terça-feira, 5 de julho de 2011

Desastre em curso

                                                                                         José Roberto Castilho Piqueira*

Nos próximos dias deve tramitar pelo Senado Federal o Projeto de Lei 220, de 2010, que pretende alterar a Lei 9 394, de 20 de Dezembro de 1996. Até aqui parece tudo simples burocracia, de pouco interesse para a sociedade. Mas não é bem assim: essa modificação proposta para a legislação desobriga da titulação os professores dos cursos de engenharia, remetendo o país aos anos1950, época em que estávamos acadêmica e tecnologicamente muito atrasados em relação ao restante do mundo.
Nos anos 1960 e 1970, as principais escolas de engenharia do país, com apoio dos órgãos de fomento, enviaram seus professores ao exterior para a obtenção da formação adequada, em cursos de mestrado e doutorado.
Nos anos 1980 e 1990, esses professores, ao voltar ao país, implantaram programas de pós-graduação em engenharia, formando uma boa geração de novos engenheiros e tecnólogos, agora habituados à pesquisa e à inovação.
Há, hoje em nosso país, excelentes programas de pós-graduação, em quantidade suficiente para atender nossas demandas. A indústria, antes avessa à titulação de seus engenheiros e técnicos, hoje anda em busca de mestres e doutores e algumas têm seus próprios programas, em conjunto com universidades.
Assim, a demanda proposta é dirigida na contra mão do desenvolvimento e não atende ao que a sociedade precisa: mão de obra de alto nível que nos leve à independência tecnológica.
Temos mestres e doutores na área, em boa quantidade. Entretanto, as universidades particulares preferem os não titulados ou aqueles que fazem do ensino uma simples complementação salarial. Isso implica uma queda considerável nos custos de operação dos cursos, acompanhada de uma baixa qualidade de ensino.
Há gente competente para lecionar em escolas de engenharia que não é titulada. Entretanto, em número muito menor do que os mestres e doutores que buscam uma posição em ensino e pesquisa e não encontram, pois as instituições de ensino não querem investir o necessário em salários e em infra-estrutura de pesquisa, pensando, apenas, em maximizar seus lucros.

* Vice-Diretor da Escola Politécnica da USP e Diretor Presidente da Sociedade Brasileira de Automática

Cátedra Unesco lança mapa-pôster sobre o Brasil agrário


Cátedra Unesco de Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial, da Unesp, publica o mapa-pôster O Brasil Agrário. O material será distribuído inicialmente no Estado de São Paulo, nas escolas públicas,universidadescentros de pesquisamovimentos socioterritoriais eórgãos governamentais. O objetivo do material é auxiliar nacompreensão do campo brasileiro e promover a difusão de alguns dosprincipais temas do problema agrário no território nacional.

material é importante como instrumento didático e de incitação àreflexão pois mostra contradições no campo brasileiro”, diz o professorEduardo Paulon Girardi, que desenvolveu a pesquisa pelo Programa dePós-Graduação em Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Unesp, câmpus de Presidente Prudente, e pelo Núcleo de Estudos,Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA).

De acordo com Girardi, “a linha discursiva é contrária daquela propagadapela grande mídiaque difunde modernidade e alta produtividade comocaracterísticas homogeneizadoras para o campo brasileiro”. Para ele, oconjunto de mapas mostra que ainda há muita desigualdade eilegalidade no campo, o que demonstra a atualidade da necessidade da reforma agrária”.

O mapa-pôster é composto por um mapa geral resumido e sete mapasmenores que representam os seguintes temasfamílias assentadas efamílias em ocupações de terraviolência contra camponeses etrabalhadores ruraisíndice de Gini (que mede a concentração de terra)da estrutura fundiáriadesflorestamento na Amazônia brasileira;evolução do rebanho bovinouso da terra nos estabelecimentosagropecuários e, aindaimóveis rurais pequenosmédios e grandes.

mapa geralque é destacado, sintetiza a expressão desses e de outrostemas no território brasileiro e fornece uma visão geral do problemaagrário no Brasil. O arquivo PDF do mapa-pôster pode ser baixado nolinkhttp://www.fct.unesp.br/nera/atlas/downloads/mapaposter.zip

maior parte dos mapas utilizados na publicação tem como fonte o Atlasda Questão Agrária Brasileira, lançado também pela Cátedra em 2008 eque está disponível em www.fct.unesp.br/nera/atlas.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Leonardo Boff, fim do capitalismo e sujeitos indefinidos

É muito interessante e proveitoso ler um intelectual reconhecido, brilhante teólogo e de profundas convicções religiosas, que utiliza elementos do marxismo como referência para discutir o capitalismo, na fase terminal desse sistema. Principalmente, quando alguns marxistas apressados, em nome de uma modernidade indefinida, desfazem-se de alguns conceitos e algumas idéias, tornando essa metodologia apenas uma peça de museu. Leonardo Boff, ex-capuchinho franciscano, vem mostrar-nos, com naturalidade, porque não se pode refugar essa ferramenta.

Peço-lhes licença, no entanto, para fazer alguns comentários a respeito do artigo, Crise terminal do capitalismo, publicado pelo boletim eletrônico da Fundação Lauro Campos (http://socialismo.org.br/) – Socialismo e Liberdade, que reproduzo abaixo.

Nesse trabalho, Leonardo Boff opta por contornar o antagonismo das classes sociais do capitalismo*, pois sequer as cita, apesar de mencionar um subproduto delas, o “exército de reserva” **. Prefere se referir aos “indignados”, que enchem as ruas e praças em vários países e aos “ladrões” que “estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu”.

Não deixa de apontar, porém, que a destruição do meio ambiente e o estrangulamento das condições de vida de enormes contingentes de exploradas e explorados (“, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas. – último §), farão secar as fontes em que o próprio capitalismo se alimenta: o lucro e, em conseqüência, a mais-valia.

Segundo Marx, as “forças produtivas”, agentes de toda criação de riquezas, cuja liberação do jugo das classes dominantes é indispensável para o surgimento de uma sociedade verdadeiramente humana, possuem três componentes inseparáveis: o ser humano, responsável pelo dinamismo, a natureza e a tecnologia.

Nesse entendimento, embora como um bem de produção pareça ser fonte de riqueza, a máquina não pode substituir o trabalho humano, o único componente remunerado pelo salário, a não ser como uma ilusão, que conduzirá o capitalismo ao seu próprio fim. É, justamente, da parcela da produção, pela qual as trabalhadoras e os trabalhadores – a força de trabalho - não recebem remuneração, que se alimenta o capitalismo.

A própria burguesia, classe dona dos meios de produção, vai, gradativamente, minguando, sendo que a parcela falida de seus integrantes passam a engrossar a multidão explorada. Isso derruba as teorias, que atribuem capacidade de longo período de realização da mais-valia com base no consumo de auto-padrão.

Além disso, ao marginalizar um número gigantesco e crescente de pessoas do mercado de consumo, coisa que nenhum paliativo (como o “Salário Família”) pode disfarçar por muito tempo, o sistema capitalista irá deixando de realizar a mais valia, também, por falta de consumidores.

Desculpem os leitores, se me alonguei nessas considerações. Pois, o texto de Leonardo Boff, a seguir, ainda que não defina os sujeitos da história que conta, merece o melhor das atenções.

Um grande abraço do,
William.
27/06/2011.

*O antagonismo de classes, para Marx, dar-se-ia entre as classes, cujos interesses econômicos polarizam na sociedade capitalista: a burguesia, classe dominante, dona dos meios de produção; e o proletariado e seus agregados, a classe trabalhadora, composta pelos assalariados pela burguesia. Cada qual com os seus agregados. Há, também, as classes intermediárias, formadas pela classe média e a pequena burguesia.

** “Exército de reserva” ou “exército industrial de reserva”, no conceito marxista, é a parcela de trabalhadoras e de trabalhadores mantida desempregada pelo mercado de empregos do capitalismo, justamente, para, através da competição, pressionar para baixo o nível salarial das e dos, que estão empregados.
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Fundação Lauro Campos
SOCIALISMO e LIBERDADE
fundacao@socialismo.org.br
http://socialismo.org.br/

Crise terminal do capitalismo?
Ecologia
Leonardo Boff
Sex, 24 de Junho de 2011 12:02


Leonardo Boff

Tenho sustentado que a crise atual do capitalismo é mais que conjuntural e estrutural. É terminal. Chegou ao fim o gênio do capitalismo de sempre adaptar-se a qualquer circunstância. Estou consciente de que são poucos que representam esta tese. No entanto, duas razões me levam a esta interpretação.

A primeira é a seguinte: a crise é terminal porque todos nós, mas particularmente, o capitalismo, encostamos nos limites da Terra. Ocupamos, depredando, todo o planeta, desfazendo seu sutil equilíbrio e exaurindo excessivamente seus bens e serviços a ponto de ele não conseguir, sozinho, repor o que lhes foi sequestrado. Já nos meados do século XIX, Karl Marx escreveu profeticamente que a tendência do capital ia na direção de destruir as duas fontes de sua riqueza e reprodução: a natureza e o trabalho. É o que está ocorrendo.

A natureza, efetivamente, se encontra sob grave estresse, como nunca esteve antes, pelo menos no último século, abstraindo das 15 grandes dizimações que conheceu em sua história de mais de quatro bilhões de anos. Os eventos extremos verificáveis em todas as regiões e as mudanças climáticas tendendo a um crescente aquecimento global falam em favor da tese de Marx. Como o capitalismo vai se reproduzir sem a natureza? Deu com a cara num limite intransponível.

O trabalho está sendo por ele precarizado ou prescindido. Há grande desenvolvimento sem trabalho. O aparelho produtivo informatizado e robotizado produz mais e melhor, com quase nenhum trabalho. A consequência direta é o desemprego estrutural.

Milhões nunca mais vão ingressar no mundo do trabalho, sequer no exército de reserva. O trabalho, da dependência do capital, passou à prescindência. Na Espanha o desemprego atinge 20% no geral e 40% e entre os jovens. Em Portugal, 12% no pais, e 30% entre os jovens. Isso significa grave crise social, assolando neste momento a Grécia. Sacrifica-se toda uma sociedade em nome de uma economia, feita não para atender as demandas humanas mas para pagar a dívida com bancos e com o sistema financeiro. Marx tem razão: o trabalho explorado já não é mais fonte de riqueza. É a máquina.

A segunda razão está ligada à crise humanitária que o capitalismo está gerando. Antes se restringia aos países periféricos. Hoje é global e atingiu os países centrais. Não se pode resolver a questão econômica desmontando a sociedade. As vítimas, entrelaças por novas avenidas de comunicação, resistem, se rebelam e ameaçam a ordem vigente. Mais e mais pessoas, especialmente jovens, não estão aceitando a lógica perversa da economia política capitalista: a ditadura das finanças que via mercado submete os Estados aos seus interesses e o rentitentismo dos capitais especulativos que circulam de bolsas em bolsas, auferindo ganhos sem produzir absolutamente nada a não ser mais dinheiro para seus rentistas.

Mas foi o próprio sistema do capital que criou o veneno que o pode matar: ao exigir dos trabalhadores uma formação técnica cada vez mais aprimorada para estar à altura do crescimento acelerado e de maior competitividade, involuntariamente criou pessoas que pensam. Estas, lentamente, vão descobrindo a perversidade do sistema que esfola as pessoas em nome da acumulação meramente material, que se mostra sem coração ao exigir mais e mais eficiência a ponto de levar os trabalhadores ao estresse profundo, ao desespero e, não raro, ao suicídio, como ocorre em vários países e também no Brasil.

As ruas de vários países europeus e árabes, os "indignados" que enchem as praças de Espanha e da Grécia são manifestação de revolta contra o sistema político vigente a reboque do mercado e da lógica do capital. Os jovens espanhois gritam: "não é crise, é ladroagem". Os ladrões estão refestelados em Wall Street, no FMI e no Banco Central Europeu, quer dizer, são os sumo-sacerdotes do capital globalizado e explorador.

Ao agravar-se a crise, crescerão as multidões, pelo mundo afora, que não aguentam mais as consequências da super-exploracão de suas vidas e da vida da Terra e se rebelam contra este sistema econômico que faz o que bem entende e que agora agoniza, não por envelhecimento, mas por força do veneno e das contradições que criou, castigando a Mãe Terra e penalizando a vida de seus filhos e filhas.

Leonardo Boff é teólogo e escritor, autor do livro "Proteger a Terra – cuidar da vida: como evitar o fim do mundo" (Record 2010).
socialismo.org.br

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Autoridades da área educacional de São Paulo avaliam Plano Nacional de Educação

Encontro será realizado neste dia 29 em São Vicente, na Baixada Santista


A União dos Dirigentes Municipais de Educação - UNDIME SP - irá promover nesta quarta-feira, dia 29, o “I Encontro Temático do Programa Município que Educa”, que terá como tema Avaliação do Plano Nacional de Educação.

O prefeito Tércio Garcia e a secretária de Educação de São Vicente, Tânia Simões, assim como a presidente da UNDIME-SP, Suely Maia, que também é secretária de Educação de Santos, abrem o encontro, às 8h, no Centro de Convenções de São Vicente (av. Capitão Luís Antônio Pimenta, 811, Parque Bitaru – São Vicente – SP), na Baixada Santista.

Além de palestras e mesas redondas, que contarão com a presença dos dirigentes da UNDIME SP, do Instituto Paulo Freire e de diversos Secretários de Educação de municípios paulistas, os convidados também poderão conferir novidades no setor educacional. Na área dos estandes, por exemplo, a empresa Planeta Educação - especializada na implantação de soluções educacionais inovadoras - irá expor alguns programas como: ‘Gestão Fácil’, ‘Informática Educacional’ e “UCA - Um Computador por Aluno”, que já estão em execução nas escolas públicas de vários municípios de São Paulo, inclusive em Cubatão, Bertioga, Taboão da Serra, Osasco, Porto Feliz e Votorantim, entre outros.

“Os alunos do século XXI têm acesso à tecnologia desde muito pequenos. Por isso, o uso de laptops e dos laboratórios de informática na nas escolas são imprescindíveis para facilitar o aprendizado. O advento da tecnologia no ensino vai marcar uma nova geração de adultos, que hoje está sendo formada em nossas escolas”, afirma a Secretária de Educação de Caçapava, Irene Borsoi, sobre o Programa Informática Educacional da Planeta Educação.

O “I Encontro Temático do Programa Município que Educa” vai até as 17h.


PROGRAMAÇÃO:

Manhã:

8h às 9h15 – Credenciamento e Recepção

9h15 às 9h30 – Apresentação da Orquestra Sinfônica do Centro Educacional e Recreativo - CER

9h30 às 10h – Mesa de Abertura
Prefeito de São Vicente (SP), Tércio Garcia
Presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Pedro Gouvêa
Secretária municipal de Educação de São Vicente, professora Tânia Simões
Diretor do Instituto Paulo Freire, professor Paulo Roberto Padilha
Presidenta da UNDIME-SP e secretária municipal de Educação de Santos (SP), professora Suely Maia

10h às 12h
Conferência e debate com a platéia: Avaliação do Plano Nacional de Educação. Coordenação: professor Moacir Gadotti, presidente do Instituto Paulo Freire. Conferencistas: professora Cleuza Repulho, presidenta da UNDIME Nacional e secretária Municipal de Educação de São Bernardo de Campo (SP) e professor Roberto Franklin de Leão, presidente do CNTE.

12h às 14h – Almoço

Tarde:

14h às 16h30
Mesa Redonda - Tema: PNE e PME: Convergências e Desafios
Coordenação: professora Maria José Favarão, secretária de Educação de Osasco
Debatedores: professor Alberto Marques, vice-presidente da UNDIME-SP e secretário de Educação de São José dos Campos, e professor Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação e presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada - IBSA

16h30 às 17h – Coquetel de encerramento

Apoio: AHOM Educação, Aymará Educação, Desk Móveis Escolares, Editora Esfera, Educamax Projetos Educacionais, Grupo Diana Paolucci, Planeta Educação.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Pressão sobre as escolas

Em recente artigo na Revista Veja com o título "Pra pobre analfabeto... tae kwon do!" Gustavo Ioschpe relata sua observação em relação a escolas que visitou com equipe de reportagem de uma emissora em diversas partes do Brasil.
Discorre sobre muitas delas, comparando as ações das que são boas com as que são ruins. Conclui com a seguinte anotação a título de Post Scriptum:
"P.S. As escolas públicas do país deveriam ser obrigadas por lei a pôr seu Ideb em placa de 1 metro quadrado ao lado da porta principal, em uma escala gráfica mostrando sua nota de zero a 10. Na placa deveria aparecer também o Ideb médio do município e do estado. A maioria dos pais e professores hoje não sabe se a escola do filho é boa ou ruim, e, se esperarmos que consultem o site do MEC, seremos o país do futuro por mais muitas gerações. Mande um e-mail para seu deputado e exija essa lei."
Pessoalmente enviarei ao jornalista um email e não a deputado algum, pelo que abaixo expomos.
De fato nada contra a apresentação dos indicadores da escola. Apenas que, desse modo parecerá que todas as outras escolas estão bem e só aquela que não. Quando um Estado como São Paulo apresenta historicamente rendimento escolar abaixo da crítica, indicaria o bom senso que esse não seja um problema de direção, corpo docente dessa ou daquela escola, mas de um sistema. Sugerir que se faça pressão para coagir as escolas a se mexerem, requer antes alguns elementos:
1- Corpo docente qualificado e com dedicação exclusiva;
2-Salários que não obriguem a que o professor acumule empregos para poder sobreviver;
3- Corpo docente estável na mesma escola;
4- Condições de atualização dos professores e tempo para planejamento semanal;
5- Proposta curricular de longa duração;
6- Material pedagógico adequado às condições dos alunos;
7- Pessoal de suporte técnico (psicólogo, assistente social) capaz de enfrentar a realidade das crianças em situação de risco;
8- Legislação que exija o comparecimento dos pais na escola.
Além de algumas observações que o próprio articulista declinou:
1- gestão que oriente e dê sentido ao todo (de fato, isso se mostra na Proposta Pedagógica da escola construída coletivamente)
2- envolvimento da direção
3- organização
4- material didático como base das aulas
5- avaliação constante (e acrescentaríamos, elaborada po objetivos e voltada para diagnóstico e não apenas para os resultados).

O autor, entretanto, não analisa que as escolas ditas 'boas' têm algum diferencial que não foi perceptível ou que não tenha sido relatado e por isso, acabe distorcendo a observação.
Há escolas que possuem parcerias - empresas ou pessoas que investem recursos próprios- e que com o tempo passam a ter rendimento melhor que a média das escolas. Há escolas em que os professores recebem um percentual a mais de salário (20%) em virtude da localização e isso serve como atrativo para profissionais melhor pontuados, mais experientes. Há escolas que juntam outros fatores, como 'proteção' de órgãos setoriais que indevidamente favorecem com recursos, meios, materiais, reformas. Há escolas com professores concursados, efetivos e que permanecem por longo tempo nela. Há, em contrapartida, as que são deliberadamente prejudicadas.
Então, divulgar só índices, não adianta e nem é justo. Não adianta porque os pais que não se incomodam com a vida escolar de seus filhos, não darão importancia a isso. Os que dariam importância, por outro lado, passariam a desacreditar e nem sempre com alternativa para matricular os filhos em outra escola, ou, ficariam aflitos mas sem saber dos promenores que levaram aquela escola a essa situação.
E ainda, um desafio. Visite uma escola e volte a ela daqui 10 anos. Diríamos que em cerca de 90% dos casos, a situação terá mudado e não raro a escola se encontrará em precárias condições. Seja porque mudou o corpo docente, a direção, a relação com o órgão setorial, com a parceria ou mesmo, com a clientela.
Ao contrário do que dz o articulista, 'boas' escolas são oásis que por algum tempo conseguem aglutinar vários fatores que impulsionam seu trabalho. Se duvidar basta comparar os resultados do IDESP, ENEM, SARESP, IDEB, SAEB. Vejam-se os resultados divulgados a cada edição, quais as que se mantém entre as melhores? Mesmo tendo uma série histórica breve, há um movimento gangorra, um sobe e desce constante.
No passado, alunos do Roosevelt, Caetano de Campos, Campos Salles, São Paulo, Fernão Dias, Alexandre de Gusmão faziam vestibular para USP e assemelhados e eram aprovados e por esse indicador avaliava-se a qualidade do ensino. Qual a situação dessas escolas hoje? Durante algum tempo uma ou outra escola poderá se manter entre as mil melhores escolas do país, mas não se manterá para sempre. 
Parodiando um assessor de um programa televisivo, vendo a foto é uma coisa, vendo o filme é outra! Veja o filme Sr. Gustavo, veja o filme!  
Autor: Eduardo Paulo Berardi Jr. Postagem original em:

Embrapa participa de debates, mostra tecnologias e lança publicações na Agrotins

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