sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

Exposição de grafite no Mercado Municipal apresenta universo Geek inspirado na Cidade de São Paulo

 A partir de 17 de janeiro, grafiteiros aprendizes das Fábricas de Cultura expõem seus trabalhos em comemoração ao aniversário da capital paulista.

Já imaginou como seriam os filmes geeks se tivessem ambientadas como cenário em São Paulo? A capital paulista, com sua energia única e diversidade, é o lugar perfeito para heróis, vilões e aventuras épicas.

Em comemoração ao aniversário da cidade, o Ministério da Cultura, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, o Catavento Cultural e Educacional, por meio das Fábricas de Cultura, e o Mercado Municipal Paulistano têm o prazer de apresentar uma exposição de grafites inspirada no universo geek, com obras espalhadas por pontos emblemáticos da cidade.

Com a participação de 16 grafiteiros, a exposição traz inspirações como o Tron patrulhando a Avenida Paulista, ou uma história de ficção científica com um futuro imaginário ambientado nos arranha-céus e comunidades paulistanas. Personagens também exploram o folclore brasileiro em locais como o Parque Ibirapuera ou enfrentam vilões em pontos turísticos icônicos, como o Prédio Banespa e o Memorial da América Latina. Além disso, São Paulo se revela o centro de grandes eventos culturais, com espaços como a Estação da Luz e o MASP ganhando vida.

Com sua fusão de cultura, tecnologia e música, São Paulo se torna um cenário vibrante, onde qualquer história geek se transforma em uma experiência única e inesquecível. A exposição ficará aberta de 17 de janeiro a 06 de fevereiro, no Mercadão de São Paulo, com entrada gratuita.

Os talentosos grafiteiros e grafiteiras que compartilharam seus repertórios culturais por meio da arte foram: Tia Bob @jaqueline.tiabob - Vingadores ; Rocket @rocketribeiro89 - Godzilla; Hell @hell_liz - - King Kong; Mel Zabunov @ mel.zabunov -Senhor dos Anéis; Nino @ninografs1- Matrix; Kia @art.ana.kia - Mad Max; Melancia @robsonmelancia - Planeta dos Macacos; Plexus @_plexus1- Blade Runner; Afolego @afolego - De volta para o Futuro; Celeza @celezaramalho - Ghostbusters; Pandora @pandoraramos_ V de Vinganca; Dell @delgrafites - Blade Runner; Sow @ sow84 - Tron; Banguone @banguone - Harry Porter; Mandi @mandirodrigo - Star Wars; Ecoalaize @ecoalaize – The Warriors. 

 

Serviço

Evento: Mostra: Universo Geek inspirado na Cidade de São Paulo

Data: de 17 de janeiro a 5 de fevereiro

Horário: das 6 às 18 horas (seg a sáb) 6h-16h (domingos e feriados)

Local: Mercado Municipal de São Paulo, mezanino, entrada do salão de eventos

 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Embrapa Pecuária Sul apresenta pesquisas na 17ª Agrovino

 

Foto: Fernando Goss

A Embrapa Pecuária Sul participa da 17ª Agrovino, que será realizada entre os dias 15 e 18 de janeiro, na Associação Rural de Bagé (RS). No evento, que é uma das maiores feiras voltadas para a ovinocultura na região, a Embrapa vai apresentar projetos de pesquisas, soluções tecnológicas, além de atender o público presente com informações sobre o setor.

Uma das pesquisas que serão apresentadas é a da seleção assistida para ovinos. O projeto prevê a utilização de carneiros melhoradores, que fazem parte do plantel da Embrapa, em rebanhos comerciais. Esses reprodutores estão sendo melhorados com genes de prolificidade, de melhor acabamento da carcaça, de queda da lã naturalmente e maior resistência à verminose. Segundo o pesquisador Carlos Hoff de Souza, a próxima fase do projeto é buscar produtores parceiros para a utilização dessas características genéticas em rebanhos comerciais.

Outra pesquisa que está em desenvolvimento na Embrapa visa a utilização de lã grossa de ovinos na produção de agromantas, realizada em parceria com a Paramount Têxteis e a Cooperativa de Lãs Tejupá. Segundo a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul Magda Benavides, o objetivo é a produção de um insumo para ser empregado na proteção de mudas de árvores frutíferas, utilizando a lã que hoje tem pouco valor comercial. Magda também vai apresentar na feira recomendações para o controle de verminose em ovinos.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Exercício digital: como utilizar as telas para incentivar atividades físicas durante as férias escolares?

 

Por Kelly Soares Rosa

 

Frequentemente associadas ao sedentarismo, as telas, quando usadas de forma inteligente e equilibrada, também podem ser aliadas na promoção de atividades físicas. Durante as férias, quando o tempo de tela entre crianças e adolescentes tende a aumentar, aplicativos para treinos em casa ou jogos de dança e esportes virtuais são ferramentas que podem incentivar a movimentação, ajudando a manter os jovens ativos enquanto aproveitam a tecnologia.

 

Embora o uso excessivo de telas possa impactar negativamente o desenvolvimento infantil, a chave está em limitar o tempo de tela e direcioná-lo para atividades produtivas que permitem alinhar a tecnologia com a prática de atividades físicas, mantendo o corpo ativo e a mente equilibrada. Alguns dos exemplos mais populares são Pokémon GO, Just Dance e os jogos de boxe e UFC para Wii e Kinect. Atualmente, também existem aplicativos como o Sworkit Kids, que estimula os exercícios de forma lúdica e interativa, mas sem exigir equipamentos específicos, tornando a prática de atividades físicas mais acessível.

 

O mercado de fitness digital, que inclui aplicativos e dispositivos vestíveis, já movimenta milhões de dólares globalmente. Segundo dados da Business Research Insights, o mercado global de fitness digital deve atingir US$ 44 milhões até 2031. No Brasil, o cenário segue a mesma tendência, com o aumento no uso de aplicativos de exercícios físicos e saúde.

 

Vida ativa com tecnologia

 

As redes sociais também desempenham um papel importante na promoção de um estilo de vida mais ativo durante as férias. Muitos perfis já compartilham dicas, opções de locais, atividades e eventos esportivos para aproveitar o tempo durante o período de recesso. Também é possível encontrar informações completas sobre colônias de férias e acampamentos voltados para a iniciação esportiva, que influenciam positivamente na escolha de atividades longe das telas.

 

Mesmo com o aumento no consumo de conteúdo digital, é essencial que o tempo de tela seja equilibrado com atividades físicas ao ar livre e jogos recreativos. Uma das estratégias para manter os jovens engajados na prática de exercícios é a gamificação, que pode combinar desafios interativos e colaborações para tornar a atividade física mais prazerosa e educativa, estimulando o desenvolvimento motor e promovendo o engajamento de maneira positiva. No entanto, a gamificação deve ser usada com moderação, de forma a evitar que o foco seja apenas nas recompensas como pontos e prêmios ao invés dos benefícios à saúde e ao bem-estar.

 

O papel dos pais e das escolas

 

Para os pais, incentivar o uso positivo das telas durante as férias pode ser uma tarefa desafiadora, mas com certeza não é impossível. Algumas sugestões incluem estabelecer rotinas e horários para o uso dessas tecnologias, selecionar conteúdos de qualidade e propor a participação em atividades físicas ou lúdicas ao lado dos filhos. Além disso, é importante definir metas de curto e longo prazo por meio de desafios, que podem incluir recompensas ou não. Assim, é possível estimular os estudantes a manterem uma rotina de prática de atividades físicas sem excluir o acesso às telas.

 

As escolas, por sua vez, também podem desenvolver iniciativas para integrar o uso de telas e a promoção de atividades físicas. Alguns exemplos são projetos interdisciplinares com a finalidade de propagar a importância do exercício físico, como plataformas onde os estudantes possam acessar vídeos de exercícios, dicas de saúde e de nutrição e até mesmo planos de atividades que possam realizar em casa ou em grupo.

Utilizar as telas de forma consciente e equilibrada, portanto, permite incentivar um estilo de vida ativo mesmo durante o período de férias, proporcionando saúde e bem-estar de maneira divertida.

 


 


Kelly Soares Rosa é Coordenadora de Ed. Física da unidade do Rio de Janeiro da Rede de Colégios Santa Marcelina, instituição que alia tradição à uma proposta educacional sociointeracionista e alinhada às principais tendências do mercado de educação.

Open to work: especialista em mercado de trabalho dá dicas de como tornar o LinkedIn atraente

 

Estratégias vão desde a escolha de foto profissional ao uso de palavras-chave eficazes para a criação de um perfil de destaque



Na busca para se posicionar profissionalmente, muitos profissionais ainda cometem erros ao publicar no LinkedIn ou mantêm perfis pouco atraentes. Juliana Nóbrega, professora de Marketing do Centro Universitário de Brasília (CEUB) e especialista em mercado de trabalho, ensina como transformar a plataforma em uma ferramenta estratégica para alcançar o emprego desejado, aumentando a visibilidade para atrair recrutadores e evitando deslizes.
 
Confira as dicas práticas: 
 
1. Elementos para um perfil de LinkedIn atraente e competitivo
JN: Uma boa foto de perfil é fundamental, pois facilita que as pessoas te identifiquem e reconheçam com facilidade. Escolha uma foto com fundo liso e neutro, que contraste com o rosto, tornando o avatar de fácil visualização. Outro ponto importante é a descrição do perfil, que aparece abaixo do nome. Use palavras-chave que representem seu momento profissional ou área de atuação, orientando o algoritmo a conectar seu perfil às pessoas certas. Uma imagem de capa personalizada também agrega profissionalismo e pode ser usada para destacar informações sobre você, como contatos, valores ou crenças.
 
2. Destacar conquistas e experiências profissionais
JN: Seja honesto. Evite “autoadejetivações” para não soar piegas. Se for compartilhar uma nova certificação, escreva um pequeno parágrafo apresentando as competências e aprendizados adquiridos. Ao receber uma promoção, descreva brevemente o trabalho que pretende realizar. Essa abordagem foca no futuro e desperta a curiosidade das pessoas para o seu novo momento.
 
3. Conteúdos que atraem recrutadores e fortalecem marca pessoal
JN: Combine postagens sobre seus feitos no trabalho com a produção de conteúdos relevantes, tornando sua interação com a rede mais dinâmica. Escreva artigos e compartilhe reflexões sobre temas em alta na sua área, intercalando com publicações sobre realizações profissionais. Isso cria coerência entre seu discurso e seus resultados. Sobre o conteúdo, a dica de ouro é estruturar o parágrafo em três partes: o que você fez, o que aprendeu e o que conquistou. 
 
4. Como potencializar o algoritmo do LinkedIn
JN: O algoritmo do LinkedIn é rápido e ajustável. Usar palavras-chave na descrição do perfil e nas experiências ajuda o sistema a alinhar seu perfil com vagas compatíveis. Se perceber que os resultados não estão adequados, experimente alterar palavras-chave e temas, que variam conforme a área. Pesquise os temas mais relevantes na sua área de interesse e insira essas palavras nos seus posts para ganhar relevância. O LinkedIn também disponibiliza hashtags em alta, que podem ajudar a produzir conteúdos atuais e atrativos.
 
5. Interagindo em publicações de outras pessoas
JN: Você não precisa criar conteúdos autorais todos os dias, mas interagir regularmente é uma forma eficaz de manter seu perfil ativo. Suas interações também aparecem no feed da sua rede, ampliando sua visibilidade. Priorize curtir e comentar conteúdos que sejam interessantes para sua rede, garantindo uma boa curadoria. Lembre-se de que o LinkedIn é uma rede profissional e o foco deve ser sempre o trabalho.
 
6. Conexões ideiais para a vaga de trabalho dos sonhos
JN: Priorize profissionais e criadores de conteúdo da sua área. Além disso, conecte-se com profissionais de RH das empresas que te interessam, pois muitas oportunidades vêm diretamente deles. Siga as empresas de interesse e ative notificações de vagas para não perder oportunidades. Apesar de o processo de candidatura ser cansativo, não desista. Continue se dedicando e fazendo sua parte, com persistência, a oportunidade certa chegará!
 
7. Não afaste os recrutadores
JN: Cada caso é único, mas alguns fatores podem afastar recrutadores, como a mistura de conteúdos pessoais com profissionais. Evite publicações com cunho político, racista ou machista, pois podem prejudicar sua imagem.

Open to work: especialista em mercado de trabalho dá dicas de como tornar o LinkedIn atraente

 

Estratégias vão desde a escolha de foto profissional ao uso de palavras-chave eficazes para a criação de um perfil de destaque



Na busca para se posicionar profissionalmente, muitos profissionais ainda cometem erros ao publicar no LinkedIn ou mantêm perfis pouco atraentes. Juliana Nóbrega, professora de Marketing do Centro Universitário de Brasília (CEUB) e especialista em mercado de trabalho, ensina como transformar a plataforma em uma ferramenta estratégica para alcançar o emprego desejado, aumentando a visibilidade para atrair recrutadores e evitando deslizes.
 
Confira as dicas práticas: 
 
1. Elementos para um perfil de LinkedIn atraente e competitivo
JN: Uma boa foto de perfil é fundamental, pois facilita que as pessoas te identifiquem e reconheçam com facilidade. Escolha uma foto com fundo liso e neutro, que contraste com o rosto, tornando o avatar de fácil visualização. Outro ponto importante é a descrição do perfil, que aparece abaixo do nome. Use palavras-chave que representem seu momento profissional ou área de atuação, orientando o algoritmo a conectar seu perfil às pessoas certas. Uma imagem de capa personalizada também agrega profissionalismo e pode ser usada para destacar informações sobre você, como contatos, valores ou crenças.
 
2. Destacar conquistas e experiências profissionais
JN: Seja honesto. Evite “autoadejetivações” para não soar piegas. Se for compartilhar uma nova certificação, escreva um pequeno parágrafo apresentando as competências e aprendizados adquiridos. Ao receber uma promoção, descreva brevemente o trabalho que pretende realizar. Essa abordagem foca no futuro e desperta a curiosidade das pessoas para o seu novo momento.
 
3. Conteúdos que atraem recrutadores e fortalecem marca pessoal
JN: Combine postagens sobre seus feitos no trabalho com a produção de conteúdos relevantes, tornando sua interação com a rede mais dinâmica. Escreva artigos e compartilhe reflexões sobre temas em alta na sua área, intercalando com publicações sobre realizações profissionais. Isso cria coerência entre seu discurso e seus resultados. Sobre o conteúdo, a dica de ouro é estruturar o parágrafo em três partes: o que você fez, o que aprendeu e o que conquistou. 
 
4. Como potencializar o algoritmo do LinkedIn
JN: O algoritmo do LinkedIn é rápido e ajustável. Usar palavras-chave na descrição do perfil e nas experiências ajuda o sistema a alinhar seu perfil com vagas compatíveis. Se perceber que os resultados não estão adequados, experimente alterar palavras-chave e temas, que variam conforme a área. Pesquise os temas mais relevantes na sua área de interesse e insira essas palavras nos seus posts para ganhar relevância. O LinkedIn também disponibiliza hashtags em alta, que podem ajudar a produzir conteúdos atuais e atrativos.
 
5. Interagindo em publicações de outras pessoas
JN: Você não precisa criar conteúdos autorais todos os dias, mas interagir regularmente é uma forma eficaz de manter seu perfil ativo. Suas interações também aparecem no feed da sua rede, ampliando sua visibilidade. Priorize curtir e comentar conteúdos que sejam interessantes para sua rede, garantindo uma boa curadoria. Lembre-se de que o LinkedIn é uma rede profissional e o foco deve ser sempre o trabalho.
 
6. Conexões ideiais para a vaga de trabalho dos sonhos
JN: Priorize profissionais e criadores de conteúdo da sua área. Além disso, conecte-se com profissionais de RH das empresas que te interessam, pois muitas oportunidades vêm diretamente deles. Siga as empresas de interesse e ative notificações de vagas para não perder oportunidades. Apesar de o processo de candidatura ser cansativo, não desista. Continue se dedicando e fazendo sua parte, com persistência, a oportunidade certa chegará!
 
7. Não afaste os recrutadores
JN: Cada caso é único, mas alguns fatores podem afastar recrutadores, como a mistura de conteúdos pessoais com profissionais. Evite publicações com cunho político, racista ou machista, pois podem prejudicar sua imagem.

Processo de recobrimento do morango pelo biofilme (foto: Mirella Romanelli Vicente Bertolo )


Elton Alisson | Agência FAPESP – Um biofilme comestível, obtido a partir de resíduos da agricultura e da indústria pesqueira e desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP), permite aumentar a vida útil do morango (Fragaria x ananassa Duch).

Em testes em laboratório, os pesquisadores constataram que, ao longo de 12 dias de armazenamento sob refrigeração, os frutos revestidos com a película apresentaram 11% menos redução de peso e demoraram entre 6 e 8 dias para começar a ser contaminados por fungos em comparação a quatro dias das frutas não recobertas com o material.

Os resultados do trabalho, realizado com apoio da FAPESP e em colaboração com pesquisadores da Embrapa Instrumentação e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), foram descritos em artigo publicado na revista Food Chemistry.

“Por meio da aplicação do revestimento foi possível dobrar a vida útil de morangos mantidos sob refrigeração e retardar a desidratação dos frutos, conservando, ao mesmo tempo, o sabor, a textura e os compostos voláteis, que conferem o aroma característico da fruta”, disse à Agência FAPESP Mirella Romanelli Vicente Bertolo, pós-doutoranda na Embrapa Instrumentação e primeira autora do estudo.

O trabalho foi iniciado durante o doutorado de Bertolo no IQSC-USP, sob orientação do professor Stanislau Bogusz Junior.

Durante a pesquisa, eles conseguiram desenvolver uma técnica que permite, por meio do uso de solventes eutéticos naturais profundos (NADES, na sigla em inglês), extrair da casca de romã (Punica granatum L.) 84,2% mais antioxidantes – substâncias que possuem propriedades conservantes.

“Mais de 40% da romã, dependendo da variedade, é composta por casca, que é desperdiçada. Nossa ideia foi aproveitar esse resíduo para obter extratos ricos em compostos fenólicos, com atividades antioxidante e antimicrobiana”, diz Bogusz.

Com o sucesso do desenvolvimento do método de extração, os pesquisadores decidiram testar a hipótese de incorporar os antioxidantes da romã a revestimentos à base de gelatina e quitosana – um polímero (polissacarídeo natural) encontrado nos esqueletos de crustáceos, como o camarão –, para desenvolver uma película protetora para frutas.

“Optamos por utilizar a quitosana extraída de gládios [conchas internas] de lula por meio de um processo de desacetilação da quitina encontrada nesse molusco porque ela não apresenta o problema de alergenicidade como a da obtida de camarão. E combinamos esse material com outro polímero, no caso, a gelatina, com o intuito de melhorar suas propriedades mecânicas”, explica Bogusz.

Fruta altamente perecível

O morango foi escolhido como sistema modelo para testar a eficácia do biofilme porque é um dos itens com maiores índices de perda nos mercados brasileiros, devido à sua perecibilidade e curta vida útil, de cerca de menos de sete dias sob refrigeração.

“O morango é um fruto que tem atividade respiratória muito alta e pH [acidez] muito baixo. Por isso, é muito suscetível ao ataque de microrganismos. Além disso, é muito úmido e os frutos são pequenos. Com base nisso, levantamos a hipótese de que se o material que desenvolvemos funcionasse seria eficiente em qualquer outro fruto”, diz Bogusz.

Para testar essa hipótese, os pesquisadores revestiram morangos com o filme comestível por meio de imersão e avaliaram os efeitos do material no perfil físico-químico, microbiológico, volátil e nas características sensoriais dos frutos ao longo de 12 dias de armazenamento refrigerado.

Os resultados indicaram que o material forma uma película na superfície do fruto que funciona como uma barreira à passagem de microrganismos, à perda de umidade e à troca de gases, modificando a respiração do morango. Dessa forma, o revestimento retarda o metabolismo do fruto durante o período pós-colheita e, consequentemente, aumenta sua vida útil, preservando a cor, firmeza e os compostos bioativos da fruta.

“Constatamos que a película permitiu manter a textura, retardar a contaminação por microrganismos e reduzir a perda de massa dos frutos, que é observada quando o morango murcha. Isso acontece muito comumente em frutos não revestidos porque eles perdem água facilmente e desidratam”, afirma Bertolo.

De acordo com a pesquisadora, o filme também permitiu reduzir a gravidade de lesões por fungos e melhorar o perfil de voláteis dos frutos. “O material possibilitou preservar 40% a mais desses compostos que são responsáveis pelo aroma da fruta”, diz Bertolo.

O biofilme também não interferiu nas características sensoriais da fruta, como o sabor, conforme constatado por meio de testes de análise sensorial feitos com alunos do curso de graduação em química do IQSC-USP.

“Os resultados dos testes mostraram que eles não identificaram diferenças no gosto, aroma e características visuais do morango revestido com o material em comparação com morangos sem a película” afirma Bertolo.

Os pesquisadores entraram com o pedido de depósito de patente da formulação, após o que pretendem licenciar a tecnologia para empresas interessadas.

As análises econômicas indicaram que o revestimento poderá ter um custo estimado em, aproximadamente, R$ 0,15 por fruta.

“Esse é um custo que os consumidores podem estar dispostos a pagar por uma fruta com maior vida útil e com aproveitamento maior”, estima Bertolo.

O artigo Improvement of the physical-chemical microbiological, volatiles and sensory quality of strawberries covered with chitosan/gelatin/pomegranate peel extract-based coatings pode ser lido em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0308814625000056.


segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

A agropecuária é uma aliada ao combate aos incêndios em áreas rurais e periurbanas

 

Paulo Campos Christo Fernandes e Giovana Alcantara Maciel (pesquisadores da Embrapa Cerrados)

São frequentes as queimadas nos meios rural e periurbano, principalmente durante a estação seca, após longos períodos de estiagem, como as que ocorreram no Brasil no ano passado e estão ocorrendo neste momento em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Em áreas agrícolas, as queimadas provocam diversos prejuízos, como a perda da matéria orgânica fornecida pelos restos de culturas e plantas de cobertura e danos à microbiota do solo. Os prejuízos aos pecuaristas também são evidentes – há perda de biodiversidade, morte de animais, destruição de infraestrutura, como cercas, redes de energia elétrica e edificações.

A população local e as estradas são diretamente afetadas. O setor agropecuário moderno e eficiente não é tolerante às queimadas, uma vez que causam danos econômicos e ambientais. A urgência em resolver o problema é consenso na sociedade. Mesmo grandes cidades e aeroportos têm sido afetados pela baixa qualidade do ar, decorrente de partículas nocivas oriundas da fumaça produzida por queimadas generalizadas, como as que ocorreram nos últimos anos e se intensificaram na estação seca de 2024.

Avaliação e diagnóstico 

O território brasileiro é amplo e diversificado em termos de clima, solo e estrutura fundiária e as soluções precisam ser customizadas. Ações preventivas são menos onerosas do que o combate às chamas, mas precisam de orçamento anual, gestão descentralizada e transparência. É necessário ter equipes multidisciplinares para atuar nas etapas de diagnóstico, avaliação de risco, planejamento, monitoramento, combate precoce ao fogo, medição de impacto das ações preventivas e avaliação das lições aprendidas.

Regiões onde ocorrem queimadas intencionais devem investir em conscientização, capacitação e acesso às tecnologias de produção agropecuária, para que as populações rurais substituam a antiga prática de utilizar o fogo para limpeza de área e queima de lixo e adotem práticas modernas de manejo. É urgente deixar claro que provocar queimadas ilegais é crime.

O Brasil possui longa experiência em monitoramento de focos de queimadas, com uso de bases de dados de imagens de satélites, que permitem identificar, de forma inequívoca, os locais onde as queimadas foram iniciadas. Com essas informações, pode-se reforçar os alertas e as campanhas preventivas nas regiões de maior incidência histórica de focos iniciais de incêndios. A efetividade das operações de combate será maior se ocorrer nos primeiros minutos de fogo.

É importante que as ações preventivas ocorram durante a estação chuvosa. O “alerta climático” precoce de estiagem prolongada deve fazer parte dessa agenda para reduzir os riscos e, em algumas situações, induzir mudanças emergenciais no planejamento das ações de prevenção e combate a incêndios em áreas rurais e periurbanas.

Contribuições da atividade agropecuária

As áreas de cultivos anuais naturalmente estão mais expostas ao risco de incêndios. A palhada, apesar de sua importância agronômica como fornecedora de matéria orgânica, prevenção da erosão, redução da temperatura do solo, entre outros benefícios, eleva esse risco. A proximidade das áreas agrícolas de comunidades rurais e estradas ainda é fator agravante.

Uma técnica de manejo eficiente é o pastoreio de animais no final da estação chuvosa com o objetivo de reduzir a quantidade de palhada. O pastejo controlado intensifica a ciclagem de nutrientes no solo e disponibiliza alimentação volumosa aos animais, além de reduzir o risco e facilitar o controle de queimadas. Apesar de ser uma estratégia barata, eficiente e ambientalmente correta, sua adoção deve considerar os planos de prevenção a queimadas e as legislações ambientais. O acero, que é a remoção de palhada por  meio de gradagem, próximo às estradas também é importante ferramenta para prevenção à entrada do fogo na propriedade rural.  

Políticas públicas 

São várias as regulamentações federais e estaduais que propõem ações que podem auxiliar na prevenção de queimadas. A Política Estadual de Gestão e Proteção à Bacia do Alto Paraguai no estado do Mato Grosso (Lei n. 12.653/2024), por exemplo, admite o acesso à pecuária extensiva e à prática de roçada, visando justamente a redução de biomassa vegetal combustível e os riscos de incêndios florestais, desde que não provoque degradação ambiental, sendo proibida a substituição da vegetação nativa por gramíneas exóticas.

O Projeto de Lei 4.508/2016, em tramitação na Câmara dos Deputados, autoriza a criação de animais em área de Reserva Legal, mediante aprovação de plano de manejo florestal pelo órgão ambiental competente e com o objetivo de controle do volume de massa das forrageiras nativas ou cultivadas já existentes. O Projeto de Lei 1.533/2023, pronto para deliberação no Senado Federal, autoriza o plantio de culturas anuais em áreas laterais de rodovias, conhecidas como faixas de domínio, prática essa que auxiliará na manutenção de vegetação nas beiras das rodovias, diminuindo a biomassa disponível para queimadas. Uma inovação seria a inclusão de uma função de notificação de fogo e fumaça, em tempo real, em aplicativos de navegação por GPS, atualmente amplamente utilizados nos aparelhos celulares.

O período seco ocorre todos os anos, em menor ou maior intensidade, sempre trazendo riscos de queimadas e não pode ser considerado uma surpresa. As ações conjuntas de prevenção a queimadas devem ser estabelecidas e efetivadas no momento certo. Com a ampliação da adoção de boas práticas e o manejo adequado, a agricultura e a pecuária são aliadas aos planos de prevenção de incêndios no Brasil.

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