em todo o território nacional.


Almeida denuncia, inclusive, dos retrocessos e desmontes nas políticas públicas relacionadas às vítimas de acidentes de trânsito. “Primeiro teve o fim da arrecadação do DPVAT (Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por Veículos Automotores de Via Terrestre), em 2020. Recentemente, denúncias de que os valores do FUNSET (Fundo Nacional de Segurança e Educação no Trânsito) estão sendo contingenciados para despesas do governo. E agora a proposta de acabar com a obrigatoriedade de autoescola para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). São medidas completamente inadequadas para um país que tem um dos trânsitos mais violentos do mundo”, contesta.


A política de um seguro obrigatório não é uma inovação recente. Iniciou-se em 1929 na Suécia, transformando-se num modelo que se estende atualmente por diversos países, inclusive nos menos desenvolvidos ou economicamente inferiores ao Brasil. No Peru, Equador ou Venezuela, por exemplo, as vítimas são cobertas pelo SOAT (Seguro Obrigatório de Acidentes de Trânsito), que cobre despesas médicas e hospitalares, independentemente de quem seja o culpado pelo acidente. “Seja motorista, passageiro ou pedestre, todos têm direito a um respaldo digno em caso de acidente. Portanto, não podemos mais tolerar que sejam tratados com todo esse descaso”, conclui o presidente do CDVT.


Dinheiro parado - Almeida também destaca a necessidade da liberação por parte das empresas de seguro dos R$ 2,6 bilhões que já haviam sido arrecadados pelo DPVAT para o fundo de indenizações para as vítimas de trânsito, que já foi determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). “Com esse valor, seria possível indenizar todas as vítimas de 2023 e 2024, por exemplo”, afirma o presidente do CDVT.


Cobrança feita também pelo DPU (Defensoria Pública da União), que entrou com uma ação judicial para assegurar que vítimas de trânsito recebam suas indenizações devidas, mas que tiveram seus pedidos negados ou bloqueados, apesar de cumprirem todos os critérios legais. Essas pessoas se acidentaram entre novembro de 2023 e dezembro de 2024, período em que o SPVAT estava em vigor, mas enfrentava entraves legais.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Ministros das Comunicações e da Cultura lançam programa para promover transformação digital em territórios culturais e tradicionais

 Evento ocorreu em Salvador, nesta sexta-feira (8), quando foi assinado Acordo de Cooperação Técnica entre as duas pastas

Foto: Peter Neylon/MCom

Salvador (BA) foi palco, nesta sexta-feira (8), do lançamento do Programa Cultura Conectada, iniciativa que nasce da parceria entre os ministérios das Comunicações e da Cultura com o objetivo de promover a transformação digital de territórios culturais e tradicionais por meio da entrega de computadores recondicionados e da oferta de formação digital.
 

O evento contou com a presença dos ministros das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, e da Cultura, Margareth Menezes, que assinaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) para a execução do programa.

A parceria contempla dois eixos programáticos do Cultura Conectada: Afro-Digital – Conectando Quilombos e Terreiros, com a participação da Fundação Cultural Palmares; e o Cultura Viva Conectada – Comunicação e Territórios em Rede, voltado à inclusão digital dos Pontos de Cultura em todo o país.
 

"Com essa parceria, vamos levar inclusão digital a mais comunidades quilombolas, terreiros tradicionais e espaços culturais de matriz africana. Uma parceria que vai além da doação de computadores. Estamos falando de formação, conectividade, produção de conteúdo e valorização de saberes tradicionais”, destacou o ministro Frederico de Siqueira Filho, destacando que por meio do Programa Computadores para Inclusão, o MCom já instalou 50 pontos de conexão em comunidades quilombolas de diversos estados do Brasil.
 

Na primeira etapa do Programa, está prevista a doação de 200 computadores recondicionados, sendo 132 destinados a 44 comunidades quilombolas e 68 a 17 terreiros tradicionais. Além disso, serão implementadas a produção do Mapa Nacional dos Quilombos Conectados e a inclusão da conectividade em territórios quilombolas no Programa de Governo Eletrônico — Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac).
 

"Essa parceria reflete o compromisso do presidente Lula entre as nossas pastas, Ministérios da Cultura e das Comunicações. Unindo forças para combater a desigualdade, promover a inclusão digital e cultura onde as pessoas mais precisam", afirma a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
 

O Programa Cultura Conectada é uma política pública em construção, voltada à ampliação do acesso à tecnologia e à conectividade entre agentes culturais, especialmente aqueles vinculados a ações afirmativas e territórios periféricos, quilombolas e tradicionais.
 

A parceria com o MCom se dará por meio do programa Computadores para Inclusão, já executado pela pasta há 18 anos, promovendo o recondicionamento de equipamentos eletrônicos por meio de centros parceiros e fazendo a doação dos computadores a pontos de inclusão digital em todo o Brasil. Até o momento, quase 63 mil máquinas já foram doadas por meio do programa, em 1241 municípios.

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7 Participantes devem se inscrever no Sistema PND. Prazo também foi prorrogado para solicitações de a...