quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

ARTIGO - TAV: Alta velocidade para todos

Alta velocidade para todos

 

Hamilton Ribeiro Mota*

 

A implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV), prevista para acontecer até 2014 ou 2016, consolidará a maior conurbação da América Latina, ligando através de um expresso ultramoderno os três maiores mercados do país: São Paulo, interior paulista e Rio de Janeiro. Concebido sob os novos ventos desenvolvimentistas que passaram a soprar depois de anos de estagnação, o TAV é uma grande oportunidade para que o Brasil reflita sobre erros do passado para não repeti-los. O TAV surge com todas as condições de ser um empreendimento sustentado, aprofundando na região o desenvolvimento econômico, a integração regional e a inclusão social.  

A ferrovia chegou ao Brasil na segunda metade do século XIX, mas de maneira muito diversa do que aconteceu na Inglaterra, onde teve origem, e nos Estados Unidos, onde moldou o caráter da nação. Nesses dois países, particularmente no último, a implantação dos "caminhos de ferro" ocorreu entre áreas rurais e urbanas nas quais a produção precisava ser levada à população e esta se deslocava de um lado para outro. O resultado foi a interligação de diferentes regiões e a consolidação do território nacional.

Já o Brasil daquela época era dominado pelos barões do café e não tinha um mercado interno amplo. A vocação exportadora do modelo econômico de então foi responsável tanto pelo surgimento e apogeu quanto pela decadência da ferrovia. As linhas foram construídas no sentido Oeste-Leste – das fazendas do café para os portos. Foi por isso que nunca se cogitou construir uma malha ferroviária que integrasse, por exemplo, o Norte ao Sul do País. Excludente como era, o modelo agrário-exportador do Império e da República Velha jamais concebeu o país como nação.

Jacareí nasceu sob o signo desse modelo excludente. É verdade que a cidade cresceu depois que foi integrada pela Estrada de Ferro do Norte, em 1876. Mas essa via férrea, que virava "Ferrovia D. Pedro II" ao entrar no Estado do Rio de Janeiro, também mudava de bitola (distância entre trilhos) – passava de 1m (bitola estreita) para 1,6m (bitola larga) – assim que os trilhos cruzavam a divisa paulista. Só em 1905, com ambas as ferrovias sob o controle da Central do Brasil, a bitola foi unificada (para 1,6m) e São Paulo e Rio puderam ser unidos por ferrovia.

Os horizontes de hoje, felizmente, são muito mais amplos e democráticos. O TAV, produto da agenda da retomada do crescimento econômico com inclusão social, traz à tona a discussão sobre os benefícios ou prejuízos que terão as cidades por onde passará o expresso. Esses debates, bem como as audiências públicas, constituem uma indicação de que, desta vez, estão sendo levados em conta os interesses de toda a comunidade, e não apenas os de uma minoria, por mais poderosa que ela possa ser. Portanto, é natural que, nesse processo, cada município chame a atenção para suas preocupações e necessidades.

Tornou-se lugar comum dizer que, nos países emergentes, as estações, centros operacionais e de manutenção dos trens de alta velocidade tendem a trazer progresso, enquanto que o percurso dos trilhos, pelo isolamento que impõe, perpetua o atraso. Por outro lado, sabemos que é impossível construir estações em todas as cidades existentes no percurso de uma ferrovia para um trem de alta velocidade – no caso, entre Campinas e o Rio de Janeiro –, sob pena de diminuir-lhe a eficácia, inviabilizando-o como meio de transporte rápido.

Sugerimos, então, que os municípios onde não forem instaladas estações sejam beneficiados com a construção de bases operacionais, de manutenção e logística do TAV. Como a probabilidade de instalação de uma estação em São José dos Campos é muito grande, acreditamos que Jacareí reúne todas as condições para receber uma base de manutenção dos trens: nosso município tem áreas disponíveis, um sólido e diversificado parque industrial, qualificação profissional e infraestrutura.

A proposta e a sorte estão lançadas. O TAV está nos seus primórdios e o debate apenas toma corpo. Mas os desafios que o projeto impõe aos brasileiros são ciclópicos: financiamento, viabilidade técnica, dificuldades de engenharia, conciliação entre interesses dos municípios, estados e União, impacto ambiental, prazos etc. Mas, como diria o Barão de Mauá, aquele empresário visionário que estava muito à frente de seu tempo, "as dificuldades foram feitas para serem vencidas". Saberemos vencê-las.

       

* Prefeito de Jacareí (PT- SP)

Quero o meu panetone

Se arruda dá sorte eu também quero o meu panetone! Troquei a minha antiga cueca por uma mais nova, tipo boxer: é mais segura para servir de cofre do que a tipo samba canção.
 
 
 
Assim vamos caminhar para o Natal. Seu Peru saíu para pescar, rezar e trocar dinheiro num escritório qualquer....
 
Gilberto da Silva

AOS LEITORES DA REVISTA P@RTES

FILMES DE VIOLÊNCIA
SÓ FAZEM MAL...
DESLIGUEM A TEVÊ
OU MUDEM DE CANAL!...

CANTAR, RIR E AMAR
ISSO NÃO FAZ MAL
MUITA PAZ E ALEGRIA
NO DIA DE NATAL!!!


Nair lúcia de britto

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DE OLHO NA TEVÊ

 


VIOLÊNCIA NA TELEVISÃO


FICO ESTARRECIDA EM VER AS CENAS TERRÍVEIS DE VIOLÊNCIA NOS FILMES QUE PASSAM NA TELEVISÃO.


CENAS DE USO DE DROGAS, DE MATANÇA, DE ÓDIO E DE VINGANÇA.


JÁ NÃO BASTA A SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA QUE ESTAMOS VIVENDO NUMA REALIDADE TÃO CRUEL?


MAS A TELEVISÃO INSISTE EM COLOCAR ESSAS DROGAS DIARIAMENTE NO AR!


UM PRATO CHEIO PARA OS MARGINAIS SE DELICIAREM, TER OUTRAS "BOAS" IDÉIAS PARA ROUBAR E MATAR... OU PARA ESTIMULAR QUEM JÁ TÊM ALGUMA TENDÊNCIA RUIM...


DIVERTIR-SE, ASSISTINDO COM PRAZER ESSAS CENAS DE MALDADE INCRÍVEL É INSALUBRE. OS MÉDICOS PSIQUIATRAS AVISAM, MAS QUEM OS ESCUTA?


NÃO HÁ UM ÚNICO DIA EM QUE NÃO SE VEJA NA TELEVISÃO HOMENS COM ARMADOS DE REVÓLVERES; E ATÉ MULHERES E ADOLESCENTES!...


LEMBRO-ME DE UM POLÍTICO CONSCIENTE QUE AGORA NÃO ME OCORRE O NOME... MAS EU ME LEMBRO MUITO BEM DO SEU EMPENHO EM TIRAR A VIOLÊNCIA DA TELEVISÃO. INFELIZMENTE FICOU FALANDO SOZINHO.

POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, AGORA, ATÉ ALGUMAS NOVELAS BRASILEIRAS RESOLVERAM APELAR PARA A VIOLÊNCIA, COM O INTUITO DE CONSEGUIR AUDIÊNCIA E MAIOR LUCRO...


ESPERO QUE ESSA MODA NÃO PEGUE!


ORA!... NÃO É PRECISO ENALTECER A MALDADE PARA OBTER SUCESSO.


SEM QUERER FAZER PROPAGANDA, CITO COMO EXEMPLO AS NOVELAS DA REDE GLOBO QUE SEMPRE FORAM LÍDERES DE AUDIÊNCIA EM TEMAS DE AMOR.


OS SAUDOSOS AUTORES DIAS GOMES, JANET CLAIR E, ATUALMENTE, WALCIR CARRASCO, MANOEL CARLOS E TANTOS OUTROS FIZERAM E FAZEM SUCESSO INCENTIVANDO O "BEM"...


O CANTOR ROBERTO CARLOS É UM REI!


O TRABALHO QUE ELEVA O BEM E LEVA ALEGRIA AO CORAÇÃO DAS PESSOAS É AMOR!


TRABALHAR PREJUDICANDO OS OUTROS É EGOISMO, É ÓDIO...


O AMOR NOS APROXIMA DE DEUS E O ÓDIO NOS AFASTA DELE.


SE EU SAIR NA RUA E PERGUNTAR PARA AS PESSOAS SE ELAS ACREDITAM EM DEUS, A MAIORIA VAI ME RESPONDER QUE SIM.


MAS, ENTÃO, POR QUE TANTAS PESSOAS AGEM COMO SE DEUS NÃO EXISTISSE?


PAZ E AMOR!


NAIR LÚCIA DE BRITTO



Chegou Windows 7. Agora com exibição de redes sem fio. Conheça.

TEXTO FELIZ NATAL E PRESÉPIO PARA COLORIR COM AMOR!

TEXTO FELIZ NATAL E PRESÉPIO PARA COLORIR COM AMOR!














FELIZ NATAL

25 DE DEZEMBRO
é uma data comemorativa tradicional do Natal.
É uma época dedicada aos ensinamentos de
PAZ E AMOR,
dos presentinhos e Recompensas
pelo bom comportamento.
É tempo de adulto lembrar da infância,
enquanto já vive o papel de Papai Noel!

Ao longe recordações Voam
de um tempo, de pessoas, dos brinquedos
e das brincadeiras prediletas ...
das Delícias e gostosuras especiais ...
Só dessa época!


O NATAL é maravilhoso!
Enquanto o bom velhinho descansa
Entre as Cartinhas com pedidos
das crianças,
Vem a verdade do Presépio,
ensinando que a Festa é para o Menino Jesus.


Jesus é bom e Capaz de transformar
os nossos corações!
Por este Senhor,
reconheçamos o dia do Natal
Como a nossa grande chance para
iniciarmos uma nova vida!
jesusy.jpg

ELE também quer estar contigo!
Em todos os momentos!
FELIZ NATAL!




Imagens da internet

















































segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Meu palmeiras vai jogar, junto dele sempre estou



Alma Palestrina retrata com o olhar apaixonado de um palmeirense a vida esportiva de outro tempo. Um tempo em que a voz do coração valia mais que o doce encanto das liras estrangeiras.


Imagine um jogador de futebol que também teve sucesso na prática do atletismo, do vôlei, do basquete e do tênis de mesa, sempre defendendo as cores de um mesmo clube. E mais, depois de tudo isso se tornou árbitro, tendo sido convidado para apitar a partida inaugural do Estádio do Pacaembu. Conhece alguém com esse perfil? Talvez para os tempos atuais seja inimaginável uma pessoa conseguir essa proeza, mas a torcida de um dos times mais vencedores do Brasil pode se orgulhar de ter tido um esportista assim presente em sua história.
Trata-se de Ettore Marcelino Domingues, ou só Heitor, como ficou conhecido pela torcida do Palmeiras, clube do qual é o maior artilheiro de todos os tempos, com 284 gols. Foi o primeiro grande ídolo do time, nas décadas de 1920 e 30, quando este ainda se chamava Palestra Itália.
Mas apesar de tantos feitos, o nome ainda é desconhecido por grande parte da massa palestrina. Heitor viveu em um período no qual a cobertura esportiva ainda era incipiente, razão pela qual há poucos registros sobre sua história, apesar de ter-se eternizado no coração de um povo. Com o objetivo de preservar essa memória, o fanático palmeirense Fernando Razzo Galuppo publica agora pelo selo “Paixão entre Linhas, da Editora Leitura”, Alma Palestrina.
Mais do que uma biografia do genial Heitor, Alma Palestrina é uma forma de gratidão a quem começou uma história gloriosa nos gramados do mundo inteiro. E, como diria o autor Galuppo, uma homenagem a um exemplo de disciplina, dedicação e superação, qualidades que definem a chamada conduta palestrina, perpetuada ao longo das gerações pelas famílias palmeirenses.
E essa transmissão do amor pelo Palmeiras de pai para filho, seguindo a indicação do avô, é bem retratada em outro livro sobre o Verdão. Por Nosso Alviverde Inteiro é uma história em quadrinhos, destinada às crianças, na qual cinco jovens palmeirenses narram toda a história palestrina. Feito na medida para aqueles que estão dando seus primeiros passos no Estádio Palestra Itália.
Mas a trajetória alviverde é esmiuçada mesmo, de Heitor a Marcos, em O Time do Meu Coração. Também organizado por Fernando Razzo Galuppo, este pocket book é um verdadeiro guia que trás todas as informações essenciais sobre o Verdão. Com capítulos dispostos de uma maneira que facilita a leitura, a obra oferece ao leitor todo o histórico do clube, década a década, fichas dos principais jogos, todos os títulos, atletas que mais defenderam o time, maiores artilheiros, patrimônio e muitas curiosidades.
Alma Palestrina, Por Nosso Alviverde Inteiro e O Time do Meu Coração fazem parte da coleção de estreia do selo Paixão entre Linhas. São obras que podem ser compradas juntas, em um kit, ou separadamente, e transmitem a memória do Palmeiras a torcedores-leitores de todas as gerações e diferentes gostos.
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Entrevista de Fernando Razzo Galuppo, autor do livro Alma Palestrina

O que faz do Palmeiras um clube diferente de todos os outros? Por que o torcedor do Verdão deve ter orgulho de seu clube?
O volume de conquistas nas mais de 36 modalidades ao longo dos seus 95 anos é o que mais diferencia o Palmeiras das demais equipes brasileiras e mundiais. O Palmeiras é um sonho olímpico que ultrapassa gerações, além de estar entre as principais equipes do futebol mundial. Para se ter uma ideia, o Verdão foi aclamado no ano 2000 como o Clube Campeão do Século XX tanto no futebol quanto no futebol de salão, por haver conquistado os principais títulos oficiais que disputou. O Palmeiras é o único clube mundial que vestiu a camisa da seleção nacional do seu país no basquete, futsal, hóquei e futebol. O orgulho de ser palmeirense começa a partir do momento em que o clube supera duas Guerras Mundiais, crises internas e externas, pressões políticas e perseguições pela sua ascendência e raiz italiana na sua iluminada fundação, que levaram a instituição a mudar de nome de Palestra Itália para Palmeiras. Para o palmeirense, o seu clube está além da esfera esportiva. É um estado de espírito que está acima de ganhar ou de perder. É uma tradição que se renova de pai para filho. Ele vive o Palmeiras 24 horas por dia de modo visceral e apaixonado. Para o palmeirense não existe o meio termo. Ou estamos no céu. Ou estamos no inferno. Nunca inertes. Sempre inovando através do seu característico pioneirismo, seja nas arquibancadas ou nas ações promovidas pela instituição.

Cite um jogo inesquecível na trajetória do Palmeiras.
Não dá para citar apenas um jogo marcante na vida do Palmeiras. Todo jogo do Palmeiras é inesquecível. Mas, para constar: Palmeiras 4 a 0 no Corinthians em 12/6/1993. Vitória épica que tive o imenso prazer de assistir ao lado do meu querido pai no estádio do Morumbi. Ao longo da história, gostaria de estar presente no estádio nos seguintes jogos: Palestra Itália 2 a 0 no Savoia em 1915, Palestra Itália 2 a 1 no Paulistano em 1920, Palestra Itália 8 a 0 no Corinthians em 1933, Palmeiras 3 a 1 São Paulo em 1942, Palmeiras 2 a 2 Juventus da Itália em 1951 e Palmeiras 3 a 0 Seleção do Uruguai em 1965.

Quais os maiores ídolos da história do clube?

Os meus ídolos palmeirenses que nunca tive o prazer de vê-los jogar, e daria tudo nesta vida para ter este privilégio, são: Heitor, Ministrinho, Lima, Junqueira, Waldemar Fiume, Oberdan Cattani, Dudu e Ademir da Guia. Já aqueles que acompanhei como torcedor no campo são: Velloso (meu primeiro grande ídolo), Careca Bianchesi, Cesar Sampaio, Evair, Edmundo, Zinho, Galeano, Edmundo, Arce, Marcos, Vagner, Valdivia  e Kleber.

No processo de elaboração do livro, houve alguma informação sobre o clube que o surpreendeu?
Sem dúvida que sim. A riqueza moral, social e esportiva da gente palestrina-palmeirense no período pesquisado [décadas de 10, 20 e 30] é algo que nos faz repensar a nossa conduta nos tempos atuais. A cordialidade. A harmonia.  A perseverança. O amor. A superação. O espírito combativo e empreendedor daquela gente é o maior patrimônio que nos foi legado. Resgatar estas premissas é missão de fé de todos aqueles que respeitam e amam o Palmeiras, para que os nossos filhos e netos possam sentir este mesmo orgulho que senti – e sinto – quando mergulho naquela época.

Qual o episódio mais curioso da história do Palmeiras?
São diversos. Mas o mais emblemático é a conquista palmeirense do Mundial Interclubes em 1951. Creio que ali é o ápice de um sonho alimentado durante anos e anos por aquele grupo de imigrantes italianos que fundaram o Palestra Itália nos idos tempos e tiveram a dignidade e o mérito de superar todos os obstáculos que lhes foram impostos e colocaram o nome do Palmeiras  em letras douradas no patamar mais alto da esfera esportiva.

Para terminar, o que acha da dobradinha entre futebol e literatura?
Acho vital. A literatura é uma ferramenta imprescindível para elevarmos a cultura do nosso povo. O futebol é uma linguagem universal que toca o coração dos brasileiros. Ter o privilégio de unir estes dois hemisférios é algo gratificante. Pois, além de um resgate histórico, estamos plantando uma semente que poderá germinar e mudar toda a humanidade. O homem sem a sabedoria contida nos livros estaria relegado a um destino errante.
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PALMEIRAS MEMÓRIA
Autor: FERNANDO RAZZO GALUPPO
Gênero: LITERATURA ESPORTIVA
Preço: 29,00
Acabamento: CAPA 4 CORES COM VERNIZ LOCALIZADO / MIOLO OFFSET 1x1
Formato: 16 x 23
N° de Páginas: 296
N° de ISBN: 9788573589290

 




PALMEIRAS POCKET
Autor: FERNANDO RAZZO GALUPPO
Gênero: POCKET BOOK ESPORTIVO
Preço: 12,90
Acabamento: CAPA 4 CORES COM VERNIZ LOCALIZADO / MIOLO OFFSET 1x1
Formato: 13,5 x 17
N° de Páginas: 104
N° de ISBN: 9788573589283
 

ARTIGO - ESQUEÇAM O QUE EU FIZ - Por Newton Lima Neto

 
 ESQUEÇAM O QUE EU FIZ

* Newton Lima Neto 

Madre Cristina foi uma religiosa doce e corajosa, que teve participação ativa na resistência à ditadura militar. Foi ela que, em 1963, conduziu José Serra, então estudante da Escola Politécnica da USP, à sua primeira disputa política: a Presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE). A madre viveu o suficiente para ver seu pupilo voltar do exílio imposto pelo golpe militar de 1964 e brilhar na política nacional, mas não para vê-lo se eleger governador do estado mais rico do país: ela morreu em 1997, aos 81 anos de idade. Madre Cristina se decepcionaria ao ver o ex-líder estudantil mandando a tropa de choque para enfrentar manifestações estudantis na USP, em junho último, numa greve de funcionários da universidade. E ela também teria muita dificuldade de entender a recente decisão do governador tucano, de ignorar uma vontade majoritária da USP e nomear como reitor o segundo mais votado da lista tríplice do Conselho Universitário, o diretor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, João Grandino Rodas.

Ao contrariar o desejo da maioria, Serra não feriu nenhuma lei, já que o governador não é obrigado a indicar o mais votado pelo Conselho Universitário. Isso posto, convém notar que o tucano quebrou uma tradição que vinha sendo seguida desde que os brasileiros recuperaram o direito de escolher seus governadores pelo voto direto, em 1982, quando foi eleito André Franco Montoro, homem conhecido pela tolerância e de quem, aliás, Serra viria a ser secretário da Fazenda. Antes de Serra, a última vez que um mandatário paulista ignorou solenemente o vencedor da lista tríplice da USP foi em 1981, em plena ditadura, quando o governador biônico (como eram conhecidos os mandatários que não eram eleitos diretamente) Paulo Salim Maluf escolheu como reitor da USP Antônio Hélio Vieira, o quarto entre seis nomes.

Em contraste com seu passado combativo, o governador Serra vem se mostrando pouco afeito ao diálogo com a comunidade universitária. Já em 2007, ele baixou um decreto determinando que os recursos orçamentários das universidades públicas estaduais deveriam ser sujeitos à liberação pela Secretaria Especial de Ensino Superior, controlada pelo próprio governador. Foi uma afronta à autonomia universitária, um status que havia sido arrancado pela ditadura militar e que foi reconquistado a duras penas no processo de redemocratização do país. Como os alunos ocuparam o prédio da Reitoria da USP em protesto, o governador acionou tropas da Polícia Militar para cumprir um mandado de reintegração de posse expedido pela Fazenda Pública. A situação só não se deteriorou porque a reitora Suely Vilela preferiu o caminho da negociação. E ela foi muito criticada por integrantes da entourage do Palácio dos Bandeirantes por não ter permitido que a polícia entrasse no campus.

Se o confronto foi evitado em 2007, em junho deste ano, infelizmente, voltamos a assistir cenas que não víamos desde os tempos dos "anos de chumbo": a tropa de choque da Polícia Militar jogando bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha contra estudantes no campus da USP, que revidavam atirando pedras contra os policiais. Foi por ocasião de uma greve de funcionários que recebeu a adesão dos alunos. A paralisação teve fim depois de 57 dias, com o atendimento parcial das reivindicações dos funcionários. Mas o confronto poderia ter sido evitado se o governador tivesse mostrado mais disposição para o diálogo ou maior habilidade política para enfrentar a crise. É preciso reconhecer que, entre as virtudes de José Serra, não consta a de ser um hábil negociador. 

Talvez o governador pudesse aprender com o professor Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ. Em 1998, ele foi o mais votado para ocupar o cargo reitor, mas o então ministro da Educação, Paulo Renato – hoje secretário de Educação de José Serra –, não o indicou para o cargo. Em 2003, Teixeira foi novamente o mais votado e, desta feita, foi nomeado. Encontrou uma universidade em pé de guerra, mas soube pacificá-la sem precisar chamar a polícia. Em 2007, o professor Teixeira foi reeleito com 89% dos votos. Serra também poderia ter a humildade de aprender com o presidente Lula, que procura auscultar a comunidade acadêmica e faz reuniões periódicas com os reitores das universidades federais.

Mas não. Ao preterir o nome que tinha apoio maciço do Conselho Universitário, o do professor Glaucius Oliva, o governador agiu à maneira dos czares da Rússia, que baixavam ucases (decretos sumários) sem considerar os interesses da comunidade. É lamentável que alguém que um dia foi presidente da UNE e que tenha sido obrigado a se exilar pelos militares tenha chegado a esse ponto. É como se Serra dissesse: "esqueçam o que eu fiz". Madre Cristina não merecia mesmo ter um desgosto desses.

(*) Reitor da UFSCar (1992/1996) e prefeito de São Carlos/SP pelo PT (2001/2008)

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