sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

SE FOR ENCHENTE QUE SEJA DE SOLIDARIEDADE

SE FOR ENCHENTE QUE SEJA DE SOLIDARIEDADE
(Autor: Antonio Brás Constante)

Alguns milagres acontecem mesmo para pessoas que acham que não crêem em nada (como no meu caso), foi o que aconteceu há alguns dias atrás, quando fui assistir a uma apresentação natalina no colégio São João. O evento estava maravilhoso, com músicas que pareciam estar sendo entoadas por anjos (tinha até belas jovens vestidas como anjos). Havia crianças com fantasias de animaizinhos do bosque encantado e um fantástico show de luzes promovido pela Alternative Produções do meu amigo Geovane Lui. Mas o milagre mesmo foi à cadeira de plástico ter agüentado bravamente meu peso (não estou falando de qualquer peso, pois são cento e dez quilos muito bem distribuídos em torno do meu umbigo).

Mas é realmente difícil comemorar o natal ou mesmo fazer graça, quando milhares de pessoas sofrem desamparadas, estigmatizadas pela água que marcou como ferro em brasa suas vidas. Como esta tragédia em Santa Catarina. Primeiro veio à chuva, impassível, continua, fragmentada em gotas pequenas e numerosas, que foram batendo no solo, nos carros, nas casas, encharcando tudo o que tocavam.

Depois as águas invadiram cidades, inundaram estradas, abriram a terra, em monstruosa calamidade. Parecia um exercito agressivo, destrutivo, atacando em avalanche. Arrastando vidas para morte. Os morros cederam e se tornaram arautos da desgraça. Não pouparam ruas, prédios ou praças. Famílias foram destroçadas. Pais perderam filhos e filhos perderam seus pais, tudo isso e muito mais. O que era lugar seguro, fonte de felicidade, virou do avesso, enterrando com indiferente crueldade quem morava e se abrigava em suas paragens. A partir de então afloraram as lágrimas, deslizando através de faces cansadas e sofridas, molhando novamente a terra. Muito se chorou por tudo aquilo que chocou. Espíritos atingidos, tingidos de dor.

Foi então que uma nova leva de água surgiu, não de chuvas ou de prantos, mas do suor voluntário que aos poucos foi surgindo de todas as partes, dentro e fora do Brasil. Estes anônimos indivíduos nem sempre bem suados, mas com certeza abençoados, continuam neste momento auxiliando, amparando, enviando suprimentos, brotando em mil recantos, nesta guerra contra a força dos elementos. Gente simples, estendendo os braços em apoio a tantas almas feridas, dilaceradas por essa fatalidade ocorrida.

Em meio à desolação, novamente a esperança vai ressurgindo como pequenas gotas, agora configuradas por boas ações, que tentam reacender a chama em despedaçados corações. Uns fazem depósitos, outros mandam mantimentos. Outros ainda largaram suas famílias para utilizar seu tempo em prol daqueles que precisam. Cada um se doando um pouco, e assim fazendo muito. Gestos assim são capazes de mudar o mundo.

Enfim, para que um milagre aconteça, não precisamos testar as leis da gravidade em uma frágil cadeira de plástico. Basta exercitarmos algo de valor inestimável (ainda que gratuito), praticando ações que brilham como o sol em qualquer idade, chamadas de SOLIDARIEDADE.

E-mail: abrasc@terra.com.br

Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

NOTA DO AUTOR: Divulgue este texto para seus amigos. (Caso não tenha gostado do texto, divulgue-o então para seus inimigos).

NOVA NOTA DO AUTOR (agora com muito mais conteúdo na nota): Caso queira receber os textos do escritor Antonio Brás Constante via e-mail, basta enviar uma mensagem para: abrasc@terra.com.br pedindo para incluí-lo na lista do autor. Caso você já os receba e não queira mais recebe-los, basta enviar uma mensagem pedindo sua retirada da lista. E por último, caso você receba os textos e queira continuar recebendo, só posso lhe dizer: "Também amo você! Valeu pela preferência".

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

PREVISÕES FATAIS (Apocalipse Maia em 2012?)

PREVISÕES FATAIS (Apocalipse Maia em 2012?)
(Autor: Antonio Brás Constante)

Em um futuro não muito distante, a meteorologia terá avanços inacreditáveis, sendo capaz de prever com extrema eficiência o tempo em qualquer parte do mundo com meses de antecedência. Não existirão mais diversos laboratórios espalhados pelo planeta, mas apenas um, que será provavelmente localizado em alguma parte do hemisfério sul.

Tal laboratório seria composto por uma equipe de especialistas em previsões do tempo, e o sistema de detecção utilizaria mecanismos cognitivos que calculariam um universo quase infinito de probabilidades, algo que para os mais antigos poderia se assemelhar à clarividência. Essas informações seriam capazes de causar desdobramentos incríveis para humanidade, com base no conhecimento obtido sobre o futuro. Algo que poderia acabar acontecendo mais ou menos assim:

Era inicio de tarde no Laboratório M.A.I.A (Meteorologia Avançada Internacional Aplicada). Dois técnicos entram na sala principal das instalações de controle e começam a fazer algumas checagens de rotina no sistema de previsão do tempo, analisando os dados referentes ao próximo semestre para posterior divulgação. Enquanto um lia os equipamentos o outro ia fazendo anotações em sua prancheta digital.

- Dia 19 de dezembro, tempo ensolarado com clima agradável e sem nuvens. No dia 20 a estabilidade se mantém, porém, com elevação de dois graus na temperatura. Dia 21 de dezembro de 2012, o céu aparece encoberto por uma densa fumaça... Altos índices de radiação no ar... Massas de fogo... Nos dias que se seguem, apenas estática... Não há mais leitura...

A sala fica em total silêncio. Os dois técnicos se olham. Checam novamente as leituras. Mais silêncio. Por fim chamam seu supervisor.

- Isto não é possível, mas todas as leituras apontam para as mesmas condições climáticas... E justo nesta data... A tão temível data descrita nos textos referentes às profecias Maias, como sendo o dia do apocalipse... Meu Deus... É o fim do mundo!

Havia muitos rumores sobre as tais profecias Maias. Algo que se intensificou e muito com a chegada do ano de 2012. Alguns falavam em contatos com extraterrestes. Outros em colisões entre a Terra e um outro corpo celeste. Outros ainda, falavam sobre problemas nos pólos magnéticos. Seria o chamado “Doomsday”.

O supervisor liga para seus superiores no governo, informando sobre a analise obtida. Em pouco tempo a notícia se espalha. O fim do mundo se aproxima. Pânico geral. Alerta máximo entre as nações. Poderia aquele sistema infalível estar errado?

Passados os meses que separavam a humanidade da data fatídica, podia-se observar uma histeria geral entre as pessoas. Um sentimento crescente de indignação, contra aquele sistema que passou a ser chamado de “invenção infernal” por várias correntes religiosas.

Noite de 20 de dezembro de 2012. Uma multidão invade o laboratório. Tomados de uma fúria insana quebram todos os equipamentos e instalam bombas no lugar. Tudo vai pelo ares. Como os equipamentos eram alimentados por energia a base de urânio. Além da fumaça e do fogo, verifica-se um alto índice de radiação no local.

Começa a amanhecer. As pessoas permanecem acordadas. Algumas rezando, outras apenas esperando o fim do mundo chegar. Mas é o sol que aparece, banhando a todos com sua luz matinal.

O mundo não acabou. O sistema de meteorologia estava errado. Mas como? Os cientistas ficam olhando a estrutura do prédio em chamas ao longe e percebem que o sistema previu o seu próprio fim. Logicamente o fogo, a fumaça e a radiação nas leituras se referiam à destruição que eles presenciaram durante a noite.

Um alívio de satisfação, seguido de um sorriso nos lábios pode enfim ser visto no rosto dos especialistas. Muitas pessoas se abraçam, choram, cantam músicas e iniciam uma grande festa. A alegria somente silencia quando percebem as imensas nuvens atômicas, em forma de cogumelos gigantes, que se formam no horizonte...

E-mail: abrasc@terra.com.br

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domingo, 30 de novembro de 2008

Wlater Moura

ENTREVISTA: WALTER ROURA - Presidente da International Federation of Sports Medicine (FIMS)


Como fazer para que as pessoas se exercitem regularmente?

Realizado entre os dias 18 e 23 de novembro em Barcelona (Espanha), o 30o Congresso Mundial de Medicina do Esporte reuniu mais de 1.200 especialistas de 67 países diferentes e apresentou cerca de 500 estudos diferentes. Na opinião do presidente da International Federation os Sports Medicine (FIMS), Walter Frontera Roura, o evento reafirmou os avanços da área e apontou novos rumos no ano em que a instituição completa 80 anos. Em entrevista à Agência Notisa, Roura fez um balanço das atividades do congresso e defendeu a necessidade de a área expandir-se cada vez mais para além do treinamento de atletas. Durante café da manhã no hotel AC Barcelona, ao lado do Centro de Convenciones Internacional Barcelona (CCIB), o professor da faculdade de medicina da Universidad de Puerto Rico apontou, ainda, o papel que a medicina do esporte pode desempenhar no busca por respostas frente ao envelhecimento da população mundial e o concomitante avanço das doenças crônicas.

Notisa – Como a medicina do esporte pode contribuir para um mundo melhor?

Walter Roura – Este é o tema do congresso, e eu acho que existem diferentes maneiras. Só o fato de nós promovermos a prática de esportes e a participação de inúmeras nações do mundo na área [medicina do esporte] não deixa de ser uma maneira de promover a paz e, esperamos, um mundo melhor.

Notisa – De que forma isto é feito?

Walter Roura – Mais especificamente, no que diz respeito à nossa atuação científica, o que fazemos é promover o exercício, a atividade física e os esportes como uma maneira de melhorar a qualidade de vida. Nesse contexto, há duas grandes vertentes. A primeira é a mais conhecida: os esportes de competição, com as modalidades olímpicas sendo sua face mais visível. A medicina ligada aos esportes olímpicos pode contribuir fazendo com que, quando aumentamos a qualidade de um programa de treinamento e prestamos o atendimento médico que os atletas exigem, possamos diminuir os riscos e recuperar lesões que eventualmente os estão atingindo. Todas essas questões estão relacionadas à tentativa de melhorar a performance dos atletas.

Notisa – E a segunda?

Walter Roura – A segunda linha de atuação é o uso do exercício e da prática de esportes para prevenir e tratar doenças crônicas. O argumento básico dessa abordagem, intimamente ligada à saúde pública, são as inúmeras evidências científicas. Hoje, nós sabemos que, se um indivíduo pratica um esporte regularmente, determinadas doenças crônicas podem ser prevenidas, como doenças cardíacas, diabete, obesidade, hipertensão e até mesmo alguns tipos de câncer. Inclusive acreditamos que este seja um caminho muito importante para a medicina do esporte, o que aumenta consideravelmente o escopo de atuação da área, e inclui aqueles que não são atletas de competição.

Notisa – Quais foram os principais avanços feitos nesse sentido, levando-se em consideração que a medicina do esporte, em geral, é associada apenas ao tratamento de atletas?

Roura – De fato, a face mais comum da medicina do esporte é a atuação voltada para atletas de elite, e eu considero que nós temos que ir além e incluir, como já disse, atividades de promoção do esporte como meio de melhorar a saúde e prevenir doenças. Mas, nos últimos 10 anos, inúmeras pesquisas mostraram que o exercício pode ser usado na prevenção primária de doenças crônicas, ou seja, antes de elas aparecerem, e é importante enfatizar esta questão: que o risco de uma pessoa vir a desenvolver uma doença crônica é mais baixo quando ela se exercita. Isso é algo que nós já sabemos há algum tempo, mas não existiam evidências tão consistentes para determinadas doenças como demonstrado na última década.O segundo ponto é que não se trata apenas de estudos que demonstraram esta a associação entre atividade física e risco menor de doenças. Na verdade, cada vez mais os estudos têm, de fato, investigado intervenções utilizando o exercício como meio de prevenir que um determinado grupo de indivíduos com alto risco para, por exemplo, diabetes venha a desenvolver o quadro. Tais pesquisas têm mostrado que esta é uma estratégia eficaz.

Notisa – Diante do envelhecimento da população, você considera o enfrentamento das doenças crônicas como sendo o grande desafio da medicina do esporte? Além deste, que outros você citaria?

Roura – Você mesmo já mencionou um dos principais: o envelhecimento da população. Por muitos anos, nós focamos na promoção do esporte e da atividade física entre homens e mulheres jovens e saudáveis. Porém, a realidade demográfica nos mostra que o número e o percentual de pessoas nos grupos etários mais avançados está crescendo dramaticamente. Realmente, em muitos países, nas próximas duas décadas, cerca de 25% da população terá mais de 65 anos de idade. Isso está acontecendo em todo o mundo, talvez com exceção de alguns países africanos. Posso dizer que estamos enfrentando o envelhecimento da população, não apenas o envelhecimento de um indivíduo, mas de todas a sociedade.

Notisa – Há mudança de comportamento entre os idosos?

Roura – Isso mesmo, nesse contexto, outro ponto interessante é que este é um processo no qual as pessoas não estão apenas vivendo por mais tempo, elas também estão mais saudáveis, atingindo idades mais avançadas sem doenças crônicas – e elas querem continuar ativas. Em geral, são pessoas que não querem se adaptar a um estilo de vida sedentário, e no caso daquelas que se mantêm inativas, nós devemos contribuir para evitar que isso ocorra, tendo em vista as conseqüências negativas para a saúde.

Notisa –Qual o caminho para oferecer estratégias de atividade para os mais velhos?

Roura – O desafio que se coloca é o de adaptarmos nosso conhecimento sobre exercícios e atividades físicas em populações mais jovens e aplicá-lo aos idosos. É claro que isso demanda novos estudos. Nós não podemos extrapolar dados produzidos com base em um indivíduo de 20 anos para outro com 75. Nos últimos 15 ou 20 anos, foram conduzidas pesquisas significativas mostrando que o exercício pode ser seguro e eficaz em mulheres e homens mais velhos. Tais pesquisas são, em algum grau, independentes dos estudos acerca da relação entre exercício e doenças crônicas. Há, obviamente, uma certa sobreposição, mas existem diferenças significativas. Do meu ponto de vista, este é o principal desafio para o futuro.

Notisa – Mais do que enfrentar o avanço as doenças crônicas?

Roura – Eu colocaria as duas questões na mesma categoria. Eu diria que a medicina do esporte tem que continuar a fazer parte deste esforço em melhorar a performance humana, o tratamento de lesões de atletas. Porém, ao mesmo tempo, ela deve se debruçar sobre essa importante tendência das sociedades. Hoje, nós temos as doenças crônicas e o envelhecimento, e ambos exigem a devida atenção.

Notisa – Durante o congresso, foram apresentados estudos de diferentes áreas da Medicina, como cardiologia, ortopedia, fisiologia e genética. Qual é a importância de um olhar multidisciplinar?

Roura – Eu considero que a abordagem multidisciplinar é a correta, e isso decorre de diferentes fatores. Um deles é o fato de que, nos últimos 50 anos, houve um crescimento dramático da quantidade de informação sobre a saúde e as doenças humanas. É muito difícil para um único indivíduo ter a resposta para um paciente ou uma situação em particular. É por isso que eu acredito que nós precisamos de pessoas com experiências e especialidades diversas para lidar com as necessidades do paciente. Nesse contexto, é fundamental que os diferentes profissionais atuem de maneira coordenada com o objetivo de evitar um tratamento fragmentado. Nós temos que não apenas ter a certeza de que dispomos de indivíduos com o conhecimento e a habilidade necessárias para tratar do pacientes, mas também de que eles vão trabalhar juntos.

Notisa – Isto implica em algumas mudanças, certo?

Roura – Este é um desafio e tanto, pois a medicina tradicional é calcada na abordagem individual do paciente e, hoje, se nós queremos oferecer o melhor tratamento possível, nós temos que trabalhar em equipe. Tal fato não se aplica somente ao atendimento do paciente, mas também à pesquisa. As demandas que se colocam à pesquisa científica exigem especialistas em diferentes áreas. Não é fácil lidar com um problema científico significativo na atualidade sem ter ao lado colegas com experiência e conhecimento em áreas nas quais nós não temos. Não apenas o atendimento médico, mas também a ciência deve ser feita em equipe.

Notisa – Na sua opinião, qual é a principal mensagem do congresso para a comunidade científica e para o público leigo?

Roura – Essa é uma boa questão. Para os médicos, a mensagem parece ser que o conhecimento, na medicina do esporte, tem crescido dramaticamente. Neste congresso, nós apresentamos a eles o estado da arte – nível mais alto de conhecimento e aplicação prática até o momento – em diferentes aspectos da área, e esta é uma informação que ele deve ter em mente em sua prática clínica. Já a mensagem para o público em geral é a de que, como dissemos antes, hoje, nós temos uma extensa literatura científica mostrando que a prática regular de atividade física é boa para a sua saúde e contribui para a prevenção de doenças crônicas importantes.

Notisa – Qual a contramão dessa história?

Roura – O problema que nós temos é que, a despeito de todo o conhecimento publicado em livros e periódicos científicos, a maioria da população mundial não é fisicamente ativa. Um dos desafios que temos, então, é: como fazer com que as pessoas se exercitem regularmente? Como fazer com que elas incorporem a atividade física à vida diária? Essa é uma área de pesquisa que precisa ser expandida, uma área mais comportamental de pesquisa e, a menos que possamos descobrir como fazê-lo, nós alcançaremos apenas um sucesso parcial.

Notisa – A psicologia comportamental não poderia ajudar a medicina do esporte a encontrar tais respostas?

Roura – Eu concordo com você. Essa é uma das áreas que temos que expandir. Precisamos buscar profissionais treinados em psicologia comportamental realmente interessados em descobrir como fazer para que as pessoas se tornem fisicamente mais ativas, como convencê-las a iniciar um programa de exercícios e a manter a atividade física como parte da vida diária. Voltando à importância das equipes multidisciplinares, esta questão comportamental é um ponto que precisa ser encarado, e eu não acho que alguns dos excelentes pesquisadores que temos na área são treinados nesta habilitação em particular. Então o que nós podemos fazer? Nós temos que convidar aqueles que têm este conhecimento e colocar o problema para eles e perguntar: como vocês podem nos ajudar a responder esta questão? Acredito que este é um ponto que pode ser acrescentado aos desafios a serem enfrentados [pela Medicina do Esporte] nos próximos 10 ou 20 anos.

Notisa – Já existe alguma pesquisa nesse sentido?

Roura – Já existem algumas pesquisas, e elas são boas. Mas este tópico exige ainda mais trabalho. Nós precisamos ter uma compreensão muito melhor para fazer isso. Lembre-se de que temos que entender como intervir em diferentes grupos etários, constituídos por homens e mulheres, inseridos em contextos culturais diversos. Uma coisa é promover a atividade física no Brasil, outra é fazê-lo na Índia. Além disso, precisamos de pessoas com o conhecimento necessário e que tenham interesse em identificar fatores que podem predizer quem irá aderir ao programa de exercício? Entre aqueles que não o fizerem, por quê isto ocorreu? O que nós podemos fazer para que eles participem?

Notisa – Esta é uma barreira apenas com relação ao exercício físico?

Roura – Não, esse é um problema que não se restringe ao exercício. Na medicina em geral, os médicos prescrevem as drogas e os pacientes simplesmente não as tomam, por exemplo. É um problema sobre o qual devemos falar. É muito frustrante perceber que nós sabemos como tratar uma doença, nós demos a medicação ao paciente, e ele não a utiliza. É claro que existem razões para isso. Alguns podem não ter o dinheiro para comprar o remédio, outros podem considerar que não é a melhor maneira de tratar a doença. É por isso que considero este um ponto importante para a medicina do esporte. Nós não podemos ignorá-lo, e é um desafio para o futuro.

Notisa – O que se pode esperar para o próximo congresso em 2010, sobretudo levando-se em consideração que ele será realizado no país de origem do senhor (Porto Rico)?

Roura – Eu espero que o próximo congresso seja um sucesso. Para mim, há diferentes fatores. Eu quero assegurar que tenhamos um bom número de participantes e especialistas em Porto Rico. Vou buscar também assegurar o máximo de pessoas da região do Caribe e das Américas Central e do Sul.Levando-se as diversas dificuldades econômicas relacionadas ao deslocamento, eu acho que é importante que congressos dessa natureza sejam realizados o mais próximo possível de diferentes pessoas em diferentes partes do mundo. Viajar não é fácil, logo, nós queremos ter a certeza de que pessoas que talvez não puderam vir para a Europa possam ir ao próximo encontro. Desejamos também, é claro, que o nível científico continue a ser extraordinário, pois o objetivo do congresso é, na verdade, sempre trazer aos participantes a melhor evidência científica possível para embasar o que eles estão fazendo na prática. Por fim, há sempre um componente humano, social no congresso. Queremos que as pessoas se reúnam e conversem umas com as outras. Neste tipo de encontro, todas as atividades sociais fora das salas de conferência estão repletas de discussões científicas, e muitos projetos científicos nascem deste tipo de conversa informal.

Notisa – E do ponto de vista de resultados de pesquisas científicas, o que se pode antever?

Roura – Do ponto de vista científico, há muitas pesquisas que são imprevisíveis, não há como dizer que, em dois anos, que tipo de informações teremos. É isso, inclusive, que faz da pesquisa algo tão interessante. Por outro lado, se você analisar os anais de diferentes congressos ao longo dos anos, irá perceber que há uma evolução de conceitos. Nesse sentido, nós esperamos ver, daqui a dois anos, mudanças nos nossos métodos. Há uma série de tópicos relacionados à genética, por exemplo, que estão se transformando muito rapidamente, e temos certeza de que muitas novas observações poderão ser feitas em 2010.

Notisa – Atualmente, a Internet permite acessar grande parte de toda a literatura publicada sobre um determinado assunto. Nesse sentido, por que organizar um congresso científico ainda é importante?

Roura – Eu entendo o argumento e diria que a publicação eletrônica tornou o fluxo de informação mais fácil e possível realizar uma série de atividades sem viajar. É possível que, em sua Universidade, você possa ter acesso à informação sem nem mesmo ir à biblioteca, pois está disponível na Internet. Porém, isto é parcialmente verdadeiro. A realidade é que, em muitos congressos, os pesquisadores enviam informações que não estão publicadas, talvez até venham a ser publicadas, mas ainda não estão acessíveis. Você pode argumentar, ainda, que basta esperar o congresso terminar e adquirir o livro de abstracts (resumos) e lê-los, mas não é a mesma experiência.

Notisa – Do que mais a internet não dá conta?

Roura – A outra coisa que a Internet não oferece é a oportunidade de encontrar pessoas cara a cara, conversar com elas e, assim, elaborar novas idéias e novos projetos – e isso, especificamente, eu acredito que ainda pode ser mais bem feito em uma situação cara a cara. Eu concordo que a publicação eletrônica tornou nossa vida mais fácil, o acesso à informação é muito mais simples, mas eu não concordo que este seja um motivo para que congressos não mais sejam organizados, ao contrário, eles precisam se multiplicar.

Agência Notisa de Jornalismo Científico (science journalism)

SOS santa Catarina

GRANDES NOMES DA MPB SE UNEM EM SHOW “SOS SANTA CATARINA”, PROMOVIDO PELA TV CULTURA


Um grande show aberto ao público será realizado neste domingo (30/11), das 20h às 22h, no Anhembi (Grande Auditório), em prol das vítimas das chuvas em Santa Catarina.


Promovido pela TV Cultura , em parceria com a Prefeitura do Município de São Paulo, Governo do Estado de São Paulo, Fundo de Solidariedade e Desenvolvimento Social e Cultural do Estado de São Paulo e Defesa Civil de São Paulo, o evento “SOS Santa Catarina” contará com a presença de grandes nomes da Música Popular Brasileira, como Ed Motta, Chico César, Fabiana Cozza, Simoninha, Jairzinho Oliveira, Trio Virgulino, Quinteto em Branco e Preto, e Lecy Brandão, além da turma do Cocoricó e apresentadores da emissora. A TV Cultura ainda aguarda a confirmação de outros artistas convidados.



Para participar do show, que será transmitido ao vivo pela TV Cultura, cada pessoa deve levar uma garrafa de água mineral ou cobertor. A entrada será feita pelo portão 34, a partir das 18h. O estacionamento, gratuito, poderá ser acessado pelo portão 30.



A TV Cultura dará continuidade à campanha “SOS Santa Catarina” no decorrer da próxima semana, quando a população poderá fazer doações nas bases da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Subprefeituras e no Fundo Social de Solidariedade. A população também poderá contribuir com depósitos em dinheiro no Banco do Brasil, agência 3582-3, conta corrente 80.000-7, em nome do “Fundo Estadual da Defesa Civil” - CNPJ 04.426.883/0001-57.



As doações serão entregues às famílias atingidas pelas chuvas, que deixou milhares de desabrigados e matou quase 100 pessoas.



Gerência de Comunicação Corporativa da Fundação Padre Anchieta

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MEU NARIZ, SUA BOCA E UM CIGARRO ENTRE NÓS.

MEU NARIZ, SUA BOCA E UM CIGARRO ENTRE NÓS.
(Autor: Antonio Brás Constante)

SIM, eu fumo. Fumo através de outras bocas, cada vez que respiro o ar advindo de suas narinas, que exalam fumaças toscas. Fumo de forma passiva, indefesa. Fumo sem ver, sem muitas vezes saber. Fumo por ter que respirar um ar viciado, produzido por você.

Eu padeço de um suplício através de seu vício, perecendo um pouco a cada momento, por causa de suas baforadas desaforadas, desta doença disfarçada de indiferença, que atenta contra a própria vida que em ti se sustenta.

De tempos em tempos uma nova tragada, desta podre fumaça estragada, que viaja em suaves brumas para ser por mim inalada. Sinto-me um cinzeiro humano, contaminado por seus crônicos atos insensatos, que impregnam meus cabelos, minhas roupas, minha mente, com o cheiro que brota das cinzas de suas guinbas decadentes.

E você se acha uma pessoa bacana, sorvendo seu cigarro até a bagana. Soprando a morte aos ventos da própria sorte. Meu pior sortilégio é ser vítima casual de suas ações fugazes para tentar fugir do tédio.

Indivíduos movidos por uma ânsia que vai apagando o fogo de sua essência, queimando suas entranhas com todo tipo de moléstias estranhas. Alguns chegam a clamar por direitos equivocados de usufruir do funesto tabaco, por tantos outros execrado.

Quem cai nas garras desse frenesi, sabe o quanto é fácil começar e difícil parar de fumar. Onde o condenado ainda paga para poder se matar. Coloca na boca a arma e vai disparando para dentro de si mesmo atroz veneno, consumido em frascos tão pequenos. Atira uma, duas... Inúmeras vezes (e seus pulmões que se danem sofrendo a esmo).

Vão se matando aos poucos, e alguns ainda dizem que eu é que sou louco (talvez só um pouco). Mas acho que é porque quem respira tais toxinas às vezes desatina. Vai assassinando sua tênue existência todo santo dia, em troca da fútil nostalgia de soprar fumaça, imitando a chaminé de uma lareira nefasta.

Suicidas que se acham modernos. Fumam para espantar os seus demônios internos. Fumam pela rebeldia, ou para simular alegria. E eu sigo fumando com eles. Adoecemos, combalidos por essa desgraçada fuligem amaldiçoada. Agora se me derem licença vou tomar minha cachaça, pois já que é para se acabar, enfisema ou cirrose tanto faz. O importante é saber que no fim alguém vai acabar lucrando, enquanto vamos todos nos matando. Enfim, como para meio entendedor uma boa palavra basta, só posso deixar uma dica: fumar MATA.

***

A PROPÓSITO: Falando um pouco sobre a notícia de astronautas que perderam suas ferramentas no espaço, fica a pergunta: Afinal, perder coisas no espaço pode ser considerado um acontecimento sem gravidade?

E-mail: abrasc@terra.com.br

Site: www.recantodasletras.com.br/autores/abrasc

NOTA DO AUTOR: Divulgue este texto para seus amigos. (Caso não tenha gostado do texto, divulgue-o então para seus inimigos).

NOVA NOTA DO AUTOR (agora com muito mais conteúdo na nota): Caso queira receber os textos do escritor Antonio Brás Constante via e-mail, basta enviar uma mensagem para: abrasc@terra.com.br pedindo para incluí-lo na lista do autor. Caso você já os receba e não queira mais recebe-los, basta enviar uma mensagem pedindo sua retirada da lista. E por último, caso você receba os textos e queira continuar recebendo, só posso lhe dizer: "Também amo você! Valeu pela preferência".

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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Em jogadores de futebol, ultra-som e exames de sangue podem ajudar a predizer tempo de recuperação após lesão muscular

Estudo espanhol concluiu também que tempo de recuperação foi mais alto em pacientes com baixos níveis de ferritina, o que sugere que isto pode ser um fator de risco para lesões musculares.



Dublin (Irlanda) – Após analisarem 57 jogadores de futebol federados com lesões musculares, pesquisadores espanhóis concluíram que a realização de ultra-som e de exames de sangue pode ajudar a predizer o tempo de recuperação dos atletas. Segundo o estudo, apresentado na sessão de pôsteres do 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte, encerrado ontem em Barcelona (Espanha), as lesões musculares constituem a razão mais freqüente da procura por atendimento médico de jogadores de futebol.



“Diante disso, é necessário fazer um diagnóstico clínico e anatomopatológico para que seja possível definir o prognóstico e o período necessário de recuperação”, afirmam os autores da pesquisa, Rodas, Insunza e Del Valle, da Escuela de Medicina del Deporte, Oviedo, Astúrias (Espanha).



Segundo o pôster, o estudo analisou dados, coletados entre os anos 2000 e 2008, de 56 homens e 1 mulher com idade entre 12 e 39 anos, todos submetidos a ultra-som e exames de sangue. Em geral, ambos são utilizados para identificar a lesão anatômica, e o objetivo do estudo foi verificar se eles podem ser considerados bons testes complementares na hora de determinar o tempo de recuperação do músculo lesionado.



Os resultados mostraram que os atletas com 18 anos de idade foram os que mais sofreram lesão (12,28%) e que 42,10% de todos os participantes havia sofrido injúria em tendão da perna. Além disso, os exames de sangue mostraram que 38,59% apresentavam baixos níveis de ferritina (proteína que contem reservas de ferro) e que 10,52% tinham altos níveis de creatinaquinase (ck) – enzima encontrada no músculo, relacionada ao fornecimento de energia. De acordo com os autores, “o tempo de recuperação foi maior nos pacientes com baixos níveis de ferritina”, sugerindo que isto “pode ser um fator de risco para lesões musculares”.



Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

Vitamina C pode piorar resistência de atletas, sugere estudo

Cobertura especial – 30º Congresso Mundial de Medicina do Esporte

24/11/2008


Pesquisa espanhola analisou os efeitos da ingestão da substância em humanos e ratos durante um programa de treinamento. Substância é freqüentemente usada por desportistas para combater o estresse oxidativo.



Dublin (Irlanda) – Estudo realizado pela Universidade de Valencia e apresentado durante o 30º Congresso Mundial de medicina Esportiva, em Barcelona, concluiu que a suplementação de vitamina C diminui a eficiência do treinamento na medida em que evita algumas adaptações celulares ao exercício. A pesquisa (duplo cega e randomizada) analisou os efeitos da substância em 14 homens e 24 ratos machos e identificou que a administração de vitamina C dificultava significativamente a capacidade de resistência em ambos os grupos.



Segundo o pôster do estudo, os efeitos adversos podem ser explicados pela diminuição da expressão induzida pelo exercício dos fatores chave de transcrição envolvidos na biogênese das mitocôndrias (organelas celulares), especificamente: PGC-1, NRF-1 e mTFA.



“A vitamina C também impediu a expressão induzida, pelo exercício, do citocromo C (um marcador de conteúdo mitocondrial) e das enzimas antioxidantes superóxido dismutase e glutationa peroxidase”, afirmam os autores no artigo.



Eles destacam que os praticantes de esporte freqüentemente tomam vitamina C, pois o exercício exaustivo gera estresse oxidativo, o que pode causar lesão tecidual. Entretanto, há um debate considerável com relação aos efeitos benéficos deste procedimento como demonstrado no estudo.




Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

Prêmio Impacta Mais: Tecnologia para regeneração das águas vence como Negócio de Impacto do Ano

  Além do Negócio do Ano, conheça os vencedores das 7 categorias da premiação   Desenvolvida pela Infinito Mare, a Caravela Ecológica, uma t...