quinta-feira, 26 de maio de 2011

Campanha defende aumento de recursos para educação em audiência pública sobre financiamento do PNE

Expositores ligados à Campanha Nacional pelo Direito à Educação defenderam 10% do PIB para educação, na 3ª audiência pública da Comissão Especial do Plano Nacional de Educação (PL 8035/2010), realizada na tarde desta quarta-feira, 25/5/2011, na Câmara dos Deputados, em Brasília


A terceira audiência pública da Comissão Especial que analisa o PL 8035/2010 (Plano Nacional de Educação 2011-2020) tratou do financiamento necessário para o cumprimento do Plano.
A Campanha Nacional pelo Direito à Educação, que participou comoexpositora da primeira audiência da Comissão articulou a presença de vários de seus membros nesta sessão, como os professores José Marcelino Rezende Pinto, da Universidade de São Paulo, e Nelson Cardoso Amaral, da Universidade Federal de Goiás. A presidenta da Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e integrante do Comitê Diretivo da Campanha, Cleuza Repulho, também foi expositora.
A primeira exposição, do economista Jorge Abrahão de Castro, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), mostrou uma análise dos indicadores educacionais brasileiros no período de 1995 a 2009. De acordo com o economista, apesar dos avanços no acesso à educação, de 1995 a 2005 observa-se instabilidade de prioridade macroeconômica, ou seja, o percentual do PIB (Produto Interno Bruto) que a educação teve no período foi muito pequeno. De 2005 a 2009 esse quadro mudou, com crescimento de gastos na área, chegando a um patamar de 4,8%. No entanto, Jorge Abrahão chama atenção para a persistência das desigualdades educacionais, que se revelam nos indicadores de renda e de localização regional, entre outras. “O gasto público em educação promove um ciclo econômico positivo, com efeito no crescimento da economia, na distribuição de renda, e na diminuição das desigualdades, entre outros aspectos”, ressaltou Jorge.
Já o secretário de Educação de Goiás e representante do Consed (Conselho Nacional de Secretários de Educação), Thiago Peixoto, destacou que em 2009, o investimento público direto em educação correspondeu a 5% do PIB, sendo que União contribuiu com 19,7% desse montante, os Estados e Distrito Federal com 41,2% e os Municípios com 39,1%. “Esperamos que o Plano defina claramente quais as responsabilidades de cada ente federado com relação a cada uma das metas e quanto cada uma delas custará. Lembramos também que se a meta 20 [financiamento] não for adequada, pode prejudicar a implementação do Plano. Por fim, destaco que qualquer proposta precisa considerar a necessidade de aumentar os investimentos por parte da União”, concluiu.
O financiamento necessário para os desafios da educação – O professor José Marcelino Rezende Pinto, da USP, ativista e colaborador da Campanha e um dos autores do CAQi (Custo Aluno Qualidade Inicial)  ressaltou que, para definir o financiamento necessário para o PNE, é preciso ter uma noção clara do tamanho dos desafios da educação brasileira. Um deles é garantir 12 anos de estudo (o equivalente ao ensino médio) para a população na faixa etária de 18 a 24 anos. Estima-se que 14 milhões de pessoas nessa faixa necessitam de um ou mais anos de estudo para alcançar essa meta.
As matrículas de creche devem saltar dos pouco mais de 2 milhões atuais de crianças matriculadas para quase 4,7 milhões em 2020. Para o total da educação básica, o salto deve ser das atuais 52 milhões de matrículas para quase 61 milhões em 2020. Levando em conta esses e outros números, como a proposta de CAQi, Marcelino calcula que em 2016, o gasto com educação no Brasil deveria ser equivalente a 7,67% do PIB, devendo alcançar 10,01% do PIB em 2020, já considerando a dinâmica populacional.
O pesquisador mostrou ainda que a carga tributária brasileira corresponde a 35% de seu PIB. No entanto, de cada 100 reais arrecadados, a União fica com 58 reais, os Estados com 26 reais e os Municípios com 16 reais. “Quem paga a conta? Não podemos jogar essa conta para as famílias. Se o Estado não arcar, os mais pobres continuarão excluídos. Entendemos que 10% do PIB para educação é cabível nesse cenário”, defendeu Marcelino.
Novos velhos erros – Em sua exposição na audiência, a secretária municipal de educação de São Bernardo do Campo e presidenta da Undime, Cleuza Repulho, lembrou que apenas 20% dos 5565 municípios brasileiros possuem arrecadação própria, reforçando a defesa de que é preciso destinar mais recursos da União para educação no Brasil. A secretária apontou como principais críticas ao PL 8035 as limitações de financiamento que inviabilizam o cumprimento das metas, a ausência de metas intermediárias que permitam monitorar a implementação do Plano e a falta de definição do papel de cada ente federado.
Segundo Cleuza, pesquisa inédita feita por Undime, Unicef e Fundação Itaú Social revela que os dados apresentados pelo Siope (Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação) são muito diferentes do que os gastos reais em educação. Ela explicitou que os dados desse sistema não podem e não devem ser usados como parâmetro para o PNE. “Se os dados do Siope fossem usados, já faltariam 8,6 bilhões de reais para cumprir somente a meta 1 [ampliação de atendimento na educação infantil]”. Os dados do Siope foram utilizados pelo MEC para justificar sua proposta tímida de aplicar em educação 7% do PIB até 2020.
“Já vimos que o veto ao financiamento no PNE anterior impediu o cumprimento das metas e tem impacto negativo até hoje. Não podemos repetir esse erro. Como dizia Celso Daniel [prefeito de Santo André, no ABC paulista, de 1997 a janeiro de 2002, quando foi assassinado], podemos cometer erros novos, mas os velhos jamais”, alertou Cleuza.
Desfazendo mitos – O professor Nelson Cardoso do Amaral, da Universidade Federal de Goiás, esclareceu que utilizar o PIB como referência de investimento em educação pode ser uma armadilha, quando não se considera outros dados da economia dos países. Segundo o professor, dados da Agência de Inteligência Americana mostram que a Bolívia aplica 6,4% de seu PIB em Educação, enquanto o Canadá aplica 5,2%. Mas isso significa 2,9 bilhões de dólares na Bolívia e 66,5 bilhões de dólares no Canadá, sendo que a Bolívia gasta 695 dólares por estudante ao ano e o Canadá 7.731 dólares por cidadão. “Se aplicasse 7% do PIB o Brasil chegaria a um patamar de 1.678 dólares por habitante. Com 10% chegaria a 2.397 dólares por pessoa, ainda nada comparável com os países desenvolvidos, sendo que nossos desafios educacionais são muito maiores do que nesses países”, aponta Nelson.  
 Síndrome de Carolina – Citando dados do Ipea (Comunicado 14 de 12/11/2008), o deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) enfatizou que de 2000 a 2007, o país destinou R$ 1,267 trilhões para o serviço da dívida pública e apenas R$ 149 bilhões para educação. “Diante desses números, quem afirma que o Brasil não tem capacidade fiscal para garantir 10% do PIB para educação mente ou está desinformado”, provocou. Em entrevista à Campanha Nacional pelo Direito à Educação logo depois da audiência, o deputado Paulo Rubem disse que o Brasil sofre do que ele chama de “síndrome de Carolina”, referindo-se ao trecho da canção de Chico Buarque (“O tempo passou na janela e só Carolina não viu...”).
O presidente da Comissão Especial do PNE, deputado Gastão Vieira (PMDB/MA), encerrou a audiência se comprometendo a receber insumos técnicos que mostrem a necessidade de ampliar o financiamento educacional a partir do PNE.
Para o coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, a audiência “comprovou que as notas técnicas do MEC são frágeis tecnicamente e que é preciso mais de 7% do PIB, em investimento público direto, para garantir a necessária expansão da educação pública, fundamentada em um padrão mínimo de qualidade”.
Destaques da audiência
“Os países ricos aplicam cerca de 20% do PIB per capita em cada um de seus alunos. No Brasil, esse patamar não ultrapassa os 11%, embora o MEC tenha divulgado que chegou a 19%”, José Marcelino Rezende Pinto, professor da USP, ativista e colaborador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação
“É importante aplicar o CAQi, ou passaremos os próximos dez anos discutindo a divisão dos recursos que temos, e não os recursos que precisamos para incluir todas as crianças, jovens e adultos e oferecer educação de qualidade para todas e todos”, Cleuza Repulho, secretária de educação de São Bernardo do Campo e presidenta da Undime. 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Exposição virtual leva manuscritos para as salas de aula


O Arquivo Público do Estado de São Paulo, órgão vinculado à Casa Civil, acaba de lançar a exposição virtual “Manuscritos na História”, com o objetivo de mostrar as mudanças pelas quais o documento manuscrito passou ao longo do tempo. Ao todo são 145 manuscritos, digitalizados especialmente para esta exposição, que foram escolhidos entre os aproximadamente   9 mil metros lineares de documentos sobre a História de São Paulo que fazem parte do acervo da instituição.

Dividida em dez ambientes, a exposição traz diversos tipos de manuscritos, tanto particulares quanto públicos. O documento mais antigo é um testamento de 1707, enquanto que o mais "recente" é uma certidão de nascimento do ano de 1942. Também são encontradas cartas, ofícios, inventários, documentos de identidade, autuações, processos judiciais, requerimentos etc. Documentos bastante diferentes, mas com algo em comum: o fato de terem sido escritos à mão.

"Manuscritos na História" é voltada para professores e estudantes de Ensino Básico e demais interessados no tema, podendo ser aproveitada tanto no ensino de História, quanto em outras disciplinas, como a Língua Portuguesa. Uma das propostas da exposição virtual é promover o uso dos manuscritos históricos como recurso didático. Para isso, a exposição conta com nove sugestões de atividades pedagógicas que trazem documentos de época para serem analisados pelos alunos.

A exposição virtual traz atividades indicadas para alunos do 6º ano do Ensino Fundamental, mas que podem ser trabalhadas em outros anos escolares, a critério do professor. Completam a exposição uma seleção de fontes primárias, que traz mais documentos de época, e uma bibliografia com textos sobre o assunto.

A exposição virtual "Manuscritos da História" ficará disponível permanentemente no site do Arquivo Público do Estado de São Paulo. Acesse pelo site:
 http://www.arquivoestado.sp. gov.br/exposicao_manuscrito 

terça-feira, 24 de maio de 2011

Na TV Cultura: Wlamir Marques, maior jogador brasileiro de basquete, está no Grandes Momentos do Esporte

 

Maior jogador brasileiro de basquete de todos os tempos está no Grandes Momentos do Esporte

 

O bicampeão mundial Wlamir Marques dá entrevista para o programa desta quarta-feira (25/5), na TV Cultura

São Paulo, 24 de maio de 2011 – Ele liderou a geração mais vitoriosa do basquete brasileiro nas décadas de 50 e 60. Wlamir Marques carrega dois bicampeonatos mundiais, jogando pela Seleção Brasileira, um em 1959 e outro em 1963. O programa Grandes Momentos do Esporte desta quarta-feira (25/5), às 20h45, na TV Cultura, traz uma entrevista com o atleta considerado o maior jogador de basquete do Brasil de todos os tempos.

Wlamir começou a jogar aos 10 anos e encerrou a carreira esportiva aos 36. Ele já dava espetáculos na quadra ao estilo Michael Jordan, ex-jogador de basquete norte-americano, muito antes dele. Marques soma inúmeras vitórias e esta edição do programa mostra imagens raras de arquivo.

Entre outros assuntos, a atração comenta o jogo do Santos contra o Cerro Porteño (do Paraguai), que acontece nesta quarta-feira, pela Taça Libertadores. E os três gols mais bonitos da primeira rodada do Campeonato Brasileiro também podem ser revistos no programa.

Com apresentação de Vladir Lemos, Grandes Momentos do Esporte conta com os comentaristas Carlos Alberto Torres e Michel Laurent. Este último comanda o quadro Causos do futebol, sempre com uma história interessante.

Exibição: Quarta-feira, 25 de maio, às 20h45

 

 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

EM TEUS OLHOS FLORESTAS



EM TEUS OLHOS FLORESTAS


Em teus olhos florestas
acendem palavras
demarcadas pelo espanto do invasor

O riso é flor em marcha
d’alma envolvida em dor

Em tua boca o território
se recolhe à taba
e escondes tua nudez
como fosse praga

A cicatriz já foi posta
em tua alma mata
e tua garganta vomita canções
de saudades vindas
e um passado que não deságua

Vontade de ser mãe
terra saudade da ausência
de quem ficou
nos limites extremos
entre a civilização e a farsa
e a falta de pudor
do explorador

A tua tribo se levanta
e o arco alcança
a flecha que não foi
arremessada atinge
o sangue do arremessador
-a submissão do braço
não confessa a fervura
da idéia

E teu canto graúna
assume a bravura
de uma graça que não era
para a guerra

Hideraldo Montenegro
http://hideraldo.montenegro.zip.net/

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Gramática? O que é isso?

Sabemos que na gramática se reúne o conjunto de normas que regula uma língua.De tempos em tempos os gramáticos atualizam essas normas visando aproximar a língua viva da própria gramática.

Faculdade de Educação da Uerj especializa em educação inclusiva

Com o objetivo de capacitar educadores do ensino especial e regular e demais profissionais para atuar com alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, tendo por ênfase sua inclusão no ensino comum, a Faculdade de Educação da Uerj oferece a Especialização em Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

 

Seu programa inclui: Políticas Públicas e modelos de atendimento para alunos com necessidades educacionais especiais; Educação Inclusiva no cotidiano escolar; Aspectos Psicossociais do processo de inclusão de indivíduos com necessidades educacionais especiais; Esquema e imagem corporal na comunicação e processos de inclusão; entre outros temas.

 

As aulas acontecem às sextas-feiras, das 13h às 19h, entre 05 de agosto de 2011 a 31 de agosto de 2012. Há taxa de seleção de R$ 60,00. Seu valor é de dezessete parcelas de R$ 320,00

 

As inscrições devem ser feitas no site do Centro de Produção da Uerj (Cepuerj) www.cepuerj.uerj.br, até 02 de junho. Mais informações, envie um e-mail para cepuerj@uerj.br ou telefone (21) 2334-0639. 

 

Como abordar a homossexualidade


Filhos homossexuais
Convivendo com as diferenças

 

         No início do mês de maio, o Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, que casais homossexuais têm direitos semelhantes aos de pares heterossexuais. Em que pese alguns posicionamentos em contrário, a decisão foi bem recebida no país e representa um importante passo em direção à tolerância e ao respeito às diferenças.

         Embora muitos considerem-se favoráveis à união homossexual, o preconceito ainda permeia a sociedade e há muitas dúvidas sobre o assunto, especialmente quando ele surge dentro da família. A psicóloga Maria Rocha, do Colégio Ápice, na região do Morumbi, em São Paulo , explica que a origem do preconceito contra homossexuais está ligada especialmente à colonização européia e a questões religiosas. O panorama, contudo, está mudando: "O povo brasileiro, talvez por ter muita miscigenação, adquiriu a capacidade de aceitar o diferente com mais naturalidade".

         De acordo com a especialista, a opção sexual define-se na puberdade, quando surge o interesse pelo outro e pela relação sexual. "O que se observa desde a mais tenra idade são comportamentos e interesses voltados ao que se aceita socialmente como universo feminino ou masculino. Isto depende da cultura em que o indivíduo está inserido, isto é, o que socialmente é aceito como padrão", diz Maria.

         A especialista afirma que os pais não devem impedir o contato dos filhos com homossexuais tampouco reprimir ações consideradas do outro sexo, como impedir o filho de brincar com bonecas. "Nas situações imaginárias ou esportivas não é a preferência sexual que está em jogo e sim seu desenvolvimento social e a formação do eu", explica Maria. "O que determina a homossexualidade é a opção sexual e não os comportamentos mais femininos ou masculinos, que a cultura considera como aceitáveis".

 

Esclarecendo dúvidas

 

          Alguns pais sentem-se incomodados quando vêem seus filhos convivendo com homossexuais. Para Maria Rocha, isso não representa um "perigo" à sexualidade da criança ou do adolescente: "As preferências sexuais não são ditadas por imitação. A construção da identidade ocorre das diferentes relações sociais que a criança vivencia, portanto, conviver com homossexuais não é fator determinante para esta ou aquela escolha".

         Caso os pais observem que o jovem tem preferência por parceiros do mesmo sexo, devem conversar, aceitando com naturalidade, a escolha do filho ou filha. "O jovem também tem conflitos por ser 'diferente'. A aceitação da família contribui para que possam ser resolvidos de maneira mais suave", diz Maria.

         Como o preconceito ainda é inevitável, os pais precisam conversar com o filho e deixá-lo expressar seus sentimentos e angústias sem repressão. "Se os pais tiverem dificuldade de fazer este papel, podem sugerir a um parente mais próximo ou mesmo procurarem um psicólogo, sempre com a concordância do jovem", recomenda a especialista.

         O essencial, independente da idade ou da orientação sexual dos filhos, é estimular o respeito à diversidade. Os pais devem explicar a homossexualidade sempre com naturalidade. Maria explica: "São escolhas individuais e que devemos sempre respeitar. As pessoas não são iguais, pensam e agem de formas diferentes".

 

Box de recomendações:

 

·         Estimule a tolerância: faça o respeito às diferenças prevalecer entre os valores da família.

·         Deixe brincar: permita à criança brincar com o que quiser, independente de ser brinquedo ou atividade "de menino" ou "de menina".

·         Homossexualidade não é contagiosa: as crianças não devem ser impedidas de relacionar-se com adultos homossexuais, pois isso estimula o preconceito.

·         Aceite as decisões: se um adolescente manifestar interesses por parceiros do mesmo sexo, estabeleça um diálogo e aceite naturalmente a decisão do filho.

 


Primeiro-cavalheiro e ministros do Suriname integram missão em busca de conhecimentos para alimentar seu povo

  Comitiva conheceu tecnologias da Embrapa Cerrados que levaram ao desenvolvimento da agricultura tropical. Foto: Alexandre Veloso A visita ...