sexta-feira, 3 de junho de 2011

CNE revê parecer sobre livro de Monteiro Lobato e deve sugerir contextualização da obra pelo professor

03/06/2011 - 8h16

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O Conselho Nacional de Educação (CNE) reviu o polêmico parecer que classificava como racista parte da obra Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, e restringia o uso desse livro nas escolas públicas. O texto final do novo parecer ainda não foi publicado, mas irá sugerir que a obra seja contextualizada pelos professores quando utilizada em sala de aula.
Em nota, o colegiado afirma que “uma sociedade democrática deve proteger o direito de liberdade de expressão e, nesse sentido, não cabe veto à circulação de nenhuma obra literária e artística. Porém, essa mesma sociedade deve garantir o direito à não discriminação, nos termos constitucionais e legais, e de acordo com os tratados internacionais ratificados pelo Brasil”.
O conselho deve indicar que as próximas edições do livro venham acompanhadas de uma nota técnica que instrua o professor a contextualizar a obra ao momento histórico em que ela foi escrita. O CNE, entretanto, reconhece a “qualidade ficcional da obra de Monteiro Lobato” e o seu “valor literário”.
Para o ministro da Educação, Fernando Haddad, que devolveu o antigo parecer para que fosse reanalisado pelo conselho, a solução encontrada foi interessante. “Penso que ficou mais clara a intenção do conselho, que não creio que tenha sido outra, a bem da verdade. E o conselho despertou um debate interessante sobre uma figura histórica que escreveu livros que todos nós lemos e produziu também um material contestável nos dias de hoje”, disse.

Edição: Lílian Beraldo

Apoema, o conquistador e seu fim


Pedro Coimbra

                Nem mesmo seu nome, Apoema, as pessoas sabiam se havia recebido na pia batismal ou era mera invenção. Jairinho G., o melhor contador de “causos” da corruptela de Vai-quem-pode dizia que o conhecera quando era um faz de tudo nas fazendas e casas do arraia. Jurava então, pela Santa Virgem, que naquele tempo há muito passado, ele se chamava Antônio Serapião.
                A lenda contava que um dia tivera uma visão da Santa Virgem, em pleno Sol do meio dia e ela o encarregara de uma grande missão na terra, de arrebanhar homens, mulheres e crianças para uma nova vida.
                Jairinho G. finalizava sua história dizendo que na verdade Antônio Serapião, levou um tombaço na entrada da Gruta do Cachorro Doido e quando levou do chão, a testa sangrando, já era Apoema, que significa aquele que vê mais longe.
                Arranjou uma espécie de túnica branca e com uma imagem da Santa Virgem debaixo do braço começou a pregar por seca e Meca, dizendo que era um enviado para arrebanhar o povo de Deus e encaminhá-lo no propósito do bem.
                Em uma terra que tomou posse, Apoema, que era um excelente pedreiro, começou a erguer uma grandiosa construção. Aos que lhe perguntavam o que era aquilo, dizia ser o Castelo do Reino Encantado.
                - E sabem vocês quem era o Rei daquele lugar? – perguntava Jairinho G. aos que ouviam E respondia com um sorriso no canto da boca: Apoema, Primeiro e Único.
                Apoema interpretava ao seu modo as poucas linhas que se lembrava das Escrituras Sagradas. Nas suas andanças aumentava seus acólitos que o procuram a pé, a cavalo ou em carros de boi, vindos de lugares longínquos, muito além da Serra do Carrapato.
                Na região havia poucos religiosos e ele que não concordava com nenhum deles acabou por expulsar padres e freis, passando as igrejinhas e capelinhas a fazerem parte do seu Reino Encantado.
                Não satisfeito, Apoema, que já possuía muito poder e muitos acompanhantes, se voltou contra o poder temporal, colocando-se contra os representantes legislativos, executivos e judiciário do local. Por tal feito acabou tendo que enfrentar os milicos enviados. Venceu-os em sucessivas batalhas, as quais ele mesmo dava suas denominações, como a da “Luta contra os demônios”.
                As autoridades da capital acabaram por achar de melhor alvitre não gastar pólvora com aquele visionário perdido no fim do mundo e o esqueceram. Rei Apoema mudou o nome de Vai-quem-pode para cidade Presidente.
                - Qual Presidente? - sua corte quis saber.
                Cortando as unhas encravada dos pés Apoema que seria o do momento.
                Vivia no castelo, acompanhado de duques e viscondes, gente muito simples que levava pros quatros cantos sua mensagem do fim do mundo e da necessidade de purgar todos os pecados. Varão feroz coabitava com várias mulheres com quem mantinha grande prole. Tornou-se também um grande proprietário.
                - Mas diga- nos, Jairinho G. como foi o fim de Apoema? – perguntavam as pessoas.
                - A ignorância provoca o fim de quem as gera – afirmou o contador de histórias.
                Segundo ele, sem que Apoema soubesse, os grandões da capital armaram contra ele uma grande armadilha. Seu palácio do Reino Encantado tornou-se um estorvo a construção de uma ferrovia.
                - Mas ele não resistiu? - perguntavam todos.
                - O máximo que pode – dizia Jairinho G. – mas acabou vencido. Quando dinamitaram aquela estranha construção, um pedaço da torre desabou sobre sua cabeça. Seu corpo levaram para bem longe e os que o seguiam desapareceram de uma hora para outra.
                Sentado na porta do botequim o homem parecia em outra dimensão.
                - Ficou a saudade de Apoema e o Reino Encantado – finalizava.
                - Por que Jairinho G.? – os circunstante perguntavam.
                - Porque depois que Apoema e seu Reino Encantado desapareceram todos compreenderam que, com todos os defeitos, a covardia e falta de liberdade aquele foi um tempo melhor do que hoje aí está, desta tal democracia, porque o ele era um homem bom...

Tecnologia e mágica




“Qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica!”, diz a Terceira “Lei” formulada por Arthur C. Clarke, mais conhecido por ter escrito o conto “O Sentinela”, base para a obra-prima de Stanley Kubrick, “2001: Uma Odisséia no Espaço”.

A considerar esta “lei”, vivemos num mundo de mágica, pois a tecnologia faz parte do cotidiano, tanto que já não nos impressionamos nem mandamos queimar seus autores: cientistas e pesquisadores. O que persiste é que ainda há os que fazem ou usam isso para o bem ou para o mal, além do fato de usarmos essa “mágica” sem entender muito bem como ela funciona.

Não é muito diferente com a natureza:
Nós a usamos - tiramos dela suas mágicas - sem entender direito seus mecanismos e razões. Não é à toa que vivemos tempos de crise ambiental, movida pelo consumismo desenfreado.

Para mudar essa perspectiva de que a fantasia de hoje pode ser o pesadelo de amanhã, dando margem para que mistificadores, fanáticos, ignorantes ou mal-intencionados, voltem a demonizar a ciência e seus desdobramentos, o ideal é criar uma consciência ecológica desde a infância. Não falo de doutrinação, mas de construção do conhecimento que alie ciência, natureza e sociedade, reintegrando o ser humano ao meio ambiente pela consciência de que um e outro são indistinguíveis e fazem parte da mesma “mágica”.

O ideal seria que todas as escolas proporcionassem essa construção de conhecimento, só que laboratórios ainda são caros e seu uso nem sempre é adequado.
Mas, o que impede que mesmo pequenas cidades disponham de centros que, em diferentes níveis, propiciem aos alunos conhecimentos e experimentos científicos e tecnológicos?

Seria fantástico que se multiplicassem equipamentos como a “Cidade das Ciências”, de La Villete, em Paris; ou como a “Estação Ciência”, de São Paulo. Nada impede, no entanto, que sejam criados pequenos centros locais, que sirvam de apoio ao Ensino Fundamental e Médio, e também ao público em geral. Neles, poderia haver laboratórios onde os visitantes assistiriam ou fariam experiências nas áreas de Física, Química e Biologia, que explicassem fenômenos naturais de forma lúdica. Uma sala de projeção serviria para exibição de filmes de ficção científica, seguida de debates sobre os conhecimentos e tecnologias abordados, inclusive sob aspectos ambientais e éticos.

Aliar o fascínio do cinema - tecnologia e fantasia por excelência! - à proposta de formação de cidadãos íntegros e conscientes de suas potencialidades e papel perante o meio ambiente e a sociedade.
Que tal?
Afinal, se não podemos fazer superproduções educativas, que saibamos utilizar inteligentemente as comerciais, discutindo seus erros e acertos, revertendo o que alienam ou distorcem.
No mais, as tecnologias disponíveis permitem acesso à internet com baixo custo, potencializando videoconferências com cientistas e especialistas de empresas.

Esses pequenos centros funcionariam como ambientes para atividades externas às escolas; para a formação de docentes; para o desenvolvimento de projetos e pesquisas de interesse local ou regional; e para lazer. E tudo com a proposta de integrar ciência e tecnologia ao dia a dia, a cidade ao mundo, o ser humano à natureza.

Porque não ter ciência e tecnologia para todos, de forma criativa e divertida, desde a infância?
Formar gerações para o pensamento ecológico, que alie: natureza, tecnologias e suas interfaces é fundamental para reverter o quadro atual!


quinta-feira, 2 de junho de 2011

TOLOS, BOBOS, SUJOS, MALVADOS E FEIOS. POR MARLI GONÇALVES


Não estamos, pelo menos que eu saiba, produzindo nenhum filme de bang-bang. Nem de luta livre nas ruas. Ou estamos? Mas falta pouco. A realidade é que se fôssemos documentar direito os tempos que vivemos neste país estaria decretado o fim dos grandes roteiristas de cinema. Inclusive nas categorias de comédia e animação. Ninguém conseguiria chegar nem perto de criar personagens tão patéticos e maledicentes como os que surgem aos borbotões sabe-se lá de que buraco


Tem Pateta? Tem, sim, senhor. Tem Avatar? Claro! Inclusive com seres pálidos e ruralistas em choques com verdinhos. Tem "Explosões"? Todos os dias, na periferia, com explosivos de última geração, TNT do bom, de dar inveja a qualquer Missão Impossível. Voa dinheiro para todos os lados, em fugas melhores do que a de Fuga do Planeta dos Macacos. Até na comédia estamos acelerados na produção, mas infelizmente apenas de imbecis que fazem graça para aparecer e depois ficam por aí, com cara de tacho.

Vamos passar os fotogramas rapidamente. Gravando! Moleques da tevê aparecem - um praticamente diz que estupro deveria ser pedido pelas mulheres feias, que agradeceriam; o outro faz uma lambança, se metendo em uma até então divertida discussão, apenas para demonstrar o preconceito religioso e contra os idosos (é, ele também ofendeu os velhos, além dos judeus). Troca de papéis: deveriam estar nos fazendo rir; mas nos fazem é chorar. O título de um destes filmes foi "A graça de um herege" - como se heresia fosse. Santa paciência! A do outro poderia ser "Ih! Vou fazer cara de coió", ou "Desculpa, não quis ofender".

Aí aparecem os clones de Lobo Mau, com suas bocas enóóóormes e olhar esgarçado. O secretário de Segurança de São Paulo e São Pedro declara, ou melhor, decreta, sem piscar, bom ator de terror, que agora só existem 30 membros do PCC - a organização que controla prisões, cadeias, ruas, vilas, penitenciárias, etc - de todo o país. E que eles estariam apenas em um lugar. Declara não; decide. E diz que "alguém" tem de fazer alguma coisa com tanta insegurança reinante. . O repórter - provavelmente pelo êxtase, distraído e inebriado com a formosura da autoridade - esqueceu de aproveitar e perguntar o nome deles, pedir essa listinha.

Continuando nossa sessão, aparece um novo protagonista para "Ao mestre, com carinho". Branco, esguio, olhos claros, material didático nas mãos e ampla disposição para a orientação sexual dos outros. Não, não é mamãe Dinossauro. É o Broncossauro, Bolsonaro. Ele resolveu. Ele acha. Ele quer. Invade sua casa, sua escola, a rede , e até o seu bolso. Invade até entrevista da Dona Marta. Ele também é "O Exterminador do Futuro!". O tipo anda acompanhado por protagonistas menores, loucos por uma ponta, nem digo de quê. "Comer, Rezar, Amar".

De repente, como numa festa de arromba, surge em "O Horizonte Perdido", rolando ladeira, Ed Motta! Deve ter comido alguma coisa ruim, porque passou a expelir impropérios para tudo quanto é lado, quase um Universo Irracional, um Lobão, mas sem o jeito e a graça anárquica do roqueiro certeiro. Ed mandou ver até com a sem graça metida a besta Paula Toller, eterna candidata a "Anaconda 3, me engana que eu gosto".

E já que citamos os cabelos amarelos, nessa sucessão de bobagens para os nossos ouvidos que realmente estão virando penicos, até Ana Maria Braga fez tobogã, mostrando matéria sobre bactérias terríveis nos carrinhos dos supermercados, inclusive os de onde ela faz propaganda todo santo dia. Sem luvas. Sem camisinha, só o Neymar, apenas um garoto brincando com suas bolas.

É. O tema era bom mesmo para título de filme, categoria-documentário: "Os três is - Intolerância, Ignorância, Intransigência", mas a essa altura da vida, vendo que há participantes de todos os matizes fazendo bico, isso ficou mais para "Apertem os cintos ...O piloto sumiu". Com pneumonia leve, como se tal existisse e perdurasse semanas. Hã, hã. Corta!

Não é para menos que outro dia cheguei na casa do meu pai, de 93 anos, e encontrei-o excitado, vibrando, aos brados, na frente da televisão. Fui correndo ver, porque ele normalmente é um caboclo bem sisudo. Ele estava simplesmente assistindo ao noticiário de tevê. Foi o dia da quase bolachada no Bolsonaro, do bate-boca do Código Florestal, que espalhou para tudo quanto é lado, e mais um dia no qual ele acompanhava, boquiaberto, as chacinas e violências no Oriente Médio. Como bom índio que é, papai não entende como ainda não foram até lá dar umas boas flechadas nesses "cabras" que todo dia prendem, torturam e bombardeiam dezenas de inocentes.

Pois é. Talvez, em breve, num cinema dentro da sua casa. Espere os créditos até o final.

São Paulo, com gente diferenciada e flutuante; mas limpinha. 2011

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Sempre alerta, como O Vigilante Rodoviário. Continua dando um boi para não entrar. Mas não há Tropa de Elite capaz de fazer pedir que saia, uma vez dentro. E não gosta que cortem cenas porque não agradam os, digamos, patrocinadores, ou produtores associados.

E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

A Guerra do Vietnã: foi uma incursão norte-americana no Vietnã do Norte ou uma declaração de guerra dos norte-vietnamitas aos EUA?

A Guerra do Vietnã: foi uma incursão norte-americana no Vietnã do Norte ou uma declaração de guerra dos norte-vietnamitas aos EUA?

Projeto Horta em Casa quer melhorar a alimentação da população


Realizadas pelo Instituto GEA, oficinas orientam como plantar em sua própria casa e mostram os benefícios de se alimentar corretamente

 

O Projeto Horta em Casa, realizado pelo Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente, promove a conscientização sobre alimentação saudável. Com recursos do FEMA – Fundo Especial para o Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, o projeto conta com oficinas em bairros da Zona Leste de São Paulo, mostrando como é possível se alimentar de maneira mais saudável e ambientalmente correta, com mais economia, por meio da plantação de alimentos ricos em nutrientes dentro de casa.

 

O projeto está acontecendo na União de Vila Nova, antiga favela Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, já urbanizada. "O projeto quer ajudar a população de baixa renda a repensar sua alimentação. As pessoas gastam muito e comem mal - e podem gastar menos e comer melhor", explica Ana Maria Luz, presidente da ONG. O consumo de alimentos não saudáveis, aliado à falta de exercícios físicos, levou o Brasil a alcançar níveis preocupantes de sobrepeso e obesidade: 48,1% dos brasileiros estão acima do peso e 15% já são considerados obesos, de acordo com pesquisa do Ministério da Saúde.

 

Nas oficinas, o técnico agrônomo José Luis Tomita ensina como é fácil plantar frutas e verduras em vasos dentro de casa ou no quintal, e são preparadas receitas com o aproveitamento integral dos alimentos, como talos e cascas. As oficinas acontecem todos os meses. Além das orientações, os participantes recebem um kit para o plantio, com um avental, vasos, terra, adubos e sementes.

Questionário de Referência para a Elaboração das Agendas 21 Locais pelas Comunidades

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Embrapa participa de debates, mostra tecnologias e lança publicações na Agrotins

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