quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Piscicultura brasileira apresenta aumento recorde nas exportações

 

Foto: Jefferson 

As exportações da piscicultura brasileira apresentaram um crescimento recorde de valor em 2024: aumento de 138%, em relação a 2023, chegando a 59 milhões de dólares. Em volume, o crescimento foi de 102%, passando de 6.815 toneladas para 13.792 toneladas. É o maior aumento em volume exportado desde 2021. O aumento dos embarques de filés frescos foi o principal fator responsável pelo incremento das exportações em 2024, atingindo US$ 36 milhões. Os peixes inteiros congelados foram a segunda categoria mais exportada com US$ 17 milhões. Essas e outras informações constam na mais nova edição do Informativo Comércio Exterior da Piscicultura, produzido pela Embrapa Pesca e Aquicultura, em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura (PeixeBR). A publicação é gratuita e pode ser acessada neste link.

 

De acordo com Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, o motivo do aumento de 138% no valor exportado deve-se à redução no preço da tilápia no mercado interno. “Houve uma importante queda no preço da tilápia paga ao produtor ao longo de 2024. Se no final de 2023 preço da tilápia pago ao produtor chegava a uma média de R$ 9,73 o quilo, ao término de 2024 esse valor caiu para R$ 7,85, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - Cepea. Isso estimulou que algumas empresas passassem a mirar o mercado externo”, explicou.

 

O aumento da cotação do dólar frente ao real também é outro fator que justifica o aumento das exportações, além da elevação da produção da tilápia. “Houve um aumento de produção da espécie, e o mercado interno não absorveu a maior oferta. Com isso, as empresas buscaram outros países para vender o pescado”, explica Pedroza.

 

Tilápia responde por 94% das exportações

 

A tilápia representa 94% das exportações na piscicultura nacional, totalizando US$ 55,6 milhões – crescimento de 138% em relação ao ano anterior. Em volume, houve um crescimento de 92%, atingindo 12.463 toneladas de tilápia vendida a outros países. Os curimatás ocuparam a segunda posição, com US$ 1,2 milhão e crescimento de 437% em valor.

 

Os Estados Unidos foram o país que mais importou o peixe brasileiro, sendo responsável por 89% das exportações nacionais da piscicultura em 2024, totalizando US$ 52,3 milhões. A principal espécie vendida aos norte-americanos foi a tilápia. Já os peixes nativos foram a preferência do Peru, que importou US$ 1,1 milhão de curimatá, US$ 746 mil de pacu e US$ 571 mil do nosso tambaqui.

 

Apesar do crescimento recorde nas exportações em 2024, a balança comercial de produtos da piscicultura fechou com déficit de US$ 992 milhões, devido ao aumento das importações que atingiram US$ 1 bilhão. O salmão é a principal espécie importada na piscicultura pelo Brasil, seguido pelo pangasius. “Houve um aumento de 9% em valor da importação do salmão e em 5% em volume, atingindo a marca de 909 milhões de dólares. Isso corresponde a 87% do volume total importado pelo país”, afirma Pedroza.


ABAG considera que presidente da COP vai contribuir positivamente com agenda global do clima

 


A Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) recebeu de maneira muito positiva a nomeação do embaixador André Corrêa do Lago para presidir a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que acontecerá neste ano em Belém (PA) e parabeniza o diplomata por aceitar o desafio.

Para o presidente da entidade, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o diplomata Corrêa do Lago é reconhecido por sua grande experiência em assuntos climáticos e negociações internacionais.

“A COP30 tem um presidente capaz de conduzir as discussões em um momento crucial para a agenda global do clima, a sustentabilidade e a preservação. Um diplomata experiente, hábil e aberto ao diálogo, que vai contribuir para posicionar o nosso país como protagonista nesta agenda, reconhecer que o agronegócio é parte da solução para o combate às mudanças climáticas e implementar de forma efetiva as ações de mitigação”

Vale mencionar que o embaixador é o atual secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, e tem atuado com temas referentes ao desenvolvimento sustentável e a bioeconomia.

A ABAG cumprimenta também a secretária Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, nomeada como diretora-executiva da COP.

UPL e Future Climate firmam parceria inédita para elevar o desempenho econômico e socioambiental da agropecuária



  • Parceria estabelece um marco para o setor, pois integra a nova economia do clima ao sistema de inovação e sustentabilidade do moderno agronegócio brasileiro 

São Paulo, 21 de janeiro de 2025 – A UPL Ltd. (NSE: UPL, BSE: 512070, LSE: UPLL), fornecedora global de soluções agrícolas sustentáveis, e a Future Climate, plataforma de negócios climáticos, anunciaram um acordo de colaboração para implementar um programa ambicioso com foco na agricultura regenerativa e no desenvolvimento de serviços ambientais. A união visa o fortalecimento de iniciativas sustentáveis nas cadeias de valor do agronegócio, de modo a destravar o potencial dos negócios do Brasil nesse setor. 

Com origem indiana e presente em mais de 130 países, a UPL é uma das cinco maiores companhias globais em seu ramo de atuação – que inclui biológicos e químicos –, e no Brasil, ocupa a quarta posição em faturamento, sendo a segunda maior fornecedora para o segmento de cooperativas. A empresa busca alinhar seu crescimento ao compromisso com práticas sustentáveis, aproveitando o vasto potencial do Brasil, para ampliar seus programas de agricultura regenerativa, biossoluções e descarbonização da agropecuária. 

Com a parceria, a Future Climate passará a atuar numa série de projetos com a UPL, incluindo: um inventário de emissões e um programa de redução de emissões corporativo; difusão de novas metodologias para remuneração de serviços ambientais; consultoria técnica para mensuração e desenvolvimento de protocolos agrícolas mais sustentáveis, com foco no aumento do sequestro de carbono no solo e adoção de biossoluções; e apoio à aplicação da inteligência climática no campo por meio do Programa Fazenda Carbono Inteligente. 

Rogério Castro, CEO da UPL Brasil afirma: "Esta parceria reforça nosso compromisso global de reimaginar a sustentabilidade na produção de alimentos. Isso começa por nossas práticas internas, que já estão bastante avançadas – como comprova nosso Relatório de Sustentabilidade –, como em ações externas, que auxiliem nossos clientes a avançarem nesse tema. Temos muito orgulho de levantar a bandeira da descarbonização do campo, algo que é fundamental para que nosso país continue colhendo mais e melhor. O campo sustentável é sinônimo de segurança alimentar para bilhões de pessoas que dependem dos frutos do agronegócio". 

Fábio Galindo, CEO da Future Climate, diz: "Estamos impulsionando uma mudança de paradigma, provando que é possível gerar valor econômico ao mesmo tempo em que incentivamos as práticas regenerativas, a adoção de biossoluções e a redução das emissões. Esse projeto reforça nosso compromisso de liderar a transição para uma economia de baixo carbono e promover uma agricultura ainda mais sustentável no Brasil e no mundo". 

Mercado de carbono e o agro 

Embora o agronegócio e o mercado de carbono ainda enfrentem desafios de integração, a UPL e a Future Climate veem nessa parceria uma oportunidade para promover uma maior conexão entre os setores. A geração de créditos de carbono por meio de práticas agrícolas regenerativas é uma das apostas da UPL para liderar essa transformação. "Nosso objetivo é estabelecer inciativas que elevem o desempenho econômico e socioambiental da agropecuária brasileira", comenta Castro. Já Galindo acrescenta: "Damos o claro sinal de que é possível trazer essa nova economia baseada em soluções climáticas e transição energética para o agronegócio". 

Soluções para o agro brasileiro 

A UPL considera que acelerar a adoção de biossoluções é uma das maneiras de tornar o setor agropecuário brasileiro mais sustentável e competitivo. A iniciativa ganha ainda mais relevância, ao considerar que a UPL é uma das líderes no fornecimento de insumos biológicos no Brasil e no mundo, por meio de sua unidade de negócios Natural Plant Protection (NPP). Nos últimos anos o segmento de biológicos experimentou uma grande expansão, ocasionada pela busca por práticas agrícolas mais sustentáveis e rentáveis. 

O trabalho da Future Climate também envolverá a aplicação da inteligência climática do programa Fazenda Carbono Inteligente em propriedades rurais selecionadas pela UPL. Esse programa tem o objetivo de identificar oportunidades para a geração de ativos ambientais, incluindo os créditos de carbono e mapear potenciais riscos climáticos, seja nas áreas rurais que constituem a cadeia de fornecimento da empresa, clientes ou consumidores. 

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Conab aponta para safra de café em 54,2 milhões de sacas em 2024 impactada por clima adverso

 As condições climáticas se mostraram desafiadoras para o setor cafeeiro nos últimos quatro anos - geadas, restrição hídrica e altas temperaturas, ocasionadas pelos fenômenos climáticos. O clima adverso registrado no ano passado e no final de 2023 trouxe impacto para importantes regiões produtoras de café, influenciando negativamente na produtividade média das lavouras. Com isso, a safra do grão se encerra estimada em 54,2 milhões de sacas de 60kg, como mostra o 4º e último levantamento da cultura para o ciclo de 2024 divulgado nesta terça-feira (21) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O resultado é 1,6% abaixo do volume produzido na safra de 2023. Quando comparado com 2022, último ano de alta de bienalidade, observa-se um crescimento de 3,3 milhões de sacas.

A área total destinada à cafeicultura no país, em 2024, totaliza 2,23 milhões de hectares, sendo 1,88 milhão de hectares com lavouras em produção e 353,6 mil hectares em formação. A produtividade média nacional de café, finalizada em 28,8 scs/ha, é 1,9% abaixo da obtida na safra de 2023. 

Maior estado produtor de café no país, responsável por 52% da produção, Minas Gerais registra uma colheita de 28,1 milhões de sacas, queda de 3,1% em comparação ao total colhido na safra anterior. Essa redução se deve às estiagens acompanhadas por altas temperaturas durante o ciclo das lavouras e, agravadas, a partir de abril, quando as chuvas praticamente cessaram em todo o estado, com registros de precipitações pontuais e de baixos volumes.

Arábica e conilon – Entre as espécies, apesar deste ano de ciclo de bienalidade positiva, o desempenho médio do arábica apresenta pequeno incremento de 0,2% devido às adversidades climáticas durante o desenvolvimento das lavouras observadas, principalmente, em Minas Gerais. Com isso, a produção de arábica totaliza 39,6 milhões de sacas de café beneficiado, aumento de 1,8% em relação à safra passada.

Já para o conilon, a Conab verifica redução de 5,9% na produtividade média, chegando a 39,2 scs/ha, o que resulta em uma safra de 14,6 milhões de sacas. Apenas no Espírito Santo, a produção atingiu 9,8 milhões de sacas, redução de 3,1% em relação ao volume obtido em 2023. Apesar do ciclo no estado capixaba ter apresentado um potencial produtivo muito bom no seu início, as condições climáticas entre outubro e dezembro de 2023, com episódios de ondas de calor intensas, proporcionaram uma quebra deste potencial na safra de 2024. O levantamento da safra cafeeira no Espírito Santo é realizado em conjunto com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – Incaper. As possíveis diferenças com outras instituições são sempre motivo de análise pela Conab.

Outro importante produtor de conilon, Rondônia registra uma safra de pouco mais de 2 milhões de sacas de café, 31,2% abaixo do resultado obtido na safra anterior. Assim como no Espírito Santo, o clima adverso registrado no final de 2023 também impactou no volume colhido no ano passado, além do ajuste de área devido ao mapeamento.

Mercado – O Brasil exportou 50,5 milhões de sacas de 60 quilos de café em 2024, número que representa um novo recorde e alta de 28,8% na comparação com o ano anterior, segundo dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Essa exportação gerou uma receita de US$ 12,3 bilhões em 2024, o maior valor já registrado no Brasil, representando uma alta de 52,6% na comparação com 2023.

A quantidade exportada pode ser composta de estoques de produção de diferentes anos-safra. Nesse sentido, entende-se que o quadro de suprimento não pode levar em consideração apenas o volume produzido na última safra.

Entre os motivos que contribuíram para o crescimento nas exportações de café do país em 2024 estão a valorização do produto no mercado internacional e a valorização do dólar. O cenário de oferta e demanda global ajustado influenciou a alta dos preços do produto no ano passado, mesmo com a recuperação da produção em alguns países. Outro fator altista para os preços foi a ocorrência de novas adversidades climáticas em importantes países produtores, que limita a recuperação da oferta futura.

Pesquisa usa tecnologia de ponta para definir a “impressão digital” da carne gaúcha

 Mais de 20 pesquisadores de diferentes instituições brasileiras compõem um estudo, capitaneado pela Embrapa Pecuária Sul (RS), que tem como objetivo identificar a “impressão digital” da carne bovina gaúcha, de acordo com os diversos sistemas de produção e territórios em que é produzida. A partir de ferramentas de metabolômica, ciência de ponta que permite conhecer a fundo o sistema biológico dos animais, a pesquisa vai fazer uma ampla caracterização da carne produzida no estado, relacionando a sua composição ao ambiente de criação e aos reflexos para a saúde humana. Para isso, conta com suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs).

 

O projeto, intitulado “Prospecção nutricional e metabolômica da carne bovina produzida em sistemas pecuários modais do Rio Grande do Sul e seus potenciais impactos na saúde humana”, é liderado pela pesquisadora da Embrapa Élen Nalério. A premissa é que diferentes sistemas produtivos, formas de criação animal, intensidades de produção, solo, raça, entre outros fatores, interferem nos sistemas biológicos dos animais e, por consequência, na carne produzida.


Em um primeiro momento, o projeto vai identificar os sistemas de produção de gado de corte modais, ou seja, os mais prevalentes no Rio Grande do Sul. “Entre esses, vamos selecionar entre três e cinco a serem estudados. A partir daí, faremos uma ampla análise das características da carne, buscando relacionar com o tipo de sistema e o local em que foi produzida”, explica Nalério.


Para a caracterização da carne, serão utilizadas ferramentas inovadoras, como a metabolômica, uma área da ciência relativamente nova, que possibilita chegar a uma sinopse bioquímica de um sistema biológico, investigando, por exemplo, as relações e o impacto de determinado sistema produtivo na qualidade do produto final da pecuária de corte, que é a carne.

 

A técnica permite identificar os diferentes metabólitos formados na carne durante a vida do animal.  “Com o refinamento da metabolômica, conseguimos ampliar a nossa visão e a compreensão sobre os muitos compostos presentes na carne, e não apenas dos macronutrientes”, complementa a pesquisadora.

 

Inteligência computacional vai definir padrões nutricionais

Outra ferramenta que será utilizada é a inteligência computacional (IC) para o desenho de modelos com as características avaliadas em cada sistema de produção. Para tanto, será criado um banco de dados com todas as informações coletadas, como o tipo de solo, a região, o sistema produtivo, que tipo de alimentação o animal teve, a idade de abate, entre outras, além de dados obtidos em laboratório nas análises das amostras de carne. A partir disso, será feito um processo de aprendizado de máquina com o objetivo de desenvolver algoritmos e modelos capazes de aprender padrões a partir dos dados coletados na pesquisa.

 

Com as ferramentas de IC será possível estabelecer padrões de perfis nutricionais vinculados ao ambiente produtivo que deu origem à carne. Segundo Nalério, uma vez estabelecidos esses padrões, os modelos poderão ser aplicados em sistemas similares para estimar o perfil nutricional em pesquisas e análises futuras. “A IC também estabelecerá perfis de saudabilidade e como cada tipo de carne poderá contribuir para o suprimento das necessidades diárias de consumo de proteínas e de outros nutrientes”, acrescenta.

 

A pesquisadora destaca ainda a importância da equipe multidisciplinar que participa da pesquisa. “Temos representantes de diferentes áreas de atuação no estudo, como por exemplo, matemáticos e pesquisadores de TI para o trabalho com inteligência computacional”, pontua. Além disso, o projeto conta com pesquisadores da Embrapa Gado de Leite (MG), Universidade Federal do Pampa (Unipampa), Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com expertises nas áreas de produção animal, química e engenharia de alimentos, ciência da carne, estatística, física e matemática aplicada.

 

Dados podem combater desinformações sobre o consumo de carne

Um dos resultados previstos no projeto é a disponibilização dessas informações para a sociedade, a partir de um dossiê com as características do produto carne nos diferentes sistemas de produção. A expectativa é que o conhecimento gerado contribua para a tomada de decisão consciente quanto à inclusão da carne nas dietas. De acordo com Nalério, uma das ferramentas de IC que será desenvolvida prevê relacionar os requerimentos diários de nutrientes com a forma como as carnes podem ser utilizadas nesse processo. “As informações geradas também poderão subsidiar o Guia Alimentar para a População Brasileira, com dados mais precisos da carne gaúcha, além de combater desinformações sobre a composição das carnes e o impacto do seu consumo para a saúde humana”, ressalta.


Para ela, existe uma mudança do perfil dos consumidores, bem como muitas pressões sociais, comerciais e ambientais que têm constantemente questionado tanto a produção quanto o consumo de carne. Isso leva a uma preocupação em larga escala sobre os efeitos da carne na saúde humana e também nas mudanças do clima. “Porém, nossos indícios apontam que as carnes gaúchas podem ofertar características interessantes para os consumidores, tanto sob o ponto de vista de eficiência de produção, quanto em termos de saudabilidade”, observa. Os dados gerados também poderão ser utilizados para a valorização da carne gaúcha, abrindo mercados e criando subsídios para distinções de origem ou selos de qualidade.


A pesquisadora afirma ainda que tem a intenção de fazer um projeto similar em todo o Brasil, abrangendo os diferentes sistemas de produção e biomas do País. “Um dos objetivos desse projeto no Rio Grande do Sul é expandir os conhecimentos para desenvolver e validar metodologias que poderão ser aplicadas em pesquisas em outras regiões”, enfatiza.

 

Análises vão considerar dados dos ambientes produtivos e de laboratório

Nas propriedades pecuárias monitoradas serão coletadas as informações que vão compor o banco de dados para o estabelecimento das características do ambiente de produção e do perfil nutricional das carnes. Para tanto, serão avaliados dados referentes ao tipo de alimentação (dieta), raça, sexo, idade do abate, tempo na terminação, fertilidade e estoque de carbono de solo, taxa de lotação, localização geográfica, intensidade de emissões de metano entérico, produção e valor nutritivo do pasto.

 

Já as amostras de carne serão coletadas junto aos frigoríficos no dia do abate dos lotes de animais de cada estabelecimento rural. Uma porção entre a 11ª e a 13ª costelas, correspondente ao músculo Longissimus dorsi, será coletada para a realização das análises físico-químicas, de ácidos graxos, vitaminas e minerais e metabolômica. Os dados de características de carcaça (peso de carcaça quente, acabamento de gordura, conformação e rendimento de carcaça), serão obtidos junto aos frigoríficos. As amostras, após serem submetidas ao congelamento rápido, serão encaminhadas para o Laboratório de Ciência e Tecnologia de Carnes da Embrapa Pecuária Sul e para a Unipampa para realização das análises.


domingo, 19 de janeiro de 2025

O cuidado com a saúde mental nas empresas vai aumentar

 


*Rui Brandão

Cuidar da saúde mental dos colaboradores sempre foi necessário, mas, de uns tempos para cá, tornou-se essencial para a sustentabilidade dos negócios das empresas e para o bem-estar das pessoas que nelas trabalham. Mudanças legislativas têm pressionado as organizações a buscarem caminhos que levem ao equilíbrio da saúde da mente.

Uma das mais recentes e importantes é a Portaria 1.999, de 27 de novembro de 2023, que atualiza a lista de doenças do trabalho de 182 para 347. Ela põe o burnout e abuso de drogas, por exemplo, ao lado da ansiedade e depressão como enfermidades que podem ser adquiridas em ambiente corporativo.

Outro exemplo para incentivar boas práticas corporativas é a criação de estímulos para instituições que incentivam o zelo à saúde mental dos colaboradores, por meio da Lei n° 14.831, sancionada em março deste ano. Ela prevê a concessão do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental às organizações que geram mais bem-estar a seus funcionários. O reconhecimento a quem implementa ações para este fim torna o ambiente de trabalho mais saudável. Além disso, é o primeiro passo para colocar em xeque empresários que não se importam com isso.

Apesar de o pontapé inicial para a disseminação desta cultura de cuidar da mente das pessoas ter sido dado pelo poder legislativo, a preocupação com a saúde dos colaboradores ainda não é tão evidenciada como política corporativa quanto poderia.

Por isso, é possível afirmar que o ambiente dentro das organizações é, nos dias de hoje, pouco saudável. Este fato pode ser comprovado por meio de pesquisa da Conexa, ecossistema digital de saúde integral, realizada com gestores e profissionais de recursos humanos de 767 empresas do País no segundo semestre de 2023. Das 1.589 pessoas que participaram do levantamento, 83% afirmaram ter ocorrido afastamento em sua corporação por doenças mentais dos colaboradores naquele ano.

Segundo estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também em 2023, elaborado para identificar como as empresas cuidam da saúde mental dos funcionários, 54% dos entrevistados admitiram ter sofrido com transtorno mental e 63% disseram que não receberam apoio da liderança para lidar com a doença.

Apesar de o cuidado com a saúde da mente dos trabalhadores não ser uma política adotada pela maioria no mundo corporativo, há uma boa notícia para ser contada. Já dá para dizer que há algumas poucas organizações olhando para o futuro. Isso, além de ser um avanço, diz quem está à frente neste processo.

Até há pouco tempo, os RHs recebiam muitos atestados, pedidos de licenças ou afastamentos por problemas físicos, como ortopédicos, cardíacos e oncológicos. Atualmente, boa parte dos afastamentos é por transtornos mentais. E não é pouca coisa. Em 2023, foram 288.865, alta de 38%, conforme dados do Ministério da Previdência Social.

O que fazer com um colaborador que está afastado por depressão, por exemplo: entrar em contato, não entrar em contato? E na volta deste colaborador ao trabalho, como recebê-lo? Como tratá-lo? Ele poderá estar com receio de ser demitido após algum tempo? 

O melhor caminho nessas situações é o RH atuar com transparência e respeito. Ao saber que um funcionário está ou será afastado, por exemplo, o ideal é combinar o que ele prefere que se faça: perguntar como ele gostaria que sejam feitos os contatos: receber ligações ou mensagens; verificar que tipo de ajuda ele precisa, como a empresa poderá ajudá-lo. Enfim, mostrar empatia e que a empresa se importa com ele.

As organizações passaram a pedir consultorias especializadas e orientações sobre programas de saúde mental para colaboradores, o que mostra preocupação genuína em relação ao assunto.

O processo de conscientização em relação à importância do bem-estar dos funcionários está em fase inicial. Mas esta cultura já começa a ser vista nas empresas. O avanço para a implementação de políticas que promovam a saúde mental no ambiente corporativo é necessário. Quem não se mexer agora, vai ficar para trás. O espaço será preenchido por empresas que querem cuidar de gente. Afinal, quem não prefere trabalhar em um ambiente saudável e agradável?



 

*Rui Brandão é vice-presidente de Saúde Mental da Conexa. Médico, com mais de dez anos de experiência na área de Saúde, tem MBA em Business and Management pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 2016, fundou o Zenklub – hoje, uma empresa Conexa –, após sua mãe sofrer um burnout. Desta forma, percebeu que assim poderia ajudar pessoas em uma escala maior do que conseguiria ao atender em clínicas ou hospitais

O cuidado com a saúde mental nas empresas vai aumentar

 


*Rui Brandão

Cuidar da saúde mental dos colaboradores sempre foi necessário, mas, de uns tempos para cá, tornou-se essencial para a sustentabilidade dos negócios das empresas e para o bem-estar das pessoas que nelas trabalham. Mudanças legislativas têm pressionado as organizações a buscarem caminhos que levem ao equilíbrio da saúde da mente.

Uma das mais recentes e importantes é a Portaria 1.999, de 27 de novembro de 2023, que atualiza a lista de doenças do trabalho de 182 para 347. Ela põe o burnout e abuso de drogas, por exemplo, ao lado da ansiedade e depressão como enfermidades que podem ser adquiridas em ambiente corporativo.

Outro exemplo para incentivar boas práticas corporativas é a criação de estímulos para instituições que incentivam o zelo à saúde mental dos colaboradores, por meio da Lei n° 14.831, sancionada em março deste ano. Ela prevê a concessão do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental às organizações que geram mais bem-estar a seus funcionários. O reconhecimento a quem implementa ações para este fim torna o ambiente de trabalho mais saudável. Além disso, é o primeiro passo para colocar em xeque empresários que não se importam com isso.

Apesar de o pontapé inicial para a disseminação desta cultura de cuidar da mente das pessoas ter sido dado pelo poder legislativo, a preocupação com a saúde dos colaboradores ainda não é tão evidenciada como política corporativa quanto poderia.

Por isso, é possível afirmar que o ambiente dentro das organizações é, nos dias de hoje, pouco saudável. Este fato pode ser comprovado por meio de pesquisa da Conexa, ecossistema digital de saúde integral, realizada com gestores e profissionais de recursos humanos de 767 empresas do País no segundo semestre de 2023. Das 1.589 pessoas que participaram do levantamento, 83% afirmaram ter ocorrido afastamento em sua corporação por doenças mentais dos colaboradores naquele ano.

Segundo estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), também em 2023, elaborado para identificar como as empresas cuidam da saúde mental dos funcionários, 54% dos entrevistados admitiram ter sofrido com transtorno mental e 63% disseram que não receberam apoio da liderança para lidar com a doença.

Apesar de o cuidado com a saúde da mente dos trabalhadores não ser uma política adotada pela maioria no mundo corporativo, há uma boa notícia para ser contada. Já dá para dizer que há algumas poucas organizações olhando para o futuro. Isso, além de ser um avanço, diz quem está à frente neste processo.

Até há pouco tempo, os RHs recebiam muitos atestados, pedidos de licenças ou afastamentos por problemas físicos, como ortopédicos, cardíacos e oncológicos. Atualmente, boa parte dos afastamentos é por transtornos mentais. E não é pouca coisa. Em 2023, foram 288.865, alta de 38%, conforme dados do Ministério da Previdência Social.

O que fazer com um colaborador que está afastado por depressão, por exemplo: entrar em contato, não entrar em contato? E na volta deste colaborador ao trabalho, como recebê-lo? Como tratá-lo? Ele poderá estar com receio de ser demitido após algum tempo? 

O melhor caminho nessas situações é o RH atuar com transparência e respeito. Ao saber que um funcionário está ou será afastado, por exemplo, o ideal é combinar o que ele prefere que se faça: perguntar como ele gostaria que sejam feitos os contatos: receber ligações ou mensagens; verificar que tipo de ajuda ele precisa, como a empresa poderá ajudá-lo. Enfim, mostrar empatia e que a empresa se importa com ele.

As organizações passaram a pedir consultorias especializadas e orientações sobre programas de saúde mental para colaboradores, o que mostra preocupação genuína em relação ao assunto.

O processo de conscientização em relação à importância do bem-estar dos funcionários está em fase inicial. Mas esta cultura já começa a ser vista nas empresas. O avanço para a implementação de políticas que promovam a saúde mental no ambiente corporativo é necessário. Quem não se mexer agora, vai ficar para trás. O espaço será preenchido por empresas que querem cuidar de gente. Afinal, quem não prefere trabalhar em um ambiente saudável e agradável?



 

*Rui Brandão é vice-presidente de Saúde Mental da Conexa. Médico, com mais de dez anos de experiência na área de Saúde, tem MBA em Business and Management pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 2016, fundou o Zenklub – hoje, uma empresa Conexa –, após sua mãe sofrer um burnout. Desta forma, percebeu que assim poderia ajudar pessoas em uma escala maior do que conseguiria ao atender em clínicas ou hospitais

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