sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Artigo/ Esporte verde


Esporte verde

 

Antonio Carlos Porto Araujo *

 

Os eventos esportivos mundiais são um espetáculo fascinante: reúnem os melhores atletas de diferentes países, atraem um público vasto e funcionam como vitrine para as belezas (naturais, históricas, artísticas) da nação anfitriã, além de ressaltar o poder de organização de seus dirigentes e a hospitalidade de seu povo.

Por todas essas características, os grandes eventos sempre foram objetos de desejo para os países. Sediar uma Copa do Mundo ou uma Olimpíada é uma chance valiosa para angariar investimentos, atrair turistas e ganhar evidência.

Porém, em um mundo cada vez mais atento às questões ambientais, já não é tão simples construir um novo estádio ou criar as infraestruturas necessárias para comportar um evento de dimensão mundial. A preocupação com os impactos das atividades humanas sobre a natureza tem obrigado os arquitetos a elaborar projetos sustentáveis, que tenham viabilidade ambiental e econômica comprovada.

O desafio de atender às novas exigências é enorme, mas nem por isso as cidades mais importantes do mundo abriram mão do direito de abrigar as Olimpíadas de 2016. E, para demonstrar que estariam preparadas para acolher a mais célebre das competições, as concorrentes previram investimentos de bilhões de dólares em infraestrutura.

Em meio a esse acalorado debate, vencido pelo Rio de Janeiro, um murmúrio persistente se vez ouvir nos bastidores brasileiros: as nossas cidades estariam aptas a dar conta de um evento internacional? Será que, até a data dos jogos, conseguiríamos efetuar as melhorias necessárias em nossos aeroportos e meios de transporte urbanos, sistema de segurança pública, infraestrutura hoteleira etc.?

Além destas questões, surgem outras: a cidade de São Paulo, por exemplo, discute a conveniência de construir, para a Copa de 2014, um novo estádio de futebol, independentemente das reformas milionárias que serão feitas nos estádios do Morumbi e Pacaembu.

Nesse sentido, é permitido aventar outra hipótese, com vistas a comportar não apenas os jogos de futebol, mas também outras atrações.

A ideia seria construir uma arena multiuso, ampla e inteligentemente estruturada, com um caráter versátil que permitiria seu uso intenso por todos os setores da sociedade, para shows esportivos, artísticos e culturais.

O lugar ideal para a construção desse grande complexo, com aproximadamente 300 mil metros quadrados de área, seria a região hoje apelidada de "Cracolândia", que, assolada pelo tráfico de drogas, tornou-se um triste símbolo da degradação do centro de São Paulo.

No entanto, a região dispõe de localização privilegiada e ótima acessibilidade, com integração rápida e intermodal (trem, ônibus, metrô), e fica próxima da futura parada do trem-bala que ligará Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Seu entorno é bem servido de hotéis e restaurantes, e um projeto de excelente potencial turístico motivaria os empresários do ramo a inaugurar e expandir estabelecimentos na região.

O aproveitamento da área resultaria em inúmeras vantagens, mas a principal delas, certamente, é a revitalização de um ponto importante da cidade. O peso simbólico da vitória da saúde sobre as drogas, da cidadania sobre a marginalidade, faria um enorme bem à autoestima dos brasileiros e fortaleceria a nossa certeza de que a redenção é possível – basta haver planejamento e disposição para agir e transformar!

 

* Antonio Carlos Porto Araujo é consultor da área de sustentabilidade da Trevisan.

E-mail: antonio.carlos@trevisan.com.br.

 

Artigo/ Dia especial para a meta de um Brasil de leitores


 

Dia especial para a meta

de um Brasil de leitores

                                                          Rosely Boschini*

            Rio de Janeiro, 5 de novembro de 1924: o presidente da República, Arthur Bernardes, assina o Decreto nº 4.867, instituindo o Dia das Crianças. Brasília, 8 de janeiro de 2009: o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sanciona a Lei nº 11.899/09,  criando o Dia Nacional da Leitura. Embora separados por 85 anos, os dois documentos apresentam instigante coincidência: ambas as comemorações ocorrem em 12 de outubro. Analogia ainda mais emblemática, contudo, refere-se ao fato de ser decisiva para o sucesso d o desenvolvimento brasileiro a capacidade de prover em larga escala o acesso aos livros por parte da infância e da juventude.

         Ler, não há dúvida, é fator crucial à eficiência da escolaridade e para que os indivíduos alcancem, ao longo de toda a vida, as prerrogativas essenciais da assistência médica, alimentação, esporte, lazer, profissionalização, dignidade e liberdade. Portanto, simultaneamente às políticas públicas da União, estados e municípios, todos devem engajar-se numa verdadeira cruzada nacional em prol da leitura, em especial no universo das crianças e jovens. O setor do livro vem-se empenhando muito para fazer sua parte nesse processo, a começar pela maior oferta de livros.

Resultados desse esforço são visíveis na Pesquisa "Produção e Vendas do Mercado Editorial 2008", recentemente divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel). No ano passado, o número de títulos voltados ao público infantil cresceu 14,02% na comparação com 2007. Também houve incremento de 41,88% nos novos títulos de literatura juvenil. As editoras também colocaram no mercado 4,95% a mais de obras infantis e 9,26% de juvenis.

O fato de os jovens e as crianças estarem lendo mais já havia sido evidenciada em levantamentos anteriores. A Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2007, revelou que cerca de 39% dos 95,6 milhões de leitores brasileiros têm entre cinco e 17 anos. A estatística aumenta na faixa etária dos 11 aos 13 (8,5 livros por ano) e cai levemente entre os jovens de 14 a 17 anos (6,6). O estudo demonstra, ainda, a importância da escola e da família como incentivadores do hábito de ler.  

Além da maior oferta, são prioritários programas capazes de facilitar o acesso ao livro pelas crianças e jovens matriculados na rede pública de ensino. Nesse sentido, além da ampliação das ações federais (como o Programa Nacional do Livro Didático — PNLD e Programa Nacional Biblioteca da Escola), são necessárias mais iniciativas conjuntas entre União, estados e municípios e a iniciativa privada. Exemplo bem-sucedido da viabilidade desse objetivo é o projeto Minha Biblioteca, iniciado em 2007 na cidade de São Paulo, com forte apoio e participação da CBL.

Outro passo importante foi a recente aprovação, na Comissão de Educação, Cultura e Esporte  do Senado, do projeto de lei 278/08, agora em trâmite na Câmara dos Deputados, que autoriza a criação da Cesta Básica do Livro. Trata-se de proposta do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), autorizando o Governo Federal a distribuir, a cada bimestre letivo, dois livros de literatura, ficção ou paradidáticos, às famílias com filhos entre seis e 18 anos que estudem em escolas públicas.

Multiplicar a oferta de livros, igualar as condições de acesso, incentivar as crianças e jovens de maneira positiva e envolver cada vez mais o governo, a sociedade, os pais e professores na missão de criar novas gerações de leitores são providências fundamentais para o destino do Brasil. Portanto, disseminar essa consciência é a melhor maneira de comemorarmos, em 12 de outubro, o Dia da Criança e o Dia Nacional da Leitura.

*Rosely Boschini é presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

 

Artigo Dia das Crianças

 

 

Que Brasil desejamos para as nossas crianças em 2016?

 

As Olimpíadas do Rio 2016 serão uma nova oportunidade para o Brasil olhar para o futuro. Muitos dos pequenos brasileiros de hoje virão a ser os atletas olímpicos daqui a sete anos. Eles competirão em estádios construídos por operários, muitos deles frutos de uma geração com poucas oportunidades, mas que poderão vivenciar as conquistas de seus filhos.

 

Do ponto de vista econômico, conseguimos inúmeros avanços, temos hoje uma economia com bases sólidas, a inflação sob controle e parâmetros financeiros de primeiro mundo, atingimos "Investment Grade" (recomendação de investimento), fomos os últimos a entrar na crise e os primeiros a sair dela. Enfim, sopram ventos favoráveis para mudanças estruturais na educação, na saúde e na qualidade de vida, especialmente para as crianças.

 

Por isso, com a missão de organizar o principal evento esportivo do planeta, e com indicadores econômicos tão positivos, os nossos governantes têm pela frente a chance de serem os operários na construção de uma geração campeã, vitoriosa na formação educacional, com ampla oferta de oportunidades e de um horizonte mais glorioso. Um exemplo de que os jogos poderão trazer avanços é a medida que prevê o ensino de inglês, a partir de 2010, aos adolescentes das escolas municipais cariocas. Muitas outras mudanças e inovações como essa também estão por vir.

 

Afinal, hoje somos uma das maiores economias do mundo e um dos principais países emergentes ao lado da Rússia, Índia e China (BRIC), também integramos o G20 e, por diversas vezes, somos reconhecidos como liderança na América Latina e no cenário mundial.

 

Entretanto, em relação à educação, de acordo com um ranking elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que monitora o cumprimento de metas alcançadas pelos países para melhorar o ensino, o Brasil ocupa a 80ª posição em uma lista de 129 países, ficando atrás de nações como Paraguai, Venezuela, Argentina, Kuwait e Azerbaijão.

 

Além disso, o Brasil é o 75º colocado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) medida esta que compara a riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e outros indicadores de 182 países do mundo. Isso se deve ao fato de milhões de crianças brasileiras serem de famílias que vivem abaixo da linha da pobreza, se encontrarem sem vagas em creches, nunca terem ido à escola, frequentarem escolas de péssima qualidade e morrerem por doenças que poderiam ser  facilmente evitadas como a diarreia e a desnutrição.

 

Apesar de termos muitos desafios pela frente, nossa visão é otimista, vemos as Olimpíadas como marco de uma nova nação rumo ao primeiro mundo, não só nos esportes, mas em todos os aspectos. E para que esse objetivo seja atingido, será necessário um investimento de aproximadamente 30 bilhões em obras públicas que também irão beneficiar e inspirar as milhares de crianças que, em 2016, certamente serão 60 milhões* de vencedores.

 

Nosso desejo é o de sermos protagonistas do futuro do Brasil que terá 100% das crianças matriculadas em creches e escolas de qualidade, livres do trabalho infantil, com registro civil, bem nutridas, protegidas de qualquer forma de violência ou opressão. Enfim, que os nossos futuros campeões tenham todos os seus direitos garantidos e possam se orgulhar por fazerem parte do primeiro país da América do Sul a sediar uma Olimpíada.

Esperamos que em 12 de outubro de 2016 possamos comemorar o cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Que o espírito olímpico vivenciado por aqui traga consigo todo o progresso que exige. Este é o Brasil que desejamos para as nossas crianças daqui a alguns anos.

*(número de crianças e adolescentes, de acordo com a PNAD-IBGE 2007)

 

 

Synésio Batista da Costa, presidente da Fundação Abrinq

 

 

 

poesia

 

CRIANÇA

 

Criança é a nossa alegria

Com seu sorriso puro e inocente

Nos trás paz e tranqüilidade,

O que nos alegra o coração e a mente.

 

Mas também a preocupação

Pois Deus a colocou em nosso

Caminhos sabem todos que ela,

Hoje é flor, mas amanhã poderá ser espinhos.

 

Depende muito do ensinamento,

E da educação que dermos a ela

Temos que regá-las com o

Liquido chamado amor e ternura

Pois isso é essencial para que

Permaneça o que existe nela.

 

 

Vivaldo Terres

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Artigo Dia das Crianças

 

 

Em que momento deixamos de ser crianças?

                                                                                         

 *(Eder Roberto Dias)

 

Um sonho começa quando percebemos que ser criança é algo muito especial! Por mais que passe o tempo, por mais que os anos nos transformem em adultos responsáveis e maduros seremos sempre crianças que buscam momentos de felicidade, prazer e diversão.

 

Não há adultos que não reconheçam a essência de um olhar infantil ou a pureza que nos toca ao ouvirmos um sorriso inocente de uma criança. Porém o rumo dessa inocência vem sendo mudada por atitudes inescrupulosas de pessoas amarguradas e entristecidas que se esqueceram que um dia foram crianças felizes.

 

Aceitam tão somente a pressão de uma vida que escraviza, culpa e deturpa a forma correta em se viver! De nada adianta fechar nossos olhos para a fantástica maneira em sermos ainda crianças mesmo que crescidos. Enquanto olharmos o nosso todo com a responsabilidade de encontrarmos defeitos, mentiras e falsos momentos de satisfação nossa realidade não será exposta na continuidade do nosso existir.

 

O mundo não deve ser visto como algo que nos pune, mas sim, como algo que nos dá direito em sermos o que quisermos. Quando criamos em nós apatias, pesadelos e intolerâncias para com o todo que nos cerca nos tornamos vazios, injustos e distantes da origem que nos faz humanos.

 

A criança existente dentro de cada um de nós não deve morrer só porque achamos que nosso tempo passou e que a idade nos faz distantes em demasia desse fluxo. Em que momento deixamos de ser crianças? Quando deixamos de sonhar, cantar, desejar e amar, pois uma criança representa a realidade de todos nós que acreditamos na verdade, na justiça e em tudo que nos traga uma relação sadia entre a vida representada em um cotidiano que não seqüestre de nós a criança de nossas irresponsabilidades sem pecados.

 

Somos seres humanos e nos preocupamos com as contas financeiras que chegam todos os meses naqueles mesmos dias, estamos preocupados em como manteremos nossos empregos, em como caminha a humanidade e, nos esquecemos de sermos crianças!  Estamos tão robotizados que as estruturas de nossas crianças vêem sendo desrespeitadas: queremos dar a elas a responsabilidade de serem adultas antes do tempo e, por sua vez, frustrando antecipadamente o direito ao qual um dia tivemos.

 

De nada adiantará termos todo dinheiro do mundo ou darmos a elas todos os brinquedos mais modernos, pois em que tempo em suas vidas eles se sentirão realmente crianças? Estamos vivendo uma demagogia inescrupulosa e irracional! Estamos chocados com a falta de cultura entre os jovens, estamos afastando nossos filhos de uma relação mais aproximada de uma fé que priorize o comportamento junto a Deus e, por fim, deixamos de brincar, participar e de estar junto a elas.

 

Dia 12 de outubro é o Dia da Criança! Mas de uma criança integrada ao sonho, fantasia, criação e desejos de felicidade, onde a igualdade não é uma irrealidade que habita o mundo dos homens pensadores e conhecedores da ciência e da fronteira entre o sucesso e os pesadelos.

 

Devemos nos permitir mais, devemos enriquecer as lembranças boas que farão parte de nossos filhos no amanhã para que se tornem homens muito mais felizes do que nós. Ainda somos uma geração nascida de um desejo de liberdade social e igualdade de condições. Mas eles serão a continuidade de todos nós e para que isso aconteça devemos nos presentear no dia 12 de outubro com o direito de estarmos novamente crianças.

 

Sendo crianças inocentes que se desprendam das responsabilidades e se aproximam do mundo existente dentro de cada criança que habite o mundo infantil! Ao invés de gritarmos palavrões em meio a um engarrafamento, ao invés de discutirmos com nosso gerente em um banco qualquer ou nos precipitarmos a qualquer tipo de sofrimento, busquemos nos apoiar na criança existente em nós e em tudo que faça bem a seu filho que lhe verá e viverá para sempre no mundo infantil que sempre existirá! 

 

A morte só acontece quando não criamos elos com aqueles que amamos, assim também é a criança que nos acompanha nessa relação com a vida e participa em tudo que nos acontece. Uma criança feliz será um homem feliz! Por isso, apodere-se desse direito!

 

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!!!!!!!!!!

 

 

 

*Eder Roberto Dias é autor do livro “O Amor Sempre Vence...”, publicado pela  Editora Gente.

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