sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Revista Partes - Colunistas - Antonio Brás Constante: O falso esperto falsificado

Revista Partes - Colunistas - Antonio Brás Constante: O falso esperto falsificado:   O falso esperto é aquele individuo que tenta enganar todo mundo sem perceber que o principal enganado por ele é... Ele mesmo. Todo mun...

Um passo de mágica



Pedro Coimbra


 

            M. não chegou ao mundo de maneira tranquila, mas literalmente caindo no chão frio de terra batida do casebre em Vai e Vem.

            Tão fraco e esquálido nem mesmo deu seu primeiro choro e passou a viver as dificuldades deste grande mundo de Deus.

            Dolores, sua mãe apenas o contou como mais um dos seis filhos, todos de pais desconhecidos.

            Por milagre de Nossa Senhora da Conceição sobreviveu se arrastando pelos lugares mais fétidos, beirando esgotos, bebendo água poluída

Vai e Vem era um lugar perdida no sertão do Brasil, com um pequeno amontoado de gente que vivia de expedientes e sobras dos mais abastados.

No passado fora uma importante cidadela na colonização portuguesa e em seu território ocorreram importantes lutas.

Já garoto, fugido da escola, M. andava por todos os morros, serras e campinas, livre e solto.

Certo dia, deitado debaixo de uma grande árvore, viu formarem-se nuvens de muita chuva, com raios e o estrondo de trovoadas.

Um grande clarão de luz caiu sobre M. que foi atirado a distância.

Ficou desfalecido por muito tempo e quando voltou a si, sentiu que coxeava de uma das pernas.

O mais importante é que o incidente parecia ter aberto a inteligência de M., como dizia o Dr. Clarismundo, um advogado beberrão, que vivia na porta do Boteco do Nêgo Véio.

M. disparou a trabalhar a partir daquela data, usando principalmente um dom que todos desconheciam para seduzir as pessoas e fazer bons negócios.

Começou a comprar imóveis e logo diziam que se transformara num agiota de mãos cheias e já acumulava casas, terrenos e mais de vinte fazendas.

Aproximou-se de Gilda, filha de um político arruinado, e conquistou-a com promessas.

“M. é o homem mais rico de Vai e Vem e não para mais”, diziam os falastrões do lugarejo.

Preocupava-se cada vez mais com os negócios e muito pouco com a mãe Dolores e os irmãos.

Só uma coisa chamava sua atenção: os circos mambembes que as vezes apareciam em Vai e Vem ou na região.

M. sentia-se fascinado com os espetáculos, muito mais do que com os programas de televisão onde participavam atores reconhecidos e milionários.

Seus olhos brilhavam com as fantasias das bailarinas, o humor acido dos palhaços, os equibristas e os trapezistas.

O que mais o encantava e deixava sem fôlego era o mistério dos mágicos.

Tantas fez que acabou aprendendo algumas mágicas num dos circos: desaparecendo com o pano; carta furada do espectador e o copo que atravessa a mesa.

M. descobriu que viera ao mundo para se dedicar as mágicas e truques

Numa manhã de um mês de novembro, fechou seu escritório em Vai e Vem, e desapareceu.

Tornou-se Órion, o mágico e sua especialidade tornou-se o número em que serrava a assistente ao meio, até o dia em que tudo acabou terminando em tragédia!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Maria Aparecida Francisquini: Como quero...

Maria Aparecida Francisquini: Como quero...: Eu quero tanto estar num mundo melhor de verdade! Eu quero tanto um mundo onde eu possa sempre viver e sentir bem estar. Não quero mai...

Como quero...


Eu quero tanto estar num mundo melhor de verdade!
Eu quero tanto um mundo onde eu possa sempre viver e sentir bem estar. Não quero mais ter a sensação que estou sobrevivendo e ter que me sentir constantemente amedrontada! Ter que ficar em estado de alerta a maior parte do tempo. Preocupada!
Eu quero um mundo onde as pessoas que o habitam, sejam sempre e em qualquer circunstância, sinceras. Não quero a todo momento sentir apreensão e preocupação.
Quero simplesmente me sentir feliz, e não ter que duvidar daquele sorriso que recebi de alguém, nem muito menos não poder confiar nas palavras que ouvi das pessoas.

Quero não ter que sempre ficar alerta, atenta e desconfiada de tudo. E muito menos de todos! Até porque, não consigo!
Admito que não prestei atenção, nem tive interesse em assimilar a lição no que chamam escola da vida, que ensina que devemos desconfiar sempre. Até que já estou bastante tempo nesta escola, mas esta matéria não conseguiu despertar nenhum interesse da minha parte. Resultado, tentei prestar atenção, entendi como é, mas não aprendi. E acho que nunca vou aprender, porque confesso que não quero mesmo, não tenho nenhum interesse em aprender! Não quero fazer parte desta turma que não só aprendeu, como também insiste em forçar outras pessoas a aprenderem, através da prática de como ser dissimulado e falso. De como viver sempre preocupado apenas em ¨se dar bem¨, que para muitos, se tornou sinônimo de passar alguém para trás!

Quero conviver com pessoas autênticas, sinceras. Pessoas afetuosas de verdade. Delicadas, gentis! Pessoas cujas demonstrações de carinho sejam apenas isso mesmo, ou seja, demonstrações de bem querer, de apreço, de respeito. E não uma artimanha planejada e usada simplesmente para ganhar a minha confiança, e depois tirar algum proveito disso.


Um mundo onde as pessoas tenham genuíno respeito umas pelas outras. Por nada não, apenas por gostarem de ser respeitadas e por entenderem que todos merecem igualmente serem respeitadas. Por aceitaram a lógica incontestável, que apesar de sermos seres individuais e complexos, existe uma grande possibilidade de termos muito em comum. Que o que me aborrece e me incomoda, pode também, com grande possibilidade, aborrecer e incomodar o outro.
Ou seja, neste mundo que quero viver, as pessoas vão ter sempre a preocupação de se colocarem no lugar do outro quando forem agir, e assim, vão ser muito mais cuidadosas com as atitudes do dia a dia.
O egoísmo e o individualismo vão ser rejeitados por todos. De tal forma, que vão perder o sentido e o espaço nas relações.

Os habitantes do meu mundo sabem que só se consegue viver em harmonia e tranquilidade, quando se enxerga o outro, quando se vive realmente em sociedade. Quando se aceita a verdade incontestável, que qualquer comportamento que se tenha, desencadeia alguma reação, influencia o resultado final.

Que não tenha segunda intenção em nenhum comportamento dirigido ao outro. Que as pessoas que se apresentem como sendo do bem, com intenções boas, sejam do bem de verdade, e não apenas personagens fictícios. Vilões falsos e ardilosos, mal intencionados.
Sei que existem muitas, mas muitas pessoas que querem exatamente isso também. Por que será então que não é assim?

O espetáculo não pode parar! | Revista Partes

O espetáculo não pode parar! | Revista Partes

“O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida,

é o movimento autônomo do não-vivo.” Guy Debord

Lembrar? Para quê? | Revista Partes

Lembrar? Para quê? | Revista Partes

Foucault na Educação | Revista Partes

Foucault na Educação | Revista Partes

Foucault na Educação

Kelin Valeirão*

Resumo: O artigo visa discutir a práxis educacional na contemporaneidade, a partir do conceito de governamentalidade, desenvolvido por Michel Foucault. Trabalha-se a governamentalidade ligada à práxis educacional na atual sociedade de controle. Conclui-se que a práxis educacional na contemporaneidade atua como um dispositivo que funciona em sintonia com a forma de governamentalidade da sociedade de controle, contribuindo para capturar não mais corpos dóceis, mas flexíveis e ajustados às emergentes necessidades da sociedade.

Palavras-chave: educação - crise da escola – práxis educacional- governamentalidade - sociedade de controle



* Doutoranda em Educação na Universidade Federal de Pelotas – UFPEL.

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