sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

O elefante na sala


Antoninho Marmo Trevisan*

Em outubro, conforme amplamente divulgado, a população mundial chegou à marca de sete bilhões de pessoas. Aspecto negativo é que um bilhão delas, ou uma em cada grupo de sete, passa fome e mais de seis milhões morrem por ano devido à falta de comida. A estatística dimensiona com assustadora clareza o significado da Conferência Mundial sobre Segurança Alimentar, a ser realizada em Genebra, na Suíça, de 15 a 17 de dezembro.
Apesar de prioridade absoluta, a solução do problema está muito distante, conforme seconstata no conteúdo de alguns estudos, como o relatório “O estado dainsegurança alimentar no mundo em 2010”, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Este relatório expõe o flagelo da inanição na África Subsaariana e no Sul da Ásia e mostra como a
crise mundial e o consequente aumento dos preços reduziram o número de indivíduos com acesso a uma dieta mínima para uma vida saudável. Dados do Banco Mundial corroboram essa informação, revelando que, entre 2010 e 2011, mais de 70 milhões de pessoas começaram a viver em condições de pobreza.
         Como se não bastasse, o livro "Estado do Mundo 2011 - Inovações que Nutrem o Planeta", recém-lançado pelo Worldwatch Institute (WWI), sediado em Washington DC, EUA, em parceria com o brasileiro Instituto Akatu, revela que o Planeta desperdiça um terço dos alimentos que produz.  As perdas pós-colheita nos países pobres e em desenvolvimento chegam, em alguns casos, a 50%. Na média de calorias, o valor perdido supera o total consumido.
         Mais graves, ainda, são as questões políticas e os entraves na Organização Mundial do Comércio (OMC), como Acaba de alertar o Relator Especial das Nações Unidas sobre Direito à Alimentação, Olivier De Schutter. Ele defende posições polêmicas, dentre elas tarifas alfandegárias mais altas e restrições temporárias à importação, como forma de reabilitar a capacidade de produção local de alimentos nos países em desenvolvimento.
Há lógica nessas propostas, mas não de maneira genérica. É óbvio que uma nação africana com limitada capacidade de produção deve priorizar o abastecimento interno. O mesmo não se aplica ao Brasil, que tem as maiores áreas agricultáveis disponíveis em todo o mundo e condições de abastecer osseus 190 milhões de habitantes e gerar vultosos excedentes exportáveis.
O problema é que as normas e entraves no âmbito do comércio internacional não atendem nem à África Subsaariana, nem ao Brasil e muito menos à humanidade, incluindo os pobres dos Estados Unidos e Europa, que pagam mais caro por alguns produtos por conta de subsídios locais e do protecionismo. Por essas razões, é incontestável a ponderação de Olivier De Schutter no sentido de que as regras da OMC deveriam basear-se no direito humano à alimentação adequada, e não o contrário.
A segurança alimentar, como bem definiu o especialista, é o elefante na sala. Remover o paquiderme num cenário de população crescente, produção menor, preços mais altos e idiossincrasias comerciais é o desafio para a conferência de dezembro em Genebra. Tarefa árdua, mas imprescindível. 



*Antoninho Marmo Trevisan é o presidente da Trevisan Escola de Negócios e membro do CDES-Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.

Revista Virtual Partes - Terceira Idade - Vovó Velhinha

Revista Virtual Partes - Terceira Idade - Vovó Velhinha

Aparecida Luzia de Mello*

A avó materna saia da cama todos os dias às 6 horas da manhã para caminhar e fazer ginástica visando manter a silhueta, embora adorasse dormir até tarde.

Tomava banho frio inclusive no inverno para não ressecar a pele, embora adorasse banho quente.

Gastava um dinheirão em cremes de prevenção às rugas. A noite dormia besuntada e durante o dia estava sempre maquiada

Pedro Coimbra: Um tesouro mais que maravilhoso

Pedro Coimbra: Um tesouro mais que maravilhoso: Pedro Coimbra ppadua@navinet.com.br O francês GamalielChantal nem bem pisou as terras brasileiras tomou duas atitudes: d...

Não adianta chorar

Sim, somos choronas! É fato. As mulheres choram mais, se emocionam mais, enfim se deixam levar pelos sentimentos com mais facilidade que os homens. A questão é: isso ajuda?

Não adianta chorar

Sim, somos choronas! É fato. As mulheres choram mais, se emocionam mais, enfim se deixam levar pelos sentimentos com mais facilidade que os homens. A questão é: isso ajuda?

Dilma Roussef e Michelle Bachelet participam de Conferência que reunirá 3 mil mulheres



A presidenta da República Dilma Rousseff e a ex-presidenta do Chile e diretora executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, confirmaram participação na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, coordenada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres (SEPM) entre os dias 12 e 15 de dezembro, em Brasília. A presidenta Dilma participa da cerimônia de abertura do evento, ao lado da ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para as mulheres.  Já Michelle Bachelet faz palestra no dia 14 de dezembro.

Cerca de três mil mulheres estarão reunidas no Centro de Convenções Ulysses Guimarães para discutir e elaborar políticas públicas voltadas às mulheres brasileiras. Ao final da conferência, a SEPM espera avaliar e definir prioridades dentro do II Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, elaborado em 2007.

O Plano é resultado da mobilização realizada na II Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres e está organizado em 11 eixos que representam temas prioritários e áreas de preocupação, levantados por representantes da sociedade civil organizada. Para cada eixo há objetivos e metas que se concretizam em 388 ações propostas.

Agora, o governo federal espera estabelecer prioridades dentre as propostas para a gestão do governo de Dilma Rousseff. Depois de enfrentar e alcançar conquistas em relação ao enfrentamento da violência - como a Lei Maria da Penha e a construção do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres - o governo, agora, debruça-se no debate sobre a construção da autonomia econômica e social das mulheres, fundamental para alcançar a igualdade entre os sexos.

A 3ª Conferência Nacional vai consolidar as propostas elaboradas nas conferências municipais e estaduais, que começaram em 1º de julho, e definir a responsabilidade do governo federal frente às demandas apresentadas pelos municípios. Cerca de 200 mil mulheres de todo o País estão envolvidas na mobilização que passou por 2.160 municípios brasileiros.



PROGRAMAÇÃO
3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres
Brasília, 12 a 15 de dezembro de 2011

Estrutura da Programação
Dia 12/12/2011 - Segunda-feira
18h às 21h: Solenidade de Abertura da 3ª CNPM

Dia 13/12/2011 - Terça-feira
8h às 10h30: Plenária de Abertura
Aprovação do Regulamento da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres
11h às 13h: projeto de país com igualdade entre mulheres e homens e sustentável
13h: Rodas de Conversa
Roda 1: Como pensar políticas que dêem conta da pluralidade
Roda 2: História das desigualdades entre homens e mulheres
Roda 3: Orçamento para políticas para as mulheres
Roda 4: Comunicação e mídia não discriminatórias
13h às 14h30: Almoço
14h30 às 17h30: Grupos de Trabalho
desenvolvimento sustentável (Eixo 1 do II PNPM: Autonomia econômica e igualdade no mundo do trabalho com inclusão social; Eixo 6 do II PNPM:
garantia de justiça ambiental, soberania e segurança alimentar e Eixo 7 do II PNPM: Direito à terra, moradia digna e infra-estrutura social nos meios rural e urbano, considerando as comunidades tradicionais ).
Todos os grupos de trabalho incorporam na sua discussão as dimensões de raça, orientação sexual e geracional
(Eixo 9 do II PNPM: Enfrentamento do racismo, sexismo e lesbofobia e Eixo 10 do II PNPM:Enfrentamento das
desigualdades geracionais que atingem as mulheres, com especial atenção às jovens e idosas).
18h às 20h: Painel 2 -
Enfrentamento do racismo e da lesbofobia: articulação necessária para o enfrentamento do sexismo
20h às 21h30: Jantar
22h: Show com Zélia Duncan

Dia 14/12/2011 - Quarta-feira
8h30 às 10h30: Painel 3 - Enfrentamento das desigualdades e a autonomia das mulheres
11h às 13h: Painel 4 - Plano Nacional de Políticas para as Mulheres: perspectivas e prioridades
13h: Rodas de Conversa
Roda 1: Um olhar internacional
Roda 2: Mulheres jovens e idosas - as políticas e as diferenças de geração
Roda 3: Relatos de experiências de gestão pública
Roda 4: Relatos de experiências de gestão pública - formação de gestoras e agentes públicos
13h às 14h30: Almoço
14h30 às 18h30: Grupos de Trabalho
Grupo de Trabalho 2: Autonomia Cultural (Eixos 2 do II PNPM: Educação inclusiva, não-sexista, não-racista e nãohomofóbica
e Eixo 8 do II PNPM: Cultura, comunicação e mídia, igualitárias, democráticas e não discriminatórias)
Grupo de Trabalho 3: Autonomia Pessoal (Eixo 3 do II PNPM: Saúde das mulheres, direitos sexuais e direitos
reprodutivos e Eixo 4 do II PNPM: Enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres)
Grupo de Trabalho 4: Autonomia política, institucionalização e financiamento de políticas públicas para as mulheres (Eixos 5 do II PNPM: Participação das mulheres nos espaços de poder e decisão e Eixo 11 - gestão e monitoramento do Plano)
Todos os grupos de trabalho incorporam na sua discussão as dimensões de raça, orientação sexual e geracional
(Eixo 9 do II PNPM: Enfrentamento do racismo, sexismo e lesbofobia e Eixo 10 do II PNPM:Enfrentamento das desigualdades geracionais que atingem as mulheres, com especial atenção às jovens e idosas).
19h: Conferência de Michelle Bachelet - Secretária Geral Adjunta da ONU e Diretora Executiva de Onu Mulheres
(Entidade das Nações Unidas para o Empoderamento das Mulheres)
20h às 21h: Jantar
21h às 23h: Atividade cultural

15/12/2011 - Quinta-feira
8h30 às 12h30: Plenária Final
Discussão e deliberação sobre propostas e recomendações dos grupos de trabalho.
12h30 às 14h: Almoço
14h30 às 17h: Plenária Final (continuação)
Discussão e deliberação sobre as propostas e recomendações dos grupos de trabalho. Apresentação e aprovação
de Moções.
17h às 18h: Solenidade de Encerramento da 3ª CNPM
19h: Jantar

ASCOM/SPM

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

As cidades e o mundo



Na Antiguidade e até boa parte da Idade Média não existiam países, mas cidades-estados, reinos e impérios, que digladiavam entre si, em busca de matérias-primas, escravos, riquezas, poder.
Nas guerras, as cidades vencidas eram saqueadas e queimadas. Reinava a força das armas e do misticismo, a dominação física e psicológica.
A consolidação das fronteiras geográficas dos países atuais foi estabelecida pela diplomacia, pela ganância ou pela violência, sendo que algumas ainda permanecem frágeis, por sua artificialidade, ou separadas por “terras de ninguém”.

As crises econômicas e suas consequências usuais – preconceitos, inclusos – transformaram essas fronteiras em perímetros de tensão, com rígido controle para o acesso de imigrantes: rígido no concreto dos muros, na ação de polícias e na definição de políticas. Assim, o mundo ainda vive em meio a barreiras físicas e psicológicas, só que o poder econômico tende a superar as guerras convencionais, embora elas ainda persistam, convenientemente, sob forma de velado controle populacional ou descarado lucro para traficantes de armas.

Mas, se os limites físicos impedem o ir e vir entre nações, nem tudo acata essas regras territoriais: as alterações climáticas, por exemplo.
E o que os países fazem para mitigá-las? Bem, ainda pouco, talvez porque seus dirigentes estejam distantes do povo, preocupados com macro-questões, se bem que os efeitos das alterações climáticas também são globais.
Talvez em razão disso, algumas cidades resolveram encarar a questão de forma direta, criando o C40 Cities Climate Leadership Group, que congrega várias delas, com mais de 3 milhões de habitantes ou cujas iniciativas sejam marcantes no âmbito da mitigação dos efeitos das alterações climáticas. O Brasil é representado por São Paulo e Curitiba.

Tive a oportunidade de participar do C40 São Paulo Summit, onde pude conhecer mais a fundo as propostas e iniciativas desse grupo. Ali, encontrei representantes de vários países, raças e credos. Roupas e rostos exóticos coloriam as atividades desenvolvidas, que incluíam apresentações de estudos e experiências no enfrentamento de problemas que afligem a todos.
Prefeitos, políticos, cientistas, técnicos, estudantes e público em geral ali estavam para se posicionarem, consciente do desafio de equilibrar questões econômico-financeiras, tecnológicas, sociais e ambientais na complexa equação da preservação do planeta e da humanidade.

O mundo se reuniu sob forma de cidades, para discutir: energias renováveis, destinação de resíduos, edifícios e cidades inteligentes, cidades compactas e outras iniciativas ambientalmente sustentáveis. Também vi sentados à mesma mesa, trocando experiências e oferecendo auxílio técnico e financeiro, países que até bem pouco tempo se engalfinhavam em guerras sangrentas. E os olhares eram amistosos, francos, interessados e proativos!

É claro que existem interesses econômicos envolvidos, mas as cidades parecem menos preocupadas com o que tem distanciado países, e mais interessadas em resolver problemas e desafios comuns, em parceria.
Quem sabe esse exemplo sensibilize os dirigentes mundiais, para que também busquem diálogo e aproximação mais objetivos e menos intransigentes, na busca de soluções para as macro-questões, das quais as ambientais são inadiáveis, sob pena de comprometimento das futuras gerações. Quem sabe assim, um dia, nossos filhos e netos conheçam um mundo onde as fronteiras sejam apenas limites administrativos, e não mais barreiras de intolerância.

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7

PND: inscrições são prorrogadas até 10/7 Participantes devem se inscrever no Sistema PND. Prazo também foi prorrogado para solicitações de a...