sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Artigo: Arte de (des) educar

 

Arte de (des) educar

 

* Antonio Gonçalves

Recentemente, a jovem humilhada pelos colegas na Uniban tem ocupado as páginas dos principais jornais do país. Usando vestido curto em sala de aula, a aluna foi hostilizada por centenas de alunos da Uniban e precisou sair escoltada do local. O caso atingiu grandes proporções depois que alunos filmaram e colocaram na internet a hostilização à aluna. O conselho da faculdade, por sua vez, decidiu pela expulsão da aluna. Mas acabou voltando atrás na decisão, através do reitor.

 A alegação para tal punição teria sido desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade. Quais princípios? Qual dignidade e qual moralidade? A função de uma escola é educar. O que vimos foram centenas de alunos no sentido contrário no que tange aos princípios da universidade. Logicamente e por razões óbvias que a opção por punir uma aluna é muito mais conveniente para a instituição, mas tal filosofia adotada pela universidade visou desmoralizar mais ainda a estudante, já humilhada. Mesmo com a revogação da expulsão, de que maneira a aluna poderá voltar a estudar na mesma escola? Como ela se relacionará novamente com os outros alunos? Quais as garantias de que uma nova agressão não voltará a acontecer?

A Constituição Federal é clara em garantir os direitos individuais de toda e qualquer pessoa. Nesse diapasão, temos a liberdade de ir e vir, a liberdade de crença e o princípio da dignidade da pessoa humana. Ainda assim, temos como mandamento fundamental que todos são iguais perante a lei. Mas, parece que a lei do homem não se aplica à lei da universidade em questão, pois arbitrariamente foi decidida pela expulsão da jovem baseada apenas e tão-somente em um comportamento subjetivo, centrado nos seus trajes.

Tal reação causa, no mínimo, estranheza, já que o dever de um professor é transmitir o seu conhecimento para o aluno, e a universidade em fornecer o zelo necessário para preparar a pessoa para seu futuro profissional. Este ato exageradamente repressor tem um caráter completamente contrário aos ditames educacionais, pois mais parece um julgamento moral baseado em um conflito ético.

De tal sorte que, se atitudes como essa continuarem a ocorrer, a educação ficará em segundo plano. A moral, os bons costumes e o próprio aprendizado em como se portar no convívio com os demais, deixará de ser um aprendizado para ser uma atitude discriminatória, na qual o critério será uma régua que terá a função de ser a linha tênue entre o puro e o impuro, de acordo com o comprimento de um vestido ou de uma saia.

A função primordial da universidade é garantir que o ser humano evolua, que adquira conhecimento e que aperfeiçoe seu modo de agir perante os demais. Logo, a medida tomada pela Uniban ocorreu em completo contrário sensu com o que dela se esperaria.

Todavia, o pior ainda estava por vir já que ao ter consciência do desmazelo de sua ação, o corpo diretivo da instituição revogou sua decisão e se o objetivo era reprimir ou restringir a liberdade da jovem, o resultado prático foi diametralmente inverso.

Ao invés da jovem ter consciência de seu erro, seu ato a transformou em uma celebridade instantânea. Resta saber se o regresso à universidade não trará ainda mais hostilidade por seus colegas por parte dessa notoriedade indevida. A função da universidade é educar e quando ocorrem desvios como esse, o desastre é inevitável. Que sirva de exemplo para ser evitado no futuro.

 

* Antonio Gonçalves é advogado e membro consultor da Comissão de Direitos Humanos da OAB/SP. Pós-graduado em Direito Tributário (FGV), Direito Penal Empresarial (FGV) e Direito Penal - Teoria dos Delitos (Universidade de Salamanca - Espanha). Mestre em Filosofia do Direito e Doutorando pela PUC-SP. É especialista em Direito Penal Empresarial Europeu pela Universidade de Coimbra (Portugal); em Criminologia Internacional: ênfase em Novas armas contra o terrorismo pelo Istituto Superiore Internazionale di Scienze Criminali, Siracusa (Itália); e em Direito Ambiental Constitucional pela Escola Superior de Direito Constitucional. Fundador da banca Antonio Gonçalves Advogados Associados, é autor, co-autor e coordenador de diversas obras, entre elas, "Quando os avanços parecem retrocessos -Um estudo comparativo do Código Civil de 2002 e do Código Penal com os grandes Códigos da História" (Manole, 2007) e "A História do Direito São Paulo" (Academia Brasileira de História, Cultura, Genealogia e Heráldica, 2008).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Todas as homenagens deveriam ser em vida

Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br

Numa noite de domingo fui assistir uma celebração, um tributo de amigos e artistas a uma nonagenária que morrera de forma trágica e só então tivera desvendada uma vida cheia de aventuras e charme.
Pensava nessas homenagens tardias e no ator, diretor e produtor Anselmo Duarte que morrera aos 89 anos de idade.
Ele faz parte das minhas lembranças acompanhando as filmagens de “A Madona de Cedro”, de Carlos Coimbra, em Congonhas do Campo, graças ao Padre Massote, da Escola Superior de Cinema da Universidade Católica que emprestara duas câmeras “modernas” Arriflex para a produção. Isso nos idos de 68...
Baseado na obra homônima de Antonio Callado, o filme conta a história de Delfino, um homem pacato que vive em Congonhas do Campo, pequena e histórica cidade no estado de Minas Gerais. Mas, instigado pelos amigos, ele é levado a roubar de uma igreja a imagem Madona de Cedro, um valiosa escultura do século 18 esculpida por Aleijadinho.
Carlos Coimbra, que não era meu parente, foi um artesão, tentando fazer um cinema popular, sem grandes preocupações com a atualização da linguagem cinematográfica. A antítese do cinema novo...
Mas “A Madona de Cedro” era uma grande produção, com um elenco formado por Leonardo Villar, Leila Diniz, Anselmo Duarte, Sérgio Cardoso, Cleyde Yáconis, Jofre Soares, Leonor Navarro, Américo Taricano e Zbigniew Ziembinski. O mais fino da dramaturgia brasileira e a melhor equipe técnica. Quase todos já estrelando filmes nos céus...
Nas vezes que recontei histórias desse episódio me fixei na paixão de Leila Diniz pelo violonista Toquinho e que atrasavam o cronograma de filmagens quando os dois se trancavam por um final de semana em um apartamento do hotel, por ser mais interessante e charmosa.
Andando por todas as locações das filmagens, sempre ao lado de Aníbal Massaini, então um jovem produtor, encontrávamos com o co-produtor e ator Anselmo Duarte, simpático e falante.
Ele que conquistara a Palma de Ouro, em Cannes, com “O pagador de promessas” gostava de dizer que inventara o Cinema Novo, quando seus desafetos diziam que só ganhara de “O anjo exterminador”, de Buñuel, graças aos interesses da Motion Pictures..
Mas, Gláuber Rocha, guru do cinema brasileiro, era seu amigo, confidente e admirador...
Contava histórias e mais histórias, suas façanhas do passado, sonhando com os filmes que ainda realizaria, ele que era um ícone do cinema brasileiro, desde o tempo que ajudava o irmão Alfredo, projecionista de Salto, no interior de São Paulo, passando pelos inúmeros papéis de galã na Atlândida...
Como ator, tem um outro grande desempenho em “O caso dos Irmãos Naves”, em que faz o papel de um violento tenente da polícia mineira, dirigido por Luís Sérgio Person, que era uma “avis rara” do cinema novo em São Paulo.
A vida aventurosa de Anselmo Duarte começou com sua ida para o Rio de Janeiro, em 1942, atraído por um anúncio de jornal do diretor Orson Welles selecionando pessoas para participar do filme “It's All True”, uma lenda e que não foi finalizado, mas marca então a sua estréia no cinema.
E como um bom filme com começo, meio e fim sua história termina onde tudo começou.
Breve, tenho certeza, teremos uma enxurrada de obras sobre Anselmo Duarte nas livrarias e na “telinha”...
Mas, continuo a pensar que todas as homenagens deveriam ser em vida...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

15 de outubro "DIA DO PROFESSOR"




Ensino da matemática é tema de dois cursos na UERJ

O ensino da matemática é o tema de dois cursos oferecidos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Matemática no 1° Ciclo do Ensino Fundamental, de extensão, recebe inscrições até o dia 11 de novembro, e o curso de pós-graduação Especialização em Aprendizagem em Matemática, até 13 de novembro.

Oferecido pelo Colégio de Aplicação (Cap-UERJ), o curso de extensão tem como alguns de seus objetivos caracterizar formas de conhecimento matemático na faixa etária de 6 a 8 anos e definir metas de trabalho nessa área, apropriando-se de modos de planejar, desenvolver e avaliar a ação pedagógica de maneira integradora. As aulas acontecerão em quatro sábados entre novembro e dezembro, das 7h às 17h. O valor do curso é de R$ 180,00 à vista, ou duas parcelas de R$ 100,00. As inscrições podem ser feitas no site
www.cepuerj.uerj.br.

Já a pós-graduação em Aprendizagem em Matemática é indicada para professores de Ensino Fundamental e Médio que buscam reciclagem frente à demanda por geração de ação pedagógica e sua implementação diante de procedimentos computacionais. A taxa de inscrição para a seleção de alunos é de R$ 60,00, e o valor do curso é R$ 200,00. As inscrições devem ser feitas na secretaria do Instituto de Matemática e Estatística, no Pavilhão Reitor João Lyra Filho, 6° andar, bloco D, sala 6.005 (campus Maracanã da UERJ).

Mais informações estão disponíveis no site do Centro de Produção da UERJ (
www.cepuerj.uerj.br), pelo telefone (21) 2334-0639 ou pelo e-mail cepuerj@uerj.br.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Num "Pixar" de olhos

Tenho andado meio tenso, por conta de alguns problemas que poderiam ser facilmente resolvidos, mas que dependem da boa vontade de terceiros. A saúde sofreu reflexos com isso e a motivação para escrever também. Não conseguia produzir uma linha sequer, talvez porque, como só escrevo o que sinto, não expressaria nada “edificante”.
Nessas horas é que eu dou ainda mais valor a minha mulher e meu filho!
E por falar em filho, eu estava em meio a uma batelada de exames clínicos, quando ele, cinéfilo como eu, sugeriu, para me distrair, que assistíssemos “UP ALTAS AVENTURAS” (Up, EUA, 2009).

Filme infantil? Não, nenhum filme da Pixar é infantil: todos são para públicos do ventre materno à eternidade!
Outra marca desse fantástico estúdio é que todas as suas produções são obras-primas visuais e de roteiros, mesmo quando não se diz uma única palavra, como é o caso dos curtas iniciais: filmes-mudos modernos!
Fomos à primeira seção vespertina, na esperança de encontrar um ambiente isento dos incômodos que eu, por mais que tente evitar, “atraio”.
Momentos de tensão: havia uma fila de crianças de três a quatro anos de idade, acompanhadas de “tias”! Até aí, nada a fazer, pois o filme era livre e crianças dessa idade ainda não têm noção de como comportar-se em público. Para minimizar eventuais problemas, sentamos na penúltima fileira, a uma distância “segura”.

As luzes se apagaram e a projeção dos “trailers” começou... Surpresa: a partir daí as crianças tiveram comportamento exemplar! Mas, de repente, em meio à escuridão, uma massa indefinida e rumorosa galgou as escadas, assustadoramente em nossa direção...
Comecei a rezar para todos os santos, mas não teve jeito: o grupo de adolescentes, de uns dezesseis anos, com a sala praticamente vazia, resolveu sentar bem atrás de nós...
Quando o filme começou, no entanto, a maioria deles passou a assisti-lo: aquilo que normalmente se faz num cinema. Mas a alegria durou pouco... Dois deles, um rapaz e uma moça, resolveram mostrar suas “qualidades” sociais, logo atrás de quem?

Pois é... Ele devia se achar engraçado imitando a toda hora o “Freddy Mercury Prateado”; ela, literalmente, só falava m... Para piorar, a donzela apoiava os pés na minha poltrona, sacudindo-a repetidamente.
Como um dos exames que eu faria no dia seguinte exigia que eu evitasse estresse, e eles não se contiveram nem com indiretas, precisei mudar de lugar para, assim, poder apreciar melhor esse fantástico filme, perfeito em detalhes e magnificamente dublado, principalmente por Chico Anísio, que emprestou sua voz ao personagem principal.

Mais uma vez, a Pixar se superou! Contou uma estória que vai da infância à idade avançada, sem envelhecer. Comoveu e fez rir com e no tempo preciso. Nos fez sonhar e pensar no mesmo sonho, na mesma aventura vertiginosa, com uma trama perfeita.
Os filmes da Pixar, por seus personagens e roteiros, passam a impressão de que seus profissionais, além de extremamente competentes, devem ser pessoas muito legais!
Vale assistir mais de uma vez, mesmo que os inevitáveis chatos, de plantão ou rodízio, teimem em atrapalhar... Num “pixar” de olhos, você estará totalmente envolvido!

Um novo olhar

Apesar de experiências ditas pré-históricas a fotografia mesmo surgiu no verão de 1826, na França, através do inventor e litógrafo francês Joseph Nicéphore Niépce e dois anos depois com Louis Daguerre, de Paris, que mostrou seu interesse em gravar imagens. Em 1829, tornaram-se sócios, mas Niépce morre em 1833.
Em 7 de janeiro de 1839, Louis Daguerre comunica à Academia Francesa de Ciências um processo que originava as fotografias ou os daguerreótipos que eram imagens impressas em lâminas de vidro, sendo que alguns exemplares delas podem ser vistos no Museu Bi Moreira, em Lavras.
Começou então o grande sucesso da fotografia que tornou-se uma teconologia em ascensão.
Homens estranhos, com verdadeiras trapizongas nos ombros começaram a registrar imagens, a princípio no ar livre e logo a seguir em estúdios improvisados, utilizando-se da iluminação de magnésio.
Até então a fotografia era considerada por muitos uma atividade ligada a magia, capaz de apreender a alma das pessoas e muitos se opunham a se expor as lentes primitivas.
Mas foi em 1988 que o norte-americano George Eastman deu um caráter industrial ao invento e popularizou a fotografia com a câmera Kodak., leve e fácil de usar. Com a vantagem de poderem as fotos serem processadas em um laboratório profissional.
Como o sistema era muito eficiente o homem passava a contar com uma visão própria das coisas do mundo, independente da interpretação do estilo dos pintores.
No final da década de 50, minha irmã Sueli conseguiu seu primeiro emprego e surgiu em nossa casa com um caixotinho, uma máquina fotográfica Kapsa, de fabricação brasileira, mas bem eficiente. que lhe permitiu formar álbuns de flagrantes de sua juventude. E me deixar cada vez mais curioso com os mistérios da fotografia.
Aos poucos fui entendendo que aqueles aparelhos maravilhosos, as câmeras Pentax, Canon, Nikon e outras que eram nosso objeto de desejo podiam além de registrar momentos únicos, ser capazes de permitir várias interpretações do cotidiano.
Foi o tempo de admirar e estudar as composições do francês Henry Cartier-Bresson, que criou paulatinamente uma nova linguagem.
Depois disso enfrentei a fase da necessidade de conhecer todas as técnicas de laboratório e os melhores equipamentos.
E uma visão estética de tudo que se poderia fotografar.
Junto com Maurício Andrés Ribeiros, um talentoso fotografo, e outros amigos acabei evoluindo para o cinema, a imagem em movimento.
Mas a evolução tecnológica e industrial não para e com o desenvolvimento da eletrônica surgiu a fotografia digital.
E como era um método seguro, sem muitos detalhes, barato, de captar imagens acabou banalizando-se.
Hoje eu que me recusei a participar dessa mania globalizada capitulei e ando por todos os cantos com uma maquininha digital que resolve meus problemas imediatos.
Porém não abandonei as idéias de Henry Cartier-Bresson:
"A fotografia por si só não me interessa, mas a reportagem sim, a comunicação entre o mundo e o homem com este instrumento maravilhoso do tamanho da mão que nos faz passar desapercebidos. E assim participamos. É uma dança entende? É uma grande alegria fotografar assim".
Pois é preciso sempre lançar um novo olhar em derredor de nós e esquecer de nossos umbigos...

Prêmio Impacta Mais: Tecnologia para regeneração das águas vence como Negócio de Impacto do Ano

  Além do Negócio do Ano, conheça os vencedores das 7 categorias da premiação   Desenvolvida pela Infinito Mare, a Caravela Ecológica, uma t...