quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Dezembro Laranja reforça a importância da prevenção ao câncer de pele



Especialista em cirurgia dermatológica e estética médica avançada alerta para cuidados diários e atenção aos sinais da pele


O Dezembro Laranja, campanha nacional de conscientização sobre o câncer de pele, reforça anualmente a importância da fotoproteção contínua e da detecção precoce. A iniciativa destaca que pequenas mudanças na rotina podem reduzir significativamente o risco da doença — o tipo de câncer mais comum no Brasil.


Segundo a Dra. Elisa Parra, cirurgiã e especialista em cirurgia dermatológica, o uso diário do filtro solar é um dos pilares dessa prevenção, independentemente do clima ou da exposição direta ao sol.

“Tanto a radiação UVA quanto a UVB atingem nossa pele mesmo quando o sol não aparece. A UVA atravessa nuvens e vidros, está presente o dia todo e é a principal responsável pelo envelhecimento precoce e pelas mutações de longo prazo. Já a UVB causa queimaduras e danos diretos ao DNA. Por isso, a fotoproteção deve ser contínua”, explica.


Com o aumento das atividades físicas ao ar livre — como corrida de rua, ciclismo, caminhada, treinos em parques, esportes urbanos e até modalidades como triathlon — o cuidado precisa ser redobrado.

“Hoje em dia, a prática de atividades ao ar livre está em alta, e mesmo longe de praia ou campo, qualquer exposição prolongada nesses ambientes exige ainda mais atenção. No verão, então, o protetor solar se torna absolutamente imprescindível”, alerta a médica.

Dra. Elisa também reforça um princípio que sempre compartilhou com seus pacientes:

“O melhor filtro solar é aquele que você usa todos os dias.”


Ela explica que atualmente existe uma grande variedade de protetores no mercado, o que facilita muito a adesão: opções para pele oleosa, resistente à água para quem pratica atividade física, versões com base, com cor, texturas diferentes e formulações específicas para cada necessidade. “Hoje não tem mais desculpa — existem inúmeros tipos de filtros solares, e o médico saberá indicar aquele com melhor fotoproteção e ideal para o seu tipo de pele.”


A especialista lembra que grande parte das falhas na proteção acontece por erros simples, como aplicar pouca quantidade, não reaplicar o produto ou restringir o uso aos dias de sol. Entre os equívocos mais comuns estão: usar menos protetor que o necessário — o ideal são “três dedos cheios” por aplicação —, esquecer regiões como orelhas, colo e mãos, confiar apenas em maquiagem com FPS e manter produtos vencidos ou armazenados de forma incorreta.


Além da prevenção diária, as consultas e procedimentos estéticos ajudam na detecção precoce.

“Durante a consulta, examino cada paciente, avalio rotina, riscos e fototipo. Isso permite analisar pintas com dermatoscopia e, quando necessário, indicar uma biópsia. Muitas vezes, uma lesão aparentemente estética retorna com diagnóstico positivo, e conseguimos tratar com efetividade justamente por ter investigado cedo”, explica.


Nesta época de maior exposição solar, alguns sinais merecem atenção imediata: pintas que mudam de cor, formato ou tamanho; lesões assimétricas ou com bordas irregulares; manchas escuras que crescem; feridas que não cicatrizam; áreas que sangram, coçam ou descamam persistentemente; além de qualquer alteração repentina que o paciente não apresentava antes.


Para finalizar, a médica reforça:

“Siga sempre as orientações da sua médica para garantir a proteção ideal para o seu tipo de pele. Fotoproteção diária e acompanhamento profissional são essenciais para prevenir e diagnosticar o câncer de pele precocemente.”

Instituto Brasil-Israel lança Guia sobre sionismo

 


 

Entidade disponibiliza para toda a sociedade brasileira material digital e gratuito que esclarece termo cada vez mais utilizado equivocadamente como ferramenta no discurso de ódio aos judeus
 

O Instituto Brasil-Israel (IBI) lança, nesta quarta, 3, o “Guia sobre o sionismo”, um material disponível digital e gratuitamente para a sociedade brasileira que traz um aprofundamento da explicação acerca do que é, o que não é e outras noções sobre o termo que define a autodeterminação nacional do povo judeu. A ideia de construir um guia introdutório sobre o tema foi motivada para servir como base para estudos e reflexões acerca do sionismo, num momento em que ele tem sido bastante utilizado de forma desconstruída e como ferramenta para justificar e disseminar o discurso de ódio aos judeus.
 

“O sionismo, sobretudo após outubro de 2023, passou a fazer parte dos debates em diversos meios que influenciam a opinião pública: seja nas redes sociais, nas universidades, nos meios de comunicação ou em outra esfera. Apesar de ser polissêmico, o termo adquiriu uma conotação simbólica polêmica, dividindo opiniões nas discussões sobre o conflito entre Israel e os palestinos. Em busca de dar subsídios e informações qualificadas, criamos este guia específico sobre o assunto”, diz Carolline Mello, gerente de Educação do IBI.
 

O guia trata da origem, definição e histórico do movimento sionista, suas diferentes correntes, as disputas políticas em seu interior e as expressões de movimentos juvenis sionistas em Israel e na diáspora. Já ao abordar os movimentos de deslegitimação do sionismo no Brasil e no mundo, algo que vem se acentuando nos últimos anos, sobretudo devido a ausência de uma solução para a questão palestina, o guia traz ao público informações de qualidade com o intuito de mostrar os riscos em transformar o sionismo e os sionistas em raiz e causa corrente de toda a opressão ao povo palestino, o associando ao colonialismo, como uma forma de ideologia a ser combatida.
 

“Atualmente, alguns grupos buscam atacar e deslegitimar o sionismo, em vez de direcionar suas críticas ao governo de Israel – como fariam com qualquer outro país inserido em contexto semelhante. É preciso salientar que o sionismo se constituiu a partir de correntes distintas, projetos nacionais paralelos e até antagônicos, que vão do socialismo ao messianismo nacionalista. Este guia se propõe a fomentar, justamente, o debate sobre os sionismos, no plural, uma vez que tais correntes têm muito mais conflitos do que pontos de interseção. A compreensão acerca dessa complexidade, com mais informação disponível ao público, deve ajudar nesse entendimento de que, por se tratar de um movimento nacional como qualquer outro, admite inúmeras formas”, afirma Carolline.
 

Carolline conclui: “O IBI acredita num sionismo que promova igualdade e democracia e que dê ao povo judeu seu direito à autodeterminação histórica, e que também prevê a criação de um Estado palestino, através de negociações pacíficas e bilaterais entre as partes, que atenda à justa demanda dos povos pelo direito à autodeterminação nacional. Esta é a luta que nós decidimos travar, por um sionismo democrático, inclusivo e pacífico, com o objetivo de construir uma realidade sem antissemitismo, racismo, ocupação e opressão.”

domingo, 16 de novembro de 2025

Livro sobre agricultura irrigada no Cerrado ganha edição revista e ampliada

 


Agricultura Irrigada no Cerrado: subsídios para o desenvolvimento sustentável”, livro editado por Lineu Rodrigues, pesquisador na área de recursos hídricos da Embrapa Cerrados (DF), chega à terceira edição, dessa vez com revisão e ampliação dos conteúdos e a inclusão de sete novos capítulos em relação à versão anterior. O lançamento será realizado em nove cidades, entre 17 de novembro e 9 de dezembro.

Desde a primeira edição, o livro busca sistematizar e disponibilizar, de forma acessível, informações técnicas essenciais para o planejamento e o fomento do desenvolvimento sustentado da agricultura irrigada no bioma Cerrado. Ao longo dos 23 capítulos da nova edição, são discutidos os desafios e as oportunidades para o avanço da agricultura irrigada, abordando desde os fundamentos científicos e tecnológicos até os aspectos institucionais e socioambientais que permeiam o uso racional da água e o desenvolvimento regional.

“Nosso intuito é que a publicação seja uma referência técnica, atualizada e abrangente sobre temas essenciais à sustentabilidade da agricultura irrigada no Cerrado”, diz Rodrigues. O pesquisador acrescenta que o livro oferece importantes subsídios para o planejamento e a elaboração de políticas públicas que promovam a sustentabilidade da agricultura irrigada no bioma. “Ao integrar ciência, tecnologia e gestão, ele contribui para o fortalecimento da segu¬rança alimentar, hídrica e ambiental, pilares de um futuro mais justo e resiliente”, completa.

Além de Rodrigues, a publicação conta com mais de 70 autores e coautores, entre pesquisadores e analistas da Embrapa, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Serviço Geológico do Brasil (CPRM); professores da Universidade Federal de Sergipe, do Instituto Federal Catarinense, da Universidade Federal de Viçosa, do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, da Universidade Federal de Itajubá, da Climatempo, da Universidade Federal do Espírito Santo e da Universidade Estadual de Campinas; técnicos do Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ/Brasil), do Ministério de Minas e Energia e da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA); pós-graduandos, advogados e consultores na área ambiental.

Rodrigues, atualmente pesquisador-visitante na Universidade de Nebraska-Lincoln (EUA), estará no Brasil para participar dos eventos de lançamento do livro, apresentando a palestra “Agricultura irrigada no Cerrado: desvendando os caminhos para a sustentabilidade”. 

Confira as datas, locais e horários:

17/11 – Paracatu (MG) – Casa de Cultura, às 19h

19/11 – Palmas (TO) – Auditório da Embrapa Pesca e Aquicultura, às 9h

22/11 – Cristalina (GO) – Instituto Federal Goiano - Campus Cristalina, às 19h

25/11 – Brasília (DF) – Auditório da Codevasf, às 16h, durante o evento “Troca de Saberes - Programa Irrigar para Desenvolver”

28/11 – Luís Eduardo Magalhães (BA) – Complexo Bahia Farm Show, durante o Fórum de Irrigação da Bahia, a partir das 8h

02/12 – Campo Grande (MS) – Sindicato Rural de Campo Grande, durante o “1° Workshop Irrigação para o desenvolvimento sustentável: O protagonismo profissional”, das 13h às 22h

04/12 – Paranapanema (SP) – Auditório Johannes Henricus Scholten (APPA), distrito de Campos de Holambra, às 19h

05/12 – Sorriso (MT) – Centro de Eventos Ari José Riedi, horário a definir

09/12 – Belo Horizonte (MG) – Auditório da Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (SFA/MG) do Ministério da Agricultura e Pecuária, às 9h

E no dia 1º de dezembro, em São Paulo (SP), o pesquisador vai falar sobre o livro na palestra “Irrigação no Brasil”, às 16h45, durante a Reunião de Encerramento dos Trabalhos Anuais do Conselho Superior do Agronegócio (COSAG) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Novo evento discutirá aquicultura nacional

 O foco é reunir os diferentes atores dessa cadeia produtiva, que vem crescendo no país de forma consistente nos últimos anos



Entre 26 e 28 de novembro, acontece em Palmas-TO o Aqua Summit, evento pioneiro que pretende ser um espaço de compartilhamento, de integração e de referência para a aquicultura nacional. Realizado em parceria pela Secretaria da Pesca e Aquicultura do Tocantins (Sepea), pela Embrapa Pesca e Aquicultura (que tem sede na capital tocantinense) e pela empresa Holus Comunicação, vai acontecer em dois locais. A abertura, programada para a noite de 26 de novembro, e as atividades de todo o dia 27 serão no auditório do Palácio Araguaia Governador José Wilson Siqueira Campos, sede do governo do estado. E a manhã de 28 de novembro está reservada para uma visita às instalações da Embrapa Pesca e Aquicultura.

“O Aqua Summit representa uma oportunidade estratégica para fortalecer a aquicultura tocantinense, pois aproxima produtores, pesquisadores, investidores e gestores públicos em torno de um mesmo objetivo: transformar o potencial natural do Tocantins em um setor produtivo robusto e sustentável”, afirma Roberto Sahium, secretário-executivo da Pesca e Aquicultura do Tocantins. Citando condições que o estado possui (recursos hídricos, clima favorável e localização estratégica), ele lembra que é preciso avançar em conhecimento técnico, em inovação e em agregação de valor: “eventos como o Aqua Summit permitem justamente essa troca de experiências e tecnologias, estimulando a adoção de boas práticas, o empreendedorismo e a atração de novos investimentos para o setor aquícola tocantinense”.

Para Danielle de Bem Luiz, chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, “ao reunir diferentes elos da cadeia, desde produtores e indústrias até formuladores de políticas e investidores, o evento cria um ambiente de convergência que reflete o papel da Embrapa como instituição pública de ciência e inovação. Ou seja, como empresa pública de pesquisa, deve articular conhecimento científico com demandas reais do mercado, contribuindo para o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar e a geração de renda no país”.

Potencial e avanços: Com grande potencial de desenvolvimento também na aquicultura, o Tocantins tem avançado nessa área. Ainda longe de transformar em realidade todas as condições que possui para uma aquicultura sustentável nos três pilares (ambiental, econômico e social), o estado atualmente é o 17º maior produtor nacional, com 18.100 toneladas de peixes no ano passado, principalmente tambaqui. Em 2023, a produção foi de 17.556 toneladas e, no ano anterior, 17.350 toneladas. O Paraná, maior produtor do Brasil, foi responsável por mais de 250.300 toneladas de peixe em 2024. Os números são do último anuário divulgado pela Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR).

Roberto Sahium entende que a criação da Sepea, em 2023, foi um ganho com relação às políticas públicas nas duas áreas de atuação da secretaria. Entre os avanços recentes, ele destaca: desburocratização e regularização da atividade aquícola - “implantamos medidas para simplificar processos de licenciamento e cessão de áreas aquícolas, garantindo mais segurança jurídica e agilidade para o produtor investir e expandir sua produção”; e fomento à capacitação e à pesquisa aplicada - “fortalecemos parcerias com instituições como a Embrapa e o Ruraltins para levar tecnologia, assistência técnica e capacitação aos produtores, estimulando práticas mais produtivas e sustentáveis”. Ruraltins é o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins, órgão público de assistência técnica e extensão rural

Thiago Tardivo, diretor de Desenvolvimento da Aquicultura da Sepea, acrescenta como avanço recente a entrada em vigor da Lei 4.508/2024, que instituiu o Programa Trilha da Pesca e Aquicultura “com Termo de Cooperação com 14 municípios e 11 destes já com minuta de política municipal de pesca e aquicultura a ser apresentada à Câmara de Vereadores”. E cita também a participação da Sepea em eventos nacionais relevantes em aquicultura, como Aquishow e IFC Brasil, visando a promover o potencial do estado e atrair investidores para o Tocantins.

Participação gratuita: a participação no Aqua Summit é gratuita, porém limitada a 300 pessoas. Para mais informações, o site é https://aquasummitbr.com.br/. As inscrições podem ser feitas neste link. O perfil do evento no Instagram é https://www.instagram.com/aquasummitbr/#. Na visão de Eliana Panty, diretora da Holus Comunicação, “o Aqua Summit nasce com o propósito de provocar discussões sobre a produção sustentável de peixes, nativos ou espécies comerciais; o importante é produzir mais e melhor, com mais qualidade e com mais escala. O Tocantins tem um desafio e um legado a deixar na produção de peixes, uma grande oportunidade para abastecer mercados interno e externo”.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Dia da agricultura: como a pesquisa científica transformou o Cerrado em referência mundial de produtividade e sustentabilidade

 

José Roberto Rodrigues Peres

Pesquisador da Embrapa Cerrados

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O Dia da Agricultura, comemorado em 17 de outubro, ganha significado especial em 2025, ano em que a Embrapa Cerrados celebra 50 anos de contribuições à ciência e ao desenvolvimento do país. Nesse período, a instituição foi protagonista de uma das maiores transformações do campo brasileiro: a conversão do Cerrado em referência mundial de produtividade, sustentabilidade e inovação agrícola.

Na década de 1970, o Brasil tomou uma decisão que mudaria para sempre o rumo de sua agricultura. O governo federal definiu que o Cerrado, até então considerado uma região de solos pobres e improdutivos, seria a nova fronteira agrícola do País. Essa estratégia foi consolidada pelo II Plano Nacional de Desenvolvimento (1975–1979), que estabeleceu a agricultura como eixo estratégico do crescimento econômico, com a missão de alimentar a população, fornecer matérias-primas para indústrias e gerar divisas por meio do fortalecimento das exportações.

Dentro desse plano, foi criado o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Polocentro), com o objetivo de modernizar as atividades agropecuárias do Centro-Oeste e do oeste de Minas Gerais. Essa iniciativa impulsionou a criação, em 1975, do Centro de Pesquisa Agropecuária dos Cerrados (CPAC) — atual Embrapa Cerrados —, responsável por desenvolver as tecnologias que tornaram possível a ocupação racional e produtiva dessa imensa região.

Com 207 milhões de hectares, o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro e detém a segunda maior biodiversidade do planeta. É conhecido como o “Berço das Águas do Brasil”, por abrigar as nascentes que alimentam oito das doze grandes bacias hidrográficas do País, entre elas as do Amazonas, do São Francisco e do Paraná-Paraguai. Produzir alimentos com preservação ambiental nesse monumental bioma era, portanto, ao mesmo tempo, um desafio e uma grande responsabilidade.

De solo pobre a produção pujante

Até os anos 1970, o Cerrado era considerado uma região inóspita, de baixa aptidão para o cultivo. Seus solos ácidos e pobres em nutrientes, aliados a um regime climático rigoroso, impunham sérias limitações à agricultura. Sua economia regional baseava-se na pecuária extensiva, no arroz de sequeiro e na extração de madeira e carvão vegetal.

Foi nesse contexto que nasceu a Embrapa Cerrados, unindo esforços de cientistas, extensionistas e produtores. O resultado foi uma verdadeira revolução: a ciência passou a atuar de forma decisiva para adaptar solos, plantas e sistemas produtivos às condições tropicais. Hoje, o bioma responde por mais da metade da produção nacional de grãos, carnes, leite, fibras e bioenergia, consolidando-se como um dos maiores polos agropecuários do planeta.

Entre 1975 e 1995, a Embrapa Cerrados estruturou uma base científica sólida para o uso racional dos recursos naturais, com pesquisas voltadas à avaliação dos recursos do bioma, à reconstrução dos solos e ao desenvolvimento de sistemas produtivos adaptados às condições edafoclimáticas.

O desenvolvimento de tecnologias de correção de solo (como o uso de calcário e gesso agrícola), adubação eficiente, manejo de nutrientes e valorização da matéria orgânica revolucionou o equilíbrio entre produção e conservação. A Fixação Biológica de Nitrogênio, com estirpes de rizóbios adaptadas, é outro marco: substituindo fertilizantes nitrogenados, ela gera economias bilionárias — reduzindo custos agrícolas em cerca de dezessete bilhões de dólares por ano.

Essas inovações, somadas ao melhoramento genético vegetal e animal, foram decisivas para “tropicalizar” culturas como soja, milho, algodão, café, frutas e trigo, permitindo que prosperassem em áreas antes improdutivas e consolidando o domínio da Agricultura Tropical.

Na década de 1990, a Embrapa Cerrados diversificou ainda mais a base produtiva regional, introduzindo cultivos alternativos como cevada, girassol, amendoim, maracujá, quinoa, amaranto, etc. Também desenvolveu cultivares adaptadas, otimizou sistemas de irrigação e viabilizou o uso racional da água em culturas como café, trigo e frutas, entre outras culturas.

Outro marco para a agricultura no Brasil e protagonizado pela Embrapa Cerrados foi a criação, em 1995, do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC): ele orienta o melhor período de plantio para cada cultura, reduz perdas e aumenta a produtividade. O resultado? O país economiza milhões de reais em seguros agrícolas.

Biodiversidade: riqueza e alimento

As mais de 6.700 espécies de plantas nativas do Cerrado vêm sendo estudadas há décadas pela Embrapa Cerrados, em pesquisas que resgatam o conhecimento tradicional e transformam essa riqueza natural em oportunidades econômicas e ambientais. Espécies como pequi, baru, cagaita e araticum tornaram-se símbolos dessa nova economia baseada na biodiversidade.

Os estudos de conservação e manejo da biodiversidade do bioma e das Matas de Galeria uniram ciência e participação comunitária, ajudando a preservar nascentes, restaurar áreas degradadas e valorizar o conhecimento local, mostrando que desenvolvimento e conservação podem caminhar juntos.

Nas décadas de 1990 e 2000, a Embrapa Cerrados e seus parceiros tiveram papel decisivo na adaptação e expansão do plantio direto nos sistemas de produção. Com o uso de plantas de cobertura adaptadas, os pesquisadores viabilizaram a manutenção da palhada e o aumento dos estoques de carbono no solo.

Esses avanços abriram caminho para uma abordagem mais sistêmica, com o desenvolvimento de tecnologias voltadas a sistemas integrados de produção, em especial a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que promove o uso intensivo e sustentável da terra, combinando grãos, forragem, carne e árvores no mesmo espaço. Os resultados impressionam: até 12 toneladas de grãos por hectare e 12 arrobas de carne produzidas de forma sustentável.

O resultado é uma agricultura tropical moderna, produtiva e ambientalmente responsável, que gera renda, conserva recursos naturais e contribui para a mitigação das mudanças climáticas.

Agricultura familiar bem-sucedida

A Embrapa Cerrados também atua fortemente na agricultura familiar e no desenvolvimento rural sustentável. Projetos desenvolvidos em Silvânia (GO) e Unaí (MG) mostraram que o conhecimento técnico, aliado à organização comunitária, transforma realidades. Em Silvânia, por exemplo, mais de 600 famílias se organizaram em associações, elevando a produtividade do arroz em mais de 200% e a produção de leite em 40%.

A agroecologia e a produção orgânica deixaram de ser apenas nichos de mercado, tornando-se estratégias consolidadas de desenvolvimento sustentável para o Cerrado, integrando ciência, inovação tecnológica, valorização dos agricultores familiares e respeito à biodiversidade.

Outro trabalho inovador é o resgate de sementes tradicionais em comunidades indígenas, que devolve autonomia alimentar e cultural a povos que quase perderam suas variedades originais de milho, mandioca e batata-doce.

Modelo para o mundo

O bioma que um dia foi considerado “impróprio para a agricultura” é hoje uma das principais fontes de alimentos, bioenergia e biodiversidade do planeta. O desafio atual é continuar crescendo com equilíbrio: produzir mais, conservar melhor e garantir que o Cerrado siga sendo o coração produtivo e ecológico do Brasil.

Ao longo de 50 anos, a Embrapa Cerrados mostrou que o conhecimento científico é a base para um futuro sustentável. Graças ao trabalho de centenas de pesquisadores e à cooperação com universidades, produtores e instituições internacionais, o Cerrado tornou-se um laboratório vivo de inovação agrícola e um modelo para o mundo.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Feira Vegana JMA promove edição especial de Halloween no dia 26

 


No dia 26 de outubro (domingo), o Encontro Vegano promove a Feira Vegana JMA, edição especial de Halloween. O evento ocorre com entrada gratuita, na Rua Joaquim Távora, 605, Vila Mariana, das 12h às 19h. Nesta edição, os visitantes e expositores podem participar com fantasias criativas e trajes que combinem com o tema "Gostosuras ou Travessuras".

A feira oferece uma ampla área de alimentação 100% vegana com salgados, doces, hambúrgueres, diversas opções de refeições, hortifruti orgânico e outras delícias livres de ingredientes de origem animal. Além disso, oferece a infraestrutura da feira inclui: equipe de segurança, socorristas com ambulância, limpeza em todos os ambientes, mesas para refeições no local, climatização, música ambiente, degustações em diversos stands e área equipada com acessibilidade.

Ao entrar no salão central há uma verdadeira imersão ao Veganismo, onde o visitante pode conversar com os expositores, autores de livros, ativistas e conhecer mais sobre os produtos cruelty-free (sem crueldade animal), como roupas, calçados, artesanatos, cosméticos, acessórios, itens para decoração, higiene, papelaria, literatura, produtos para pets e o trabalho de ONGs empenhadas pela proteção animal e sustentabilidade.

A organização da feira reserva um espaço para receber doação de rações, jornais e tampinhas para os cuidados com cães idosos e animais resgatados. Na área externa também haverá uma ação especial para adoção responsável de cães.

Sobre o Encontro Vegano JMA

O Encontro Vegano JMA começou como um evento entre amigos para custear o tratamento da gata Marie, resgatada após ser atropelada em uma avenida da cidade de São Paulo. Após 11 anos, já aconteceram mais de 120 edições da feira vegana para reforçar o legado deixado pela Marie e o compromisso da organização em lutar pela libertação animal de toda exploração humana, bem como contribuir com o fortalecimento de pequenas empresas veganas.


 

Feira Vegana JMA, edição especial de Halloween

Quando: 26/10/2025 (domingo)

Horário: das 12h às 19h

Local: Rua Joaquim Távora, 605 — Vila Mariana — São Paulo

Instagram: @encontrovegano

Mais informações: contato@encontrovegano.com.br

WhatsApp: (11) 99656-4844

ENTRADA FRANCA E ATIVIDADES GRATUITAS

Confira as atrações do Seafood Show Latin America 2025


 

Começa na próxima semana um dos mais importantes eventos do setor de pescado da América Latina

 

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Começa na próxima semana o Seafood Show Latin America 2025, um dos maiores e mais importantes eventos do setor de pescados e frutos do mar da América Latina, que acontece entre os dias 21 e 23 de outubro (terça a quinta), no Distrito Anhembi, na capital paulista.

 

No ano passado, o evento recebeu 4 mil profissionais qualificados, participação de 24 estados brasileiros e 18 países, além de visitantes internacionais e mais de 100 marcas expositoras. Os números fortalecem o objetivo dessa grande arena de negócios dedicada a promover o consumo de pescado e reunir os principais representantes dos elos do processamento e comercialização de peixes, moluscos e crustáceos de toda a Região.

 

ATRAÇÕES IMPERDÍVEIS

 

·         Painel organizado pela Associação Brasileira da Gastronomia Japonesa (ABGJ) reunirá chefs e especialistas para discutir a aplicação dos pescados na culinária Nikkei e em outras vertentes da gastronomia japonesa;

·         4ª edição do concurso “Os Melhores Peixeiros do Brasil”, com a participação dos melhores talentos do país, valorizando o trabalho de peixeiras e peixeiros;

 

Concurso Sushi_Seafood

 

·         Campeonato Brasileiro de Sushi que chega à segunda edição trazendo o talento e a criatividade dos melhores sushimen do país demonstrando toda habilidade, técnicas precisas e inovação na arte do sushi;

·         Disputa Fish Burger: promovida pela Chefs Brasil, o hambúrguer de peixe ganha protagonismo nessa disputa inédita da Seafood Show Latin America. Enquanto o mercado gourmet explora novas proteínas e formatos, o peixe ganha espaço nas cozinhas profissionais — e agora chega às grelhas da competição mais saborosa da feira.

·         Prêmio Seafood Innovation Show destaca empresas e projetos com inovações em tecnologias, processos e práticas sustentáveis na indústria de pescado.

·         Seafood Service Show, arena gastronômica com palestras e demonstrações culinárias, com curadoria da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

 

 

Seafood Show Latin America

Data: 21 a 23 de outubro

Horário: das 13h às 20h

Local: Distrito Anhembi (Av. Olavo Fontoura, 1209, Santana, São Paulo/SP)

Ingressos: seafoodshow.com.br (somente para profissionais do setor)

 

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