sexta-feira, 7 de março de 2025

Nova forrageira é ideal para uso em sistemas de integração Lavoura-Pecuária

 

Nova forrageira é ideal para uso em sistemas de integração Lavoura-Pecuária

Cultivar de ervilhaca, denominada de URS BRS Presilha, mostra bom desempenho em diferentes sistemas de produção, além de fixar nitrogênio no solo

 

·         O fato de ser anual confere vantagem à URS BRS Presilha em relação às forrageiras perenes, em contexto de rotação das pastagens com culturas agrícolas.

·         A URS BRS Presilha tem capacidade de fixar nitrogênio atmosférico no solo, a partir da simbiose com bactérias do gênero Rhizobium.

·         A nova cultivar de ervilhaca apresenta sementes grandes, o que facilita a semeadura mesmo sobre outras pastagens já estabelecidas.

·         A cultivar URS BRS Presilha se encaixa em diferentes sistemas de produção, como cobertura verde e em consorciação com outras forrageiras.

·         Produtores destacam ainda o potencial para conservação e uso sustentável do solo proporcionado pela ervilhaca.

 

Uma nova cultivar de ervilhaca (Vicia sativa L.) agrega produtividade e sustentabilidade à pecuária de corte no País. Desenvolvida em parceria entre a Embrapa, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e a Associação Sul-brasileira para o Fomento de Pesquisa em Forrageira (Sulpasto), a URS BRS Presilha é uma cultivar forrageira com grande potencial para compor sistemas de integração Lavoura-Pecuária (ILP), tanto em pastejo, quanto na cobertura do solo. Isso porque a espécie é uma leguminosa anual de clima temperado, em contraponto à maioria dos trevos, cornichão e alfafa, que são perenes.

“Isso ajudou a posicionar a ervilhaca principalmente em áreas de integração Lavoura-Pecuária, onde até hoje os produtores relutam em investir em espécies forrageiras perenes pelo fato da rotação anual das pastagens com culturas agrícolas”, explica o pesquisador da Embrapa Pecuária SulDaniel Montardo, um dos responsáveis pelo desenvolvimento da cultiva

Pesquisa, preservação e políticas públicas: passos rumo à sustentabilidade na cadeia do Baru

 Foto: Cintia Galdeano

Cintia Galdeano -

“Queremos entender a cadeia de valor de diversos frutos do Cerrado e o baru é um dos principais. Nossa preocupação é com a preservação desse bioma. E acreditamos que a integração entre agricultura, pecuária e floresta é o caminho para alcançar esse objetivo”. A afirmação é de Werner Bessa, diretor de Estudos e Políticas Ambientais e Territoriais do Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF), durante visita à Embrapa Cerrados.

Acompanhado de servidores e bolsistas do IPEDF, antiga Codeplan, Bessa e o grupo se reuniram com parte da equipe da Embrapa Cerrados para conhecer de perto as pesquisas relacionadas ao baru. “Nosso objetivo ao interagir com os especialistas da Embrapa Cerrados é promover uma troca de conhecimento. O IPEDF tem a missão de fornecer informações à alta gestão do governo local, para garantir que as decisões sejam baseadas em dados concretos. Nada melhor do que estar aqui neste dia”, afirmou o diretor.

O instituto conduz o projeto “Caminhos da Restauração e Valoração de Produtos Florestais Não Madeireiros”, que visa aprofundar o entendimento sobre essas cadeias produtivas e auxiliar na implementação de políticas públicas, como a alimentação de estudantes da rede pública de ensino. Leia aqui mais informações sobre esse projeto.

O grupo do IPEDF foi recebido no dia 19 de fevereiro na sede da Embrapa Cerrados, localizada em Planaltina-DF, pela pesquisadora Helenice Gonçalves, responsável pelo projeto “Intensificação Sustentável do Cultivo e Qualidade Alimentar do Baruzeiro”. “A presença de vocês aqui é essencial para nós”, afirmou Helenice, ressaltando a importância das parcerias para o sucesso das pesquisas.

“Nosso projeto está entrando no último ano de sua fase operacional, mas, como o baru é uma espécie perene, esperamos que o trabalho continue”, completou. Helenice explicou que o baru, juntamente com outras espécies nativas como o pequi, cagaita, araticum e mangaba, está entre as prioridades da Embrapa Cerrados. “Por questões financeiras e de pessoal, estamos focando mais no baru e no pequi recentemente”, destacou.

Ela também informou que o baru integra o Programa de Domesticação das Espécies Nativas, iniciado em 2019 com o projeto “Seleção e Manejo de Fruteiras Nativas do Cerrado para Utilização em Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)”. “Avançamos bastante nesse projeto; sistemas integrados são uma realidade”, afirmou.

Atualmente, a Embrapa Cerrados tem pelo menos cinco ensaios em campo com resultados promissores. “Nossa unidade é referência da Embrapa quando o assunto é o baru”, acrescentou Helenice. Entre os experimentos em andamento, estão a seleção genética, testes de adubação, semeadura direta, fitossanidade, irrigação e espaçamento, visando oferecer alternativas para os produtores conforme o que podem investir em suas propriedades.

Durante a visita, a pesquisadora apresentou diversas alternativas de uso do baru, destacando que “do fruto do baruzeiro se aproveita tudo”. Segundo ela, além da amêndoa, altamente nutritiva, a polpa pode ser consumida in natura ou utilizada em receitas e a casca e outros resíduos podem ser aproveitados na agricultura, compostagem e até em processos de bioenergia; além do uso dessas partes na produção de artesanato.

Também participaram da visita os pesquisadores Júlio César dos Reis, Carlos Eduardo Lazarini e Tadeu Graciolli, que recebeu o grupo no experimento que estuda os sistemas de produção de baru com café em consórcios irrigados no Cerrado. “Desde 2022, conduzo esse experimento de baru irrigado, uma das poucas experiências agrícolas com baru. A área está indo muito bem, com alto potencial de desempenho, e acredito que teremos muitas informações valiosas a partir daqui”, disse Graciolli.

Ele também enfatizou a importância de se considerar a fruticultura como um investimento a longo prazo. “A fruticultura deve ser sempre consorciada desde o início, pois é um investimento de longo prazo, e o pequeno produtor só entra se conseguir movimentar o fluxo de caixa”, concluiu.

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados

quinta-feira, 6 de março de 2025

Banco Central muda regras do Pix para garantir mais segurança

 O Banco Central (BC) alterou o regulamento do Pix para excluir chaves de pessoas e de empresas cuja situação não esteja regular na Receita Federal. Segundo a autoridade monetária, a medida visa aprimorar a segurança das transações e impedir a aplicação de golpes via Pix, utilizando nomes diferentes daqueles armazenados na base de dados da Receita Federal.

A norma, publicada nesta quinta-feira (6), determina que CPF com situação cadastral “suspensa”, “cancelada”, “titular falecido” e “nula” não poderá ter chave Pix registrada na base de dados do BC.

No caso das empresas, o CNPJ com situação cadastral “suspensa”, “inapta”, “baixada” e “nula” também não poderá ter chaves Pix registradas na base de dados do BC

O BC ressalta que a inconformidade de CPF e CNPJ que restringirá o uso do Pix não tem relação com o pagamento de tributos, mas apenas com a identificação cadastral do titular do registro na Receita Federal.

Segundo o Banco Central, as mudanças visam exigir que as instituições financeiras e instituições de pagamento participantes do Pix “garantam que os nomes das pessoas e das empresas vinculadas às chaves Pix estejam em conformidade com os nomes registrados nas bases de CPF e de CNPJ da Receita Federal.”

Ainda de acordo com o BC, a verificação de conformidade deverá ser efetuada sempre que houver uma operação envolvendo uma chave Pix, como um registro, uma alteração de informações, uma portabilidade ou uma reivindicação de posse.

Pesquisadores usam o coco babaçu para criar alimento similar a hambúrguer

 

 hambúrguer de babaçu agrega nutrição, saúde, segurança alimentar e valorização da cultura regional


A união entre conhecimentos científicos e tradicionais na Amazônia Maranhense resultou em dois novos produtos à base de plantas, que, além de aliarem nutrição, saúde e sustentabilidade, atendem a nichos de mercados crescentes por produtos naturais e ricos em proteína no Brasil. O análogo de hambúrguer de babaçu e a farinha de amêndoas abarcam ainda a marca da inovação tecnológica e social porque foram desenvolvidos em parceria entre cientistas e quebradeiras de coco da região. Essa sinergia de sucesso já havia dado origem a novas formulações de biscoito e de gelado, uma bebida tipo leite e a um análogo do queijo, todos oriundos do coco babaçu.

Para o desenvolvimento desses coprodutos, participaram as mulheres da Cooperativa Mista da Agricultura Familiar e do Extrativismo do Babaçu – Coomavi, em Itapecuru-Mirim, da Associação Clube de Mães Quilombolas Lar de Maria, da comunidade Pedrinhas Clube de Mães em Anajatuba, MA, e ainda da Associação de Quebradeiras de Coco de Chapadinha do Assentamento Canto do Ferreira, em Chapadinha, MA. Como representantes da ciência, fizeram parte dos estudos pesquisadores da Embrapa Maranhão (MA), Embrapa Agroindústria Tropical (CE), Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com a Rede ILPF e financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) no Brasil.

Brasil gera 137,3 mil novos empregos formais em janeiro de 2025

 Quatro dos cinco grupos econômicos tiveram números positivos, com destaque para a indústria, com 70,4 mil novas vagas. País registra estoque de 47,3 milhões de postos com carteira assinada, crescimento de 3,6% em relação a janeiro do ano passado

 

No recorte por gênero, as mulheres ocuparam quase 80% do total de novos postos formais gerados em janeiro. Foto: Secom / PR

 

O Brasil gerou 137.303 postos de trabalho com carteira assinada em janeiro de 2025. O resultado, o melhor dos últimos três meses, é resultado da diferença entre 2,27 milhões de pessoas admitidas e 2,13 milhões de desligamentos em todo o país no período. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) e foram divulgados nesta quarta, 26 de fevereiro, pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Em relação ao estoque total de pessoas empregadas do país, o Brasil registra 47,3 milhões de empregos formais, crescimento de 3,6% em relação a janeiro do ano passado.
 

“São 137 mil postos formais gerados no mês, empregos que impulsionam a economia. Começamos o ano com geração de empregos de qualidade e queremos manter esse crescimento ao longo de 2025, com a expectativa de alcançar o patamar de 2024”, afirmou o ministro Luiz Marinho (Trabalho e Emprego).
 

SETORES – Quatro dos cinco grandes grupos de atividades econômicas registraram números positivos no primeiro mês do ano. Destaque para a Indústria, que respondeu pela criação de 70,4 mil vagas. Em seguida aparecem Serviços (45,1 mil), Construção (38,3 mil) e Agropecuária (35,7 mil). Apenas o Comércio apresentou desempenho negativo, com -52,4 mil vagas.

 

Os principais dados do Novo Caged referente a janeiro de 2025


REGIÕES – Quatro das cinco regiões registraram saldo positivo em janeiro. O Sul foi a maior geradora de emprego no mês, com 65.712 postos. Em seguida aparecem as regiões Centro-Oeste (44.363), Sudeste (27.756) e Norte (1.932). Somente o Nordeste registrou desempenho negativo no mês (-2.671).
 

ESTADOS — Em janeiro, 17 das 27 unidades da Federação fecharam o mês com saldo positivo. Os estados com maior saldo foram São Paulo (+36.125), Rio Grande do Sul (26.732) e Santa Catarina (+23.062).

CARACTERÍSTICAS – As mulheres ocuparam quase 80% do total de novos postos formais gerados em janeiro. Elas preencheram 109.267 dos novos postos, enquanto os homens ocuparam 28.036 vagas com carteira assinada.
 

ESCOLARIDADE - Em relação à escolaridade, os trabalhadores com ensino médio completo representaram o maior saldo nas contratações em janeiro: 83.798. No que se refere à faixa etária, os empregados entre 18 e 24 anos ocuparam a maior parte das vagas (79.784). O salário médio de admissão no mês passado foi de R$ 2.265,01.
 

Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República

terça-feira, 4 de março de 2025

Dia Mundial da Obesidade: 20% dos cânceres poderiam ser evitados com a perda de peso

 


Hoje, 4 de março, marca o Dia Mundial da Obesidade, uma data criada para aumentar a conscientização sobre uma epidemia global que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. A comorbidade diminui a qualidade de vida e aumenta o risco de desenvolver diversas outras doenças. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados se os pacientes evitassem os fatores de risco no dia a dia. 


De acordo com o médico  Dr. Vital Fernandes Araújo, a condição é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, e não apenas aumenta o risco de doenças mas também está intimamente ligada ao desenvolvimento de vários tipos de câncer, incluindo câncer de mama, cólon, rim, pâncreas e esôfago. 

Vital afirma que nossos hábitos de hoje constroem a saúde de amanhã. “A má alimentação, sedentarismo, ingestão de bebidas alcóolicas, consumo alimentos ultraprocessados e pouca ingestão de água aumentam o risco de desenvolver diversas doenças além da obesidade, como doenças cardiovasculares, pedras nos rins, insuficiência renal, esteatose hepática não alcoólica, cirrose, constipação, síndrome do intestino irritável, depressão e ansiedade. Ainda, a obesidade aumenta os riscos de doenças como osteoartrite, diabetes tipo 2 e problemas de saúde óssea”, alerta o profissional. 

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer analisou diversos estudos em 2016, coletando evidências que comprovaram que a ausência de gordura corporal excessiva reduz o risco de câncer. A OMS também estima que 20% de todos os cânceres possuem alguma relação com a obesidade, alertando sobre os riscos de saúde associados a essa condição. 

Os mecanismos subjacentes a essa associação são complexos, mas incluem inflamação crônica, desequilíbrios hormonais e resistência à insulina, todos os quais podem promover o crescimento de células cancerígenas. A boa notícia é que a obesidade é uma condição evitável e tratável. O médico compartilha algumas dicas importantes para prevenir a obesidade e reduzir o risco de câncer: 

1. Mantenha uma dieta saudável: 

Priorize alimentos ricos em nutrientes, como frutas, legumes, grãos integrais e proteínas magras, enquanto limita a ingestão de alimentos processados, açúcares adicionados e gorduras saturadas. 

2. Exercite-se regularmente:

O exercício físico regular não apenas ajuda a controlar o peso, mas também reduz o risco de câncer. Tente incorporar pelo menos 150 minutos de atividade aeróbica moderada por semana, como caminhar, correr, nadar ou andar de bicicleta. 

3. Evite o consumo de álcool e tabaco:

Evitar essas substâncias é importante para controlar a obesidade devido às calorias vazias fornecidas pelo álcool, que podem levar ao ganho de peso com poucos nutrientes. Além disso, o consumo de álcool pode afetar o metabolismo e influenciar os sinais de fome e saciedade, levando a escolhas alimentares menos saudáveis. O tabagismo também pode influenciar negativamente os hábitos alimentares e a saúde metabólica, tornando mais difícil o controle do peso. O consumo excessivo de ambos está fortemente associado a vários tipos de câncer. Limitar ou evitar essas substâncias pode reduzir significativamente o risco. 

4. Mantenha um peso saudável:

Mantenha-se dentro de uma faixa de peso saudável para sua altura e estrutura corporal. Se você estiver com sobrepeso ou obeso, converse com um profissional de saúde sobre estratégias eficazes para perder peso de forma segura e sustentável. 

Além da prevenção, é essencial que aqueles que já estão lutando contra a obesidade recebam o suporte necessário para gerenciar sua condição. Isso pode incluir orientação nutricional, apoio psicológico, programas de exercícios supervisionados e, em alguns casos, medicamentos prescritos por um médico. O Dia Mundial da Obesidade serve como um lembrete de que a obesidade não é apenas uma questão estética, mas sim uma questão de saúde pública com sérias ramificações. Ao adotar um estilo de vida saudável e procurar tratamento quando necessário, podemos reduzir o impacto da obesidade em nossa saúde e bem-estar.

Sobre Dr. Vital Fernandes Araújo



O Dr. Vital Fernandes Araújo é Médico e se formou pela Universidade Federal da Bahia. Ele é pós-graduado em Medicina Ortomolecular e pós-graduado em Psiquiatria. O médico hoje atua como mentor de médicos e grandes empresários através da sua metodologia que denominou de Integração Neuro Emocional.

segunda-feira, 3 de março de 2025

Embrapa Cerrados articula atuação na aquicultura no Brasil Central

 Foto: Breno Lobato

Breno Lobato - Luiz Eduardo Lima apresentou possibilidades para a pesquisa aquícola no Bioma Cerrado

Luiz Eduardo Lima apresentou possibilidades para a pesquisa aquícola no Bioma Cerrado

Segmento em franca expansão em todo o mundo, a aquicultura passa a ser uma das linhas de atuação da Embrapa Cerrados. Desde o início deste ano, a Unidade tem interagido com potenciais parceiros para discutir possíveis ações de pesquisa e desenvolvimento e de transferência de tecnologia sobre o tema na região do Bioma Cerrado. É o que mostrou o pesquisador Luiz Eduardo Lima, recém-transferido para o centro de pesquisa após 10 anos de atuação na Embrapa Pesca e Aquicultura (TO), em palestra apresentada no dia 24 de fevereiro.

Além de pesquisadores e analistas do centro, estiveram presentes representantes da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural do Distrito Federal (Seagri-DF), da Emater-DF, do Senar-DF, da Federação da Agricultura e Pecuária do DF (FAPE-DF), da Emater Goiás, da Universidade de Brasília (UnB) e da Secretaria Municipal de Agricultura de Formosa (GO).

A aquicultura é a ciência que estuda a produção racional de organismos aquáticos como peixes, moluscos, crustáceos, anfíbios, répteis, algas e plantas aquáticas para consumo humano. “Há uma grande demanda da sociedade e do setor produtivo aqui no DF para que a Embrapa Cerrados também trabalhe na aquicultura, somando-se às instituições que estão aqui e sendo mais um player nessa área, que tem uma geração de renda muito alta e uma capacidade ímpar de integrar diversos sistemas de produção”, disse o chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Unidade, Eduardo Alano.

 

Panorama mundial

De acordo com a última estatística da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a produção mundial de pescados, que engloba a aquicultura e a pesca, foi de 185 milhões de toneladas em 2022, com valor agregado de US$ 452 bilhões. “A cadeia de pescados é a que tem o maior volume entre as cadeias de produção de proteína animal, e é a mais consumida no mundo”, comentou Luiz Eduardo Lima, acrescentando que a evolução da cadeia está relacionada à demanda crescente por pescados. Entre 1961 e 2022, o consumo de pescados tem crescido em média 3% ao ano. “Isso é superior ao crescimento médio de todas as proteínas terrestres combinadas (2,7% ao ano) no mesmo período”, apontou.

O ano de 2002 também marca a primeira vez em que a produção da aquicultura superou a da pesca, estagnada por problemas na exploração dos recursos pesqueiros. O consumo mundial de pescados é de cerca de 20,6 kg/habitante/ano, e tem sido observada a substituição de produtos da pesca por produtos da aquicultura. “É uma oportunidade interessante, pois são produtos que têm rastreabilidade e índices ambientais muito positivos em comparação à pesca”, comentou Lima.

A produção mundial da aquicultura em 2022, ainda de acordo com a FAO, foi de cerca de 130 milhões de toneladas, o correspondente a US$ 312,8 bilhões. Entre 2000 e 2022, a produção aumentou 204,3%, média de 5,2% ao ano. A China é o maior produtor aquícola, com 53 milhões de toneladas, enquanto o Brasil ocupa a 13ª colocação, com 738 mil toneladas produzidas em 2022.

Segundo Lima, as principais razões para o crescimento da atividade aquícola estão relacionadas aos benefícios do consumo de pescados, que contêm proteína de alta digestibilidade e são ricos em minerais, vitaminas e gorduras poli-insaturadas como ômega-3, além de baixos níveis de colesterol e gorduras saturadas. 

Ele explicou que o fato de os organismos aquáticos viverem na água permite menor gasto energético com flutuação e locomoção, e que além de não regularem a temperatura corporal, excretam nitrogênio de forma mais simples que os organismos terrestres. Esses fatores garantem conversões alimentares mais eficientes – enquanto alguns peixes e camarões necessitam consumir menos de 2 kg de alimento para produzirem 1 kg de carne, bovinos necessitam de 3,5 a 9 kg, por exemplo.

O sistema de produção aquícola também tem números atrativos, como a baixa pegada de carbono, o menor uso da terra e os elevados rendimento de carcaça e taxa de retenção proteica.

 

Aquicultura nacional e regional

Ainda pouco relevante no cenário mundial, a aquicultura brasileira tem grande potencial de expansão, segundo o pesquisador. A atividade tem crescido significativamente nos últimos anos. Entre 2000 e 2022, a produção passou de 172 mil toneladas para 738 mil toneladas. O IBGE estimou em R$ 10,2 bilhões o valor da produção nacional para 2023, cifra 16,6% superior à do ano anterior. 

O carro-chefe da aquicultura nacional é a piscicultura de água doce, com produção de 655 mil toneladas (R$ 6,7 bilhões) em 2023, 5,8% superior à do ano anterior. A tilápia é o peixe mais criado no País (67,5% do total), e a produção cresceu 7,6% em relação a 2022. O Brasil já é o quarto maior produtor mundial da espécie. Na produção de animais marinhos, o destaque é a criação de camarões em viveiros (carcinicultura), com produção de 127,5 mil toneladas (R$ 2,6 bilhões) e crescimento de 13% em relação a 2022. 

Os principais estados produtores são Paraná, São Paulo e Rondônia. Entre os estados onde a Embrapa Cerrados atua, Minas Gerais, quarto maior produtor nacional (61,6 mil toneladas em 2023), se destaca na produção de tilápias (58,2 mil toneladas). O município de Morada Nova de Minas, situado às margens da Represa de Três Marias, é o maior produtor de pescados do Brasil, responsável por 3,1% da produção nacional. O estado de Goiás é o 11º produtor nacional (29,8 mil toneladas em 2023), sendo Niquelândia o principal município produtor. 

Já o DF é apenas o 24º maior produtor (2 mil toneladas em 2023). De acordo com levantamento da Emater-DF, o perfil dos piscicultores locais (cerca de 800) é de pequenos produtores em sua maioria, além de haver alguns estabelecimentos de pesque-pague e empresas de médio e grande porte, ocupando uma área de cerca de 80 ha. 

“Mas quando se fala em potencial, o DF tem uma característica muito interessante: ele é o terceiro maior consumidor de pescados (cerca de 14 kg/hab/ano) do Brasil, um pouco atrás do Amazonas e do Pará. É um consumo superior à média de 9 kg/hab/ano do País e acima do preconizado pela Organização Mundial de Saúde, de 12 kg/hab/ano. Porém, ainda está abaixo da média mundial, 20,5 kg/hab/ano”, comentou o pesquisador. 

Apenas 14% das 50 mil toneladas de pescados consumidas no DF em 2023 foram produzidos internamente, enquanto a maior parte (86%) veio de estados como São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Paraná.

 

Possibilidades de atuação no DF

Para desenvolver o potencial de crescimento da aquicultura no Distrito Federal, Lima elencou possíveis estratégias de atuação da Embrapa Cerrados para discussão com as demais entidades. “Apesar dos problemas de licenciamento, tarifários e de crédito que o setor produtivo enfrenta, podemos fazer alguns inputs de inovação tecnológica que possibilitem a adoção de tecnologias pelos produtores para aumentar a produção não só no DF, mas também em Goiás e outros estados”, afirmou.

Ele apontou a aproximação de instituições que já atuam com a aquicultura na região, como a Emater-DF, a Seagri-DF, a UnB, o Senar e o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), para o desenvolvimento de ações em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) em parceria. 

Segundo o pesquisador, essas ações podem ser operacionalizadas com a participação da Unidade em programas e outras iniciativas em andamento, como o Alevinar & ProAqua+, da Seagri-DF; a participação em câmaras (como a Câmara Setorial das Cadeias Produtivas da Aquicultura da Seagri-DF) e outros fóruns técnicos para captação das demandas de PD&I do setor produtivo e das instituições; o envolvimento em ações de transferência de tecnologia, como dias de campo e eventos; e o desenvolvimento de projetos de PD&I em conjunto para atendimento a demandas das instituições, como a criação de peixes em barragens para irrigação (Emater-DF) e o levantamento de indicadores econômicos da tilápia no DF (UnB).

Apesar de a Embrapa Cerrados não contar com instalações para pesquisas em aquicultura, Lima lembrou que infraestruturas existentes podem ser usadas e otimizadas, como as da Emater-DF (Unidade Didática e as Unidades de Referência Tecnológica em Tanques de Ferrocimento, Produção Intensiva, Criação Bifásica de Tilápias e Boas Práticas na Piscicultura), da Seagri-DF (Granja Modelo Ipê), além da possibilidade de realização de pesquisas nas próprias áreas de produtores rurais.

 

Outras possibilidades de atuação

A atuação no estado de Goiás, em parceria com o Instituto Federal Goiano, a Universidade Federal de Goiás, a Universidade Federal de Jataí e a Emater Goiás, entre outras instituições, é também uma das possibilidades de atuação. O pesquisador vislumbrou como oportunidade a Usina Hidrelétrica (UHE) Serra da Mesa, em Niquelândia, o maior reservatório de água do Brasil (54,4 bilhões m3). De acordo com o MPA, a UHE tem 227 cessões de uso e capacidade de produção de 21 mil toneladas de pescado – atualmente, são produzidas pouco mais de 4,2 mil toneladas.

Atuar em Minas Gerais é outra possibilidade, e a Universidade Federal de Minas Gerais, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Codevasf são apontadas como potenciais parceiros. Embora haja tantas possibilidades, Lima pretende dar foco e iniciar com poucos projetos, focando em áreas prioritárias do setor e atuando sempre em parceria com as instituições e os produtores de cada localidade.

 

Avaliação de coprodutos e aproveitamento de efluentes na fertirrigação

Lima trouxe exemplos de trabalhos realizados durante a passagem pela Embrapa Pesca e Aquicultura. Entre eles, avaliação de coprodutos da agricultura e da pecuária como potenciais matérias-primas e aditivos para a alimentação de organismos aquáticos, como o uso de folhas e os pecíolos de mandioca na ração para tambaqui na piscicultura amazônica. O pesquisador estudou, em parceria com a Embrapa Acre (AC), a Embrapa Cerrados e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), a digestibilidade e a determinação dos níveis de inclusão que não prejudiquem o desempenho zootécnico do tambaqui.

Outro exemplo apresentado é o da avaliação de coprodutos da aquicultura que podem ser fornecidos à agricultura, como o uso de subprodutos da indústria de macroalgas como bioestimulantes e biofertilizantes para algumas culturas agrícolas.

Lima mostrou que os efluentes da piscicultura, ricos em nitrogênio e fósforo, podem ser usados na fertirrigação. “O peixe só consegue aproveitar em torno de 30% do nitrogênio e do fósforo incluídos na ração. Os outros 70% são despejados no corpo hídrico, sendo que a maior parcela está na parte solúvel. Então, é possível fazer uma integração com as culturas agrícolas, tanto na escala de pequeno produtor, utilizando tecnologias como o Sisteminha, assim como outras adequadas para escalas maiores”, explicou, acrescentando a possibilidade de uso dos efluentes em sistemas de aquaponia na agricultura familiar e periurbana.

Ele também citou a criação de peixes em barragens e canais de irrigação e o uso dos efluentes na fertirrigação, o que pode reduzir a demanda por fertilizantes nas culturas agrícolas. Em parceria com a Codevasf, a Embrapa construiu, em Palmas, um sistema de tanques suspensos de geomembrana capazes de destinar efluentes para a fertirrigação de dois hectares. Também estão sendo testados sistemas de irrigação por aspersão convencional e por gotejamento, além de diferentes rotações de culturas agrícolas e pastagens. A ideia é gerar indicadores para determinar a quantidade de nutrientes como o nitrogênio e fósforo produzidos por um sistema de criação de peixes, além de analisar quanto é absorvido pelas plantas e dimensionar quanto de fertilizantes pode ser economizado nas diferentes culturas.

 

Instituições mostram otimismo e apontam demandas

Os representantes das instituições que participaram do debate após a apresentação manifestaram disposição para colaborar em iniciativas conjuntas. Coordenador do Programa de Aquicultura da Emater-DF, Adalmyr Borges disse que a expectativa do órgão com a chegada do pesquisador à Embrapa Cerrados é positiva. “A Emater-DF e a Embrapa têm uma ligação muito forte aqui em Brasília. Faltava ampliar essa relação para a área de aquicultura. Estamos muito satisfeitos com a vinda do Luiz”, afirmou. 

Ele destacou duas demandas observadas pelo órgão de extensão rural do Distrito Federal. A primeira é o aproveitamento, mediante adequação da outorga, dos reservatórios de geomembrana utilizados para irrigação. “Apenas com os 247 pequenos reservatórios implantados na região da bacia do Rio Preto, podemos dobrar a produção de pescado aqui. São pequenas ações que podem ter um grande impacto”, disse, acrescentando a necessidade de definição de um modelo de viabilidade econômica e ambiental para a atividade.

A outra demanda se refere à adequação dos custos de produção, uma vez que, segundo o extensionista, as margens de lucro da aquicultura vêm diminuindo nos últimos anos. “Sabemos que o principal custo na produção de peixes é a alimentação, que é a especialidade do pesquisador”, apontou.

“Precisávamos de alguém para ‘chacoalhar’ o setor. Sabemos da demanda no DF e a potencialidade. Temos que trabalhar juntos e voltar a pensar em infraestruturas difusoras de tecnologias como a Granja do Ipê (da Seagri-DF) e ter um projeto estruturado”, declarou Hermano dos Santos, chefe da Unidade de Recursos Pesqueiros e Aquicultura da Codevasf, acrescentando que o órgão tem recebido muitas demandas de alevinos, inclusive de associações do DF.

Adson Rodrigues, coordenador da Regional Planalto da Emater Goiás, que abrange 19 municípios do Entorno do DF, afirmou que o órgão vê uma grande oportunidade para a pesquisa. “Nos 19 municípios, há piscicultura e demanda por resultados oficiais de pesquisa. Nós extensionistas dependemos desses resultados para nos estruturarmos e fazermos que os produtores tenham confiança em aplicar os seus recursos”, afirmou, acrescentando que a região conta com produtores de alevinos e grandes piscicultores. 

O extensionista citou o Projeto Fruticultura Irrigada no Vão do Paranã, liderado pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás e que tem a participação da Embrapa Cerrados. Ele explicou que 150 famílias de assentados de reforma agrária de Flores de Goiás, Formosa e São João d’Aliança estão financiando e recebendo da Codevasf equipamentos para a irrigação de 2 ha de manga e maracujá. Também está sendo financiado um tanque de geomembrana de 400 m3

“O pequeno agricultor tem que aproveitar essa estrutura com água e diversificar (a produção). Estamos no berço das águas (do Brasil) e existe o potencial. Mesmo não havendo uma pesquisa oficial, os produtores estão conseguindo produzir. Podemos fazer o elo com esses produtores e desenvolver o trabalho”, afirmou, ressaltando que a integração da aquicultura às demais atividades agropecuárias realizadas no Entorno do DF será oportuna para os produtores.

Também presente à palestra, Carlos Magno da Rocha, ex-presidente da Embrapa e ex-chefe-geral da Embrapa Cerrados e da Embrapa Pesca e Aquicultura, relembrou o início das pesquisas da Empresa com aquicultura e destacou a importância do segmento no mundo. Para ele, iniciar trabalhos com aquicultura na Embrapa Cerrados é um marco, e a atividade deve ser vista como estratégica para o Brasil. 

“Não tenho dúvida de que esse setor da economia vai crescer, e muito, principalmente no país que é líder na produção de grãos. Não temos problema para produzir ração. Na região geoeconômica de Brasília, muita gente já está trabalhando com isso, mas com muita dificuldade, porque o conhecimento ainda não está chegando. Vejo como uma oportunidade ímpar de (a Unidade) se agregar. A vinda do Luiz é um passo, uma semente que vai germinar”, comentou Rocha.

Após o debate, a chefia da Embrapa Cerrados realizou uma reunião com Lima e os representantes das demais instituições para discutir possibilidades de parcerias para atuação, definir as prioridades de curto, médio e longo prazo, além de estabelecer a estratégia de ação.

Breno Lobato (MTb 9417/MG)
Embrapa Cerrados

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