sexta-feira, 8 de maio de 2026

Embrapa participa de debates, mostra tecnologias e lança publicações na Agrotins

 Foto: Ivanna SuzarteIvanna Suzarte - A vitrine de tecnologias está passando pelos últimos ajustes para o evento

A vitrine de tecnologias está passando pelos últimos ajustes para o evento

Mais uma vez, a Embrapa marca presença na Agrotins, uma das principais feiras agrotecnológicas do Norte do país. A empresa vai apresentar novidades em diferentes cadeias produtivas de valor. A participação se dará por meio de vitrine tecnológica, palestras e estande institucional. Neste ano, o evento vai de 12 a 16 de maio no Centro Agrotecnológico de Palmas, que fica no km 23 da Rodovia TO 050, entre a capital tocantinense e Porto Nacional. Na programação técnica da feira, a Embrapa estará em quatro discussões. 

Na quarta-feira, 13 de maio, o debate será sobre a piscicultura familiar na região de Porto Nacional, envolvendo a caracterização da atividade, seus desafios e as possíveis soluções deles. Os pesquisadores da Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas-TO) Ana Paula OedaAndrea MunõzAdriana LimaManoel Pedroza e Leandro Kanamaru serão palestrantes. Eles abordarão as características gerais da atividade na região, o preparo de viveiros e as diferentes fases da criação, as estratégias de comercialização do pescado para os piscicultores familiares e boas práticas durante o processamento do pescado. 

A realização desse debate é uma parceria entre o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins) e a Embrapa. Está marcado para o período entre 13h45 e 17h15 no auditório do Ruraltins. Como nas demais atividades da Agrotins, a participação é gratuita e aberta a todos os interessados. O público prioritário esperado é formado por piscicultores familiares (não apenas da região que será tema das discussões) e técnicos que atuam com piscicultura familiar.

Já na quinta-feira, 14 de maio, a Embrapa estará na sétima reunião técnica sobre produção de peixes em tanques-rede nos reservatórios tocantinenses e no segundo encontro dos aquicultores do Tocantins. A reunião será na parte da manhã e o encontro à tarde, ambos marcados para o auditório do Pavilhão da Pesca e da Aquicultura. De manhã, os pesquisadores Flávia Tavares e Giovanni Moro vão falar sobre tecnologias para produção de peixes em tanques-rede. A Embrapa lançará tabela de alimentação para engorda da tilápia-do-Nilo em tanques-rede nas condições do Tocantins.

À tarde, os pesquisadores Leandro Kanamaru, Viviane VerdolinPatricia Maciel e Adriana Lima estarão no encontro de aquicultores. Eles vão falar sobre industrialização de peixes nativos, biosseguridade na produção de tambaqui e integração de espécies. Tanto a reunião técnica como o encontro dos aquicultores são uma realização da Secretaria da Pesca e Aquicultura (Sepea) do Tocantins, contando com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Embrapa Pesca e Aquicultura, do Ruraltins e do Senar.

E a pecuária será tema de dois debates na tarde de sexta-feira, 15 de maio. Durante encontro dos produtores de leite do estado, o zootecnista da Embrapa Cláudio Barbosa vai falar sobre o Balde Cheio, programa de transferência de tecnologia em pecuária de leite presente em vários estados brasileiros. Ele coordena os trabalhos no Tocantins e no Sudeste paraense. O encontro vai acontecer das 14h45 às 17h15 no Auditório do Ruraltins, instituição que está realizando-o.

Das 13h30 às 18h30, no Auditório Jaburu, acontecerá simpósio sobre eficiência pecuária. Realizado em parceria pelo Sebrae e pela empresa privada Taura, vai reunir discussões sobre diferentes aspectos da pecuária de corte. Um deles é a pastagem como base da pecuária que dá lucro. O zootecnista da Embrapa Pedro Alcântara vai mostrar como esse aspecto é fundamental e está presente em propriedades rurais que participam do ABC Corte, programa de transferência de tecnologia em pecuária de corte liderado por ele no Tocantins, no Sudeste do Pará e no Nordeste de Mato Grosso.

Pedro é também chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura. Em sua visão, “a nossa presença na feira é muito importante para posicionar as nossas soluções tecnológicas para as diferentes cadeias produtivas do Tocantins. É o momento de mostrarmos a nossa cara, mostrar o que a gente faz, dar um retorno para a sociedade do que temos desenvolvido”.

 

Vitrine tecnológica e estande

Cultivares de amendoim, gergelim, mandioca e forrageiras, além de plantas alimentícias não convencionais (PANCs), estarão à disposição dos visitantes na Vitrine de Tecnologias da Embrapa durante a Agrotins. Confira a relação de produtos: amendoim BRS 425 OL; gergelim BRS Anahí; mandioca BRS Formosa, BRS Mulatinha, BRS Caipira, BRS 401, BRS 397 e BRS 399; e forrageiras BRS ZuriBRS QuêniaBRS Tamani e BRS Oquira

Em seu espaço na feira, a Embrapa também vai reunir e apresentar informações sobre nutrição, sanidade, melhoramento genético, sistemas de produção e processamento, áreas essenciais para um boa produção de peixes. São aspectos a que o produtor precisa estar atento, atualizado e disposto a praticar em sua atividade. A metodologia para edição genômica de tambaqui é outro tema que os visitantes poderão conferir durante a Agrotins. A técnica vem sendo incrementada e utilizada em diferentes espécies animais e vegetais. Em peixes, a expectativa é de que ela ajude a vencer gargalos importantes para a produção, como a presença de espinhas intermusculares em formato de Y no tambaqui, principal espécie nativa brasileira.

No estande institucional, a Embrapa lançará duas publicações. Uma delas é o livro “O peixe vai à aula: receitas para a inserção do pescado na alimentação escolar”. Como o nome sugere, são divulgadas formas de utilizar o pescado na alimentação de estudantes, iniciativa que vem tendo boa aceitação. A expectativa é contribuir para que o peixe, alimento reconhecidamente saudável mas ainda pouco consumido de maneira geral no Brasil, possa estar mais presente nas cantinas escolares e fazer parte do dia a dia dos estudantes. Acesse o livro clicando neste link.

Na publicação, o chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura Roberto Flores afirma que “com o intuito de contribuir para o enfrentamento das barreiras associadas à inserção do pescado na alimentação escolar, este livro apresenta os resultados de uma iniciativa inovadora voltada à elaboração de preparações culinárias destinadas ao ambiente escolar, utilizando a carne mecanicamente separada (CMS) de peixe como matéria-prima. Trata-se de uma alternativa prática e segura, isenta de espinhas, de fácil preparo e com boa aceitação pelos estudantes, conforme evidenciado nos testes realizados pela equipe do projeto que compôs esta obra”.

A outra publicação é sobre uma tabela específica de alimentação para engorda de tilápia-do-Nilo em tanques-rede no Tocantins. Nela, são indicadas taxas que variam conforme a semana e o peso dos animais. O leitor tem acesso também a informações sobre boas práticas de alimentação: a importância de evitar sobras de ração nos tanques-rede; o uso de comedouros; horários adequados de alimentação; acompanhamento do desenvolvimento por meio de biometrias; e armazenamento correto da ração. O lançamento das duas publicações será às 08h30 da sexta-feira, 15 de maio, no estande da Embrapa na Agrotins. Na oportunidade, também haverá pré-lançamentos e assinatura de cooperações técnicas com parceiros. 

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pesca e Aquicultura vê como positiva a multiplicidade de tipos de presença na feira, que inclui discussões técnicas, vitrine tecnológica, lançamentos e pré-lançamentos. Para ele, “essa variedade de atividades é boa porque conseguimos atender diferentes públicos (agricultura familiar, pequenos, médios e grandes produtores), com as diversas culturas que temos na nossa vitrine. Aproveitamos também o momento para ter presença institucional, para fazer lançamento e pré-lançamento de tecnologias e publicações”.

Clenio Araujo (MTb 6279/MG)
Embrapa Pesca e Aquicultura

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Após dois anos de pesquisa, romance revisita episódio silenciado na história brasileira e expõe violência de Estado contra retirantes

 


Baseada na experiência de populações impedidas de se deslocar, narrativa constrói um retrato do confinamento, da fome e das estratégias de controle impostas aos mais pobres


Em Não volte sem ele, seu romance de estreia, Rafael Caneca parte de uma investigação sobre um dos episódios mais silenciados da história brasileira para construir uma narrativa que articula memória, violência de Estado, fé, esperança e tragédia. Ambientado no Ceará da década de 1930, o livro revisita a criação dos chamados “campos de concentração”, estruturas erguidas durante a seca de 1932 para conter retirantes e impedir sua chegada à capital. O livro conta com paratextos assinados pelos escritores Grecianny Cordeiro e Ronaldo Correia de Brito

A obra acompanha Tomás, jovem sertanejo enviado pelo pai em busca do irmão desaparecido, em uma travessia marcada por fome, deslocamento forçado e confinamento. Ao longo do percurso, o romance revela como essas estruturas funcionavam como mecanismo de contenção e segregação, transformando a experiência individual do personagem em expressão de uma lógica mais ampla de exclusão social.

Os temas centrais do livro atravessam tanto o plano histórico quanto o simbólico: memória e apagamento, violência de Estado, política de exclusão, seca e deslocamento, além da relação entre fé, esperança e sobrevivência em contextos extremos. Ao tensionar esses elementos, o romance questiona a ideia de que a esperança sustenta a travessia.

“Minha intenção é apenas contar uma história”, afirma o autor. “Mas é inevitável que o livro carregue algo muito pessoal: minha percepção de que muita gente se agarra à fé e à esperança como ferramentas para enfrentar tragédias. [...] Para mim, isso nunca foi suficiente. Fé e esperança, sozinhas, não impedem tragédias nem desfazem violências.”

Essa perspectiva se reflete também na forma. A narrativa é predominantemente linear, com inserções de memória e episódios de delírio que aprofundam a experiência do protagonista, evitando tanto a fragmentação quanto a estrutura clássica da jornada de superação. “Optei por evitar a tradicional ‘jornada do herói’ e por um estilo mais direto, sem floreios nem grandes digressões”, explica. “A crítica social aparece às vezes escancarada, às vezes só sugerida.”

Fruto de cerca de dois anos de pesquisa, o romance nasce de um conto inicial desenvolvido no Coletivo Delirantes e se expande para uma narrativa de maior fôlego, marcada pelo interesse em recuperar uma história ainda pouco debatida. “Resgato essa história como um reforço à memória e um lembrete para que ela nunca mais se repita”, afirma.

Influenciado por Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Saramago, Caneca dialoga com a tradição do romance social brasileiro ao mesmo tempo em que desloca seu foco para uma dimensão mais íntima da tragédia, em que não há promessa de reorganização ou consolo.

Sobre o autor

Rafael Caneca, 40 anos, é escritor nascido e residente em Fortaleza. Graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará, com especialização em Direito Internacional pela Universidade de Fortaleza, atua como assessor jurídico no Ministério Público do Estado do Ceará. Escreve desde a infância e teve seu primeiro conto publicado aos 14 anos. É vencedor do Prêmio de Literatura BNB Clube (2017) e recebeu menções honrosas em concursos do Ideal Clube. Integra o Coletivo Delirantes e mantém o perfil Pacote de Textos. Influenciado por Machado de Assis, Graciliano Ramos e José Saramago, estreia no romance com Não volte sem ele.

Adquira o livro pelo site da editora Mondru: https://mondru.com/produto/nao-volte-sem-ele/ 


segunda-feira, 4 de maio de 2026

Conab participa de agenda internacional para superar os desafios de acesso a alimentos de qualidade

 


As atividades acontecem a partir do dia 28 no México e seguem até o dia 30 e integram o projeto Mapeamento de Evidências em Políticas Públicas voltadas para Regulação do Mercado de Alimentos e para Sistemas Alimentares e Acesso à Terra e Territórios

Visando estruturar evidências científicas e técnicas que contribuam para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à regulação do mercado de alimentos e ao desenvolvimento de sistemas alimentares sustentáveis, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) integra a comissão brasileira para participar do projeto Mapeamento de Evidências em Políticas Públicas voltadas para Regulação do Mercado de Alimentos e para Sistemas Alimentares e Acesso à Terra e Territórios. As atividades acontecem a partir do dia 28 na Cidade do México e seguem até o dia 30.

A Conab será representada pelo diretor-presidente, Sílvio Porto. Um dos objetivos da missão é conhecer estratégias aplicadas no México para enfrentar os desafios de abastecimento e de acesso a alimentos de qualidade para a população em situação de vulnerabilidade. “Esta também é uma oportunidade para conhecermos as ações desenvolvidas pelo governo mexicano na implementação de políticas públicas voltadas ao controle dos preços dos alimentos, de modo a contribuir para a cesta de políticas da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e para o aprimoramento dos programas brasileiros, em especial aqueles executados pela Companhia”, reforça Porto.

A ações desenvolvidas no projeto  também são uma forma de promover o intercâmbio de experiências e fortalecer a cooperação regional, com foco em instrumentos como reservas públicas de alimentos, mercados institucionais, circuitos curtos de comercialização e controle da inflação dos alimentos, considerados estratégicos para garantir o abastecimento; bem como buscar soluções capazes de tornar os sistemas agroalimentares mais resilientes diante dos impactos da mudança do clima sobre a agricultura, o abastecimento de alimentos e a soberania e segurança alimentar e nutricional na América do Sul.

A programação inclui reuniões para debater os desafios a serem enfrentados na construção de uma agricultura sustentável, incentivando a produção de alimentos, e no combate à fome e a todas as formas de má nutrição, bem como na promoção do consumo de alimentos saudáveis, em alinhamento às prioridades centrais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 1 e 2, acelerando os esforços globais para erradicar a fome e a pobreza.  Também será realizada uma visita de campo a uma Tienda Bienestar na Cidade do México. As Tiendas, iniciativa lançada no país mexicano, são estabelecimentos públicos que substituem as antigas lojas Diconsa para vender produtos da cesta básica a preços baixos.

Além da Conab, participam da delegação, o Secretário-Executivo do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Osmar Ribeiro de Almeida Junior; a diretora do Departamento de Resolução de Auxílios Descontinuados e Apoio à Rede Federal de Fiscalização do Programa Bolsa Família e Cadastro Único, Érica Feitosa Coelho Marinho de Andrade; o consultor jurídico e coordenador do Grupo de Trabalho de Cooperação Acadêmica para a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, João Paulo de Faria Santos; o assessor da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, Sávio da Silva Costa; a assessora da Conab, Luciana Araujo de Piratiny Machado; e dos professores da Universidade de Brasília (UnB), Anelise Rizzolo de Oliveira, Julia Mezarobba Caetano Ferreira e Mario Lucio de Avila.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Revolução verde no Cerrado: novas cultivares de forrageiras garantem pastagens produtivas

 


Por Marcelo Ayres Carvalho, pesquisador da Embrapa Cerrados.

 

A pecuária moderna e eficiente exige uma mudança de paradigma urgente: abandonar práticas e tecnologias ultrapassadas para adotar o rigor técnico e agronômico e assim tratar a pastagem como uma lavoura.

O alicerce dessa transformação é a atualização das cultivares de forrageiras, substituindo capins obsoletos por cultivares modernas disponíveis no mercado. Esse novo conjunto de cultivares elite eleva o teto produtivo da pastagem, entregando maior resistência a estresses abióticos, como tolerância a cigarrinhas e à seca, por exemplo.

Na prática, a adoção dessas cultivares melhora a produtividade do pasto, a eficiência de pastejo, aumentando a taxa de lotação e o ganho de peso animal. O resultado é a maior produção de carne e leite e, consequentemente, melhor rentabilidade do negócio.

Essa mudança se torna ainda mais estratégica nesse momento em que o país implementa o Programa Caminho Verde Brasil, uma iniciativa do Governo Federal, coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O objetivo é recuperar 40 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas em dez anos, unindo produção agropecuária sustentável, uso de tecnologias modernas e acesso a crédito facilitado para produtores, para evitar a abertura de novas áreas pelo desmatamento.

Essa é uma oportunidade para que inovações tecnológicas, representadas pelas modernas cultivares de forrageiras, sejam amplamente adotadas e utilizadas.

 

O paradigma da pecuária

Enquanto o rebanho evoluiu com tecnologias como inseminação artificial em tempo fixo (IATF), vacinas avançadas e suplementação estratégica, as pastagens permanecem ancoradas em gramíneas do século passado, como as braquiárias tradicionais e o Panicum maximum, cutlivar Mombaça.

Hoje, temos mais de 15 cultivares de gramíneas e leguminosas forrageiras com genética avançada, desenvolvidas pela Embrapa e instituições parceiras. Elas oferecem maior produtividade, qualidade nutricional e resiliência climática.

 

Excelência em gramíneas: as opções do mercado

No grupo das braquiárias, as inovações atendem a diferentes necessidades de solo e manejo.

  • BRS Piatã: ideal para sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) pela facilidade de manejo e qualidade da forragem.
  • BRS Ipyporã: bom valor nutritivo e resistência à cigarrinha Mahanarva.
  • BRS Tupi: para solos arenosos ou de baixa drenagem, supera a Brachiaria humidicola comum em 16,4% de ganho de peso vivo por hectare.
  • BRS Paiaguás: proporciona mais de 45 quilos de ganho animal (peso vivo por hectare) por ano, além de maior acúmulo forrageiro seco.
  • BRS Carinás: tolera solos ácidos com baixos teores de fósforo, oferece rápida cobertura e maior produção de biomassa e folhas por hectare, quando comparada à braquiarinha.

No gênero Panicum maximum, algumas opções são:

  • BRS Tamani: porte baixo, alto valor nutritivo (elevados teores de proteína bruta e digestibilidade), boa produtividade e vigor, ideal para engorda de gado bovino no Cerrado.
  • BRS Zuri: entrega 21,8 toneladas de massa seca por hectare por ano, superando os padrões de mercado em produtividade animal.
  • BRS Quênia: seu porte intermediário e colmos finos facilitam o manejo de pastejo rotacionado e garante maior ganho médio diário (554 gramas por animal por dia).

Complementando as gramíneas, a nova cultivar de andropogon, BRS Sarandi, é recomendada para renovar áreas cultivadas com a antiga cultivar Planaltina. Com porte mais baixo e colmos mais finos, evita o "envaretamento" e facilita o controle do pastejo. Possui maior proporção de folhas (cerca de 60% da matéria seca total) e perfilhamento até três vezes superior, garantindo que animais Nelore atinjam ganhos de peso acima de um quilo por dia durante a estação das água.

 

O papel das leguminosas e os ganhos econômicos

As leguminosas forrageiras atuam como banco de proteína e complementam os pastos por atuarem na fixação biológica de nitrogênio (FBN), reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos. Entre as cultivares modernas, destacam-se:

  • Estilosantes (BRS BelaBRS Campo GrandeBRS Nuno): adaptadas a solos de baixa a média fertilidade e resistentes à seca e ao pastejo.
  • Guandu (BRS Mandarim e BRS Guatã): arbustivo, é indicado para solos degradados.
  • Amendoim forrageiro (BRS MandobíBRS Oquira): oferece cobertura densa contra erosão. Tem alta palatabilidade e proteína.

 

Convite à modernização sustentável

Investir em sementes certificadas e em novas cultivares não é luxo, mas uma estratégia vital para a sobrevivência no mercado. A adoção dessas tecnologias transforma os sistemas de produção.

Para exemplificar os ganhos que essas cultivares levam ao campo, vejamos o desempenho da BRS Zuri. Ela garante mais de 50 quilos de peso vivo por hectare por ano. Ao final de um ciclo de seis anos, isso representa um ganho extra para o pecuarista de R$ 6 mil por hectare, o equivalente a um arroba adicional por hectare.

Já a adoção de consórcio de gramínea e leguminosa, é possível aumentar a lotação do pasto em 20% a 30%, além de diminuir os custos com adubação nitrogenada.

Pecuaristas que diversificam e modernizam suas pastagens produzem rebanhos mais eficientes e garantem lucros estáveis. O Brasil, líder em pecuária tropical, merece pastagens à altura do seu boi moderno.

Os últimos lançamentos de forrageiras da Embrapa será tema de palestra no 11º Dia de Campo Expozebu, uma parceria da Embrapa, ABCZ e Baldan, no dia 27 de abril, com parte da programação do Zebu Connect Day, durante a Expozebu 2026.

 

SERVIÇO

Evento: 11º Dia de Campo Expozebu

Data: 27 de abril de 2026

Horário: 8h às 13h

Local: Estação Experimental Orestes Prata, Uberaba (MG)

Inscrição gratuitas (WhatsApp): (34) 99135-6861 / (34) 99945-1355

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Como a interoperabilidade pode contribuir para ampliar a eficiência operacional no setor da saúde?

 


Por José Guilherme Merchiori
 

interoperabilidade no setor da saúde está diretamente ligada ao nível de maturidade e a capacidade de evolução das instituições, sendo um passo fundamental para ganhos de eficiência operacional. Entre os benefícios, destacam-se a redução do retrabalho administrativo, dos custos e da realização de exames duplicados, além da diminuição do impacto de glosas e da otimização de indicadores como TMA/TME e gestão de leitos. Esses avanços contribuem para maior assertividade em toda a jornada do paciente, desde a admissão até o desfecho clínico.
 

No entanto, a adoção tecnológica e a automação de processos ainda representam um desafio para diversas áreas do setor. Segundo dados do TIC Saúde 2024, pesquisa nacional conduzida pelo Cetic.br sobre o uso das tecnologias de informação e comunicação nos estabelecimentos de saúde brasileiros, a Inteligência Artificial (IA) voltada à segurança digital já alcança 50% das instituições de saúde, entre públicas e privadas. Contudo, quando se trata de aplicações voltadas à eficiência nos tratamentos, esse percentual cai para 29%.
 

Ao mesmo tempo, o setor ainda enfrenta uma resistência relevante quanto à incorporação dessas ferramentas. De acordo com o levantamento, entre os principais motivos pela não integração de tecnologias, estão a falta de necessidade ou interesse (59%), a baixa priorização da integração (61%) e problemas de compatibilidade (46%). Existe ainda o declínio por motivação financeira (49%), o que revela desafios importantes a serem solucionados para uma gestão eficaz.
 

A fragmentação de dados e interoperabilidade
 

Paralelamente, existem preocupações relacionadas a interoperabilidade e a proteção das informações com a base na LGPD, especialmente quanto ao desafio de estruturar e compartilhar dados sem violar a legislação. Nesse contexto, iniciativas já em progresso buscam enfrentar esse cenário, como o RNDS (Rede Nacional de Dados em Saúde), projeto do SUS, que permite que médicos e enfermeiros acessem, de forma segura, o histórico clínico do paciente durante o atendimento, por meio do SUS Digital Profissional.
 

Embora não sofra com a escassez de dados, a principal dificuldade do setor de saúde está na falta de estrutura capaz de conectá-los, já que permanecem fragmentados. Diante disto, falta uma integração que permita reunir informações que vão do histórico clínico do paciente a registros relacionados a fraudes e auditorias, um desafio que, a interoperabilidade bem implementada solucionaria, aumentando a segurança e governança de dados.
 

Quando se constrói uma linha de cuidado clínico para o paciente, é importante que o histórico de tratamentos esteja disponível para consulta do profissional. O uso inteligente dessa informação contribui para a assertividade do atendimento, aprimoramento do cuidado com o paciente e redução de custos por meio da eficiência operacional, resultando em dados que permitam identificar as melhores estratégias de atendimento. Tendo estes dados clínicos, administrativos e financeiros integrados, é possível implementar a IA preditiva e analítica para melhorar ainda mais o cuidado com o paciente.
 

Uso da IA para aprimoramento e combate à fraude no setor
 

Tanto em sistemas hospitalares quanto em operadoras de saúde, o uso da IA antifraude tem se tornado fundamental. No entanto, a ausência de uma rede integrada a esse ecossistema limita a eficácia dessas soluções, especialmente na detecção de inconsistências entre sistemas assistenciais, faturamento e redes credenciadas. De acordo com uma pesquisa da Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) de 2025, o número de notícias-crime relativas a fraudes contra as operadoras dos planos cresceu quase 70% em 2023, em relação a 2022.
 

O levantamento também revela que 55% dos entrevistados acreditam que as fraudes são um dos principais fatores responsáveis pelo aumento das mensalidades dos planos. Nesse contexto, a adoção de soluções de IA voltadas à prevenção e detecção de fraudes, alinhada à interoperabilidade de dados no setor, torna-se fundamental para evitar grandes prejuízos, apoiando na pré-auditoria, auditoria concorrente e pós-auditoria, automatizando detecções e priorizando casos críticos.
 

Previsibilidade por meio da análise de dados
 

Segundo o relatório anual de tendências hospitalares da HealthIT.gov, de 2025, existe uma pré-disposição internacional quanto ao uso de IA, com 71% dos hospitais utilizando IA preditiva integrada aos seus prontuários eletrônicos (PEP). O uso cresceu de 66% em 2023 para 71% em 2024, o que releva um desafio para o setor de saúde no Brasil, que enfrenta resistências para adesão integrada e automatizada.
 

A inteligência artificial já possibilita entender métricas e interpretar estrategicamente os dados processados por ela. A interoperabilidade pode atuar por meio de uma camada de dados robusta no setor de saúde, que combinada à IA, amplia a capacidade preditiva das instituições. Isso permite antecipar riscos de internação, reinternação, prever a demanda por atendimentos de pronto-socorro e otimizar processos como ajuste de escala assistencial, regulação de leitos, gestão de pacientes crônicos e planejamento de altas responsáveis.
 

A adoção da interoperabilidade atrelada a inteligência artificial, pode contribuir tanto para o operacional dentro do ecossistema do setor, quanto para o tratamento mais eficaz para os pacientes, que vai além do tratamento direcionado, trabalhando no que antecede a causa, como o acompanhamento e cuidado com o paciente, para que não trate somente a doença e seus malefícios, mas a prevenção para que não aconteça.
 

É fundamental que exista espaço de debate para implementação tecnológica no setor da saúde. A interoperabilidade estruturada, com o uso responsável de IA e governança de dados sólida, garantem uma eficiência operacional, que contribui para evolução, seja no atendimento, nas áreas assistenciais, TI, faturamento e regulação dos serviços hospitalares, operadoras e clínicas, tornando o cuidado com o paciente o passo primordial da evolução tecnológica.
 

 


 
















José Guilherme Merchiori é Diretor de Inovação e Tecnologia da Benner, empresa de tecnologia que oferece softwares de gestão empresarial e serviços de BPO para revolucionar e simplificar os negócios.
 

Boletim da Conab identifica queda de preços da maçã em todas as Ceasas analisadas

 

Preço praticado no atacado no último mês caiu na média ponderada em 8,89%. Laranja e mamão também registraram reduções, mas em percentuais mais baixos

Os preços da maçã praticados no atacado tiveram redução de 8,89% na média ponderada no último mês nas principais Centrais de Abastecimento do país. É o que mostra o 4º Boletim do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), divulgado nesta sexta-feira (24) pela Companhia Nacional de Abastecimento. A queda é influenciada pela maior oferta do produto no mercado diante da intensificação da colheita tanto da variedade gala, como da fuji.

Ainda de acordo com o Boletim, a expectativa para a atual safra da fruta é de aumento na produção em relação ao ciclo anterior, uma vez que o inverno do ano passado proporcionou um período prolongado de baixas temperaturas, favorecendo o adequado acúmulo de horas-frio pelas macieiras, fator essencial para a qualidade e a coloração das frutas.

Além da maçã, laranja e mamão também registraram queda nos preços. No mercado da laranja, a redução de 2% na média ponderada das cotações foi verificada mesmo com o registro da proximidade do fim da safra no cinturão citrícola durante o mês de março. Já para o mamão, a Conab verificou queda nos valores de comercialização em várias localidades devido ao aumento da quantidade ofertada da variedade papaya, em especial a fruta com origem no norte capixaba e no sul baiano, e estabilidade oferta do formosa.

Já banana e melancia tiveram elevação nos preços na média ponderada. Para o mercado da banana, as cotações subiram na maioria das Ceasas, com a alta de 10,56% na média ponderada mensal. O aumento ocorre mesmo com maior oferta da variedade prata oriunda de Minas Gerais, de Pernambuco, do Ceará e da Bahia, uma vez que a variedade nanica teve menor quantidade produzida tanto em regiões mineiras, baianas e capixabas, mas, principalmente, na microrregião de Registro (SP) e no norte catarinense, grandes regiões produtoras.

No caso da melancia, o movimento na maior parte das Ceasas foi de elevação tanto dos preços quanto da oferta, com o preço registrando alta de 10,81% na média ponderada ao final do último mês. Mesmo com o aumento da comercialização, entrepostos como de Belo Horizonte e de Campinas também registraram alta das cotações diante da boa demanda local.

Hortaliças – A alface voltou a registrar alta em março, mantendo a tendência observada desde novembro, embora com variações de menor magnitude. Na média ponderada a elevação ficou em 4,93%. O volume de alface em março foi 9,4% inferior ao registrado em fevereiro, fator que contribuiu para a pressão de alta nos preços. Além disso, a demanda manteve-se elevada ao longo do último mês, impulsionada pelo calor ainda presente no período.

Pelo segundo mês consecutivo, o preço da batata apresentou alta. Desta vez, os percentuais positivos foram mais expressivos e ocorreram de forma generalizada entre as Ceasas analisadas, chegando a uma variação positiva de 18,99% na média ponderada. A elevação foi influenciada principalmente pelos menores envios do produto oriundos do Paraná (-22,1%) e da Bahia (-42,4%).

No caso do tomate a alta foi mais expressiva, chegando a 38,83% na média ponderada. Esse aumento nos preços é explicado pelas temperaturas elevadas no final do ano, que aceleraram a maturação do tomate, reduzindo a capacidade de controle da oferta por parte dos produtores. Com isso, ocorreu o esgotamento das áreas em ponto de colheita, fazendo com que a oferta atual se mantenha em níveis inferiores aos observados no final de 2025, o que tem pressionado os preços para cima.

Para a cebola também foi observada alta expressiva e generalizada dos preços em todas as Ceasas analisadas. Na média ponderada, o aumento foi de 52,16% em relação à média de fevereiro. Os envios provenientes de Santa Catarina apresentaram queda de 41,7%, indicando o encerramento praticamente completo da safra 2025/26, abrindo espaço para a entrada da cebola importada.

Após um período de relativa estabilidade desde agosto de 2025, com pequenas oscilações em ambos os sentidos, os preços da cenoura apresentaram forte elevação em março em todas as Ceasas analisadas, sendo que na média ponderada a alta chega a 59,15%. O cenário de menor oferta contribuiu diretamente para a valorização dos preços. Segundo o Boletim, outro fator importante que está relacionado com os maiores preços registrados é o custo do transporte, diante do aumento dos combustíveis..

Exportações – De janeiro a março de 2026, o volume total enviado ao exterior foi de 337 mil toneladas, alta de 12% em relação ao primeiro trimestre de 2025, e o faturamento foi de U$S 378,5 milhões, superior em 18% em relação ao mesmo período do ano anterior, como indicam os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Destaque – Nesta edição, a seção Destaques das Ceasas aborda a importância da Conab e das Ceasas como incubadoras de capacitação de agricultores familiares no acesso integral a mercados, abrindo oportunidades e criando boas expectativas.

As informações completas sobre preços e comercialização praticados em março nas principais Centrais de Abastecimento brasileiras estão reunidas no 4º Boletim Prohort.

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Embrapa Pesca e Aquicultura leva edição gênica e pirarucu defumado à Feira Brasil na Mesa

 



Foto: Eduardo Sousa Varela

Eduardo Sousa Varela - O tambaqui é o principal peixe nativo brasileiro

O tambaqui é o principal peixe nativo brasileiro

Embrapa Pesca e Aquicultura (Palmas/TO) participará da Feira Brasil na Mesa, que acontece de 23 a 25 de abril, na Embrapa Cerrados, em Planaltina/DF. O evento, realizado em comemoração aos 53 anos da Embrapa, valoriza a diversidade dos alimentos brasileiros e reúne vitrines tecnológicas, degustações, cozinha show, rodada de negócios, seminários e trilha pelo Cerrado.

A Unidade apostou em uma participação focada, com duas atrações: a tecnologia de edição gênica, exibida na vitrine tecnológica, e o pirarucu defumado, disponível na programação de degustações. Na vitrine de tecnologias, serão exibidos dois tambaquis em aquário, um sem intervenção e outro submetido à metodologia de edição gênica. O peixe editado apresenta um padrão de coloração único, resultado do bloqueio do gene associado à pigmentação. "O peixe editado é a demonstração do resultado da metodologia. A gente acredita que vai chamar bastante atenção", afirmou Pedro Alcântara, chefe-adjunto de Transferência de Tecnologia do centro de pesquisa de Palmas. Para quem tiver curiosidade sobre o processo, a Unidade estará com pesquisadores disponíveis: "nossa equipe estará atendendo o público que visitar a vitrine", completou Alcântara.

A tecnologia está sendo desenvolvida pela Embrapa Pesca e Aquicultura para pesquisa em edição gênica de peixes tropicais. Segundo o pesquisador Eduardo Sousa Varela, a Unidade já concluiu o protocolo completo de edição gênica para peixes tropicais e utiliza o tambaqui como espécie principal para demonstração. "Vamos demonstrar peixes editados com padrão de despigmentação, um padrão claramente visual de que a engenharia genética foi concluída e que tivemos um efeito satisfatório", explicou. Pedro Alcântara reforça o alcance da tecnologia: "do ponto de vista da edição gênica, vamos demonstrar o potencial que a técnica tem para o avanço genético que precisamos ter, principalmente nas espécies nativas."

Os impactos da tecnologia vão além da estética. A edição gênica abre caminho para a eliminação das espinhas intermusculares do tambaqui, que são tendões calcificados que dificultam o consumo do peixe em filé. "Com esse protocolo, podemos produzir um filé de alto rendimento, sem espinhas, o que abre novos mercados, inclusive de exportação", destacou Varela.

Pirarucu defumado: Na programação de degustações, a Unidade levará lombo de pirarucu defumado, preparado com técnica incrementada pela pesquisadora Viviane Rodrigues Verdolin dos Santos. O processo envolve salga, marinada e defumação a quente com madeira de goiabeira, a uma temperatura entre 50 e 70 graus Celsius, por cerca de três horas e meia. "A goiabeira é excepcional nesse processo porque produz uma fumaça branca e constante, que confere ao peixe cor, brilho e um sabor característico dos defumados", descreveu Viviane.

Para Alcântara, a técnica cumpre um papel duplo: "para o consumidor, é uma oportunidade de apreciar e demandar esse produto. Para o produtor, seja a agroindústria ou o produtor artesanal, é uma técnica acessível que permite valorizar e ampliar o acesso ao mercado." Segundo Viviane, a defumação pode dobrar o valor do produto e representa uma oportunidade para pequenos produtores. "É um nicho de mercado excelente, com potencial inclusive para selos artesanais", avaliou.

 

Serviço:

O que: Feira Brasil na Mesa

Quando: 23 a 25 de abril

Onde: Embrapa Cerrados, em Planaltina/DF

Mais informaçõeswww.embrapa.br/feira-brasil-na-mesa

“Temos que substituir o desalento pelo sonho. O ódio pela esperança”, diz Lula em Mobilização Progressista Global

 

Encerramento do evento em Barcelona, na Espanha, reuniu líderes progressistas para debater democracia, justiça social e fortalecimento do multilateralismo
 

Ao iniciar seu pronunciamento, o presidente Lula destacou que o campo progressista acumulou avanços importantes na garantia de direitos e ressaltou a relevância de reafirmar valores democráticos diante do avanço do extremismo. Fotos: Ricardo Stuckert/PR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado, 18 de abril, em Barcelona, na Espanha, do encerramento da Mobilização Progressista Global, encontro que reuniu lideranças políticas de diversos países em defesa da democracia, da justiça social e do fortalecimento da cooperação internacional. Em discurso na sessão plenária final, Lula afirmou ser necessário fortalecer a mobilização progressista para enfrentar desigualdades, proteger direitos e ampliar a participação democrática no cenário global.
 

Ao abrir sua fala, Lula parabenizou o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, pela organização do encontro e ressaltou a importância de reafirmar valores democráticos diante do avanço do extremismo. “O que nós estamos fazendo aqui é o começo de um movimento que tem que agir todo santo dia, durante toda a semana, todo mês e durante 365 dias por ano, para que a gente restabeleça a coisa mais sagrada no mundo, que é a democracia e o multilateralismo”, afirmou.
 

O que nós estamos fazendo aqui é o começo de um movimento que tem que agir todo santo dia, durante toda a semana, todo mês e durante 365 dias por ano, para que a gente restabeleça a coisa mais sagrada no mundo, que é a democracia e o multilateralismo”
- Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
 

Durante o pronunciamento, o presidente destacou que o campo progressista acumulou avanços importantes na garantia de direitos, mas ainda enfrenta o desafio de combater desigualdades estruturais e conter o avanço de discursos extremistas. “A situação dos trabalhadores, das mulheres, das pessoas negras e de muitas minorias é melhor hoje do que foi no passado. Não é coincidência que a reação das forças reacionárias tenha vindo de forma tão violenta, com a misoginia, o racismo e os discursos de ódio”, observou o presidente.
 

“Mas o progressismo não conseguiu superar o pensamento econômico dominante. O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda assim, nós sucumbimos à ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo. Governos de esquerda praticam a austeridade”, alertou.
 

Para Lula, a incapacidade do campo progressista de romper com a lógica econômica neoliberal abriu espaço para que a extrema direita ocupasse o discurso de contestação, canalizando o descontentamento social para agendas regressivas e ataques a direitos.
 

“A extrema direita soube capitalizar o mal-estar das promessas não cumpridas do neoliberalismo. Canalizou a frustração das pessoas inventando bodes expiatórios: as mulheres, os negros, a população LGBTQIA+, os migrantes. Nosso papel é apontar o dedo para os verdadeiros culpados. Um punhado de bilionários concentra a maior parte da riqueza mundial. Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá.

Alimentam a falácia da meritocracia. Mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir. Pagam menos impostos, exploram o trabalhador, destroem a natureza, manipulam algoritmos. A desigualdade não é um fato. É uma escolha política”, afirmou Lula.
 

DO LADO DO POVO – Segundo o presidente, o primeiro mandamento dos progressistas deve ser a coerência. “Não podemos nos eleger com um programa e implementar outro. Não podemos trair a confiança do povo. Mesmo que boa parte da população não se veja como progressista, ela quer o que nós propomos. Quer comer e morar com dignidade. Escolas e hospitais de qualidade. Um meio ambiente limpo e saudável. Um trabalho decente, com jornada equilibrada. Um salário que permita uma vida confortável”, elencou. “O que faz de nós progressistas é escolher a igualdade. Nosso lema deve ser estar sempre do lado do povo”, completou.
 

LUTA GLOBAL – No contexto global, Lula enfatizou que o fortalecimento do multilateralismo e a reorganização das instituições de governança global são cruciais para enfrentar conflitos armados, redirecionar recursos hoje destinados a armamentos para o combate à insegurança alimentar, proteger economias, fortalecer o comércio exterior e avançar na adaptação às mudanças climáticas.

“Essa luta precisa ser global. De nada adianta manter a casa em ordem em um mundo em desordem. Os senhores da guerra jogam bombas em mulheres e crianças. Gastam em armas bilhões de dólares que poderiam ser usados para acabar com a fome. O Sul Global paga a conta de guerras que não provocou e de mudanças climáticas que não causou. É tratado como quintal das grandes potências. É sufocado por tarifas abusivas e dívidas impagáveis. Volta a ser visto como mero fornecedor de matérias-primas”, afirmou.
 

 

MULTILATERALISMO – O presidente afirmou que ser progressista na arena internacional significa defender um multilateralismo reformado. “É defender que a paz prevaleça sobre a força. É combater a fome e proteger o meio ambiente. É restituir a credibilidade da ONU, que foi corroída pela irresponsabilidade dos membros permanentes. É criar um sistema em que as regras valham para todos. Em que países desenvolvidos e em desenvolvimento estejam em pé de igualdade no Conselho de Segurança, no Banco Mundial, no FMI e na OMC”, destacou.
 

Lula apontou o fortalecimento das instituições multilaterais como caminho não apenas para promover a paz, mas também para enfrentar desafios que ultrapassam fronteiras, como a desinformação e a regulação das plataformas digitais. “Esse não é um esforço só de governos. A internet se tornou um campo de batalha. Disputar as redes virtuais é uma tarefa incontornável. Mas a disputa tem que ir além das telas. Tem que ser levada para as universidades, para as igrejas, para as associações de bairro. A extrema direita grita, mente e ataca. Não podemos ter medo de falar mais alto, de expor a verdade dos fatos, de contrapor argumentos. O risco que a extrema direita representa à democracia não é retórico, é real. No Brasil, ela planejou um golpe de Estado. Orquestrou uma trama que previa tanques nas ruas e assassinatos”, advertiu.
 

“O Papa Leão 14 disse que a democracia corre o risco de se tornar uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas. Nosso papel é desmascarar essas forças. Desmascarar aqueles que dizem estar ao lado do povo, mas governam para os mais ricos. Que se dizem patriotas, mas põem a soberania à venda e pedem sanções contra o próprio país. Que proclamam defender a família, mas fecham os olhos para a violência contra as mulheres e o abuso sexual de crianças. Que se declaram donos da verdade, mas espalham mentiras e desinformação. Que se consideram homens de Deus, mas não têm amor ao próximo. Que falam em liberdade, mas perseguem quem é diferente”, listou.
 


 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou neste sábado, 18 de abril, em Barcelona, na Espanha, do encerramento da Mobilização Progressista Global e parabenizou o presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, pela organização do encontro. Fotos: Ricardo Stuckert/PR

 

CONSTRUÇÃO DA DEMOCRACIA – Lula deixou uma mensagem de esperança para aqueles que trabalham pela consolidação dos princípios democráticos em todo o planeta. “A democracia não é um destino, é uma construção cotidiana. Ela precisa ir além do voto e trazer benefícios concretos para a vida das pessoas. Não há democracia quando um pai não sabe de onde tirar seu próximo prato de comida. Não há democracia quando um neto perde o avô na fila de um hospital. Não há democracia quando uma mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite em seus filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor da sua pele. Quando uma mulher morre por ser mulher. Temos que substituir o desalento pelo sonho. O ódio pela esperança”, afirmou.
 

MOBILIZAÇÃO PROGRESSISTA GLOBAL – Lula ressaltou que a Mobilização Progressista Global tem a missão de recuperar a capacidade das forças progressistas de projetar um futuro melhor. “Um futuro com justiça social, igualdade e democracia. Esses três termos – mobilização, global e progressista – precisam andar juntos. Não como palavras de ordem, mas como realidade viva. Uma pessoa não envelhece pela quantidade de anos, mas pela falta de motivação. A política só tem sentido quando se tem uma causa”, concluiu.

Pautada pela defesa da democracia, pelo fortalecimento das instituições e pelo combate à desigualdade, a Mobilização Progressista Global foi o segundo evento do qual o presidente Lula participou neste sábado para alertar sobre as tensões globais. Mais cedo, ele discursou na Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, também ao lado do presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez.

Na sexta-feira (17), os dois líderes defenderam a regulação das redes sociais durante declaração à imprensa e participaram de cerimônia de assinatura de atos no Palácio Real de Pedralbes — entre eles, um Memorando de Entendimento no campo de minerais críticos, voltado à ampliação da cooperação bilateral em toda a cadeia produtiva de insumos estratégicos essenciais para a transição energética, a transformação industrial e a segurança econômica dos dois países.

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