domingo, 3 de outubro de 2010

Romance Zero de Ignacio de Loyola Brandão - 35 Anos de Nós Mesmos?










O Clássico Romance Vanguardista, “Zero” de Ignácio de Loyola Brandão, ou, 35 Anos de Nós Mesmos?

“É necessário estar sempre bêbado
para não sentir o fardo horrível do
tempo, que abate e faz pender à terra.
É preciso que nos embriaguemos sem cessar,
mas, de quê? De vinho, de poesia, ou de virtudes.
Como acharmos melhor, contanto que nos embriaguemos.
(Baudelaire)

Eu ainda mal-e-mal me exilando de Santa Itararé das Artes, interior de Sampa (hoje o falido estado todo um Samparaguai de tantos pinóquios de chuchus) estando ainda saindo da fase do guri que amava os Beatles e Tonico e Tinoco, quando literalmente me caiu de vereda nas mãos o diferenciado livro “Zero” do Ignácio Loyola Brandão que me embriagou, quando eu já me gabava de, rebelde sem causa com calca rancheira, ter o proibido “Livro Vermelho de Mao”, como quase sempre consegui ter & ler os proibidos, os malditos, os contestadores, que na verdade eram enormemente interessantes trabalhos literários de peso, de vanguarda, marcos literários deste nosso Brazyl S/A de muito ouro e pouco pão. Sim, meus irmãos, a vida violentou o muro mas também iluminou cabeças e Ignacio de Loyola Brandão clarificou a literatura desde então. O silêncio vem das bocas?. O romance Zero foi eleito um dos melhores romances do Século XX pela Revista Manchete. Já pensou a lucidez que mora nos desfechos? Viver em Sampa nunca foi só abanar o rabo.

De lá pra cá o Ignácio de Loyola Brandão tornou-se verdadeiramente o melhor nome da literatura brasileira, embriagando seus leitores, surpreendendo, novidadeiro, e o livro Zero virou lenda, e, acima de tudo uma espécie marcante de literatura brasileira pela visão, arrojo, lucidez criacional e obra fora de série com Grandes Sertões Veredas, Dom Casmurro, Incidente em Antares, só para citar alguns. O guri de Araraquara que tinha palavras para agitar colegas desde o primário, tinha loucamente antenado escrito um clássico histórico em plena treva ditatorial, do caos nascendo a luz. E nunca houve um outro trabalho igual o Zero. Escrito nos Anos 60 em que o país sofria o cravo do que Millôr Fernandes sabiamente rotulou de a Canalha de 64, o livro inteligentemente descreve de diversas maneiras, inclusive intertextuais, diferenciadas, experimentais com visão, o que foram os nossos tenebrosos anos de chumbo. A primeira edição foi publicada na Itália em 1974 e somente no ano seguinte saiu no Brasil. Em julho de 1976 recebeu da Fundação Cultural do Distrito Federal o prêmio de Melhor Ficção. Em seguida foi censurado pelo Ministério da Justiça e sua venda proibida em todo o território nacional por ser considerado um atentado à moral e aos bons costumes. Sua proibição, no entanto, fomentou entreveros, críticas, repercussões éticas, discórdias datadas contra o regime de arbítrio, resistências paisanas, permitindo um suporte para a apurada reação de escritores, quando artistas e intelectuais começaram a se manifestar contra a ditadura militar. “O artista é testemunha de seu tempo, de sua sociedade com tudo que ela tem de coisas boas e ruins. Principalmente ruins. Ele não pode cancelar uma realidade sob o pretexto que essa realidade é inoportuna ou desagradável”, assim se manifestou a escritora Lygia Fagundes Telles, uma das cabeças pensantes do grupo, num ato público em 1977 promovido pelo semanário Aqui São Paulo, do jornalista Samuel Wainer. Em 1979 finalmente o livro ZERO foi liberado pela censura e desde então, 12 edições foram vendidas no Brasil, além das traduções para o alemão, coreano, espanhol, húngaro, inglês e italiano. Ainda hoje, quase 35 anos depois, Zero continua atual, brilhante, feito um visionário vídeoclipe literário, surpreendendo os que buscam o que há de melhor de nossa literatura humanizada. Ignácio de Loyola Brandão é jornalista e escritor, já tendo publicado mais de vinte livros, mas ZERO que deve ser relançado agora em edição especial, como o marco de sua trajetória de escritor sensível, as vezes irônico mas sempre antenado com esta Sampa que cresce mal-e-mal quatro por cento, quando o Brasil (fora de SP), cresce muito mais, apesar da propaganda enganosa do governo de sp que diz que São Paulo está cada vez melhor, feito uma piada ordinária de mau gosto, com o professor paulista-paulistano, por exemplo, ganhando trinta por cento a menos do que o professor do Piauí. Ignácio de Loyola Brandão, a bem dizer, virou uma espécie assim de porta-voz dos que ainda pensam, sentem, criam, frente ao cinismo político o seu modelito neoliberal que incrementa as prizatizações-roubos (privatarias amorais sem auditoria) e a própria terceirização neoescravista em antros, máfias e quadrilhas que abundam em SP.

O processo de criação de "Zero" durou nove anos, entre 1964 e 1973, justamente um dos períodos mais truculentos do regime militar brasileiro que foi uma tragédia histórica e cujo preço social pagamos até hoje. Ignácio Loyola Brandão disse: "A obra trata das crueldades da ditadura, mas de forma metafórica, literária". Ignácio Loyola Brandão sentiu na pele as agruras da funesta ditadura. Trabalhando no jornal paulista Última Hora, o escritor enfrentou problemas com a censura dentro da redação. "Fui guardando as matérias censuradas, pensando em escrever um romance de amor. Sem querer, estava nascendo o 'Zero'", contou.

A obra surgiu inicialmente como uma série de fragmentos intertextuais sobre uma grande metrópole sob o peso do medo de uma caterva reacionária. Com o Ignácio Loyola Brandão notou que se tratava de um romance, logo deu estrutura ao trabalho de peso e criou um elo de ligação: o casal José e Rosa, que atravessava todas as histórias. "Zero" foi censurado pela ditadura brasileira mas teve sua primeira edição publicada na Itália. "Quando terminei o trabalho, nenhuma editora brasileira ousou publicá-lo. Passei por onze editoras e todas recusaram. Fui ficando angustiado".

Hoje, o escritor colhe o fruto de seu importante trabalho, faz sucesso com merecimento, faz palestras, congressos, debates, com o que embriaga com a sua coragem-lucidez e sua obra maior continua sendo lida e relançada em idiomas, que variam do alemão ao coreano, dando suporte significativo à sua carreira, uma das melhores cabeças pensantes atual. Além de "Zero", o brilhante Ignácio Loyola Brandão também é autor de outras obras de alto nível como "Não Verás País Nenhum", "O Ganhador", "O Anjo do Adeus", "Veia Bailarina e Anônimo Célebre", no seu realismo feroz, segundo o crítico Antonio Cândido.

O menino que vendia palavras na escola primária, agora se regala com o manejo delas, colaborando com jornais brasileiros, escrevendo seus livros, pondo sua veia para bailar prosas de alto nível. Do Zero ao infinito? Pois Inácio tem a cara, a coragem e o talento daqueles que enxergam longe, dão testemunho de seu tempo (e agruras de seu tempo), escrevendo crônicas que ilustram as páginas dos jornais brasileiros, clarificando corações e mentes.

35 Anos de ZERO, um épico neorelista extraordinariamente contemporâneo e atual, moderno e contundente ainda, e que também e por isso mesmo continua a nossa cara, o jeito de nós mesmos, a cara de São Paulo indo pra trás, contra a cara do Brasil saindo do ostracismo em âmbito mundial, os podres poderes que hoje estão na economia e em parte da mídia comprometida com agiotas do capital estrangeiro, para não dizer de Sampa cada vez mais “da força que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso), modelito tupiniquim de corrupção generalizada e impunidade tucano-liberal-do-DEMO exportado para o resto do país.

Ubiratan Brasil diz do clássico Romance Zero “A obra é especial para Ignácio de Loyola Brandão(...) Há de fato uma transgressão, mas não apenas no conteúdo como também na forma. É um fantástico jogo intelectual, com a ficção se confundindo com a realidade em meio a colagens de desenhos unidos por frases sem pontuação”.

Mas Sampa, paradoxalmente sobrevive e emerge entre o céu e o inferno, é um afrolatino estágio, ou luso-tupídico caldeirão lítero-cultural que também exporta Ignácio de Loyola Brandão contextualizando prismas letrais dessa louca megalópole que, como diz Tom Zé, “amodeio”.

Zero a Zero? 35 Anos de Nós mesmos é para se comemorar com Zero e com o Ignacio Loyola Brandão que anda mais criativo do que nunca, em alto astral, em paz com a consciência da vida, e deveria ter, isto sim, um congresso lítero-cultural só em homenagem a ele, chamando os nativos pro debate, pro forfé letral de um ZERO que passados trinta e cinco anos ainda é Nota Dez com louvor.

Murilo Mendes dizia que tinha de dar de comer ao poema. Pois Ignacio de Loyola Brandão dá de comer à ficção que escreve com sangue, suor, lágrimas, humor, musica e invencionices letrais de muito bom gosto.

Bebamos a isso!
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Silas Correa Leite, Jornalista Comunitário, Teórico da Educação, Conselheiro em Direitos Humanos – Santa Itararé das Letras-SP
Autor de CAMPO DE TRIGO COM CORVOS, Contos, Editora Design e Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print - Blogue premiado do UOL:
www.portas-lapsos.zip.net
E-mail: poesilas@terra.com.br

Artigo: Ser é mais importante do que ter.

 
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      Autor: Nelson Tanuma 
 

    Vivemos hoje em um mundo extremamente competitivo onde as pessoas buscam desesperadamente e a todo custo, acumular bens materiais, ter corpo perfeito, ter mais tempo, status e poder, e assim, vivemos dentro de um contexto de vida estressante, nascisistica, e insaciável. Muitas vezes nos esquecemos de que, não obstante a fugacidade da vida, o que vem em primeiro lugar é SER, em seguida FAZER, para depois vir a TER. Se você busca tornar-se um profissional e um ser humano melhor, e vem  executando seu trabalho com amor e dedicacão, o resultado financeiro positivo será inevitável e uma mera consequência de seus pensamentos e atitudes. Certa vez ouvi uma definição de status que guardei na memória por ter considerado interessante e hilariante, motivo pelo qual transcrevo a seguir: "status é comprar o que você não precisa, com o dinheiro que você não tem, para mostrar para aqueles que você não gosta, aquilo que você não é". Penso que existe uma grande verdade inserida nessa frase. Na medida em que a pessoa amadurece, ela tende é de se preocupar-se menos com a busca pelo status e passa a procurar mais sua auto-realização, entretanto, existem pessoas que não conseguem libertar-se da  chamada "Síndrome de Peter Pan"; são aquelas que recusam-se a amadurecer, apesar da idade.

   É importante ter saúde sim, e não vale a pena perder a saúde e acumular riquezas, para num futuro breve ter que gastar  toda fortuna para tentar reaver a saúde perdida; e não obstante isso ser uma absoluta falta de inteligência, muitas pessoas hoje em dia fazem isso. A vida é uma bela viagem, e importa mais aproveitar bem a viagem do que preocupar-se apenas com o destino final.

   É essencial investir na sua estrutura pessoal e profissional, tendo um objetivo em mente que esteja relacionado aos seus valores pessoais, e em seguida, partir para a ação. O importante não é apenas o objetivo em si, mas sim, o que o objetivo faz conosco, como  ele nos afeta e mexe com nossas emoções. É isso é que nos dá motivação para acordarmos felizes pela manhã e  nos faz sentirmos motivados para mais um dia de vida.

   Tenha sonhos grandiosos,  trace metas. Se você tem uma direção, faz sentido organizar sua agenda. O importante não é o que acontece conosco, e sim, o significado que damos para aquilo que acontece em nossas vidas. Saiba que o fracasso não existe, o que existe são resultados que consideramos satisfatórios ou não. É importante que estejamos aprendendo a cada instante dentro de nossa organização ou de nosso negócio próprio. Se não estamos aprendendo e crescendo é porque chegou a hora de mudar. Mude voce ou mude-se. Todos sabemos que mudar não é fácil, é tão difícil mudar que pesquisas demonstram que o ser humano tem menos medo da morte do que da mudança. A mudança nos deixa incomodados e ansiosos, justamente porque nos tira da chamada zona da conforto. É preciso renovar-se a cada, dia. A medicina nos ensina que, fisicamente não somos mais a mesma pessoa que fomos há sete anos atrás, já que nesse intervalo de tempo, todas as células do nosso corpo se renovaram. Precisamos nos conscientizar de que tudo mudou, muda e mudará.

   É preciso ter criatividade e coragem para mudar, crescer e se desenvolver-se a cada dia. Ser louco é fazer sempre a mesma coisa, da mesma maneira, e querer obter resultado diferente, entretanto diariamente observamos a insanidade comandar a rotina paralisante na vida de muitas pessoas. É preciso estar aberto às mudanças; é preciso desbloquear e dar vazão ao fluxo da vida. Busque um sentido para sua vida e a direção a seguir ficará mais clara e visível para você. Se você tem uma meta, um sonho grandioso, tudo começa a fazer sentido para você, e, e você passa a amar-se a si mesmo cada vez mais.

   Administre bem o seu tempo, pois, tempo é um bem insubstituível, enquanto que os bens materiais são substituíveis, e se você não tomar conta da sua vida, certamente alguém irá tomar conta por você. O dia a dia de toda pessoa é bem parecido, o que faz a diferença são os pequenos detalhes.

   É bem verdade que o hábito faz o monge. Cuide-se! pois o  tempo não para, não volta mais, o dinheiro é algo muito importante quando bem utilizado, entretanto, saiba que  dinheiro algum será capaz de nos fazer recuperar o tempo perdido e mal utilizado. Portanto, 
divirta-se mais, ame mais e perdoe mais a si mesmo e aos outros, e,  utilize com sabedoria seu dinheiro e seu tempo! 


(Nelson Tanuma é diretor da empresa VITA - Educação Empresarial, especialista pós-graduado em Desenvolvimento do Potencial Humano nas Organizações pela Faculdade de Psicologia da PUC, ministra cursos e palestras pelo CIESP/FIESP, SEBRAE-SP, Fundação Bradesco, UMC, Universidade Corporativa da ACMC e Organizações diversas)


    

fonte: www.nelsontanuma.com.br   



 


 

poesia

 

NASCI POBRE

 

Nasci pobre como muita gente,

E sempre senti o poder do dinheiro.

Ser pobre no Brasil é ser escravo,

E a quem diga que neste país não tem cativeiro.

 

Eu sinto a amargura de ser pobre,

E igual a mim sente-se muita gente.

Trabalha-se a vida inteira para os outros,

E nunca se consegue um salário decente.

 

Ser pobre é ser escravo, digo mais,

É não ter esperança no porvir,

E saber-se que sai governo e entra governo,

E que infelizmente vamos morrer assim.

 

Vivaldo Terres.


 

 

sábado, 2 de outubro de 2010

Lembre-se: você é o que deseja ser!


“ A mente é como o lar, é mobiliada por nós.
Portanto, se sua vida for fria e árida,
a culpa será somente do proprietário.”
( Louis L'Amour)

Importante perceber que você é produto de seu pensamento. Se você pensar que é um fracassado, você o será; se você pensar que é um vencedor você o será; assim, você é quem irá controlar o seu próprio destino. Pensando desta forma, percebemos que tudo depende de nossa opção e ação: logo, nossas opções, bem como nossas ações, determinarão o nosso destino. Como resultado, é de suma importância observar que somente você é quem detém o poder sobre as rédeas de sua vida, ninguém mais. Quando você descobrir este poder ninguém mais conseguirá lhe deter, pois irá encarar a vida com bastante coragem e determinação.

Há de se realçar, todavia, que é de fundamental importância ressaltar que todo ser humano deve sempre manter a coerência do que pensa em relação ao que faz. Isto é o cerne da questão; conseqüentemente, a maneira como procedemos pode se tornar em um verdadeiro “gargalo”, impedindo-nos assim de alcançar os nossos objetivos.

É de extrema importância frisar que a vida é uma só, e é sua. Sendo assim, tendo clareza do que se almeja, você é a pessoa mais indicada para definir que percurso da caminhada percorrer, e se faz ou não mudança quanto à rota bem como quais estratégias a serem utilizadas, uma vez que é você quem deve definir o seu destino.

Pois bem, na vida encontramos inúmeros obstáculos, e estes, se bem conduzidos, se tornam barreiras transponíveis, nos conduzindo ao desenvolvimento e ao crescimento; logo, o que importa são as maneiras como reagimos a cada obstáculo enfrentado. O seu comportamento, bem como a sua atitude diante dos “entraves” encontrados no decorrer da caminhada é que definirão o seu “trajeto”.

Para esse propósito, o modo positivo e otimista de lidar com a situação, bem como a disposição e a “bravura” no decorrer da “luta” não se deixando se abater em momento algum diante de quaisquer obstáculos, serão, além de cruciais, determinantes no que tange à sua chegada ao “pódio”.

Neste contexto, é preciso perceber que cada momento de nossa vida é único. Assim, valorizar o momento vivido é de fundamental importância e, por conseguinte, a vida passa a ter uma conotação diferenciada, as pessoas se respeitam e se amam muito mais, descobrindo uma nova maneira de viver, dando um novo “colorido” à sua vida, encarando todo e qualquer problema com muita garra e vontade de vencer, passando a agir sem medo e/ou qualquer temor, mas de cabeça erguida e com muita disposição de reverter a situação vivida.

Somados a isso, é importante perceber que cada momento, mesmo sendo árduo, tem sua devida importância, e que através das nossas falhas e erros, amadurecemos e crescemos muito. É crucial entender que toda e qualquer falha ou erro que cometemos deve servir como aprendizado. Quem não aprende com os próprios erros ou falhas está condenado a repeti-los e, então, deverá arcar com as conseqüências.

Diante de todo o exposto salientamos que, quando assumimos uma postura otimista diante da vida, não damos “brecha” alguma para que o medo possa nos “assombrar”; por conseqüência, enfrentamos a situação tendo uma visão “clara” diante dos fatos, o que nos ajuda e muito a pensar sobre as estratégias de como atuar.

Nessa senda observamos que, além da nossa maneira de pensar, existem ferramentas que são determinantes nessa empreitada; dentre estas poderemos citar: o planejamento, a fé, a autoconfiança, a convicção, o otimismo, o autoconhecimento, a vontade de vencer, assim como a nossa garra, motivação, coragem e esperança.

De fato, é importante enxergar que a vida nos testa e nos atesta o tempo todo. Para enfrentá-la é preciso que tenhamos muita sabedoria e disposição. É fundamental atrelarmos esses pré-requisitos à coragem, para que assim possamos tomar as rédeas de nosso próprio destino e controlá-lo sem deixar que sejamos influenciados. Devemos igualmente enfrentar toda e qualquer situação sem entrar em pânico, com equilíbrio e postura otimista, não nos deixando abater, e muito menos nos prostrarmos diante das adversidades e das “amargas experiências” que porventura a vida nos possa oferecer, tendo a capacidade de seguirmos em frente, mesmo em meio à “tempestade”.

Ante a este contexto, torna-se de suma importância cultivar a certeza de que lutaremos, mas que também alcançaremos o alvo. Pensar assim é fator sine qua non para se alcançar o sucesso, pois devemos em todo instante lembrar que os obstáculos encontram-se armazenados em nossa mente. Em síntese, a partir do momento em que desejamos e decidimos vencer, os limites anteriormente estabelecidos serão superados, deixando de existir. Sem essa certeza, a caminhada fica pesada, íngreme, árdua e corre-se o risco de não somente resvalar, mas de cair e se machucar.

A santa que nunca foi santa


Pedro Coimbra


Ela nasceu em uma grande fazenda denominada Segredo, nas fraldas da Serra do Carrapato. As terras de seu pai, Coronel Anselmo, se perdiam de vista, num suceder de vales, planícies e montes. Dedicadas à mineração, à criação de gado e ao plantio de café as propriedades só prosperavam.
Aos pés de uma árvore de óleo balsamo ele ergueu um enorme casarão, adequado ao seu poderio. No andar superior os cômodos familiares, uma grande sala, a copa e a cozinha. Nos porões alojavam-se os escravos sempre escolhidos como muito cuidado nos leilões e trazidos para trabalhar diante do maior rigor.
Coronel Anselmo era considerado pelas cercanias um homem mau, que abusava das negras e vivia a fazer malvadezas com os negrinhos. Era pai de seis filhas e a última delas era Lia, que nasceu fora do tempo e foi criada no meio dos grandes seios de uma mulher que os brancos chamavam Maria e os negros de Yao.
Era uma menininha de cabelos alourados e encaracolados, com uma perna definhada, que andava pelos cantos do casarão, ensimesmada.
Naquela época as revoltas dos escravos, principalmente dos que viviam do trabalho na mineração eram comuns em todas as Vilas e lugarejos. Foi o que aconteceu na Fazenda Segredo numa noite sem lua. Os escravos fugiram das senzalas, mataram o Coronel Anselmo, seus familiares e incendiaram o casarão.
Só Sá Lia escapou no que foi considerado seu primeiro milagre. Andou por entre as barricas de sal que os revoltosos haviam espalhado pelo chão para que nada mais surgisse naquele lugar amaldiçoado. Pouco a pouco foi aprendendo a sobreviver de raízes que encontrava e de insetos.
Depois sentava-se num tronco, coberta de andrajos e punha-se a murmurar ladainhas ininteligíveis. As negras escravas trazidas por Yao, saiam de um quilombo formado nas cercanias e entregavam os seus rebentos para serem curados das doenças do dia a dia.
Seu segundo grande milagre foi tirar das mãos dos capitães do mato e dos aventureiros franceses um líder negro do quilombo chamado Belisário. Diziam que Sá Lia o salvara voando por cima do acampamento.
Um padre alemão, Cônego Francisco, condoído com sua vida sofrida a levou para morar na sua casa na Vila e colocou-a a fazer trabalhos domésticos e cuidar das coisas da Igreja. Mesmo assim filas de formavam as suas portas para que benzesse as pessoas de todos os males.
Numa missa vespertina aconteceu seu grande milagre, pelo qual seria para sempre lembrada. No momento da comunhão vários fiéis testemunharam que cascatas de sangue jorraram sobre sua cabeça. Deixou de ser Sá Lia e passou a ser denominada Santa Lia, sobre cuja cabeça caiam constantemente pétalas de rosa branca.
Cônego Francisco, a quem toda aquela movimentação desagradava muitas vezes acabou por construir uma capelinha no alto de um morro e um casebre para abrigar Santa Lia. Ela viveu por muitos anos e despediu-se deste Vale de Lágrimas já centenária, nos braços da multidão.
Os anos se passaram e muito antes das autoridades eclesiásticas determinarem um processo de santificação que todos os fiéis ansiavam, um advogado e jornalista, Jacinto Melo, que escrevia num jornal da capital, resolveu investigar a vida de Santa Lia.
Seu artigo repercutiu como uma bomba a começar pela manchete: “A santa que nunca foi santa”. Dissecava cada um dos milagres a ela atribuídos, a começar pelo de sua salvação quando da revolta dos escravos que tudo dizimaram. A garotinha fora acordada pela negra Yao e se escondera numa arca de jacarandá até o morticínio acabar. Não conhecia nenhuma oração especial e seus murmúrios continham palavras desconexas. Não levara pelos ares Belisário que saiu de sua prisão mercê de muitas mortes de seus companheiros. O grande milagre ocorreu num dia que a igreja estava vazia, com o Cônego Francisco e mais duas beatas. As versões para o fato eram contraditórias e o sacerdote nunca aceitou que algo sobrenatural houvesse acontecido. Ao contrário do que podia parecer Santa Lia tinha muitas ligações com os grupos políticos que dominavam a região...
A grande revelação do jornalista era que tivera acesso a cartas que Cônego Francisco deixara ao morrer, que comprovavam sua situação de amásio de Sá Lia, que resultou em pelo menos três rebentos.
Jacinto Melo foi execrado e sumiu na história, sendo que muitos atribuíam sua morte prematura a “aquela doença ruim”.
Para Santa Lia não ouve processo de beatificação ou santificação, mas até hoje, centena de milhares de devotos peregrinam até a sua capela...

Voto Limpo

Empate no STF sobre a Lei da “Ficha Limpa”:
Ela estaria vigendo já para esta eleição? Ela é um “arremedo de lei”?
Então: persistindo esse impasse até depois das eleições, o voto para seu candidato valerá?

Bem, a pergunta não deveria ser essa, mas: porque você votaria em alguém que, agora ou depois, foi ou poderia ser tornado inelegível por esta ou outra lei, que vise a moralizar o acesso aos Três Poderes?

A essa pergunta, outras poderiam ser agregadas:
Você vota nele por amizade, interesse pessoal, coação partidária ou religiosa, protesto ou o quê, que não seja acreditar na honestidade e competência do candidato? Você o defende com unhas e dentes? E com a sua consciência? Você é cabo eleitoral, “pau mandado” ou “de galinheiro”, convicto, de algum deles?
Essas perguntas são necessárias porque, parafraseando o antigo ditado, nós somos responsáveis pelo “Mateus” que parimos ou adotamos! No caso de eleição, quando apoiamos ou votamos num indivíduo que está ou poderia estar enquadrado nesta lei assumimos, declarada ou anonimamente, a condição de cúmplices de seus atos. Quando o reelegemos, então...
Há muito tempo atrás, havia um lema oficioso de campanha que afirmava: “Rouba, mas faz!”.

É só isso que podemos esperar de quem escolhe a política?
Tenho certeza absoluta que não, e existem bons exemplos disso!
Mas, como quem adota esse lema chega “lá”? Pelo voto ou pela indicação de quem foi eleito! E como as urnas eletrônicas reduziram a níveis desprezíveis o risco de fraude eleitoral, não há desculpa: o nosso voto é o grande responsável por todas as consequências!

Pense bem: quando seguidos levantamentos internacionais apontam o Brasil como um dos países mais corruptos do mundo, quem você acha que está sendo julgado por isso?
E aí, a Lei da “Ficha Limpa” valerá ou não para essa ou outra eleição?
A resposta deveria vir de outra pergunta:
Precisa de lei para orientar quem tem consciência limpa, ou para identificar quem enriquece ilicitamente, pratica nepotismo ou desvia verbas que deveriam ser aplicadas à saúde e educação?

É certo que a propaganda e os discursos eleitorais não ajudam muito a revelar o caráter dos candidatos. Alguns até usam deliberadamente deles para desviar a atenção do eleitor do assunto. O que mais se aproxima dessa necessária revelação é o debate, mas mesmo ele - com todas as regras pré-estipuladas pelas assessorias políticas e orientações de “marketeiros” - também tem sua confiabilidade limitada. Há ainda as denúncias da imprensa, muitas delas plantadas por opositores, traidores ou preteridos.

São verídicas? Bem, isso depende de apuração e não de amordaçamento.
O ideal, embora nem sempre possível, é conhecer muito bem o candidato. E se você o conhece bem, inclusive o que o desabona moral e eticamente, e vota nele, como justificar, depois?

Valendo ou não a Lei da “Ficha Limpa”, o que realmente serve e vai levar o Brasil a um novo e necessário patamar de confiabilidade interna e externa é o voto de consciência limpa. E para isso não precisa de lei!

POÉTICA INFANTIL ...@(0.0)@... MEU TRENZINHO !




CEDECA RJ lança cartilha de educação política para adolescentes com participação do cientista político Jairo Nicolau

  Publicação “Quem cuida… da minha cidade? do meu estado? do meu país?” explica, em linguagem acessível, o funcionamento dos cargos político...