domingo, 26 de fevereiro de 2012

Artigo: Os benefícios da Gestão do conhecimento para as organizações


OS BENEFÍCIOS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA AS ORGANIZAÇÕES

Por Sonia Wada*
Imagem Divulgação
Sonia Wada é diretora-presidente da SBGC
 
Práticas de gestão do conhecimento não são apenas modismos da administração moderna. Não é de hoje que as empresas já a utilizam como ferramental de capacitação profissional. Temos inúmeros exemplos de mestres que passam os ofícios de sua profissão a seus aprendizes, desde os grandes mestres da arte como Da Vinci ao um simples carpinteiro em sua oficina rudimentar.
A economia mundial já viveu vários ciclos marcados pelas revoluções Agrícola e Industrial e, mais recentemente, pela Revolução da Informação. Na Revolução Agrícola, o poder político e econômico baseava-se na posse da terra. Já na Revolução Industrial, o determinante era o capital financeiro. Nela, passamos pela eras da produção em massa, da eficiência, da qualidade, da competitividade. Agora, em plena Era da Informação o que pesa é o conhecimento.
O saber e o aprender sempre foram as molas propulsoras da humanidade. Dados, informações e conhecimentos sempre existiram em todas as organizações, sejam elas do primeiro, segundo ou terceiro setor. O que há de novo nesse processo é entender o conhecimento como capital intelectual ativo das instituições. Saber geri-lo, conservá-lo, disseminá-lo, combiná-lo, criar e aplicar o conhecimento é fundamental para obter sustentabilidade e vantagem competitiva, por meio de melhorias, inovação e aumentando a qualidade de vida das pessoas, nesse mundo de constantes mudanças. Por isso é necessário que os gestores estejam abertos à criação de um ambiente favorável ao apoio de práticas que levem à formação de mais conhecimento, permitindo a captura e o filtro desse saber por meio de processos, métodos, práticas, ações e de sistemas internos de compartilhamento entre seus parceiros.
A grande questão é: onde está armazenado todo esse conhecimento? Ele está em toda parte, na cabeça das pessoas. É o conhecimento tácito, ou seja, aquele que foi formado pela vivência e pela interpretação e pela aplicação constante de dados e informações. Como transformar esse saber em conhecimento explícito, aquele que pode ser formalizado, armazenado, transportado, utilizado e mensurado? Somente com o gerenciamento de todo esse capital intelectual coletivo. Daí a necessidade da gestão do conhecimento!
Com a velocidade das transformações e a atual complexidade dos desafios, ganhar longevidade nesse mercado inconstante não é tarefa fácil. Empreendimentos públicos e privados devem antecipar suas estratégias aos fatos, precisam ser pró-ativos em suas decisões e reinventar-se a cada dia.
O que garante a segurança na tomada de decisões é a disponibilidade de todas as informações e conhecimentos possíveis. Quando esse capital intelectual está inacessível, disperso ou desorganizado, o futuro torna-se temeroso, incerto. A gestão do conhecimento veio em auxílio dos empreendedores no desenvolvimento de soluções relacionadas à competitividade e inovação nas empresas.
O cerne da gestão do conhecimento é justamente preocupar-se com a organização do conhecimento humano para que esse possa ser usado de maneira inteligente, gerando mais valor e aumentando o desempenho e a vantagem competitiva. Cabe à GC (Gestão do Conhecimento) criar, identificar, recolher, organizar, armazenar, integrar, partilhar, difundir, transferir, socializar, usar e explorar toda informação, filosofia, política, cultura, valores, normas, procedimentos, rotinas, processos, práticas e experiências dos colaboradores.
Muitos profissionais, com seus saberes individuais, deixam de trocar experiências entre si, impossibilitando o encontro de soluções na base da pirâmide e impedindo a implementação de uma boa gestão do conhecimento. Apoiada na participação ativa da alta administração, a GC coloca todos trabalhadores em contato constante, criando comunidades de aprendizado mútuo, disponibilizando a informação, na hora e no lugar acessível para cada necessidade, evitando retrabalho e sem duplicidade de esforços.
A gestão do conhecimento estimula os indivíduos a buscarem e compartilharem seu capital intelectual, de acordo com suas habilidades, por meio de ferramentas criadas para esse fim como, por exemplo, redes internas, portais, conversas informais, grupos de trabalho, lições aprendidas, comunidades de práticas, assistência a colegas, análise de rede social, colaboração em rede, narrativas, educação corporativa, inteligência nos negócios, processo de criação e inovação e gestão de intangíveis. O resultado se materializa na aplicação desses saberes cotidianos no ambiente de trabalho.
Os benefícios são inúmeros tanto para a pequena empresa como para as gigantes multinacionais e até governos e o melhor: está disponível para qualquer tipo de empreendimento. Basta vontade de crescer e aprender sempre. Em primeiro lugar, as instituições ganham agilidade e mais capacidade de resposta aos problemas imediatos, tornam-se mais competitivas e rentáveis. Os trabalhadores, por sua vez, sentem-se valorizados e motivados. Isto aumenta o seu rendimento produtivo, auxilia no desenvolvimento de competências e facilita a comunicação entre os pares. Esses perdem o medo natural de compartilhar ideias geradoras de inovação e de enfrentar novos desafios. Além disso, a GC também propicia conscientização do pessoal em torno do negócio, criando e aplicando o conhecimento em novos produtos, nos processos, na execução de tarefas para atingir a excelência operacional, no atendimento ao consumidor etc. Tudo isso agrega valor à organização.
Para as empresas, a GC melhora a capacidade de atrair profissionais comprometidos com resultados de longo prazo, com conhecimentos e habilidades diversas, gera empregabilidade, diminui a rotatividade, estimula a criatividade e a vontade constante de aprendizado. Otimiza, ainda,  os processos internos e os fluxos de trabalho. Desta forma, a gestão do conhecimento gera valor às organizações, diferenciando-as das demais.  Propicia um melhor aproveitamento do conhecimento já existente, contribui para a redução de custos, para o aumento de competitividade e receita. Também  os investimentos em capacitação profissional acabam por retornar mais rapidamente.
A agilidade nas respostas e o comprometimento são notados pelos clientes que percebem a sensível melhora no atendimento e na qualidade dos serviços, ou seja, quando uma decisão é tomada com mais segurança, rapidez e competência há uma melhor obtenção de resultados percebidos. Outra vantagem é conhecer os pontos fortes e fracos da organização para buscar a correção de rumos e a melhoria contínua.
Invariavelmente, empreendimentos bem sucedidos são aqueles nos quais a gestão do conhecimento faz parte do ambiente e de sua cultura organizacional. Em outras palavras, faz parte do seu DNA, isto é, está intrínseca nos processos, sistemas, comportamento e valores. São aqueles que utilizam a GC como recurso estratégico para gerar vantagem competitiva e aumentar o valor de mercado. São os que incorporam essa inteligência coletiva à tecnologia, atendimento, produtos e serviços. Exemplos não faltam, Apple, IBM, MPX, Tetrapak, Natura, Correios, Petrobras, Vale, entre muitas outras. Essas empresas já entenderam que o conhecimento é um gerador de riquezas, é um fator fundamental para mantê-las competitivas no mercado, fortalecer suas competências e melhorar seu desempenho. Esse capital não tem preço, portanto, não pode ser negociado!


*Sonia Wada é pesquisadora, formada em Biblioteconomia e Documentação pela ECA/USP, especialista em informação tecnológica e gestão do conhecimento e mestre em Inteligência Competitiva. Atualmente é diretora presidente da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br) e do KM Brasil 2012 – Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento que acontece em agosto, em São Paulo. E-mail: linksbgc@linkportal.com.br



Artigo: Os benefícios da Gestão do conhecimento para as organizações


OS BENEFÍCIOS DA GESTÃO DO CONHECIMENTO PARA AS ORGANIZAÇÕES

Por Sonia Wada*
Imagem Divulgação
Sonia Wada é diretora-presidente da SBGC
 
Práticas de gestão do conhecimento não são apenas modismos da administração moderna. Não é de hoje que as empresas já a utilizam como ferramental de capacitação profissional. Temos inúmeros exemplos de mestres que passam os ofícios de sua profissão a seus aprendizes, desde os grandes mestres da arte como Da Vinci ao um simples carpinteiro em sua oficina rudimentar.
A economia mundial já viveu vários ciclos marcados pelas revoluções Agrícola e Industrial e, mais recentemente, pela Revolução da Informação. Na Revolução Agrícola, o poder político e econômico baseava-se na posse da terra. Já na Revolução Industrial, o determinante era o capital financeiro. Nela, passamos pela eras da produção em massa, da eficiência, da qualidade, da competitividade. Agora, em plena Era da Informação o que pesa é o conhecimento.
O saber e o aprender sempre foram as molas propulsoras da humanidade. Dados, informações e conhecimentos sempre existiram em todas as organizações, sejam elas do primeiro, segundo ou terceiro setor. O que há de novo nesse processo é entender o conhecimento como capital intelectual ativo das instituições. Saber geri-lo, conservá-lo, disseminá-lo, combiná-lo, criar e aplicar o conhecimento é fundamental para obter sustentabilidade e vantagem competitiva, por meio de melhorias, inovação e aumentando a qualidade de vida das pessoas, nesse mundo de constantes mudanças. Por isso é necessário que os gestores estejam abertos à criação de um ambiente favorável ao apoio de práticas que levem à formação de mais conhecimento, permitindo a captura e o filtro desse saber por meio de processos, métodos, práticas, ações e de sistemas internos de compartilhamento entre seus parceiros.
A grande questão é: onde está armazenado todo esse conhecimento? Ele está em toda parte, na cabeça das pessoas. É o conhecimento tácito, ou seja, aquele que foi formado pela vivência e pela interpretação e pela aplicação constante de dados e informações. Como transformar esse saber em conhecimento explícito, aquele que pode ser formalizado, armazenado, transportado, utilizado e mensurado? Somente com o gerenciamento de todo esse capital intelectual coletivo. Daí a necessidade da gestão do conhecimento!
Com a velocidade das transformações e a atual complexidade dos desafios, ganhar longevidade nesse mercado inconstante não é tarefa fácil. Empreendimentos públicos e privados devem antecipar suas estratégias aos fatos, precisam ser pró-ativos em suas decisões e reinventar-se a cada dia.
O que garante a segurança na tomada de decisões é a disponibilidade de todas as informações e conhecimentos possíveis. Quando esse capital intelectual está inacessível, disperso ou desorganizado, o futuro torna-se temeroso, incerto. A gestão do conhecimento veio em auxílio dos empreendedores no desenvolvimento de soluções relacionadas à competitividade e inovação nas empresas.
O cerne da gestão do conhecimento é justamente preocupar-se com a organização do conhecimento humano para que esse possa ser usado de maneira inteligente, gerando mais valor e aumentando o desempenho e a vantagem competitiva. Cabe à GC (Gestão do Conhecimento) criar, identificar, recolher, organizar, armazenar, integrar, partilhar, difundir, transferir, socializar, usar e explorar toda informação, filosofia, política, cultura, valores, normas, procedimentos, rotinas, processos, práticas e experiências dos colaboradores.
Muitos profissionais, com seus saberes individuais, deixam de trocar experiências entre si, impossibilitando o encontro de soluções na base da pirâmide e impedindo a implementação de uma boa gestão do conhecimento. Apoiada na participação ativa da alta administração, a GC coloca todos trabalhadores em contato constante, criando comunidades de aprendizado mútuo, disponibilizando a informação, na hora e no lugar acessível para cada necessidade, evitando retrabalho e sem duplicidade de esforços.
A gestão do conhecimento estimula os indivíduos a buscarem e compartilharem seu capital intelectual, de acordo com suas habilidades, por meio de ferramentas criadas para esse fim como, por exemplo, redes internas, portais, conversas informais, grupos de trabalho, lições aprendidas, comunidades de práticas, assistência a colegas, análise de rede social, colaboração em rede, narrativas, educação corporativa, inteligência nos negócios, processo de criação e inovação e gestão de intangíveis. O resultado se materializa na aplicação desses saberes cotidianos no ambiente de trabalho.
Os benefícios são inúmeros tanto para a pequena empresa como para as gigantes multinacionais e até governos e o melhor: está disponível para qualquer tipo de empreendimento. Basta vontade de crescer e aprender sempre. Em primeiro lugar, as instituições ganham agilidade e mais capacidade de resposta aos problemas imediatos, tornam-se mais competitivas e rentáveis. Os trabalhadores, por sua vez, sentem-se valorizados e motivados. Isto aumenta o seu rendimento produtivo, auxilia no desenvolvimento de competências e facilita a comunicação entre os pares. Esses perdem o medo natural de compartilhar ideias geradoras de inovação e de enfrentar novos desafios. Além disso, a GC também propicia conscientização do pessoal em torno do negócio, criando e aplicando o conhecimento em novos produtos, nos processos, na execução de tarefas para atingir a excelência operacional, no atendimento ao consumidor etc. Tudo isso agrega valor à organização.
Para as empresas, a GC melhora a capacidade de atrair profissionais comprometidos com resultados de longo prazo, com conhecimentos e habilidades diversas, gera empregabilidade, diminui a rotatividade, estimula a criatividade e a vontade constante de aprendizado. Otimiza, ainda,  os processos internos e os fluxos de trabalho. Desta forma, a gestão do conhecimento gera valor às organizações, diferenciando-as das demais.  Propicia um melhor aproveitamento do conhecimento já existente, contribui para a redução de custos, para o aumento de competitividade e receita. Também  os investimentos em capacitação profissional acabam por retornar mais rapidamente.
A agilidade nas respostas e o comprometimento são notados pelos clientes que percebem a sensível melhora no atendimento e na qualidade dos serviços, ou seja, quando uma decisão é tomada com mais segurança, rapidez e competência há uma melhor obtenção de resultados percebidos. Outra vantagem é conhecer os pontos fortes e fracos da organização para buscar a correção de rumos e a melhoria contínua.
Invariavelmente, empreendimentos bem sucedidos são aqueles nos quais a gestão do conhecimento faz parte do ambiente e de sua cultura organizacional. Em outras palavras, faz parte do seu DNA, isto é, está intrínseca nos processos, sistemas, comportamento e valores. São aqueles que utilizam a GC como recurso estratégico para gerar vantagem competitiva e aumentar o valor de mercado. São os que incorporam essa inteligência coletiva à tecnologia, atendimento, produtos e serviços. Exemplos não faltam, Apple, IBM, MPX, Tetrapak, Natura, Correios, Petrobras, Vale, entre muitas outras. Essas empresas já entenderam que o conhecimento é um gerador de riquezas, é um fator fundamental para mantê-las competitivas no mercado, fortalecer suas competências e melhorar seu desempenho. Esse capital não tem preço, portanto, não pode ser negociado!


*Sonia Wada é pesquisadora, formada em Biblioteconomia e Documentação pela ECA/USP, especialista em informação tecnológica e gestão do conhecimento e mestre em Inteligência Competitiva. Atualmente é diretora presidente da SBGC - Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento (www.sbgc.org.br) e do KM Brasil 2012 – Congresso Brasileiro de Gestão do Conhecimento (www.kmbrasil.com), evento que acontece em agosto, em São Paulo. E-mail: linksbgc@linkportal.com.br



O rei está nu




 João Vitte (*)
O leilão de três dos maiores aeroportos do Brasil teve uma dimensão política fundamental para o futuro do país: com ela, o PT jogou de vez na lata do lixo da História sua bandeira contra as privatizações. Ora, em todas as campanhas eleitorais o Partido dos Trabalhadores adotava esse discurso atrasado contra seus adversários. Mas, a partir de agora, não poderá mais fazê-lo. Como disse o ex-presidente FHC, o “demônio privatista” dos petistas foi desmistificado e agora essas bandeiras são “fantasmas que estão desaparecendo porque o Brasil está mais maduro”. Ou, para ficar no dito popular: nunca diga que desta água não beberei...    
O mais engraçado são as justificativas do PT para tentar explicar suas privatizações: eles dizem não é bem assim e que entregar aeroportos à iniciativa privada como concessão não é o mesmo que privatizar empresas estatais. Já o governo agora diz que “não tem uma posição ideológica contra a privatização”, mas sim sobre o objeto a ser privatizado. Desculpas à parte, o fato é que esta nem é a primeira privatização do PT. O ex-Presidente Lula vendeu dois bancos estaduais no primeiro ano de governo, fez concessões de serviços públicos em algumas estradas e sancionou a Lei das Parcerias Público-Privadas (PPP).
Sim, foi o Lula quem aprovou a Lei que permite a realização de PPPs. Mas quando uma PPP é realizada por adversários políticos, os companheiros petistas se voltam contra as prefeituras e governos dos Estados e saem gritando contra as parcerias. Até quando o PT irá levantar bandeiras contra as iniciativas realizadas pelos adversários, sem analisar se realmente é ou não a melhor solução para a população?
Precisamos de mais pragmatismo e de menos estreiteza política. Não devemos ser oposição pelo gosto de contrariar. Por que devemos ser contra um governo, se este está fazendo um bom trabalho, com ações benéficas a toda população? Não me parece coerente, numa campanha eleitoral, alguém se colocar contra ações benéficas para o povo só porque elas estão sendo realizadas por um partido ou coalizão adversária. Isso não é patriótico nem republicano, apenas revela miopia política. 
No caso dos aeroportos, não devemos adotar a mesma viseira política dos petistas. É verdade que se o governo do PT tivesse investido mais na infraestrutura aeroportuária nos últimos anos, não estaríamos nessa situação caótica que ameaça manchar a participação do Brasil na Copa 2014 e nos Jogos Olímpicos de 2016. Mas o importante é que privatizaram; sabemos que, nos países em que os aeroportos foram privatizados, o serviço prestado é melhor e o usuário é beneficiado. Então, se conseguirem oferecer melhores serviços para a população, devemos apoiar essa iniciativa. E não, como eles, criticá-la só porque foi levada a cabo por nossos adversários políticos.
O mais curioso é que o discurso de coerência ideológica do PT não resiste à menor exposição à realidade. O governo, por exemplo, diz defender a indústria nacional, mas compra avião presidencial do consórcio europeu Airbus, em vez de prestigiar a indústria aeronáutica brasileira, uma das maiores do mundo. Agora, continua a sustentar o discurso antiprivatista, embora tenha privatizado os aeroportos...
A população não se deixará mais enganar pela contradição entre o que o PT diz e o que pratica. Quem sabe um dia eles entendam que não são os donos da verdade. Mas, até lá, teremos que agüentar discursos inflamados e vazios sobre “privataria”. Mas agora o rei está nu...       
* João Vitte é prefeito de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo

Retomar o Sindicalismo de Classe e de Esquerda (importante contribuição de Ricardo Antunes)


Comp@s,

A população trabalhadora e pobre do Brasil tem dado seu voto de confiança aos governos, em particular ao governo federal, que tem desfrutado de alto índice de popularidade. Mas, os setores organizados dessa população começam a mostrar certa inquietude, através das tentativas de greves em suas categorias profissionais, ocupação e/ou resistência na desocupação de áreas – seja para moradia, seja para a reforma agrária, a insatisfação com a qualidade dos serviços públicos de saúde, educação, transporte, segurança pública, além da contrariedade com as políticas previdenciárias e salariais, que estão sendo apresentadas.

Nossos governantes dizem que o país está protegido e não sofrerá grande impacto com a crise econômica, que abala os países líderes do capitalismo (França, Alemanha, Inglaterra, EUA) e convulsiona seus parceiros da zona do euro (Grécia, Itália, Espanha, Portugal), mas se apressam para adotar as mesmas medidas, que levaram os trabalhadores desses países às ruas, em veementes protestos. Há, portanto, fortes indícios de que esteja próxima do fim essa falsa festa brasileira, cujos principais organizadores são oriundos da esquerda e fazem as políticas dos banqueiros e grandes capitalistas – justamente, os nossos governantes e suas principais estruturas de apoio.

Será que os ativistas de esquerda conseguirão entender o que está acontecendo, construir a unidade necessária entre seus agrupamentos e preparar um programa factível e capaz resolver os problemas, de um ponto de vista da população trabalhadora e pobre? Na matéria abaixo, o Professor Ricardo Antunes oferece uma forte contribuição para este esforço. Cito um trecho, mas a leitura na integra é indispensável:

O que nos leva a concluir que, para a retomada de um sindicalismo de classe e de esquerda, há um bom caminho a percorrer. Mas talvez seu primeiro desafio seja criar um pólo sindical, social e político de base que não tenha medo de oferecer ao país um programa de mudanças profundas, capazes de iniciar a desmontagem das causas estruturantes da miséria brasileira e de seus mecanismos de preservação da dominação. E um passo imprescindível neste processo é, desde logo, romper a política de servidão voluntária que empurrou os sindicatos em direção ao Estado.

Abração do
William.
17/02/2012.


Correio da Cidadania

A ‘engenharia da cooptação’ e
os sindicatos no Brasil recente
Escrito por Ricardo Antunes
Sexta, 17 de Fevereiro de 2012

A década de ouro

O objetivo deste artigo é compreender por que vem ocorrendo uma relativa desmobilização da sociedade brasileira e, em particular, dos organismos de representação da classe trabalhadora? As respostas são complexas e nos remetem aos ciclos das lutas travadas nas últimas décadas no Brasil.

Poderíamos começar lembrando que, ao longo dos anos 1980, o Brasil esteve à frente das lutas sociais e sindicais, mesmo quando comparado com outros países avançados. A criação do PT em 1980, da CUT em 1983, do MST em 1984, a luta pelas eleições diretas em 1985, a eclosão de quatro greves gerais, a campanha da Constituinte, a promulgação da Constituição em 1988 e, finalmente, as eleições de 1889 são exemplos vivos da força das lutas daquela década. Houve avanços significativos na luta pela autonomia e liberdade dos sindicatos em relação ao Estado, através do combate ao Imposto Sindical, à estrutura confederacional, cupulista, hierarquizada e atrelada, instrumentos que se constituíam em alavancas utilizadas pelo Estado para controlar os sindicatos. Aquela década conformou também um quadro nitidamente favorável para o chamadonovo sindicalismo, que caminhava em direção contrária à crise sindical presente em vários países capitalistas avançados.

Entretanto, no final daquela década já começavam a despontar as tendências econômicas, políticas e ideológicas que foram responsáveis pela inserção do sindicalismo brasileiro na onda regressiva, resultado tanto da reestruturação produtiva do capital em curso em escala global como da emergência da pragmática neoliberal, que passaram a exigir mudanças significativas.

A partir de 1990, com a ascensão de Collor e depois com FHC, o receituário neoliberaldeslanchouNosso parque produtivo estatal foi enormemente alterado pela política privatizante, afetando diretamente a siderurgia, telecomunicações, energia elétrica, setor bancário, dentre outros, o que alterou o tripé que sustentava a economia brasileira (capital nacional, estrangeiro e estatal), redesenhando e internacionalizando ainda mais o capitalismo no Brasil. O setor produtivo estatal era fagocitado ainda mais pelo capital monopolista estrangeiro.

Com um processo tão intenso, a simbiose nefasta entre neoliberalismo e reestruturação produtiva teve repercussões muito profundas na classe trabalhadora e em particular no movimento sindical. Flexibilização, desregulamentação, terceirização, novas formas de gestão da força de trabalho etc. tornaram-se pragas presentes em todas as partes. No apogeu da era da financeirização, do avanço técnico-científico-informacional, do mundo digital onde tempo e espaço se convulsionam, o Brasil vivenciou mutações fortes no mundo do trabalho, alterando sua morfologia, da qual a informalidade, a precarização e o desemprego ampliavam-se intensamente.

Esta nova realidade arrefeceu o novo sindicalismo que se encontrava, de um lado, diante da emergência de um sindicalismo neoliberal, sintonizada com a onda mundial conservadora, de que a Força Sindical é o melhor exemplo. E, de outro, diante da inflexão que vinha ocorrendo no interior da CUT, que cada vez mais se aproximava do sindicalismo social-democrata. A política de “convênios”, “apoios financeiros”, “parcerias” com a social-democracia sindical, especialmente européia, levada a cabo por décadas, acabou contaminando o sindicalismo de classe no Brasil, que pouco a pouco se social-democratizava, num contexto, vale lembrar, onde a social-democracia se aproximava do neoliberalismo.

II. O sucesso do social-liberalismo e o advento do sindicalismo negocial de Estado

Foi neste contexto que Lula sagrou-se vitorioso nas eleições presidenciais em 2002, depois de um período de enorme desertificação social, política e econômica do Brasil, vitória que ocorreu em um contexto internacional e nacional bastante diferente dos anos 1980. A vitória da “esquerda” no Brasil ocorria quando ela estava mais fragilizada, menos respaldada nos pólos centrais que lhe davam capilaridade, como a classe operária industrial, os assalariados médios e os trabalhadores rurais.

Se pudéssemos lembrar Gramsci, diríamos que o transformismo já havia convertido o PT numPartido da Ordem. Quando Lula venceu as eleições, em 2002, ao contrário da potência criadora das lutas sociais dos anos 1980, o cenário era de completa mutação. Ela foi, por isso, uma vitória política tardia. Nem o PT, nem o país eram mais os mesmos. Como já pude dizer anteriormente, o Brasil estava desertificado e o PT havia se desvertebrado.

Quais são as explicações para esse transformismo? Aqui podemos tão somente indicá-las: 1) a proliferação do neoliberalismo na América Latina; 2) o desmoronamento do “socialismo real” e a prevalência equivocada da tese que propugnava a vitória do capitalismo; 3) a social-democratização de parcela substancial da esquerda e sua aproximação à agenda social-liberal, eufemismo usado para “esconder” sua real face neoliberal.

E o PT, partido que se originou no seio das lutas sociais e sindicais, aumentava sua sujeição aos calendários eleitorais, atuando cada vez mais como partido eleitoral e parlamentar, até tornar-se um partido policlassista. Lula passou a cobiçar a confiança das principais frações das classes dominantes, incluindo a burguesia financeira, o setor industrial e o agronegócio. Um exemplo é bastante esclarecedor: quando, ao final do governo FHC, em 2002, houve um acordo de “intenções” com o FMI, este organismo exigiu que os candidatos à presidência manifestassem sua concordância com os termos do referido acordo. O PT de Lula publicou, então, um documento, denominado como a Carta aos Brasileiros, onde evidenciava sua política de subordinação ao FMI e aos setores financeiros internacionais e nacionais.

O resultado de seu governo é conhecido: sua política econômica ampliou a hegemonia dos capitais financeiros; preservou a estrutura fundiária concentrada; deu incentivo aos fundos privados de pensão; determinou a cobrança de impostos aos trabalhadores aposentados, o que significou uma ruptura com parcelas importantes do sindicalismo dos trabalhadores, especialmente públicos, que passaram a fazer forte oposição ao governo Lula.

A sua alteração mais significativa, no segundo mandato, foi uma resposta à crise política aberta com o mensalão, em 2005. Era necessário que o novo governo ampliasse sua base de sustentação, desgastada junto a amplos setores da classe trabalhadora organizada. Foi então que ocorreu uma alteração política importante: o governo ampliou o programa Bolsa-Família, uma política social de perfil claramente assistencialista, ainda que de grande amplitude, que atinge mais de 12 milhões de famílias pobres com renda salarial baixa e que por isso recebiam um complemento salarial. E foi esta política social – assumida como exemplo pelo Banco Mundial – que ampliou significativamente a base social de apoio a Lula, em seu segundo mandado. Ela atingia os setores mais pauperizados e desorganizados da população brasileira, que normalmente dependem das políticas do Estado para sobreviver.

E em comparação ao governo de FHC, a política de aumento do salário mínimo, ainda que responsável por um salário vergonhoso e inconcebível para uma economia do porte da brasileira, significou efetivos ganhos reais em relação ao governo tucano. E, desse modo, o governo Lula “equacionou” as duas pontas da tragédia social no Brasil: remunerou exemplarmente o grande capital financeiro, industrial e o agronegócio e, no outro pólo da pirâmide social, implementou a Bolsa-Família assistencialista e concedeu uma pequena valorização do salário mínimo, sem confrontar, é imperioso dizer, nenhum dos pilares estruturantes da tragédia brasileira.

Quando a crise mundial atingiu duramente os países capitalistas do Norte, em 2007/08, o governo tomou medidas claras no sentido de incentivar a retomada do crescimento econômico, reduzindo impostos do setor automobilístico, eletrodoméstico e da construção civil, todos incorporadores de força de trabalho, expandindo fortemente o mercado interno brasileiro e compensando, desse modo, a retração do mercado externo em suas compras de commodities.O mito redivivo do novo “pai dos pobres” ganhava força.

Mas havia, ainda, outro elemento central na engenharia da cooptação do governo Lula/Dilma: o controle de setores importantes da cúpula sindical, que passava a receber diretamente verbas estatais e, desse modo, garantia o apoio das principais centrais sindicais ao governo (1). Pouco antes de terminar seu governo, Lula tomou uma decisão que ampliou ainda mais o controle estatal sobre os sindicatos, ao permitir que as centrais sindicais também passassem a gozar das vantagens do nefasto Imposto Sindical (2), criado na Ditadura Vargas, ao final dos anos 1930. E, além do referido imposto, elas passaram a receber outras verbas públicas, praticamente eliminando (em tese e de fato) a cotização autônoma de seus associados. Outro passo crucial para a cooptação estava selado.

E, se já não bastasse, centenas de ex-sindicalistas passaram a participar, indicados pelo governo, do conselho de empresas estatais e de ex-estatais, com remunerações polpudas. Portanto, para compreender a cooptação de parcela significativa do movimento sindical brasileiro recente, é preciso compreender esse quadro, do qual aqui pudemos oferecer as principais tendências.

O que nos leva a concluir que, para a retomada de um sindicalismo de classe e de esquerda, há um bom caminho a percorrer. Mas talvez seu primeiro desafio seja criar um pólo sindical, social e político de base que não tenha medo de oferecer ao país um programa de mudanças profundas, capazes de iniciar a desmontagem das causas estruturantes da miséria brasileira e de seus mecanismos de preservação da dominação. E um passo imprescindível neste processo é, desde logo, romper a política de servidão voluntária que empurrou os sindicatos em direção ao Estado.


Notas:

1) O campo sindical do governo é amplo: no centro-esquerda, além da CUT, temos a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), formada pela Corrente Sindical Classista que se desfiliou da CUT em 2007 para criar sua própria central. No centro-direita, temos a Força Sindical, já mencionada, que combinava elementos do neoliberalismo com o velho sindicalismo que se “modernizou”, além de várias pequenas centrais como a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), UGT (União Geral dos Trabalhadores), Nova Central, todas dotadas de pequeno nível de representação sindical e de algum modo herdeiras do velho sindicalismo dependente do Estado.

No campo da esquerda sindical anticapitalista, em clara oposição aos governos Lula/Dilma, são importantes a CONLUTAS (Coordenação Nacional de Lutas) e o movimento INTERSINDICAL. A primeira se propõe a organizar não só os sindicatos, mas também os movimentos sociais extra-sindicais, e a segunda (ainda que hoje se encontre dividida) é também oriunda de setores de esquerda que romperam com a CUT, tendo um perfil mais acentuadamente sindical e voltado para a reorganização do sindicalismo pela base, contra a proposta de criação de uma nova Central.

2) Em 2010 foram R$ 84,3 milhões para as centrais: segundo o Ministério do Trabalho, as duas maiores centrais, CUT e Força Sindical, receberam R$ 27,3 milhões e R$ 23,6 milhões, respectivamente - valores que representam 80% do orçamento da Força e 60%, da CUT. Em seguida, os maiores beneficiados foram a União Geral dos Trabalhadores (UGT), com R$ 14 milhões; Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), que embolsou R$ 9,9 milhões; Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), R$ 5,3 milhões; e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), R$ 3,9 milhões.


Ricardo Antunes é professor titular de Sociologia do Trabalho no IFCH/UNICAMP e autor, entre outros livros, de O Continente do Labor (Boitempo) que acaba de ser publicado. Coordena as Coleções Mundo do Trabalho (Boitempo) e Trabalho e Emancipação (Ed. Expressão Popular). Colabora regularmente em revistas estrangeiras e nacionais.

Publicado originalmente no Jornal dos Economistas do Rio de Janeiro, n. 268, novembro de 2011.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ministra Ana lamenta falecimento do cantor Pery Ribeiro


Ministério da Cultura
Ministra Ana lamenta falecimento do cantor Pery Ribeiro
Parte Pery Ribeiro, e o Brasil perde uma bela voz, um cantor que, com grande estilo, interpretou desde samba-canção e bossa-nova até composições mais recentes. Sentiremos todos sua falta, que só será suavizada ao reescutarmos suas gravações. Envio meus abraços solidários à família, amigos e admiradores de Pery.

Ana de Hollanda
Ministra de Estado da Cultura

Agora que o Carnaval terminou



Pedro Coimbra
ppadua@navinet.com.br

            O que seria do escrevinhador que vos fala se não houvesse gente neste mundinho de Deus, como os mestres Aurélio Buarque de Holanda Ferreira e Antônio Houaiss, capazes não só de listar e nos transmitir o sentido dos vocábulos da Língua Portuguesa, mas nos fornecerem sua significação histórica?
            Antônio Houaiss, filólogo, lexicógrafo, crítico literário e gourmet, Ministro da Cultura, diplomata cassado pelo Golpe de 54 e que foi capaz de traduzir/criar o fenomenal “Ulisses”, de James Joyce, era um homem muito elegante que muitas vezes vi passar pela Rua Voluntários da Pátria, no Rio de Janeiro, alojado no banco de trás de um carrão, dirigido por um não menos elegante motorista. Gostaria de ter podido dizer a ele que havia sido um dos poucos mortais capazes de digerir as muitas páginas do meu exemplar de “Ulisses”, de capa dourada,adquirido na papelaria do Delly Leão Guimarães, cidadão de Lavras que as vésperas do Carnaval de 2012 nos deixou. Há mais de duas décadas esta obra está emprestada para minha amiga Maria Luiza C. Lima, que tenho certeza, qualquer dia entrará pela porta da frente da minha casa para devolvê-la...
Mas, dizia eu, Houaiss tem uma definição simles e interessante para Carnaval. Para ele carne levare, ou “abstenção de carne”, era o período anual de festas profanas, originadas na Antiguidade e recuperadas pelo cristianismo, e que começava no dia de Reis (Epifania) ou 06 de janeiro, e acabava na Quarta-Feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma; constituía-se de festejos populares provenientes de ritos e costumes pagãos e se caracterizava pela liberdade de expressão e movimento; no Brasil deu origem ao entrudo.
O tal do entrudo, invenção dos portugueses colonizadores, tinha muita violência, e como sempre foi “domesticado” pela classe dominante, o que gerou este ar nobiliárquico dos nossos folguedos de Momo, com uma profusão de reis, rainhas, duques e duquesas. Um certo olhar demodé, de saudade da monarquia, que acabou gerando uma grande confusão na cabeça deo colunista Sérgio Porto que se colocou na posição do sambista e escreveu a genial paródia “O Samba do Crioulo Doido”:  Foi em Diamantina/Onde nasceu JK/ Que a princesa Leopoldina/ Arresolveu se casar/ Mas Chica da Silva/Tinha outros pretendentes/ E obrigou a princesa/ A se casar / Com Tiradentes…/Lá! Iá! Lá Iá! Lá Iá!/ O bode que deu/Vou te contar…E Stanislaw Ponte continua neste tom gozador até o final...
Meu amigo Horácio, ultra-religioso, sempre me diz que a farra do Carnaval é coisa do demo. Finjo que acredito, principalmente quando meu amigo Ernesto, do Restaurante Gourmet, me lembra que no “esquenta” de um Carnaval de outrora, bebemos quinze litros de rum, comprados em um armazém do Batalhão, e com muita dificuldade, depois de uma “vaquinha”, pois a grana era curta e que ainda fui buscar mais cinco litros. A dor de cabeça na ressaca durou até a Quarta-Feira de Cinzas...
Como podia ser demoníaca aquela festa em que sempre surgiam dois homens muito simples, de terno escandalosamente quadriculado, chapéus, violão e cavaquinho, cantando na praça principal da cidade “Dá nela”, de Ary Barroso: Esta mulher/Há muito tempo me provoca/ Dá nela! Dá nela!/ É perigosa/ Fala mais que pata choca/Dá nela! Dá nela!/ Fala, língua de trapo/Pois da tua boca/Eu não escapo/Agora deu para falar abertamente/Dá nela! Dá nela!/ É intrigante/ Tem veneno e mata a gente/Dá nela! Dá nela!
 E como ninguém pensava numa Lei Maria da Penha, os versos eram politicamente corretos.
São poucos os foliões movidos só pela paixão e o Carnaval de décadas atrás era tocado por uma cheirada profunda com a boca em um pedaço de tecido embebido pelo lança-perfume, ou no próprio tubo. Surgia então uma sensação de euforia e excitação, seguido de um barulhinho constante, semelhante a um apito, ou assobio. A marca certa era Rodoro, fabricado pela Rhodia e ninguém da minha turma tornou-se dependente. A não ser o Fantasmão, figura mítica que ronda mesas de bares e blocos vespertinos. A proibição do Presidente Jânio Quadros acabou com os lança-perfumes; Drogas outras, leves ou pesadas não combinam com os folguedos. Qualquer dia vou mostrar para o amigo Horácio, uma foto do meu pai, junto com outros jovens lavrenses, com a Cruz de Malta ao peito e uniformes. Comunistas, na década de 30? Não. Apenas um bloco de Carnaval. E ele era um homem muito sério!
Todos os anos ouço falarem que o Carnaval está acabando. Pura bobagem! Acontece hoje que a bagunça do Carnaval de rua da Bahia invadiu até mesmo as cidades históricas. E nossos finais de semana estão recheados de shows, como o mega espetáculo de Zezé de Camargo & Luciano, que vem por aí, no mês de março. O Carnaval não é mais o evento único de nossas vidas. Mas, qualquer dia podem voltar os corsos de carros alegóricos e os grandes bailes de salão...Basta lembrar que a sociedade de consumo só cresce por estas plagas...E que as ruas são o melhor lugar para criticarmos nossos políticos de araque.
A festa carnavalesca é só o momento, por mais que digam que não. Bem representado nos versos de Jammil e Uma Noites, um dos reis da micareta baiana que invadiu o país: Agora que o verão passou,/ Agora que céu já mudou de cor Agora que o Carnaval terminou,/ Quando eu vou te ver amor?/ Foi bom te conhecer,/Pelas ruas encontrar você/ Estou contando os dias pra te ver/Boa viagem/ Te vejo no ano que vem,/ Boa viagem/Vê se pensa em mim também,/Boa viagem/ Me liga sempre que puder,/ Vou te esperar ano que vem/ Se Deus quiser.
Certamente, paixão surgida nas Folias de Momo sempre foi por pouco tempo!
O Carnaval terminou e não fiz nada de muito produtivo. Nem mesmo o carteiro bateu a minha porta. Fiquei mesmo no dolce far niente, conhecendo melhor a impresível personalidade de Ayrton Senna, num documentário inglês exibido pela SPORT TV. Foi muito estranho ver as cenas de sua morte e lembrar da minha amiga Maria ao telefonema antevendo o seu fim...Mas, esta é outra história...

Mercadão recebe “superlimpeza” nesta segunda-feira


A Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, por meio de sua Supervisão Geral de Abastecimento (Abast), realiza nesta segunda-feira, 27 de fevereiro, uma superlimpeza no mais tradicional mercado de São Paulo, o Mercadão. Considerado o quarto ponto turístico mais visitado da cidade, o Mercadão terá o dia todo dedicado à limpeza, garantindo a qualidade de produtos e serviços que são característica do local.

No dia da superlimpeza, o Mercado Municipal ficará fechado ao público, retornando normalmente suas atividades na terça-feira (28).

A ação é uma parceria da Supervisão de Abastecimento com os permissionários dos boxes do mercado, e visa complementar a limpeza rotineira e diária que já acontece na área. A superlimpeza abrange, além dos equipamentos, todos os alimentos, que serão conferidos e, posteriormente, realocados nas bancas. 

Uma equipe de técnicos da Supervisão Geral de Abastecimento, composta por médicos veterinários e nutricionistas acompanha os trabalhos, estabelecidos previamente através de um roteiro de procedimentos, e realiza a vistoria final. 

Além da higienização diária e da superlimpeza, todos os mercados municipais de São Paulo passam regularmente por inspeção sanitária com vistoria realizada pela equipe técnica da Supervisão de Abastecimento.

"A prefeitura padronizou a qualidade dos produtos e serviços de todos os mercados municipais. Os permissionários devem atender a restritos padrões de qualidade, higiene e serviços. A ‘superlimpeza’ é parte do compromisso dos mercados com o consumidor", afirma o supervisor de abastecimento da Secretaria, José Roberto Graziano.

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