quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Lembrar? Para quê? | Revista Partes

Lembrar? Para quê? | Revista Partes

Foucault na Educação | Revista Partes

Foucault na Educação | Revista Partes

Foucault na Educação

Kelin Valeirão*

Resumo: O artigo visa discutir a práxis educacional na contemporaneidade, a partir do conceito de governamentalidade, desenvolvido por Michel Foucault. Trabalha-se a governamentalidade ligada à práxis educacional na atual sociedade de controle. Conclui-se que a práxis educacional na contemporaneidade atua como um dispositivo que funciona em sintonia com a forma de governamentalidade da sociedade de controle, contribuindo para capturar não mais corpos dóceis, mas flexíveis e ajustados às emergentes necessidades da sociedade.

Palavras-chave: educação - crise da escola – práxis educacional- governamentalidade - sociedade de controle



* Doutoranda em Educação na Universidade Federal de Pelotas – UFPEL.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

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Casos políticos daqui e alhures

 

 

Pedro Coimbra

ppadua@navinet.com.br

 

Terminadas as eleições municipais de 2012, enquanto muitos se debruçam a teorizar como melhorar nosso sistema de representatividade democrática, decepcionados com a aparente renovação das Câmaras de Vereadores, o cronista se debruça em lembranças do folclore político.

Do notável político que foi Israel Pinheiro, forçado a se candidatar ao governo de Minas Gerais, em substituição a Sebastião Paes de Almeida, o Tião Medonho, vetado pela Justiça Eleitoral. Israel Pinheiro, a quem JK delegou a construção de Brasília, foi um dos personagens mais caluniados e difamados do seu tempo. Em 1968, na inauguração de uma estrada próxima a Bocaiúva, o fotografei tentando visualizar os sapatos, o que a proeminente barriga já impedia. Morreu pobre para desilusão de seus desafetos políticos.

Neste mesmo evento a figura do Coronel Mário Andreazza, cabelos grisalhos,bronzeado, trajando uma legitima camisa Lacoste e fumando cigarros americanos, já proibidos na época. Nadou e morreu na praia, nunca alcançando seu sonho de ser presidente da República.

Bocaiúva era a cidade natal de José Maria Alkmin, raposa da política mineira e brasileira, cuja esperteza foi eternizada pelo jornalista Sebastião Nery, que se especializou no tema do folclore político.

Dele se contava que ao chegar a uma cidade abraçou um eleitor e perguntou pelo senhor seu pai.

Assustado o rapaz respondeu-lhe que seu pai havia falecido há muito tempo.

- Faleceu para você, filho ingrato. Pois permanece para sempre na minha memória – respondeu o esperto José Maria Akmin, para o filho estupefato.

Da mesma época o causo que envolve Negrão de Lima, eleito governador da Guanabara na mesma época que Israel Pinheiro.

Cumpriu seu mandato até os últimos dias, protegido pelo Marechal Castelo Branco, pois teria sido o avalista do seu namoro com Dona Argentina, sua esposa, em Belo Horizonte.

Desta época também a lembrança do jornalista e escritor Sérgio Danilo, que teve um piriqipaqui na Assembléia Legislativa, e foi salvo pelo socorro emergencial do médico e deputado Sylvio Menicucci. Logo depois, o Dr. Sylvio Menicucci fez um pronunciamento contra a cassação de JK e acabou perdendo seu mandato político.

Das lembranças locais, o caso da candidatura do tintureiro e líder dos negros lavrenses, José Anselmo, o "Zé da Lina".

Candidato à vereador de Lavras, no dia da apuração passou defronte ao Forum velho, na Rua Benedito Valadares e um amigo, de uma das janelas do casarão fez-lhe um sinal com o dedo indicador.

- Mil votos? – perguntou "Zé da Lina", exultante.

- Não...Um voto – o outro respondeu-lhe, para sua decepção.

Quase todas as cidades do Brasil contam a história do cidadão que se candidata a vereador, e acaba por ter somente o seu voto, com a ausência do da esposa. Dizem que em Lavras tal deslize acabou em pancadaria.

Dois casos muito lembrados são do vereador que disse, durante uma sessão da Câmara Municipal, que teria deixado alguns papéis importantes em sua Nobre geladeira, e o outro de uma equipe de advogados designados para acompanhar as eleições. Chamados por telefone para comparecer no Paulo Menicucci dirigiram-se ao local onde havia vários pessoas sentadas.

Um dele perguntou:

- Nenhuma normalidade por aqui?

- Tudo tranquilo – respondeu o enfermeiro.

Na verdade estavam no local errado. Ali era a Casa de Saúde Paulo Menicucci e a confusão era na Escola Paulo Menicucci...

E para finalizar, a história de Sineval Godinho, candidato a vereador e cujo nome apareceu em primeiro lugar em uma pesquisa.

No frigir dos ovos, Sineval que hoje faz campanha no céu, foi o último colocado...

Seguindo no trem azul

Estava deitado no sofá, enfrentando a onda de calor repentino, dormitando e ouvindo uma seleção de sucessos do Roupa Nova, banda que surgiu em 1980, e mantém até hoje sua formação original, composta por Paulinho, Serginho Herval, Nando, Kiko e Cleberson Horsth.

            Eles entoavam "Seguindo no trem azul":

"Confessar

Sem medo de mentir

 Que em você

Encontrei inspiração

Para escrever..."

            Olhos entreabertos viram um vulto na poltrona a minha frente, sem camisa, bigode e cabelos grandes, já grisalhos e uma latinha de Bhama na mão.

            - Ô, cara! Acende meu cigarro.

            Era sem dúvida nenhuma, o espírito do meu amigo, Du Venerando, atraído pelo festival de músicas do conjunto que  mais vezes promovera em Lavras, num vídeo perfeito, em que pareciam sair da tevê LED para o ambiente da sala.

            E começou a falar de arranquinho, como era seu hábito, contando-se as aventuras que enfrentara para trazer grandes shows no recém-inaugurado Ginásio Poliesportivo do LTC.

            - Eu trouxe o RPM – ele disse e que era a maior banda do rock brasileiro.

            Pensei em lhe dizer que na atualidade o que estava fazendo sucesso era o talsertanejo universitário, com muitas duplas que faziam sucesso e levavam três vezes mais pessoas aos shows atuais do que os antigos sucessos de antigamente.

            - Você se lembra como transformava a FM Rio Grande, em "Rádio Roupa Nova" ou "Rádio RPM" na semana que antecipava o evento? – me perguntou.

            Um carro de campanha política passou com o som altíssimo o que fez que sorrisse e sua imagem se desvanecesse, ficando apenas sua última imagem e sua voz:

- Vou bater uma bolinha – e com a raquete de tênis sumiu definitivamente.

De tanto conversar com ele sabia que detestava a política partidária, num tempo que lhe cabia carregar um equipamento de som mastodôntico para todos os lugares onde haveria comício e não adiantava tentar discutir nada com o pai.

- Traíram o "velho" – ele dizia justificando para mim a derrota do pai, Leonardo Venerando, considerado sempre como candidato invencível.

Du Venerando  cumpriu também, por alguns anos, a missão de erguer um palanquinho de madeira, na Padaria Rocha, seu "point" preferido, contratar os músicos do Demá e um veículo qualquer que servisse de transporte para os foliões que chegavam de fora para desfilarem na Banda do Funil.

Finalmente, o que era uma brincadeira familiar cresceu tanto que acabou tendo a necessidade de se institucionalizar, o que foi o seu fim.

Daqueles tempos ficaram apenas as lembranças trazidas por uma criatura vinda do mundo dos sonhos e que solfejava:

"Confessar

Sem medo de mentir

Que em você

Encontrei inspiração

Para escrever..."

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