terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

NOTA


O Instituto Vladimir Herzog congratula-se com a Folha de S.Paulo pela reportagem O Instante Decisivo, de autoria do repórter Lucas Ferraz, publicada no dia 5 de Fevereiro último, em que o sr. Silvaldo Leung Vieira admite ter sido quem fotografou o corpo do jornalista Vladimir Herzog, com os joelhos dobrados e apoiados sobre o solo, tendo uma corda envolvendo seu pescoço e presa a uma janela. A foto foi feita em 25 de Outubro de 1975, numa cela do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), notório órgão de repressão política da ditadura que dominava o Brasil na época.

Essa documentação fotográfica da farsa montada nos porões do totalitarismo se destinava claramente a coonestar a versão formalizada em nota oficial pela ditadura, no sentido de que Vlado – como era conhecido pelos amigos – se suicidara. Em conseqüência de processo movido pela viúva Clarice Herzog, tal versão foi posteriormente desmentida pela Justiça e pelo governo brasileiros, que reconheceram ter o jornalista sido torturado e assassinado pelos esbirros que povoavam os cárceres da ditadura. Vlado foi o 38º preso político cuja morte foi oficialmente classificada como suicídio – forma usual de disfarce para o que não passava de assassinato.

Mas a publicação, agora, dessa reportagem se torna extremamente oportuna logo após a sanção, pela Presidência da República, da Lei de Acesso a Informações Públicas e dá renovada urgência à necessidade de implantação e ativação da Comissão da Verdade, com a nomeação de seus membros pela presidenta Dilma Rousseff.

Dedicado à luta pelos direitos humanos à vida e à justiça, o Instituto Vladimir Herzog acredita que uma das primeiras missões dessa Comissão deveria ser a de inquirir o sr. Silvaldo Leung Vieira, com total transparência e isenção, para que ele esclareça pormenorizadamente as circunstâncias em que realizou a foto em questão, de forma a permitir o aprofundamento e ampliação da investigação.

Segundo ele, na condição de fotógrafo da Polícia Civil de São Paulo, recebeu ordem para fazer esse trabalho por requisição do DOPS-Departamento de Ordem Política e Social. Mas quem lhe teria dado essa ordem? Em outras palavras, quem era seu chefe? E quem eram os outros 23 fotógrafos que, segundo ele, foram aprovados no concurso que selecionou esses profissionais para trabalhar na Polícia Civil? O que eles fotografavam, por ordens de quem e o que mais faziam? Por que agora, 36 anos mais tarde, ele resolve se expor publicamente e contar sua história? Que outras pessoas o conheceram na época em que aqueles fatos ocorreram? E muitas outras perguntas.

Tudo isso e mais, acreditamos, deve ser investigado, de forma sábia, objetiva e desapaixonada – mas esclarecedora – pela Comissão da Verdade.   

São Paulo, 7 de Fevereiro, 2012

Empatia: Entenda o que é e use sem economia

Por Marcelo Veras*

Hoje encerro a série de sete reflexões sobre a competência “Relacionamento interpessoal”. Para isso, quero declarar, sem mais delongas, que a palavra que poderia mudar o mundo e principalmente a sua carreira é EMPATIA.
Antes de tudo, preciso dizer que odeio expressões casuais como "rolou uma empatia entre nós!" Que horror! Como a preguiça de consultar um mero dicionário pode ser prejudicial à vida em sociedade! Empatia é uma coisa. Simpatia, outra.

Por que acredito realmente que esta palavra pode mudar a sua vida e a sua carreira? Bom, vamos começar pela definição de EMPATIA, palavra que, no meu artigo anterior, ganhou status de “caminho das pedras” para quem quer descobrir como criar a poupança e o saldo nos seus relacionamentos profissionais. Empatia significa “se colocar no lugar do outro”. O termo que gosto de usar nas minhas aulas para deixar bem claro o que significa EMPATIA é o seguinte: Colocar os seus pés nos sapatos do outro. Esta metáfora carrega a essência deste tão importante conceito. É muito fácil alguém abrir a boca e falar coisas do tipo: - Ah, imagino como fulano deve ter sofrido. – Nossa! Isso deve ter sido duro para ela! Imagina nada! Ninguém tem a menor ideia do que é sentir algumas coisas. Só quem sente sabe. Por m ais que se explique um sentimento, seja ele bom ou ruim, ninguém pode senti-lo a não ser o “dono”. E esta incapacidade generalizada que o ser humano tem de sentir o que o outro sente é a causa de muitas mazelas, não só campo profissional.

E é aqui que se encontra o maior desafio da competência “Relacionamento interpessoal”. Para que você possa encontrar as formas de ajudar alguém no campo profissional, você deve, antes de mais nada, entender o momento desta pessoa, os seus objetivos, os seus desafios, os seus medos, as suas angústias e os seus dramas.

Deixei um desafio no artigo anterior. Pedi-lhe, como dever de casa, que pensasse em como poderia ajudar as pessoas as quais você decidiu colocar na sua rede de contatos, a fim de criar o seu saldo para o futuro. Pois bem, EMPATIA é o caminho. Você só vai conseguir ajudar alguém se você conseguir se colocar no lugar dessa pessoa. Ou seja, mesmo que ela não seja tão clara ou explícita – como a maioria não o é – você deve investir tempo e energia para se colocar no lugar dela e tentar, senão sentir a sua dor, ao menos prospectar alguma identificação com seus medos e suas inseguranças. Para isso, uma coisa talvez precise mudar imediatamente no seu comportamento. Talvez você deva parar de analisar as pessoas à sua volta de forma muito superficial e rápida, formando um juízo equivocado. Vejo muito isso nos corredor es das empresas e nos cafezinhos ou happy hours entre colegas. Falam e criticam alguém sem pudor e sem de fato conhecerem a pessoa. Essa turma vai se dar mal sempre. Talvez seja por isso que ficam patinando na carreira. Fuja desse time. Invista o seu tempo em compreender melhor as pessoas que convivem com você, sem preconceito e tentando sempre exercitar a EMPATIA. Você verá que, ao entender melhor o que uma pessoa da sua rede de contatos está sentindo, você poderá ser o apoio que ela está precisando. E isso, para o seu futuro profissional, terá um retorno sem precedentes. É assim que a vida funciona. E aqui me dou ao direito de enriquecer a citação bíblica já usada anteriormente. De: “É dando que se recebe”, para: “É dando as coisas certas que recebe”. Até o próximo!

*Vice-presidente acadêmico da ESAMC. Associate Partner da AYR Consulting – Consultoria de Inovação. Sócio-diretor da PRIME Educacional – Franqueada ESAMC. Professor de Marketing, Estratégia e Planejamento de Carreira de MBA na ESAMC. Palestrante e consultor de empresas nas áreas de Gestão de Carreiras e Marketing.

Empatia: Entenda o que é e use sem economia

Por Marcelo Veras*

Hoje encerro a série de sete reflexões sobre a competência “Relacionamento interpessoal”. Para isso, quero declarar, sem mais delongas, que a palavra que poderia mudar o mundo e principalmente a sua carreira é EMPATIA.
Antes de tudo, preciso dizer que odeio expressões casuais como "rolou uma empatia entre nós!" Que horror! Como a preguiça de consultar um mero dicionário pode ser prejudicial à vida em sociedade! Empatia é uma coisa. Simpatia, outra.

Por que acredito realmente que esta palavra pode mudar a sua vida e a sua carreira? Bom, vamos começar pela definição de EMPATIA, palavra que, no meu artigo anterior, ganhou status de “caminho das pedras” para quem quer descobrir como criar a poupança e o saldo nos seus relacionamentos profissionais. Empatia significa “se colocar no lugar do outro”. O termo que gosto de usar nas minhas aulas para deixar bem claro o que significa EMPATIA é o seguinte: Colocar os seus pés nos sapatos do outro. Esta metáfora carrega a essência deste tão importante conceito. É muito fácil alguém abrir a boca e falar coisas do tipo: - Ah, imagino como fulano deve ter sofrido. – Nossa! Isso deve ter sido duro para ela! Imagina nada! Ninguém tem a menor ideia do que é sentir algumas coisas. Só quem sente sabe. Por m ais que se explique um sentimento, seja ele bom ou ruim, ninguém pode senti-lo a não ser o “dono”. E esta incapacidade generalizada que o ser humano tem de sentir o que o outro sente é a causa de muitas mazelas, não só campo profissional.

E é aqui que se encontra o maior desafio da competência “Relacionamento interpessoal”. Para que você possa encontrar as formas de ajudar alguém no campo profissional, você deve, antes de mais nada, entender o momento desta pessoa, os seus objetivos, os seus desafios, os seus medos, as suas angústias e os seus dramas.

Deixei um desafio no artigo anterior. Pedi-lhe, como dever de casa, que pensasse em como poderia ajudar as pessoas as quais você decidiu colocar na sua rede de contatos, a fim de criar o seu saldo para o futuro. Pois bem, EMPATIA é o caminho. Você só vai conseguir ajudar alguém se você conseguir se colocar no lugar dessa pessoa. Ou seja, mesmo que ela não seja tão clara ou explícita – como a maioria não o é – você deve investir tempo e energia para se colocar no lugar dela e tentar, senão sentir a sua dor, ao menos prospectar alguma identificação com seus medos e suas inseguranças. Para isso, uma coisa talvez precise mudar imediatamente no seu comportamento. Talvez você deva parar de analisar as pessoas à sua volta de forma muito superficial e rápida, formando um juízo equivocado. Vejo muito isso nos corredor es das empresas e nos cafezinhos ou happy hours entre colegas. Falam e criticam alguém sem pudor e sem de fato conhecerem a pessoa. Essa turma vai se dar mal sempre. Talvez seja por isso que ficam patinando na carreira. Fuja desse time. Invista o seu tempo em compreender melhor as pessoas que convivem com você, sem preconceito e tentando sempre exercitar a EMPATIA. Você verá que, ao entender melhor o que uma pessoa da sua rede de contatos está sentindo, você poderá ser o apoio que ela está precisando. E isso, para o seu futuro profissional, terá um retorno sem precedentes. É assim que a vida funciona. E aqui me dou ao direito de enriquecer a citação bíblica já usada anteriormente. De: “É dando que se recebe”, para: “É dando as coisas certas que recebe”. Até o próximo!

*Vice-presidente acadêmico da ESAMC. Associate Partner da AYR Consulting – Consultoria de Inovação. Sócio-diretor da PRIME Educacional – Franqueada ESAMC. Professor de Marketing, Estratégia e Planejamento de Carreira de MBA na ESAMC. Palestrante e consultor de empresas nas áreas de Gestão de Carreiras e Marketing.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Auto-Cura - é possível?


Aparentemente, cada um de nós é dotado de imenso potencial de auto-cura e não nos faltam exemplos práticos que comprovem esta verdade.

Meir Schneider, fundador da Escola para Auto-Cura 
em São Francisco e criador do Método Self-Healing (Auto-Cura), é um dos exemplos práticos da infinita capacidade humana de auto-recuperação.

De origem Russa e filho de pais surdos, Meir nasceu estrábico, com glaucoma (excesso de pressão nos olhos), astigmatismo (curvatura irregular da córnea), nistagmo (movimento involuntário dos olhos) e com catarata (opacidade do cristalino), ou seja, praticamente cego.

Após ser submetido a cinco dolorosas cirurgias de catarata no espaço de alguns anos, a condição visual do menino, aos sete anos, foi considerada irreversível por um renomado oftalmologista da época. Com a chegada da idade escolar, Meir foi estudar numa escola 
em Tel Aviv para deficientes físicos, e na quarta série primária já dominava a leitura pelo Método Braile.

No entanto, mais ou menos desde os sete anos de idade até a adolescência Meir tentou, a todo custo, ser como os outros meninos e jovens. Ele jamais aceitou a condição de cego e fez o que pode para levar uma vida igual às pessoas de visão normal. A atitude "rebelde", de não ceder ao uso da bengala ou ao cão guia, resultou em muitas topadas, acidentes de trânsito (nada grave), esbarrões em transeuntes e motivo de chacota por parte dos amigos.

A grande mudança na qualidade de vida e transformação da condição de cego para portador de carteira de motorista, pelo Estado da Califórnia, teve início na adolescência. Depois de aprender, com dois amigos, alguns exercícios para visão, Meir trabalhou, incansavelmente, na aquisição e melhora da própria visão através da prática de exercícios visuais e do desenvolvimento de novas técnicas de massagens e movimentos.

Hoje, conhecido internacionalmente, Meir não somente já trabalhou com dezenas de pessoas portadoras de doenças ditas incuráveis, como também ajudou a mudar a história de muitos. Beatriz Nascimento faz parte deste grupo de pessoas: Portadora de distrofia muscular, doença progressiva que leva a degeneração dos músculos, fraqueza e limitação de movimento, Beatriz trabalhou durante 9 anos com Meir e fez progressos, considerado por muitos, quase impossíveis. Formada 
em Terapia Ocupacional e mestre em Ciências Sociais, hoje, ela é uma das conceituadas instrutoras da Escola para Self-Healing.

Muito embora eu não possa dizer que esteja totalmente curada, não seria justo omitir meu próprio caso. Depois de ser diagnosticada com Artrite Reumatóide há três anos, doença progressiva associada ao sistema imunológico, eu também decidi trilhar caminhos não convencionais, uma vez que a medicina tradicional não me pareceu oferecer o que eu buscava - a cura.

Depois de conhecer e estudar na Escola para Auto-Cura, 
em São Francisco
, eu não somente me tornei Terapeuta Self-Healing, como também venho me beneficiando, em muito, do método. Após associar aos trabalhos Self-Healing uma dieta alimentar específica, tenho tido resultados surpreendentes, e acredito que dentro de algum tempo terei dado à inteligência do meu corpo o que ele precisa para se auto-curar: exercícios, movimentos, alimentação adequada, boa respiração e imaginação guiada. 
Rosanne Martins
www.rosannemartins.com.br
Autora do livro "Por Que Sonhar Se Não Para Realizar?"
Sobre: 
Rosanne Martins é autora do livro Por que Sonhar Se Não Para Realizar?”, certificada em Winnipeg em Grupos de Sucesso da autora Barbara Sher,  graduada  no programa de Coaching, Success Principal, de Jack Canfield e em curso avançado de Psych-K, técnica desenvolvida com o objetivo de mudar crenças na mente subconsciente. Recentemente certificou-se pela Escola de Self-Healing (Auto-Cura) em São Francisco, Califórnia e atua como Palestrante Motivacional. Nasceu no Rio de Janeiro, reside em São Paulo e durante 10 anos morou no Canadá. Site: www.rosannemartins.com.br

Ministra Ana lamenta falecimento de Léo do Peixe


Ministério da Cultura

Ministra Ana lamenta falecimento de Léo do Peixe

Parte Léo do Peixe, mas deixa conosco a sensibilidade do pescador e feirante que iniciou sua dedicação levando livros para distrair os filhos na sua barraca em Pirapora/MG, enquanto trabalhava; com isso, atraiu as primeiras rodas de leitura; estas rodas ganharam um tal volume que terminaram virando pontos de leitura, do programa do Ministério da Cultura. Esse seu legado de amor aos livros nas barrancas do São Francisco, materializado em milhares de obras e outro tanto de cadastrados, que giram centenas de obras por semana, ja não cabe mais só na crônica do Velho Chico: é uma história que honra o Brasil. Por isso, me solidarizo neste momento, num misto de homenagem e sentimento de perda, com os familiares, amigos e tantos admiradores deste exemplo de cidadão.
Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura

domingo, 5 de fevereiro de 2012

A voz do Brasil




Pedro Coimbra

            Acompanhava meu amigo Eduardo Lacerda numa quinta-feira, 23 de agosto de 1968, na minha única visita a Ouro Preto,  para a fundação de um cineclube. Estávamos sentados em um barzinho com um pessoal da Universidade bebendo cerveja e cuba livre. Quando de um alto falante distante começou a sair a voz de Vicente Celestino, cantando o “O ébrio” e depois “Coração materno”. Morrera aos 73 anos o tenor que cantava: “ Disse o campônio a sua amada/Minha idolatrada diga o que queres?/Por ti vou matar, vou roubar/Embora tristezas me causes mulher/Provar quero eu que te quero”. Na minha casa este disco tocara na vitrola da minha mãe até gastar. E menino ainda eu assistira o filme o “O Ébrio” dirigido por sua esposa Gilda de Abreu e estrelado por ele.
Sofia, uma das moças sentada ao meu lado, passava suas longas pernas nas minhas, me bolinando. Ela era filha de alemães, seu pai era pintor e muito conhecido na cidade. Parecia ter somente dois assuntos na sua linda cabecinha: sexo e relembrar das cenas de cenas de "Hiroshima mon amour" e "L'année dernière à Marienbad", de Alain Resnais que assistira em Belo Horizonte, na Imprensa Oficial. Lembro-me que ela tinha cabelos muito negros, compridos, um rosto lindo e quando dizia “mon amour”, fazia uma boca sensual.
            O projeto de reativar ou fundar cineclubes nas cidades do interior foi uma das melhores ações do movimento do cinema novo mineiro. Mas tinha uma logística complicada. O filme, sempre em 16mm, era alugado e tinha que ser enviado para as cidades. No começo deu tudo certo. Até o dia que não me foi possível enviar as latas pelo ônibus para minha cidade natal. Os dirigentes locais se desesperaram e acabaram por exibir um filme do Tarzan e da Jane, o que assustou minha tia Milita, adepta dos filmes de arte.
            Sempre tive um relacionamento estranho com a cidade de Ouro Preto: paixão e distanciamento. Acabei indo lá poucas vezes, mas mesmo assim, Maurício Andrés Ribeiro e eu, fizemos um belo cartaz, baseado em uma foto em alto contraste, que foi premiado. Por sinal, nunca vi a peça depois de finalizado.
            Em 1968, enquanto procurávamos difundir a sétima arte o mundo já estava de cabeça baixo. Principalmente no exterior, marcado pela rebeldia dos estudantes na Europa, potencializado em maio de 1968, o que influenciou a juventude brasileira.. O golpe de 1964, ao contrário do que se pensava endurecia cada vez mais. O autoritarismo cresceu e se firmou no dia 13 de dezembro de 1968, com a decretação do AI-5, lido na voz grave do locutor Alberto Curi, a Voz do Brasil, irmão do narrador esportivo Jorge Curi e do cantor Ivon Curi, nascidos em Caxambu. As perseguições advindas desta ação da direita inviabilizaria todas as ações populares e estudantis no país.
            Mas, naquele dia em Ouro Preto, nem a morte de Vicente Celestino, que nos emocionou a todos, foi capaz de nos entristecer. Minha grande preocupação era as pernas de Sofia roçando nas minhas, seus seios empinados e sua boquinha articulando “mon amour”. Afinal de contas começávamos um tempo de liberdade total, do amor livre, da liberação  das drogas e do surgimento do amor livre.
            Acabei a noite com uma moreninha de Ubá, estudante de Geologia, que me arrastou para sua república.
            A visão de Sofia, a gringuinha saliente, desapareceu na madrugada escura da memória, como também todos os absurdos gerados pelo Golpe de 1964...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O Museu de Arte Contemporânea (MAC) achou um espaço à altura



Marcos Hiller *

O Museu de Arte Contemporânea de São Paulo (MAC-SP) finalmente reabriu suas portas. Instalado (escondido?) dentro da Cidade Universitária, na Universidade de São Paulo (USP), a partir dessa semana começa a reescrever sua história no antigo prédio do Detran-SP, nas imediações do Parque do Ibirapuera.
Essa mudança deve ser entendida de uma forma muito mais ampla e simbólica do queparece, pois o novo endereço é uma obra altamente moderna no contexto arquitetônico da cidade e tem Oscar Niemeyer como idealizador. Vale destacar que este prédio foi criado em 1954, justamente na fase mais brilhante do arquiteto carioca, entre a construção do complexo da Pampulha, em Belo Horizonte (1943), e Brasília (1957).
Esse novo projeto do MAC reúne os principais alicerces que são fundamentais para um projeto bem-sucedido de museu: um prédio com arquitetura emblemática, um acervo contundente e uma marca forte. É relevante propor ainda que outros museus da cidade de São Paulo e do Brasil passem a enxergar o MAC como um benchmark nesse segmento em termos de atratividade de visitantes e, obrigatoriamente,passe a fazer parte do roteiro turístico da cidade.
O próprio MAC de Niterói, inaugurado em 1996 e idealizado pelo mesmo Oscar Niemeyer, é visto também como um exemplo clássico de arquitetura moderna, cheio de curvas, espelhos d’água, uma rampa de entrada nada convencional e um formato do prédio em espiral que desafia curadores de arte e artistas na montagem de exposições.
Infelizmente, o segmento de marketing de museus ainda é conduzido de forma muito amadora no Brasil, e o novo MAC de São Paulo tem agora uma chance especial de aproveitar esse processo. O MAC não deve apenar brigar pela audiência de outros visitantes de museus, mas também pelos frequentadores dos shoppings, cinemas, teatros, bares e restaurantes. Acredita-se que arquitetos, curadores de exposições e profissionais de arte possuem conhecimentos de marketing relativamente incipientes. Aqui vale desdobrar outro questionamento: essa incumbência pertence a esses profissionais? Eu acho que, além de suas atribuições tradicionais, conhecimento de marketing é fundamental nessa área.
O design sofisticado da arquitetura dos prédios busca um impacto visual, mas a formacomo é feita a divulgação de exposições, o treinamento de funcionários e a preocupação de zelar pela marca do museu deixa uma lacuna nesse campo e, consequentemente, representa um desafio para pesquisadores e profissionais se debruçarem nesse mote.
Então,muito mais importante que abrir o museu em um prédio de Niemeyer,  um estiloso café no último andar (com umavista de tirar o fôlego para o Parque do Ibirapuera) e uma lojinha da qual dá vontade de levar tudo, espera-se que o MAC crie nos seus visitantes um momento único de consumo cultural por um processo de encantamento exclusivo, sofisticado e que vise diferenciações máximas. Afinal, esse é uma das grandes missões de um museu, especialmente num país como o Brasil, tão carente de cultura!

* Marcos Hiller é coordenador do MBA Gestão de Marcas (Branding) da Trevisan Escola de Negócios (@marcoshiller).

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