O The Good Food Institute (GFI) tem se consolidado como uma das principais organizações dedicadas à promoção de proteínas alternativas e à construção de sistemas alimentares mais sustentáveis. Com um foco global, a organização é conhecida por fomentar inovações em pesquisa, políticas públicas e desenvolvimento tecnológico no setor. A parceria e colaboração do GFI com o evento New Meat Brazil 2025 da TrioXP - Feiras e Eventos, que acontecerá em março, trará ao Brasil essa experiência internacional, conectando o país às mais avançadas discussões sobre o futuro da alimentação.
Atuação em eventos internacionais: um impulso para o Brasil
Em eventos como a COP28 e a conferência SB60 em Bonn na Alemanha, o GFI tem sido um defensor ativo da inclusão de sistemas alimentares sustentáveis nas metas climáticas globais. Na SB60, por exemplo, destacou a necessidade urgente de mais financiamento para desenvolver proteínas alternativas, especialmente em países do Sul Global, como o Brasil. Essa abordagem tem impulsionado discussões sobre como sistemas alimentares inovadores podem mitigar as mudanças climáticas, uma questão crucial para o futuro do Brasil.
A participação do GFI na COP28 reforçou essa pauta, ao pressionar por compromissos climáticos que incluam transformações no setor de alimentos. Com essa trajetória internacional, a organização tem sido uma referência importante no avanço de políticas que promovem uma agricultura mais sustentável, algo que será amplamente debatido no New Meat Brazil.
Contribuição para o mercado brasileiro
A presença do GFI no Brasil traz grande potencial para fortalecer o país como líder em proteínas alternativas. Iniciativas como o Programa Biomas, do GFI Brasil, que visa o desenvolvimento de ingredientes a partir de espécies nativas da Amazônia e do Cerrado, mostram como a inovação local pode transformar o país em um protagonista global do setor. Além de promover a economia e gerar novas oportunidades de negócios, o Brasil tem a chance de contribuir significativamente para a redução do impacto ambiental da produção de alimentos.
A expertise do GFI em temas de pesquisa e desenvolvimento aplicados a proteínas plant-based, cultivadas e fermentadas será essencial para o evento de 2025. A New Meat Brazil contará com discussões de alto padrão e oportunidades de networking com especialistas e empresas nacionais e internacionais, abrindo caminho para novos investimentos e parcerias que podem transformar o mercado nacional.
Expectativas para o New Meat Brazil 2025
Com a experiência acumulada em eventos internacionais, o GFI está bem posicionado para colaborar com o New Meat Brazil 2025, fortalecendo o debate sobre o futuro das proteínas alternativas no Brasil. O evento será uma vitrine das mais recentes inovações e trará ao país um olhar global sobre as possibilidades de crescimento do setor. A participação do GFI, com suas iniciativas locais e visão estratégica, deverá impulsionar o desenvolvimento de cadeias produtivas mais sustentáveis, contribuindo para a transformação da alimentação e a promoção de uma economia verde.
A expectativa é que, com o apoio do GFI, o New Meat Brazil 2025 ajude a consolidar o Brasil como um hub de inovação, atraindo atenção internacional e posicionando o país na vanguarda da transição para uma alimentação mais sustentável.
SERVIÇO NEW MEAT BRAZIL:
QUANDO
14 e 15 de março de 2025
ONDE
Centro de Convenções Frei Caneca - 6º andar, São Paulo
Agroextrativista em Breves, Maciel Toledo segura cacho de açaí: instalação de Distrito Agrotecnológico promete levar agricultura digital a pequenos produtores na Ilha do Marajó (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
Agência FAPESP* –André Julião, de Breves (PA) | Agência FAPESP* – Com 21 anos, William Batista é um entusiasta das tecnologias digitais. Apesar da internet lenta disponível na comunidade onde vive, Jupatituba, no município de Breves (PA), na Ilha do Marajó, ele usa o celular para postar vídeos e estudar para o curso de magistério.
O futuro professor, no entanto, quer ir além. Espera usar tecnologia para cuidar das terras da família, onde maneja o açaí. “Com um drone poderíamos fazer um mapeamento e identificar as áreas mais adequadas para o plantio, sem ter de necessariamente ir até o local, que muitas vezes é de difícil acesso”, conta Batista.
A demanda foi uma das muitas ouvidas pelos pesquisadores do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Agricultura Digital (Semear Digital) durante visita à comunidade em outubro de 2024, acompanhada pela Agência FAPESP.
Sediado na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas, o Semear Digital é um dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) apoiados pela FAPESP. Seu objetivo é levar conectividade, capacitação e desenvolvimento de tecnologias de agricultura digital para pequenos e médios produtores das cinco regiões do país, por meio de dez Distritos Agrotecnológicos (DATs) (leia mais em: agencia.fapesp.br/41128 e agencia.fapesp.br/50214).
“Esse DAT foi selecionado a partir de uma metodologia onde avaliamos indicadores econômicos, ambientais e sociais entre os mais de 5 mil municípios do Brasil. Breves foi aquele que apresentou mais desafios na Amazônia, tanto do ponto de vista da conectividade quanto do próprio bioma”, explica Silvia Massruhá, presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e coordenadora do Semear Digital.
O projeto tem ainda como instituições associadas o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA).
O DAT de Breves terá como foco a cadeia produtiva do açaí e o manejo de abelhas nativas. Atualmente, a Embrapa Amazônia Oriental, com sede em Belém, realiza atividades afins neste e em outros municípios da Ilha do Marajó. Por isso, a unidade da empresa será o ponto focal do projeto na localidade.
Frutos de açaí vendidos em feira livre em Belém, de onde vão para beneficiamento (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
Massruhá conta que, durante as atividades junto aos produtores, os pesquisadores perceberam que as pessoas levavam o celular para o campo, mesmo que este não tivesse propriamente uma função na atividade. Foi aí que viram o potencial para desenvolver aplicações que pudessem apoiar, por exemplo, o manejo de mínimo impacto de açaizais nativos, uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa.
Neste caso, o aplicativo criado foi o Manejatech Açaí, por meio do qual é possível fazer o inventário dos açaizais de uma área e aplicar os métodos mais adequados de manejo, como espaçamento entre as plantas e o número de árvores de outras espécies que devem estar no mesmo espaço. A aplicação funciona mesmo sem acesso à internet.
“Eram informações coletadas pelos pesquisadores, levadas para a Embrapa, processadas e trazidas em outra visita. Hoje, com a tecnologia, você pode fazer isso de forma instantânea, dando agilidade entre a pesquisa e a adoção da tecnologia”, analisa Massruhá.
Açaí e mel
O Semear Digital vai apoiar ainda uma atividade recente na região, com grande potencial de geração de renda aos agricultores: a melipolinicultura. A criação de abelhas nativas, sem ferrão, ajuda a conservar espécies desse inseto social ameaçadas justamente pela atividade humana, ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade dos açaizais entre 30% e 70%, a depender da espécie e da distância das colmeias em relação às flores do açaizeiro.
Enilson Solano (à esq.) e Daniel Pereira, da Embrapa Amazônia Oriental, apresentam criação de abelhas
à presidente da Embrapa, Silvia Massruhá (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
“As abelhas sem ferrão têm um vínculo muito próximo com a cultura do açaí, principalmente porque uma boa parte delas são abelhas pequenas, então conseguem polinizar as flores dos açaizeiros. Existe uma relação antiga entre as populações da região e as abelhas, mas esse conhecimento foi perdido por uma série de fatores”, narra Daniel Santiago Pereira, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.
O pesquisador acrescenta que, entre as diversas espécies de abelhas nativas, muitas exclusivas da Ilha do Marajó, algumas produzem méis com propriedades bioativas diferentes das encontradas nos mais conhecidos, o que pode ter um grande apelo de mercado.
“A conectividade vem para facilitar a interação com o maior número possível de produtores, possibilitando que esse conhecimento possa ser novamente apropriado por essas populações”, acredita Pereira.
Atualmente, a Embrapa Amazônia Oriental disponibiliza duas aplicações digitais voltadas à melipolinicultura. O Infobee agrega informações sobre as diferentes espécies e formas de manejo. Enquanto o Zapbee usa inteligência artificial para permitir que melipolinicultores possam tirar dúvidas pelo Whatsapp com um robô sobre a criação de abelhas, tanto nativas quanto introduzidas.
“Estamos aprimorando a tecnologia para que as pessoas possam mandar mensagens de voz e receberem as respostas também em áudio, facilitando o acesso mesmo para aqueles com baixa escolaridade”, afirma Michell Costa, analista da Embrapa Amazônia Oriental.
Demandas
Com cerca de 40 mil quilômetros quadrados (km2), a Ilha do Marajó tem em torno de 97% de áreas naturais, exercendo grande contribuição para a regulação climática e a manutenção da biodiversidade.
O município de Breves, com pouco mais de 106 mil habitantes, possui cerca de metade da população na área urbana, que ocupa cerca de 9,3 km2, um milésimo do território do município, de mais de 9 mil km2 (a área da cidade de São Paulo, por exemplo, é de pouco de mais de 1,5 mil km2).
Em 2022, apenas 6,1% dos domicílios estavam conectados à rede de esgoto e 9% da população tinha emprego formal. No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o município figura com a marca de 0,503, pouco acima da vizinha Melgaço, cidade com o pior desempenho do Brasil (0,418) e bem abaixo da primeira colocada, São Caetano do Sul (SP) (0,862). Os números de IDH disponíveis para o Brasil, porém, são de 2010.
Assim como os outros nove Distritos Agrotecnológicos do Semear Digital distribuídos no Brasil, o município foi escolhido por meio de uma metodologia desenvolvida no Instituto de Economia Agrícola, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.
Entre os mais de 5 mil municípios brasileiros, foram cruzadas oito variáveis, como educação, economia, infraestrutura e estrutura fundiária, e, a partir delas, 33 indicadores. A ideia era que, nos municípios escolhidos, a implantação do projeto pudesse causar impacto real na população e na agricultura. A partir de uma lista com os mais adequados na região Norte, Breves foi escolhido levando em consideração fatores adicionais, como governança local e atividade agropecuária.
“Esse é um DAT com características muito diferentes dos outros selecionados no Brasil, pois a base de sua economia agrícola é o extrativismo. Além disso, possui dificuldades de mobilidade entre as comunidades. Estamos certos de que a agricultura digital e a conectividade causarão grande impacto não só na população ribeirinha, mas também em toda a cadeia de valor do açaí e do mel”, diz Priscilla Fagundes, pesquisadora do IEA.
A principal tarefa na primeira visita foi justamente o levantamento das demandas da população. A ideia era entender como a agricultura digital pode ajudar na produção do açaí, principal produto da região, e na melipolinicultura, que ainda dá os primeiros passos no território.
Celso Vegro, pesquisador do IEA, realiza entrevista em comunidade de Breves (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
“Como em todos os outros DATs que instalamos, a primeira necessidade relatada aqui é o próprio acesso à internet de qualidade. Uma das ideias é usar a conectividade para melhorar a venda do açaí e a compra de insumos, sem falar em como ela poderia melhorar o acesso à saúde e à educação”, aponta Édson Bolfe, pesquisador da Embrapa Agricultura Digital.
Durante a dinâmica de grupo em que participaram com representantes da comunidade, os pesquisadores identificaram ainda uma demanda por rastreabilidade e certificação da produção, um dos eixos temáticos de pesquisa do Semear Digital. Outros eixos incluem inteligência artificial, sensoriamento remoto e agricultura de precisão
“O açaí colhido aqui passa por dois ou três atravessadores até chegar ao consumidor. Os produtores gostariam que a qualidade do produto deles fosse reconhecida em Belém e nas outras cidades onde é consumido”, diz Bolfe.
Com base na visita, um relatório elaborado pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), uma das instituições parceiras do Semear Digital, apontou as principais possibilidades para instalação de conexão de melhor qualidade na área. O projeto não instala internet nas comunidades, mas articula com empresas locais e o poder público para que isso ocorra.
“Além das opções de conexão via satélite, atualmente no limite de operação, vislumbramos como viável a implementação de uma infraestrutura de conectividade terrestre. A proposta envolve a instalação de uma antena de 50 metros de altura em um torrão de terra firme previamente identificado, oferecendo cobertura 5G. Essa configuração permitiria alcançar um raio de aproximadamente 10 km a partir do local da antena, beneficiando a maioria das comunidades na região”, indica Fuad Abinader, pesquisador do CPQD em Manaus, presente na comitiva.
Com a instalação dos dez DATs nas cinco regiões do país, o Semear Digital espera trazer modelos de políticas públicas para a conectividade em zonas rurais. O sucesso do DAT Breves, por sua vez, pode trazer esse modelo para a região amazônica.
“É algo que realmente me emociona e que está na origem desse projeto: fazer o desenvolvimento digital puxar o social. A ideia é não apenas aumentar a produtividade, agregar valor aos produtos da floresta, como também melhorar a qualidade de vida das pessoas”, encerra a presidente da Embrapa.
Comitiva que participou da inauguração do Distrito Agrotecnológico (DAT) de Breves (PA), em outubro (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)
Nos próximos dia 03 e 04 de dezembro, acontecerá, no auditório da Embrapa Pesca e Aquicultura, o Simpósio I Omics in Aquaculture. O evento será das 8h30 às 17h20 e é resultado do projeto “Cooperação entre Noruega e Brasil em Pesquisa e Educação para Melhoramento da Criação em Aquicultura Sustentável”, financiado pelo Conselho de Pesquisa da Noruega e executado em parceria com a Nord University, Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Aquagen (GenoMar Genetics).
O Omics in Aquaculture contará com a participação de pesquisadores de países como Chile e Noruega, tais como Jorge Manuel Fernandes, da Nord University; Kaja Skjærven do Institute of Marine Research, da Noruega e José Yáñez da Universidade do Chile e Diogo Hashimoto, da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Jaboticabal).
Durante seus dois anos de execução, o projeto “Cooperação entre Noruega e Brasil em Pesquisa e Educação para Melhoramento da Criação em Aquicultura Sustentável” capacitou pesquisadores e bolsistas de mestrado e doutorado de ambos os países.
Dois cientistas da Embrapa Pesca e Aquicultura receberam treinamento do equipamento Nanopore, adquirido pelo centro de pesquisas, para realizar sequenciamento de DNA e RNA, de forma mais simples e rápida.
A chefe de P&D da Embrapa Pesca e Aquicultura, Lícia Lundstedt, ministrou uma aula para os alunos de pós-graduação da Nord University. A Embrapa, por sua vez, recebeu alunos de mestrado da área de reprodução dessa instituição, que conheceram as pesquisas desenvolvidas na Unidade com peixes tropicais. Eles também visitaram a GenoMar Genetics.
Segundo o coordenador das atividades do projeto na Embrapa, Giovanni Moro, a Nord University participou de um edital voltado para a capacitação de pesquisadores e pós-graduandos, lançado pelo governo daquele país. O edital exigia que houvesse uma instituição de pesquisa, uma de ensino e uma empresa privada na área de aquicultura. Com isso, abriu-se a oportunidade de parceria envolvendo a Embrapa Pesca e Aquicultura, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a multinacional GenoMar Genetics respectivamente. “As negociações começaram em 2018 e, com o atraso provocado pela pandemia que impediu as viagens, o projeto só foi retomado no final de 2021, finalizando em 2024”, explica ele.
Entre os dias 25 e 30 deste mês, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) participa do Seminario Y Jornada De Intercambio Tecnico: Soberania Alimentaria Y Politicas Publicas, em Buenos Aires, Argentina. A Conab será representada pelo diretor de Política Agrícola e Informações, Sílvio Porto. O encontro é organizado pela Fundación Rosa Luxemburgo e pela Fundación para el Desarrollo Humano Integral.
O objetivo do evento é compartilhar experiências e medidas adotadas pelo Governo Brasileiro na reconstrução de políticas públicas, focando na garantia de acesso à alimentação adequada e à segurança alimentar e nutricional como direito fundamental. Porto fará uma apresentação sobre o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), abordando seu histórico, a retomada em 2023, principais resultados e perspectivas.
Além disso, o diretor discutirá o Programa Cozinha Solidária, uma iniciativa da sociedade civil que produz e oferta refeições gratuitas para grupos em situação de vulnerabilidade socioeconômica e insegurança alimentar, incluindo populações de rua. O evento visa apresentar e compartilhar as soluções desenvolvidas pelo Brasil no combate à fome e promoção da segurança alimentar.
A programação inclui uma reunião técnica com equipes da Fundación para el Desarrollo Humano Integral, onde será discutido o processo da Conab e as políticas agroalimentares no Brasil, visando iniciar um assessoramento para uma proposta programática de políticas alimentares. Porto também participará de um debate público intitulado "Que Estado necessitamos para a Soberania Alimentar?", ao lado de outros especialistas.
A participação da Conab neste evento internacional reforça o papel da Companhia na formulação e implementação de políticas públicas de segurança alimentar, além de promover o intercâmbio de conhecimentos e experiências com outros países da América Latina.
Serviço: Evento: Seminario Y Jornada De Intercambio Tecnico: Soberania Alimentaria Y Politicas Publicas Data: 25 a 30 de novembro Local: Buenos Aires, Argentina
Encontro com representantes de 60 municípios contou com participação da Embrapa Alimentos e Territórios e da Embrapa Cocais
Os ministérios do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), das Cidades (MCid) e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) lançaram o Mapeamento dos Desertos e Pântanos Alimentares, que detalha a distribuição dos estabelecimentos que vendem alimentos saudáveis e não saudáveis em todo o País e os locais considerados desertos e pântanos alimentares nos 91 municípios com mais de 300 mil habitantes. A iniciativa é uma das ações da Estratégia Alimenta Cidades, que envolve 60 municípios brasileiros e conta com apoio da Embrapa Cocais para implementação do Sisteminha e da Embrapa Alimentos e Territórios nas ações voltadas à redução do desperdício de alimentos.
O estudo que mapeou os desertos e pântanos alimentares teve a finalidade de identificar as áreas de difícil acesso a alimentos saudáveis (desertos alimentares) e as áreas nas quais é fácil o acesso a alimentos ultraprocessados (pântanos alimentares), focando nos locais onde residem pessoas e famílias em situação de baixa renda e em territórios periféricos.
“Trabalhamos com a transferência de renda, mas também temos uma rede para promover a segurança alimentar. Estamos trabalhando, desde o ano passado, como combinar esses sistemas com compras de alimentos de pequenos produtores e como estes podem produzir alimentos saudáveis”, argumenta Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Os desertos e os pântanos alimentares contribuem para o aumento da insegurança alimentar e de todas as formas de má nutrição. Quando esses locais são identificados e priorizados nas políticas públicas locais, o quadro pode ser revertido e as áreas afetadas podem se tornar territórios promotores da alimentação adequada e saudável.
Durante o encontro para o lançamento, realizado nos dias 6 e 7 de novembro, em Brasília (DF), o chefe-geral da Embrapa Cocais, Marco Bomfim, e o analista Gustavo Porpino, da Embrapa Alimentos e Territórios, participaram de debates com os representantes dos municípios e apresentaram o potencial do Sisteminha e do fortalecimento de sistemas alimentares urbanos circulares, respectivamente. A implantação do “Sisteminha”, tecnologia social da Embrapa que suporta as famílias a produzirem alimentos, tanto na parte vegetal quanto de proteínas e fibras, contemplará 20 municípios de todas as regiões brasileiras. A meta é implantar 300 sisteminhas nos municípios nos próximos dois anos.
Segundo Marco Bomfim, o Sisteminha Comunidades representa o escalonamento da tecnologia com o objetivo de permitir que mais famílias saiam da condição de vulnerabilidade social e fome, seja no meio rural ou urbano e periurbano, gerando também empoderamento das famílias das comunidades e sustentabilidade social, econômica e ambiental. “É um sistema de produção integrada de alimentos em pequenos espaços ociosos – como terras comunitárias e escolas, quintais e jardins residenciais, telhados e lajes de edifícios – com potencial de transformar o ambiente ecossistêmico e a realidade social, especialmente no Norte e Nordeste, com regularidade de oferta de alimentos com qualidade nutricional diversificada.”
Bomfim adiantou que serão realizadas ações de capacitação de multiplicadores para implantação de mais 300 Unidades da tecnologia em parceria com o MDS, além dos mil Sisteminhas em parceria com o MDA já em processo.
O Sisteminha utiliza a piscicultura intensiva praticada em pequenos tanques construídos com materiais locais diversos e com redução de custos. A partir da recirculação dos nutrientes provenientes do tanque de peixes, é possível obter um sistema de produção integrado de frutas e hortaliças, aves e pequenos animais. A plantação é escalonada e em poucas semanas já há alimentos para consumo. Em sete meses, conquista-se a segurança alimentar e nutricional e ainda geração de renda comunitária a partir da comercialização do excedente da produção. A autonomia das famílias e o empreendedorismo comunitário são outras marcas do Sisteminha Comunidades.
Outras contribuições da Embrapa estão alinhadas ao eixo 5 sobre “redução das perdas e do desperdício de alimentos”. Para Gustavo Porpino, que coordena em conjunto com o MDS a atualização da Estratégia intersetorial para redução de perdas e desperdício de alimentos, as novas políticas públicas reconhecem a importância de ações articuladas com os governos locais para ter mais capilaridade. “Capacitar governos locais para delinearem planos de ação para redução do desperdício de alimentos e identificarmos os programas locais com potencial de escalabilidade estão entre as atividades previstas”, destaca.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estará presente no 1º Congresso Internacional de Alimentos, que acontecerá amanhã (21) e sexta-feira (22), na Universidade Nacional de Hurlingham (Unahur), na província de Buenos Aires, Argentina. O evento reúne especialistas, acadêmicos e gestores públicos de diversos países, com foco em segurança alimentar, inovação no setor agroalimentar e sustentabilidade na produção de alimentos.
O congresso abordará cinco eixos temáticos principais: produção e desenvolvimento de alimentos, qualidade e segurança alimentar, ciência, tecnologia e inovação na indústria alimentar, alimentação, nutrição e saúde, e o direito à alimentação. O objetivo é promover a troca de experiências, gerar conhecimento e incentivar políticas públicas para enfrentar os desafios globais do setor.
A Conab será representada pelo presidente Edegar Pretto, que realizará a conferência “Sistemas Públicos de Abastecimento da América Latina e Caribe”. Durante sua apresentação, Pretto destacará as ações da Companhia no âmbito do Plano Nacional de Abastecimento Alimentar, com ênfase em soluções sustentáveis e eficientes para garantir a estabilidade do abastecimento alimentar em diferentes contextos.
“A Conab desempenha um papel essencial na segurança alimentar do Brasil e da América Latina”, afirma o presidente. “Nossa missão é promover políticas públicas que fortaleçam a resiliência das cadeias produtivas de alimentos e busquem soluções inovadoras para garantir o abastecimento, independentemente dos desafios regionais, com foco na sustentabilidade e na integração entre os países”.
Além de Pretto, participa do evento o chefe da Coordenadoria de Relações Internacionais, Marisson Marinho. Eles estarão em painéis e mesas redondas para discutir temas como políticas públicas para a segurança alimentar, o comércio internacional de produtos agropecuários e a integração regional no fortalecimento das cadeias produtivas de alimentos.
O evento conta ainda com o apoio de instituições como o Governo da Província de Buenos Aires, o Ministério do Desenvolvimento Agrário da Província de Buenos Aires, a Universidade Nacional de Hurlingham e a Rede SPAA. Durante o congresso, serão entregues prêmios e reconhecimentos a entidades que se destacam em ações voltadas para a promoção da alimentação saudável.
A participação da Conab no 1º Congresso Internacional de Alimentos reflete o compromisso da instituição com a segurança alimentar e com a promoção de soluções inovadoras para os desafios globais da produção e distribuição de alimentos, além de reforçar a importância da cooperação regional no fortalecimento das políticas públicas voltadas ao setor agroalimentar.
Os trabalhos de campo para o 3º Levantamento de Grãos da Safra 2024/2025 já estão em andamento. Nesta semana, técnicos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estão percorrendo as lavouras de diversas regiões do Brasil para coletar dados e estimar a área plantada, a produtividade e as condições das culturas. As visitas incluem todos os estados produtores do país, como Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Pernambuco, Piauí, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe, Tocantins e o Distrito Federal.
Além da coleta de dados em campo, a Conab também realiza consultas remotas com colaboradores locais, incluindo produtores, cooperativas, entidades de assistência técnica, empresas de insumos e comercialização, entre outros. O levantamento também é complementado por imagens de satélite, por meio de georreferenciamento, para fornecer uma análise mais precisa da área plantada e da produtividade esperada.
Nesta edição, serão analisadas informações sobre a área cultivada, o percentual de plantio, as condições das lavouras, o estádio de desenvolvimento das culturas e a oferta e demanda por insumos e crédito rural. As culturas monitoradas especialmente em campo serão soja, milho, arroz e feijão, além da finalização da colheita das culturas de inverno, como o trigo.
Os dados atualizados do 3º Levantamento serão divulgados no dia 12 de dezembro de 2024.