segunda-feira, 21 de junho de 2010

Artigo: Ocupação tímida nas reitorias

Ocupação tímida nas reitorias

 

Luciana Onusic *

 

         A mulher, desde o século XX, luta pelo seu espaço no mercado de trabalho. E sabemos que isso tem evoluído a cada ano que passa. Em 2009, de acordo com os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 35% das mulheres brasileiras trabalhavam com carteira assinada – porém, número ainda inferior ao dos homens, que é de 43,9%. Outro dado do instituto, no entanto, mais preocupante, é em relação à remuneração: para se ter uma equiparação, o salário das mulheres teria que ter um aumento de 38,3% em relação ao dos homens.

Porém, no ramo da educação, a entrada feminina é alta em todos os cargos – desde professora até diretora –, principalmente em educação básica (infantil, ensino fundamental e médio). Quando chega no ensino superior, o quadro muda. Ainda há muitas mulheres lecionando, mas nos cargos mais altos da hierarquia educacional, como diretoria e reitoria de instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas, a inserção das mulheres é ainda baixa.

Esse quadro pode ser constatado no 2º Encontro Internacional de Reitores Universia, realizado em Guadalajara (México), entre os dias 31 de maio e 1º de junho. Não foram divulgados dados oficiais, mas quem esteve presente pode notar o pequeno número de mulheres que participaram do encontro. Portanto, esse cenário não é apenas um problema tipicamente brasileiro.

O encontro, que reuniu reitores e presidentes de 1.126 instituições de ensino superior de diversas partes do mundo, teve como objetivo debater como melhorar o ensino e aumentar o grau de internacionalização, da responsabilidade e do compromisso econômico e social das faculdades e universidades. Temas como inclusão e coesão social através da educação superior, atividade docente, infraestrutura, inovação, transferência de conhecimento foram abordados nos dois dias de evento.

         O Brasil contou com a representação de mulheres neste último encontro: Laura Laganá, da rede Paula Souza – primeira mulher a ocupar o cargo de reitora nos 40 anos da instituição –; e Maria Célia Pressinatto, reitora do Centro Universitário Barão de Mauá.

         Para o próximo encontro, que será realizado em 2015 no Brasil, esperamos que mais mulheres tenham conseguido se inserir neste mercado – o de educação superior. Se são competentes em níveis de ensino básico, tem tudo para também estarem no topo nas faculdades e universidades.

 

* Luciana Onusic é contadora, mestre e doutora em Administração e diretora executiva da Trevisan Escola de Negócios.

E-mail: luciana.onusic@trevisan.edu.br.

 

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