segunda-feira, 20 de julho de 2009

O problema de sempre por outra perspectiva

 
 

O problema de sempre por outra perspectiva

Luiz Gonzaga Bertelli (*)

 

Nas últimas décadas, as pesquisas sobre o índice de desemprego oscilaram positiva ou negativamente, dependendo do contexto econômico. Um aspecto, porém, não muda nunca: sempre o maior percentual de brasileiros sem ocupação recai sobre os jovens. Antes da crise, quando o País ainda navegava um tanto lentamente nas ondas calmas da prosperidade global, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) constatou que o desemprego na faixa etária de 15 a 24 anos é 3,5 vezes maior do que entre a de 25 anos ou mais.

O tamanho continental do Brasil pode esconder as reais proporções do grave problema, mas os sinais estão aí, à vista de quem quer ver. Por exemplo, somente o 1,5 milhão de estudantes que aguardam uma oportunidade de estágio no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) supera a soma das populações da Guiana e da Guiana Francesa, que juntas se aproximam de um milhão de pessoas. Ou seja, dentro do Brasil, coexistem "dois países" que carecem de experiência profissional, pré-requisito para a conquista do primeiro emprego e seus integrantes aguardam ser chamados para estágio – modalidade de capacitação prática que é reconhecidamente a melhor porta de entrada para o mercado de trabalho. Isso só reforça a importância da missão perseguida, desde sua fundação, por nossa organização e o tanto que ainda falta a ser feito em favor da juventude.

Em 2009, o CIEE completou 45 anos de atividade filantrópica em favor do futuro das novas gerações. Fundado por empresários e educadores, nasceu treze anos antes da primeira Lei do Estágio, já visualizando na capacitação prática o atalho para diminuir a distância entre a sala de aula e a estação de trabalho – distância que, já naquela época, afligia os jovens. Por seu pioneirismo, tornou-se sinônimo de estágio, influenciou a história dessa modalidade de treinamento no País e atingiu resultados significativos. Desde sua fundação, oito milhões de estagiários foram beneficiados – população pouco inferior à da Áustria – e atualmente conta com 350 mil jovens em empresas e órgãos públicos, o que ultrapassa em algumas dezenas de milhares os habitantes da Islândia.

Para atender com o mesmo padrão de qualidade os 250 mil parceiros que o escolheram para administrar seus programas de estágio, o CIEE instalou mais de 300 unidades de atendimento em todo o Brasil e ampliou sua gama de serviços. Hoje, oferece também o projeto Aprendiz Legal, que contempla a capacitação prática de jovens inexperientes, com idade entre 14 e 24 anos, em empresas, com a complementação de cursos teóricos ministrados nas dependências do CIEE. São oferecidos quatro programas diferenciados e adaptados às áreas de atuação do jovem na empresa – Ocupações administrativas, Comércio e varejo, Práticas bancárias e Telesserviços.

A inclusão de jovens no mercado de trabalho por meio da aprendizagem teve sua importância reconhecida nacionalmente, no final do ano passado, durante a Conferência Nacional de Aprendizagem Profissional, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o governo federal estuda mudanças legais para que o país possa absorver 800 mil aprendizes até 2010. A medida é muito bem-vinda tendo em vista que dos 1,3 milhão de jovens têm o perfil de aprendiz em todo o País, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, apenas 150 mil efetivamente estão contratados como tal.

Em quatro décadas de atividade, comprovou que a capacitação é o melhor caminho para garantir um brilhante futuro profissional para a juventude brasileira. Bom exemplo é o do primeiro estudante encaminhado para estágio pelo CIEE: José Feliciano de Carvalho foi contratado durante seu primeiro ano na faculdade de Direito pela Ultragaz, e a experiência lhe abriu portas, direcionando-o para o setor financeiro até ocupar um cargo de alta direção no HSBC.

 

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

CEDECA RJ lança cartilha de educação política para adolescentes com participação do cientista político Jairo Nicolau

  Publicação “Quem cuida… da minha cidade? do meu estado? do meu país?” explica, em linguagem acessível, o funcionamento dos cargos político...